No âmbito de um trabalho entre as disciplinas de História e Geografia de Portugal e de Português e em parceria com o museu do trabalho de Setúbal, foi apresentado aos alunos do 5.º ano da escola Luísa Todi, uma pequena biografia de Luísa Todi, a cantora na sua época e a sua ligação a Setúbal.
O museu do trabalho realizou e representou a peça de teatro “Luísa Todi apresenta-se”.
Para situar a cantora no tempo e a ligar à história de Setúbal, fiz este pequeno vídeo para os alunos e que aqui partilho.

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Let´s do it

Uma destas manhãs ouvi na rádio uma canção interpretada por Chico Buarque e Elza Soares, com o título “Façamos”.

Não me lembrava desta interpretação de Chico Buarque, embora a música e o tema não me fossem desconhecidos. Depois de uma breve investigação (é fantástico o poder da internet, para o bem e para o mal), descobri que era uma versão do original da canção “Let´s do it” do grande Cole Porter.

Continuei a investigação e só no fim percebi que o meu conhecimento desta canção não vinha do original de Cole Porter, mas sim de uma das minhas cantoras de eleição: Ella Fitzgerald.

Com este final de tarde tão húmido e cinzento a convidar a permanência no aconchego do lar, ouçamos estas duas versões do “let´s do it” ou como dizem Chico Buarque e Elza Soares: Façamos.

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Os reformados e os trabalhadores que paguem a crise!

“Chegou o dia em que um velho homem, já doente e muito cansado, teve de partir para a montanha. Assim era hábito quando chegava a hora da despedida deste mundo.

O filho carregou alguns mantimentos para o velho se alimentar durante uns dias e também uma manta para este se abrigar da noite. Os lobos encarregar-se-iam do resto se entretanto o frio não o fizesse. Era assim o fim de todos os velhos.

Chegada a hora da despedida, o pai disse ao filho para rasgar a manta ao meio e levar uma metade. Curioso com tal pedido do pai pergunta-lhe para que quer ele a metade que vai levar para casa. Consternado mas cheio de sabedoria, o velho diz ao filho que essa metade serviria para o dia em que também o filho do seu filho o levasse à montanha e o abandonasse para ali morrer.

Meditou o filho nas sábias palavras do pai e pegando-lhe no braço ajudou-o a descer a montanha.”

Os mais antigos lembrar-se-ão decerto desta história, que este bando que nos desgoverna se encarregou de atualizar e aplicar aos nossos tempos. Só que enquanto a “estória” nos revela um filho que acabou por agir de forma humana, a nossa realidade apresenta-nos um poder arrogante, cego, surdo e mudo, perante as dificuldades daqueles que entraram na derradeira fase da sua passagem por este planeta.

Não são decerto os idosos e os reformados os únicos vítimas deste desgoverno. Os trabalhadores por conta de outrem, funcionários públicos ou privados, também sentem na “pele” as malfeitorias que estes tipos impunemente cometem.

Qual BPN, qual BPP, qual BCP, quais Swaps, quais rendas pagas às energias, quais ordenados multimilionários pagos a alguns, qual aumento desenfreado da riqueza dos poucos já imensamente ricos em contraste com o aumento do número de pobres, qual assalto dos “boys & girls” aos cargos do estado, quais PPP, etc. Que tal ser liberal à custa dos dinheiros que se suga ao estado? onde está o Freeport? e os submarinos? etc. etc. etc.

Mas nada disso é importante. Este desgoverno constituído por marionetes, construiu e aplicou, a solução do agrado dos que verdadeiramente mandam: Os reformados e os trabalhadores que paguem a crise. 

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O(s) Panteão Nacional

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Um Panteão começou por ser um templo que os gregos e romanos consagravam a todos os deuses, sendo actualmente um edifício consagrado à memória dos homens ilustres e onde se depositam os seus restos mortais.

Em Portugal existem dois panteões nacionais. O de Lisboa, na igreja de Santa Engrácia, que passou a ter esta função a partir de 1916, e o de Coimbra, no Mosteiro de Santa Cruz, a partir de 2003.

 

O panteão em Coimbra deve este estatuto à presença tumular dos dois primeiros reis: D. Afonso Henriques e D. Sancho I.

 

No panteão, em Lisboa, estão sepultadas as seguintes personalidades:

 

  • Almeida Garrett, escritor (1799-1854)
  • Amália Rodrigues, fadista (1920-1999)
  • Aquilino Ribeiro, escritor (1885-1963)
  • Guerra Junqueiro, escritor (1850-1923)
  • Humberto Delgado, opositor ao Estado Novo (1906-1965)
  • João de Deus, escritor (1830-1896)
  • Manuel de Arriaga, presidente da República (1840-1917)
  • Óscar Carmona, presidente da República (1869-1951)
  • Sidónio Pais, presidente da República (1872-1918)
  • Teófilo Braga, presidente da República (1843-1924)

 

Este panteão abriga ainda os cenotáfios (monumento sepulcral erigido em memória de um morto sepultado noutra parte) de alguns dos grandes nomes da história de Portugal:

 

  • Nuno Álvares Pereira (1360-1431)
  •  Infante D. Henrique (1394-1460)
  •  Vasco da Gama (1460?-1524)
  •  Pedro Álvares Cabral (1467-1520)
  • Afonso de Albuquerque (1453-1515)
  •  Luís de Camões (1524-1580)

 

Tudo isto vem a propósito da grande discussão do momento: deve ou não o corpo de Eusébio ser sepultado no panteão nacional? Suponho que o de Lisboa.

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Devo confessar que não sou isento em relação a Eusébio. Foi, é e será um dos meus ídolos. Não têm conta os momentos de pura felicidade que ele me deu.

 

Pense-se a questão central: quem deverá ser sepultado ou estar simbolicamente presente no panteão nacional? Penso que todos concordaremos com a seguinte resposta: os grandes heróis ou mitos da nossa história.

 

Pelo que se tem dito e escrito nestes últimos dias pela grande maioria das pessoas, parece que Eusébio quase que faz a unanimidade: já entrou na categoria dos imortais. Utiliza-se normalmente, em relação a ele, o mesmo tipo de argumentos que serviram para levar Amália para o panteão nacional: foram os dois únicos faróis portugueses que se avistavam em todo o mundo durante o período fascista; são conhecidos em todo o planeta; a sua obra, os seus feitos são impossíveis de ser esquecidos; elevaram o nome de Portugal a um patamar de reconhecimento internacional que nenhuma personagem lusa no século XX conseguiu; estão profundamente enraizados no coração dos portugueses. Reconheço estes argumentos fortes e verdadeiros.

 

Depois aparecem os poucos que são contra. Utilizam o mesmo tipo de argumentos que serviram para tentar impedir o acesso de Amália ao panteão nacional: reconhecem o valor de cada um deles, a sua contribuição para elevar o nome de Portugal, mas … não passam de um simples futebolista ou de uma simples fadista. Por outras palavras, elevam o fado e o futebol a uma categoria menor. Importantes são os políticos, os escritores, e outros que tais. Não me revejo neste tipo de argumentação. Não existem actividades “maiores” e actividades “menores”. Existem pessoas “menores” ou “maiores” em cada actividade.

 

Este tipo de argumentos não devem, no entanto, ser vistos a “preto e branco”, pois senão teríamos também um movimento forte para levar José Saramago para o panteão nacional, principalmente por aqueles que consideram a escrita como uma actividade nobre, a “crème de la crème”. Saramago foi um dos maiores escritores de sempre em língua portuguesa. Terá algum defeito de fabrico … político.

 

Olhemos para os nomes daqueles que têm os restos mortais no panteão de Lisboa. Exceptuando Almeida Garrett e João de Deus, todos viveram mais ou menos anos no século XX e os anos mais importantes das suas vidas em termos de reconhecimento público foram passados no mesmo século.

 

Façamos agora um exercício de imaginação: pensemos num tratado histórico monumental, digamos de 1000 páginas, para a história do século XX português: que espaço ocuparia cada um deles? Será que teríamos de consultar a cronologia existente no final do livro para enfim aparecer o nome de algum deles? Façamos o inverso; um pequeno livro de 100 páginas que retratasse todo o século XX. Quem lá caberia?

 

Faça-se um exercício de imaginação ainda maior: um tratado de 9000 páginas, 1000 por cada século da nossa história enquanto país, pois já vamos com a venerável idade de 870 anos. Será que algum destes nomes nem na cronologia final teria lugar? E o contrário; toda a nossa história em 500 páginas. Quem lá apareceria?

 

Olhemos agora para os cenotáfios: alguém tem dúvidas que as figuras que simbolicamente representam têm lugar reservado em qualquer tratado da nossa história?

 

 Passemos para o panteão de Coimbra. Existirão dúvidas do lugar central que seria atribuído a D. Afonso Henriques? E mesmo D. Sancho I não teria direito pelo menos a duas ou três linhas para realçar o seu papel fundamental no povoamento das terras conquistadas aos mouros? 

 

Observemos os escritores que estão no panteão nacional, não para lhes tirar méritos, mas para reflectirmos sobre as razões de lá faltarem escritores como Gil Vicente, Eça de Queiróz ou o padre António Vieira. Não se sabe dos corpos? Coloquem lá os seus cenotáfios.  Não, não me esqueci de Fernando Pessoa, cuja ausência é para mim incompreensível.

 

Falando apenas nos casos recentes dos nossos mortos com estatuto nacional e mundial: será que Eusébio deveria ir para o panteão nacional? E Saramago? E Amália deve lá estar?

 

Devo confessar que não sei. Se fosse pela emoção, pelo sentimento, por tudo o que me deram, o que nos deram e pelo que deram ao país, diria já que sim, convictamente.

 

Mas o panteão nacional não é isso, não é o momento, a emoção fugidia, o cavalgar da onda. O panteão nacional deveria ser um lugar para homenagear os portugueses que se destacaram para lá do que se evidenciaram os portugueses extraordinários. O panteão nacional deverá ser um lugar de excelência ou corre o risco de se tornar um lugar banal.

 

Só existe uma forma de avaliar essa excelência: o tempo. Talvez uma geração, talvez duas gerações, se calhar mais, para se perceber a diferença entre a espuma dos dias, as notas de rodapé da história e o que fica para a eternidade.

 

Termino com duas notas de rodapé.

 

  1. A frase extraordinária da senhora que ocupa o segundo lugar da hierarquia do estado, como presidente da Assembleia da República, a explicar que o transladar um corpo para o panteão nacional saía muito caro. Infeliz pátria que tem figuras de topo que não sabem diferenciar entre dinheiro e valor simbólico.
  2. Agora que estamos quase a comemorar os 40 anos de Abril, este governo e os seus acólitos têm conseguido tirar o “25 de Abril” do panteão nacional e estão quase a lançá-lo para a vala comum. Talvez se enganem, não se esqueçam que temos um ditado que diz que a vida começa aos quarenta.

 

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A minha homenagem a Mandela é uma gota de água comparada com “o todo” que por aí anda, mas é feita de coração.
Leio os comunicados oficiais desses javardos que se governam à nossa conta e que de repente descobrem Mandela e logo botam discurso em nome do país, com uma “faladura” que se pode aplicar a qualquer personagem importante que morra, independentemente dos seus méritos.
Mas o que esses gajos não sabem nem sonham é que Mandela entrou definitivamente na categoria dos imortais. Mandela já não conta como ser mortal, entrou definitivamente na categoria dos que irão agitar gerações e gerações, pois representa uma ideia, um sonho, um aperfeiçoamento do ser humano.
A par de Gandhi, representa um ideal das ideias humanas, na forma de lidar com os seus inimigos. Curiosamente um ideal herdado do cristianismo, o perdão. Só que este perdão, esta aceitação do “outro”, é forjado na luta, na resistência, na negociação e também por vezes na não-violência.
Não falo de Mandela enquanto “Homem”, não me interessa essa faceta, falo dele enquanto símbolo.
O meu contacto com a luta do povo sul-africano contra o apartheid deu-se por volta dos anos 80, não sei exactamente quando. O despertar do meu conhecimento foi uma canção de Peter Gabriel, denominada Biko, em homenagem a um activista sul-africano, assassinado nas prisões da África do Sul. Curiosamente a mando de um governo que era apoiado pelo actual chefe da nossa banda, na época com o posto de subchefe. O actual subchefe, nessa época andaria provavelmente a traulitar as canções de um conjunto feminino foleiro, muito em voga nesses anos.
Steve Bantu Biko foi um conhecido activista do movimento anti-apartheid na África do Sul, durante a década de 1960. Nasceu em 1946 e foi assassinado em 1977 a mando do governo racista da África do Sul.
Ouçamos então uma versão dessa canção, cantada pelo próprio Peter Gabriel. Junto a letra em português da canção.

Setembro de 1977
Clima agradável no Porto Elizabeth
A rotina era a mesma
Na sala policial 619

Oh, Biko, Biko, Por que Biko?
Oh, Biko, Biko, Por que Biko?
Yihla Moja, Yihla Moja – O homem está morto.

Quando tento dormir à noite
Meus sonhos são vermelhos
Lá fora o mundo é negro e branco
Com apenas uma cor morta.

Oh, Biko, Biko, Por que Biko?
Oh, Biko, Biko, Por que Biko?
Yihla Moja, Yihla Moja – O homem está morto.

Tu podes assoprar uma chama
Mas não podes fazê-lo com uma fogueira
Uma vez que as fagulhas incendeiam algo
O vento as tornará maiores.
Oh, Biko, Biko, Por que Biko?

Yihla Moja, Yihla Moja – O homem está morto.
E os olhos do mundo agora estão vigilantes.

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Brotoeja

Existem coisas que me causam brotoeja e uma delas é o estado fascista português, em português suave denominado estado novo. Pensando na minha idade actual, chego à conclusão que uma quarta parte dela foi vivida no consulado de Salazar, Caetano e Tomás. 

Vi e vivi muita miséria, muita pobreza, ilhas de pobreza, bairros de lata com esgotos a correr a céu aberto em regos junto às barracas, pé descalço, crianças condenadas a serem miseráveis por causa da sua condição de nascimento, miséria como hoje não existe no nosso país (para lá caminhamos de novo). Soube de um tio preso e torturado pela pide, senti, embora ao longe, o colonialismo e a guerra colonial, o antiparlamentarismo (hoje de novo na moda), as garras afiadas da igreja católica … enfim comi muito bacalhau com feijão-frade (pelo menos não passei fome).

Portanto este apelo do gajo que se governa à nossa conta, para uma nova união nacional, sinónimo de fascismo, ausência de liberdade, prisões arbitrárias, miséria, deu-me uma sensação de náusea que pela minha experiência de vida já não deveria sentir, pois tudo é possível vindo de quem vem, sabendo que tem a cumplicidade do reformado manhoso que em tudo teoricamente manda.

 

PS: O Blogue Praça do Bocage tal como foi concebido pelos seus autores apresenta-se como um blogue e cito: “de conversa sobre o que nos dá na real gana … O que aqui se escreve apenas vincula o autor”.

Para mim isto é bem claro. Naquilo que aqui escrevo assumo a total responsabilidade. Nunca aqui escrevi e não vou escrever sob pseudónimo … até porque isso me causa brotoeja. 

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A publicidade tem o poder de vender e persuadir. Ela reflecte os valores, sonhos e fantasias do consumidor final. A publicidade acaba por ser quase como uma amiga que tal como um espelho reflecte a nossa sensibilidade, a nossa personalidade, os nossos sentimentos. A publicidade substitui em muitos casos a mitologia antiga. Transforma-a dando-lhe um rosto moderno, adaptado aos tempos contemporâneos. Faz novos deuses, novos heróis, quase nada existe fora dela e para além dela. Será provavelmente o instrumento mais poderoso que o mundo dos negócios tem para se desenvolver. E o mais perigoso.
Na política a publicidade tem o nome de propaganda. Provavelmente tão eficaz, mais poderosa e de efeitos decerto mais palpáveis a curto prazo.
Estamos a entrar num novo mundo em que a publicidade se torna tão atraente, que nos esquecemos dos seus perigos. Perto estará o tempo em que os filmes, documentários, notícias, etc. serão apenas um intervalo entre anúncios.
Não escrevo no entanto este artigo para uma discussão política.
Apenas com dois exemplos penso mostrar o lado sedutor da publicidade. Tão sedutor que muitos podem ficar apaixonados.

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Revista da semana

 

Segunda-feira, 11/03/2013

Há evidências de ter existido vida em Marte, dizem os cientistas.

 Temos (humanidade) um ego muito grande. Com tudo o que a ciência já nos foi transmitindo como certezas, pensemos mesmo que um dia destes nos vai aparecer à nossa frente algo de diferente. Se existe vida para além do nosso planeta? É apenas uma questão de tempo até termos provas.

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Terça-feira, 12/03/2013

O desemprego aumenta.

Image Temos, pelo que dizem, mais 535 desempregados a cada dia que passa. Apenas uma ligeira subida nas curvas dos gráficos construídos, lidos e interpretados pelos que se governam à nossa conta. Para a maioria dos desempregados (infelizmente já passei por isso e não estou livre disso) a situação é humilhante, de vergonha. O que este governo tem feito é criminoso. Neste momento temos na população activa cerca de um em cada quatro trabalhadores no desemprego e um em cada dois são jovens. Mas cá vamos cantando e rindo. Espero que um dia esta gentalha responsável apareça nas barras dos tribunais a justificar-se das opções que tomou.

Talvez desde D. Carlos não tenha existido um governo tão antipatriótico na nossa pátria. Governo de sabujos vendidos aos interesses estrangeiros.

 

Quarta-feira, 13/03/2013

Habemus papam – O Espírito Santo volta a patrociná-lo. (Não sabemos o spreed).

 Os cristãos católicos têm um novo papa e todos os católicos, ou não, ficaram contentes. Aqueles que são genuinamente católicos e aqueles que, como eu, sentiram a falta de tão ilustre símbolo. Francisco assim se rebaptizou o xico vindo das américas.

“Boa noite Roma” saudou as suas ovelhas, reunidas na praça central do Vaticano. E desde aí temos assistido pasmados a coisas fantásticas vindas deste santo homem: explicou porque se autodenominou Francisco; que fala ao telefone directamente sem intermediários; que andava de metro (aqui em Setúbal não chegaremos a santos, porque não temos metro); que a irmã é que lhe fazia as fatiotas. Alguém pode dizer ao santo homem que também nós aqui temos um Mota que entrou de “vespa” no ministério e ao fim de menos de duas horas saiu num Audi de topo.

Enfim, um papa radical porque é do “novo mundo”; porque é jesuíta (volta marquês de Pombal); porque tem um sorriso bondoso (o que quer que isso seja); porque fala dos pobres e quer uma igreja pobre para os católicos pobres, suponho que a igreja rica continue destinada aos crentes ricos. Mas foi mais além, ao dizer que ele próprio cozinhava muitas das suas refeições em casa. Aí colocou-se ao nível do “xico” que existe em qualquer um de nós: também cozinhamos o que comemos. Até agora o papa Francisco tem dito coisas novas, inimagináveis e nunca pensadas, como diria La Palisse. Enfim, habemus papam, americano …

 http://youtu.be/XmOn6XP5HaA

 

Quinta-feira, 14/03/2013

Porto de Sines no top 25 da Europa.

 O porto de Sines entrou, pela primeira vez, no “top 25” dos maiores portos europeus depois de ter alcançado, em 2012, um novo máximo de 28,6 milhões de toneladas de mercadorias movimentadas. O porto alentejano foi, além disso, o porto europeu que mais cresceu durante o ano passado, tendo registado um incremento de 11% nas movimentações. As boas notícias são tão raras que merecem ser destacadas, principalmente quando dão um incentivo à economia portuguesa. Sines de novo no mapa e não apenas, o que já era suficiente, pela sua aposta na cultura. Pois é … festival de músicas do mundo. Todos os anos, música alternativa de grande qualidade aqui bem perto de nós.

 http://youtu.be/Jt3C8RqCHwA

 

Sexta-feira, 15/03/2013

Sondagens.

 Porquê? Porque é que os partidos que são alternativa aos partidos que se governam à nossa conta não sobem nas sondagens? Quase 80% dos portugueses acham este governo mau ou mesmo muito mau e no entanto o PSD é o único partido que sobe estando quase igual ao PS. O PCP e o BE não avançam, dizem as verdades mas não avançam, porquê? Pensem e mudem a mensagem e a acção. Estamos no século XXI com uma população cada vez mais formada e informada, não o esqueçam. As sondagens valem o que valem, mas são muitas a dizerem a mesma coisa. O presidente não passa de um morto vivo, a oposição não se define como alternativa e continua de costas voltadas entre si e principalmente não agarra os descontentes. Porque não mudam, porque não ouvem os desagradados, porque não percebem que neste mundo cada vez mais complexo as respostas não podem ser únicas e a preto e branco. Porquê? Porquê? Por favor não arranjem mais culpas e desculpas. Pensem no povo, pensem no que se deve mudar. Conversem entre os partidos, abram espaço para os cidadãos fora dos partidos, mexam-se pela vossa saúde. A História mostra-nos que a alternativa vai ser uma ditadura militar.

Sábado, 16/03/2013

Afinal o corpo de Chávez não será embalsamado.

 ImageFico contente.Chávez cumpriu e bem a sua missão neste planeta. Se todos tivéssemos em nós um pouco do seu melhor decerto este seria um mundo mais justo e solidário. Não o elevemos à figura daquilo que não é, nem foi. Chávez foi um Homem preocupado com o seu povo e com a pobreza no mundo. Cristão assumido, decerto não gostaria de se ver elevado à condição de ídolo. Gosto de o ver sorrir, feito humano … com esperança.

 

Domingo, 17/03/2013

Imposto sobre depósitos provoca corrida aos bancos no Chipre.

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 Um murro no estômago daqueles que têm as suas pequenas e médias poupanças. Os que têm dinheiro de verdade já o tiraram do circuito interno. Lá como cá.

Provavelmente estamos perante o fim já anunciado do euro e da união europeia como esta se apresenta na actualidade. Será agora apenas uma questão de tempo, de meses, quase decerto até ao fim do ano.

Esta gente que manda na Europa percebe pouco de História … não são os europeus que se devem tornar alemães, são os alemães que se devem tornar europeus.

Bem-vindos ao início do IV Reich.

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Revista da semana

Dia

Notícia

Comentário

1 de Março

Bento XVI resignou.

Acabou-se o patrocínio do espírito santo.

2 de Março

Manifestação.

Participei na de Setúbal. Assustou-me o silêncio dos manifestantes, incluindo eu. A maioria é idosa, alguns para cima dos 80 anos. Não é palpite, Setúbal é quase uma “aldeia” e acabamos todos por quase nos conhecer. Teria gostado que a manifestação na nossa cidade fosse maior.

3 de Março

Manifestação.

 

Mais de um milhão de manifestantes cantou a Grândola Vila Morena. Deixo-vos os vampiros, também é adequada. http://youtu.be/ZUEeBhhuUos

4 de Março

Afonso Dias condenado por raptar Rui Pedro.

15 anos depois alguém descobre a pólvora. Não faço a mínima ideia se o senhor é culpado ou não. Mas 15 anos depois? Há alguns anos atrás o António Costa do PS correu de burro contra um Ferrari e consta que ganhou. A nossa (in)justiça? perderia uma corrida contra um caracol … em hibernação.

5 de Março

Morreu Chávez.

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Para muitos europeus o “estilo” Chávez era algo já ultrapassado, misto de caudilho e demagogo, apenas existente nos livros de história.

Para Portugal sempre foi um amigo. Nas boas e nas más horas, já da crise – quem sabotou o negócio dos estaleiros navais de Viana de Castelo? não consta que fosse Chávez – e na relação com os emigrantes portugueses na Venezuela cerca de 400.000.

Como presidente da Venezuela sempre foi eleito democraticamente em eleições consideradas pela totalidade da comunidade internacional completamente limpas. Perdeu eleições estaduais e deixou que os governadores eleitos fizessem o seu trabalho. Perdeu o referendo de prolongamento dos mandatos presidenciais e acatou os resultados. Nunca se falou em presos políticos ou em exilados. O designado manipulador de massas, deixou obra feita. Muita e significativa obra feita: a mortalidade infantil desceu de forma significativa; o mesmo com o número de pobres e dos ainda mais pobres; a alfabetização subiu muito; o mesmo com a escolaridade média e superior; a saúde atingiu patamares raramente vistos em países sul-americanos; a economia disparou; foi o criador de uma classe média. Depois ainda o consideram manipulador.

Agora dizem que ele fez tudo isto por causa das imensas reservas do petróleo. E os antecessores não o tinham? Dois pecados: a inflação e a criminalidade, que aumentaram.

A minha homenagem a Hugo Chávez. É sempre doloroso ver partir um homem com poder efectivo, que defende os mais desprotegidos da sociedade e que luta por uma sociedade mais justa.

6 de Março

Onze bancos suspeitos de combinar “spreads” dos empréstimos.

Bancos, gasolineiras, electricidade, operadoras de telecomunicações, gás, etc. Que bom a concorrência que vinha para baixar os preços. Paga, oh ZÉ! e não bufes!

7 de Março

Benfica ganha com “autogolo” do guarda-redes do Bordéus.

Rodrigo marcou um excelente golo. A UEFA atribuiu ao guarda-redes adversário. Bocage explicou: “ o peido que aquela senhora deu, não foi ela, fui eu”.

8 de Março

Cavaco avisa que os portugueses estão cansados de austeridade.

 

Dia da mulher.

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Mais um filme de terror estreado esta semana. Depois do regresso da Troika, eis o regresso do morto-vivo.

 

 

 

Casamento colectivo muçulmano perto de Londres, na segunda década do século XXI. Pois, hoje é dia da mulher, pois é!

9 de Março

16 portugueses vencem a sida.

É fantástico e por enquanto inexplicável o corpo humano. Estes 16 portugueses nunca tomaram remédios contra a sida. O corpo resistiu, a doença não avançou e os cientistas não conseguem dar explicações.

 Também nós povo português vamos vencer este vírus que nos ataca, tentando escravizar uma nação independente desde 5 de Outubro de 1143.

10 de Março

Dívidas estão a levar a vários casos de suicídio na restauração e na construção civil.

Já aqui no blogue se falou sobre este tema. O suicídio não tem saída, não admite retorno. Os responsáveis estão entre nós: sorridentes e de boa saúde.

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Costumes

Vou só ali tomar banho, volto já.

A crer na reportagem das nossas TV´s, um tigre fugiu do circo onde se encontrava, na bonita cidade da Régua, atravessou o Douro a nado e foi capturado já na outra margem do rio, no lado de Lamego, “apenas” duas horas depois. Como tudo está bem quando acaba em bem, o dito bicho, lá se apresentou no espectáculo da noite, meia dúzia de horas passadas depois do seu banho de relaxamento e beleza.

Como todos sabemos, independemente das circunstâncias, o espétaculo deve continuar. Nada de novo, pois já passado um século, o navio Titanic ia ao fundo e a orquestra continuava a tocar.

Um representante do circo, fiquei na dúvida qual o seu lugar, se dono se palhaço, explicou que o bicho, coitado, aproveitou-se de uma distração dos limpadores da jaula e decidiu mergulhar no Douro. Mas, rapidamente a situação foi resolvida. Vejam bem, explica o porta-voz, depois de o tigre atravessar o rio, ao chegar ao outro lado, foi apenas uma questão de se lhe deitar um laço e umas horas depois lá estava ele, digo eu, mostrando-se um grande profissional, apresentando o seu “show”.

Pelo que se sabe, um alerta dado ao fim da tarde do dia da fuga envolveu, na procura do grande gato, elementos da GNR e dos bombeiros da Régua e de Lamego, bem como da polícia marítima.

Apenas um breve intervalo, para lhe lembrar, caro leitor, que no caso de se esquecer da chave em casa e se tiver que chamar os bombeiros para lhe abrirem a porta paga cerca de 60€.

Resumindo: alguém vai pagar a intervenção destas corporações e prevejo, após a leitura da minha bola de cristal, que vão ser os nossos impostos. Enfim , apenas um desabafo.

Voltando à vaca fria, perdão ao tigre manso (manso é a tua tia, diria o outro), segundo as palavras do homem que deu rosto ao circo, nada de anormal se passou pois o tigre está domesticado, seja lá isso o que for. Acrescentou que somente devido a uma ligeira distração dos funcionários encarregues da limpeza das jaulas, a tigreza fugiu, foi a banhos no Douro, mas  ao chegar à outra margem foi posto no redil.

Assim ficou esta notícia, nada se passou, nada aconteceu e como tal tudo está bem.

De pequenos nadas é feito o retrato do nosso país. Este é apenas mais um.

Impedir de imediato o espetáculo dessa noite, inspecionar a segurança do circo, a forma como são tratados os animais, a legitimidade legislativa e moral de manter animais em cativeiro, no fundo, saber se estas companhias têm ou não condições para exercer o seu modo de vida, nada disto ocorreu a quem pode e manda, pois tudo está bem quando acaba bem.

Enquanto portugueses sabemos como estas coisa funcionam. Ninguém morreu ou ficou sem um pedaço do seu corpo e, acima de tudo, nenhuma criança foi molestada, pelo que tudo está bem.

Também não vale a pena exagerar nas consequências, ou seja, nas responsabilidades, pois mesmo que alguma criança, mas também jovem, adulto ou velho, tivesse sido comida ou mutilada pelo tigre “domesticado”, após os dias da “carpição” popular e mediática, ou seja, após os dias denominados de “nojo”, este tigre ou outro tigre continuaria a fugir e a matar.

Não se iludam; o nosso problema não é apenas politico, não é somente económico ou financeiro ou seja lá o que queiram dizer …  a nossa verdadeira questão é profundamente cultural e de cidadania.

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Política

A lógica da batata

Para quem não sabe, a batata chegou à Europa no reinado do espanhol Carlos V.

O marinheiro e conquistador espanhol Francisco Pizarro, por volta do ano de 1530, trouxe este tubérculo na volta da sua primeira viagem às Américas.

Entre as provisões incluidas na viagem de regresso, vinha a batata até aí desconhecida na Europa. O regresso durou alguns meses, nos quais os marinheiros decidiram evitar tal comida enquanto puderam. A carne ia apodrecendo, os vegetais não existiam e a única coisa que ia aguentando era a batata. Mais, aqueles que comiam batatas não apanhavam escorbuto ao contrário dos restantes marinheiros. Não se sabia na época que as batatas contêm vitamina C.

Durante um século, a igreja católica foi caraterizando a batata como coisa do diabo. Como não se falava nela na Bíblia, diziam que não podia ser coisa de Deus. O que cresce em cima da terra é de Deus e dos homens e o que cresce abaixo da terra é do diabo e dos seus acólitos, era este o discurso oficial da igreja católica apostólica romana.

Em 1618, começou na Europa a  guerra dos trinta anos. Os campos de cereais arderam. Os campos de batata também. Mas elas não foram atingidas, ao contrário dos cereais que arderam. Permaneceram abrigadas e saudáveis debaixo da terra. Com o decorrer dos anos, as batatas tornaram-se o alimento que permitiu a milhões de pessos, repito milhões de pessoas, não morrerem à fome. Foi durante estes anos que os europeus se renderam à batata.

E é a batata (já lá vão 400 anos) que continua a salvar milhões de pessoas de morrer à fome. Se quisermos até ser um pouco mais “finos”, temos a batata frita como alimento “gourmet” para todas as classes sociais.

O patriarcado de Lisboa é uma instituição antiga. Já lá vão quase 300 anos, pois tal título foi atribuido no ano de 1716. Este título consubstancia a máxima dignidade honorífica atribuível pela igreja católica e apostólica romana a uma diocese ou arquidiocese. Com a atribuição da dignidade ao arcebispo de Lisboa, este ultrapassa finalmente em importância o arcebispo de Braga que, com o título de primaz das Espanhas, foi, até 1716, o mais elevado clérigo existente em Portugal.

Por privilégio concedido por bula pontifícia, o patriarca de Lisboa é sempre nomeado cardeal pelo papa. Após a elevação ao título de cardeal, o patriarca de Lisboa adopta o título de cardeal-patriarca. O actual cardeal-patriarca de Lisboa é  o senhor José da Cruz Policarpo, que pode ser eleito papa da santa???  igreja apostólica e católica romana.

Pois este gajo (coisas do diabo?) que pode ser eleito dirigente máximo da igreja católica apostólica romana, ou seja, pode ser papa, acha que não vale a pena fazer manifestações em Portugal, pois estas nada mudam, são uma perda de tempo e energias.

Óh! Policarpo! As batatas também nada mudavam … Parabéns, óh! Policarpo, pois deste um novo sentido à lógica da batata. Mas como diria Galileu a esses gajos da tua seita que o condenaram, ela move-se … perdão, as batatas, alimentam e salvam milhões de pessoas de morrer à fome.

Maus tempos aqueles que atravessamos, pois mais um merdas das finanças acompanhado de um qualquer cardeal patriarca de Lisboa acham que podem governar Portugal. A história começa a repetir-se.

Olha bem, óh! Policarpo! Não inventaste nada. Apenas mostras as garras da igreja que, analisadas à luz da tua fé, são iguais às garras do diabo.

 

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O acordo ortográfico.

Sou dos que pensam (e praticam) que o novo acordo ortográfico vem criar uma terceira forma de escrever. As regras não são claras e ninguém consegue perceber muito bem porque é assim e não de outra forma. Exemplo a(c)tual:

“ Ela para para atravessar a passadeira”.  Antes: (Ela pára para atravessar a passadeira)

Porque é que umas palavras continuam com o hífen e outras não? Porquê? É apenas uma das perguntas que levanta o novo acordo.

Enfim … mais uma vez o poder económico sobrepõe-se a tudo.

Agora lanço a pergunta que vale milhões. O que fazer quando por motivos profissionais somos obrigados a escrever ou a ensinar segundo as novas regras? Podemos sempre demitir-nos do nosso emprego, porque não concordamos. Existem situações limite a que eticamente devemos dizer não, mesmo que isso nos prejudique. Será o novo acordo ortográfico enquadrável nessa situação limite? Só o futuro nos dirá quantos decidiram resistir a este acordo ortográfico, prejudicando a sua vida.

Desde o rei D. Diniz, que as reformas ortográficas em Portugal têm sido aplicadas. Nesse caso aconteceu uma mudança radical do latim enquanto língua oficial na escrita para o uso do português.

Melhor ou pior, a vida continua, pois a máquina da história é imparável. Já não encontramos farmácias com “PH”, embora o nome Pharmácia seja mais romântico, acho eu …

Enquanto refle(c)timos sobre a questão, resolvi pedir ajuda a dois “monstros”: Louis Armstrong e Ella Fitzgerald, para nos iluminarem a discussão.

http://youtu.be/J2oEmPP5dTM

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O homem do apito.

Santhiago Moacir nasceu em Matola, Moçambique, não longe de Lourenço Marques, atual Maputo, no já longínquo ano de 1945. Filho de mãe preta e pai desconhecido, Moacir depressa recebeu a alcunha de “cabrito”, o que sugeria a cor da pele do progenitor.

Por qualquer motivo, do qual não será de desprezar o económico, a mãe de Santhiago nunca referiu o nome do pai da criança. Dentro da sua pobreza, nunca passou fome, não lhe faltou comida, roupas,  adereços e, por vezes até, um pouco de cor para colocar nos olhos e nas unhas. A criança sempre teve algo material que a diferenciava das outras do seu bairro, para além da cor da pele e da estatura.

Santhiago nasceu com olhos claros, pele tom de galão claro, cabelos mais escorridos do que encarapinhados,  mais alto do que o comum, sem ser branco nem preto, com mãe e sem pai.

Santhiago cresceu feliz. Depressa aprendeu a lidar com o facto de ser cabrito, entre outras ofensas menores. Que a verdade seja dita: as ofensas, as maldições, os maus-olhares, foram quase sempre suprimidas pela sua presença física e o poder oculto atribuído ao seu desconhecido pai. Em 1955, terminou com distinção a 4.ª classe. Por decisão materna, enveredou pelo prosseguimento de estudos, para grande escândalo da sociedade em que estava integrado.

A esta hora já estarão os leitores que seguem estas palavras a perguntar-se da razão de terem de saber da “estória” de Santhiago Moacir. Pelos vistos, nem sequer é árbito de futebol como sugere o título. Pois é muito simples: todos nós podemos encontrar  Santhiago Moacir no jardim do Campo Grande, em Lisboa. Continuar a ler

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Bom dia, tristeza.

Nos anos 50 do século passado, a escritora francesa Françoise Sagan, publicou o seu primeiro romance a que deu o nome de “Bonjour Tristesse”. Depois, o romance foi transposto para o cinema e ainda me lembro também de uma canção da Juliette Grego, com este nome.

Sempre associei este título a um vago sentimento de tédio, impotência e principalmente de tristeza. Não me lembro do conteúdo do livro, se por acaso alguma vez o li, não vi decerto o filme e fui rever há pouco a canção. A canção reavivou-me este mau estar físico e psicológico que sempre me invade quando penso no título. E mais uma vez a sensação de impotência, de nada poder fazer.

Pois foi assim que ontem me apresentei ao serviço depois de um mês de férias. Normalmente o meu regresso ao trabalho é composto por duas faces. Uma que definiria da seguinte forma: “que chatice, acabaram as férias”; a outra com alegria de voltar a ver os colegas, os alunos e de voltar ao trabalho, pois gosto do que faço. Ontem foi apenas de tristeza,  de impotência.

Faço parte de um grupo profissional que assistiu no passado dia 1 de Setembro ao maior despedimento coletivo de sempre existente em Portugal e provavelmente a um dos maiores do mundo. Mais de 30 mil professores não foram colocados. Existem cerca de 10 mil com horário zero, o que equivale a uma passagem certa ao quadro de excedentes daqui a 2 anos. E mais o que aí virá para o próximo ano.

Não estamos a falar de candidatos a professor. A maior parte tem mais de 5 anos de profissão, muitos com 10, 15 e 20 anos. Alguns com mais de 25 anos a exercerem. Esta deve ser a tal segurança no trabalho de que tantos falam, quando se fala dos funcionários públicos…

Existem professores a mais? Se calhar existem. A demografia não ajuda, o número de jovens tem caído a pique. Algumas disciplinas apareciam no curriculum e não se percebia muito bem para o que serviam. Existiam 40 mil professores a mais? Não! não existiam!

Mas a reforma feita não foi apenas essa. A reforma estrutural passou por:

1)      aumentar o número de alunos por turma (só quem nunca deu aulas é que não sabe o que significa atualmente ter 30 alunos numa sala), incluindo as turmas com alunos considerados com necessidades educativas especiais;

2)      diminuir o número de horas letivas dos alunos, o que não seria em si uma má ideia se a escola lhes desse a eles e às famílias algo em troca: apoio individualizado ao estudo, teatro, música, desporto, cinema, cidadania, ecologia, defesa do consumidor…

3)      ao aumentar o horário letivo dos professores e cortando a possibilidade de nesse horário entrarem os apoios, o ministério deu a estocada final.

Tudo isto vai melhorar a escola? Não! Não vai!

Claro que este governo quer dar cabo do ensino público. Não será o melhor dos tempos, a pensar no número de famílias que este ano letivo tiveram que matricular os seus filhos no ensino público, retirando-os do privado. Enfim, os passos vão sendo dados.

Bonjour tristesse. Onde os senhores com sede em Lisboa, que se governam em vez de governarem o país, veem números, eu vejo caras e nomes. Vejo a Raquel, o Pedro, a Adelaide, a Vânia e tantos outros, vejo gente com filhos, com família, com contas a pagar, cidadãos a quem prometeram um futuro digno e que agora brutalmente o negam.

Mais umas dezenas de milhares a engrossarem os cerca de 600 mil desempregados oficialmente, mais os outros que já nem contam. Quantos portugueses estarão sem trabalho atualmente, 1 milhão? Um em cada dez portugueses? A negação ao trabalho é uma das formas de retirarem às pessoas a sua dignidade humana.

Para onde nos levam? Para uma nova grande depressão? Para uma guerra? Para uma ditadura?

Bom dia, tristeza.

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Homenagem aos judocas e ao tiro

Ponto prévio: não conheço nem tenho nenhum contato direto ou indireto com os judocas, Telma Monteiro e João Pina, bem como com o homem do tiro João Costa. Falo deles, apenas e só, do que conheço como figuras públicas.

Desilusões. Foi a palavra que mais ouvi hoje. A palavra desilusões referia-se específicamente aos judocas Telma Monteiro e João Pina. Porquê? Porque foram eliminados no primeiro combate em que participaram. Pelos vistos por atletas que também têm muito valor. A atleta que eliminou a Telma, ganhou a medalha de bronze, o outro atleta não sei em que lugar terminou, mas era de um valor muito semelhante ao português, segundo dizem os especialistas, porque eu de judo percebo zero.

Os média explicam: eram a grande esperança e afinal foram a grande desilusão. Eram a grande esperança, porquê? Porque os média assim proclamaram. Hoje de manhã (30-07), no noticiário das 7.30h ou 8.30h da rádio antena 1, ouvi esta frase espantosa “já se sente o cheiro das medalhas no ar”, falando da participação destes dois judocas, que iria acontecer daí a três ou quatro horas. Mas há já muitos dias que a intoxicação vinha em crescendo, em todos os média, como se comprova com uma frase muito utilizada: “Portugal estava à espera” … das medalhas destes judocas.

Falando curto, os média tinham decidido ainda antes do início da competição que os atletas portugueses iriam trazer para o nosso retângulo algumas medalhas e para os judocas a certeza era definida como “tiro e queda”, pouco menos do que absoluta. Como os média raramente têm dúvidas e nunca se enganam (onde é que já ouvi isto?), claro que apresentam a derrota dos nossos atletas como um fracasso. Eu pergunto: um fracasso de quem? Dos judocas ou dos média? Daí os média os terem transformado num piscar de olhos, de esperança em grande desilusão.

Aos ombros destes adultos ainda relativamente novos, ela com 26 anos e ele com 31, puseram uma enorme responsabilidade: redimirem o país. Ela ainda carregou com esse peso extra de transportar a nossa bela bandeira, no dia da inauguração dos jogos. Como se cada medalha conquistada pelos atletas portugueses nos jogos olímpicos alterasse a nossa vida diária, os dias negros que aí vêm. Nada de novo no mundo, tinhamos visto isto em Junho no europeu de futebol com a seleção. A comparação não é totalmente feliz, devido ao abismo profissional, social e económico que separa os atletas.

Durante o dia, tive a oportunidade de ouvir os dois judocas e estes revelaram-se verdadeiros campeões. Ela atribui a derrota a esse simples facto de a adversária ter sido melhor; acrescentou que “iria fazer um tempo de luto” e voltaria para de novo discutir os títulos. Reparem ela não disse ganhar, disse discutir, lutar, competir. Ele, de uma outra forma, menos humilde, mostrou a sua fibra ao afirmar que ainda quer estar nos jogos olímpicos do Rio de Janeiro de 2016, com 35 anos.

Reparem estar nos jogos olímpicos não é um motivo de querer, de desejo, de “cunhas”, neste caso estaria lá pelo menos um terço da população portuguesa. Estar nos jogos significa que se está entre os melhores do mundo na modalidade em que se participa.

Nós, portugueses, somos dez milhões, uma minoria desconhecida se fizessemos parte dos povos que constituem a China, a Índia ou a Rússia, apenas 2% da população da União Europeia. Temos que meter virgulas atrás do zero para nos quantificarmos enquanto população em termos do nosso planeta, qualquer coisa como 0,025%, da população mundial. Existem cidades no mundo, com o dobro do total da população portuguesa.

Estar nos jogos olímpicos é só por si um motivo de orgulho, lutar com dignidade dando o máximo é o que se pede. As medalhas são bem vindas, mas sabemos que são uma exceção, para os atletas excecionais.

Mais uma vez sinto que os grandes derrotados, não são os nossos atletas, são aqueles que querem fazer deles aquilo que eles não são. No caso do futebol, por exemplo, tentam elevá-los à condição de semi-deuses da atualidade.

Eu, já lá vai quase meio século, tive uma grande ajuda nos jornais “A Bola”, “O Século”, “Diário de Notícias” e “Diário de Lisboa”, na minha aprendizagem da escrita e da leitura. Perante isto, só posso lamentar que uma parte significativa desta gente que trabalha atualmente nos média, com mais estudos do que os seus antecessores na generalidade jamais tiveram, faça um trabalho que no geral é muito mau. Mau na escrita, mau na oralidade, mau na ideologia que transmitem, mau na apresentação, mau na leviandade com que falam e por aí adiante.

Por fim, mas não por último, uma palavra de homenagem ao nosso homem do tiro, tal qual James Bond português, que conseguiu esse feito fantástico de, nestes jogos de 2012, ficar em sétimo lugar.

Não gostaríamos todos que este retângulo fosse o sétimo país mais desenvolvido do mundo?

PS: Boa sorte a todos os atletas olímpicos que representam Portugal. Representem o país com dignidade e orgulho. Se vier alguma coisa a mais é bem vinda, apenas e só.

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Vamos falar de impostos

Este é um “post” que não gostaria nunca de ter escrito. Por uma razão simples, os impostos deveriam ser um imperativo social. De quem os paga, de quem os usa e da forma como são aplicados.

Vou ao restaurante almoçar com a minha cara metade e pagamos 25€, mais 23% de IVA. Se não me falham as contas pagamos mais 5,75€ de imposto. Ou seja, numa refeição onde a quem tudo nela investiu dou 25€, depois tenho que deixar mais 5,75€, para uma entidade com a qual cada vez menos me identifico e  que, muitas vezes associo como sendo gerida por um bando de malfeitores. Se noutro local gastarmos 250€, pagamos mais 57,5€. Agora pensemos que se gastam 2 500€ numa outra qualquer coisa: acresce 575€ de imposto. Imaginemos que gastamos 25 000€, sei lá em quê. Vamos pagar mais 5750€ de imposto. Repito, em 25 000€, pagamos mais cinco mil setecentos e cinquenta euros.

A minha indignação não vem pelo facto de pagarmos estas taxas. Seria normal que tal  fizessemos. A minha revolta vem da forma como são utilizados os nossos impostos.

Como nem sempre ando a dormir, sei muito bem por onde vão os nossos impostos:

Para se fazer mais uma via de autoestrada, completamente desnecessária, bem podemos ver no acrescento, por exemplo, de mais uma via em cada sentido que fizeram na autoestrada, depois das portagens de Coina e que passa bem perto de nós, aqui em Setúbal. Três vias em cada sentido para quê?

Para a brigada do rissol, do croquete e das flores. Mais uma festa mais uma rodada.

Para a BRISA, EDP, fundações disto e daquilo, dá cá mais algum ó meu, as p.p.p. porque sim e porque me apetece, etc.

Para a grande festa que segundo a antiga ministra da educação (educação?), se fez durante o consulado de Sócrates. Decerto que foi uma festa de adolescentes, pois quem as paga (os pais), não pode sequer lá entrar. Aqui poderíamos recuar às inúmeras “festas” realizadas por governos anteriores.

Para os que mandam terem direito a carros, cartões de crédito, despesas de representação, etc. etc., sempre disponíveis, não só para eles o que já seria excessivo, mas também para serem utilizados pelas famílias, amigos, amantes e mais o que houver.

Para alguns terem direito à reforma após menos de uma dezena de anos de trabalho. Exemplos: as duas primeiras figuras do nosso país.

Para o BPN, exemplo máximo da mentalidade portuguesa e que é visível todos os dias nos noticiários: privatizar os lucros e socializar os prejuízos.

Enfim, para todos aqueles que menos precisam. Concedo que uma parte, pequena parte, vai para a população em geral.

Gostava de viver num país em que os impostos fossem proporcionais àquilo que se ganha, respeitando aqueles que, para além de ganharem, redistribuem a riqueza que foram capazes de fazer. Estou convicto que muitos de nós poderiamos pagar mais, para mal da nossa carteira e para bem do nosso país. Exigindo também que uma parte dos nossos impostos fossem geridos por discussão popular: para onde vão, porque vão e como são aplicados.

Infelizmente, vivo num país em que os impostos crescem de forma absurda, são já um confisco, um roubo, para alguns tirarem deles bom proveito.

Reparem, pagamos cada vez mais e na mesma proporção tiram ao serviço nacional de saúde, ao ensino público.  A justiça move-se a passo de caracol, a maioria das nossas estradas estão piores, tirando claro as que são pagas. A segurança pública foi rebatizada para insegurança pública e agora ficamos a saber que os prudutos de consumo imediato, como a carne, o leite, os ovos, o peixe, já não são fiscalizados antes de serem vendidos.  Milhares de exemplos se poderia dar. Enfim, se tudo o que vamos sabendo é tão mau, imaginem aquilo do qual não temos conhecimento.

Depois vemos que, à medida que os impostos sobem, cada vez mais, a receita que eles trazem é menor. Porquê? Sem dúvida que existe muita falta de cidadania na fuga aos impostos. Infelizmente, cada vez mais o problema não é de cidadania mas de sobrevivência, de estar contra, de resistir e de bom senso, seja lá isso o que for.

Peço desculpa a todos os que estão a ler esta crónica, não pelo que escrevi, mas por aquilo que não disse, pois não consegui sequer abordar um milésimo daquilo que deveria ter sido tratado.

Uma coisa espero ter sido bem claro, o problema não está só no valor dos impostos que pagamos. Está essencialmente na forma como o nosso dinheiro é mal gasto e em demasiados casos usado de forma indigna.

E depois o absurdo de tudo isto. Os que mais têm, os mais ricos, os que mais usufruem com as taxas que a população paga, são os que mais podem fugir ao pagamento dos impostos, quase sempre de forma legal … claro.

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Política

Gajos

Um dos indivíduos culpados pelos males do nosso país e que cada vez mais se mostra de forma arrogante, do género, todos lhe devem e ninguém lhe paga, apareceu hoje nos noticiários da noite. Nitidamente, é um daqueles que tem muitas contas a ajustar com o 25 de Abril de 1974.

Hoje decidiu dizer em entrevista pública às TV´s, que existem entre cem a duzentos mil funcionários públicos a mais. É claro que não possuo números que demonstrem se existem funcionários públicos a mais ou a menos, mas fico a pensar neste intervalo.

Entre cem e duzentos mil existe um intervalo tão grande que mais parece um bitaite (bitaite significa que tenho algo a dizer sobre alguma coisa, porque sim, porque me apetece), um bitaite tornado público porque alguém (muitos) está interessado a publicar este tipo de javardices.

É um bitaite mal formado, sacana, mas com objetivos claros. Quando falamos de funcionários públicos em que o número total é de  um pouco mais de seiscentos mil, a diferença está entre estarem a mais 20% ou 40% dos funcionários. Trocos, não passarão de trocos para tal ser, cristão sem dúvida.

Cada vez mais este tipo de gajos aparece em público a negar as suas ideias tão católicas: devemos ser todos irmãos, ajudar os outros e outras tretas costumeiras. No domingo, lá estarão na missa, para dar uma esmola. Não muito elevada porque a vida está mal para todos (sorrisos).

Por outro lado, compreendo que se são cristãos acreditam na dualidade deus e diabo. Portanto, os funcionários públicos, o setor público, são o diabo; os que trabalham no privado, o setor privado, são uma emanação de deus.

Como cidadão não percebo a arrogância desta gente de dispôr da vida das pessoas. Assim, sem mais nem menos, porque sim, porque me apetece. Quantos portugueses encontraram a morte por suicídio, por ataques de coração, quantos não ficaram mentalmente afetados, quantos não passam de destroços humanos, porque este tipo de fulanos decide, ao abrigo do seu poder não legitimado, fazer o que há muito é proibido em Portugal: decidir da vida e da morte dos portugueses.

Como cidadão, espero que, um dia, este tipo de gajos tenha como recompensa terrena o equivalente ao que têm feito aos portugueses.

Por mim, estou disposto a entrar numa “vaquinha” para lhes oferecer uma corda e uma árvore.

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