Política

A Vasco Gonçalves

Nesses dias era sílaba a sílaba que chegavas.

Quem conheça o sul e a sua transparência

também sabe que no verão pelas veredas

de cal a crispação da sombra caminha devagar.

De tanta palavra que disseste algumas

se perdiam, outras duram ainda, são lume

breve arado ceia de pobre roupa remendada.

Habitavas a terra, o comum da terra, e a paixão

era morada e instrumento de alegria.

Esse eras tu: inclinação da água. Na margem,

vento areias mastros lábios, tudo ardia.

Do grande poeta Eugénio de Andrade

in  O Comum da Terra

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Geral, Política, Setúbal

Azeitão

 

Placa da Junta do Movimento A Coração

A Junta da União de Freguesias de Azeitão, cujo executivo é liderado pelo Movimento Azeitão no Coração, colocou esta placa pensando que outros procederiam do mesmo modo como o fez o executivo da Junta do referido Movimento que, sem qualquer respeito pelo trabalho voluntário de outros, repintou os murais que se encontravam em vários locais das freguesias de Azeitão. Num deles, apenas passou cal ou tinta branca sem qualquer embelezamento digno de nota.

A questão do embelezamento vem a propósito daquela Junta ter usado o projecto Setúbal Mais Bonita como pretexto para desrespeitar o que lá estava pintado. Percebe-se a antipatia gerada pelas ideias expressas nos murais agora desaparecidos. Percebe-se também que não tenha apreciado os desenhos pintados que lá estavam, porque isto de gosto estético não surge do nada, mas tem contextos culturais, políticos e ideológicos claros.

Só é pena que ao agir de forma antidemocrática e anti-cidadã a Junta, liderada pelo Movimento Azeitão no Coração, tenha posto em causa um dos projectos mais conseguidos pela Câmara de Setúbal com as populações e outras instituições, não tendo sequer tornado Azeitão mais bonito (que tem tantos espaços feios a necessitar de requalificação).

Assim, se desvirtuam projectos de ânimo leve e sem respeito pelo anterior trabalho que lá estava, sendo este projecto, justificadamente, um dos orgulhos da Câmara de Setúbal e de todos aqueles nele têm participado desde há quatro anos, sem atropelos nem pôr em causa o direito de pessoas que voluntariamente quiseram expressar o seu sentir e pensar.

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História

Vasco Gonçalves, o Silenciado

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Agora que muita poeira assentou destas comemorações dos 40 anos do 25 de Abril vale a pena reflectir sobre o muito (ou pouco) que se recordou ou disse sobre o 25 de Abril. Longe de mim pôr em causa tudo o que foi feito por uns e por outros num esforço que se deverá louvar. Confesso que não ouvi nem vi tudo o que se fez sobre esse dia que está gravado no coração e no pensamento de milhões de portugueses, mas houve alguém que foi praticamente esquecido nesse turbilhão de reposições, de entrevistas e coisas que tais.

E, por isso, saio à liça em sua defesa: Vasco Gonçalves.

Ele está bem vivo em muitos e muitos portugueses que sabem o quanto foi valoroso esse militar de Abril, traído até mesmo por camaradas do MFA que não deixaram de usar métodos ínvios para o afastar do poder.

Certamente que todos aqueles que o recordam na sua forma simples de explicar o complicado e, sobretudo, na sua luta pela melhoria das condições de um grande maioria de um povo amordaçado, explorado e brutalizado por um regime que não poupou todos os que se ergueram firmes contra ele e abnegadamente lutaram e esclareceram, perdendo vidas por morte, desemprego, emigração, por afastamento daqueles que amavam e que sob torturas cruéis também morreram.

Vasco Gonçalves, o único 1º ministro a quem o povo trabalhador tratou simplesmente por Vasco, por companheiro Vasco, naqueles tempos em que sonhar o impossível era uma realidade a concretizar.

Quero aqui recordá-lo e prestar-lhe a minha singela homenagem ao homem simples, generoso, coerente e leal. Ao político, ao estadista, ao militar faço uma vénia de genuína admiração. Recordo aqueles momentos tormentosos provocados pela grande burguesia apeada do seu poder a resistir, a provocar dificuldades e a gerir a contra-revolução logo iniciada em 25 de Abril por um general de luneta que pouco tinha de revolucionário no sentido mais amplo do termo e, muito menos, no sentido mais estrito.

Vasco Gonçalves não foi esquecido e nunca o será, porque um dia o silêncio que o rodeia terminará e será sempre lembrada a sua contribuição para que o Povo Português tomasse nas suas mãos o seu destino e realizasse as conquistas revolucionárias que ficaram gravadas na Constituição de 1976, uma das constituições mais progressistas do mundo ocidental.

Foi caluniado, difamado, traído e um dos elementos do MFA quis mesmo prendê-lo de uma forma pouco leal sendo impedido de tal por Costa Gomes que respeitava Vasco Gonçalves e conhecia bem o homem que ele era.

Ler o livro resultante da entrevista feita por Manuela Cruzeiro –  Vasco Gonçalves – um general na Revolução ajuda-nos muito a compreender a tortuosidade daqueles tempos, os responsáveis pela contra-revolução, a falta de lisura, as contradições, a mesquinhez, as mentiras de tantos e tantos que anos volvidos continuam a tentar fazer crer que não tiveram responsabilidades na evolução da Revolução dos Cravos até ao que assistimos pelos dias de hoje.

Percebi melhor o que fica implícito na entrevista que Carlucci deu ao Expresso e que Demétrio Alves comentou aqui, na Praça do Bocage.

A Vasco Gonçalves, que concretizou lutas e reivindicações antigas dos trabalhadores, ficámos a dever-lhe a criação do salário mínimo e das condições que possibilitaram essas conquistas que foram o 13º e o 14º salários, isto é, os subsídios de férias e de Natal.

Sobre o pretenso caos económico no ano de 1975, porque é importante dar-se a conhecer o estado da economia portuguesa (bem mais saudável, afinal do que a doentia, leucémica economia a que nos levaram os governos PS e PSD com ou sem CDS com as sua políticas internas e de submissão aos interesses do capitalismo internacional, nomeadamente alemão, com a entrada na UE) cito partes do relatório da missão da OCDE a Portugal, em 15 de Dezembro de 1975:

« Parece ser opinião virtualmente unânime em Portugal que houve um catastrófico declínio na actividade económica no segundo semestre de 1974 e durante o ano de 1975…pode ser encarado como injustificado optimismo sustentar que, embora a situação seja muito fluída no principio de 1976, a economia portuguesa está surpreendentemente saudável…. Para um País que recentemente passou por reformas sociais, um mar de mudanças na sua posição no comércio externo e seis governos revolucionários nos últimos 19 meses, Portugal goza, inesperadamente, de boa saúde económica. Se o produto real caiu claramente em 1975, o declínio não foi precipitado.

A melhor estimativa é a de uma diminuição de três por cento no produto interno bruto(PIB).Em comparação com outros países da OCDE, a experiência portuguesa não parece ser muito pior do que a média. De facto, o desempenho da sua economia foi extremamente robusto quando as incertezas políticas de 1975 são levadas em conta. Em comparação, o declínio de PIB em 1975, nos Estados Unidos, foi de cerca de três por cento, na Alemanha Ocidental, próximo dos quatro por cento e na Itália quase quatro e meio por cento.»

E cito Vasco Gonçalves: «Aquilo que para os autores do relatório era surpreendente não o era para os responsáveis pela política económica dos governos provisórios. Foram precisamente as medidas de apoio às empresas para continuidade de produção e a garantia dos postos de trabalho, as mudanças estruturais, as nacionalizações da banca e dos seguros, dos sectores básicos da produção, das comunicações e transportes, a reforma agrária, a participação dos trabalhadores, as melhorias salariais que salvaram a nossa economia do colapso.

O parecer deste relatório foi confirmado por outra missão do MIT, que se deslocou a Portugal nos primeiros meses de 1976. O parecer mostra como eram falsas e tendenciosas as considerações sobre o estado da economia portuguesa feitas no Documento dos Nove

(citações a partir do livro Vasco Gonçalves- um General na Revolução, p.137)

 

A História far-se-á, porque com o tempo, os “pudores”, as cumplicidades, os mútuos favores trocados desaparecerão e surgirá límpida a verdade.

Ou como Saramago escreveu no livro Companheiro Vasco, p. 434:

«Esses dias que a História (a tal que para todos nós há-de olhar a frio) pesará numa balança, que gostaria de sonhar incorrupta. Se assim for, o seu outro nome será justiça, e esta será o sinal mais certo de que a escreverão filhos de trabalhadores e não os servos de pena e raspador que a burguesia usava pagar para justificar, desde a escola, o seu domínio

Além disso, o “Mundo pulará e avançará”.

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Política, saúde

O Frenesim dos Ataques ao SNS, Doentes e Profissionais

medicoO Governo PSD/CDS entrou num verdadeiro frenesim de ataques ao SNS, doentes e profissionais de saúde. Receosos do futuro e consequências prováveis, pretendem deixar legislação que agrave o estado a que este governo sem ética nem sensibilidade social levou o SNS satisfazendo os poderosos grupos económicos privados que têm arrecado lucros de milhões neste sector, mas, como é próprio do negócio privado, querem ainda mais e mais lucros tornando a doença uma mercadoria. Sim, a doença, pois não irá haver nem promoção nem prevenção da saúde e, muito menos, cuidados de reabilitação e integração socioprofissional.

Com receio do que pudesse acontecer se levasse à Assembleia da República a legislação gravosa que preparava, decidiu fugir a esse dever criando uma portaria – a nº 82/Abril de 2014, por ventura para comemorar o Dia Mundial da Saúde – que vai dar até final de 2015 a machadada fatal ao que ainda não destruíram no SNS, nomeadamente, nos cuidados hospitalares. Alterando, inventando uma classificação sui generis e mal fundamentada, classifica de novo os hospitais e de acordo com esta classificação retira-lhes muitas das especialidades que passam no fundamental para os grandes hospitais, no caso da nossa Península, para Lisboa. Um recuo em termos de organização e funcionamento de serviços de saúde que deixarão de ser de proximidade e acessíveis. A loa deste Governo sobre o Utente no Centro do Sistema está comprovada tal como foi denunciada na devida altura.

Mais uma vez, as verdadeiras intenções deste Governo surgem enroupadas de palavras tais como “são soluções que visam a racionalidade dos meios e dos serviços”, “a sua modernização”, “a sustentabilidade do SNS”, “ razões de proximidade” para acabarem com especialidades e serviços que são tão necessários e que estão equipados e com profissionais competentes, empenhados e, até mesmo, criativos. Os profissionais não foram mais uma vez ouvidos, considerando o Governo que são meras peças dos seus desígnios que só os cegos não percebem quais são.

O Hospital de Setúbal foi classificado no grupo I que é o menos diferenciado. A portaria estabelece as valências que poderá ter e de uma penada retira-lhe a especialidades de Obstetrícia, Urologia, Gastroenterologia, Oncologia Médica, Infecciologia, Nefrologia, Hematologia, Oftalmologia, Otorrinolaringologia, Cirurgia Plástica e Reconstrutiva, Pneumologia, Endocrinologia e de Imunoalergologia, entre as mais importantes. Continuar a ler

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Política, saúde

O SNS – Grande Conquista de Abril

De forma mais ou menos sub-reptícia e subtil vão destruindo o SNS: hoje um pequeno ataque, ali outro; desestruturando, desarticulando, desinvestindo, impedindo a contratação de técnicos e empurrando outros para a reforma/emigração, com contratos avulso de técnicos às empresas dos ”empreendedores”, acabando com urgências nocturnas e ao fins-de-semana de especialidades, concentrando estas em Lisboa, diminuindo o número de camas hospitalares, fechando serviços aqui e ali, criando dificuldades crescentes a técnicos, cada vez mais insatisfeitos e desmotivados, e aos utentes que vêem diminuir de forma drástica a acessibilidade aos cuidados de saúde.

Muitas da ditas reformas foram tomadas sem ter estudos sérios, rigorosos que demonstrassem a necessidade das mesmas. No fundo o que tem estado sempre por detrás, é a privatização, a mercantilização dos cuidados de saúde a favor dos grande grupos económicos os quais, a verdade seja dita, sem a ajuda do Estado, sem a mão benfazeja do Governo PDS/CDS nunca conseguiriam ter chegado onde estão, pois nem teriam engenho e arte para tal, vivendo do parasitismo estatal, gritando pelo estado mínimo para os que trabalham, tendo para eles o estado máximo através das parcerias público-privadas e de contratos que dão prejuízo ao Estado, recursos financeiros a serem canalizados de forma galopante dos bolsos dos contribuintes para os “pobres” bolsos deles sob a batuta esforçada do Governo PDS/CDS bem acompanhados pelo PS que agora apela falaciosamente à mudança.

Já várias vezes tinha alertado neste espaço para a possibilidade, para o perigo do CHS (Centro Hospitalar de Setúbal) ficar reduzido a uma mera Unidade Básica Hospitalar. Pois bem, o decreto agora publicado sobre as alterações da rede hospitalar vem colocar de forma cada vez mais real aquela possibilidade.

O Governo através do Ministério da Saúde vem dizer que não é para já, mentindo mais uma vez como sempre foi mentindo descaradamente ao povo.Porém, também bem ao jeito destes governantes sem vergonha, afirma que a hipótese não está afastada.

A concentração de especialidades no Hospital Garcia de Orta, medida que tem vindo a ser paulatinamente tomada, vai gerar desigualdades, aumentar as dificuldades de acesso, porque este Hospital há muito que está subdimensionado e incapaz de dar as respostas às necessidades da população. Além disso, sem transportes fáceis, sem recursos para recorrer a transportes privados, com o envelhecimento demográfico, com o empobrecimento crescente, podemos afirmar categoricamente que ao dificultar o acesso dos cidadãos aos cuidados hospitalares se está a configurar na prática uma negação do direito à saúde na nossa população.

O Hospital de Setúbal bem como o do Barreiro são imprescindíveis para garantir cuidados de saúde diferenciados onde, é claro, também tem lugar o Hospital Garcia da Orta. Não há qualquer justificação técnica ou económica para concentrar apenas num dos Hospitais as valências médicas diferenciadas desprezando, deitando para o lixo as capacidade já instaladas.

Para que o Cidadão esteja efectivamente no Centro do Sistema (como gosta de apregoar demagogicamente o Ministro da Saúde) exigem-se medidas assentes no desenvolvimento integrado e articulado dos serviços de saúde, visando uma diferenciação, o aumento de qualidade e a melhoria de acessibilidade.

A luta pelo Direito à Saúde é um imperativo de todos! A Saúde é um investimento e não uma despesa: investimento em bem-estar social (melhoria das condições de saúde, grau de satisfação das pessoas, inclusão social) económico (impacto no PIB , na produtividade, I&D) e mesmo cultural.

Nunca é demais afirmar que o SNS foi uma das maiores conquistas do 25 de Abril que nos ajudou a guindar ao estatuto de país desenvolvido no campo da saúde. Não se pode deixar que recuemos a 40 anos atrás.

VIVA O SNS!

VIVA O 25 DE ABRIL!

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Política

ADIVINHA

Qual é a diferença qual é ela entre o Kosovo e a Crimeia?

Desta vez mudou o lado dos interesses! Acertou!

Ouvi sempre ao longo dos anos que pela boca morre o peixe, mas neste caso creio que Obama ainda não morreu, mas saiu-se mal.

O Putin fala pouco, de facto!

E o fascismo está por lá à solta! Mais tarde, todos irão dizer que não repararam? Ou sabem bem demais o que fazem?

É verdade que a economia americana precisa de guerras como eu de pão para boca. Que aconteceria àquele enorme complexo industrial-militar se a política não fosse criando guerras? Bom, não é só aquele complexo que se aproveita das guerras. Primeiro destroem e depois fingem que constroem exigindo verbas astronómicas aos países que decidiram serem os alvos.

E tudo feito em nome da Democracia, da Liberdade e dos Direitos Humanos!

Mas os pobres nos EUA estão cada vez mais pobres e são cada vez mais numerosos.  Que importa isso?

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Geral, Política

As Saídas e as Entradas

2014Irão certamente ler-me  depois das saídas e já com as entradas em 2014 feitas sem grandes risos ou risos forçados, um tanto ou quanto à faire lesemblant, este ano ainda de forma mais enevoada e pesada. Até a natureza nos acompanha neste despedir e saudar com as voltas trocadas.

Contudo, aqui deixo algumas palavras na crença imodesta de que serão lidas (amanhã ou depois, que importa?).

Não vou repetir os números com que procuram enganar-nos para nos remeter a uma passividade que desejam. Eles são conhecidos como o são os reais, os verdadeiros números sobre os aspectos fundamentais da crise que nos  obrigam a pagar e sofrer os que continuam a ter lucros e estão cada vez mais ricos e a quem a crise beneficia, sabendo eles de inicio que assim seria.

Naomi Klein descreveu bem o que se passou e passa para que eles possam aproveitar a oportunidade de implementar os objectivos previstos e estudados pela nova forma que assume o capitalismo mundial. Nesses objectivos não estão só incluídos os económicos, mas também os políticos e os ideológicos que a Dama de Ferro sintetizou nas expressões «mudar a alma e não há alternativa».

Por trás dos números  estão seres humanos, seres humanos iguais a todos os outros que estão a ser despojados de tudo aquilo que hoje implica a Humanidade.

A pobreza, a fome, o desemprego, a falta de habitação, de condições mínimas de conforto, de atendimento próximo, equitativo e célere na doença, a perda progressiva de saúde devida às más ou deficientes condições de alimentação, de habitação, de falta de transportes, a não fruição do lazer e da cultura, a insegurança, o medo de um futuro cada vez mais sombrio atingem pessoas, seres humanos e não números.

Percebemos que os economistas acríticos, formatados todos por universidades ao serviço do capital, usem os números e os atirem para cima de nós lá do alto dos média que lhes dão cobertura total e repetida, mas não podemos deixar-nos levar por essas teorias pretensamente cientificas com que nos querem convencer da inevitabilidade das medidas, ditas de austeridade, e da ausência de alternativas que estão a legitimar a destruição das responsabilidades sociais do estado, o empobrecimento individual e do país, os baixos salários, a precariedade, as tentativas, cada vez mais visíveis, do uso do trabalho voluntário, vendo neste uma forma altruísta de se estar na crise. Altruísmo a favor de quem? Os bolsos dos multimilionários vão-se enchendo e até mesmo a caridadezinha lhes está a trazer lucros.

Hoje, somos todos precários, todos números precários de uma economia cujo fim único é dar dinheiro a um punhado de gente e nada mais é importante. Nem pessoas, nem ambiente, nem ética! E muitas das universidades legitimaram este modelo de forma acrítica que é urgente denunciar e criticar.

O ano de 2013 foi um ano muito mau para a imensa maioria do povo português, mas teve aspectos que são motivo de alegria e de esperança: as lutas que foram tantas e tão grandes. Lutas organizadas de amplos sectores que, cada vez mais unidos, irão continuar a lutar no ano que agora começa. Lutas ainda maiores, com mais pessoas determinadas, conscientes das suas capacidades para mudar e impôr a queda deste governo (governo com tantas remodelações que mais parece um carrocel desnorteado onde há uns quantos, todos independentes, se enjoam e pedem para sair não suportando o cheiro nauseabundo?) e da realização de eleições antecipadas.

É vulgar falar-se de Esperança na entrada de um novo ano. A Esperança é uma atitude cognitivo-emocional e um comportamento. Se assim decidirmos, ela surge e leva-nos a agir.E geramos um sentimento. Há um ditado árabe, creio, que diz mais ou menos isto: «A esperança não é colocar um novelo de lã dentro duma gaiola e esperar que nasçam pássaros.»

Abril e a Democracia esperam por todos nós. A nossa esperança reside também na nossa luta.

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economia, Política

Eles e o meu cansaço

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Há momentos em que sou invadida por um grande cansaço, cansaço que se vai gerando nas ondas dos discursos e vozes que vou ouvindo e que não deixando de os ouvir – por necessidade de me situar pontualmente neste País – acabo muito cansada com eles. Como eles me cansam! Nem imaginam como!

Dei comigo cansada a olhar para o rosto da Ministra das Finanças: vazio, frio, deslavado, seráfico, opaco, impenetrável? Tudo junto ou outra coisa? É que ela cansa-me! Com o seu discurso, semelhante à expressão ou inexpressão do rosto, onde as mentiras vão jorrando! Senão leiam: «Os desequilíbrios mais prementes estão corrigidos e as condições de acesso aos mercados estão melhores, mas ainda é necessário consolidar os progressos e ir mais além no processo de ajustamento» … «Sempre esteve claro (esteve? Eu não dei por isso, mas cansam-me tanto) que o ajustamento teria de prolongar-se além dos três anos definidos no memorando devido aos bloqueios estruturais.» O que é que ela disse ou quis dizer? Porque eu, eu tão cansada que estou!

Diz também pensar que a estratégia actual colocou Portugal no caminho do crescimento sustentado e da criação duradoura de emprego. Como é possível discursar-se assim olhando-nos como patetas? Ou será que é do cansaço que me provoca?

Fala também a seráfica, a vazia ou a cínica num futuro melhor e que não é altura de recuar. Ainda disse mais isto: as propostas de alteração dos partidos ao Orçamento do Estado para 2014 têm de ter “um impacto global neutro no saldo orçamental”. Já sabem que é mesmo grande o meu cansaço, por isso, expliquem-me se o que eu penso é o que pensam desta tirada verbal?

E mais umas das que me cansam da Mariazinha: «garantiu que o Governo está a criar as condições para que a economia portuguesa recupere em 2014.» Contudo, não colocou de parte a hipótese de serem necessárias mais medidas de austeridade (eh, pá, então continuamos na mesma? Na condenação dos que trabalham a apertar o cinto?) para cumprir o défice orçamental definido para 2015: 2,5% do PIB.  

Outro dos cansativos é o ministro do Emprego (ainda lhe pagamos para termos uma ficção como ministro). Senão vejam o que ele considerou muito a sério: «o crescimento da economia portuguesa no terceiro trimestre do ano é “um sinal positivo”, mas reconheceu que ainda “há muitos desafios pela frente.»

«É, sem sombra de dúvida, um sinal positivo, um sinal que dá espessura a um conjunto de outros indicadores que já temos tido, nomeadamente, sobre a matéria do desemprego“, disse Mota Soares à margem do XVII Congresso Nacional do Direito do Trabalho, a decorrer em Lisboa. (claro que foi mesmo à margem do direito ao trabalho).

Até eu que estou muito cansada por eles, percebo que esse ligeiro crescimento se deveu ao ligeiro aumento das exportações do país para a Alemanha e França, as quais estão outra vez em recessão e, portanto, lá se irá o tal de crescimento tão entusiasmante para esta corja de mentirosos.

Não sei por que me cansam tanto! Ou talvez saiba! E fazem-no quase admiravelmente, quase perfeitamente, pois chego quase a dizer-lhes a tudo que sim, desde que me deixem descansar. Perigosos, não? Então ela, a Micas Luís não disse que os partidos da oposição mostravam não compreender nem conhecer os portugueses a propósito do roubo a que estão a ser sujeitos com mais este Orçamento para 14?

Não deixarei de os ouvir, porque quanto mais eles me cansam, mais aumenta a minha vontade de lutar, de prosseguir esta luta contra este cansaço que não me vencerá e hei-de vê-los a todos ir para??? … Onde estão aqueles anjos seráficos (que cansaço me produziam) do Gasparzinho e do Relvinhas? (Pois não tenho de designar assim os tais meninos que certos comentadores e jornalistas persistem chamar a esta quadrilha técnica armada até aos dentes nas minúcias da guerra que nos movem?)

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Internacional, Política

Desemprego em França atinge novo recorde com 3,29 milhões de inscritos

Estou preguiçosa, decididamente!  Perdoem e entendam-me!

Desemprego atinge mais de 10,9% da população activa

O desemprego atingiu um novo recorde em França com um crescimento de 60 mil desempregados em setembro, o que eleva para 3,29 milhões os inscritos à procura de emprego.

Este aumento deve-se em parte a um erro estatístico que levou a uma descida artificial do número de desempregados em agosto. ( Ai, por cá como descem as taxas à custa não de erros, mas factos premeditados).

Com 3,29 milhões de pessoas sem trabalho, o desemprego atinge mais de 10,9% da população ativa, o que constitui um recorde absoluto em França.

O presidente francês, François Hollande, comprometeu-se a inverter os números do desemprego até ao final do ano, num clima de preocupação crescente quanto à economia e à criação de emprego.( pois, pois, digo, eu!)

Ainda se lembram dos tais 150.000 empregos que o Sócrates, de má memória, iria criar?

A França está atolada uma vez mais nas políticas neoliberais do tal de Hollande do tal PS francês. (guerras vergonhosas, neocolonizações  com sobreexploração de povos já tão martires, conluios com o Al Qaeda, os tais terroristas apoiados na Líbia, na Síria, etc. )

SERÁ QUE ESTE EXEMPLO, MAIS UM, SERVIRÁ DE ALGUMA COISA?

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Internacional, Política

Possível implementação de um imposto sobre a riqueza – relatório do FMI

PERGUNTA ESCRITA DE JOÃO FERREIRA E INÊS ZUBER NO no PARLAMENTO EUROPEU  – com a devida vénia ao PCP

Num relatório publicado no início de Outubro pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) refere-se que um imposto sobre a riqueza teria “fortes hipóteses” de sucesso, precisando que uma cobrança de 10% nos 15 países da zona euro permitiria a estes países repor os défices aos níveis de antes da crise.
A ideia suscitou polémica, porquanto é sabido que a opção para “repor os défices”, plasmada, desde logo, nos programas UE-FMI, tem sido a de cortar nos rendimentos da generalidade da população (salários, reformas, prestações sociais, funções sociais do Estado), poupando as grandes fortunas, que, nalguns casos, até têm aumentado o seu pecúlio.
Em face da polémica, responsáveis do FMI vieram entretanto afirmar que o imposto sobre a riqueza era apenas uma “sugestão” de peritos do FMI e não uma recomendação política da instituição.

Solicitamos à Comissão Europeia que nos informe sobre o seguinte:
1. Tem conhecimento do referido relatório? Que avaliação faz do mesmo?
2. Qual a sua posição relativamente à criação de um imposto sobre a riqueza?
3. Reconhece que, como é afirmado no relatório, existe “margem suficiente” em economias avançadas para aumentar os impostos sobre as grandes fortunas?
4. Em face dos dados agora dados a conhecer pelo relatório, manterá a Comissão a sua posição de defesa de cortes nos rendimentos da generalidade da população (salários, reformas, prestações sociais, funções sociais do Estado), sob o pretexto de “repor os défices”?

 Haverá resposta? Quem se abalança a adivinhar?

Até breve!

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Política, saúde

As Andas do Sr. Ministro

Lá em casa, em família, usava-se a expressão “pôr-se em andas” num sentido pejorativo sempre que alguém procurava mostrar-se superior ou tentava enganar alguém.

Neste caso, isto é, em relação ao ministro em causa, o da Saúde, ambos os sentidos se aplicam, mas sobretudo, o de continuar com as mentiras para nos enganar sobre o estado a que já levou o SNS.

Do Conselho Distrital de Setúbal da Ordem dos Médicos saiu um comunicado que já é conhecido do público e que denuncia a situação que se vive nos três serviços de urgência dos hospitais da Península. Muito mais se poderá dizer acerca de outros serviços, condenados a serem asfixiados para que as instituições privadas dos grandes grupos possam florescer, sobretudo, à custa da ADSE para a qual todos os que estão ligados à Função Pública vão descontando mais e mais sem  a devida explicação onde são aplicados esses aumentos.

Não pretendo pôr em causa a ADSE – a Assistência na Doença aos Servidores do Estado – mas somente perceber a que bolsos vão parar os descontos sempre aumentados por este Governo, formado por quem sabe o que está a fazer e não por meninos, enfant-terribles, de famílias políticas que os protegem e são protegidas dos senhores que hoje governam o mundo e também Portugal. Não, não são meninos, são sequazes destes, mesmo que deem sinais cada vez maiores de uma renovada incompetência, ignorância e flatulência (não é isso que estão a pensar, pois quero dizer presunção).

A ADSE deveria estar a ser utilizada em beneficio do SNS porque são, afinal, os malandros dos funcionários públicos e reformados da Função Pública que a pagam ao longo de anos e anos e suportam, deste modo, a transferência de cada vez maiores quantias de dinheiros públicos para satisfazer a gula dos negociantes da saúde.

Voltando ao referido Ministro, o da não-assistência médica e do não-tratamento e da morte antecipada e sofrida de muitos portugueses, o qual, apesar dos dados sobre algumas das parcerias público-privadas e sobre as recomendações do Tribunal de Contas sobre o Hospital da Cruz Vermelha (português e não outro) arranja as tais andas para se colocar a uns metros da realidade e negar a evidência dos factos. Poderiam ter-se poupado em três anos 29,8 milhões de euros se os doentes tratados naquele hospital tivessem sido tratados nos hospitais públicos que tinham, de resto, capacidade de resposta.

Os hospitais das 4 parcerias público-privadas vão receber um financiamento de 378 milhões mais 8,5 milhões do que em 2013 enquanto os hospitais públicos vão ver os seus financiamentos diminuídos com os cortes que o SNS vai sofrer com este Orçamento muito cozinhado pelo FMI e que os trabalhadores, os reformados e todos os demais democratas contestam e até franjas de outros que sentem na pele os cortes que também os atingem. (lembra os versos bem conhecidos: primeiro foram os operários…)

Paulo Macedo afirmou isto: o governo tem mantido uma postura de não querer renegociar os contratos destas parcerias,(PPP’S) porque todas as renegociações feitas no passado prejudicaram o Estado. Estão a ler bem! Assim, em vez de se alterar o que provoca esses prejuízos mantem-se o erro e toca a financiar mais uma vez os grupos privados de saúde que já são beneficiados com o que recebem da ADSE.

Os funcionários públicos e os reformados da Função Pública quanto pagam afinal para terem direito à Saúde? Já alguém terá feito as contas? Impostos gerais, ADSE e mais impostos aplicados à F. Pública. Pagam IRS, IVA, TUC, IMI, e ainda ADSE e taxas de solidariedade, aumentos de IRS, cortes de subsídios de férias e Natal! Sei lá que mais virá!

E reporto-me a essa “águia” do BES Saúde que afirmou que a ADSE era muito boa, porque, ao contrário dos seguros-doença, não tinha plafond, isto é, não impunha uma quantia a partir da qual o doente deixa de ter direito ao tratamento por se ter esgotado a quantia prevista pela apólice.

Se a ADSE serve para alimentar os grandes grupos privados da saúde, porque não usá-la em benefício do SNS? Ao qual sempre a ADSE pagou tarde e mal as quantias devidas? E porque deixou de fazer os pagamentos? E tem taxas moderadoras mais altas para a ADSE no SNS do que nos privados? E vamos certamente ver aumentados os descontos para a ADSE face à diminuição brutal de funcionários públicos.

Claro que não defendo ideias de acabar com a ADSE, mas de que a mesma fosse utilizada, e bem, como forma de sustentar o SNS, evitando que a pretensa “gordura” do Estado seja derretida para as panelas dos grandes grupos financeiros.

 

As andas do Sr. Ministro são muito mais altas quando se fala dos cortes/racionamentos dos medicamentos, exames complementares, consultas, cirurgias!

Quais são, na realidade, as consequências actuais e futuras sobre o estado de saúde dos portugueses? O Ministro e o Governo não fazem estudos sérios do impacto dessas medidas sobre a assistência médica aos utentes e doentes do SNS. Não há dados sobre quaisquer variáveis que comprovem os benefícios dos cortes realizados. E quanto à tão falada sustentabilidade do SNS, estamos todos bem conversados sobre a altura das andas em que se colocam os governantes quando mentem sobre isso. Ora, se tivessem esses dados, o Sr. Ministro e o Governo não seriam motivados para o uso de andas. O que na realidade eles comprovariam é que a qualidade da prática médica diminuiu de forma acentuada e a acessibilidade dos cuidados tornou-se uma miragem para largas faixas de doentes; comprovariam o stress cada vez mais intenso dos trabalhadores da saúde devido ao aumento de horas de trabalho, às equipas deficitárias, ao aumento da distância dos doentes ao local de atendimento e à convicção crescente de que a tendência será para o seu agravamento.

O Governo já terá começado a fazer o que aconselhou o Observatório Nacional de Saúde sobre a monitorização das consequências da política de austeridade (de racionamento) do SNS? Credo que ideia! Pela reunião do Observatório, na passada primavera, ficámos a saber ou, melhor vimos confirmado, que o Ministro Paulo Macedo tinha ido para além da imposição feita pela troika o que nem com os malabarismos das andas o governo conseguiu esconder.

Vem agora o Sr. Ministro mostrar-se muito preocupado com o envelhecimento da população. Desde há uns anos a esta parte que vejo uma dissonância sempre agravada entre as afirmações dos governantes e o que eles verdadeiramente pensam. Isto é, quando nos vieram falar intensivamente como papagaios sobre acessibilidade e que a centralidade do SNS deveria ser o doente, fiquei com a pulga a morder-me atrás da orelha: ouvira muito antes o bombardeio com a qualidade dos serviços, paragonas sobre paragonas e, afinal, a qualidade diminuiu drasticamente e o doente é tudo menos a centralidade dos cuidados de saúde neste 3º ano de troikas e a acessibilidade tornou-se uma caricatura cada vez maior com o ajuntamento de serviços e sua deslocalização para as três cidades tal como o eram no tempo do fascismo: Lisboa, Coimbra e Porto.

Paulo Macedo não acrescentou nada sobre as medidas a tomar para se combater a quebra de natalidade do País como se também esta situação fosse irreparável ou inultrapassável. Sr. Ministro, gostaria muito de perceber o que quer dizer com “o País tem de se adaptar a uma nova realidade”.

Com as suas medidas…

 

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economia

Helder Rosalino e as trapaças do Governo

Rosa

Permitam-me que vos dê a conhecer a já bem conhecida “democraticidade” da grande (ou pequeníssima imprensa portuguesa) através do facto relatado por Eugénio Rosa, o conhecido e respeitado professor de economia que tem sido praticamente o único a denunciar todas as mentiras, calúnias, manipulações que os membros deste governo têm dito e feito para convencerem os portugueses da inevitabilidade da política posta em prática. A censura tornou-se descarada.

Passo a transcrever Eugénio Rosa:

«ARTIGO ENVIADO AO JORNAL PÚBLICO EM RESPOSTA A UM ARTIGO DO SECRETARIO DE ESTADO HELDER ROSALINO NÃO PUBLICADO 

A DESCAPITALIZAÇÃO DA CGA PELO GOVERNO

O “Publico” divulgou em 2-10-2013 um artigo do Secretário de Estado da Administração Publica, Hélder Rosalino, em que este procura convencer a opinião pública que o governo não descapitalizou a CGA nem está a utilizar o “desequilíbrio financeiro”  assim criado à CGA para justificar o ataque violento aos direitos dos trabalhadores e dos aposentados da Função Pública. Por isso, é importante que os portugueses conheçam não apenas a versão (“verdade”) do governo até porque Hélder Rosalino fez um apelo à “exigência de um debate informado”, embora na negociação com os sindicatos da Função Pública, em que participamos como assessor, se tenha recusado a debater verdadeiramente as “propostas” (imposições) do governo e muito menos a alterá-las.

Contrariamente ao que pretendeu fazer crer o Secretário de Estado as dificuldades financeiras da CGA não resultam da falta de convergência entre os dois sistemas, mas sim do efeito conjugado de medidas tomadas pelos sucessivos governos, nomeadamente as seguintes (1) Descapitalização financeira da CGA pelos sucessivos governos, incluindo o actual, ao longo dos anos; (2) Transformação da CGA num sistema fechado que destruiu o principio da solidariedade entre gerações e reduziu significativamente as receitas da CGA; (3) Ataque violento aos direitos dos trabalhadores que tem empurrado prematuramente para aposentação milhares de trabalhadores e impedido a renovação, e que está a destruir serviços essenciais para a população, e que causou um aumento rápido da despesa com pensões; (4) A transferência para a CGA de fundos de pensões de várias entidades, incluindo privadas (ex. PT), libertando estas de responsabilidades financeiras, que estão a causar prejuízos à CGA os quais têm de ser suportados pelo Orçamento do Estado. Por economia de espaço, a análise terá de ser sintética, mas será fundamentada (o leitor interessado encontrará estudos mais desenvolvidos sobre esta matéria em http://www.eugeniorosa.com)

Em primeiro lugar, importa dizer e provar que durante anos os governos descapitalizaram a CGA, não transferindo para ela o que deviam transferir. Para concluir basta ter presente que, segundo os relatórios e contas da CGA, entre 1993/2003, por ex., a contribuição média anual dos trabalhadores para a CGA correspondeu a 9,8% do valor das remunerações, enquanto a das entidades empregadoras públicas foi apenas de 1,7%, e as transferências do OE para a CGA representaram somente 14,6%; portanto contribuições dos serviços públicos mais o transferido pelo Orçamento do Estado para a CGA representou apenas 16,6% das remunerações. Se o Estado e os serviços públicos tivessem entregue à CGA aquilo que qualquer empregador privado entrega à Segurança Social, ou seja, o correspondente a 23,75% das remunerações (só a partir de 2014 é que os serviços públicos começarão a contribuir para a CGA com 23,75%, segundo o Secretário de Estado), os excedentes assim obtidos só no período 1993/2003 e rentabilizados à taxa de 4% (foi a taxa aceite pelo governo para os fundos da PT) teria permitido à CGA criar um fundo de estabilização financeira, semelhante ao da Segurança Social que, agora, teria mais de 14.400 milhões €. E recorde –se que este valor diz respeito apenas a 11 anos (1993/2003), mas a CGA já existe há varias dezenas de anos.

Os governos optaram por aplicar os excedentes assim obtidos, e dos quais se apropriaram, em outras despesas e agora o atual pretende “esquecer” esse facto. A 2ª medida tomada pelo anterior governo e mantida pelo actual, que agravou significativamente as dificuldades da CGA, foi a transformação da CGA num sistema fechado, destruindo o princípio da solidariedade entre gerações que caracteriza um sistema público de segurança social. A partir de 2005, mais nenhum trabalhador da Função Pública se pôde inscrever na CGA. Esta medida, associada a uma politica de redução do numero de trabalhadores e de destruição da Função Pública, e de não renovação dos seus trabalhadores determinou que o numero de subscritores da CGA, entre 2005 e 2012, tenha diminuído em 208.480 (passou de 739.664 para apenas 531.184), o que provocou uma quebra nas receitas da CGA que estimamos em 1.514 milhões € por ano.»

Grata, Caro Eugénio Rosa, por mais um esclarecedor artigo.

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Geral, Política

A Historia não parou…

jose_eduardo_dos_santosA querela aí está. José Eduardo dos Santos pôs o governo português em sentido e a desfazer-se em mil desculpas com afirmações que, por vezes, raiam um tremendo ridículo.

Não vou andar à volta do CASO, porque talvez não valha mesmo a pena. José Edurado dos Santos irá certamente estender uma mão aos portugueses numa atitude de grand seigneur. Pois claro, porque sê-lo-á numa relação diferente daquela que durante séculos Portugal teve para com os angolanos.

A História não parou; bem gostariam muitos que ela tivesse parado. Quem sabe mesmo se os imperiais romanos não pensaram que o seu Imperio era imorredouro e que poderiam continuar a oprimir, explorar, humilhar e fazer passar fome o resto do mundo ocidental da altura que se desenvolvia em torno do Mediterrneo e ia até Inglaterra.

A História levou o seu tempo; os povos lutaram mesmo nesses tempos mais recuados, mas no século passado, em poucos anos, todos os impérios coloniais maiores ou menores, foram varridos e os povos colonizados havia séculos libertaram-se do jugo colonial e conquistaram a ferro e fogo a sua independência e soberania.

Já estão a fazer a sua própria história. E também a estudar e a dar a conhecer a história desse passado iniquo e sinistro em que foram mantidos.  A propósito disto recordo o romance extraordinário de Vargas Llosa O Sonho do Celta baseado na vida de Roger Casement onde o autor nos faz uma denúncia terrivel de factos passados sob os colonialismos belga e inglês em África e na América Latina. E ainda muito há para contar e conhecer. Aconselho vivamente a leitura do livro O Fantasma do Rei Leopoldo – Adam Hochschild, Caminho, entre outros.

Certamente que José Eduardo dos Santos tem hoje consciência do seu poder; tudo não passará de uma simples ameaça ou bluff para levar a água ao seu moínho e que moínho!

A Historia foi avançando como irá avançar e trará mudanças profundas e reais aos povos que hoje são dominados pelos banqueiros mundiais, pela finança global que impõe “regras” de exploração e de empobrecimento aos povos da europa e de outros continentes em conluio com as grandes empresas multi e transnacionais! Há mudanças que são já visiveis com os povos a dizerem não à exploração, à opressão, ao empobrecimento; a pouco e pouco a quantidade irá crescer e dar origem à qualidade e um dia o mundo pulará e avançará e o sonho tornar-se-á realidade.

Bem gostariam muitos que a História parasse por aqui, mas foram sempre os povos que decidiram as grandes fracturas, as roturas com um mundo anquilosado que já não permitia o progresso.

A História não parou para os angolanos também. Irão desbravar o seu próprio caminho e conquistar a libertação de outros opressores e exploradores tal como o conseguiram há cerca de 40 anos.

Vivam os Povos de todo o Mundo!

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poesia

Poesia

sem título

inspiro

um sopro dos lábios

percorre-me como uma brisa

e lembra-me os sussurros

e os murmúrios dos primeiros dias.

 de pureza.

expiro

um beijo fugido

escapa-se-me dos lábios

e lembra-me a partida fria

e a neblina escura do fim.

da pureza.

 

resistir

 vibrem os meus átomos

com o cair da noite escura,

gritem as horas pelas quais passo,

sem lhes tocar,

fraquejem as traves do universo,

com o olhar de rapina do negro infinito,

que em cada partícula de ser, resisto.

 

tu

vieste amanhecer-me

e agora sou um campo pleno

brilha dourado

ondula sereno

deita-me as sementes como beijos,

quando te deitares a meu lado.

percorre-me de mãos dadas com o silêncio,

os caminhos do vento que me esculpiu.

 

Miguel Tiago, in letras ígneas, poesia

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Geral, Internacional, Política, saúde, Setúbal

Dispersos de Domingo

universidade_coimbraCoimbra

A Universidade de Coimbra, a Alta e a Sofia foram considerados Património Mundial pela Unesco. Congratulo-me com tal decisão, sobretudo, pela razão fundamental invocada: o valor universal da cultura e da língua portuguesas.

É importante sublinhar estes aspectos face a um governo que tudo tem feito para destruir a cultura em Portugal, que vende patromónio sem olhar à memória que guarda, património deixado ao deus-dará por esse país fora.

Um Governo disposto a deixar morrer a Cinemateca e tantos outros locais de cultura com anos de trabalho e de projecção cultural.

Será caso para indagar ao Governo como está a Biblioteca Joanina, joia da Universidade de Coimbra: em risco de degradação progressivo que deveria envergonhar governantes actuais e passados, ministros da cultura actual e passados.

A organização não-governamental World Monuments Fund inscreveu na sua lista a Biblioteca Joanina, entre outros locais como “ um testamento insubstituível para a inspiração humana e para a diversidade de culturas em todo o mundo”, apontando-a também como em risco de degradação.

Dia Mundial da Saúde Mental

Os jornais dizem que Portugal está entre os países europeus com mais doenças mentais. Já se sabia isto como também que a política troikana iria aumentar a taxa dessas mesmas doenças. Dizem também que há equipas de enfermeiros a prestar apoio domiciliário aos doentes. Não sei onde se está a passar isso, mas no concelho Setúbal não ouvi nada referente a essa actividade. E onde andou uma tal Comissão criada há mais de um ano que tinha por objectivo tomar medidas para a diminuição destas doenças?

Os jornais não dizem que os doentes do foro psiquiátrico que têm a infelicidade de entrar no Serviço de Urgência do Hospital S. Bernardo depois das 20 horas de sexta-feira ficam até às 9 horas de segunda-feira sem qualquer tratamento especializado praticado por psiquiatra. Este é um dos resultados daquilo que eufemisticamente o governo e ministro da saúde chamam de reorganização das urgências da Península de Setúbal.

 Doentes sem atendimento adequado, deitados numa cama num corredor, em sofrimento psicológico, descompensados da doença psiquiátrica que os levou a procurarem alívio na urgência e, por ventura, perturbando todo o ambiente e outros doentes que ali tenham acorrido.

O Serviço Nacional de Saúde está a ser desmantelado fria e calculadamente. A par disso, assistimos à preparação da entrada em bolsa de valores da Espirito Santo Saúde. Quem disse que a saúde era o negócio mais rentável depois do das armas?

Como se atrevem a vir-nos mentir constantemente sobre a sustentabilidade do SNS?

Tribunal Penal Internacional

Desmond Tutu denunciou a manobra que está a ser feita por alguns líderes de países africanos para saírem da alçada do Tribunal Penal Internacional (TPI) sediado em Haia. Os “dois” faróis de tal decisão são os presidentes do Sudão e do Quénia, que já deveriam ter sido julgados por aquele Tribunal pelo crimes, pelo terror que já infligiram nos seus países. Contudo, ficariam muito mais à vontade se conseguissem abandonar o TPI.

De que terão medo?

Paulo Macedo

A Anedota do Dia

Paulo Macedo, ministro da Saúde, revela que está a ser preparado um novo plano para combater a toxicodependência.”O que nós temos que ver – é para isso que temos um plano – é como temos de atacar [a toxicodependência] nas diversas vertentes”, afirmou, mentindo, Paulo Macedo, sem avançar qualquer medida concreta do referido plano de combate à toxicodependência.

Contudo, sabe-se muito bem que a recessão está a provocar um crescente maior abuso de drogas e um regresso à heroína, que consegue aliviar mais o sofrimento psicológico do que muitas outras, embora com efeitos secundários desastrosos. Este facto era previsível. Há três anos, os consumos estavam a estabilizar e o da heroína tinha mesmo diminuído.

Será que vamos ter dentro do Governo um Ministro, o da Saúde, a clamar ao seu 1º e chefe que pare com todas as medidas troikanas e ponha em prática uma política patriótica e de esquerda? Uma política eficaz contra o aumento da toxicodependência que passa por diminuir o desemprego, criar condições para rapidamente aumentarmos a produção nacional, renegociar a divida em números, prazos e juros e só pagar a legitima e não a contraída pela banca privada, lançar os impostos à Banca, às transacções efectuadas na bolsa e mais algumas medidas de fundo que permitam, de facto gerar riqueza e trabalho? Será este o seu plano ou…

 PS e Salário Mínimo Nacional

Sabemos que os projectos de resolução apresentados pelo PCP e pelo BE para o aumento imediato do Salário Mínimo Nacional para 515 euros foram chumbados com os votos contra do PSD e CDS-PP. Não espantou ninguém que eles não estão ali para defender os interesses dos trabalhadores (era o que mais faltava, pois então). O PS, nesta altura do “campeonato”, não teve alternativa senão votar favoravelmente, mas foi dizendo que a revisão do Salário Mínimo é competência da Concertação Social.

Deixo à vossa consideração esta notícia:

Horta, 13 jul (Lusa) – O Parlamento dos Açores aprovou esta madrugada uma ante-proposta de lei do PS, a enviar à Assembleia da República, que prevê um aumento do salário mínimo nacional de 485 para 500 euros mensais.A proposta socialista foi apresentada como uma iniciativa de “relevância social” e um “contributo para a economia”, etc….

Ler mais: http://visao.sapo.pt/parlamento-acoriano-aprova-ante-proposta-para-aumento-do-salario-minimo-nacional=f740540#ixzz2hXBaxLSX

Porque será que o PS endossa a sua responsabilidade agora para a Concer-tação Social, com a ainda demagógica interrogação de quem sabe se aquela não quer uma subida maior do que os 515 euros para o Salário Mínimo Nacional?

Ai, Seguro, Seguro quão pouco o estás mais o teu partido que tem um militante e dirigente nacional que se afirmou estas duas coisas e ao mesmo tempo independente e foi dizendo também que era socioliberal, sendo até honesto (julgo) neste seu enquadramento político.

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Geral, Política

A Alternância Abençoada!!!

AlternânciaVeio Maria de Belém, em artigo publicado no jornal Correio da Manhã, 5 de Outubro, incensar a vitória do seu partido nestas eleições. É claro que faz muito bem, pois o Partido é dela sendo que mutuamente se devem muitos favores.

A razão desta defesa, diz ela, foi a tentativa de menorizarem a vitória do PS (refere artigos de jornal e comentadores), usados que foram, os argumentos do menor número de votantes e a abstenção verificados.

Maria de Belém refere como justificação o progressivo aumento da abstenção desde as primeiras eleições autárquicas em 1976 até aos dias presentes e recorda que em 2009 o PSD ganhou as eleições e 132 câmaras e que a abstenção foi de 40,99%.

Fez bem recordar isto, pois de imediato surgiu ao meu espirito a querida alternância defendida pela direita a que o PS aderiu alegremente, esquecido depois das eleições de tudo o que prometera; de resto, meteu-se agradado no que é designado pelo arco de governação numa cumplicidade quase ilimitada e da qual nunca se demarcou.

Esta alternância artificialmente criada e sustentada serve bem os interesses dos banqueiros e dos grandes capitalistas os quais, certamente, pagaram muito bem aos brzezinski e kissinger’s e quejandos.

Maria de Belém fala também da emigração como causa de abstenção, mas fugiu a colocar a questão importante que marcou de forma indelével estas eleições – o contexto político, económico e social em que as mesmas decorreram.

Dentro da lógica dessa alternância que ao longo dos anos foi construída também com o PS e que é injectada diariamente há anos pelos partidos interessados na mesma, órgãos de comunicação social e comentadores politicoides, visando a formatação das mentes que não são, em muitos casos, capazes de pensarem na existência de alternativas políticas para além desta dita alternância em que, apenas, mudam as moscas.

É verdade que o êxito político obtido pela CDU a nível nacional, esse sim retumbante, foi reconhecido, mas foge-se a dar-lhe a real importância política.

Não sendo a CDU, através dos Partidos que formam a coligação, considerada do arco de governação a nível geral (quiçá por bem), a sua vitória eleitoral tem um significado que urge valorizar e integrar no processo de luta que os trabalhadores, os reformados e os pensionistas, os desempregados e todos aqueles que sentem na pele a exploração e o empobrecimento travam contra este Governo troikano a que o PS continua ligado sem posições claras, firmes, de condenação de uma política que o mesmo, afinal, ajudou a construir nessa alternância tão cara também aos boys e às girls e às prebendas recebidas.

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Geral, Política, saúde

É urgente denunciar, é preciso que se saiba!

Serviço urgenciasA situação do Serviço de Urgência Geral do Hospital de S. Bernardo (e dos outros dois hospitais da Península) vai de mal a pior com as sucessivas contra-medidas economicistas que visam levar o SNS à total paralisação e incapacidade de dar resposta aos utentes.

Na 2 feira, tive a oportunidade de ouvir esta incrível bujarda de um dos Secretários do Ministro predador- mor do SNS: “Ontem, dia 15 de Setembro comemorou-se a data de criação do SNS que visava dar uma resposta às carências na saúde dos portugueses mais carenciados”! Isto foi dito perante uma assistência de médicos, perplexos e duvidosos de terem ouvido tais palavras de um responsável deste governo que se permite (e nós também se não fizermos tudo ao nosso alcance para o pôr na rua) ser o mais ignorante e incompetente de todos os que têm por aqui passado, mas também o mais cínico, manipulador e corrupto.

Na realidade, a ignorância do Sr. Secretário revelou-se ainda quando associou a criação da Ordem dos Médicos com a do SNS!!! Ou vice-versa! A Ordem surgiu em 1938 e o SNS em 1979. Caramba, não há contas que resistam.

Bom, mas voltando ao assunto inicial: A Península de Setúbal (e o Alentejo Litoral) está sob fogo cerrado do Ministro da Saúde. Desinvestindo totalmente numa política de recursos, nomeadamente, humanos, através dessa medida de recrutamento médico através de empresas privadas e pelo exclusivo menor preço/hora, o Ministério estar a conduzir as unidades hospitalares a uma mediocridade nas respostas nas quais a competência, a ética e a deontologia estão a ser postas em causa seja entre pares profissionais seja na relação médico-doente.

A este deplorável panorama (perigoso também) soma-se a já anunciada saída de elementos estruturantes das equipas das urgências e refiro-me aos médicos da especialidade de Medicina Familiar que há anos ali trabalhavam e que foram despedidos de um momento para o outro com a informação de que se pretendessem continuar a prestar serviços ao Hospital o teriam de fazer através da “Sucesso 24”, uma das empresas privadas creditadas pelo Ministério da Saúde. Estes elementos prestavam serviços há mais de 20 anos!

Assistem-se a factos impensáveis há 2 anos. As empresas creditadas pelo Ministro da Saúde contratam “médicos” pelo telefone sem verem os seus curricula, sem com eles dialogarem e enviam-nos directamente para os Hospitais e estamos a falar de especialidades cirúrgicas o que implicaria um muito maior cuidado nesse recrutamento.

O concelho de Sesimbra foi incluído na área de influência do Hospital de S. Bernardo (são mais ou menos 50.000 utentes) sem que fossem tomadas as necessárias medidas em termos de espaço físico, de logística e dotação de pessoal. As consequências têm-se feito sentir no aumento de trabalho adicional extenuante para equipas que já estavam muito desfalcadas em recursos. O stress laboral elevou-se de forma acentuada facilitando situações de conflitualidade e diminuindo muito a qualidade do trabalho realizado.

As equipes cirúrgicas das 20 às 8 horas das urgências têm estado a funcionar, por vezes, com um só cirurgião, mas na maioria das noites com 1 cirurgião já com a especialidade e um interno da especialidade ao qual não podem ser pedidas iguais responsabilidades.

Neste momento, vários colegas, temerosos e com razão, de serem os alvos fáceis do pedido de responsabilidades nos casos em que “ a coisa” correr mal, têm vindo a informar e a pedir ajuda à Ordem dos Médicos, salvaguardando a sua responsabilidade, mas não a das consequências a nível dos doentes já que não podem humanamente responder a situações críticas e graves entradas simultaneamente no hospital ou estarem a operar e entrar uma situação que requer uma intervenção cirúrgica rápida.

Quem vai morrer? Quem se vai deixar sem cuidados? Os dilemas já começaram a surgir e também já começaram a surgir as mortes evitáveis de que não fala o Governo e, muito menos, o Ministro da Saúde.

Pergunto: o que fazem médicos nos órgãos de gestão hospitalar? Esqueceram-se de que são, em primeiro lugar, médicos? Um dia, se forem chamados à responsabilidade, vão justificar-se com “ Recebemos ordens.”? Onde os princípios que deveriam nortear as suas decisões? A Ordem deverá actuar perante a sua complacência, a sua cumplicidade? Como? Estão a faltar aos seus deveres deontológicos, éticos colocando-se ao serviço de gestores e governantes sem etica na sua governação.

O que vai acontecer ao SNS com o novo corte para 2014 de mais 200 milhões impostos pela troika e aceite por estes simulacros de governantes? (mas que estão a levar o país ao maior desastre económico dos últimos anos)

Contudo, as parcerias público-privadas, autênticos buracos negros de sorver dinheiro ao Estado (a nós, claro) continuam, com prejuízos, com más prestações de cuidados sem que o Governo se propunha terminar definitivamente com elas.

A ADSE continua a financiar as grandes unidades de saúde dos melos, champallimaud’s, espíritos santo e quejandos. Os seguros prometem…, não cumprem na hora da verdade e são muito caros!

A população está a ser empurrada para a privada e corre, corre para ela sem perceber que está a ser cúmplice com as decisões de um governo que pretende terminar ou reduzir ao mínimo as funções sociais do Estado. Se a população portuguesa, dentro da União Europeia, já é uma das que mais paga do seu bolso pelos custos de saúde, (além dos vários impostos em que é tributada) esperem para ver o que vai custar a Saúde quando as troikas tiverem conseguido os seus objectivos.

Quem se lembra (ou a memória está assim tão fraca) do que se passava antes do 25 de Abril? Quando é que as pessoas consciencializam os perigos que estão a correr em relação a direitos humanos fundamentais, entre eles, o da Saúde?

Houve diminuição de consultas de que o Governo PSD/CDS – Pedro e Paulo Unidos na Cruzada – se ufana sem explicar a que se deve tal facto e as consequências para as populações. Ufana-se de algo de só os incompetentes e ignorantes governamentais se podem ufanar.

A que conclusões chegou o Observatório Nacional de Saúde sobre o que se está a passar em Portugal? E que medidas já tomou o Governo? Apenas aquilo a que eu designo por contra-medidas economicistas, pois nem uma só se justifica realmente. Nem serviram os interesse do SNS e dos seus potenciais utentes. E uma das que vai ter piores consequências é a da concentração das urgências em Lisboa num só Hospital (ora Santa Maria ou S. José). Somem a população da Península de Setúbal com a do Litoral Alentejano, fechem os olhos e imaginem os serviços de urgência de S. José ou de Santa Maria! Fechem os olhos e pensem nas pessoas que a ele vão ter de chegar!

É urgente unirmos todos os esforços: Sindicatos, Movimentos de Utentes, Ordem Distrital dos Médicos, Associações de Doentes, Autarquias e não permitirmos que se chegue àquela situação.

Viva o SNS com a sua universalidade, equidade e gratuidade! Lutemos por ele!

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Política, saúde, Setúbal

A volta que isto vai ter de levar…

VER

Anos a fio lutei, lutámos muitos, para que a forma de tratar os doentes do foro psiquiátrico mudasse e muito havia para mudar. Foi uma dura batalha que se prolongou mesmo 25 de Abril adentro, embora as portas que se abriram muito tenham ajudado, sobretudo, para se poder falar livremente sobre a situação em que os serviços de psiquiatria portugueses se encontravam. Progressivamente as vitórias foram chegando, vitórias que foram muito palpáveis nas reformas profundas dos hospitais e dos serviços de consulta externa, mas também mais subtis, mais difíceis de apontar, mas essenciais para que se consolidassem aquelas. Refiro a mudanças de mentalidades, de preconceitos existentes que eram tão poderosos que mesmo técnicos da saúde e gestores os perfilhavam.

E hoje? O que está a acontecer? Uma destruição silenciosa, mas que se vai tornando cada vez mais visível e que, brevemente, os doentes e as famílias irão perceber até que ponto foi profunda, dos serviços prestadores dos cuidados psiquiátricos.

Em Setúbal, conseguiu-se um serviço de internamento para doentes agudos em 2001 e com ele a consolidação de um serviço de urgências de 24 horas muito mais próximo dos doentes, embora ainda muitos deles tivessem de vir de zonas como Santiago de Cacém. Contudo, já não tinham de ir sistematicamente para Lisboa onde até ali eram atendidos. Quilómetros de distâncias, horas e horas de espera para, não raro, serem devolvidos à procedência com uma receita nas mãos a qual tanta vez não alterou o estado do doente que teria de voltar mais uma, duas vezes, tantas vezes sem conta, ao serviço de urgência em Lisboa, no Hospital Miguel Bombarda.

Pois bem, a partir das 20 horas e até às 8 horas já não existe uma urgência psiquiátrica na Península de Setúbal. Antes, havia ambulâncias, bombeiros disponíveis, para o transporte. E a partir de agora? Pobres doentes e pobres famílias que irão repetir o calvário de outros doentes e outras famílias para as quais o fascismo respondeu com a maior das indiferenças. Paulo Macedo estaria muito bem nesse tempo, porque consegue ser ainda mais indiferente, cínico e cruel.

Hoje, os fascistas estão mais encapotados, utilizam um linguajar modernaço, termos enganadores, falaciosos que depois a TV se encarrega de repetir para que as pessoas aceitem a inevitabilidade de tudo o que estes capatazes dos poderosos deste mundo põem em marcha, depois de umas aulas práticas nos Clubes Bilderberg’s ou nos hotéis de muitas estrelas onde os instalam para que percebam como a vida pode ser boa e luxuosa (recordo-me das palavras escritas por John Perkins no livro Confissões de Um Assassino Económico) se forem bem comportados para com o sistema iníquo de que se tornam escravos.

Mas não são só os doentes do foro psiquiátrico que estão a ficar sem urgências na Península durante a noite. Já assim estão os de oftalmologia e outras especialidades virão, e outros “programas” estarão na forja com as anti-medidas tomadas pela ARS (Administração Regional de Saúde) de Lisboa e Vale do Tejo a que pertence a Península de Setúbal, com o beneplácito do Ministro e do Governo e a complacência e cumplicidade de médicas/os que ocupam lugares na gestão /administração dos serviços de saúde.

Voltaremos rapidamente aos tempos em que as urgências estavam concentradas em Lisboa, no Hospital de S. José e Santa Maria o que, de resto, parece ser o fim último deste governo a quem foi “explicado” que as funções sociais do Estado são um dos inimigos a abater. Tudo privatizado para lucro dos detentores do capital.

Pode haver retrocessos, conquistas que se perdem, mas os trabalhadores já demonstraram ao longo dos séculos que têm, contêm em si, a força capaz de provocar mudanças, roturas que levem a sociedade a caminhos do progresso.

Como diz a canção: “ E se Abril ficar distante deste país, deste povo, a nossa força é bastante para fazer um Abril novo”.

A luta organizada é a nossa arma mais poderosa; foi ela que preparou o caminho para aquela manhã clara, nítida e libertadora. Outra faremos, até porque os mortos também vão ao nosso lado.

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Educação, Política

Perguntas

Manifestação de Professores.jpg.São 16 horas do dia 17 e…

Onde Está Nuno Crato?

Confesso que estou um tanto ou quanto admirada com o silêncio do responsável governamental pelo Ministério da Educação.

Será que se encontra em parte incerta?

Estará em férias?

Não tem coragem para se confrontar com o óbvio?

Os professores saíram à rua em 15 de Junho – foram milhares.

E quem vem dar a cara? Poiares Maduro! É certo que a Educação tem a ver com o Desenvolvimento Regional (e, sobretudo, Nacional), Mas não seria legitimo que eu esperasse ver o Sr. Professor Doutor Nuno Crato?

Não será legítimo eu esperar que o referido Professo Doutor já tivesse dito algumas palavras aos cidadãos deste País, face ao extraordinário comportamento da esmagadora maioria dos professores em defesa dos seus legítimos direitos?

Fora com ele e com todos os outros! Eleições antecipadas para que Passos Coelho perceba que não é ele que desiste: somos nós que o pomos na rua!

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