Geral

Vira o disco e toca o mesmo

Álvaro Cunhal, quando é preso aos 23 anos. Tirado daqui http://visao.sapo.pt/actualidade/portugal/alvaro-cunhal-o-homem-que-recusou-ser-comum=f756581

O jornal “O Setubalense” ofereceu-nos, no princípio desta semana, um texto de opinião sobre Álvaro Cunhal com o qual se pretendia contestar a opção municipal de homenagear, numa avenida da cidade, o histórico dirigente comunista.

Na verdade, teria sido importante que o texto de opinião fosse mesmo sobre Álvaro Cunhal. Mas não foi. Nos 3270 carateres em que o articulista, que foi mandatário da candidatura do CDS à Câmara Municipal, em 2017, tenta, sem sucesso, contestar a opção da autarquia, apenas 945 (um terço) são dedicados ao dirigente do PCP. O resto do texto limita-se a tocar a velha cassete fascista dos que foram derrotados em Abril, aqueles contra quem o antigo secretário geral do PCP lutou e, por isso, foi encarcerado por longos anos nos cárceres salazaristas e forçado ao exílio.

Se tivesse querido escrever sobre Álvaro Cunhal, o articulista, aparentemente despreocupado com as perseguições fascistas de que o líder comunista e seus camaradas foram alvo enquanto defendiam um país melhor, mais justo e democrático, teria — mesmo afirmando a sua discordância com as opções ideológicas do Partido Comunista Português –recordado o papel que o dirigente do PCP desempenhou na luta contra um regime que oprimiu e perseguiu os que se atreviam a pensar de forma diferente e pela construção da moderna democracia portuguesa em que hoje vivemos. Um regime que fez de Portugal um país atrasado, isolado, incapaz de compreender os tempos e conivente com as piores ditaduras fascistas europeias.

Se quisesse falar de Álvaro Cunhal e do partido que dirigiu, teria, pelo menos, mencionado que o PCP sempre se submeteu a eleições e respeitou escrupulosamente os seus resultados. Teria mencionado, mesmo ao de leve, que o PCP é um dos fundadores do sistema constitucional português e do nosso moderno estado de direito democrático (a este propósito, recomenda-se ao articulista a leitura desta parte do programa do PCP, para ver se compreende, de uma vez por todas, o que defendem os comunistas portugueses).

Se quisesse falar de Álvaro Cunhal teria destacado, mesmo discordando das orientações seguidas, o trabalho que os comunistas, ao longo dos mais de quarenta anos de democracia, desenvolveram nas autarquias portuguesas.

Se quisesse falar de Álvaro Cunhal, o autor do texto teria, certamente, recordado o contributo que o dirigente dos comunistas deu à literatura portuguesa, quando escreveu sob o pseudónimo ManuelTiago, e às artes plásticas, com os notáveis desenhos que fez na prisão e que hoje são reproduzidos em Setúbal na avenida com o seu nome.

Se quisesse falar de Álvaro Cunhal, não expondo o mais básico ódio anticomunista reproduzido a partir da velha cassete, não precisaria de falar nem da Coreia do Norte, nem de Cuba, nem da URSS nem de qualquer outro país, cuja história e processos revolucionários desconhece profundamente, limitando-se a reproduzir não apenas a cassete de outros, mas também o mesmo velho disco riscado de sempre.

Isto seria o que o que teria escrito, se quisesse falar de Álvaro Cunhal. Mas não era do velho e histórico líder que o articulista queria falar. Não. Apenas queria fazer prova de fé do seu anticomunismo, quem sabe para expiar o pecado de, há bem pouco tempo, nas páginas do mesmo jornal, ter produzido elogios, pelo menos por duas vezes 1,2 , a uma presidente de câmara que é comunista, admiradora de Álvaro Cunhal e corresponsável pela decisão de homenagear o secretário-geral do PCP. Se era isso que desejava, então terá, com certeza, atingido o seu objetivo. Porém, aqueles que estão atentos, que são comunistas e democratas, recordarão sempre a ofensa que zelosamente reversou nas páginas de um jornal que se tornou livre e democrático com a revolução que aquele que é hoje alvo do seu ódio ajudou a construir, a concretizar e a desenvolver.

1  “(…) não tenho qualquer dificuldade em salientar que V. Exa. (Maria das Dores Meira) foi, até à presente data, a melhor presidente que a Câmara Municipal de Setúbal teve”, Giovanni Licciardello, in “O Setubalense”, 9 de outubro de 2017”.

2  “É da mais elementar justiça democrática salientar que, com Maria das Dores Meira, a cidade e o Concelho de Setúbal, tem vindo a ter um dinamismo que não tiveram no passado, quer com o PS, quer com a própria CDU.” Giovanni Licciardello, in “OSetubalense”, 12 de julho de 2017”.

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Setúbal

Outra vez a Feira de Sant’iago

Imagem da Feira na noite de 2 de Agosto

A Feira de sant’iago é um tema discutido em Setúbal ininterruptamente há mais de trinta anos. Primeiro, antes de 2004, quando mudou para as Manteigadas, a discussão anual girava em torno da necessidade de retirar a feira da avenida Luisa Todi por manifesta falta de condições, quer de espaço e de circulação e estacionamento automóvel, quer de salubridade e incómodos para os negócios de restauração. Depois de 2004, a discussão foi mantida e o que se debate desde então é a necessidade de fazer regressar a feira à avenida Luisa Todi. Com o tempo, todos perceberam que não era viável esse regresso. Uns lançaram a ideia de a fazer na zona ribeirinha, outros apenas dizem que se devia era fazer no centro da cidade e ainda há mais alguns que encontraram a saída airosa de defender um referendo para ocultar as próprias responsabilidades na decisão de mudança da feira. “Somos um partido. que não cristaliza as suas posições“, foi o que disse, mais coisa menos coisa, o candidato do PS à câmara de Setúbal sobre a proposta do referendo, quando confrontado com a questão simples de saber por que razão não fez o PS tal referendo em 2001, quando estava no poder e escreveu no plano estratégico do POLIS que a feira iria mudar para as Manteigadas para se fazer o arranjo da avenida Luisa Todi. E pronto, todos os problemas relacionados com a feira ficariam resolvidos no passe de mágica do referendo local. Nada mais simples. Era só estalar os dedos e pôr os setubalenses a referendar a feira e tudo se resolveria.

Em comum têm os defensores destas teses a incapacidade de explicar como se fazia a feira no centro da cidade. Por um lado, ninguém sabe como funcionaria na zona ribeirinha, por outro ninguém diz em que outro espaço se poderá fazer a festa. Outro ponto comun é que já ninguém defende a realização da feira na avenida Luisa Todi. Ninguém mesmo.

Temos, assim, um debate artificialmente empolado apenas por puro oportunismo eleitoral, num caso, e por falta de seriedade política, noutro.

Depois da relocalização da feira em 2004 já se realizaram três eleições autárquicas e sempre a força política que promoveu a mudança venceu. Evidentemente que não se pode dizer, simplesmente, que tal representa um apoio à mudança. Porém o eleitorado sabe perfeitamente qual é a posição da CDU sobre a matéria e sempre a apoiou com o seu voto. E por que é não é exagero afirmar isto? Porque em ano de eleições o tema da feira tem sido sistematicamente transformado em tema central da campanha eleitoral e nem assim se convenceram os setubalenses a votar contra quem defende que a feira tem de ser nas Manteigadas.

O que é importante é que a Feira de Sant’iago continua a ser a mesma coisa de sempre, só que agora num espaço diferente. Além disso, sempre houve pessoas que não gostavam de ir à feira na avenida, pessoas que gostavam de ir, pessoas que iam apenas para comer a bifana, outras para ir aos carrinhos de choque, outras para ver outras pessoas, outras porque sim e outras porque não.

Pretender que há um motivo universal para ir ou não ir à feira é pura e simplesmente destituído de sentido. O que vi na noite de 2 de agosto (quarta-feira), por exemplo, foi uma feira a abarrotar de gente nos carrinhos de choque, no espetáculo do AGIR, no Seninho, na Luisinha, nas cuecas dos indianos, no frango assado do restaurante da Urra. E tenho a certeza de que vi isto, ou seja, vi muitos milhares de pessoas naquele espaço onde agora podem ir a pé as pessoas que moram ali nas redondezas, e são muitas.

O que parece é haver por aí muito preconceito social escondido por causa de a feira ser na Bela Vista, onde moram os ciganos e os pretos. O que muita gente se esquece é que ali moram muitos mais do que apenas esses.

Esta conversa da feira já cheira tão mal que muita gente já nem liga e vai lá divertir-se, alheando-se desta polémica que tem sido artificialmente mantida.

Ainda bem, porque aquela é e continuará a ser a festa de Setúbal e de todos os que dela gostam, e esses são muitos. São cada vez mais.

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Política, Setúbal

Por que é que as taxas de IMI estão no máximo em Setúbal?

Perguntas e respostas contra a demagogia do PSD

O PSD setubalense fez da taxa máxima de IMI a única bandeira política e eleitoral no concelho de Setúbal, utilizando de máxima demagogia e mantendo no mínimo os esclarecimentos devidos para que se conheça a verdade.

Contra a demagogia, em especial a promovida pelo PSD setubalense, aqui fica um guia de perguntas e respostas para melhor entender a questão do IMI em Setúbal.

 O QUE É O IMI?

O IMI – Imposto Municipal sobre Imóveis (antiga Contribuição Autárquica) é o imposto que o Estado cobra aos proprietários de imóveis e transfere por inteiro para as autarquias para financiar despesas municipais com as infraestruturas, ruas e estradas, escolas, equipamentos desportivos, parques e jardins, iluminação pública, limpeza pública e todas as despesas e investimentos que se relacionam com a administração dos concelhos.

SETÚBAL É A CÂMARA MUNICIPAL QUE COBRA O IMI MAIS ELEVADO DO PAÍS? Continuar a ler

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Setúbal

Os matraquilhos da Taberna do Luciano

 

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Antiga Taberna do Luciano, na Rua Ladislau Parreira. Foto de Maurício Abreu.

Descobri há dias esta foto a circular nas redes sociais setubalenses. A única coisa que tem de interessante é retratar um tempo que foi o da minha infância, com os personagens que subitamente recordamos daqueles tempos das nossas vidas em que tudo parecia possível. Era o tempo em que, vindos da escola, parávamos para, ainda antes do almoço que as mães tinham já na mesa, jogar ruidosamente aos matraquilhos que estão no meio do estabelecimento de venda de tinto e branco a copo. Dez tostões, dez bolas, dois para dois e muita risota com a azelhice dos parceiros e adversários de ocasião. Os jogos prolongavam-se até se esgotarem os dez tostões que sobravam nos bolsos, ou porque não tínhamos comido a sandes na escola ou porque tínhamos poupado no bilhete da camioneta da carreira. Sempre era uma forma de adiar a pescada cozida com brócolos que as nossas mães, estranhamente, naqueles tempos tanto gostavam de cozinhar…

Era assim num tempo em que os miúdos entravam em tabernas, mas não as frequentavam. Este era um dos pretextos que nos permitia lá entrar. O outro era ir ao vinho para o almoço, tarefa reservada aos rapazes. Aquele era o reino masculino onde alguns dos membros mais agressivos da espécie ditavam todas as regras ou mesmo a ausência de lei. Já bastava que lá em casa elas mandassem e todos quisessem pensar que nelas mandavam eles. A taberna não era, por isso, o sítio mais adequado para raparigas. Isso era coisa apenas para as mulheres já adultas que nem sempre estavam dispostas a deixar o marido a fermentar na mesa onde, isolado, se destacava o mesmo copo repetidamente esvaziado.

Na rua da Taberna do Luciano – o taberneiro que, de cotovelos no balcão sorri para foto, acompanhado pelo filho, o jovem que se encontra entre o naipe de velhos tabernistas que posam sérios e compenetrados – conviviam a frutaria, a leitaria, a mercearia do César, a regataria da Elvira, mais à frente a mercearia do Botão (acho…), o relojoeiro, o carvoeiro, a loja de roupa, o estofador, o electricista e vendedor de eletrodomésticos e ainda uma panificação com alguma importância. Era a Rua Ladislau Parreira, que, com a Vasco da Gama e o Largo da Fonte Nova, eram o centro comercial do bairro de Tróino. Havia também a papelaria, a Drogaria, o fotógrafo, o Hugo Alfaiate na Vasco da Gama, a retrosaria, a farmácia e o funileiro. E havia as tabernas. Com a do Luciano eram para cima de cinco, e sempre com clientela.

Era o meu bairro. Continuar a ler

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Setúbal

As novas elites

Quem segue com mediana atenção o que acontece nas redes sociais, esse ecossistema permanentemente em fogo, sabe que é lá que vivem os seres mais perfeitos, capazes e competentes do planeta.

A nova elite política, artística, técnica, científica, intelectual e desportiva tem intensa vida nas redes. São os membros desta classe que conhecem, como ninguém, o que é melhor para a cidade e para o país e que identificam de imediato, sem margem para dúvidas, tudo o que está mal. A nova elite não dá opinião sobre os temas. Não. Isso é para quem nada sabe das questões. Estes especialistas sabem, de ciência certa, o que está mal, embora não saibam como o fazer bem. Sabem por onde o país e a cidade não devem ir, mas não sabem que outros caminhos devem seguir. Mas isso pouco importa aos novos elitistas. O que interessa é, a cada momento, postar sentenças sobre tudo e sobre todos. É a democracia, dizem; é a liberdade de expressão, estúpido, acusam. É isso tudo e muito mais. É, acima de tudo, a exposição da ignorância embrulhada em arrogância e, muitas vezes, em anonimato confortável.

A democracia das redes sociais é, hoje, a mais perfeita contradição com o que deve ser a democracia, um sistema em que, de preferência, todos têm informação para poderem dar opinião e decidir em consciência. Porque, na verdade, todos temos a liberdade de falar, mas também de ficar calados. É ali, nas caixas de comentários do Facebook e dos jornais, que se percebe a dimensão da desinformação em que vivemos, a fragmentação do conhecimento, a incapacidade de relacionar e procurar informações, a exuberância e atrevimento da ignorância. Os media, neste tempo de notícias falsas, de factos alternativos, de pós-verdade, também ajudam pouco. A este propósito é, aliás, interessante citar uma frase proferida há dias por um famoso ator norte-americano, a quem pediam para comentar um rumor, manifestamente falso, sobre a sua atividade política. Respondia Denzel Washington aos jornalistas que, quando não se lê jornais, está-se desinformado; mas quando se lê jornais, então aí está-se mal informado. Questionado sobre qual seria a alternativa, Denzel responde que essa é a grande questão e pergunta qual será, a longo prazo, o efeito do excesso de informação em que vivemos hoje. Um dos efeitos, para o ator, é que os jornalistas apenas querem ser os primeiros a dar a notícia, esquecendo a necessidade de ser rigoroso, ou, como ele diz, de “dizer a verdade”. A grande responsabilidade é ser rigoroso, e não apenas ser o primeiro a dar a notícia. E esta deve também ser a responsabilidade de quem comenta nas redes sociais, independentemente do nível de responsabilidade e visibilidade que tem nesses comentários.

Nunca como hoje tivemos tanto acesso à informação, às notícias. Temos canais noticiosos 24 horas por dias, sites na Internet que apenas dão notícias, jornalismo cidadão, imagens de tudo e de nada. Porém, a realidade é enganadora. Dominique Wolton, sociólogo francês considerado um dos mais destacados estudiosos das questões da comunicação, afirma que “hoje, o que é preocupante, é que há muito mais tecnologias, mas a diversidade do que é produzido e difundido é escassa. É uma espécie de falhanço: muitas tecnologias, muita informação, mas menos comunicação. Isto é um problema politico”.

Wolton classifica a Internet como “um espaço de liberdade de expressão”, mas isso, garante, “não é comunicação. Comunicação é o recetor estar interessado no que diz o emissor. Posso não estar de acordo com o que diz, mas respondo, e há uma discussão. Na internet, na maior do tempo não há discussão. Cada um conta a sua vida, mas não é porque toda a gente se exprime que toda a gente comunica. Cada um está só e podemos chegar a uma situação em que há seis mil e 500 milhões de internautas autistas. Há aqui um desafio político e cultural. Ou, então, o capitalismo vai prosperar com a internet e com as novas possibilidades dos big data, a partir dos quais as grandes corporações vão ficar a saber dos gostos de cada um e dar-nos todos os programas de que gostamos no nosso smartphone”. O sociólogo acrescenta uma ideia pouco consensual, mas que merece debate aprofundado: “não existe regulamentação da internet e são precisas leis nesse sentido”.

Este é um retrato fiel do que se passa hoje nas sociedades da informação, ou melhor, da desinformação.

Convencionou-se que todos podemos e devemos comentar tudo, mesmo que pouco saibamos dos assuntos em debate. E todos nos transformamos assim em especialistas; todos ascendemos a uma nova elite capaz de opinar sobre o que quer que seja, a elite que sabe que aprofundar o canal de navegação do Porto de Setúbal é uma asneira porque sim, que sabe que fazer ciclovias é um erro porque ninguém anda de bicicleta, que sabe que David Chow, o homem que quer fazer uma marina em Setúbal, está falido porque se confunde perdas líquidas com falência, apenas para citar três exemplos retirados dos comentários que se fazem sobre a vida setubalense.

Muitos cidadãos, ansiosos por participar e ter um papel ativo na vida das suas comunidades, confundiram, irremediavelmente, o ato de cidadania que é ter opinião e manifestá-la nos locais adequados com os posts que fazem no Facebook. A democracia é bem mais exigente do que isso. Participar requer informação, exige que se emitam opiniões nos locais certos, perante aqueles que elegemos para nos governar, e não apenas nas urnas de quatro em quatro anos e, agora, no Facebook. A cidadania não se confina às redes sociais, ainda que seja forçoso reconhecer que estas redes são importantes espaços de manifestação de opinião, embora também sujeitos a sérias manipulações e distorções.

Os meios disponíveis para participar na vida das comunidades existem e nem estão distantes. Para falar apenas na vida da nossa cidade, a cidadania pode ser exercida nas coletividades, em comissões de bairro para resolver problemas concretos, nas assembleias de freguesia, nas assembleias municipais e reuniões públicas da câmara municipal. Além destes canais, há todo um mundo de possibilidades que se abrem, mesmo recorrendo aos novos media e às redes sociais, para que possamos exercer, responsavelmente, a cidadania.

Hoje, muitas autarquias disponibilizam canais de comunicação eficientes para que os cidadãos possam transmitir opiniões, ideias, reclamações. Infelizmente, assistimos a uma tremenda falta de participação nestes fóruns, enquanto assistimos à ascensão das arrogantes e ignorantes novas elites das redes sociais que se confrontam, sistematicamente, com aqueles que exercem os mandatos para os quais foram eleitos e são vistos como os incapazes desta equação.

Claro que as redes sociais são instrumentos importantes para exercer a liberdade de expressão e uma forma expedita de divulgar informação e exercer a cidadania. Mas não são a única nem a mais importante. O grande desafio dos nossos dias é sermos capazes de sair de casa, abandonar o teclado do computador ou do telemóvel e começar a participar mais ativamente, cara a cara, sem anonimato e sem medo de dar opinião, na vida das nossas cidades e sociedades.

Podemos fazê-lo na rua, na reunião de câmara, na coletividade, nos sindicatos, nos escuteiros, nos clubes de futebol, olhos nos olhos. Descobriremos, certamente, que é muito mais interessante, animado e recompensador do que apenas escrever umas coisas no Facebook…

 

PS – Já depois de publicado este texto na Gazeta Setubalense, jornal online para o qual foi expressamente escrito, lembrei-me, a propósito da última frase, desta cena do filme Ocean’s Eleven que descreve muito bem o que se passa hoje nas sociedades ocidentais, em que a realidade, mesmo que esteja ao lado ou à frente dos nossos olhos, é substituída pelas redes sociais pelas imagens, pela intermediação. Tal como no filme, preferimos cada vez mais estar sentados em frente ao ecran do computador do que participar ao vivo nos acontecimentos.

 

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Sectarismo

Leio quase sempre Teresa de Sousa no Público. Hoje, por mero sectarismo, certamente, distraiu-se no panegírico soarista que quis escrever antes que o homem morra para afirmar que Mário foi um lutador contra a economia de casino. Seria engraçado se não fosse trágico. Soares, é bom recordar, foi quem trouxe de volta Ricardo Salgado ao BES nacionalizado, banco que, na privatização, foi entregue à família com os resultados de casino que se conhecem. Salgado lá esteve detido em casa, coitado, mas aqueles que nele confiaram perderam parte significativa das suas poupanças e da sua vida. Por isso, ler coisas destas só mesmo para rir, para não ter de chorar.

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Manuel Bola (1944 – 2016)

Manuel Bola, ator, setubalense, amigo de todos. Ficas onde sempre ficam os grandes: na memória de todos nós.

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