Setúbal

Portas da Praça | N.º 61

IMG_20150121_172528A fotografia não faz justiça ao que lá está dentro. É, talvez, um dos mais antigos estabelecimentos comerciais da Praça do Bocage em laboração ininterrupta, mas, acima de tudo, em rivalidade com a sala de sessões da câmara municipal, o mais animado espaço de debate e análise política do sítio. Claro que ali se discute de tudo, e sem filtros, como em todas as barbearias sérias que ainda restam neste país. No Salão Bocage, cortam-se cabelos e barbas com mão leve, mas certa, sem sangue nas faces barbeadas, mas também se pratica a discussão política animada, aí com mais sangue, e, obviamente, discute-se, com paixão o campeonato nacional de futebol e outras coisas de gajos…

Merece visita e que se aproveite a oportunidade para um corte como deve ser, com conversa à mistura. Eles também são bons nisso…

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Portas da Praça | S/N.º

IMG_20141229_141403Podia ser em qualquer lado do mundo…

O logotipo por cima da porta tanto pode ser encontrado numa Praça de Setúbal como em Times Square mas não faz justiça ao que foi, a partir de 1969, o Café que é hoje ocupado por um dos restaurantes da cadeia de pizzarias mais famosa do mundo. No espaço fronteiro à Igreja de São Julião — livre e arejado por muitos anos — nasceu o maior Café da Praça do Bocage, o Central, feito de ferro e de muito vidro que lhe garantia luminosidade ímpar. Passou por várias fases. Teve encerramentos temporários, diferentes concessionários e, porque se tratava de espaço municipal, foi até utilizado como galeria municipal de exposições, para, no fim, ser demolido e substituído por construção idêntica, embora com muito menos personalidade do que tinha o velho Central.

Construído, como me contou Jorge Santos, decano dos jornalistas setubalenses e, à época, repórter do “Setubalense” (já o desafiei a fazer a história desta ideia…), para servir de redação e tipografia desta publicação — que teve a sua primeira sede na travessa situada em frente e que ainda hoje ostenta o nome do trissemanário, embora a ideia inicial contemplasse dois andares transparentes e não apenas um  — permitindo, pela transparência do edifício, que todos pudessem apreciar o processo de edição e impressão de um periódico, a verdade é que foi na plena posse da câmara municipal que foi concessionado, em 20 de dezembro de 1968, à SETIS – Sociedade de Empreendimentos Turísticos Ideal Setubalense, da qual era sócio Júlio Costa, como se pode confirmar na acta da reunião de câmara de 25 de fevereiro de 1981, documento que transcreve a proposta do vereador Rocha Neto que dá conta do fim da concessão  a esta empresa em 6 de dezembro de 1979.

O assunto Café Central volta a estar na ordem do dia em 7 de julho de 1982, quando é adjudicada provisoriamente, pela Câmara Municipal, a exploração do café a uma sociedade denominada Giravex, à qual foi dado o prazo de 30 dias para apresentar projetos de obras de beneficiação do espaço. Os projetos apareceram, as obras não, o que motivou a apresentação de nova proposta em reunião de Câmara, pela vereadora socialista Paula Costa, em 3 de agosto de 1983, para que adjudicação provisória fosse anulada, proposta que mereceria aprovação unânime. A discussão em torno do edifício de ferro e vidro continuou a arrastar-se, em especial porque, na altura, se debatia também a futura configuração da Praça do Bocage, depois de anos em que estiveram a descoberto vários achados arqueológicos enterrados onde antes foi o relvado oval que rodeava a estátua do poeta. Em 12 de outubro, o assunto voltava à Câmara com uma proposta de Paula Costa, então na oposição, de demolição do edifício, já que, no momento, não havia qualquer concessão em vigor e a autarquia seria livre de fazer do espaço o que entendesse. Alegava a autarca que “arquitectonicamente o edifício em causa não devia ter nunca existido“, que a “sua permanência à vista encobre à vista o mais belo recanto da Praça do Bocage“, que os “edifícios que por ele ficam ocultos, pela sua beleza e estado em que se encontram honram a cidade“. Defendia ainda a autarca, falecida em agosto de 2014, que se devia recuperar aquele espaço para “ressuscitar a convivência social que foi tradição da nossa praça principal” e que a melhor forma de atingir tal objetivo seria a “existência de uma unidade de hotelaria” que seria então proposta, como sugestão, ao grupo de trabalho que estudava o futuro da praça.

A proposta foi rejeitada pela maioria APU presidida por Francisco Lobo. Na discussão que se seguiu, Canaveira Russo, vereador responsável pelo assunto, revelou que tinha já quantificado quanto custaria fazer algumas obras de melhoria para usar temporariamente o espaço como galeria de exposições, admitindo que, com a requalificação da Praça, podia ser necessário demolir o edifício, não sem antes destacar a contradição contida na proposta da vereadora do PS de demolir para permitir a vista sobre os edifícios daquele recanto, para de seguida fazer novo edifício no mesmo local.

O Café Central é, entretanto, concessionado a uma nova entidade e, em 1987, já com o PS a comandar a Câmara Municipal, Paula Costa apresenta, em reunião de câmara, proposta de aumento do prazo de concessão dos dez anos inicialmente determinados no contrato feito com Mário Ferro Júnior para vinte anos. Estranhamente, o que antes era um edifício que “arquitectonicamente não devia ter nunca existido” passa a ter qualidades que justificam, para a vereadora, manter-se no local não por mais dez anos, mas sim por mais vinte anos.

Porém, não esteve.

Em 4 de dezembro de 2001, depois de já estar encerrado há algum tempo, a Câmara Municipal autoriza a cedência da posição contratual detida Mário Ferro Júnior a um outro sócio gerente da “Ferro e Ferro, Lda”, sócio que era também um dos responsáveis da Ibersol, empresa detentora da marca Pizza Hut.

E assim nasce a Pizzaria, espaço que, por pressão da discussão pública gerada pelo fim de mais um emblemático espaço de convívio da Praça do Bocage, mantém uma pequena cafetaria que recorda o Central de outros tempos.

 

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Portas da Praça | N.º 67

IMG_20141229_141740Ainda que a morada oficial fosse Rua de Bocage, 1 a 5, como ainda aparece em variadíssimos “guias de negócios” na Internet, um dos mais emblemáticos estabelecimentos de comidas e bebidas da cidade tinha porta para a Praça. Acabou transformado (na década de noventa do Século XX?) em loja de roupa de marca que, por sua vez, também morreu ali para dar lugar não se sabe ainda a que novo negócio. Tal como outra casa de comidas e bebidas em rua de acesso à Praça (a Adega dos Passarinhos) ainda em pleno (felizmente) funcionamento, exalava um odor caraterístico, mistura de vinho com camarão cozido, que ora afastava, ora aproximava quem passava. Da Vinícola Setubalense recordo, acima de tudo, este forte odor e a disposição clássica de velha Casa de Pasto com a vetusta mobília que parecia tão inamovível como alguns dos clientes.

 

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Portas da Praça | N.º 42 (ou 28)

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Mais um Café da Praça que se transformou em banco, embora, antes da transfiguração, tenha sido comércio de artigos infantis. No espaço outrora ocupado pelo Café Moderno depositam-se e levantam-se hoje os malvados euros num banco merkeliano, o Deustche Bank. Curiosamente, graças à comparação entre a foto atual e fotos antigas (esta e mais esta), descobre-se que não foi apenas a utilização dada ao espaço que mudou. A numeração de polícia da praça foi alvo de mudanças em ano desconhecido. O que foi o N.º 28 é hoje o N.º 42, o que indica que toda a numeração da praça poderia ser diferente, obedecendo a outras regras.

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Portas da Praça | N.º 53

IMG_20141202_093714A publicidade afixada na porta N.º 53 da Praça do Bocage não permite, de forma alguma, adivinhar o antigo uso que era dado ao que lá está dentro. Aqui funcionou, até ao fim  da década de noventa (ou talvez mesmo até mais tarde) um dos mais emblemáticos cafés de Setúbal, a Brasileira, café à antiga, com serviço de esplanada e fumarento salão de bilhares onde muitos setubalenses aprenderam a dar ao taco entre uma bica-bagaço ou duas minis.

Era, com o Reno e o Café Central, onde hoje funciona a Pizza Hut, um dos mais importantes pólos de atração da praça, nos tempos em que os cafés abriam até à meia-noite. Rivalizava com mais dois grandes cafés da baixa, estes na Avenida 5 de Outubro, o Tamar, espaço intensamente frequentado até ao seu encerramento para dar lugar a um banco na década de noventa, e o Benjamim, um pouco mais à frente, no enorme quarteirão que se segue à estação rodoviária, ou, como se chamava naqueles tempos, aos Belos.

 

 

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Portas da Praça | S/N.º

IMG_20141202_093838_edit_editUma das portas mais importantes da Praça. Aqui mora o poder local, ou melhor, por aqui se entra nos Paços do Concelho de Setúbal, embora seja mais fácil, e comum, dizer que esta é a porta da Câmara.

O edifício dos Paços do Concelho de Setúbal, a mais notável construção edificada na Praça do Bocage, sofreu, nos quase cinco séculos de existência na localização onde ainda hoje se encontra, variadíssimos danos. Os fenómenos da natureza são os principais causadores da degradação do edifício ao longo de centenas de anos, mas a acção humana, como recorda Maria Conceição Quintas na sua Monografia da Freguesia de São Julião, teve também um papel preponderante, em particular na fase mais recente do edifício.

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Portas da Praça | N.º 133

IMG_20141202_092731_editA escadaria de mármore eleva o visitante a um segundo andar onde uma das mais brilhantes advogadas de Setúbal, também conhecida pela sua militância política e como parlamentar do Partido Comunista Português durante 18 anos, ouviu e despachou causas.

Maria Odete Santos tinha placa na janela com o nome para se anunciar como advogada. A placa já lá não está, mas as causas maiores que defendeu ao longo de toda a sua vida continuam cada vez mais atuais.

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