Geral, Guerra, Jugoslávia, PCP

Ainda sou do tempo…

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(Odd Andersen/AFP)

Ainda sou do tempo em que, em Portugal, o PCP era uma voz praticamente isolada a contestar as teses, a propaganda e a manipulação informativa sobre a chamada guerra da Bósnia.  Do tempo em que jornalistas, comentadores e especialistas diversos em Relações Internacionais, conflitos armados, política internacional e afins, dedicavam algum do seu saber nas televisões, rádios e jornais, para manifestar total incompreensão pelo posicionamento do PCP, só justificável, diziam eles, à luz de um anacrónico alinhamento com posições russas ou, mais cruel e desumano, com a apologia de todo e qualquer mal que fizesse frente aos EUA e à UE.

Aliás, se se quiser aprofundar mais o tema, podem ser lidos diversos textos sobre o tema, publicados no Avante, no Militante, nas Resolução Política dos Congressos, em intervenções na Assembleia da República (como aqui e aqui, a título de exemplo) ou quem quiser um olhar mais aprofundado sobre o posicionamento dos vários partidos políticos portugueses perante a guerra da Bósnia-Herzegovina (1992-1995), pode ler este artigo, de Ana Rocha Almeida, publicado na Revista Portuguesa de História, da Universidade de Coimbra.

20 anos depois, com o que a história já nos contou, com o Tribunal Penal Internacional da a ex-Jugoslávia, em Haia, a reconhcer que Slobodan Milosevic não teve responsabilidades em crimes de guerra, começa a ser possível ouvir e ler testemunhos e análises que confirmam a ingerência externa das grande potências na desestabilização e desmembramento da Jugoslávia, a manipulação da informação feita através dos principais órgãos de comunicação que cobriram o conflito, o papel da NATO e a parcialidade com que actuou (e para a qual foi criado) o Tribunal Internacional Penal.

Esta notícia do Expresso sobre o lançamento do livro do major-general Carlos Branco, “A Guerra nos Balcãs. Jihadismo, Geopolítica e Desinformação”, é disso exemplo.

Mas agora que já não é só o PCP a denunciar estas situações, onde estão os fabricantes de notícias, os especialistas e os comentadores que fizeram o serviço sujo de manipulação das opiniões com vista a justificar a guerra? Onde andam eles e como convivem com as suas responsabilidades?

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Geral

Barranco de Cegos

1- CABEÇAS “PENSANTES”

Nos prados verdes e viçosos da nossa comunicação social os inúmeros comentadores pastam com o sorriso alegre, ruminante e beato de quem olha o futuro com a certeza da eternidade dos mercados mesmo quando a sua queda livre já nem sequer é anunciada, é um facto. Uma realidade inquietante por coexistir com os sinais de confrontos, cada vez mais frequentes, que vão dos debates diplomáticos mais aparentemente civilizados àqueles em que a diplomacia se exerce pelo uso da força, das sanções à intervenção militar, a sua forma extrema.

vaca

Nada disso remove o sorriso bovino da multidão de comentadores em concorrência ao que Cavaco Silva revelou ao mundo embasbacado, ter descoberto nas vacas açorianas. Os géneros são os mais diversos cobrindo largo espectro. Dos mais sofisticados que se esforçam por parecer independentes e lançam boias para que o sistema não se afogue nas suas próprias contradições aos que, dotados de enorme espessura óssea, arremetem contra a realidade como arietes medievais a rebentar portões das cidadelas onde ela se refugia para a ferir de morte ao som do alarido das carpideiras a entoarem os improváveis amanhãs que cantam do império.

Uma dessas luminárias, cegas pelo furor de acreditar teologicamente no futuro da ordem unipolar no mundo, é Miguel Monjardino (MM) que todas as semanas arrota tonteiras, o que faz presumir como atormenta as meninges dos seus alunos na Universidade Católica que, quando chegam à rua, devem ficar atónitos verificando que ou a realidade naqueles minutos de trânsito mudou quase completamente, ou que pouco do que lhes foi impingido tem a ver com ela.

A sua crónica no Expresso de 25 de Outubro é o exemplo acabado de um pretenso Tirésias de vão de escada que à cegueira física soma a cegueira mental que o torna num completo incapaz de ler o presente e prever qualquer futuro. O tema “Energia e Política”, em que, referindo a Ucrânia, as eleições que se iriam realizar nesse fim-de-semana, faz considerações sobre questões geoestratégicas relacionadas com a energia, as finanças, os equilíbrios globais.

Em duas penadas despacha as questões energéticas actuais para fazer duas demonstrações: 1ª O orçamento russo é muito dependente das exportações de petróleo e gás, o que a torna muito vulnerável e um país muito fraco. 2º Os EUA lideram a revolução energética a nível mundial e a influência de Washington na regularização da globalização financeira nunca foi tão grande.

2. MERCADOS DAS ENERGIAS

O estado actual dos mercados energéticos é muitíssimo mais complexo do que que MM supõe. Quanto ao segundo pressuposto é o avesso da realidade. O objectivo de MM é linear. Comungou a hóstia macdonnald do mundo unipolar com a fé de quem acredita que será dirigido para lá dos séculos pelos seus donos que atiçam a canzoada: ladrem, ladrem, quanto mais ladrarem menos gente olha para os nossos pés de barro.

PETROLEO

A turbulência dos mercados do petróleo é dominada pelo baixo preço do barril de petróleo que resulta, por um lado do abrandamento da economia mundial, por outro por a Arábia Saudita estar a inundar o mercado com petróleo, chegando a vendê-lo aos seus clientes asiáticos a US$50/60 o barril. A decisão da casa Saud pode ser o resultado de um conluio EUA/Arábia Saudita, para atingir, em primeira linha, a Rússia, em, segunda linha o Irão, depois todos os outros países produtores. Mas a primeira consequência é arrasar os mercados de futuros, sem ainda serem previsíveis as consequências, sobretudo nas bolsas de Nova Iorque e Londres, as principais praças desse “produto” financeiro. Tudo isto é menos que linear, mas faz MM, do alto da sua fissurada ciência, decretar impante, como todos os ignorantes o são, que “a revolução energética é agora liderada pelos EUA”. Não percebe que a entrada da Arábia Saudita nessa trama, ao atingir fortemente a Rússia, cujo PIB muito depende das exportações de petróleo e gás o preço barril terá que ter um patamar mínimo de US$ 100, tem efeitos colaterais brutais, alguns ainda não entrevistos.

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3-NOVAS FONTES ENERGÉTICAS

Os norte-americanos são neste momento energeticamente autossuficientes, têm capacidade exportadora por via da produção de óleo e gás de xisto, o “shale”. Só que o preço de extracção do “shale”. Só que o preço extracção do “shale ”números da Agência Internacional de Energia (AIE), varia entre os US$ 60/85, barril igual ou superior ao actual preço de mercado do barril de petróleo. No seu valor mínimo só um preço acima dos US$105/barril remunera essa produção. É de referir que os investimentos são enormes porque os poços esgotam-se praticamente na primeira perfuração. Isso sem referir o desperdício de água, necessária em volumes brutais, os impactos ambientais A poluição das águas subterrâneas consequência do “fracking” começa a ser severa e preocupante. Outros fenómenos como o aumento de sismicidade, já cientificamente comprovada, e outros enunciados mas ainda não mensurados, tornam a produção de “shale” controversa.

Shale

O conluio entre a Arábia Saudita e os EUA, que tem o objectivo de levar a Rússia á falência e submeter o Irão aos ditames do império, acaba por ter um efeito de ricochete nos EUA, que a Arábia Saudita utiliza em proveito próprio procurando ocupar o lugar agora deixado quase vazio pelos outros grandes produtores, como a Líbia e o Iraque. Trava as veleidades exportadoras dos EUA, porque a produção de gás das rochas betuminosas é marginal e mesmo que não fosse não existem infraestruturas para a sua exportação. A outra face dessa “revolução energética é que, embora a extracção de hidrocarbonetos de rochas compactas tenha aumentado a bom ritmo, os operadores têm-se endividado de forma brutal. O custo e as exigências continuadas de investimento, não é coberto pelas receitas geradas. Ivan Sandrea, da Oxford Institute for Energies Studies, num relatório recente afirma: “quem pode ou vai querer, financiar a perfuração de milhões de hectares e centenas de milhar de poços com prejuízo permanente? (…) A benevolência dos mercados de capitais dos EUA, não pode durar para sempre”. Análises da Blombreg e do Barclays concluem que cada US$1 ganho custou US$2,11. O que é insustentável a curto e médio prazo e está sobre forte pressão dos actuais preços do barril de petróleo, impostos pela Arábia Saudita. Este é a radiografia da “revolução energética a nível mundial é agoira liderada pelos EUA“ que faz salivar de alegria MM, porque com os seus fracos recursos em massa cinzenta, um bem que mesmo escasso é gratuito, não vê que essa revolução energética tem mais razões políticas que económicas, o que a torna frágil e de futuro, a curto e médio prazo, mais que incerto.

Outra ficção é o “light crude” saudita acabar por substituir as outras importações de petróleo europeias. A transformação das refinarias para o “light crude” exige investimentos incomportáveis. A Europa beneficia no curto prazo, mas não a médio prazo.

4-DÓLAR, PETRODÓLARES

As primaveras árabes, a guerra no Iraque e na Síria, a emergência dos islamitas radicais, os vários braços da Al-Qaeda, tudo invenções dos serviços secretos norte-americanos ao serviço de uma política expansionista e de defesa do petrodolar e com o fim último de cercar a China e a Rússia, tem sido postas activamente em prática. Saddam Hussein, embora com restrições violentas à exportação do seu petróleo, começou a vendê-lo em euros. Kadhaffi, estava a tentar implementar um sistema de venda do barril de petróleo em dinar-ouro. Na Síria estava ser projectado um oleoaduto e um gasoduto para dar acesso directo ao Mediterraneo ao gás e ao petróleo do Irão. Estão explicados os conflitos, o frenesi de agitar as rotas bandeiras dos direitos humanos e da democracia esburacadas pelos interesses económico-finnceiros. A opinião sobre estes conflitos de alguns diplomatas que andam por aí a perorar dariam vontade de rir se a situação mundial não fosse tão séria.

Ainda em relação à energia MM diz e bem, pepitas raras de verdade são largadas de quando em vez para dar credibilidade ao disparate, que a Europa vai demorar uma década a ser energeticamente independente da Rússia, para concluir que a viragem da Rússia para a China é uma miragem. Em menos de dez anos prevê-se que os oleadutos entre a Rússia e a China entrem em funcionamento, pelo que não se percebe onde habita a miragem.

A política do petróleo a um preço artificialmente baixo tem consequências que não podem ser mensuráveis com certezas absolutas, pelos efeitos perversos que tem sobre quem a prática e apoia. Em relação aos EUA tem uma exigência não negligenciável: manter o dólar, com variações mínimas, à cotação actual. Garantir a cotação exige a sobrevivência do petrodólar, resultante de um acordo EUA/Arábia Saudita, que impôs o dólar como moeda de referência nas transacções de petróleo, depois adoptado por outros países da OPEP, e o dólar como moeda de referência nas transacções internacionais. MM sabe quanto essa premissa é fundamental e arremete contra todas as evidências. Decreta que “a influência de Washington na regulação da globalização financeira nunca foi tão grande como agora”. Isto já não é um disparate. É uma alarvidade todos os dias desmentida pelas mais diversas e inquestionáveis fontes.

5- DÓLAR À BEIRA DO ABISMO

Um alerta vem do FRED (Federal Reserve Bank of St.Louis) que noticia que só num ano, 2008; foi criado quase tanto dinheiro (817.904 milhões de dólares) como nos 63 anos anteriores (de 1945 a 2008 821.686 dólares). Que nos seis anos de crise, Janeiro de 2008/Setembro 2014, foi criado quatro vezes mais dinheiro do que entre 1945/2008.

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Quer dizer, sem resolver a crise, a tipografia não parou de imprimir notas verdes. Um sinal de que tudo está a correr mesmo muito mal é o FED ter deixado de divulgar as estatísticas de M3 (M1, dinheiro em circulação e dinheiro depositado em contas à ordem. M2 M1 mais dinheiro depositado em contas a prazo e pequenos instrumentos de poupança. M3, M2 mais os grandes instrumentos de poupança, eurodólares, outras divisas, etc.). a partir de Março de 2006, ocultando deliberadamente esse indicador. O que vale o dólar? O primeiro sinal de alarme vem do mercado do petróleo. O dólar, os chamados petrodólares só são agora usados em 75%/80% das transacções mundiais. Pior é a situação do dólar como moeda de trocas comerciais. Os BRICS decidiram fazer as transacções entre si nas suas moedas. A China e o Japão, os maiores parceiros comerciais asiáticos, usam as suas moedas desde 2012. A tendência para abandonar o dólar é crescente já atinge mais de 30% das transacções comerciais mundiais,  tendência em aceleração. Um editorial recente do Wall Street Journal, avisa para o enorme perigo de nos próximos três anos o dólar só estar presente em 50% das transacções comerciais mundiais e nos cinco anos seguintes tornar-se uma moeda quase irrelevante. Mais pessimistas são alguns analistas neoliberais. Lord Christopher Monckton de Brenchley, um dos assessores e mentores de Margaret Thatcher escreve um artigo com o título “The dollar colapse not whetter, but when”, que a falência do dólar é uma questão de tempo , porque os EUA, com uma dívida gigantesca aumentam-na em 64 000 dólares a cada segundo!!!

dolar a arder

Jeremy Levy, economista que previu a crise do subprime, avisa a forte probabilidade de crash em 2015 .Peter Singer, que gere um dos maiortes fundos de investimento o Trust Investment Elliot Managenement, calculado em 5 400 mil milhões de dólares, escreveu uma carta aos seus investidores, carta também reproduzida na Bloomberg News, avisando-os que não é prevísivel o tempo que irá durar uma política com dados de crescimento falsos, com postos de trabalho falsos, com dinheiro falso, com investimentos falsos, com financiamentos falsos. Os alertas disparam de todos os lados. A confiança que dava ser dono da tipografia e de se poder imprimir notas verdes a toda a hora para as injectar na economia, foi chão que deu uvas. Poderão ser previsões excessivamente pessimistas, mas noutros tabuleiros a realidade move-se.-

5- REALIDADES EMERGENTES

Os indicadores acumulam-se. Segundo o FMI o PIB da China; 17,6 biliões de dólares, 16,5% do PIB mundial ultrapassou em Setembro o dos EUA,17,4 biliões de dólares, 16,2% do PIB mundial. Os analistas do FMI e do BMI, previam que isso só acontecesse em 2016. Um facto a sublinhar porque a última vez que isso sucedeu foi em 1876 quando os EUA ultrapassaram aa Grã-Bretanha.

EUA CHINA

As previsões do FMI para 2015 são catastróficas para os EUA. A diferença entre os dois países será superior a dois biliões de dólares.

Outra novidade registada nos estudos do FMI é que o poder de compra G7- EUA, Japão, Canadá Inglaterra, França. Itália, Espanha, foi ultrapassado por um novo G7- China. India, Rússia, Brasil, Indonésia, África do Sul, Turquia em dois mil milhões de dólares.

G7

Tudo notícias pouco favoráveis ao dólar e ao domínio dos EUA sobre o mercado de capitais que se joga noutras frentes. O Banco de Desenvolvimento decidido pelos BRICS, tem entre outros objectivos por em circulação uma moeda alternativa ao dólar nas transacções mundiais. É uma ameaça aos habituais instrumentos de dominação financeira actuais, o FMI e o BMI. A internacionalização do yuan está em marcha. Já salvou a Bolsa de Londres de grande afundamento e começa a ser olhado pelo BCE como moeda importante para as suas reservas monetárias. Na área do Pacífico a China desafia abertamente os EUA com um Banco de Desenvolvimento Asiático. Ainda na recente reunião da APEC- Asia-Pacific Economic Cooperation, que se realizou em Pequim, Obama tentou contornar os objectivos da China, reunindo-se na embaixada dos EUA com os doze mais importantes países, excluindo a China e a Rússia. Não teve êxito e acabou por ver aprovada a proposta da China que, através do Banco da China e do Fundo China, vai investir 140 000 milhões de dólares em ionfraestruturas ferroviárias, rodoviárias e marítimas para desenhar uma nova Rota da Seda. Xi Jinping foi muito claro nesse objectivo, firmado num Acordo Estratégico Trans-Pacífico de Associação Económica, que irá redesenhar o mapa de negócios da Costa Asiática do Oceano Pacífico estendendo-o até à Europa, para garantir um novo equilíbrio no campo económico. Os EUA são atirados para um plano secundário nesse novo eixo mundial.

6- O OURO E O DÓLAR

Como se isto tudo não fosse suficiente a outra arma que os EUA têm utilizado para manter artificialmente o dólar ao seu valor actual é a manipulação do mercado do ouro. Desde 2010 que o FED, os seus agentes bancários têm realizado vendas de ouro a descoberto. O mercado da Comex, a bolsa de ouro actual com sede em Nova Iorque, desde essa data, vende ouro-papel e não ouro-físico. Os grandes compradores são os especuladores e os hedge funds que compram e vendem activamente esse ouro-papel para controlarem o preço do ouro e proteger o dólar. As emissões de ouro papel são brutais, muitos analistas afirmam que os EUA já não terão ouro que cubra as emissões de ouro papel. A Alemanha e a França por diversas vezes reclamaram em vão a devolução do ouro que enviaram para os EUA, durante a II Guerra Mundial. Há quem veja nisso um sinal grave de haver insuficiência de ouro físico nos EUA.

dolar ouro

Paul Craig Roberts, ex SubSecretário do Tesouro nos governos Reagan, advertiu que a China e a Rússia esforçam-se para fortalecer a sua posição com compras maciças de ouro, enquanto os EUA apostam em atrasar essa intenção com guerras e outras intervenções para debilitar os seus rivais e proteger o petrodólar. Vai mais longe. Com o cohecimento de causa que lhe dá o lugar governamental que ocupou, coloca em dúvida que os EUA ainda tenham reservas de ouro, incluindo a de outrso países que lhes foram confiadas. Na sua opinião essas reservas estão esgotadas.

De facto, no ano corrente tanto a China como a Rússia têm comprado enormes quantidades de ouro físico, cuja cotação embora continuando a subir lentamente, consequência da manipulação comandada pelo FED, está longe de ser a que se calcula ser o seu valor real. A China e a Rússia para contrariar e alterar essa situação decidiram instalar no mês de Novembro em Xangai uma Bolsa de Ouro, onde as vendas a descoberto são proibidas e só será transacionado ouro físico. O yuan passará a ter como padrão o ouro o que irá acelerar a sua internacionalização e incrementar a sua procura como a moeda de reserva.

golar yuan

A Bolsa de Xangai será uma fortíssima ameaça às Bolsas de Nova-Iorque e Londres. Vai ser uma luta entre dois mercados de ouro, um baseado na avaliação da realidade e outro no jogo e manipulação. Mais uma forte ameaça ao dólar e ao petrodólar num país com uma dívida brutal, provavelmente já impagável, com enormes e crescentes défices comerciais. Uma política económica sacrificada pela especulação, a desmesurada cobiça de agentes financeiros cujo objectivo principal é salvar cinco ou seis megas conglomerados financeiros, cujos antigos decisores e executivos controlam o FED, o Tesouro e as agências financeiras federais.

6-O MUNDO SOB UMA SERIA AMEAÇA

É essa realidade evidente que ameaça os EUA o que MM não vê para continuar a afirmar que os EUA comandam o mundo financeiro. O pior cego é o que não quer ver, sem querer ver os enormes perigos para a paz mundial que isso representa, bem evidente no frenesi guerreiro de Obama, esse prémio Nobel da Paz que já bombardeou sete países. Pano de fundo o desespero de manter o dólar a flutuar antes que cada nota de dólar não valha mais que as do jogo do monopólio. Há entre os políticos norte-americanos quem acredite e defenda que o primeiro a sacar do gatilho nuclear fica a salvo. MM pensa pouco e mal o estado do mundo, muito menos consegue entrever as grandes alterações geoestratégicas que se estão a desenrolar que provocam o desespero perigoso do império, da sua ordem unipolar. Deve considerar legítimo, normal que Obama discurse na Academia de West Point declarando-se um convicto fora da lei :” Os Estados Unidos usarão a força militar, unilateralmente se necessário, quando os nossos interesses o exigirem, a opinião internacional conta, mas a América nunca vai pedir autorização”. Claro que os interesses dos EUA não são os interesses dos norte-americanos mas os do complexo militar-financeiro, quem verdadeiramente governa por interpostos democratas ou republicanos.

A Miguel Monjardino, arauto rouco do império, oferecemos um rolo de papel higiénico para se babar com o padrão, escrevinhar no verso a sua Guerra e Paz, Tolstoi deve rebolar-se até ao fim da eternidade de raiva do uso abusivo que o idiota lusitano faz do título da sua obra-prima, para depois de cada escrita lhe dar a finalidade para que foi fabricado. As crónicas de MM terão finalmente utilidade e acabam no sítio certo.

dolar papel higiénico

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Política

Assassírios


SíriaSe, em vez de cadáveres gaseados e com aspecto de anjos imaculados, o crime perpetrado na Síria tivesse produzido corpos esfacelados e tingidos de sangue, isso já seria aceitável do ponto vista dos valores humanitários?

No referencial ético dos chefes militares e políticos ocidentais, a tal linha vermelha de Obama, é essa a mensagem legível.

Em entrevista ao canal France 2, o primeiro-ministro francês afirmou: “Fazemos uma exigência: que a comissão das Nações Unidas façam o seu inquérito de forma livre e rápida para que seja conhecida a verdade. Mas, é quase certo que o regime de Bashar al-Assad usou armas químicas contra o próprio povo”, acrescentou.

O governo de Damasco desmente categoricamente o uso de armas químicas na Síria. Numa conferência de imprensa realizada há poucos dias, o ministro dos Negócios Estrangeiros sírio, Walid Muallem, afirmou: “Acredito que nenhum país do mundo use armas de destruição em massa contra o seu próprio povo. E se isso foi feito na Síria, desafio que sejam apresentadas provas à opinião pública”.

Através de uma histérica avalanche de ameaças de bombardeamentos justiceiros realizados com “bombas amigas”, os americanos e seus acólitos querem fazer passar a fantasia de que são possíveis ataques aéreos que apenas destroem armas químicas! É claro que isto é inverosímil, haverá mortes aos milhares e os Estados Unidos serão responsabilizados por elas. Mas, só depois do golpe estar dado!

Fundamentados numa “certeza total e absoluta”, os EUA e aliados afirmam, desde o primeiro minuto, que o crime teve a mão de Assad. Mas, ao mesmo tempo, insistem, tal como a Rússia e outros estados, que deveria haver uma inspecção da ONU no terreno para determinar o que aconteceu.

Em que ficamos: têm a certeza ou não têm? Existem provas indubitáveis de que foi o governo de Damasco o causador do massacre, ou não existem?

Quem não recorda a monumental patranha montada a propósito do Iraque e das suas “armas de destruição maciça?

É credível que os EUA, uma potência que tem meios sofisticadíssimos para espiar tudo e todos, não tivesse já uma simples imagem ou outro qualquer registo para mostrar ao mundo, no caso de ela demonstrar a culpabilidade do regime sírio? Alguém, no seu perfeito juízo, acredita que, numa área minada por rebeldes, onde nem os inspectores internacionais entram sossegados, teria sido possível às forças do Partido Baath “limparem as provas”?

Al Assad será um homem cruel: é de admitir que ele não hesitasse em usar armas químicas, em caso de necessidade. Mas, também já demonstrou ser um racional que tem resistido a dois anos de ataques dos seus opositores. Aliás, como oftalmologista graduado em Londres, sabe ver bem as coisas. Por que estúpida razão usaria armas químicas expondo-se a uma expectável retaliação que só o prejudicaria num contexto em que até tem dado mostras de resistir?

Os adversários do regime de Al Assad e o designado Exército Livre da Síria já demonstraram que, além de constituírem uma instável e oportunista salada político-ideológica ao serviço do fundamentalismo e dos interesses israelo-americanos, não têm quaisquer tipos de escrúpulos e, em matéria de crueldade, serão ainda piores. Podemos facilmente imaginá-los a usar armas químicas para forçar os Estados Unidos a intervir no sentido da destituição de al Assad.

A CNN noticiou, em Dezembro de 2012, que os EUA estavam a usar mercenários e forças especiais para treinar grupos da “oposição” no manuseamento de armas químicas e que houve uma apreensão de gás sarin pela polícia turca, o qual estava em posse de um grupo afiliado à Al-Qaeda que se dirigia para a Síria.

Não terão sido os adversários de Assad, armados pelos EUA, França, Israel e Inglaterra, que fizeram libertar “um cheirinho” de gases tóxicos que matou as pessoas que aparecem registadas em filmes e fotografias, isto, claro, para forçarem uma intervenção que disfarce as suas próprias debilidades?

Certo é que o número de vítimas mortais não pára de aumentar. São já cerca de 100 mil desde o início do conflito, bem como o número de refugiados, que já chega aos 3 milhões de pessoas.

O governo dos Estados Unidos não pode praticar uma solução política e diplomática por uma simples razão: Israel e o complexo financeiro-militar não querem.

Por isso poderemos estar a assistir a um Obama’s Bluff, tentando fugir aos seus próprios carcereiros.

O que muito dificilmente conseguirá porque, nos EUA, os assassírios ainda têm muita força.

 

 

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Geral, Internacional, Política

A guerra fria está a aquecer

GUERRA

Aturdidos e preocupados com a dimensão da crise que assola a Europa dos trabalhadores, em particular nos países mais débeis, os povos têm pouca capacidade para vislumbrar que poderemos estar em vésperas de uma terceira guerra mundial.

Enregelados e esmagados pelos enormes problemas pessoais e familiares, a generalidade dos portugueses, condicionados por uma comunicação social quase totalmente subordinada ao império neoliberal – mesmo quando ainda se julga livre e independente (?) – sublimam as suas mágoas na arena circense mais próxima: o crime de faca e alguidar, o caso do golo roubado, o novo traque do Alberto João, a sentença que estava para ser dada mas não foi, a estrela mediática abandonada pelo pai quando criança, ou, para gostos mais sofisticados de camadas evoluídas, o aquecimento global, a venda da EDP aos chineses (uns malandros!), o vaivém das bolsas e, até, o caso complicado da motorizada do ministro!

Consideradas doenças erradicadas das regiões onde habitam as populações ocidentais, habituámo-nos à ideia de que, isso da guerra e do fascismo, eram papões do passado: os valores intrinsecos da democracia, a União Europeia, a NATO, os EUA e o próprio S. Jorge, aí estariam para, no limite, enfrentarem tão excomungados dragões!

É certo que também se supunha que certas formas de exploração do trabalho assalariado tinham sido banidas da face dos países “modernos e desenvolvidos” e, afinal, estão aí de novo com uma sanha renovada contra direitos conquistados pela luta dos povos desde há cem anos. Mas, isso é só por causa da crise, dizem-nos os gurus do regime, acrescentando que a democracia e a paz, na Europa, ou lá por perto, esses, então, seriam valores intocáveis.

Mesmo sendo evidentes, tanto a crise dos valores democráticos na área europeia, como a realidade beligerante em que a Europa se tem vindo a envolver nos últimos vinte anos, os políticos dos partidos do “arco governamental”, os analistas e comentadores aboletados nos canais de televisão, para além de muitos outros lídimos representantes da vanguarda dirigente que, segundo o primeiro-ministro português, é constituída por “ descomplexados competitivos” em luta contra os “preguiçosos autocentrados”, desvalorizam o perigo de perda dos valores democráticos e a ameaça de guerra.

De facto, Obama não é parecido com o Hitler, Merkel não tem semelhanças com o Mussolini e o próprio Passos Coelho não usa botas. Quanto a isso estaremos de acordo. No entanto, as causas objectivas que têm levado à ocorrência de guerras regionais cada vez mais virulentas e, principalmente, a crise estrutural crescente o capitalismo, levaram inequivocamente o mundo até à beira do precipício, com todos os cabos d’ordens a gritar: um passo em frente!

Para o capitalismo o que “tem que ser” tem muita força. E nisso, o capitalismo e o lacrau são muito parecidos: picam o portador que os transportam sobre as águas, mesmo sabendo que vão ao fundo, só porque lhe está na matriz genética! Ou seja, se for necessário recorrer à “destruição criativa” da guerra, não hesitarão, até porque sabem que, se não o fizerem … perdem o controlo da situação (na sua perspectiva imperialista).

É por isso que o perigo ronda, dizem alguns analistas independentes, acrescentando que, no caso da “Terceira Guerra”, já teria começado a contagem decrescente!

Vejamos, como mero exemplo, algumas afirmações registadas numa recente entrevista dada por Michel Chossudovsky – professor na Universidade de Otava, Canadá, e autor do livro “World War III Scenario: The Dangers of Nuclear War”- ,  a Sara Pinto, do Ionline:

– A preparação para a guerra (com o Irão) está a um nível muito elevado. Estamos a assistir ao envio de forças navais, homens, sistemas de armamento de ponta, controlados através do comando estratégico norte-americano em Omaha, Nebrasca, e que envolve uma coordenação entre EUA, NATO e forças israelitas, além de outros aliados no golfo Pérsico (Arábia Saudita e estados do Golfo). Estas forças estão a postos. Isto não significa necessariamente que vamos entrar num cenário de terceira guerra mundial, mas os planos militares no Pentágono, nas bases da NATO, em Bruxelas e em Israel, estão a ser feitos. E temos de os levar muito a sério. Tudo pode acontecer, estamos numa encruzilhada muito perigosa e infelizmente a opinião pública está mal informada.

– Qualquer pessoa com um entendimento mínimo de planeamento militar sabe que este tipo de confronto entre superpotências – incluindo com o Irão, que é uma potência regional no Médio Oriente, com uma população de 80 milhões de pessoas – poderá levar-nos a uma guerra nuclear. E digo isto porque os EUA e os seus aliados implementaram as chamadas armas nucleares tácticas – mudaram o nome das bombas e dizem que são inofensivas para os civis, o que é uma grande mentira

– A NATO e os EUA militarizaram a sua fronteira com a Rússia e a Europa de Leste, com os chamados escudos de defesa antimíssil – todos esses mísseis estão apontados a cidades russas.

– Sei, porque ando a investigar este tema há muito tempo, que está a ser construída toda uma fortaleza militar à volta da China, no mar, na península da Coreia, e o país está cercado, pelo menos na sua fronteira a sul.

-A China não é a ameaça. Os EUA são a ameaça à segurança da China. Obama sublinhou, em declarações recentes que a China é uma ameaça no Pacífico. Uma ameaça a quê? A China é um país que nunca saiu das suas fronteiras em 2 mil anos.

– Quanto a isso não tenho dúvidas (se a colocação de mais tropas em torno da China iria trazer mais tensão à região), porque os EUA estão a aumentar a sua presença militar no Pacífico, no oceano Índico e estão a tentar ter o apoio das Filipinas e de outros países no Sudeste Asiático, como o Japão, a Coreia, Singapura, a Malásia (que durante muitos anos esteve reticente a juntar-se a esta aliança). Portanto, Washington está a formar uma extensão da NATO na região da Ásia-Pacífico, direccionada contra a China. Não há dúvidas quanto a isto. E não se vence uma guerra contra a China. Todos perdem.

– Estamos numa situação de Guerra Fria. Devo mencionar, porque é importante para a UE, que, no limite, os EUA, no que toca à sua postura financeira, bancária, militar e petrolífera, também estão a ameaçar a UE. Estão por trás da destabilização do sistema bancário europeu.

Caro leitor, sei que tem muitas e variadas preocupações a atormentá-lo e que este texto, se não for tomado como uma manobra de diversão, tem como único efeito aumentar a sua carga.

Mesmo assim prefiro que o leia.

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Internacional

Líbia, lições de cinismo

Com grande encenação diplomática e com um timing afinado, começou mais uma guerra pelo controlo do petróleo. É disso que se trata. E uma guerra que se sabe como começou, mas que, como todas as guerras, não se sabe nem como acabará, nem com que consequências.

A partir da resolução 1973, aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU e que estabelece uma “zona de exclusão aérea sobre a Líbia” e autoriza todos “os meios necessários para proteger civis e áreas povoadas por civis”, potências ocidentais lideradas pelos EUA, França e Inglaterra, trataram de, rapidamente, interpretar a seu contento esses conceitos de “exclusão aérea” e de “protecção de civis” para passar à guerra total sobre os recursos militares do sempiterno coronel.

Todo o processo é uma gigantesca manifestação de hipocrisia política. Dos promotores ocidentais, conforme Manuel A. Araújo já aqui deu conta, mais abaixo. Mas também dos dirigentes dos países árabes. Veja-se a Liga Árabe. Tendo começado por apoiar e votar a criação dessa área de exclusão aérea, vem agora chorar “lágrimas de crocodilo” perante os bombardeamentos sobre a Líbia, fingindo ignorar o alcance das suas posições anteriores. Nem outra coisa se poderia esperar de regimes que sempre apostaram em aliar-se a Deus e ao diabo e que se confrontam, eles próprios, com sérios problemas de contestação no interior das suas fronteiras.

Os votos no Conselho de Segurança da ONU – esse areópago que legaliza a guerra no mundo e cujo painel de membros permanentes (EUA, França, Reino Unido, China e Rússia) há muito que deixou de reflectir os equilíbrios do mundo contemporâneo -, são outra demonstração do cinismo da realpolitik. O voto português, favorável à resolução, não causa surpresa, já que corresponde ao de um fiel aliado dos EUA, incapaz de se desviar um milímetro das orientações. Mesmo que o governo português considerasse com aparente amizade o regime do coronel e que o nosso PM o tivesse visitado várias vezes – petróleo oblige.

Mas a declaração do Conselho de Segurança foi aprovada com as abstenções da Alemanha, Brasil, China, Índia e Rússia. E aqui divisam-se algumas meias-surpresas, como a posição dos membros permanentes Rússia e China. Votos que, a coberto das politicamente correctas preocupações com o sangrento conflito que dilacera a Líbia, expressam o desejo de contemporização com o dominante poder ocidental e a participação na grelha de partida para a era pós-Kadafy. Perante os eufemísticamente chamados danos colateriais – caso de um hospital parcialmente destruído, segundo a chancelaria russa – bem podem agora Rússia e China dizer que os bombardeamentos e ataques às forças do sempiterno coronel não faziam parte do cardápio do documento aprovado. Mas não foram esses membros permanentes do Conselho de Segurança que, tendo direito de veto sobre as resoluções, as “deixaram passar”? Com o que é contavam os seus dirigentes? Limitaram-se objectivamente a fazer um favor às potências ocidentais, a quem, oportunamente, cobrarão num outro palco, numa outra negociação, num outro negócio. Conflitos russos no Cáucaso? Relações económicas entre a China-EUA-UE? Questões cambiais? Acesso à exploração dos recursos naturais da Líbia?

Ressalvadas as aparências, a todos interessa que M. Kadafy faça parte do passado. Como no célebre “Um Crime no Expresso do Oriente” (Agatha Christie, 1934), todos estão agora interessados em contribuir, nem que seja com uma singela facada. Até o governo de nuestros hermanos já anunciou o envio de dois aviões; e o nosso governo não anunciou porque as coisas estão como estão e ninguém compreenderia o (caríssimo) gesto. Mas os recursos líbios são muito importantes para que não haja uma solução.

Por agora resta-nos saber se as potências que conduzem a guerra a ganharão confortavelmente instaladas aos comandos dos seus aviões e nos monitores dos quartéis-generais, contando com o apoio dos rebeldes em armas para o trabalho no terreno, ou se terão que enviar tropas terrestres. E aí o cenário complicar-se-á.

Noticias de última hora indicam que o Conselho de Segurança de ONU irá hoje reunir à porta fechada.

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Portugal em guerra. Foi há 50 anos.

Guerra Colonial, guerra do Ultramar ou guerra de Libertação. Estas são ainda hoje as principais visões sobre a guerra com que Portugal se confrontou em três dos seus territórios africanos, a partir de 1961, e sobre cujo inicio se completam agora cinquenta anos.

O assalto realizado à cadeia de Luanda em 4 de Fevereiro de 1961 por guerrilheiros do MPLA, Movimento Popular de Libertação de Angola, assinala o começo simbólico de uma guerra que se viria a estender, pouco depois, à Guiné (1963) e a Moçambique (1964) e por cujo desfecho seria preciso esperar treze longos e sangrentos anos.

Um Portugal fora do seu tempo

O contexto internacional – as descolonizações de vastos territórios após a II Guerra Mundial. Quando as guerras de guerrilha nas “províncias ultramarinas” tiveram inicio nos anos sessenta, já o caminho das tentativas de negociação política tinha sido percorrido sem resultados. Movimentos de naturais das colónias portuguesas haviam já tentado o diálogo com o Governo com vista à evolução do estatuto desses territórios, inicialmente para autonomias, mais tarde para a independência. Parte desses grupos constituídos eram, aliás, liderados por jovens africanos que estudavam na “metrópole”. Casos de Amílcar Cabral (PAIGC/Guiné), Eduardo Mondlane (FRELIMO, Moçambique) ou Agostinho Neto (MPLA/Angola), entre tantos outros. Não faziam mais do que reproduzir os processos que se passavam noutras colónias europeias em África ou na Ásia.

Os dirigentes portugueses, por seu lado, recusaram-se a compreender o que se passava no mundo; o movimento imparável de concessão de independência às colónias europeias que tomava corpo: França – Marrocos e Tunísia (1956), Argélia (1962, após oito anos de guerra), Itália – Líbia (1951) e Somália (1960), Reino Unido – Sudão (1956), Gana (1957), Nigéria (1960), Serra Leoa, Somália britânica e Tanganica (1961), Uganda (1962) ou Bélgica – antigo Congo Belga/Zaíre (1960), apenas para referir algumas.

Em 1955 a Conferência de Bandung (Indonésia) havia lançado as bases do que viria a ficar conhecido por movimento não-alinhado e a constituir-se como uma plataforma afro-asiática anti-colonialista. Os sinais para os governantes portugueses eram mais que evidentes – provindos, inclusive, de aliados ocidentais, como os EUA que, com J.F. Kennedy na presidência, fizeram questão de patrocinar movimentos de libertação da sua simpatia e de informar o regime de O. Salazar que o tempo se estava a esgotar. Continuar a ler

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