economia, Geral

Menos e de saída…

“O Emigrante” (1918), de José Malhoa (1855-1933)

Não é que não se soubesse. Mas, quando confrontados com números, a realidade parece-nos mais indesmentível. O país perdeu 30.317 indivíduos entre 31 de Dezembro de 2010 e a mesma data do ano seguinte, segundo a estimativa ad hoc do estudo Estimativas Anuais de População Residente (2010 – 2011) agora divulgado pelo INE.

No final de 2011 residiriam em Portugal 10 541 840 indivíduos, um valor que significa uma diminuição de 0,3% face ao ano anterior.

O mesmo estudo mostra uma diminuição generalizada de população em praticamente todo o país. Excepcionam-se as regiões de Lisboa e Açores com valores próximos da estagnação, de mais 773 e 334, respectivamente. No que se refere aos resultados da região de Lisboa, a Grande Lisboa aumenta os seus residentes em 1.686 enquanto a Península de Setúbal perde 913.

Os crescimentos da população portuguesa assentes na entrada de imigrantes fazem já parte do passado. O saldo migratório é agora negativo, sendo estimado em menos 24.331 indivíduos – facto que reflecte também o aumento do recurso à emigração pelos portugueses. E que alguns estudos apontam para valores próximos dos picos atingidos nos anos sessenta. Fonte governamental estimava esse valor em 100 a 120 mil pessoas no ano passado, uma sangria de que não há horizonte para a sua inversão.

Quase também que se pode dizer que os portugueses “não fazem filhos”, daí o saldo natural (diferença entre natalidade e mortalidade) negativo de 5.986 indivíduos. Tendência que se irá acentuar num futuro próximo, já que não se divisam quaisquer políticas públicas activas que estimulem a natalidade. Uma omissão que, somada à presente, crise não nos deixa qualquer esperança.

O envelhecimento e a diminuição da população são os maiores desafios com que nos confrontamos. Fenómenos que não são novos mas que foram atenuados, durante cerca de duas décadas, pela imigração oriunda do leste europeu e do Brasil, que então se somou aos tradicionais fluxos provenientes dos PALOP’s.

Com um país que expulsa os jovens e que deixou também de atrair imigrantes capazes de o rejuvenescer e fortalecer, enfrentamos um futuro que só pode ser negro. É isso que as frias estatísticas não dizem.

P.S. – Segundo o estudo do INE acima referido, constituem excepções à diminuição generalizada de população os seguintes concelhos: Braga, Paços de Ferreira, Penafiel, Aveiro, Coimbra, Leiria, Arruda dos Vinhos, Entroncamento, Amadora, Cascais, Loures, Mafra, Odivelas, Oeiras, Sintra, Vila Franca de Xira, Alcochete, Montijo, Seixal, Sines, Évora, Benavente, Albufeira, Faro, Lagos, Olhão, Portimão, Vila do Bispo, Lagoa (R.A.A), Ponta Delgada, Ribeira Grande, São Roque do Pico, Vila da Praia da Vitória e Vila Franca do Campo.

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