Geral

Tempo de Antena Cultural

Homúnculo
Homunculo de Natália Correia, pelo Teatro Estúdio Fontenova no XIX Festival de Teatro de Setúbal

Nos últimos tempos, os sinais são bem mais antigos, declarações de responsáveis por áreas culturais acentuam a tendência para orientar a cultura para um horizonte publicitário. O que anteriormente tinha um forte vínculo com o saber, a transmissão do saber e do saber fazer na cultura e na ciência, hoje são achas na fogueira da promoção. O fundamental, o que interessa é vender, vender a qualquer preço. Para quem detém poder na área da cultura, as manifestações culturais são instrumentos de promoção publicitária dos bens culturais. Uma visão que não se distingue da dos departamentos comerciais, do marketing de qualquer empresa, actue ou não actue no campo da produção de bens culturais. Bienais de artes, festivais literários, colóquios, exposições, lançamento de livros e discos, e o que a imaginação do mercado endrominar, que se multipliquem não com qualquer objectivo cultural mas a bem da promoção publicitária, da venda do “produto” independentemente do valor efectivo. A cultura é vista como um enorme circo iluminado por um sol enganador em que a omnipresente linguagem dos mercados esvazia de significado da cultura, do que é cultural na diversidade da transmissão e aquisição de saberes. O direito à cultura reduz-se ao direito dos consumidores de escolher um livro, um filme, ir a concerto de visitar museus ou exposições que perdeu o norte nos catálogos de farta oferta em que deliberadamente se confunde o que é entretenimento, padronizado por indústrias que exploram um gosto médio sem espessura, que não obrigam nem incentivam qualquer reflexão, com as da criação artística e cultural que promovem e incentivam a transmissão e a produção de conhecimento.

No mesmo plano colocam-se actividades que tem por objectivo primeiro o gerar lucro financeiro com as que podem obter lucros financeiros mas que não são realizadas tendo nesse objectivo o seu motor principal. Não se pode exigir que o Filme do Desassossego tenha o mesmo êxito de bilheteira de um Pátio das Cantigas revisitado. Ou que uma ópera de Francisco António de Almeida arraste as multidões do Festival do Sudoeste. Ou que a reedição de O Delfim de Cardoso Pires tenha o êxito editorial de O Amor é outra Coisa da Rebelo Pinto. A primeira das muitas causas de não poder haver qualquer expectativa desse género é a demissão do Estado em promover a cultura, nomeadamente através do serviço público de rádio e televisão, meios que tinha a obrigação de utilizar. Em linha com essa demissão, estão os critérios de atribuição de subsídios à criação artística e cultural que deveriam privilegiar a descentralização cultural e não os de uma suposta valorização da produção artística nacional nos mercados internacionais com critérios mais que duvidosos. Veja-se o apoio concedido à dupla João Louro/Maria do Corral, que se inscrevem na grande farsa que é a arte contemporânea, que tanto deslumbram Barreto Xavier e no apoio recusado XVII Festa do Teatro/Festival Internacional de Teatro de Setúbal, com significativas diferenças de custos em euros, a bitola da Secretaria de Estado da Cultura, para se perceber os não desígnios culturais da governação.

As palavras-chave dessas políticas ditas culturais são mercado e promoção. Atravessam todos os discursos da máquina cultural montada por este governo, não se deve esquecer que o responsável máximo pela Cultura é o primeiro ministro. O que exigem dos escritores, cineastas, encenadores, artistas visuais ou de teatro, músicos, de todo o universo de criação artística e cultural é que não limitem a sua acção à produção artística e cultural mas que a prolonguem no trabalho de promoção das suas obras. Insinuem despudoradamente que essa é mesmo um campo de trabalho que devem privilegiar. Na prática as políticas culturais do governo são políticas publicitárias em que a avaliação do trabalho artístico e cultural é subsidiária dos resultados económicos que obtenham. Que esse deve ser o trabalho fundamental dos artistas e das acções culturais é o que está subjacente nos discursos e entrevistas dos agentes governamentais da cultura.

Há uma fé ilimitada que todas as acções de promoção, desde que esse seja o objectivo primordial, são boas, não interessando se são excelentes ou medíocres. Todos sabem, menos os governantes e seus agentes, que promover a mediocridade cultural tem o efeito de amplificar a mediocridade. Legitimar a mediocridade até se atingir o ponto de não retorno da ausência, do vazio cultural, no aniquilamento da qualidade, empurrando os cidadãos para a iliteracia cultural, o que os amputa da capacidade dade do exercício da cidadania.

A afirmação e a convicção de que “a cultura” gera lucro, o ex-libris da Economia da Cultura e dos enormes equívocos das indústrias culturais e criativas, onde se confundem, sem inocência, actividades industrializadas de entretenimento com actividades sem lucro financeiro. Legitima os critérios da economia do dinheiro, os interesses dos patrocinadores a contabilidade dos públicos. É chocante ver os tempos de antena concedidos pelos canais ditos de serviço público aos festivais estivais de músicas pronta a ouvir e deitar fora e por tabela a publicidade gratuita obtida pelos promotores e patrocinadores e o ruidoso silêncio em relação a iniciativas culturais relevantes que decorrem paralelamente.

A pegada cultural deste governo é a exaltação do mercado financeiro que deixa marcas, o que não desresponsabiliza os artistas, os produtores culturais que concorrem para esse estado de coisas actual. Degrada a cultura nos seus múltiplos sentidos de afirmação da condição humana e da transformação da vida o que não é compaginável a sedução pelo dinheiro. Há que descodificar a linguagem do mercado, defender a dimensão simbólica efectiva da produção cultural como um processo de conhecimento, um direito de cidadania que o Estado, Poder Central e Local têm que promover. Em tempo de eleições é de sublinhar que quanto mais cultos forem os cidadãos mais esclarecida serão as suas escolhas.

Anúncios
Standard
Geral

Música no Dia de Todos os Santos

No Dia de Todos os Santos, esta música em que os crentes se deslumbram perdendo o horizonte da fé e os não crentes, como eu, encontram o sublime prazer da música sem atender o objectivo com que foi produzida. A magnificencia perfeita desta missa de Ockeghem comprova que a arte desconhece o progresso. A música ( ou a pintura ou a literatura) que séculos depois foi genialmente escrita não torna obsoleta a que lhe é anterior.

Standard
Cultura, Política

PALHAÇADAS SEM ARTE

(Este texto foi escrito na semana passada. Só por motivos editoriais não foi publicado na 5ª feira, dia 6, no Avante! onde já tínhamos escrito sobre a colecção Berardo, e sua génese, quando se discutia o protocolo com o estado e a sua instalação no CCB. Estando a comunicação social a refirir um relatório da IGF sobre as actividades da Fundação Berardo e continuando o comendador a arruaçar, decidimos antecipar a sua publicação neste post, para não se perder a actualidade. Noessencial não havia nada a acrescentar)

As gargalhadas de Berardo que ecoam entre as suas múltiplas declarações são um insulto que, mais uma vez, não vai ter resposta. Há gente que vive da grande impunidade que lhes é concedida. O objectivo de Berardo é transparente. Pretende confundir a opinião pública sobre a situação da sua colecção e os privilégios excessivos e excepcionais de que beneficiam a Fundação de Arte Moderna Contemporânea- Colecção Berardo e o CCB.

Desde o princípio desta história, objecto de referência no Avante!, Berardo não queria nem nunca quis saber da arte para nada. Estava ávido por encontrar uma montra para a sua colecção, que desse visibilidade e contribuísse para aumentar o seu valor de mercado. Seguro das cumplicidades que angariava entre alguns meios artísticos acenando garridamente com a carteira recheada de euros, sempre se comportou com alarvidade necessária para não falhar os seus objectivos. Isabel Pires de Lima foi mimoseada com o epiteto de estúpida quando se atreveu a avançar algumas ideias que, embora submetendo-se a um suposto supremo interesse em conservar aquela colecção em território nacional, limitavam de algum modo as condições leoninas que Berardo, com apoio de gente próximos do 1º ministro então em funções, queria e conseguiu impor. A jogada dessa malta percebeu-se de imediato quando um assessor de Sócrates que antes se tinha saracoteado publicamente na corte do comendador, se chegava à frente fazendo declarações oferecendo-se sofregamente para ocupar lugar de relevo na futura fundação. Depois, quando Gabriela Canavilhas colocou reticências às negociatas que se faziam com a política de aquisições da Fundação que ampliavam a colecção Berardo. Soube-se lendo os Relatórios e Contas, que o Estado entrava com meio milhão de euros anuais que iam parar aos bolsos de Berardo porque eram aplicados a comprar obras que o comendador ainda tinha lá por casa. Isto acontecia enquanto Berardo em vez de entrar com dinheiro líquido, “cumpria” essa sua obrigação contratual, igual à do Estado, em géneros, entregando mais umas obras que estavam lá por casa. Ficou-se sempre por saber por quanto Berardo as tinha adquirido e por quanto as vendeu para a sua própria colecção. Na prática quanto é que o comendador ao longo desses anos meteu directa e indirectamente ao bolso. O argumento avançado pelos membros da direcção da Fundação, acenando a bandeirinha do interesse artístico das obras é patético. Tenham ou não tenham interesse artístico, o que está em causa é a lisura do processo. A falta de ética ainda que tudo seja legal. De obras com supremo interesse artístico está o inferno cheio! Quando a tramóia foi conhecida e Canavilhas se demarcou desses procedimentos, logo Berardo berrou aos quatro ventos que ela era mentirosa. A impunidade continuava e compensava. Continuar a ler

Standard
Cultura

Pesadelos oníricos

Nos finais do século XV, em Itália iniciava-se o Renascimento. A cultura e as artes trilhavam novos caminhos. Marcavam o fim da Idade Média feudal e o aparecimento da era capitalista. Um poeta extraordinário, Dante, é, ao mesmo tempo, o último poeta medieval e o primeiro poeta dos tempos modernos. Na Divina Comédia, ainda estão as visões apocalípticas, as danações, que aguardam os homens que não resistem às tentações e não podem aspirar à redenção que premeia os homens bons e os santos.

O pintor que melhor materializou, em pinturas e desenhos, esse ambiente sombrio da Idade Média, foi Hieronymus Bosch (1450-1516). Sob a influência de uma forte formação religiosa e vivendo sob um céu cinzento e baixo “ que é preciso perdoar-lhe”, pinta um mundo decadente, corrupto, putrefacto retratado em animais e humanos grotescos que representam as cenas mais desconcertantes, horrores anunciando a chegada do Anti-Cristo, prenunciando o Juízo Final.
Bosch imagina cenas macabras, com monstros imaginários e catástrofes de diversa natureza, transforma o bizarro em arte, o horrível em belo. É um alucinado, de pesadelo oníricos que é considerado um percursor dos surrealistas
Só existem sete quadros com autoria confirmada. Um deles está no Museu Nacional de arte Antiga, A Tentação de Santo Antão (1495-1500). Existem dezasseis cópias/réplicas deste quadro, mas só uma, a que a está no Museu de Arte de São Paulo é atribuída a Bosch, à oficina de pintura de Bosch.
Agora, até 25 de Setembro é possível ver e confrontar esse tríptico com o do juízo Final e os das Provações de Job, expostos pela primeira vez em Portugal.
É uma exposição, realizada em parceria com o Museu Groeninge (Bruges, Bélgica), a cuja colecção pertencem os outros dois trípticos.

CONFRONTOS: BOSCH e o seu CÍRCULO

Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa

Em todas as visitas nocturnas (entrada gratuita) encontram-se patentes as galerias de pintura europeia, artes decorativas europeias e ourivesaria francesa.

Visitas orientadas para grupos
Terça-feira (tarde), Quarta a Sexta-feira (manhã e tarde)
Limitadas a 30 pessoas, inscrição por ordem de chegada

Visita à exposição temporária.
Com marcação prévia através de e-mail mnaa.se@imc-ip.pt ou telefone 213912800. Indicar nome e telefone da entidade, nome e telefone do responsável pelo grupo, número de participantes, dia e hora pretendidos.
Acções Destinadas a Educadores e Professores
Sábado, 3 Setembro | 10h30-13h00
Sábado, 17 Setembro | 14h30-17h00

Horário do Museu
3ª feira: 14h00-18h00
4ª feira a Domingo: 10h00-18h00
Encerrado às 2ªs feiras, 3ªs feiras de manhã
5ª feiras aberto até às 23h30, encerra das 18h00 às 20h30

Standard
Cultura

Meu nome é Johnny, Johnny Guitar

Rever Johnny Guitar sem contar as vezes. Sempre com o deslumbramento inicial. Saber de cor diálogos extraordinários que irrompem do pântano maccartista que Emma, uma representação espantosa de Mercedes McCambrige, tão bem corporiza.
E um dos mais belos diálogos da história do cinema.

Vienna – É uma história triste.
Johnny – Sou bom ouvinte de histórias tristes.
Vienna – Há cinco anos amei um homem. Não era bom nem mau, mas amava-o. Queria casar com ele, trabalhar com ele, construir algo para o futuro.
Johnny – Deviam ter vivido felizes para sempre.
Vienna – Mas não viveram. Acabaram tudo. Ele não se via preso a uma família.
Johnny – Parece que a rapariga foi esperta em livrar-se dele.
Vienna – Lá isso foi. Aprendeu a nunca mais amar ninguém.
Johnny – Cinco anos é muito tempo. Deve ter havido bastantes homens…
Vienna – Os suficientes.
Johhny – Que aconteceria se ele homem voltasse?
Vienna – Quando um fogo se extingue só restam cinzas.
Johnny – Quantos homens já esqueceste?
Vienna – Tantos quantas as mulheres de que te lembras.
Johnny – Não te vás embora.
Vienna – Nâo me mexi.
Johnny – Diz-me uma coisa bonita.
Vienna – Que queres ouvir?
Johnny – Mente-me. Diz-me que me esperaste todos estes anos.
Vienna – Esperei-te todos estes anos.
Johnny – Que morrerias se eu não voltasse.
Vienna – Morreria se tu não voltasses.
Johnny – Diz-me que ainda me amas como eu te amo.
Vienna – Ainda te amo como tu me amas.
Johnny – Obrigado. Muito obrigado.”

Standard
Cultura

Lucien Freud (1923-2011)

Em Londres, para onde se tinha exilado nos anos 30 escapando ao nazismo, morreu ontem à noite, aos 88 anos, Lucien Freud. É o grande renovador da arte figurativa e a sua influência é enorme em todos os pintores figurativos do século XX. Lucien Freud, pintor de retratos e nus, despe-os de todo o romantismo. Dramatiza-os, explora as suas idiossincrasias, mergulha no âmago da intimidade para contaminar a forma.

“Eu pinto pessoas. Não para mostrar como elas são, mas sim como parecem para mim. Minhas telas têm a ver com esperança, memória, sensualidade e, principalmente, envolvimento.” escreveu no catálogo da tate Museum, em 2002.

Freud, pinta retratos e o corpo humano de forma crua sem complacências, sem idealizações nem sentimentalismos. São figuras eróticas e grotescas sempre capazes de nos fascinar. Por detrás do olhar impiedoso com que retrata o mundo estava um grande artista e homem generoso.

Standard
Cultura

Em memória de Bartolomeu Cid dos Santos

Auto-Retrato 1986

A viagem pelos anos que vamos somando fazem-nos adquirir a sageza simples de aprendermos que poucas coisas são essenciais na vida. Uma, provavelmente a maior entre todas, é a amizade. Quando ela se interrompe porque o outro se ausenta do convívio, o vazio é enorme. Nem sempre é possível pranche-lo.
Hoje, dia de fim de ano, uma vez mais sei que uma coisa essencial da minha vida me vai fazer falta: o fim de ano na casa de Sintra do meu amigo Bartolomeu.

Durante o ano, raro era o mês em que não nos cruzávamos várias vezes. Os motivos eram muitos. Desde trabalhos em comum ao mais simples comércio intelectual ou beber um copo sem mais arredores. Tínhamos o imenso prazer de estarmos os dois, com ou sem mais amigos. De Sintra a Tavira, ou no caminho inverso, Bartolomeu fazia paragem obrigatória em Grândola, onde no momento, eu estacionava. Não raramente quem metia pés à estrada era eu. Lá ia de Grândola para Sintra ou Tavira. Nunca falhava um telefonema para a Fernanda, quando ela não estava connosco e andava pela metrópole londrina.

Foi assim que vi sair do porta-bagagens do seu automóvel as caixas das “Signatures of the Invisible”, projecto que fez para o London Institute e o CERN, expostas pela primeira vez no chão de um parque de estacionamento de um restaurante grandolense. Em Tavira, já tínhamos falado desse projecto. Ideias e desenhos espalhavam-se pela mesa de trabalho. Como sempre nada era terminante. A ideia inicial crescia, alterava-se até encontrar a forma final, que não era definitiva.

No meio dessa quase regularidade de encontros existiam duas rotinas. Uma, almoço na última semana de Agosto, por vezes coincidente com o seu dia de aniversário. Outra, o fim de ano. Um grupo de umas cinquenta pessoas, almoço, trinta no fim de ano (re)encontravam-se em alegre convívio. Grupo político e socialmente heterogéneo, de cépticos de direita a assumidos comunistas, como o Bartolomeu, de grandes secâncias culturais que, não sendo um território politicamente neutro, era arena de confrontos de outra grandeza.

No ano de 2008 lá estávamos. As badaladas da meia-noite em Sintra não eram coincidentes com o estoirar do foguetório no arco do Cabo da Roca às Azenhas do Mar, a iluminar a terra estendida aos pés do terraço da casa de Sintra. Depois os convivas, atravesando a porta do ano novo, foram saindo. Lembro o José Cutileiro, o Luis Santos Ferro, o José Brandão, o Júlio Moreira, o Manuel Botelho, o Júlio Pomar, a Isabel Santa-Rita, e muitos outros sós ou acompanhados. O Bartolomeu, já bastante debilitado pela doença, pouco depois do dobrar do ano tinha ido repousar. Alguns, mais retardários, mais íntimos, estavam quase à porta de casa quando, chamados por ele, voltam ao cenário principal.

O Bartolomeu, a Fernanda, o Ruben, o Valter Vinagre, a São, a Ana e eu voltamos a tilintar o cristal dos copos para começar uma nova rodada convivial que só terminou pelas cinco horas da manhã. Não sabíamos que esse seria o nosso último fim de ano na casa de Sintra.

Desde aí, as passagens de ano, são diferentes. Há a imensa dor da ausência do Bartolomeu.

Sempre pensei que os meus amigos eram imortais, nunca os veria desaparecer e acabo solitariamente a ler, reler Celan “ a morte é uma flor que só se abre uma vez/mas quando abre, nada se abre com ela/Abre sempre que quer, e fora de estação.”

Agora quando mais um fim de ano se aproxima, não resisto a publicar este texto, que quero homenagem ao meu amigo Bartolomeu, um dos grandes artistas e humanistas do século XX.

Standard