Política

O ódio amplifica a ignorância

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A ignorância é sempre perigosa. Quando amplificada pelo ódio torna-se, além de ridícula, ofensiva para gerações de homens e mulheres que deram a vida para derrotar o nazismo e o fascismo. Foi o que fizeram na JSD, ao escolher a foto de Khaldei para ilustrar a sua página de Facebook como invocação do perigo comunista, como aqui relata o jornal “Público”. Só a serenidade que os tempos aconselham nos deverá impedir de classificar (ou agir por causa de) declarações como as que faz o deputado do CDS Michael Seufert, citado na notícia do “Público”.

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O Raio Verde

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Uma onda de emoção percorre o Portugal dos pequeninos! Este ano, Paulo Portas, mestre das falácias televisivas, não tem lugar nos debates entre os líderes dos partidos e coligações concorrentes às eleições. Vão ficar os portugueses privados de assistirem, em formato compacto, aos malabarismos e aos números de ilusionismo do Paulo Portas. Ao tom confessional com que anuncia milagres! Ao tom teatralmente convincente com que vende tudo, da lavoura a frigoríficos a esquimós, da segurança social a ferraris a sem-abrigo, de novas oportunidades de negócio a apartamentos na lua, de promessas de pleno emprego a curto prazo a ilhas submersas! Está Portugal em risco de não assistir àquele número sempre repetido de Paulo Portas pontuar cada frase com olhar esdrúxulo de estão a ver como sou mesmo, mesmo esperto. Nem às suas grotescas indignações!

O CDS está em polvorosa! O seu grande líder, o seu líder condenado à pequena imortalidade do Portugal nosso remorso, que se treinou desde a creche para ter papel de primeiro plano na política nacional, de ser uma estrela de primeira grandeza no mundo dos espectáculos La Feria da política, vai ficar na sombra daquele canastrão com voz de barítono hesitante e sangue de barata. O CDS está atacado de delirium tremens com a hipótese do seu querido líder ter um eclipse parcial durante o período eleitoral. Ficar limitado a calcorrear feiras, a concorrer com a ciganada, a escovar escamas de peixe dos casacos de fino recorte, a comer entremeadas e beber vinho carrascão, a usar megafones, a distribuir panfletos para desfazer maus-olhados socialistas e fazer amarrações democrata-cristãs. Será notícia, será sempre notícia, os media sempre adoraram os seus tiques, o perfume das públicas virtudes vícios privados vaporizado pelos seus maneirismos, os seus bonés. Para completar a fotografia fica a faltar a sua aparição nos debates, o número do homem de estado que ele ensaiou até quase cair para o lado. Nem seria necessário tanto esforço em que tem as suas qualidades histriónicas. Paulo Portas leva muito a sério o seu destino de comediante das artes políticas. Está inquieto com as traças que ameaçam esburacar a lã com que tecia os tapetes que o levariam ao topo. A sentar-se triunfante no galo de barcelos, cantando estridentemente para o galinheiro o apreciar.

E agora Paulo? Com medo de perder deputados CDS, entalou-se! Aquelas sondagens que o Marco António anunciou com aquela pronúncia grosseira de político camiliano, fizeram mossa nas hostes democrata-cristãs. Fingiram que não existiam, embora sentissem a mordidela. Não evitaram o ataque de brotoeja que fez o Jaguar ganhar pó na garagem em vez de bem luzidio transportar o pequeno líder em grande estilo para os estúdios televisivos.

O desalento, a raiva pelo erro de cálculo. Número dois de bico calado! Não pode ser! Não pode ser! Não pode ser! A solução apareceu de onde menos se poderia esperar. O Raio Verde!!! A grande solução, o grande salto em frente, pela mão de um leitor tardio de Júlio Verne que andava perdido nos corredores do Largo do Caldas! Uma revelação maior que a do arcanjo Gabriel à Virgem. A Heloísa Apolónia de “Os Verdes” coligada com o PCP na CDU, também deve ter voz. É uma injustiça nunca ter participado nos debates eleitorais! O desespero tem estes lances democráticos. Para acalmar a euforia aparece Corregedor da Fonseca e a Intervenção Democrática. Não tem grupo parlamentar mas faz parte da coligação CDU! Faltava esta para empalidecer o raio verde!

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Grécia, a morte anunciada

OXI

O que, de certo modo pelo andar dos acontecimentos, seria expectável aconteceu. O Syriza abandonou a sua fachada de esquerda que a conservadora e reaccionária Europa adjectiva de radical, para assumir a sua matriz social-democrata.

Depois de fazer um referendo em que os gregos disseram claramente NÃO, Tsipras e o Syriza, a maioria do Syriza, aceitaram tudo, quase integralmente tudo o que a troika exigia. Aumento do IVA, grandes cortes nas reformas, privatização dos transportes, dos portos e dos aeroportos, etc. Uma capitulação em toda a linha, submetendo-se a todas as medidas que dizia rejeitar, depois de ter sido eleito com um programa em que afirmava que nunca iria aceitar. No Parlamento grego faz um discurso vergonhoso, trocando os pés pelas mãos, numa releitura miserável do resultado do referendo. Votaram NÃO às propostas da troika, mas NÃO votaram a favor da saída do euro. Para não sairmos do euro, temos que aceitar as medidas contra as quais se votou no referendo. Para a miséria moral, a vigarice intelectual ser completa, faz uma pirueta e inventa uma nova treta “este acordo levará a um programa europeu. O FMI terá apenas papel de consultor técnico. A troika, como a conhecemos, chegou ao fim.”. Para o quadro das tretas, mentiras e mentirolas ficar completo orgulha-se de evitar o grexit e de se ir discutir pela primeira vez a sustentabilidade da dívida, quando todo o mundo sabe que a dívida grega é impagável

Com o que vai desabar novamente sobre a Grécia, sem que o problema estrutural da dívida seja resolvido, o país vai entrar nos cuidados paliativos, com a morte anunciada. Ficará para sempre a lição de dignidade do povo grego que, contra todas as miseráveis  e violentas chantagens, votou NÃO, uma lição de democracia, de luta contra os poderes dominantes! O povo não cedeu. Cedeu o governo e o partido em que o povo tinha confiado.

Para uma certa esquerda que embandeirou em arco com o Syriza, as esperanças que se iria mudar a face política da Europa esfumaram-se com o desabar do castelo de cartas do programa Syriza. Esperanças infundadas se tivessem olhado atentamente as práticas do governo de Tsipras que nada fez para adquirir força nas negociações, Se atentassem ao seu demissionismo que os fez não se dotar com as ferramentas mínimas que seriam uma base, mesmo frágil, para reverter a situação catastrófica em que a Grécia estava mergulhada. Ferramentas e meios que tinham quando assumiram o governo e que desprezaram por vício ideológico, como referimos aqui no blogue.

Para a direita e direitinhas, o grande gozo de terem quebrado o Syriza. Verem-no de braço dado com a direita e centro-direita grego, a Nova Democracia, o Pasok, o To Potami, além do Anel, com quem já estavam coligados. É a alegria do triunfo da Europa, afirmando-se como um espaço não democrático. Da exibição pública de uma Europa subordinada ao grande capital e aos seus interesses financeiros, especulativos.

O Syriza colocou a Grécia em estado de coma profundo, ligada à máquina. Um dia, não será muito longínquo, a máquina será desligada para mal do povo grego. Farfalharem esperanças numa nova política que nunca existiu por não terem dado um passo, um só passo firme nessa direcção. Uma política de muitas parras sem um bago de uva, para entretém das hostes de esquerda por esse mundo fora. Uma política que enganou sem absolvição o povo grego, comprometendo o seu futuro. A História não lhes perdoará a traição.

Para a esquerda no seu todo, da mais firme à mais vacilante, é uma derrota. Para uns, o Syriza anunciava uma grande vitória sobre a Europa de burocratas sem alma nem sentido político, guiados por falsos pragmatismos que os transformam em eunucos de guarda ao harém do grande capital. O que não aconteceu, nem aconteceria. Para outros o abrir de uma pequena brecha na cidadela política e ideológica da CEE, do BCE, do FMI, fazendo entrever uma vereda no beco sem saída em que está estacionado em estado agónico o mundo actual. O que poderia ter acontecido.

Estes seis meses de tropeções, ambiguidades, vacilações Syriza, as ilusões que borboletearam, demonstram a actualidade do Radicalismo Pequeno Burguês de Fachada Socialista, de Álvaro Cunhal. Impõem-se reler a sua Introdução de uma meridiana clareza na análise ideológica e política que faz da emergência desses grupos, nos seus aspectos positivos e negativos.

Para a esquerda, para as esquerdas, analisar, estudar e perceber as lições syrizas é trabalho urgente. A História também não lhes perdoará se não o fizerem.

PS. Por cá, os porcos refocilam no chiqueiro. Numa das linhas da frente um idiota contabilista que agora julga que o decorrer dos sucessos lhe dão razão. Publica um tweet de um amigo o aconselhava a mudar de opinião em relação à Grécia. O amigo é um tonto como ele. Ele não mudou, nunca mudaria, nem mudará. A noz de massa cinzenta que lhe ocupa o crânio não lhe dá hipótese. Para ele um tweet: Zé, li o teu tesxto a agradecer o pacote de austeridade ao Syriza. Continuas estúpido como sempre! Nem vale a pena recordar-te que a dívida grega é impagável A dívida grega como a portuguesa, são impagáveis! É a verdade, estúpido! Impagáveis e com as políticas do PSD/CDS/PS/SYRIZA/PASOK/NOVA DEMOCRACIA ou outros quejandos, a agravar a vida de portugueses e gregos! A economia nunca sairá da cepa torta! As tuas contas são uma merda! Tentas enganar o pagode! Nem para isso tens jeito! Se tivesses alguma vergonha e um minimo sentido de auto-crítica já tinhas deixado de debitar parvoidades! O Brassens é que te topa , a ti e aos teus parceiros de ginjeira! 

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O Carrossel da Politiquice

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Assim que se anunciou a possibilidade de Sampaio Nóvoa ser candidato ás próximas eleições presidenciais, soaram as campainhas de alarme. Do lado dos trauliteiros direitinhas, que tinham sido simpáticos para Henrique Neto, logo começaram nas redes sociais as piadolas de mau gosto, como é de bom tom para aqueles lados. Os mais civilizados, com destaque para os comentadores que fazem disso um modo de vida, franzem o sobrolho, iniciaram a busca de sinais mais avermelhados em Sampaio Nóvoa para os expor e assustar o bom povo português. Fariam isso com Sampaio da Nóvoa ou com qualquer outro que fosse candidato a candidato a Presidente da República, com perfil idêntico.

Mais preocupantes e reveladoras do clima daquelas bandas foram as reações de socialistas mais ou menos conhecidos da opinião pública. Saltaram a terreiro em vários estilos e tons. Vera Jardim olha com distanciamento para o cargo de Presidente da República, reclamando a falta de perfil, por o ex-reitor da UL se mostrar muito interventivo e um Presidente da República deve, na sua opinião, ser um “poder moderador”(::.)”árbitro supremo do sistema, da constituição e dos equilíbrios do sistema”

Podia ter dado como exemplos o pai de todos os socialistas, Mário Soares, sempre sentado em Belém, a mitigar pachorrentamente os conflitos institucionais que não foram poucos durante os seus mandatos. Ou o seu amigo e ex-colega de escritório, Jorge Sampaio, que tudo fez para que o governo de Santana Lopes cumprisse o mandato. A falta de memória dessa gente é notável. Cautelarmente, Vera Jardim, vai dizendo que se o seu partido apoiar Sampaio da Nóvoa, ele será naturalmente o seu candidato. Uma nota a registar, embora não seja de excluir que estivesse a fazer figas enquanto fazia tal proclamação.

Outros “notáveis” socialistas são mais assertivos. Francisco Assis, estilo sorna, estofo de político mediano, reclama um candidato “genuinamente de centro-esquerda”. Para um militante de um partido que enche a boca a afirmar-se de esquerda, para um homem que se diz de esquerda, que foi candidato a secretário-geral, não está nada mal. Não nomeia, mas percebe-se que o seu Dom Sebastião é o beato Guterres ou o direitinha Gama.

Sérgio Sousa Pinto foi mais, longe, se calhar com receio que um qualquer preclaro Lello se antecipasse. Desata a zurzir em Sampaio da Nóvoa, “Não lhe basta a sublime virgindade de, em 60 anos, nunca se ter metido com partidos” e como estávamos na época pascal acrescenta “também parece agradecer a Deus a graça de ser pobre” . Conclui com mais umas tantas javardices do mesmo jaez sobre as esquerdas latino-americanas e europeias, para rematar “esta não é a minha esquerda”. Não é a esquerda dele pela razão mais simples e óbvia: ele não é nem nunca será de esquerda, por mais que queira travestir a realidade.

Todo o texto é bem revelador dos sérgios sousas pintos que andam como piolhos pelas costuras da política. É atravessado pela raiva, contra quem sendo de esquerda e tendo um currículo intelectual e profissional considerável, por opção, não se filiou num partido. É a raiva roxa de quem em toda a sua vida, só soube e sabe lustrar os fundilhos pelas cadeiras de diversas assembleias, fazendo pela vidinha, com os olhos postos nos vitorinos e passos coelhos que, à pala da política, se tornaram em facilitadores de negócios. De quem cheira o perfume fétido dos corredores da política que também o pode, na graça de Deus, fazer ficar riquinho. Não está sozinho. Pelo contrário, está bem mal acompanhado por aquela maralha que se mete muito jovem na política por cálculo, a acotovelar-se para fazerem carreira nos partidos que lhes abrem as portas do chamado arco da governança.

Sérgio Sousa Pinto não aguenta. Solta o sócrates que tem dentro de si. Estoira com grande alarido rugidos de leão de aviário. Sabia, bem sabia, que iria ter os seus quinze minutos de glória socialite-politiqueira. Para ele é insuportável que um homem, Sampaio Nóvoa ou outro, com um percurso intelectual reconhecido, que sempre tenha tido uma intervenção cidadã de esquerda, que sempre tenha mostrado ter consciência social, se intrometa nas escolhas do aparelho partidário, daquele aparelho partidário  que concede aos sérgios deta terreola. uma teta em que mama desde que se conhece, com afinco, ainda que sem grande talento. Advinha-se que o seu candidato é António Vitorino, se concorreres e ganhares dás-me um lugarzito em Belém? Em segunda escolha, os que Assis leva em andor.

Essa gente, e outra que deve andar a arrastar os pés com ardor nas alcatifas do Largo do Rato rosnando em surdina, saltam a terreiro para demonstrar, como se isso fosse necessário, que renegam a esquerda até ao fim do mundo.

Há ainda quem acredite na possibilidade de um governo de esquerda com este Partido Socialista. Essa é outra questão, magna questão, em que se deve insistir, mesmo contra todas as evidências.

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Pastel de Nata a Cavalo

Pastel de nata

cavaloEm Portugal, as armas e os barões assinalados de uma maioria, um governo, um presidente, o alfa do pensamento politicamente esquálido de Sá Carneiro, deixam registos a assinalar nestes últimos anos.

Um Presidente especialista em raspadinhas premiadas do BPN. Um Primeiro-Ministro que, segundo o seu último empregador, era um entendido em gazuas ”que abria todas as portas” Um Vice-Primeiro Ministro perito em submarinos e feiras e aparecer dedo no ar por tudo e por nada. Uma Ministra das Finanças que hoje diz uma coisa e amanhã outra e é mestre em falhar todos os objectivos ,pelo que os seus melhores orçamentos são os rectificativos. Um moedeiro falso que corta a eito na investigação e vai para a Europa dizer o que nunca disse nem fez para garantir o tacho. Um Ministro da Educação que lança o caos no ensino básico e secundário , sorri satisfeito por lhe cortarem 700 milhões no orçamento do ensino superior e na ciência. Uma Ministra da Justiça que implementa o caos com a reforma judicial. Um Ministro do Ambiente que impõe uma taxa sobre os sacos de plástico e os sujeita ao IVA e inventa um imposto sobre o carbono que vai provocar um aumento generalizado sobre os bens essenciais. Um todo poderoso ex-ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, profissional em licenciaturas turbo. Um Governo finge não saber que a austeridade é o maior inimigo da natalidade e para a incentivar aumenta a discriminação social com um cociente de 0.3/filho no IRS, que beneficia tanto de um presidente de um conselho de administração que ganha 4,2 milhões de euros/ano, como a um casal com o ordenado mínimo, porque os filhos dos ricos não são iguais aos filhos dos pobres. Da chamada sociedade civil exemplos também abundam. Há um banqueiro que cinco dias antes de o seu banco declarar falência apresentou com pompa e circunstância o livro de sua autoria Testemunho de Um Banqueiro. A história de quem venceu nos mercados”. Um outro recebeu a distinção de doutor honoris causa para nos depois se descobrir o enorme buraco do seu banco que era, diziam, um dos pilares da economia e da finança nacional. Esses dois sucessos tiveram lugar no ISEG pela mão de João Duque que o dirigia e é membro destacado do think-tank nacional que continua a ser reverentemente escutado nos media..

Etc, etc, etc. A lista poderia continuar, ser quase interminável, se não tivesse acontecido nos últimos dias uma iluminação quase divina que nos deixa alumbrados.

O anterior Ministro da Economia tinha descoberto e empunhado a alavanca mestra para aumentar as exportações: o pastel de nata.. Anos passados a por canela nos pasteis de nata sem se verem resultados palpáveis eis que o Presidente da República se chega à frente, dá um valioso e definitivo contributo:“o hipismo é uma área chave para o desenvolvimento da economia nacional”É a grande revelação que banaliza mesmo as da Senhora de Fátima aos pastorinhos. O grande desígnio nacional está encontrado: O Pastel de Nata a Cavalo

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Setúbal

O CDS, o IMI e as Praias do Sado

Sem Título

Os ilustres deputados do CDS-PP eleitos por Setúbal, Nuno Magalhães e João Viegas, endereçaram ao não menos ilustre colega de partido e Ministro da Economia Pires de Lima, fazendo uso de uma prerrogativa parlamentar, uma pergunta sobre a suspensão da construção de um acesso alternativo a Praias do Sado e trataram de espalhar a notícia pelos jornais locais.

O acesso às Praias do Sado integrado na variante Casas Amarelas – Mitrena foi cortado há alguns anos quando a via foi finalmente concluída, após mais de uma década em que apenas ligou a Nacional 10 precisamente ao acesso que foi cortado. Depois disso, câmara municipal e junta de freguesia movimentaram-se – sem sucesso, diga-se – para que um acesso alternativo fosse criado.  A Junta de Freguesia do Sado, em particular, nunca abandonou a reivindicação e manteve pressão constante para o acesso fosse construído. Dos ilustres parlamentares do CDS-PP, pouco ou nada se ouviu, pelo que se saúda esta repentina atenção à questão, que pode até ser resultado de um despertar súbito de alguém que tenha querido ir às Praias do Sado e se tenha perdido nas novas ligações rodoviárias, mas pode também ser uma tentativa de, em ano eleitoral, fazer um brilharete com uma resposta que, provavelmente, já se conhece. Sabe-se lá se o Ministro terá já decidido avançar com a ligação e, com a resposta dada, os senhores deputados não irão para as Praias do Sado publicitar a excelência da governação portista-passista que, assim, finalmente resolve um problema com o qual os senhores deputados nunca se preocuparam?

Claro que estamos apenas perante especulações das mais puras e duras que pode haver, mas cá estaremos para ver o que acontece…

A pergunta sobre o acesso às Praias do Sado é, porém, apenas um pretexto para abordar uma outra questão que os mesmos ilustres deputados dirigiram, em dezembro do ano passado, ao Ministério das Finanças, pergunta que teve resposta em janeiro seguinte, mas que, até hoje, João Viegas e Nuno Magalhães não arranjaram tempo para dar a conhecer aos setubalenses e azeitonenses. Claro que, na altura, não divulgaram publicamente, como agora fizeram com a pergunta das Praias do Sado, o teor da sua curiosidade, provavelmente porque tiveram receio da resposta. A verdade é que, a julgar pela não divulgação da resposta do Ministério das Finanças, os receios confirmaram-se e confirmou-se também o velho aforismo popular, recheado de razão, que aconselha a ter cuidado com o que se pergunta…

Para se perceber o que está em causa é necessário recordar que o tema central das últimas eleições autárquicas setubalenses foi a taxa máxima de IMI praticada no concelho desde 2002, taxa que, apesar de se manter nos limites máximos desde então, teve os valores cobrados significativamente aumentados em 2013 para muitos proprietários na sequência da reavaliação dos imóveis que o governo PS decidiu e que o Governo PSD-CDS executou.

No centro do debate estava a interpretação jurídica que a autarquia sempre fez e que a obriga praticar as taxas máximas de IMI. Entende a CDU que tais valores decorrem da legislação que regulou e regula os contratos de reequilíbrio financeiro como o que a CMS celebrou em 2003 para impedir a falência da Câmara, contrato que, entre outras obrigações, obriga as autarquias que os assinam a praticar os valores máximos em todas as taxas cobradas.

Essa foi, e continua a ser, a razão legal invocada pela CDU para cobrar taxas máximas, razão que o CDS-PP, o PSD e o PS, os responsáveis pela reavaliação de imóveis que motivou brutais aumentos do imposto a pagar, contestam, defendendo que a autarquia deveria baixar o IMI, numa atitude que tem tudo de demagógico e desonesto, ou não fosse o CDS-PP, em particular, um dos partidos responsáveis pelo mais brutal aumento de impostos de que há memória em Portugal, entre outras malfeitorias que o Manuel Augusto Araújo aqui aborda com grande precisão e regularidade…

Este foi o pano de fundo em que os ilustres deputados dirigiram ao ministério das finanças, em 11 de dezembro de 2013, a seguinte pergunta: «Pode o Governo revelar qual a condicionalidade associada ao contrato de reequilíbrio financeiro assinado em 2003 pelo Município de Setúbal, em particular no que diz respeito à fixação da taxa de IMI?».

Ao contrário do que fizeram agora com o acesso às Praias do Sado, os ilustres deputados mantiveram-se, desta vez, «mudos e calados» à espera da reposta, que, aliás, foi célere e entrou na Assembleia da República em 29 de Janeiro de 2014, assinada pela inspetora de finanças diretora Ana Paula Barata Salgueiro, com a “concordância” do Secretário de Estado do Orçamento, Hélder Reis.

Não é necessário ser jurista para perceber que a resposta do Ministério das Finanças apoia o entendimento que a CDU sempre teve da questão e que, infelizmente, continua a motivar a cobrança de taxas máximas de IMI no concelho. Aparentemente, ao contestar este entendimento, que é também o do Governo, os representantes locais do PSD e do CDS apelam a que se cometam ilegalidades, o que é, no mínimo, estranho.

Respondeu então o Ministério da Finanças, com o aval do Secretário de Estado do Orçamento, que o contrato de reequilíbrio financeiro da Câmara Municipal de Setúbal «foi celebrado ao abrigo do artigo 260 da Lei das Finanças Locais então em vigor (Lei nº 42/98, de 6 de agosto) e do artigo 570, nº 8 do diploma de Execução do Orçamento do Estado para 2003 (DL nº 54/2003, de 28 de março)». A inspetora que assina a resposta refere que «importa, contudo, ter presente que, à data, os municípios autorizados a celebrar este tipo de contratos tinham obrigatoriamente que incluir um conjunto de cláusulas nos referidos contratos que correspondiam às exigências constantes do DL nº 322/85, de 6 de agosto (na altura, por referência ao DL nº 98/84, de 29 de março), em particular ao disposto no seu artigo 8° (quantificação de objetivos, prazos de recuperação da situação financeira, instrumentos adequados, designadamente os de caráter financeiro, compromissos que ambas as partes assumiam no sentido da realização dos objetivos programados e, naturalmente, as garantias do cumprimento das cláusulas contratuais)».

Da legislação enquadradora dos contratos de reequilíbrio financeiro resultava «com clareza», continua a resposta do Ministério das Finanças, «que os municípios se comprometiam a atualizar obrigatoriamente algumas receitas próprias e a incluir, anualmente, essas alterações nos correspondentes documentos previsionais. É neste contexto particularmente exigente que devem ser analisadas as restrições impostas à atualização das receitas próprias, designadamente, a definição das taxas máximas sobre os impostos municipais, em particular o IMI e o IMT (sublinhado meu). Aliás, esta obrigatoriedade está expressamente consagrada no artigo 11° do DL nº 38/2008, de 7 de março (aprovado na sequência da entrada em vigor de nova Lei das Finanças Locais, Lei nº 2/2007, de 7 de março), que sucedeu ao já referido DL nº 322/85, de 6 de agosto».

A resposta enviada aos dois deputados do CDS-PP acrescenta que, «com maior ou menor detalhe, há que ter presente que a lógica subjacente à restauração dos municípios em situação de desequilíbrio, como o caso em apreço, assenta, necessariamente, em dois pressupostos essenciais, a maximização das receitas e a contenção das despesas (sublinhado meu). É à luz deste enquadramento normativo que foi definida a taxa de IMI aplicável pelo Município de Setúbal, no quadro do contrato de reequilíbrio financeiro, então celebrado, sendo certo que o acompanhamento subsequente do mesmo coube sempre ao “membro do Governo responsável pela área das autarquias locais”, conforme resulta expressamente da conjugação do artigo 160 do DL nº 38/2008, de 7 de março, conjugado com o artigo 220 do mesmo diploma, norma transitória que previa que “O regime jurídico previsto no presente decreto-lei em matéria de acompanhamento aplica-se aos municípios cujos planos de reequilíbrio financeiro tenham sido aprovados nos termos do DL nº 322/85, de 6 de agosto”».

Os ilustres deputados podem sempre argumentar que estas respostas são públicas, e é verdade, pois estão disponíveis na Internet AQUI e AQUI, mas a verdade é que a pergunta sobre as Praias do Sado tem exatamente as mesmas caraterísticas, mas essa foi profusamente divulgada.

Interessante seria ouvir agora o que têm a dizer os senhores deputados sobre a resposta do ministério das finanças. Certamente nada. Não dá jeito…

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Moedeiros Falsos

moedeiros falsos

De um governo de moedeiros falsos já nada nos deve espantar. De facto já nada causa surpresa. Aldrabar, mentir, manipular, no vale tudo para fazer o trabalho sujo de destruir a economia do país a favor dos grandes grupos financeiros, é o dia a dia dessa gente desde o primeiro momento em que tomaram posse.

Já nada nos pode espantar mas continua a causar indignação.

O último número deste ignóbil circo foi protagonizado por Carlos Moedas, igual a si próprio, na audição do Parlamento Europeu para supostamente avaliar da sua competência como comissário para a da Investigação, Ciência e Inovação.

Competência não tem nenhuma, nem precisa de ter à semelhança de outros burocratas europeus. É uma área que lhe é completamente estranha. Dela só saberá o deve e o haver. Área em que ele, responsável máximo do governo PSD-CDS das relações com a Troika, fazia todos os trabalhos, mesmo os mais crapulosos, para ser reconhecido pelos manda-chuva do FMI, BCE, CEE.  Cortou a torto e a direito em todas as áreas, também, e muito, na ciência e investigação. Numa área em que Portugal devia investir prioritariamente para sustentar o crescimento, o que Moedas negociou com a Troika foi um desinvestimento brutal que além de destruir o que estava feito, destrói sem contemplações o futuro.

Os números não enganam. Há um corte de 40% no número de bolsas atribuídas pelo FCT. O corte em bolsas de doutoramento é superior a 50% e de pós-doutoramento de mais de 56%, comparado com o ano de 2011.

A opção pela redução do investimento em ciência, a níveis muito superiores aos da redução geral da despesa é uma opção ideológica. Parte da ideia de que o Estado não tem nenhum papel a desempenhar no desenvolvimento económico, assente numa visão de que o crescimento é apenas feito pelas empresas. O que é bem visível e transparente na sua fúria privatizadora. 

Não há ciência sem cientistas. No imediato e a médio prazo há um forte desinvestimento na ciência. A isto somam-se os cortes nos orçamentos das universidades também acima da média de redução da despesa corrente. A aposta não é na ciência, na investigação e na inovação é nos baixos salários e nos sectores tradicionais.

O governo não se pode esconder atrás da Troika. Os cortes na investigação são praticamente o dobro dos cortes na despesa corrente primária. É uma escolha política. A escolha de andar para trás na ciência e inovação, que o actual Governo fez, é clara. É o desperdício de um investimento anteriormente feito, uma perda de recursos valiosos, que vai limitar o crescimento económico futuro. Os maus resultados são imediatos mas serão ainda mais visíveis a médio prazo. Uma escolha política que devia envergonhar todo o governo, em particular Nuno Crato e Pires de Lima, com Moedas na linha da frente frente desses cortes, dessas opções..

Mas esse é o mesmo Moedas capaz de tudo para garantir o tacho. Agora, em Bruxelas, nega tudo, mesmo as próprias e evidências.

É preciso ter um infame descaramento para afirmar, sem uma ruga de vergonha, que discordou muitas vezes da política da Troika. Afirmar que a resposta política para o crescimento económico consiste no investimento na ciência e inovação. Ele que foi o responsável mais directo por todos os cortes feitos em Portugal nessas áreas.

Esses salafrários não conhecem as fronteiras da decência mais mitigada. Vivem numa tal orgia de mentiras que no dia em disserem uma verdade morrem fulminados pela má consciência de se terem traído.

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Geral

Vale tudo para fantasiar o crescimento económico

gráficos

Aparentemente hoje seria dia para escrever sobre aquela coisa, aquele simulacro de democracia que foram as primárias do PS.

Não! Que fique isso para a vozearia que vai inundar os meios de comunicação social na “grande bouffe” ilusionista que atinge cumes em momentos como este. Claro que interessa fazer o cotejo do acontecimento no mais vasto contexto da degradação da democracia, quando as cinzas pousarem.

O que assistiu é mais um momento do aviltamento e da alienação das sociedades actuais Um momento digno de uma das últimas notícias económico-financeiraas bem exemplificativas do estado a que se chegou, em que a moral e ética e quaisquer princípios são ferozmente guilhotinadas na praça pública.

O desespero é de tal ordem que tudo serve para, estatisticamente, aumentar o PIB.

Agora a CEE autoriza que, para o cálculo do PIB sejam incluídas as actividades económicas à margem do que é lícito. A prostituição e o tráfico de droga passam a poder ser englobados no PIB, mesmo na base de valores estimados, nos países onde essas actividades são proibidas.

Em Inglaterra são mais dez mil milhões de libras. Em Espanha o PIB aumenta =,85%. Em Portugal pode a ir até mais 2%. Uma orgia que vai contribuir para o crescimento estatístico da economia.

Sugere-se que o governo PSD-CDS, que se diz tão empenhado no crescimento económico com os resultados desastrosos conhecidos, que é tão dado ao marketing, lance vigorosas campanhas para que, finalmente, haja o crescimento económico.

Que iniciem imediatamente campanhas publicitárias com esse objectivo.

P

Já foi às Putas hoje?

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CDS, Geral, Passos Coelho, paulo Portas, PSD

A Porta de Duchamp e Passos Coelho

Porta de Duchamp
Quando vivia em Paris, no pequeno apartamento da rua Larrey, Duchamp fez instalar dentro de casa uma porta que não podia estar aberta nem fechada porque estava sempre aberta e fechada ao mesmo tempo.

A resposta que Passos Coelho deu ontem na Assembleia da República, após recuperar a memória compulsando documentos, abre a porta de Duchamp.

Diz ter recebido pagamentos de despesas de representação que fez a trabalhar para a Tecnoforma ou para a ONG que essa empresa inventou e usava para captar a dois bolsos dinheiros da CEE, com formações sem utilidade visível a não ser sacar dinheiros comunitários como muito boa gente, com o mesmo ou equivalentes expedientes, o fez. Lembremos que, paralelamente, a Bolsa de Lisboa viveu, não por acaso, um dos seus períodos mais eufóricos.

Se Passos Coelho não recebeu honorários mas despesas de representação, que a lei não obriga, não obrigava, a declarar se forem consideradas no exercício de actividade profissional, o primeiro-ministro está a fechar a porta de Duchamp que inevitavelmente abre para a aldrabice que fez quando, ao deixar de ser deputado, pediu subsídio de reintegração por ter exercido o cargo em regime de exclusividade. Sublinhe-se que nunca pediu a exclusividade por uma xico espertice rasteira, para receber o suplemento que lhe era atribuído por ser vice-presidente da bancada do PSD.

Numa entrevista o presidente da Tecnoforma, foi muito claro. Passos Coelho era um facilitador. Calcula-se de que facilitação se tratava. Andar pelos corredores do governo a bater às portas. Principalmente à porta do seu amigo, então Secretário de Estado, Miguel Relvas. Passos Coelho era uma gazua das portas dos gabinetes do governo. O que nada abona ao seu currículo.

Claro que é relevante saber se almoçou por 100 euros ou por cinco mil euros. Se de facto, ao longo de três anos, recebeu 150 mil euros, qualquer coisa como um ordenado mínimo actualizado a cada três dias, de despesas com almoços e viagens o que não são gastos de uma pessoa remediada,

As reacções das bancadas que apoiam o governo ao strip-tease incompleto e mal executado por Passos Coelho na AR foram lindas de se ver. Com a lágrima ao canto do olho a aplaudir o quase mendicante primeiro ministro, querido líder que andou uma semana a correr e a uivar atrás do rabo, em grande sofrimento até conseguir reavivar a sua selectiva memória que continua a não se lembrar de quanto embolsou em viagens e comezainas.

Também foi comovente ouvir Paulo Portas a reiterar a confiança na palavra de Passos Coelho. Um Paulo Portas convertido irrevogavelmente à sobrevivência, abjurando a pés juntos o P. Portas do Independente, aos saltos sobre o seu túmulo, renegando-o três vezes por trinta dinheiros.

Tanguismos e trafulhices à portuguesa, que condenam sisificamente Passos Coelho a ficar encerrado numa sala equipada com a Porta de Duchamp. Nunca sairá de lá.

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Geral

O Triunfo dos Porcos

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A vigarice intelectual continua a provocar-me uma indignação quase adolescente,  quando a intransigência era maior.
Apesar de já prever e conhecer a reacção,  por vezes não  resisto a ir ver programas de televisão que, certamente, me irão indignar. Um deles é  o Frente a Frente da SIC Noticias,  agora muitíssimo melhor moderada,  pelos personagens que por lá desfilam. Um dos seus figuras paradigmáticos é Matos Correia.  O ar porcino acentua a prosápia com que debita mentirolas,  mistifica a realidade,  faz passar gato por lebre,  vende vigésimos premiados. É um dos muitos outros que proliferam e são a maioria dos opinantes na comunicação social. Todos  das mesmas famílias políticas de direita,  alguns mascarados de independentes e/ou tecnocratas. Nessa gente as excepções são raríssimas,  emergindo por razões muitas  vezes conjunturais. A dominante são os matos correias,  os nunos melos.
Nos últimos dias tem sido um carrocel de rasteirices argumentativas para passar a ideia falsa como Judas, de que os contribuintes estão a salvo de serem chamados, mais uma vez, para pagar os desmandos do BES. A farândola agita a excelsa panaceia encontrada com o resgate dos dinheiros públicos aplicados para salvar o BES da falência,  um objectivo correcto, com o recurso ao Fundo de Resolução. Não dizem é que esse Fundo é gerido pelo Banco de Portugal e pelo Ministério das Finanças e que é constituído por uma contribuição extraordinária do sistema bancário, mais ou menos 40 milhões por ano, mais parte dos impostos do mesmo sistema bancário que são assim subtraídos ao dinheiro público,  portanto dinheiro que é de todos nós contribuintes,  que é retirado do Orçamento do Estado. Não  falam da imensa batota que é afirmar que o FR será obrigado a pagar o que não se conseguir pagar com a venda a retalho do BancoBom.  Mesmo que fosse só um terço do que foi emprestado pelo que estava em caixa do dinheiro da troika, mais os 3,5 mil milhões que o BCE emprestou ao BancoBom para devolver o que o Banco de Portugal tinha lá metido a mais,  o FR com os seus próprios meios levaria uns quinze para pagar o que eles dizem irá ser pago, no máximo, em dois anos. De certeza que os bancos não estão pelos ajustes de pagar uma conta de que o actual responsável ė o Estado. A vigarice intelectual é um cavalo à solta sem freio.
O que é inquietante,  o caso BES é um pequeno exemplo, é que isto é  expressão da clarividência do ódio imbecil,  a demonstração da estúpida tenacidade das opiniões falsas,  apócrifas  que,  por vezes,  acabam por fazer vencimento de forma espantosa. Aqui e  no mundo é o triunfo dos porcos para que contribui activamente esse baixo clero contemporâneo que chafurda na pocilga de um pensamento dominante débil,   poderosamente sustentado por uma comunicação social estipendiada e domesticada.
As armas são incomparavelmente desiguais mas não podemos desistir com a consistência da água mole.

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autarquias, Cultura, Fascismo, Política, Revolução

Quando ouvem falar em cultura, continuam a puxar logo da pistola

Sem título

Aqui, pelas margens do rio Sado, o CDS e os seus dirigentes continuam iguais a si próprios, fieis à herança e às melhores tradições trauliteiras da direita portuguesa.

João Viegas, dirigente do CDS e Deputado à Assembleia da República, à semelhança do Governo que apoia e para o qual a cultura pode muito bem encaixar-se numa qualquer Secretaria de Estado, não tem qualquer pudor em aprovar sucessivos cortes ao financiamento das autarquias locais, em apoiar o Governo que fecha a torneira para toda e qualquer expressão artística e cultural que não seja oca e de elogio ao regime, em aprovar políticas recessivas que conduzem as economias locais à ruína, em defender um Governo que não cumpre a lei das Finanças Locais e, ainda, apontar o dedo às autarquias que vão promovendo algumas iniciativas e investindo em infra-estruturas e na produção e fruição cultural.

Claro está que, no caso em concreto, ficamos sem saber se o problema está no preço pago pelos espectáculos ou nas comemorações do 25 de Abril, estou certo que se fossem concertos mais perto de um 25 de Novembro ou até de um 28 de Maio a indignação não seria tanta.

Repare-se na subtileza e fino humor do ilustre Deputado ao referir-se a um dos maiores e mais conceituados autores/cantores da língua portuguesa como o «camarada Sérgio Godinho», revelando o facciosismo que lhe tolda o pensamento e a demonstrar que é o preconceito político e ideológico que determina a sua intervenção e não qualquer preocupação com os dinheiros do Município.

Compreendo que quem sistematicamente se comporta desta forma perante as mais diferentes realizações artísticas e culturais tenha dificuldades em compreender a obra do Sérgio Godinho ou dos Naifa, mas já é mais estranho não ouvir nem uma palavra sobre os milhares de Setubalenses que na Praça do Bocage ou no Fórum Luísa Todi festejaram Abril e as suas conquistas, nem uma palavra sobre o papel das autarquias, neste caso do Município de Setúbal, na concretização da obrigação constitucional de garantir o acesso à cultura, promovendo a sua democratização, substituindo muitas vezes à Administração Central (apenas mais um comando constitucional com que este Governo tem dificuldade de conviver), nem uma palavra sobre o extenso programa de comemorações da Revolução em Setúbal.

Enfim, nem uma palavra, porque quando ouvem falar de cultura…

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Política

Ser contra e a favor

Sobre o Orçamento de Estado está tudo dito. Ou quase., embora ainda não esteja tudo feito. Falta saber — ainda que nem valha a pena alimentar quaisquer expetativas — o que dirá o Presidente da República sobre o maior disparate orçamental de que há memória em Portugal, o maior confisco fiscal de sempre aos cidadãos, praticado por um Governo a que já falta legitimidade política para pôr em prática um esbulho com o qual ninguém concorda.

Falta também saber qual vai ser a capacidade dos portugueses de contestarem este orçamento com os meios legais que têm à mão e se seremos capazes de impedir este roubo.

Por todo o lado, de todos os quadrantes políticos, ideológicos e sociais chega a contestação às medidas do orçamento e, curiosamente, quase todas as razões invocadas por quem o contesta coincidem.

Há porém, uma posição nova, ou melhor, uma nova forma de fazer política na qual o CDS se está a especializar. A de estar contra, mas votar a favor, que o mesmo é dizer, estar dentro e fora, ser e não ser.

O expoente máximo dessa nova forma de fazer política, ou melhor, dessa velha forma de enganar os incautos, aconteceu no debate do Orçamento de Estado de 2013, com o vice-presidente da bancada do CDS-PP João Almeida a afirmar, de acordo com a agência Lusa, que o documento apresenta “riscos muito significativos”, ao não justificar claramente o ajustamento nem o cenário macroeconómico e apresentando um esforço desproporcionalmente superior às famílias que ao Estado. Almeida, que não deve ser ingénuo, certamente não esperará que os portugueses acreditem nele, em particular porque ele se senta à mesma mesa com os ministros do CDS no Governo com quem discute as estratégias governativas.

O Orçamento, garante o deputado do CDS, tem, entre outros, cinco riscos muito significativos: a carência de justificação clara para a dimensão do ajustamento necessário, a difícil sustentação do cenário macroeconómico, a desproporção entre o esforço do Estado e o esforço solicitado às famílias, a insuficiência das alterações introduzidas, em sede de especialidade e a introdução de medidas que comprometem reformas futuras”. E acrescentou que, o “facto de se ter optado por um esforço quase total do lado das famílias e das empresas, e quase residual do lado do Estado, constitui uma opção errada e um problema acrescido”, porque “será muito mais difícil controlar uma execução orçamental cujo sucesso não depende da eficiência do Estado, mas da capacidade da economia gerar receitas”. Neste ponto entende-se que o CDS defende que se deveria ter ido mais longe no corte de funções essenciais do Estado, escudando-se na defesa das mesmas famílias que acabariam por ser penalizadas por estes cortes em prestações sociais do Estado ou na prestação de cuidados de saúde e na educação. Se já não bastasse o absurdo desta posição do CDS, teríamos esta contradição de termos a demonstrar a falta de seriedade, melhor, de honestidade deste partido que apenas se orienta pela vontade, como dizem noutras paragens da net, de ir ao pote.

João Almeida defendeu ainda que a redução do número de escalões deveria ser parte de uma “reforma profunda do regime do IRS, a fazer num momento de recuperação económica”, enquanto “feita neste momento, e desta forma, a redução é uma forma perversa de aumentar a receita e penalizar as famílias”.

Dito isto, e tudo o resto, o ilustre deputado votou a favor do Orçamento…

Parecendo difícil, não é nada fácil.

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Política

Agarrem-me que eu vou-me a eles!

O CDS de Paulo Portas faz lembrar o valentão da taberna que se arma sempre ao pingarelho, mas é só língua.

Ameaça, mas não bate. Insinua, mas não prova. Diz que faz, mas não faz. 

Afinal, tudo o que conta para Portas, como sempre, não são os reformados e os feirantes, os contribuintes de que diz ser o líder, nem sequer os pobrezinhos ou a classe média de que se arroga ser defensor. Nem sequer são os “supremos interesses” do país que interessam ao grande líder.

Tudo se resume a meros cálculos  eleitorais de sobrevivência partidária para que, nas próximas eleições, mais tarde ou mais cedo, possa continuar a enganar os incautos. Mesmo depois de ter sido ativo, e não passivo, organizador do saque feito aos portugueses pelo governo de que é ministro.

Portas, além do valentão de taberna que se segura no vizinho do lado e grita a plenos pulmões “agarrem-me que eu vou-me a eles”, faz também lembrar uma história de caserna sobre o papel daqueles que participam, mas não entram. Só que o CDS participou e entrou fundo neste último ano e meio de  saque fiscal e salarial aos trabalhadores portugueses, permitiu e incentivou o roubo de que os funcionários públicos estão a ser alvo, mas quer agora sair, impoluto, da mais valente vigarice em que os portugueses foram apanhados nas últimas décadas.

Ler as notícias sobre o que o CDS pensa do orçamento de estado para 2013 já nem sequer é motivo de espanto, apenas motivo de nojo, de asco profundo que cresce de dia para dia.

No fundo, o CDS está cada vez mais parecido consigo mesmo: nunca mais se assume, e quer continuar a enganar tudo e todos.

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Costumes, Geral

Entre a Justiça e a Verdade não metas Colher

   O chamado caso Portucale chegou ao seu termo. Todos os arguidos foram absolvidos. Aliás só por estupidez justiceira o caso chegou aos tribunais, já que o fim foi o que era previsto. A legalidade de todo o processo era evidente. Abater sobreiros numa área protegida desde que sancionada pelos ministros, mesmo demitidos, é legal. O caso relacionava-se com um empreendimento turístico da empresa Portucale, do grupo BES, localizado na Herdade da Vargem Fresca, aprovado mediante um despacho assinado por Luís Nobre Guedes (ex-ministro do Ambiente), Carlos Costa Neves (ex-ministro da Agricultura) e Telmo Correia (ex-ministro do Turismo), poucos dias antes das eleições legislativas de 2005. Para o arranque desse empreendimento turístico, foram abatidos vários milhares de sobreiros na véspera da tomada de posse do novo governo.

Aleivosamente foram levantadas dúvidas sobre a legalidade de todo o processo e a altura, governo demitido e em funções de gestão, em que subitamente os ministros foram atacados por um delirium tremens que provocou um frenesim de assinaturas. Um deles assinou, numa noite, duzentos despachos! Nada como cumprir a lei coisa em que todos eles são peritos. Por uma maldita coincidência, nessa mesma altura, entraram nos cofres do CDS um milhão de euros provenientes de 105 militantes tomados por uma violenta febre de fervor centro-democrático.

Toda a gente foi agora absolvida! O CDS congratulou-se com o fim do processo e pela absolvição de todos, repita-se de todos, os arguidos no processo.

Há, no entanto, que fazer um sério aviso ao seu apoiante Fernão Capelo Gaivota que, por fúria militante CDS em geral e, em particular, por grande amor e devoção ao seu querido lider Paulo Portas,  foi  um dos cento e cinco beneméritos que entregaram milhares de euros ao partido, perfazendo um total de um  milhão de euros, assinando recibo para que nehuma mancha de dúvida pairasse sobre a origem de tão generosa dádiva. Depois de sete anos de humilhação por tão miserável acusação, há que avisá-lo que isto de doar uns euros, mesmo que sejam milhares, ao CDS,  acaba sempre bem mas se for apanhado a roubar uma lata de salsichas e um sabonete vai parar com os costados na choldra, sobretudo se não tem cartão de cidadão, bilhete de identidade ou NIF.

O Fernão Capelo Gaivota que esportulou uns milhares de euros para o CDS, batendo à porta do Largo do Caldas, integrado num rebanho de cento e cinco  militantes, ao que parece pastoreados por Abel Pinheiro, outro a quem se fez justiça, aprendeu uma lição fundamental: entre o direito e a justiça a relação e muito vaga e intermitente; o direito é sempre o direito do mais forte à liberdade que acaba por  fazer o que quer protegido pela lei; no meio disto tudo a verdade é um valor relativo e irrelevante.

Fernão Capelo Gaivota (qual será o seu NIF, BI, CC ? será mesmo filho de Richard Bach e mãe incognita? um feito do arco da velha só possível um militante do CDS!)  pode continuar a doar milhares de euros ao CDS, venha lá donde vier o dinheiro, não poderá é roubar um chouriço.

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Política, Trabalho

Motivos “entendíveis”…

O CDS, desde sempre incomodado com tudo o que sejam direitos dos trabalhadores, ainda que, em tempo de caça ao voto surja sempre como grande defensor dos pobres e dos reformados e paladino dos interesses de quem trabalha, decidiu, pela voz do deputado Hélder Amaral, perguntar ao Governo quanto custam as greves nos transportes públicos. Até aqui, nada de novo. Nem sequer há nada de mal nas perguntas.

O deputado quer saber quantas greves existiram no sector dos transportes nos últimos dez anos, quantos dias demoraram, qual o impacto desse número de greves na economia portuguesa e quais os custos diretos para as empresas públicas de transportes. Quer ainda saber se, decorrente dessas greves, foram contratados serviços externos, por forma a assegurar serviços mínimos nas empresas públicas de transportes e, em caso afirmativo, quanto custaram no total.

É um direito que lhe assiste, ainda que noutras situações, como foi o caso da recente proposta de criação de uma comissão parlamentar de inquérito à privatização do BPN apresentada pelo BE, os deputados do CDS se tenham mostrado mais renitentes em saber as respostas que todos temos também o direito de saber com a abstenção do respectivo grupo parlamentar na votação da proposta. Seria, também, muito importante saber qual o impacto deste processo na economia portuguesa e quais os serviços externos contratados para assegurar as sempre tão necessárias assessorias nestas matérias. Mas nisso, o CDS não está interessado.

Estamos perante mais um caso de dupla personalidade que tanto afecta o CDS, consoante está dentro ou fora do Governo, patologia que, de resto, é uma velha maleita dos centristas.

As perguntas, insisto, nada têm de mal. Porém, o caso muda de figura quando Hélder Amaral entra em terrenos que quer conquistar e que são, por definição, inacessíveis. Continuar a ler

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Costumes, Política

Coisa mais Feya

O deputado do CDS Diogo Feyo disse ao jornal “Público”, no dia 27 de Fevereiro, que “cada greve feita acaba por ser uma mancha na imagem do país”. A opinião, em si, vinda de quem vem, nada tem de novo. A novidade está na forma como é assumida publicamente, 38 anos depois, apenas 38 anos depois, de os portugueses terem conquistado, de forma inequívoca e pacífica, um direito que funda e caracteriza as sociedades democráticas, os estados de direito.

A sanha neoliberal que faz parte do código genético da direita portuguesa, mas não certamente apenas desta direita, associada ao ambiente de crise que vivemos (provocado pelas mesmas políticas que agora prometem resolver os problemas) permite todo o tipo de atrocidades, como temos visto. Mas, a bem de alguma ainda restante paz social, tão característica dos comportamentos portugueses, seria aconselhável, já não diria uma mudança de opinião, mas uma moderação pública de argumentos que apenas provocam mais e mais indignação, somada a toda a que já nos motivaram.

A greve, além de direito democrático, é direito constitucional ancorado na liberdade e na imperiosa necessidade de defender os interesses dos que têm menos poder nas relações laborais, ou seja, os trabalhadores. Negar este direito, com argumentos fascistas do tipo daqueles que Diogo Feyo utiliza, só pode ser entendido como uma provocação de mau gosto vinda de quem nunca deverá ter sofrido na pele a injustiça, a pobreza e a desigualdade.

Diogo Feyo e os seus pares do CDS, como aquele jovem deputado que sugeriu aos funcionários públicos a rescisão do contrato caso não quisessem aceitar a mobilidade territorial que este Governo de irresponsáveis quer impor à função pública, falam de barriga cheia para recuperar um país que já não existe, que começou a desaparecer em Abril de 1974. Por muito que isto pareça uma frase feita, um chavão de esquerda que, cada vez mais, provoca esgares irónicos nos mais retrógrados elementos da nossa direita, não deixa de ser um facto comprovado. Continuar a ler

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economia, Política

Jornal do Incrível

«João Almeida, vice-presidente da bancada do CDS e porta-voz do partido, sugeriu esta tarde no Parlamento que os consumidores podem tirar consequências da deslocalização do principal accionista da Jerónimo Martins para a Holanda, grupo detentor dos supermercados Pingo Doce, adaptando “o seu comportamento”». Público on line, 04 de Janeiro

O CDS sempre foi especialista nas mais incríveis jogadas. Esta é apenas mais uma do partido daquele distintíssimo homem de estado que responde pelo nome de Portas.

A falta de vergonha de um partido que está no Governo e que tem, e teve, a possibilidade de legislar, de fazer alguma coisa para impedir estas ofensas aos portugueses e à sua inteligência e vem, agora, inocentemente, sugerir que deixemos de comprar no Pingo Doce, numa espécie de reprimenda ao mal comportado patrão da Jerónimo Martins é verdadeiramente assombrosa.

Acreditará João Almeida no que diz ou di-lo apenas para ficar bem no retrato já estragado em que ele também transformou o nosso país?

Quando a PT e a EDP antecipam pagamento de dividendos para fugirem às novas regras do fisco, João Almeida também sugere que deixemos de ligar a máquina de lavar ou de telefonar?

Será que a rapaziada do CDS vai toda começar a ir à mercearia lá do bairro?

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