Carnaval, Cultura, Geral, Heinrich Ignatz Biber, música, Música Barroca, Polifonia

Carnaval no séc. XVII

Carnaval

pintura de Brueghel, O Velho

 

Heinrich Biber (1644-1704) foi um célebre violinista e compositor. Começou a sua carreira musical em Kremsier, na Boémia onde foi nomeado mestre capela da corte do Bispo de Olomouc, cargo que ocupou até 1670 para transitar para a corte do Arcebispo de Salzburgo, até ao fim da sua vida.

Foi um dos grandes polifonistas da tradição alemã e a sua técnica contrapontística alcançou a excelência. As Die Rosenkranz Sonaten, Sonatas do Mistério são disso um excelente exemplo. Sonatas em que Biber introduz várias inovações no modo de tocar violino que ainda perduram.

Conhecidíssima também é a Missa Salisburgensis, um extraordinário e raro exemplo de música polifónica, expressão sonora em glorificação do poder político e religioso. Tocada na Catedral de Salzburgo em 1682, nas comemorações dos 1100 anos do arcebispado, que foram forte declaração de poder do império dos Habsburgo e do Arcebispado de Salzburgo que se afirmava como grande cultor das tradições romanas e venezianas mantidas e enriquecidas com a sua prática.

A Missa Salisburgensis, escrita no apogeu do barroco, corresponde a esse desígnio de afirmação do “Estado da Igreja” de Salzburgo como o primeiro entre os seus pares.

A sua concepção espacial utilizando os quatro órgãos da catedral, exigiam um enorme investimento em músicos e cantores, para dar expressão à monumentalidade exigida. Uma gravura da época regista o evento. As duas tribunas de órgãos onde foram colocados dois coros apoiados por instrumentos de cordas. À sua frente duas orquestras de instrumentos de sopro e cordas., tendo em baixo, os trompetistas. Não é difícil imaginar a Catedral e todos os assistentes mergulhando extasiados nas ondas sonoras que propagavam e celebravam o poder político e divino, unidos para mostrar ao mundo a sua glória e desejo de eternidade que acabaria perdida nos ventos da história.

O autor dessa extraordinária obra refugiou-se no anonimato, mas todos os especialistas, todos os estudiosos apontam para Heinrich Biber, depois de muito analisados o estilo a história, convictos que seria espantoso se um dia se descobrisse, o que é uma quase total improbabilidade, que o autor não fosse Heinrich Ignatz Biber. Ouçam a Missa Salisburgensis tocada pela Musica Antiqua Koln, de Reinhard Goebbel e os Gabrielli Consort e Players dirigidos por Paul McCresh.

Estamos no Carnaval, um bom momento para marcar encontro com Biber. O Ars Antiqua Áustria, em 1995, reuniu num disco, que agora não deve ser fácil de encontrar, a etiqueta Symphonia desapareceu, várias composições profanas de Biber por eles atribuídas a festejos aristocráticos do carnaval e ofertadas ao povo, por isso intitularam o disco de Un Carnevale a Kremsier. Aceite-se essa proposta para se ouvir a Trombet-Unit Musicalischer Taffeldienst à 4, a composição que abre o disco. Todo o virtuosismo de Biber é bem audível nessa pequena composição.

 

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A Austeridade da Geringonça

homer simpson

 

 

Vem aí a austeridade!

Vão aumentar os impostos para os carros de maior cilindrada e mais poluentes. Logo agora que estava hesitante entre comprar um Porsche ou um Ferrari, Um automóvel vulgar, nada de Bugatti’s Veron. E esta gente vai obrigar a contentar-me com um Jaguar ou coisa parecida. Não é justo!

Também vão aumentar os impostos às empresas que trabalham por cá mas têm sedes no estrangeiro. Coitados dos belmiros, alexandresoaressantos, amorins e coitado de mim! Que vai ser da minha microempresa? Estava indeciso entre a sediar no Luxemburgo ou na Holanda, num país da Europa connosco não numa offshore das Caraíbas. devaneava cruzar-me com o Alexandre num canal de Amesterdão. Agora…agora eu e as milhares de micro, pequenas e médias empresas do país já não podemos sonhar em seguir o exemplo Belmiro, Soaresdosantos, Amorim. Não é justo!

E os bancos? Coitados dos bancos. Agora vão pagar mais impostos! Se calhar também vão cortar nos benefícios fiscais. Ou obrigá-los a pagar com juros mais altos as ajudas dos últimos anos! Resta a esperança que com a ajuda dos lobosxavier e outros especialistas, mesmo menos capazes, se subtraiam a essa violência fiscal. Ainda mais violenta, porque os apanha desprevenidos e pouco habituados a esse tratamento de desfavor. Nem sequer descontam nos impostos o trombocid para algumas nódoas negras que essas pauladas provoquem. Não é justo!

Aumentam também os impostos no tabaco! Vou ser, vamos ser obrigados a racionar nos bons charutos. Charutos, se calhar agora só açorianos e nem todos os dias. Uma chatice. Como se pode pensar bem sem o conforto do fumo de um puro? Felizmente não vi que aumentassem os impostos sobre o álcool, sobretudo das bebidas espirituosas. Vejam só a desorientação política que desabaria sobre o país se o Pulido Valente fosse obrigado à lei seca por via fiscal! Lá se iam as crónicas pia abaixo. Valha-nos isso!

Que mais irá acontecer? O Camilo Lourenço, um dos idiotas pouco inteligentes de serviço, diz que a austeridade não tem cor política. O gajo é mesmo burro. Tem, claro que tem. Outros desses opinantes todo o terreno vieram, em grande alarido, pregoar: isto é austeridade de esquerda!!! O Camilo nem isso percebe! Que grande bosta !!! Uma minoria dos portugueses afectada e ele nem repara! Julga que esta austeridade é igual à outra? Olhe que não! Olhe que não!

Não é justo! Não é justo! A austeridade nunca pode ser de esquerda.  Desabar em cima de nós desprevenidos e pouco habituados a ela, ainda é menos justo. A austeridade devia ser sempre para aqueles que o preclaro Ullrich dizia: Ai ,Aguentam, Aguentam!

Socorro! A geringonça está a funcionar! O governo centro esquerda com o apoio dos radicais de esquerda está a passar entre os bombardeamentos da Comissão Europeia, FMI, da troika, dos partidos de direita aqui e lá fora, dos mercenários da comunicação social. Esta malta anda a dormir na forma! A insónia alastra-se pela turbamulta de direitinhas que continuam a ladrar com o desespero de ver a caravana a passar

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Terrorismo Financeiro

 

este nunca está satisfeito

gravura de Bartolomeu Cid dos Santos

.O Orçamento de Estado 2016 (OE2016) está debaixo do fogo cruzado dos partidos da oposição, de uma série de entidades supostamente dotadas de clarividência técnica e politicamente neutras, contam com o apoio activo de uma comunicação social mercenária ao serviço do grande capital e das políticas económicas neo-liberais.

Os alertas dos tecno burocratas da União Europeia, das agências de rating, da UTAO e do Conselho de Finanças Públicas que colocam em causa as contas do OE2016 têm a extrema curiosidade de nunca terem posto em causa as contas dos quatro Orçamentos de Estado do governo PSD-CDS que estavam tão bem feitas que foram objecto de oito (!), repita-se oito(!), orçamentos rectificativos!!! Não se ouviu alarido algum! Que credibilidade tem essa gente?

O que os alarma é que nos celebrados mercados, a geringonça da financeira especulativa, os juros continuam a cair nos últimos dias. Confiam nas contas do OE2016? Confiavam nas políticas de austeridade e nas contas dos OE’s dos governos PSD-CDS e por isso os juros foram baixando paulatinamente?  Nada disso! Baixaram porque o BCE interviu, continua a intervir, anuncia que vai continuar a intervir nos mercados financeiros para ajudar os países endividados a financiarem-se. Será bom lembrar que mesmo o FMI, o BCE, mesmo alguns membros das comissões e instituições europeias e governos europeus colocam em causa o quadro de forte austeridade imposto à periferia, que o Governo PSD-CDS, por convicção ideológica, abraçou ultrapassando mesmo exigências da troika que já eram desproporcionadsa e despropositadas. Acabaram por conduzir Portugal ao estado miserável actual sem resolver nenhum dos problemas ditos estruturais. Aumentaram a dívida soberana em relação ao PIB, era 91% em 2010, hoje é 137%. Encheram os cofres de dívidas e passivos,empurrando para os anos seguintes a resolução de uma dívida cada vez mais impagável. Aumentaram o desemprego para taxas obscenas mesmo disfarçadas com malabarismos estatísticos. Alargaram drasticamente o fosso entre os mais ricos, cada vez menos e mais ricos, e os pobres cada vez mais e mais pobres, até Portugal ser o país mais desigual da UE. Empobreceram o país, revogaram direitos sociais, económicos e políticos, venderam privatizando empresas ao desbarato, destruiram parte substancial do tecido económico de Portugal maioritaramente composto por pequenas e médias empresas, cortaram salários, pensões e reformas a esmo, asfixiaram a maioria dos portuguese com uma carga fiscal brutal enquanto concediam benefícios fiscais às grandes empresas e bancos, tudo para se vangloriarem de uma saída limpa que é uma ficção feita com buracos financeiros que se vão descobrindo, a procissão ainda está no adro. As malfeitorias são mais que muitas tudo em nome dessa coisa viscosa e falacciosa que é o não haver alternativa.

Agora, comunicação social e partidos da oposição ao XXI Governo Cosntucional andam em grande grita por todos os cantos e recantos atirando achas para a fogueira dos que cosem em lume vivo o OE2016, recorrendo ao argumentário das tecnicidades, uma rede onde se colocam todas as dúvidas sobre a validade das variáveis em que se fundamenta o OE2016. Um trabalho de que se encarregam quatro agências de rating, comissões técnicas da Comissão Europeia,conselheiros do Conselho Económico e Social, do organismo da Assembleia da República para analisar a construção do orçamento, UTAO, Conselho de Finanças Públicas, o organismo cuja missão é avaliar a consistência das políticas económicas e financeiras, como se esses ilustres técnicos estivessem esterilizados por uma dedicação exclusiva à ciência económica, como se a ciência económica fosse uma ciência exacta. Como se não visassem objectivos políticos. Um farisaismo sem fronteiras nem limites.

O que essa gente não diz e oculta é que as expectativas económicas em parte alguma são credíveis  As expectativas dos orçamentos de Estado, dos mercados de matérias primas, das bolsas são o resultado, são criadas pelas agências de notação financeira, pela comunidade de peritos técnicos e pela comunicação social. Tudo isso está sob o controle dos grandes bancos e do grande capital especulativo e financeiro. São os.grandes bancos e o grande capital especulativo e financeiro que encomendam as expectativas “necessárias”.para sacarem lucro. Desde a crise dos subprime à actual crise do mercado petrolífero isso é uma evidência indesmentível. A credibilidade técnica é nula. Trabalham para interesses financeiros específico imediatos e políticos a médio e longo prazo..

Fazer depender um OE das notações das  agências de rating, das avaliações dos tecno-burocratas de Bruxelas, politicamente em linha com as políticas conservadoras e neo-liberais, sem qualquer legitimidade e escrutínio democrático, é querer impor uma diatadura a Portugal. É alinhar com o terrorismo financeiro vigente! É travestir a realidade de o debate sobre o OE2016 ser um debate político, que é o que o governo trava com Bruxelas. É fingir que as análises das agências de rating e as outras comissões técnicas são meramente técnicas e não são também políticas! Um gato que se anda a vender com pertinácia por lebre na comunicação social.

Os partidos da oposição e os media andam deliberadamente a procurar espalhar o pânico. Procuram com afinco provocar efeitos externos pressionando fortemente tanto a margem negocial do governo com Bruxelas como a enviar sinais alarmistas para as famigeradas agências de notação. Há um medo generalizado que explode no meio dessa gente como uma bomba atómica. Receiam que haja por parte da UE alguma flexibilidade que prove ser possível fazer melhor do que eles fizeram, e fizeram sempre mal, e que os sacríficios exigidos durante quatro anos aos portugueses foram excessivos e desnecessários. Foram uma fraude política-económica sem resultados palpáveis, além dos já referidos.

Essa a verdadeira razão que aduba a algazarra dos partidos na oposição e os seus sustentáculos nos media. Gritaria que aumenta o volume quando assistem ao marimbanço de França, Espanha e Itália aos avisos de Bruxelas. Quando os tecno-burocratas de Bruxelas se inquietam com o que possa suceder nos tempos mais próximos em Espanha onde o PP submeteu o país a um resgate, que pudicamente não foi classificado como tal, e eventualmente poderá vir a ter um governo que se oponha, como o nosso, às mais brutais medidas austeritárias. A grande questão é a dimensão da economia espanhola que fará subir e trazer para outro patamar a discusão sobre um atabalhoado Tratado Orçamental, onde se impôs o conceito de défice estrutural, um conceito abstracto e artificial,  que se adicionou ao Pacto de Estabilidade e Crescimento em tempo e favorecendo a desrelugação dos mercados, em benefício da especulação financeira, submetendo as políticas públicas aos interesses privados, esmagando as políticas económicas do sul com a ortodoxia económica do norte.

Portugal é uma economia fraca e com menos peso político. Mas tem os mesmos direitos de qualquer outro país da UE. É um país soberano e a sua dignidade não pode ser enxovalhada. Foi isso que os governos do PSD-CDS nunca fizeram no debate político com as instituições europeias em todos os níveis. Ir e vir com a bandeira na lapela não tem significado algum quando não se defende o país e se passa a vida de cerviz pelo chão, garantindo lá fora o que negavam cá dentro, caso das medidas económicas que eram temporárias ou definitivas conforme os cenários e os interlocutores, gabarolando-se de fazer mais do que lhe exigiam, quando o que lhe exigiam já era bárbaro

O terrorismo verbal em curso arranca de uma vigarice intelectual. Nada que os constranga. O país tem que pagar o que deve arengam, como se as dívidas dos países não fossem renogociáveis e resstruturáveis. Basta olhar para os EUA, a sua gigantesca dívida, o modo, até muito pouco ortodoxo, como a negoceiam e financiam desde que, em 1971, Nixon rompeu o acordo de Bretton Woods, recusando resgatar dólares por ouro, porque não tinha ouro suficiente para entregar e num golpe contabilistico reduziu em 35% a dívida pública dos EUA. Claro que os EUA, são um gigante económico-financeiro, mas abriram um precedente seguido por muitos outros países. As nossas cassandras querem nos fazer acreditar que as dívidas dos países são equivalentes às dívidas domésticas, não distinguindo também entre credores. Pouco lhes importa se esses credores são usurários e especuladores navegando nas ondas dos mercados. É a jacobinice em estado quase puro.

O terrorismo verbal em curso, do não estraguem o que fizemos às tiradas telenoveiras da Cristas, do que se lê, ouve e vê na comunicação social tem que ser activamente combatido. Portugal não pode estar à mercê desses  doutores fonsecas &burnay jihadistas de fato às riscas que fazem atentados com bombas virtuais que tiveram e podem vir a ter consequências devastadoras. Tentam dinamitar o diálogo do governo de centro-esquerda, que procura melhorar razoavelmente a vida dos portugueses no quadro dos tratados europeus, com uma Comissão Europeia, dominada por uma ortodoxia de centro-direita, num momento em que está em curso na Europa, ainda que de forma não muito assertiva, a discussão  sobre essa ortodoxia e os efeitos nefastos da estrita aplicação do Tratado Orçamental.

Não se pode ceder a essa chantagem! É Portugal, são os portugueses que estão em causa. É o nosso futuro colectivo que não pode ser uma miragem.

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Alexandre Soares dos Santos, BE, capitalismo, CDS, Comunicação Social, economia, Geral, GOVERNO PSD-CDS, Maioria de Esquerda, PCP, PEV, PS

Patrioteiros

bandeira portuguesa

Alexandre Soares dos Santos, com Américo Amorim e Belmiro de Azevedo, é um dos homens mais ricos de Portugal. Esses três da vida airada detém um valor pessoal equivalente a 8,5% do PIB, Alexandre Soares dos Santos é regular e subservientemente ouvido no jornalismo económico. Os seus bitaites são recolhidos com unção pelos josegomesferreiras com o deslumbramento pacóvio que os distingue.

Na semana passada Alexandre Soares dos Santos foi à Sic Negócios (passe a publicidade a programa tão medíocre e manipulador) juntar a sua voz à algazarra que por aí se ouve contra as medidas do governo que tendem, com grande precaução reduzir o enorme fosso entre os ricos e os pobres de Portugal. País da União Europeia em que mais se tem agravado a distância entre os mais ricos e os mais pobres, em particular nos últimos quatro anos de governo PSD-CDS, o que coloca Portugal no ignominioso primeiro lugar dos países da EU em que os ricos são e estão  cada vez mais ricos e os pobres mais pobres. Para essa luminária “o governo de António Costa anda a comprar votos”, Não é mal dito por quem nas empresas do seu grupo e na Fundação Manuel dos Santos “compra” por atacado think tank’s à escala nacional, à direita e numa esquerda manhosa, que fazem lobying em seu proveito, Prática verificável no trânsito entre empresas privadas de todo o género e o aparelho de Estado, em que brilhava, mas nunca esteve sozinho, o Grupo Espírito Santo. Práticas usuais de empresas e empresários que vivem encostados e amparados pelo Estado enquanto fazem grande alarido propugnado menos Estado. Uma ópera buffa que se canta adrede nos cantos e recantos dos media.

Avisa contra os perigos do aumento das importações que o magro poder de compra agora recuperado, vai provocar. Também não é mal dito por quem tem no Pingo Doce o sexto maior importador nacional, atrás da Petrogal, Galp, Repsol, Volkswagen e SIVA e, entre os maiores grupos de distribuição do país, está na linha da frente dos que garrotam a produção nacional com práticas comerciais que asfixiam os produtores.

No fim faz uma profissão de patriotismo, exercício da maior hipocrisia e cinismo por quem deslocalizou para a Holanda a Sociedade Francisco Manuel dos Santos SGPS, SA, que concentra as acções através das quais a família Soares dos Santos controla empresas como o Pingo Doce, via Jerónimo Martins, para pagar menos impostos em Portugal. Isto apesar dessa mesma empresa ser a que mais tem recebido benefícios fiscais por parte do Estado, em particular do governo PSD-CDS,  o mesmo Estado que esmaga os portugueses com uma carga de impostos brutal. Os últimos números conhecidos cifram-se em 79 900 000 (setenta e nove milhões e novecentos mil euros) o equivalente a mais de 150 mil salários mínimos já actualizados.

São assim os nossos patrioteiros. Só lhe falta andar de bandeirinha na lapela. É assim talhada essa gente que range os dentes e conspira, ainda em surdina, mas de vozear crescente e com erupções fedorentas que a comunicação social estipendiada acolhe na sua cruzada contra o governo de centro esquerda do PS, de maioria de esquerda apoiado parlamentarmente pelo PCP, Bloco de Esquerda e PEV-Verdes.

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BE, CDU, Comunicação Social, Edgar Silva, Eleições Legislativas 2015, Eleições presidenciais 2016, Geral, PCP, Política

Arrancar olhos

olhos

Na sequência das últimas eleições presidenciais, a pretexto do resultado de Edgar Silva, candidato apoiado pelo PCP, ter ficado aquém das expectativas, a direita lançou um novo ataque ao PCP, desta vez acrescentando o ingrediente de tentar criar divisões nas forças que viabilizaram o actual governo PS.

Estranho, ou talvez não, é que alguns, dentro destas forças, provavelmente por terem uma longa tradição e vasta experiência em atacar o PCP, tenham servido de amplificadores de tal ataque.

Nos últimos dias, foi possível assistir a uma série de notícias e artigos de opinião que conseguiram misturar o veneno anti-comunista com as habituais doses de mentira, deturpação e caricatura, o cocktail do costume servido pelos melhores especialistas em cozinhar verdades laboratoriais sobre o PCP.

À semelhança do que era escrito em 1989, voltam a anunciar o fim do PCP, a erosão fatal do eleitorado comunista, o acumular de derrotas, a perda de influência política e social.

Analisam o PCP da mesma forma que analisam qualquer outro partido, sem compreender que para o PCP a participação em actos eleitorais não esgota a sua intervenção e acção política.

Mas, mesmo olhando só para as eleições, falham, porque analisam a participação do PCP em actos eleitorais, não à luz dos resultados reais, mas dos seus desejos e leituras que a partir deles fazem.

Por exemplo, falam em derrotas eleitorais sucessivas (há mesmo que consiga ver que o PCP perdeu votos nas últimas legislativas) quando o PCP, desde 2002, sucessivamente, vê o seu resultado em eleições legislativas melhorar, esquecem que o PCP tem vindo a aumentar a sua influência autárquica (veja-se o vómito de Vasco Pulido Valente que em sóbria e lúcida análise vê o PCP a perder influência desde o fim da II Guerra Mundial), sendo a força política com maior número de presidências de Câmaras Municipais na Área Metropolitana de Lisboa, ou que o PCP nas últimas eleições para o Parlamento Europeu elegeu mais um eurodeputado.

Mas na sequência dos resultados das eleições presidenciais, novas teses vêm juntar-se à do fim próximo do PCP, entre elas as que referem que o eleitorado do PCP castigou o Partido pela viabilização do Governo PS ou que o PCP terá de fazer prova de vida e, portanto, sair para a rua, rasgando a posição conjunta assinada com o PS, fazendo oposição ao Governo.

Tamanha preocupação com o PCP chega a ser comovedora, provando que temos muitos e bons amigos, sempre disponíveis nas ocasiões mais difíceis para dar um conselho sábio.

Sei que no domínio das ciências ocultas, a PCêpologia é uma das mais rentáveis e decretar o óbito do PCP, pelo menos, uma vez por mês faz parte do contrato de muitos analistas e comentadores encartados, mas desta vez surpreendem pela criatividade, pela manipulação de resultados eleitorais, pela criação de uma competição virtual entre PCP e BE (a mesma competição que não viram quando o BE quase desapareceu do mapa), pela confusão entre eleições legislativas e presidenciais, pela ideia de que a viabilidade do Governo pode estar comprometida por causa do resultado do candidato apoiado pelo PCP nas presidenciais.

De facto, para analisar o PCP tudo é permitido, todos os argumentos são válidos (mesmo os falsos), vale tudo, até arrancar olhos!

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Política

A editorialização fotográfica do “Expresso”

É desnecessário elaborar teoricamente sobre a edição fotográfica dos últimos tempos no Expresso Online. As imagens falam, de facto, por si. Nota-se a vontade permanente de hostilizar, não no texto, mas sim pelas imagens, os protagonistas do novo governo, que surgem, invariavelmente em estranhas poses, com caras ridículas, no que revela uma criteriosa escolha destinada a criar a ideia de que os novos governantes são gente pouco aconselhável. O “Expresso”, por muitos considerado jornal de referência, é, de facto, uma referência, mas sim da arte manipulatória e do frete. Vejam-se as imagens que vão em baixo, recolhidas, ao longo das últimas semanas e compare-se com as que vão no fim e percebe-se melhor a intencionalidade dos editores fotográficos do jornal. E, sobretudo, quem fica sempre bem no retrato. Por que será? Continuar a ler

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Europa, Fascismo, Shakespeare

Algo está mal no reino da Dinamarca

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(imagem)

Fecharam-se fronteiras, ergueram-se vedações e a Europa da livre circulação torna-se cada vez mais uma coisa do passado.

Parece que Hamlet estava certo quando premonitoriamente avisava: «Something is rotten in the state of Denmark».

O fascismo vai pondo as garras de fora um pouco por toda a Europa e muitos assobiam para o lado como se nada estivesse a acontecer, para não falar daqueles que lá vão, cantando e rindo, cúmplices do recrudescimento das forçcas obscurantistas e criminosas derrotadas na II Guerra Mundial.

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