Geral

26 de Julho de 1953

Todo el mundo tiene su Moncada

Menos mal que existen
los que no tienen nada que perder,
ni siquiera la muerte.

Menos mal que existen
los que no miden qué palabra echar,
ni siquiera la última.

Se arriman a la noche y al día
y sudan si hay calor
y si hay frío se mudan.

No esperan echar sombra o raíces
pues viven
disparando contra cicatrices.

Escuchan se proyectan y lloran
debajo
de sus huellas, con tanto trabajo.

Se mueren sin decir de qué muerte
sabiendo que en la gloria
también se está muerto.

Menos mal que existen,
menos mal que existen,
menos mal que existen para hacernos.

Menos mal que existen
los que no tienen nada que perder,
ni siquiera la historia.

Menos mal que existen
los que no dejan de buscarse a sí
ni siquiera en la muerte
de buscarse así.

Silvio Rodriguez

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Geral

Actualização democrática

Numa actualização à medida da nossa «democracia», diria este ou outro Professor, com mais ou menos afecto:

«Não discutimos a União Europeia e os seus Tratados;

Não discutimos o Euro e as suas consequências…»

Acabando, claro está, com outra democrática tirada, extraída de outro discurso, do ditador maior português: «Está tudo bem assim, não podia ser de outra forma».

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Claustro do Rachadouro, Cultura, Geral, Ministério da Cultura, Mosteiro de Alcobaça, Parcerias Público Privadas, turismo

Cultura e Ovos de Ouro

ovos de ouro

Entre a cultura e turismo há uma imbrincada rede de interesses.  Património edificado, museus,eventos culturais são os motores do turismo cultural. O contributo da cultura para o crescimento desse mercado é central, não tem o devido retorno por parte do turismo. Quem demanda Lisboa, tem nos seus monumentos a motivação. O que seria Lisboa para os turistas se não existissem os Jerónimos, a Torre de Belém, o Museu dos Coches, o Castelo de São Jorge? O crescente turismo cultural origina ainda a perversão de se avaliar o interesse cultural do património construído ou dos museus em função da sua relevância turística.

O que recebem os museus e monumentos por serem a âncora desse turismo com grande peso na economia do país? Rigorosamente nada! Uma situação que a Cultura tão maltratada do ponto vista orçamental deveria rever. São múltiplas as relações entre o património e a indústria turistica, nomeadamente as imobiliárias a ela associadas.

O parimónio, cultural e natural, geram grandes apetites. Recentemente o jornal Economist, num editorial intitulado “The $9 trillion sale”, escreve que Thatcher e Reagan usaram as privatizações como ferramenta para combater os sindicatos e transformar em receitas diversos serviços públicos e que os seus sucessores no século XXI, “necessitam fazer o mesmo com os edifícios , terrenos e recursos naturais, porque é um enorme valor que está à espera de ser desbloqueado”. Trocando por miúdos, nos centros decisores do capitalismo internacional, FMI, Banco Mundial, BCE etc, está a levedar uma nova onda de privatizações de tipo novo e radical: vender bens imobiliários estatais, incluindo patrimónios histórico-culturais, o que já está acontecer na Grécio, onde a dificuldade será  avaliar o Partenon.

Enquanto esperam a chegada dos novos tempos, os empreendores  instalam-se no património edificado, impondo condições pouco lineares. Exemplo recente, é a instalação de um hotel de cinco estrelas no Claustro do Rachadouro, no Mosteiro de Alcobaça. Um dos meios de salvaguardar património edificado é dar-lhe novas funções sem que a sua identidade seja posta em causa. Sempre foi assim ao longo dos tempos. O Palácio de São Bento, onde está instalada a Assembleia da República, começou por ser um convento. Já albergou as mais diversas instituições, até uma prisão onde esteve detido Bocage. São intervenções que devem ser cuidadosamente avaliadas e não seguirem o padrão que se está a desenhar e a ser prevalecente de instalar unidades hoteleiras de bandeja. No caso, a intervenção, até pelo histórico de anteriores usos, merece concordância, o mesmo não sucede com os termos da concessão por cinquenta anos, com  renda anual de 5 000 euros, 416 euros/mês, o aluguer de um T1 em Lisboa! Valor irrisório que nem consegue ser simbólico. O investimento do concessionário para transformar o claustro num hotel com 81 quartos é de 15 milhões de euros. Contas grosseiras o custo quarto/noite é menos de 11 euros com ocupação plena. Com uma ocupação média de 25%, o custo quarto/noite é de 40 euros. Qual será o seu valor mercado? Nunca menos de 150 euros. A realidade é outra. A empresa concessionária tem um esforço financeiro inicial a amortizar, tem custos de manutenção e funcionamento. Cria setenta postos de trabalho. Tem efeito multiplicador na economia local. Olhando para os números, mesmo grosseiros, a amortização do investimento não será complexa. O valor quarto/noite é de 101,47 euros para amortizar em cinco anos o capital investido. Sempre um bom negócio. Resta saber se não haverá outras benesses por via fiscal.  No acto de assinatura do protocolo o ministro congratulou-se com a reabilitação que vai ser feita de parte do Mosteiro de Alcobaça. Deu aquela intervenção como exemplo para a mobilização entre Poder Central, Poder Local e privados. sublinhando: “a Cultura tem valor e deve ser, como aqui se demonstra, um contributo para a criação de riqueza para o país, sem matar a galinha dos ovos de ouro, antes ajudando á criação de mais galinhas e de mais ovos”. Na capoeira outra galinha já está a chocar outro ovo de ouro no Mosteiro da Batalha. A questão que se coloca é o dono das galinhas, o Estado, entregar os ovos de ouro a preço de saldo. Se nalguns casos, cuidadosamente analisados, as parcerias entre os Poder Central e Local e os privados  são aceitáveis na base de protocolos que não sejam lesivos para o Estado, como frequente e escandalosamente acontece, vejam-se as famigeradas PPP, há tudo a opor a concessões com este teor. Quem vai continuar a manter o Mosteiro de Alcobaça é o Estado. O concessionário que beneficia do valor patrimonial do todo e só participa na reabilitação de uma parte deve ser chamado a contribuir para esse todo. O mínimo exigível seria que uma percentagem dos resultados operacionais da exploração do hotel fossem adstritos à manutenção do mosteiro.

Assim vai a economia da cultura e as suas galinhas dos ovos de ouro.

(publicado no jornal Avente! 2224/14 Julho 2016)

ALCOBAÇA

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BANCOS, capitalismo, Durão Barroso, Geral, Goldman Sachs, União Europeia

Fábulas dos tempos actuais

CHERNE

O Cherne sempre teve uma ambição desmedida para o seu parco talento, Nunca olhou aos meios para atingir os fins. Rapidamente percebeu que o MRPP era um charco propício ao desenvolvimento de girinos prontos às mais diversas metamorfoses chegados ao estado adulto. Não se enganou no clube que elegeu. Entre medíocres, medíocre e meio basta. O instinto predador da espécie fê-lo esperar uma ocasião para sair da gruta e abocanhar uma oportunidade dourada. Caiu do céu aos trambolhões. Aí vai ele a nadar vigorosamente para as Lajes, determinado a ser a Mónica Lewinski de Bush, Blair e Aznar. Queridos mandantes políticos há alguma mónica mais capaz que eu? O sistema sabe de ginjeira que há sempre uma mónica qualquer pronta para todo e qualquer serviço que contribua para a manutenção da sua máquina de exploração e especulação. Decidiu recompensar tão solícito e sôfrego mandarete. Puxaram os cordelinhos, meteram eficazes cunhas nas portas da União Europeia para o Cherne ser colocado no topo. Não se exigia muito, só que continuasse com eficiência os exercícios praticados e as quqlidades exibidas nas Lajes. A única alteração era quantitativa. Clientela mais vasta, lustrada e cosmopolita, por vezes com outras exigências. Nada que complicasse a vida do Cherne ou pusesse em causa as suas aptidões certificadas quqndo o anticiclone dos Açores atingiu o Iraque . Em Bruxelas e de Bruxelas para o mundo, esteve sempre pronto a satisfazer a clientela. O espectáculo era público, os paparazzo políticos transmitiam-no em directo ou diferido. O que era menos conhecido, mas que se podia inferir sem grande dificuldade, eram os espectáculos privados que o Cherne dava aos verdadeiros mandantes, satisfazendo todos os seus apetites. Essas marionetas do grande capital estão sempre prontas a mostrar serviço, têm bicho carpinteiro,

Chegou o momento de lhe pagar os trabalhos. O Cherne sabe bem que isso de amor à Europa são lérias e que o poder são degraus que se sobem para chegar ao pote dos maravedis, amealhando o máximo pelo caminho. Sabe também que na indústria do cinema o sector mais lucrativo é o da pornografia, e os mais bem pagos são os filmes exclusivos. A Goldman Sachs paga-os bem caro desde que lucre.  Recompensa os actores que melhor a servem, mesmo que sejam reles. As bitolas são outras nesse mundo obsceno. Antes do Cherne estava lá outro e quando se acentuar o cheiro a fénico do Cherne outro virá. Há que acabar é com as goldman’s sachs deste e de outros mundos que por dinheiro o corrompem sem remissão, com crueldade e sem remorso.

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AMARSUL – trabalhadores e população em defesa do serviço público

SAMSUNG CSC

O governo anterior, imbuído de um espírito de missão, em nome do dogma dos mercados, quis acabar com todos os serviços públicos e sob o pretexto de acabar com as «gorduras do Estado» transferiu para o sector privado tudo aquilo que conseguiu.

Sem que se importassem com as consequências e os custos para o País, PSD e CDS aprofundaram o caminho das privatizações e empresas lucrativas prestadoras de serviços públicos foram entregues a grupos privados que as gerem em função dos seus interesses particulares.

Na Península de Setúbal, os efeitos da privatização da EGF – Empresa Geral de Fomento e a transformação de um serviço público, prestado pela AMARSUL, num negócio de milhões para o sector privado começam a ser sentidos, com pesados custos para as populações.

Até ao momento da privatização, os acionistas da AMARSUL privilegiaram a opção de aplicar os Resultados Líquidos dos Exercícios, os dividendos da AMARSUL, no investimento na modernização da empresa, garantindo melhores níveis de eficiência e melhores condições de trabalho, evitando que as tarifas pagas pelos Municípios aumentassem criando mais dificuldades e constrangimentos aos munícipes da Península de Setúbal.

A partir da privatização da EGF, em 2014, ganha por um consórcio liderado pela Mota-Engil, a AMARSUL passou a ser gerida não como um serviço público, mas como um negócio que visa em primeiro lugar o lucro.

Em 29 de Março de 2016, o Conselho de Administração da AMARSUL deliberou distribuir dividendos pelos acionistas, no valor de € 1.033.254,15, tendo os administradores indicados pelos municípios votado contra.

Em 19 de Maio, os administradores indicados pela Mota-Engil propuseram e aprovaram, mais uma vez com os votos contra dos administradores indicados pelos municípios, a distribuição do montante global acumulado de € 5.071.910.

Assim, estes valores que poderiam ser aplicados na empresa, na melhoria das condições de trabalho e do serviço prestado às populações, contribuindo positivamente para o não aumento das tarifas, é transferido para os acionistas.

É perante isto que Municípios, Freguesias e Sindicatos da Região tomaram uma posição conjunta, exigindo a reversão da privatização da EGF, defendendo o serviço público de gestão de resíduos sólidos urbanos na Península de Setúbal.

É por isto que hoje, às 09:30, na Praça do Brasil, em Setúbal, trabalhadores e população se juntam numa ação de protesto contra a privatização, afirmando que os serviços públicos não podem estar sujeitos à lógica do lucro privado.

Também nesta luta, os trabalhadores e as populações da Região sabem que podem contar com o apoio incondicional do PCP que, nas várias instâncias em que intervém, se tem oposto às privatizações, exigindo a sua reversão e a garantia de serviços públicos de qualidade ao serviço do desenvolvimento do País e da melhoria das condições de vida das populações.

Texto originalmente publicado no Jornal O Setubalense, edição de 8 de Julho de 2016

Nota: No momento em que eleitos locais, trabalhadores e população se manifestavam em defesa do serviço público, realizava-se a Assembleia Geral da AMARSUL, onde a Mota-Engil, apesar dos argumentos e do voto contra dos acionistas municipais, aprovava a distribuição de dividendos, confirmando que a sua única motivação é o lucro.

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O triunfo do maoismo

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Durão Barroso vai ser Presidente da Goldman Sachs

 

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AbrilAbril

abril

Por vezes acontece assim, surge Abril para romper com a situação, para quebrar regras que se instalam, para acabar com a monotonia da mesma história mil vezes contadas da mesma forma, para dizer que, tal como a vida, também a notícia tem outro lado.

Julgo ser fundamental destacar a importância de um espaço deste tipo para quem «busca uma informação liberta do poder dominante dos órgãos e agências de comunicação social ao serviço de indisfarçáveis interesses do poder económico» e saudar todos aqueles que tomaram a iniciativa.

Desejando os maiores sucessos à equipa do AbrilAbril, cá estaremos para ir acompanhando e divulgando este projecto.

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