Política

A Vasco Gonçalves

Nesses dias era sílaba a sílaba que chegavas.

Quem conheça o sul e a sua transparência

também sabe que no verão pelas veredas

de cal a crispação da sombra caminha devagar.

De tanta palavra que disseste algumas

se perdiam, outras duram ainda, são lume

breve arado ceia de pobre roupa remendada.

Habitavas a terra, o comum da terra, e a paixão

era morada e instrumento de alegria.

Esse eras tu: inclinação da água. Na margem,

vento areias mastros lábios, tudo ardia.

Do grande poeta Eugénio de Andrade

in  O Comum da Terra

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Geral, Política, Setúbal

Azeitão

 

Placa da Junta do Movimento A Coração

A Junta da União de Freguesias de Azeitão, cujo executivo é liderado pelo Movimento Azeitão no Coração, colocou esta placa pensando que outros procederiam do mesmo modo como o fez o executivo da Junta do referido Movimento que, sem qualquer respeito pelo trabalho voluntário de outros, repintou os murais que se encontravam em vários locais das freguesias de Azeitão. Num deles, apenas passou cal ou tinta branca sem qualquer embelezamento digno de nota.

A questão do embelezamento vem a propósito daquela Junta ter usado o projecto Setúbal Mais Bonita como pretexto para desrespeitar o que lá estava pintado. Percebe-se a antipatia gerada pelas ideias expressas nos murais agora desaparecidos. Percebe-se também que não tenha apreciado os desenhos pintados que lá estavam, porque isto de gosto estético não surge do nada, mas tem contextos culturais, políticos e ideológicos claros.

Só é pena que ao agir de forma antidemocrática e anti-cidadã a Junta, liderada pelo Movimento Azeitão no Coração, tenha posto em causa um dos projectos mais conseguidos pela Câmara de Setúbal com as populações e outras instituições, não tendo sequer tornado Azeitão mais bonito (que tem tantos espaços feios a necessitar de requalificação).

Assim, se desvirtuam projectos de ânimo leve e sem respeito pelo anterior trabalho que lá estava, sendo este projecto, justificadamente, um dos orgulhos da Câmara de Setúbal e de todos aqueles nele têm participado desde há quatro anos, sem atropelos nem pôr em causa o direito de pessoas que voluntariamente quiseram expressar o seu sentir e pensar.

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História

Vasco Gonçalves, o Silenciado

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Agora que muita poeira assentou destas comemorações dos 40 anos do 25 de Abril vale a pena reflectir sobre o muito (ou pouco) que se recordou ou disse sobre o 25 de Abril. Longe de mim pôr em causa tudo o que foi feito por uns e por outros num esforço que se deverá louvar. Confesso que não ouvi nem vi tudo o que se fez sobre esse dia que está gravado no coração e no pensamento de milhões de portugueses, mas houve alguém que foi praticamente esquecido nesse turbilhão de reposições, de entrevistas e coisas que tais.

E, por isso, saio à liça em sua defesa: Vasco Gonçalves.

Ele está bem vivo em muitos e muitos portugueses que sabem o quanto foi valoroso esse militar de Abril, traído até mesmo por camaradas do MFA que não deixaram de usar métodos ínvios para o afastar do poder.

Certamente que todos aqueles que o recordam na sua forma simples de explicar o complicado e, sobretudo, na sua luta pela melhoria das condições de um grande maioria de um povo amordaçado, explorado e brutalizado por um regime que não poupou todos os que se ergueram firmes contra ele e abnegadamente lutaram e esclareceram, perdendo vidas por morte, desemprego, emigração, por afastamento daqueles que amavam e que sob torturas cruéis também morreram.

Vasco Gonçalves, o único 1º ministro a quem o povo trabalhador tratou simplesmente por Vasco, por companheiro Vasco, naqueles tempos em que sonhar o impossível era uma realidade a concretizar.

Quero aqui recordá-lo e prestar-lhe a minha singela homenagem ao homem simples, generoso, coerente e leal. Ao político, ao estadista, ao militar faço uma vénia de genuína admiração. Recordo aqueles momentos tormentosos provocados pela grande burguesia apeada do seu poder a resistir, a provocar dificuldades e a gerir a contra-revolução logo iniciada em 25 de Abril por um general de luneta que pouco tinha de revolucionário no sentido mais amplo do termo e, muito menos, no sentido mais estrito.

Vasco Gonçalves não foi esquecido e nunca o será, porque um dia o silêncio que o rodeia terminará e será sempre lembrada a sua contribuição para que o Povo Português tomasse nas suas mãos o seu destino e realizasse as conquistas revolucionárias que ficaram gravadas na Constituição de 1976, uma das constituições mais progressistas do mundo ocidental.

Foi caluniado, difamado, traído e um dos elementos do MFA quis mesmo prendê-lo de uma forma pouco leal sendo impedido de tal por Costa Gomes que respeitava Vasco Gonçalves e conhecia bem o homem que ele era.

Ler o livro resultante da entrevista feita por Manuela Cruzeiro –  Vasco Gonçalves – um general na Revolução ajuda-nos muito a compreender a tortuosidade daqueles tempos, os responsáveis pela contra-revolução, a falta de lisura, as contradições, a mesquinhez, as mentiras de tantos e tantos que anos volvidos continuam a tentar fazer crer que não tiveram responsabilidades na evolução da Revolução dos Cravos até ao que assistimos pelos dias de hoje.

Percebi melhor o que fica implícito na entrevista que Carlucci deu ao Expresso e que Demétrio Alves comentou aqui, na Praça do Bocage.

A Vasco Gonçalves, que concretizou lutas e reivindicações antigas dos trabalhadores, ficámos a dever-lhe a criação do salário mínimo e das condições que possibilitaram essas conquistas que foram o 13º e o 14º salários, isto é, os subsídios de férias e de Natal.

Sobre o pretenso caos económico no ano de 1975, porque é importante dar-se a conhecer o estado da economia portuguesa (bem mais saudável, afinal do que a doentia, leucémica economia a que nos levaram os governos PS e PSD com ou sem CDS com as sua políticas internas e de submissão aos interesses do capitalismo internacional, nomeadamente alemão, com a entrada na UE) cito partes do relatório da missão da OCDE a Portugal, em 15 de Dezembro de 1975:

« Parece ser opinião virtualmente unânime em Portugal que houve um catastrófico declínio na actividade económica no segundo semestre de 1974 e durante o ano de 1975…pode ser encarado como injustificado optimismo sustentar que, embora a situação seja muito fluída no principio de 1976, a economia portuguesa está surpreendentemente saudável…. Para um País que recentemente passou por reformas sociais, um mar de mudanças na sua posição no comércio externo e seis governos revolucionários nos últimos 19 meses, Portugal goza, inesperadamente, de boa saúde económica. Se o produto real caiu claramente em 1975, o declínio não foi precipitado.

A melhor estimativa é a de uma diminuição de três por cento no produto interno bruto(PIB).Em comparação com outros países da OCDE, a experiência portuguesa não parece ser muito pior do que a média. De facto, o desempenho da sua economia foi extremamente robusto quando as incertezas políticas de 1975 são levadas em conta. Em comparação, o declínio de PIB em 1975, nos Estados Unidos, foi de cerca de três por cento, na Alemanha Ocidental, próximo dos quatro por cento e na Itália quase quatro e meio por cento.»

E cito Vasco Gonçalves: «Aquilo que para os autores do relatório era surpreendente não o era para os responsáveis pela política económica dos governos provisórios. Foram precisamente as medidas de apoio às empresas para continuidade de produção e a garantia dos postos de trabalho, as mudanças estruturais, as nacionalizações da banca e dos seguros, dos sectores básicos da produção, das comunicações e transportes, a reforma agrária, a participação dos trabalhadores, as melhorias salariais que salvaram a nossa economia do colapso.

O parecer deste relatório foi confirmado por outra missão do MIT, que se deslocou a Portugal nos primeiros meses de 1976. O parecer mostra como eram falsas e tendenciosas as considerações sobre o estado da economia portuguesa feitas no Documento dos Nove

(citações a partir do livro Vasco Gonçalves- um General na Revolução, p.137)

 

A História far-se-á, porque com o tempo, os “pudores”, as cumplicidades, os mútuos favores trocados desaparecerão e surgirá límpida a verdade.

Ou como Saramago escreveu no livro Companheiro Vasco, p. 434:

«Esses dias que a História (a tal que para todos nós há-de olhar a frio) pesará numa balança, que gostaria de sonhar incorrupta. Se assim for, o seu outro nome será justiça, e esta será o sinal mais certo de que a escreverão filhos de trabalhadores e não os servos de pena e raspador que a burguesia usava pagar para justificar, desde a escola, o seu domínio

Além disso, o “Mundo pulará e avançará”.

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Política, saúde

O Frenesim dos Ataques ao SNS, Doentes e Profissionais

medicoO Governo PSD/CDS entrou num verdadeiro frenesim de ataques ao SNS, doentes e profissionais de saúde. Receosos do futuro e consequências prováveis, pretendem deixar legislação que agrave o estado a que este governo sem ética nem sensibilidade social levou o SNS satisfazendo os poderosos grupos económicos privados que têm arrecado lucros de milhões neste sector, mas, como é próprio do negócio privado, querem ainda mais e mais lucros tornando a doença uma mercadoria. Sim, a doença, pois não irá haver nem promoção nem prevenção da saúde e, muito menos, cuidados de reabilitação e integração socioprofissional.

Com receio do que pudesse acontecer se levasse à Assembleia da República a legislação gravosa que preparava, decidiu fugir a esse dever criando uma portaria – a nº 82/Abril de 2014, por ventura para comemorar o Dia Mundial da Saúde – que vai dar até final de 2015 a machadada fatal ao que ainda não destruíram no SNS, nomeadamente, nos cuidados hospitalares. Alterando, inventando uma classificação sui generis e mal fundamentada, classifica de novo os hospitais e de acordo com esta classificação retira-lhes muitas das especialidades que passam no fundamental para os grandes hospitais, no caso da nossa Península, para Lisboa. Um recuo em termos de organização e funcionamento de serviços de saúde que deixarão de ser de proximidade e acessíveis. A loa deste Governo sobre o Utente no Centro do Sistema está comprovada tal como foi denunciada na devida altura.

Mais uma vez, as verdadeiras intenções deste Governo surgem enroupadas de palavras tais como “são soluções que visam a racionalidade dos meios e dos serviços”, “a sua modernização”, “a sustentabilidade do SNS”, “ razões de proximidade” para acabarem com especialidades e serviços que são tão necessários e que estão equipados e com profissionais competentes, empenhados e, até mesmo, criativos. Os profissionais não foram mais uma vez ouvidos, considerando o Governo que são meras peças dos seus desígnios que só os cegos não percebem quais são.

O Hospital de Setúbal foi classificado no grupo I que é o menos diferenciado. A portaria estabelece as valências que poderá ter e de uma penada retira-lhe a especialidades de Obstetrícia, Urologia, Gastroenterologia, Oncologia Médica, Infecciologia, Nefrologia, Hematologia, Oftalmologia, Otorrinolaringologia, Cirurgia Plástica e Reconstrutiva, Pneumologia, Endocrinologia e de Imunoalergologia, entre as mais importantes. Continuar a ler

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Política, saúde

O SNS – Grande Conquista de Abril

De forma mais ou menos sub-reptícia e subtil vão destruindo o SNS: hoje um pequeno ataque, ali outro; desestruturando, desarticulando, desinvestindo, impedindo a contratação de técnicos e empurrando outros para a reforma/emigração, com contratos avulso de técnicos às empresas dos ”empreendedores”, acabando com urgências nocturnas e ao fins-de-semana de especialidades, concentrando estas em Lisboa, diminuindo o número de camas hospitalares, fechando serviços aqui e ali, criando dificuldades crescentes a técnicos, cada vez mais insatisfeitos e desmotivados, e aos utentes que vêem diminuir de forma drástica a acessibilidade aos cuidados de saúde.

Muitas da ditas reformas foram tomadas sem ter estudos sérios, rigorosos que demonstrassem a necessidade das mesmas. No fundo o que tem estado sempre por detrás, é a privatização, a mercantilização dos cuidados de saúde a favor dos grande grupos económicos os quais, a verdade seja dita, sem a ajuda do Estado, sem a mão benfazeja do Governo PDS/CDS nunca conseguiriam ter chegado onde estão, pois nem teriam engenho e arte para tal, vivendo do parasitismo estatal, gritando pelo estado mínimo para os que trabalham, tendo para eles o estado máximo através das parcerias público-privadas e de contratos que dão prejuízo ao Estado, recursos financeiros a serem canalizados de forma galopante dos bolsos dos contribuintes para os “pobres” bolsos deles sob a batuta esforçada do Governo PDS/CDS bem acompanhados pelo PS que agora apela falaciosamente à mudança.

Já várias vezes tinha alertado neste espaço para a possibilidade, para o perigo do CHS (Centro Hospitalar de Setúbal) ficar reduzido a uma mera Unidade Básica Hospitalar. Pois bem, o decreto agora publicado sobre as alterações da rede hospitalar vem colocar de forma cada vez mais real aquela possibilidade.

O Governo através do Ministério da Saúde vem dizer que não é para já, mentindo mais uma vez como sempre foi mentindo descaradamente ao povo.Porém, também bem ao jeito destes governantes sem vergonha, afirma que a hipótese não está afastada.

A concentração de especialidades no Hospital Garcia de Orta, medida que tem vindo a ser paulatinamente tomada, vai gerar desigualdades, aumentar as dificuldades de acesso, porque este Hospital há muito que está subdimensionado e incapaz de dar as respostas às necessidades da população. Além disso, sem transportes fáceis, sem recursos para recorrer a transportes privados, com o envelhecimento demográfico, com o empobrecimento crescente, podemos afirmar categoricamente que ao dificultar o acesso dos cidadãos aos cuidados hospitalares se está a configurar na prática uma negação do direito à saúde na nossa população.

O Hospital de Setúbal bem como o do Barreiro são imprescindíveis para garantir cuidados de saúde diferenciados onde, é claro, também tem lugar o Hospital Garcia da Orta. Não há qualquer justificação técnica ou económica para concentrar apenas num dos Hospitais as valências médicas diferenciadas desprezando, deitando para o lixo as capacidade já instaladas.

Para que o Cidadão esteja efectivamente no Centro do Sistema (como gosta de apregoar demagogicamente o Ministro da Saúde) exigem-se medidas assentes no desenvolvimento integrado e articulado dos serviços de saúde, visando uma diferenciação, o aumento de qualidade e a melhoria de acessibilidade.

A luta pelo Direito à Saúde é um imperativo de todos! A Saúde é um investimento e não uma despesa: investimento em bem-estar social (melhoria das condições de saúde, grau de satisfação das pessoas, inclusão social) económico (impacto no PIB , na produtividade, I&D) e mesmo cultural.

Nunca é demais afirmar que o SNS foi uma das maiores conquistas do 25 de Abril que nos ajudou a guindar ao estatuto de país desenvolvido no campo da saúde. Não se pode deixar que recuemos a 40 anos atrás.

VIVA O SNS!

VIVA O 25 DE ABRIL!

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Política

ADIVINHA

Qual é a diferença qual é ela entre o Kosovo e a Crimeia?

Desta vez mudou o lado dos interesses! Acertou!

Ouvi sempre ao longo dos anos que pela boca morre o peixe, mas neste caso creio que Obama ainda não morreu, mas saiu-se mal.

O Putin fala pouco, de facto!

E o fascismo está por lá à solta! Mais tarde, todos irão dizer que não repararam? Ou sabem bem demais o que fazem?

É verdade que a economia americana precisa de guerras como eu de pão para boca. Que aconteceria àquele enorme complexo industrial-militar se a política não fosse criando guerras? Bom, não é só aquele complexo que se aproveita das guerras. Primeiro destroem e depois fingem que constroem exigindo verbas astronómicas aos países que decidiram serem os alvos.

E tudo feito em nome da Democracia, da Liberdade e dos Direitos Humanos!

Mas os pobres nos EUA estão cada vez mais pobres e são cada vez mais numerosos.  Que importa isso?

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