da esquerda para a direita: Virgílio Domingues, Teresa Magalhães,Júlio Pereira, João Hogan, Guilherme Parente, Sérgio Pombo
Em Setúbal, na Galeria Municipal do 11, um colectivo de seis artistas, que iniciou a sua actividade em conjunto nos anos 1976 e esteve activo até o princípio dos anos 80, revive esse passado decorrido quase meio século. Eram os 5+1. Quatro ainda estão vivos, três bastante activos.
Descodifique-se 5+1. Nos géneros artísticos são cinco pintores e um escultor. No género, são cinco homens e uma mulher. Na política estão na esquerda, cinco pluralmente mais à esquerda, um assume deslocação mais moderada para o centro. Nas opções estético-artísticas o que os une é aparentemente nada. Há mesmo situações limite. Sérgio Pombo nunca pintou uma paisagem. A figuração humana, sobretudo a feminina, é o núcleo do seu trabalho, atravessa todas as experimentações da sua obra plástica mesmo quando está ausente ou quando adquire volume numa forma escultórica suporte da pintura libertada dos limites da tela. João Hogan coloca-se no extremo oposto. A figuração de pessoas ou objectos vai desaparecendo na sua pintura até se apagar completamente na arquitectura dos silêncios obsessivos das suas paisagens, que procuram infatigavelmente um estado primordial em que a vida é uma pulsação subterrânea de ventos invisíveis que as vão moldando. Se ambos parecem encontrar-se por recusar contar histórias, sequer enunciar uma narrativa, por ambos explorarem uma pulsão sensual que fere o olhar de quem olha as suas obras, voltam a ter atitudes diametralmente opostas porque enquanto Hogan tem uma ostensiva indiferença, uma quase hostilidade às correntes estéticas internacionais e seus ecos regionais, Sérgio Pombo faz incursões variadas com tal sucesso que o colocam, em várias situações e vários contextos, na linha da frente das artes nacionais e mesmo internacionais.
Entre estes dois pontos, que se podem considerar extremos, situam-se os outros artistas, Guilherme Parente, Júlio Pereira, Teresa Magalhães, Virgílio Domingues, assim por ordem alfabética.
Guilherme Parente é um narrador impossível de deter. Cada um dos seus quadros, desenhos ou gravuras é, desde o primeiro que mostrou até ao próximo que ainda não pintou, uma história para se decifrar, uma história que aconteceu ou está para acontecer, por onde a mão do pintor viaja carregada de lirismo, sem nunca encontrar um ponto final mesmo quando o artista dá a obra por acabada. Em todos os quadros de Guilherme Parente há a deslumbrante incompletude de um caminho que se faz caminhando sem nunca se desviar por uma vereda.
Júlio Pereira, caldeireiro de profissão, o Júlio Pintorde Arte do Montecarlo e da Brasileira, chega tarde, aos quarenta anos, à pintura onde faz explodir uma energia contida durante décadas, sendo o seu primeiro tema recorrente as mulheres, pintadas de todas as formas a tinta-da-china, óleo ou pastel, que subitamente desaparecem para dar lugar à mais rigorosa e icónica abstracção.
Teresa Magalhães tem um universo muito próprio e particular por onde obstinadamente deambula sem nunca se perder nas múltiplos caminhos que percorre. A sua pintura é sempre passado, presente e futuro e todos os saberes que vai colhendo em cada uma das suas experimentações, do neo-figurativismo ao abstraccionismo, acrescentam valor no quadro que irá pintar. Na pintura de Teresa Magalhães se nada se perde também nada se repete, é um acto de permanente criação e renovação. É o percurso fascinante de um trabalho sem quebras, em que a pintora se reencontra constantemente para se reinventar sem um traço de fadiga.
Virgílio Domingues estende uma fina e sofisticada rede de escuta sobre o mundo para decifrar o argumentário dos protagonistas da comédia humana dos etecéteras passados presentes e futuros. Contrariando o que eles querem, Virgílio não lhes perdoa. não leva esses actores a sério, mas torna dramaticamente sérias as situações que protagonizam. Inicialmente as suas esculturas registavam os momentos, as circunstâncias, os seus intervenientes. Progressivamente torna as situações menos reconhecíveis, os protagonistas mais personalizáveis em anatomias que se decompõem sem que nenhum traço as humanize, para que os personagens quanto menos forem identificáveis mais transpirem a abjecção do seu poder social. Paralelamente o escultor ironiza sarcasticamente a estatuária comemorativa que invade o espaço público com figurações academizantes, sejam figurativas ou abstractas. Um trabalho em contínuo, que se foi depurando formalmente sem nunca se desviar do seu norte.
São estes seis artistas, tão diversos entre si, que decidem organizar-se em grupo para realizar várias exposições. O que os une, além da amizade, é a pulsão da arte, o serem artistas que dispensam adjectivos, o percepcionarem que o seu trabalho individual adquiria densidade e singularidade em cada um desses encontros. Paradoxalmente enquanto entre eles, nessas exposições colectivas, é cada vez menos possível definir uma tendência mais geral que os relacione, tornava-se cada vez mais impressivo que o trabalho de cada um ampliava, e muito, o que se podia fazer com as artes visuais. Esse é o grande impacto dos 5+1 no panorama das artes nacionais.
As exposições dos 5+1 foram um percorrer de caminhos que se iam descobrir progressivamente mais distintos, em que todos eles se afirmavam para se confirmarem na história contemporânea de arte portuguesa, o que os colocam entre os mais significativos das suas gerações.
Os 5+1 revisitados estarão na Galeria do 11, em Setúbal, até ao dia 30 de março
Alguns dos artistas plásticos subscritores da carta entregue ao primeiro-ministro em Outubro do ano passado, colocando pertinentes questões sobre o estado das artes visuais em Portugal, convocaram uma reunião. Em substância, propõem-se discutir o modelo de uma Comissão de Aquisições de Arte Contemporânea que faça a gestão do programa anual de aquisição de obras de arte contemporânea anunciado por António Costa, inscrito no Orçamento de Estado com valor inicial de 300 mil euros.
Percebe-se que esse objectivo, com efeitos a curto prazo, seja uma das preocupações dos artistas plásticos, mesmo que uma parte, não despicienda, dos subscritores da carta não esteja excluída das listas de compras públicas e privadas dos últimos anos.
A aquisição de obras de arte é importante mas não é a questão fundamental das artes visuais em Portugal. Será sempre objecto de controvérsias, maiores ou menores, porque é inevitável que essa comissão, por mais esclarecida que seja, vá nas suas decisões cometer injustiças por mais que faça justiça. Deve-se ainda questionar se a aquisição de obras de arte pelo Estado, se a gestão de uma colecção de arte pública, deva ser feita fora dos museus de arte contemporânea.
O que não se percebe nem se compreende é que muitas das questões levantadas na referida carta pareçam ter sido colocadas em planos mais recuados, como se não fossem centrais na definição das políticas culturais. São questões que afectam todos os artistas plásticos, independentemente do seu estatuto, cotação, aceitação crítica e outros parâmetros do mercado das artes que, no estado actual, é quem de facto define a situação dos artistas numa sociedade que faz os detentores de actividades simbólicas descer ao nível da realidade, da dependência directa dos imperativos económicos por já não sentir a necessidade de manter a sua relativa autonomia.
Preocupações justas, soluções limitadas
Um modelo de apoio às artes visuais de aceitável razoabilidade não parece possível sem colocar em causa as sucessivas e catastróficas fusões a que têm sido sujeitas as estruturas do Ministério da Cultura, o que fez uma razia em todas as áreas e fez entrar em coma profundo as artes plásticas, com a fusão do Instituto Português das Artes do Espectáculo com o Instituto de Arte Contemporânea numa Direcção-Geral das Artes em estado de confusão permanente. Reestruturar o Ministério da Cultura é tão importante como lhe dar maiores meios financeiros, para lhe conferir operacionalidade na definição de políticas culturais, uma inexistência actual. Em relação ao Estado, essa é a questão central.
A fragmentação dos artistas plásticos, sem nenhuma estrutura representativa, bem visível quando a contestação aos concursos da DGArtes congregou várias manifestações de artistas de outras áreas em que a ausência dos artistas plásticos foi uma evidência, não é iludida por esta carta. São justas as suas preocupações, mas mais preocupante é – depois da cobertura mediática do encontro com António Costa – que o silêncio só tenha sido rompido com a convocação de uma reunião em que o ponto aparentemente único é o da forma de concretizar as prometidas aquisições pelo Estado, sabendo-se que actualmente o valor venal do objecto artístico resulta dos trânsitos das actividades promocionais em que a arte é sempre, e só, mercadoria.
Não deve haver ilusões sobre o que representa a arte, as artes, para esta sociedade. Como não deve haver ilusões sobre os impasses, mesmo que dificilmente ultrapassáveis ou mesmo inultrapassáveis, que o seu modelo impõe. A questão central é como devem ser enfrentados para colocar em igualdade todos os artistas no plano dos direitos sociais, em particular o enquadramento fiscal e a segurança social, e das condições de trabalho, considerando as assimetrias regionais, para depois, com maior ou menor justiça, promover concursos para apoiar projectos. Será sempre uma discussão em aberto.
A eurodeputada Marisa Matias denuncia os oportunismos de última hora do PSD e do CDS em relação à Venezuela e faz uma revelação bombástica : “Nós, no Bloco de Esquerda, não estamos ao lado de Trump nem de Bolsonaro em relação à Venezuela. No Bloco de Esquerda estamos ao lado de Guterres e das Nações Unidas”. A coordenadora do BE diz que «a posição do Governo português de reconhecer Guaidó não tem precedente e viola o direito internacional» para logo a seguir exigir «eleições livres» o que é uma estranhíssima afirmação pressupondo que as eleições que até aqui se realizaram na Venezuela não têm sido livres nem sujeitas a apertada supervisão internacional. Só nas últimas eleições é que a ONU e a UE, sem o justificarem, se escusaram a participar no restante grupo de observadores internacionais, o que entreabriu portas à golpada em curso. É o BE a denunciar o oportunismo dos outros enquanto faz público strip-tease do seu oportunismo. Deviam saber, até devem saber mas passam ao lado, que Guaidó, também as exige embora adiantando que é necessário depurar as instituições que supervisionam eleições na Venezuela, os cadernos eleitorais e mais um rol de exigências de um programa de claras florescências macartistas. No horizonte o desejo de eleições como as descaradamente fraudulentas nas Honduras, as manipuladas no Paraguai, Colômbia, etc. O BE não estará evidentemente de acordo com essas «eleições livres» de Guaidó mas, com as suas tergiversações, percorre um perigoso caminho paralelo.
Marisa
Matias alinha
ao lado de António
Guterres,
ainda sem ter a oportunidade de lhe distribuir uma ração de beijos
como fez com Tsipras, para
saudar e dar cobertura à sua sinuosa manobra diplomática quando, a
par de
Federica
Mogherini, a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros
e a Política de Segurança, se recusou,
sem
explicar os motivos, a
enviar delegações que dessem
assistência e supervisionassem
as eleições em que
Nicolás
Maduro foi eleito com
67,4% dos votos expressos, tendo-se registado uma abstenção de 54%,
a mais alta de sempre em eleições venezuelanas. Finge
que não sabe que Maduro
foi reeleito usando o mesmo sistema eleitoral com o qual Guaidó se
tornou deputado, que
havia
3 candidatos da oposição, os
outros anunciados desistiram à última hora numa manobra comandada à
distância por Washington para desacreditar essa eleição rufando
desde
o primeiro momento essa
depreciação nos
tambores dos media mercenários. Omite que os outros candidatos
reuniram
33% dos votos e seguiram as regras acordadas na mesa de diálogo
realizada na República Dominicana entre o governo venezuelano e a
oposição, com o ex-presidente espanhol Zapatero como mediador, que
também participou como observador nas eleições presidenciais. Nada
disso lhe interessa, tal como não interessa que, na
realidade, António Guterres, sancionando
essa ausência,
tenha
dado
antecipada cobertura, do alto do seu altar de secretário-geral da
ONU, ao Grupo de Lima, Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia,
Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru,
Santa Lúcia e México (antes das eleições que colocaram Lopez
Obrador na presidência e que se hoje se recusa a apoiar
o
golpe de estado de Juan Guaidó), “que
não reconheceram os resultados das eleições presidenciais devido à
percepção de falta de transparência”,
o que é irónico olhando para aquele painel de países. Foi
com essa
encenação e
o implícito e nada inocente beneplácito de Guterres e Mogherini que
se
preparou
o golpe de estado em curso, com
que
a deputada euro-europeia e o BE alinham por mais ginásticas façam.
Marisa
Matias e
o BE
bem podiam
ter evitado o embaraço em que se embrulharam.
O
oportunismo do BE de nem Maduro nem Guaidó, atirando
para debaixo do tapete que é um é presidente eleito e outro o actor
de um golpe de estado, está
em compasso com
a desinformação e manipulação mediática que, desde o princípio
da revolução bolivariana de Chavez, tem sido uma das principais
armas de combate do imperialismo. Isto apesar de todas as
controvérsias que envolvem o processo venezuelano, não isentas dos
erros que conduziram ao impasse actual. O que é inadmissível
é que o BE faça umas vagas condenações das brutais agressões e
boicotes que têm sido feitas à Venezuela conduzindo à crise
económica,
impulsionada por ordens executivas de Barack Obama e Donald Trump ao
declarar o país como perigo para a segurança nacional dos Estados
Unidos. Nem
digam nada ou
digam pouco
sobre as
sanções que têm impedido a compra de alimentos e medicamentos, nem
sobre o
confisco de bens venezuelanos nos EUA e países
súbditos das suas estratégias geopolíticas.
Sobre
isso o BE quase
que é
surdo, cego e mudo.
Não
apoiam nem Maduro nem Guaidó puxando
os galões de democratas
todo
o terreno, denunciam
uma deriva autocrática, insinuam que
na
Venezuela não há liberdade de expressão. O
que não se sabe é que raio de democracia e liberdade de expressão
defendem quando a
Venezuela
tem sido o país com mais disputas eleitorais em todo o
hemisfério
da
América do Sul
nas últimas décadas. Desde
1998, foram realizadas 5 eleições presidenciais, 4 eleições
parlamentares, 6 eleições regionais, 4 eleições municipais, 4
referendos constitucionais e uma consulta nacional. 23 eleições em
20 anos. Todos com o mesmo sistema eleitoral, considerado o mais
seguro do mundo pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter,
todas
sob observação internacional plural, excepto a última por motivos
óbvios a
atapetar o caminho para a golpada.
Todos
os dias olham para os ecrãs televisivos
e deparam-se com Guaidó
– veja-se
a peça de propaganda montada pelo serviço público da televisão
nacional numa mascarada de entrevista ao putativo presidente que
deve
ter
feito
ficar
Steve
Bannon
roxo de inveja –
dando
declarações rodeado de microfones de meios de comunicação
nacionais e internacionais, devem
considerar que isso não demonstra que haja liberdade. Se calhar,
hipocritamente, consideram que Leopoldo
López, líder do mesmo partido de Guaidó, é um preso político
olvidando que foi condenado por ser o autor intelectual de “La
salida”,
que promoveu as “guarimbas”
de 2014, com saldo de 43 mortos e centenas de pessoas feridas.
Devem-se
comover com os milhões de venezuelanos que, empurrados por uma crise
económica imposta pelo imperialismo norte-americano e seus títeres,
se refugiam nos países vizinhos, esquecendo-se que, pelos números
da ONU, os venezuelanos que fogem à crise são metade dos
hondurenhos que deambulam pelos territórios do continente americano,
o
que não diminui a gravidade da crise que se vive na Venezuela mas
contextualiza-a em relação à miséria que grassa
no continente americano.
Outra
probabilidade é considerarem que os direitos humanos são violados
na Venezuela nos confrontos com
a polícia. Se
atendessem aos números verificavam que, pelos
últimos números de 2017:
131 pessoas mortas, 13 das quais foram baleadas pelas forças de
segurança (compostas por 40 membros presos e processados); 9 membros
da polícia e da Guarda Nacional Bolivariana mortos; 5 pessoas
queimadas vivas ou linchadas pela oposição. O restante dos mortos
foram-no
principalmente enquanto manipulavam explosivos ou tentavam contornar
as barricadas da oposição.
Há
a violência do
banditismo na Venezuela, roubos sequestros e equiparáveis, que não
é maior nem menor que noutros países da América do Sul. Também
isso serve para manipular a informação e apresentar a Venezuela
como o país mais violento dessa região, mesmo
que o Brasil ou a Colombia estatisticamente a ultrapassem. Os
números, a
realidade
pouco lhes interessam. Interessam as imagens desde que não tenham
legendas. Fica-lhes na cabeça aquele jovem em chamas, um opositor ao
regime que involuntariamente se imolou pelo fogo quando pretendia
atear o fogo aos bolivarianos. Horror, horror, tapam os olhos para
não o identificarem e
assim a violência torna-se um valor abstracto.
O
que
o preocupa o BE na Venezuela não é o drama que aquele povo vive por
imposições externas, nem os direitos humanos, nem a ausência de
eleições livres, etc., etc. O que será? Arriscamos uma hipótese:
o relaxe de lutas fracturantes!!! Deve ser isso! No
meio daquele caos, daqueles dramas quotidianos, dos
boicotes e sabotagens
o
Partido Socialista Unido da Venezuela não
dá
a devida atenção às lutas fracturantes, um
crime lesa liberdades que o BE não perdoa.
Tanta emoção, tanta comoção empurra-as para o equilibrismo oportunista de Guterres. “Nós no Bloco não estamos ao lado de Trump nem de Bolsonaro” pois não, era o que mais faltava, mas alinham com os seus desejos. Andam a vender chocolates embrulhados em papel de prata que é de estanho, sentam-se à mesa com o beato Guterres travestido de Pilatos que, da forma sorna que é o seu selo, apela ao “respeito pela lei e pelos direitos humanos” pedindo uma investigação “independente e transparente” aos casos de violência nos protestos de quarta-feira, escusando-se a falar da legitimidade de Nicolás Maduro e da declaração de Juan Guaidó proclamando-se presidente interino, atirando para dentro do armário o esqueleto da ONU, a seu mando mas cumprindo os desejos de Bolton, Pompeo, Trump & Companhia, se ter excluído de observar as últimas eleições presidenciais para abrir a porta ao actual golpe de estado. Nada sobre os boicotes. Nada sobre os pacotes de sanções. Nada sobre o saque aos bens da Venezuela. Um comunicado redigido com água benta de que algumas gotas foram recolhidas sofregamente pelo BE para aspergir o seu comportamento errático a tentar retirar dividendos das circunstâncias. No mais fundo das mais fundas gavetas do excelentíssimo secretário-geral repousa em coma profundo, o BE humanitariamente não o desperta, o relatório de Alfred-Maurice de Zayas, especialista independente que a ONU enviou em 2017 à Venezuela, que afirmava que as medidas coercivas unilaterais impostas pelos governos dos Estados Unidos (EUA), Canadá e a União Europeia (UE) afectaram o desenvolvimento da economia venezuelana, já que agravaram a escassez de remédios e a distribuição de alimentos. Descarta a tese da “crise humanitária”, indicando que o que existe é uma crise económica que não pode ser comparada com os casos da Faixa de Gaza, Iémene, Líbia, Iraque, Haiti, Mali, Sudão, Somália ou Myanmar. Considera que as sanções económicas são comparáveis com os cercos praticados contra as cidades medievais com a intenção de obrigá-las a render-se, que atualmente buscam submeter países soberanos e que o bloqueio económico, aplicado no século XXI, está acompanhado de ações de manipulação da opinião pública através de notícias falsas e relações públicas agressivas, para desacreditar determinados governos. A “ajuda humanitária” , cavalo de batalha de Gauidó espaldado pelos mercenários da comunicação social, em lugar de destaque o enviado especial do serviço público da RTP, é uma das manobras mais miseráveis, cínicas e hipócritas do império norte-americano e seus sequazes que, enquanto garrotam com sanções e boicotes a Venezuela, que já custaram 30 mil milhões de dólares aos cofres venezuelanos e promovem as carências em bens alimentares e medicamentos, enviam em saquetas uma percentagem mínima do que já sacaram.
Marisa
Matias e o BE também nada
disseram
ou
pouco dizem
sobre
o
terrorismo estadunidense que,
não fora o apoio popular ao governo bolivariano e
o de muitas nações que
se
demarcaram
e condenaram
os EUA só
apoiado
pelo
rebanho de
países suas marionetas entre os quais está Portugal, o interino
Guaidó, teria,
directamente ou pelas armas dos para-militares e dos exércitos
colombianos e brasileiros, passado a definitivo, dando início aos
massacres e perseguições e à aplicação desenfreada do programa
de choque neoliberal há muito agendado.
É
claramente insuficiente, mesmo cobarde afirmar-se que não se está
com Trump ou Bolsonaro e depois pintar com meias e cinzentas tintas o
que de facto está a acontecer na Venezuela.
O
povo venezuelano vive um imenso sofrimento
por erros políticos internos graves por parte do governo
bolivariano,
por uma extensa e brutal pressão externa, por um embargo que só se
justifica por ser um país que tem das maiores reservas mundiais de
petróleo. É isso que explica e justifica esta obsessão por uma
mudança de regime, patrocinada directamente pelos EUA e suas
marionetas, sustentada pelas atitudes até há pouco dúbias das
chamadas democracias e que agora se chegam à frente para ver se não
se atrasam numa eventual partilha que seguirá ao saque, se o
conseguirem. A
posição assumida pelo governo português reconhecendo
Guaidó, obedecendo
a Mike Pompeo e
dando respaldo ao seu partido de extrema-direita e
ao golpe de estado em curso,
pela
voz do
maquiavel
da
feira de vandoma que se senta nas Necessidades, envergonha-nos. Mais
nos envergonha por se saber que a Europa já esteve várias vezes
activa nas negociações entre governo e oposição, negociações
que fracassaram sempre por pressão dos EUA.
O problema central da Venezuela é continuar a ser independente e soberana, o que intolerável para Trump como já o era para Obama. O que está a ocorrer é um processo de afundamento da sua economia para impor uma mudança de governo e submeter o país a uma alteração sócio-económica pela cartilha dos princípios neoliberais. Que Santos Silva alinhe com esses objectivos nada que surpreenda, pensa pela cartilha que lhe colocam á frente e nunca arriscaria uma palmatoadas do Pompeo,
só seria estranho que PSD, CDS, muito do PS não lhe dessem conforto. Tem no oportunismo do BE um aliado que estando no mesmo palco se quer apresentar distinto. Que alinha sem alinhar nessa agenda que objectivamente subscreve, como já fez em muitas outras ocasiões, que mal disfarça com uma ginástica de radicalismos de fachada e piruetas canhestras que coloram aquela manta de retalhos.
Há
que estar ao lado do povo
da Venezuela. Há
que inequivocamente condenar o boicote e as sanções que estrangulam
a economia venezuelana, a
causa principal da brutal crise que o povo tem vindo a suportar.
Referir o estado caótico da economia sem apontar ao boicote
humanitariamente condenável
é de um cinismo e uma hipocrisia intoleráveis. A
Venezuela vive uma grande depressão económica, com uma enorme
degradação dos serviços públicos. Há
que não esconder que parte dessa
situação deriva de erros e equívocos do governo de Maduro, que
agravaram alguns que já vinham de Chavez, porque
não houve mudanças significativas na estrutura económica do país
que
não se libertou da quase total dependência
do petróleo, sujeitando-se
aos
ciclos da economia internacional. Porque
prosseguiu um rumo ziguezagueante e
algo confuso, de
compromissos e confrontos com políticas
capitalistas
o
que acaba
por
dificultar
a
sua luta
assumidamente
anti-imperialista
e contra
o
golpismo da burguesia que sempre beneficiou com a
exclusividade
dos recursos do petróleo, que
os governos chavistas redistribuíram pelos mais pobres.
Mesmo
que esses erros e equívocos não sejam
a
parte substancial da crise, não devem ser subestimados nem
escondidos atrás do biombo do criminoso boicote conduzido pelos EUA,
para
que a Venezuela os
ultrapasse e sobreviva
num contexto regionalmente desfavorável e a Revolução Bolivariana
prossiga corrigindo muitos dos seus desacertos.
Há
que encontrar o mais rapidamente possível uma saída para a crise
garantindo
a continuidade da Revolução Bolivariana. É
um dever cívico, político
e
de cidadania apoiá-la
sem margem para dúvidas, por maiores ou menores que sejam as
críticas que se façam, sem embarcar em oportunismos de pacotilha
traduzidos
em declarações simbólicas em que muitas esquerdas
se
enredam para matizar
a sua deriva ideológica e a sua impotência política o
que é insuportável e injustificável quando a Venezuela está na
iminência
da guerra civil e do caos total.
Sabemos, todos devíamos saber, que a ideologia burguesa ataca e cerca sem desbarato de tempo toda a resistência à abominação desta sociedade sem dignidade. Combate todo e qualquer sinal de resistência, de qualquer forma de resistência ao pensamento dominante, com o objectivo último de que já não seja sequer possível pensar que é possível pensar uma sociedade onde os valores da civilização, da humanidade, da cultura, da política se plantam para florescer, ainda que com todas as contradições e dificuldades.
Vulgar é a rescrita da história para rasurar a heroica luta dos povos pela emancipação, pelo fim da exploração do homem pelo homem. Banal o bombardeamento diário feito pelos meios de comunicação social e pelas redes sociais, concentrados pelos gigantescos grupos económicos em grandes empresas mediáticas que constroem realidades para ocultar a realidade. Comum a bastardização da cultura pelas indústrias culturais e criativas, moinhos onde nas suas rodas dentadas se reduz a pó a cultura para fazer luzir o entretenimento que não exige reflexão nem sintoniza sentimentos e tudo se afundar num perverso gosto homogeneizado e acéfalo.Um totalitarismo que até pode dispensarditadores e caudilhos, pulsa fortemente nos sistemas democráticos com o objectivo de reduzir e anular o espectro do debate e das ideias.
O combate a este estado de sítio é duro, exigente. Há que reconhecer que a direita tem tido êxitos nessa batalha e que muita esquerda está colonizada pelo pensamento de direita.
Hino de resistência
Versão original da Bella Ciao
Uma das formas mais sofisticadas e eficazes dessa ditadura do pensamento é prostituir, com as ferramentas do mercado, a cultura. Exemplo recente é a castração da Bella Ciao, essa bela e comovente canção dos partigiani que lutaram com denodamento contra o fascismo. Apropriaram-se dela para a usarem como banda sonora da série televisiva A Casa de Papel. Descontextualizaram o seu potencial revolucionário para a tornarem um fetiche da cultura de massas desligada da cultura popular e de resistência. Colocaram-na nos top ten em muitos países hispânicos e de língua portuguesa.
Canta-se e dança-se ao som da Bella Ciao indiferentes aos seus belos e comoventes versos: Bella Ciao (adeus Bela) / Esta manhã, acordei / encontrei um invasor // Oh, guerrilheiro, leva-me contigo / Bella Ciao, Bella Ciao,/ Porque sinto que vou morrer // Se morrer como membro da Resistência / Enterra-me como membro da Resistência // Enterra-me no alto das montanhas / À sombra de uma bela flor/ Bella Ciao, Bella Ciao / As pessoas que passarem / Dirão: que bela flor!// Essa será a flor da Resistência/ Daquele que morreu pela liberdade (tradução livre).
Ela move-se!
Com A Internacional, Bella Ciao era o canto dos partigiani, socialistas, anarquistas, sobretudo comunistas. Eram os hinos da resistência italiana. Hoje Bella Ciao é um hit de A Casa de Papel, cantada em vários momentos-chave da trama pelos personagens que vão assaltar a Casa da Moeda de Madrid, como se tivesse sido escrita para essa série. Destrói-se a história, a grande e bela história da Bella Ciao,esvaziando o seu conteúdo subversivo, o seu significado antifascista para a tornar um produto de consumo equivalente às centenas de canções de amor filistino de um qualquer Tony Carreira.
Assassinaram a Bella Ciao com a mesma frieza com que têm assassinado os milhões de mulheres e homens que lutaram e lutam para transformar a vida, devolver à humanidade a humanidade. Para esses resistentes de ontem e hoje Bella Ciao está viva. Contra os ventos da história desfavoráveis devemos continuar a lutar com a convicção de Galileu frente ao tribunal da Inquisição: No entanto, ela [a Terra] move-se
Em 1971, Milva canta uma versão da Bella Ciao homenageando a Resistência numa demonstração pública das suas simpatias políticas
Ary dos Santos morre jovem, em 18 de Janeiro de 1984, com 47 anos, na vertigem de uma vida vivida com a mesma intensidade que iluminava a sua poesia.
Ary dos Santos, 7 de Dezembro 1936/18 Janeiro 1984 UM GRANDE POETA, UM GRANDE BEBEDOR, UM GRANDE FUMADOR, UM GRANDE PECADOR, UM GRANDE BLASFLEMO, UM GRANDE COMUNISTA
Ary dos Santos foi um malabarista da palavra descobrindo na simplicidade das metáforas conexões inesperadas que se apropriam da linguagem popular que recupera para a linguagem maior , m,esmo erudita, da poesia. São raros os poetas que conseguem o ritmo encantatório, quase alucinado que imprime aos seus versos. Ler Ary no silêncio das páginas acaba sempre por acordar a sua poderosa voz de declamador em que sabia como poucos enfatizar a oralidade omnipresente na sua poesia escrita para ser dita ou cantada.
manuscrito de A Bandeira Vermelha
Na poesia de Ary tudo parece fácil, quase imediato, escrito de um jacto sem rasuras. Uma aparente facilidade que oculta um intenso e complexo trabalho de criatividade e renovação que mergulha nas raízes populares sem nunca decair no imediatismo nem nas vulgaridades. Há uma linha de continuidade na sua obra poética, desde o seu primeiro livro Adereços,Endereços até ao último Estrada da Luz/Rua da Saudade, uma autobiografia romanceada de uma vida em que todos os minutos foram vividos em alta rotação, assumidos com uma coragem rara.
A sua importância
para a poesia moderna portuguesa é inegável não só por ser um
cidadão-poeta empenhado desde sempre na transformação social, o
que adquire expressão maior pós 25 de Abril como na renovação do
fado, a canção típica da sua bem amada cidade Lisboa.
Como nenhum outro é o poeta por excelência da Revolução dos Cravos que plasmou em inúmeros poemas de alto calibre na sua grande qualidade e originalidade, colocando em muitos a tónica militante do amor ao seu partido, o Partido Comunista Comunista Português. Uma poesia viril, uma voz indomada e indomável, como bem escreveu Baptista-Bastos, bem expressa no poema Poeta Castrado, Não!Serei tudo o que disserem / por inveja ou negação: / cabeçudo dromedário/fogueira de exibição / teorema corolário / poema de mão em mão / lãzudo publicitário / malabarista cabrão. /Serei tudo o que disserem: / Poeta castrado, não! //Os que entendem como eu / as linhas com que me escrevo / reconhecem o que é seu / em tudo quanto lhes devo: / ternura como já disse / sempre que faço um poema; / saudade que se partisse / me alagaria de pena; / e também uma alegria / uma coragem serena / em renegar a poesia / quando ela nos envenena. // Os que entendem como eu / a força que tem um verso / reconhecem o que é seu / quando lhes mostro o reverso: // Da fome já se não fala / – é tão vulgar que nos cansa / mas que dizer de uma bala / num esqueleto de criança? // Do frio não reza a história / -a morte é branda e letal – / mas que dizer da memória / de uma bomba de napalm? / E o resto que pode ser / o poema dia a dia? -Um bisturi a crescer / nas coxas de uma judia; / um filho que vai nascer / parido por asfixia?! / -Ah não me venham dizer / que é fonética a poesia! // Serei tudo o que disserem / portemor ou negação: / demagogo ou mau profeta/ falso médico ou ladrão / prostituta ou proxeneta / espoleta na televisão. // Serei tudo o que disserem: /Poeta castrado não!
Não, nunca foi um
poeta castrado. Foi um poeta militante, um homem-poeta traidor à sua
classe, era oriundo de uma família aristocrática, por amor ao seu
povo.
Versos para serem cantados ou declamados que falam da grandeza das coisas simples, do amor, da nobreza do trabalho, das lutas pelos amanhãs que virão, da pulsação cívica dos bairros, dos mistérios escondidos nos passagens da sua cidade. Versos que parecem surgir do nada, do quase nada como se construíssem repentinamente e que são muitíssimo trabalhados por quem, como poucos, arrombava todos os segredos da língua. Poemas que assombram pelo ritmo que a declamação sublinha e por, nas canções, se colarem à música para que foram escritos. Assombro ainda maior por serem escritos sobre a música e não musicados à posteriori, por um Ary que sem conseguir acertar um compasso descobria a vibração do som com um fulgor deslumbrante. Ouça-se Estrela da Tarde um paradigma dessa revelação num poema em que o poeta exige uma música onde pudesse colocar a torrente de palavras que o inquietava.
Um elitismo bacoco e
infâme procura diminuir a grandeza de Ary dos Santos, não lhe
perdoando a Bandeira Vermelha que orgulhosamente transportava, que
procuram silenciá-lo fazendo-o pagar bem caro a sua militância
comunista, a sua assumida homossexualidade.
No trabalho sobre a
palavra em Ary, nada é banal nem banalizável, mesmo nos slogans
publicitários em que roçava, a par de Alexandre O’Neill, a
excepcionalidade.
Ary é um génio da poesia, das letras extraordinárias para fados e canções. Um talento superlativo, magnifico, sem desperdícios de um homem de uma grandeza de alma incomum amante do seu país, do seu povo, da sua cidade, do seu partido.
Ary dos Santos morre
jovem, em 18 de janeiro de 1984 com 47 anos, na vertigem de uma vida
vivida com a mesma intensidade que iluminava a sua poesia. Uma vida
cunhada pela frontalidade, a generosidade e o vigor que colocava em
cada segundo que vivia.
É este poeta maior entre os poetas seus contemporâneos que está ocultado dos programas escolares. Raramente é recordado nos meios de comunicação social, silêncio de maior a estranheza na rádio e na televisão sendo ele autor de muitas das mais belas canções que se escreveram em português. É a infâmia do círculo de silêncio da mediocridade preopinante que procura menorizar este enorme poeta por lhes ser insuportável a sua grandeza militante.
A voz de Ary continua e continuará a fazer-se ouvir sobre os escombros desse desdém medíocre, com uma força que a história registará e que continua bem viva em todos os seus camaradas e todos os que continuam a luta que foi dele e que é de todo o povo patriota.
Nos tempos que se vivem do capitalismo pós-democrático, a financeirização de todas as formas de vida, em que a vida é o capital e o capital é a vida, é estado de sítio que se vive. No The Economist, editorial de 11 de Janeiro de 2014 intitulado «The $9 trillion sale», https://www.economist.com/leaders/2014/01/11/the-9-trillion-sale,escrevia-se que Thatcher e Reagan usaram as privatizações como ferramenta para combater os sindicatos e transformar em receitas diversos serviços públicos e que os seus sucessores no século XXI, «necessitam fazer o mesmo com os edifícios, terrenos e recursos naturais, porque é um enorme valor que está à espera de ser desbloqueado» inquietando-se por «os governos parecerem estranhamente relutantes em explorar essas oportunidades de arrecadação de receitas». Era a evidência de que nos centros decisores do capitalismo internacional, FMI, Banco Mundial, BCE etc., já há algum tempo estava a levedar a ideia de uma onda de privatizações de tipo novo e radical: vender patrimónios histórico-culturais e naturais, onde a única dificuldade será avaliar o Pártenon, o Museu do Louvre, o Parque Nacional de Yellowstone, etc. O que aconteceu recentemente com o património cultural na Grécia e o que se anuncia para o Brasil são a demonstração que a voracidade do capital é insaciável. É cada vez mais evidente que hoje, com o estado de crise permanente do capitalismo em vertigem de montanha russa, tudo está à venda e, parafraseando Lenine, a última coisa a ser vendida será a corda em que será enforcado. Inquietante é quase já não ser surpreendente que o Ministério das Finanças grego tenha entregue ao Taiped, o fundo de privatizações grego fundado, por imposição da UE, BCE e FMI, uma extensa lista de monumentos nacionais para venda.
No inventário, com mais de trezentas entradas, estão incluídos o palácio de Cnossos do mítico labirinto do Minotauro, em Creta, o túmulo do rei Filipe II da Macedónia, pai de Alexandre o Grande, no norte da Grécia, a Torre Branca de Salónica, antiga prisão e lugar de grande valor simbólico nos Balcãs, o lugar pré-histórico de Santorini, os lugares arqueológicos de Salamina e Eleusis, muitos dos museus de Arqueologia, os Museus Bizantinos de Salónica e de Véria, os fortes das cidades de Esparta, Corinto e da ilha de Corfu, classificado património mundial pela Unesco, florestas integradas na rede Natura, a que se somam uma longa lista de outro património edificado como os lugares históricos nas montanhas que cercam a Acrópole. Esta fúria privatizadora não é uma particularidade grega por quase todo o mundo este assalto com a mão armada de dólares é verificável. Os pretextos e as formas são variáveis o fim é o mesmo. Em Itália, o governo Berlusconi tentou impor uma lei em que se privatizava todo o património imobiliário público, fosse um edifício pouco caraterizado ou fosse o Palácio do Quirinal, a residência do Presidente da República. Era a solução para a dívida pública. Foi travado por uma vasta mobilização que conseguiu reverter parcialmente as intenções iniciais, cancelando essa lei mas não evitando que se fizessem privatizações totais ou parciais de muitos monumentos históricos com efeitos devastadores. Na área dos recursos naturais as agressões têm séculos mas a ameaça mais grave e imediata é no Brasil de Bolsonaro que “prometeu acabar com a agência brasileira encarregue do controlo da desflorestação e da demarcação das zonas indígenas” um passo para começar a destruição da maior floresta tropical do mundo e, sem recorrer a câmaras de gás, acabar com os índios amazónicos. Um desastre humano e ambiental com consequências incalculáveis.
Em curso a
entrega rápida dos recursos sejam culturais ou naturais ao capital
privado com
o álibi
falso de
o rentabilizar por maiores que sejam as selvajarias que se pratiquem.
Nada
comove nem demove essa gente para quem a
humanidade, a
cultura e a civilização são descartáveis, são inutilidades desde
que não se tornem negócio, produzam
lucro.
É
urgente travá-los. Uma luta política para se mudar de políticas
que nos conduzem para um abismo.