Geral, Política

Abstracção e sonho

 

MARCELO R SOUSA

 

 

Marcelo Rebelo de Sousa venceu as últimas eleições para Presidente da República e a culpa não é minha, nem da minha família, nem da minha vizinha, que vive só, mas que não é parva.

Antes de conhecidos os resultados eleitorais dizia-se ser possível derrotar o candidato da direita, e que este nunca chegaria a Belém (nem que chovessem picaretas), que não, com toda a certeza, pode lá acontecer uma coisa dessas… e se não for vencido há primeira volta, será derrotado à segunda, de modo expressivo, porque sim e coisa e tal…

Agora que os votos já foram contados e a tomada de posse há muito que ocorreu, ninguém, por agora, está interessado em recordar a pesada derrota da esquerda portuguesa em mais um acto eleitoral, pois o “caminho faz-se caminhando”.

De todo o modo, ao cabo de alguns meses de mandato, muitos – mais do que aqueles que nele votaram, assim revelam as sondagens de popularidade – simpatizam com o actual Presidente.

Simpatizam com o seu modo de ser e de estar, do saber ouvir, da vivacidade com que comunica, da espontaneidade e da proximidade com as pessoas, do seu bom senso, das decisões tomadas…

Enfim, será Marcelo Rebelo de Sousa outra pessoa?

Bem sei que ele é agora o Presidente de todos os Portugueses e que a “gente sonha mais do que vê”…

 

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Totalitarismos Democrátricos

 

BOLSA

Num mundo ligeiro em que a espessura do pensamento é mais fina que uma folha de papel de arroz, a política um jogo que se quer viciado ao serviço dos grandes interesses económico-financeiros, a comunicação social a voz dos plutocratas seus donos que reproduzem com maior ou menor talento, o controlo de opinião feito por um plâncton de idiotas úteis, alguns inteligentes,  cada cor seu paladar em que o paladar pouco se altera e a cor dominante é o cinzento, multiplica-se a invenção de frases coloridas como bolas de sabão para simular que se vive num mundo muito variado que de facto é composto de poucas mudanças.

Na economia as crises estruturais não são radiografadas. Tudo se escoa pelos sumidouros dos activos tóxicos, dos remédios, bancos bons e bancos maus e por aí fora, numa correria desordenada de frases feitas onde se encontram verdadeiras perolas como aquela do crescimento negativo.

Na política a cada esquina que se dobra tropeça-se no Brexit, no TINA (There Is No Alternative), nas lutas fracturantes, nos efeitos colaterais etc etc para que tudo pareça mudar para tudo continuar na mesma. Eleva-se à categoria de pensamento o thatcherismo, o reganismo, o blairismo como se tudo isso não fossem papeis amarrotados no caixote de lixo da história.

Constrói-se uma realidade de frases feitas que quer impor como realidade o fim da história, o fim da ideologia, o fim do mundo porque para eles não há outro mundo para lá deste. É um processo de pensamento minguante, de retrocesso social, de infantilização da política com um objectivo claro: não ser sequer possível pensar que é possível pensar uma sociedade outra. É o totalitarismo democrático imposto por uma ditadura de medíocres que manipula o presente para manter as rédeas do passado e do futuro nas mãos da plutocracia. Razão tinha Georges Orwell quando lucidamente denunciou que para se ser totalitário não é necessário viver numa sociedade ditatorial porque “quem controla o passado dirige o futuro e quem dirige o futuro controla o passado”.

Deve-se reconhecer que a direita vive um momento de vitória ideológica apesar das vitórias políticas da esquerda. Há que lutar todos os dias contra essa factualidade, mesmo quando vamos entrar no que eles chamam de silly season, como se as lutas sociais e políticas amolecessem com o calor e fossem de férias. Há que fazer entrar pela janela a real realidade que eles atiram com contumácia porta fora.

(editorial do Jornal A Voz do Operário/ Julho,Agosto 2016)

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Geral

Não vale tudo, não pode valer tudo!

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É absolutamente inacreditável o nível de dissimulação do PSD Setúbal.

Em Setúbal, o PSD finge que não tem nada que ver com o PSD, aliás, nem se conhecem.

Num estilo oportunista e populista, os seus dirigentes, em diversas ocasiões e na discussão das mais diversas questões da vida local, afirmam que se deve deixar de fora os partidos e a política, tentando aligeirar responsabilidades e enganar os mais distraídos.

Mas não vale tudo, não pode valer tudo!

O PSD Setúbal fala do IMI como se não fossem eles os principais responsáveis pelo IMI pago pelos munícipes de Setúbal.

À semelhança do que aconteceu no resto do País, também em Setúbal, os proprietários de imóveis só deram pela existência do IMI quando o governo PSD-CDS decidiu proceder à reavaliação dos imóveis, definindo critérios para este imposto que conduziram a aumentos brutais da carga fiscal e a graves injustiças na sua aplicação.

Em Setúbal, por via do entendimento de que o Contrato de Reequilíbrio Financeiro assim obriga, sempre foi praticada a taxa máxima, e os proprietários de imóveis no concelho só sentiram o peso desse imposto quando o governo PSD-CDS decidiu fazer uma reavaliação dos imóveis e acabar com a cláusula de salvaguarda que impedia o aumento brusco do IMI.

Agora, numa página patrocinada no facebook, vem Nuno Carvalho, presidente da concelhia do PSD, dizer que a expectativa de concretização de um investimento turístico na zona ribeirinha é uma boa razão para o município baixar o IMI.

Podemos encontrar muitas e boas razões para baixar o IMI, mas esta é no mínimo estranha, não se compreendendo se a confusão entre impostos é involuntária ou propositada para aumentar a confusão, pois o argumento relativo à valorização especulativa dos imóveis na área em causa só terá impacto em sede de IMT (Imposto Municipal sobre Transações de Imóveis) e não de IMI.

É claro que o PSD Setúbal sabe disto, mas pouco importa, o que interessa é fingir que estão realmente preocupados com as pessoas e com a carga fiscal, como se os Setubalenses não soubessem que o PSD foi responsável pela subida do IVA da restauração, do gás e da electricidade para 23%, ou pelo agravamento do IRS através da sobretaxa e por aí adiante.

O PSD Setúbal também sabe que a taxa máxima de IMI vai baixar para 0,45% por iniciativa do PCP na Assembleia da República, mas isso pouco importa, até porque o PSD votou contra.

O PSD Setúbal também sabe que os Fundos Imobiliários deixaram de estar isentos de IMI, mas isso pouco importa, até porque o PSD votou contra.

O PSD Setúbal também sabe que os proprietários com baixos rendimentos estão isentos de IMI, mas isso pouco importa, até porque o PSD se absteve.

O PSD Setúbal também sabe que foi reposta a cláusula salvaguarda do IMI, mas isso pouco imposta, até porque o PSD votou contra.

Compreendo que o PSD em Setúbal tenha de começar a aparecer e a construir uma narrativa com vista às próximas eleições autárquicas, mas não vale tudo, não pode valer tudo!

À falta de melhores argumentos contra a gestão CDU do Município de Setúbal, o PSD volta a agarrar-se ao IMI, mas aquilo que o PSD podia e devia dizer aos Setubalenses é que por via de uma proposta do PCP o IMI vai baixar em Setúbal, uma proposta que contou com o voto contra do PSD.

Isso sim, era falar verdade às populações do concelho, mas não dá jeito, pois não?

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Artes, Álvaro Lapa, Bocage, Casa das Artes de Tavira, Cultura, Daniel Pires, David Evans, Geral, Joaquim Bravo, José Delgado Martins, Manuel João Vieira, Valter Vinagre, Vincent Baldassano

Bocage Malcriado

Bocage Cartas de Alzira a Olinda

Cartas de Olinda a Alzira (2016), Gouache e tinta da china sobre papel, 56x88Enter a caption

 

A Casa das Artes de Tavira, neste ano de 2016, com uma exposição Reencontro: Baldassano, Lapa, Bravo, que esteve para acontecer nos anos 70 e que não sucedeu pela vertigem do pós-25 de Abril em que, logicamente, as prioridades eram outras. Três pintores encontram-se no Algarve, em Lagos. Ano 1972, dois artistas portugueses, Álvaro Lapa e Joaquim Bravo, estavam por lá estacionados, o terceiro, o norte-americano Vincent Baldassano, foi lá parar em ano sabático. Firmaram sólida amizade e projectaram realizar exposição conjunta na Galeria Judith da Cruz. Os ventos da Revolução adiaram o projecto. O tempo corre contra esse propósito. Baldassano regressa aos EUA abandonando uma série de telas na galeria. Álvaro Lapa e Joaquim Bravo morrem. A galeria Judith da Cruz extingue-se. O que se tinha tornado improvável, mesmo impossível, acontece mais de quarenta anos depois na Casa das Artes de Tavira por iniciativa e empenho de José Delgado Martins e David Evans. Recuperam-se as telas esquecidas de Baldassano. Contacta-se o pintor e as famílias de Lapa e Bravo.

Fica decidido que Baldassano vem a Tavira, à Casa das Artes, e que se irá organizar a exposição condenada a nunca acontecer. Não é a mesma. É outra, mas tem o mesmo fulgor criativo, celebra a amizade entre os três artistas. É um acontecimento no nosso mundo artístico não tão celebrado nem apoiado como deveria ser. Malhas com que se tece o nosso anémico mundo artístico.

Depois desta exposição, outras duas vão ser inauguradas, no próximo sábado dia 6. Uma de fotografias de Valter Vinagre, Sob o signo da Lua, é uma viagem entre o real e a ficção, sublinhada pelo uso da luz natural e o da luz artificial, utilizando a câmara fotográfica como o instrumento de registo narrativo da estória que o fotográfo conta. Fotografias belíssimas, a quase normalidade de Valter Vinagre.

A outra, Bocage Malcriado, desenhos de Manuel João Vieira, executados com maestria pelo artista que, na inauguração, serão ilustrados por fados com poemas eróticos e burlescos de Bocage cantados por Manuel João Vieira no que será acompanhado pelo actor Victor Ribeiro que irá recitar uma selecção desse grupo de poemas nas versões fixadas literariamente por Daniel Pires. Uma noite que se advinha ser um escandaloso sucesso.

Transcrevo o texto que escrevi para o catálogo.

 

BOCAGE MALCRIADO

 

Manuel João Vieira marca encontro com Bocage. Com certo Bocage porque Bocage não é um todo. Incapaz de assistir num só terreno espalha o seu talento por muitos campos mais dado aos amores devoto incensador de mil deidades que à filosofia, que só surgiria bastante mais tarde na sua poesia. Deidades que se sucedem quase vertiginosamente, algumas retratadas em versos desbragados que, em venerável e bem temperada oitava rima, gabam ou verberam o apetite ou mesmo a fúria sexual de algumas Vénus. Aquelas que derrotam homens ou os fazem pedir tréguas.

São as Poesias Malcriadas de Bocage, satírico, ciumento mesmo maldizente, vaza em poemas de excelente confecção que se popularizaram nos cafés de Lisboa, construindo uma aura que o tornam num mito perdurável. O poeta bem avisa que é um fingidor E, se entre versos mil de sentimento, /Encontrares alguns, cuja aparência/Indique festival contentamento//crede, ó mortais, que foram com violência, /Escritos pela mão do fingimento, /Cantados pela voz da dependência. Muito antes de Pessoa, Bocage o fingidor não finge ser quem não é, não se multiplica em heterónimos. Escreve sempre versos bocageanos que assombram pelo fulgor mesmo quando caricatura, satiriza é malcriado. Mas se Bocage não se desdobra, outros o desdobram criando uma lenda à medida do poeta, mestre no improviso. No tumultuoso desaguar do seu estro de alta estirpe acrescentam canhestras rimas que lhe atribuem com proveito e sem vergonha a que acrescentam anedotas, ditos, sucessos, etc. Um carnaval pícaro que tem vindo a ser limpo por vezes com algum excesso puritano.

Sobre esse tumulto Manuel João Vieira desenha. Lê Bocage com os Irmãos Catita, os Ena Pá 2000, os Corações de Atum em música de fundo, em linha com um Bocage que existiu e outro que se calhar nunca existiu, mas podia ter existido. Por lá vão ficando fixadas no papel as Nises porque Todas no mundo dão a sua greta/Não fiques pois, ó Nise, duvidosa/ Que isto de virgo e honra é tudo peta. Não são petas os desenhos, uma elegia ao Bocage que nega as sanções metafísicas que a licenciosidade deveria sofrer se não estivesse liberta da pavorosa ilusão da eternidade, para o amor não ficar preso a ilusórias amarras, não sofrer castigos, viver com intensidade que as horas de prazer voam ligeiras.

Bocage o Tumulo do Poeta

O Túmulo do Poeta (2016), Gouache e tinta da china sobre papel, 51×62

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Geral

26 de Julho de 1953

Todo el mundo tiene su Moncada

Menos mal que existen
los que no tienen nada que perder,
ni siquiera la muerte.

Menos mal que existen
los que no miden qué palabra echar,
ni siquiera la última.

Se arriman a la noche y al día
y sudan si hay calor
y si hay frío se mudan.

No esperan echar sombra o raíces
pues viven
disparando contra cicatrices.

Escuchan se proyectan y lloran
debajo
de sus huellas, con tanto trabajo.

Se mueren sin decir de qué muerte
sabiendo que en la gloria
también se está muerto.

Menos mal que existen,
menos mal que existen,
menos mal que existen para hacernos.

Menos mal que existen
los que no tienen nada que perder,
ni siquiera la historia.

Menos mal que existen
los que no dejan de buscarse a sí
ni siquiera en la muerte
de buscarse así.

Silvio Rodriguez

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Geral

Actualização democrática

Numa actualização à medida da nossa «democracia», diria este ou outro Professor, com mais ou menos afecto:

«Não discutimos a União Europeia e os seus Tratados;

Não discutimos o Euro e as suas consequências…»

Acabando, claro está, com outra democrática tirada, extraída de outro discurso, do ditador maior português: «Está tudo bem assim, não podia ser de outra forma».

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Claustro do Rachadouro, Cultura, Geral, Ministério da Cultura, Mosteiro de Alcobaça, Parcerias Público Privadas, turismo

Cultura e Ovos de Ouro

ovos de ouro

Entre a cultura e turismo há uma imbrincada rede de interesses.  Património edificado, museus,eventos culturais são os motores do turismo cultural. O contributo da cultura para o crescimento desse mercado é central, não tem o devido retorno por parte do turismo. Quem demanda Lisboa, tem nos seus monumentos a motivação. O que seria Lisboa para os turistas se não existissem os Jerónimos, a Torre de Belém, o Museu dos Coches, o Castelo de São Jorge? O crescente turismo cultural origina ainda a perversão de se avaliar o interesse cultural do património construído ou dos museus em função da sua relevância turística.

O que recebem os museus e monumentos por serem a âncora desse turismo com grande peso na economia do país? Rigorosamente nada! Uma situação que a Cultura tão maltratada do ponto vista orçamental deveria rever. São múltiplas as relações entre o património e a indústria turistica, nomeadamente as imobiliárias a ela associadas.

O parimónio, cultural e natural, geram grandes apetites. Recentemente o jornal Economist, num editorial intitulado “The $9 trillion sale”, escreve que Thatcher e Reagan usaram as privatizações como ferramenta para combater os sindicatos e transformar em receitas diversos serviços públicos e que os seus sucessores no século XXI, “necessitam fazer o mesmo com os edifícios , terrenos e recursos naturais, porque é um enorme valor que está à espera de ser desbloqueado”. Trocando por miúdos, nos centros decisores do capitalismo internacional, FMI, Banco Mundial, BCE etc, está a levedar uma nova onda de privatizações de tipo novo e radical: vender bens imobiliários estatais, incluindo patrimónios histórico-culturais, o que já está acontecer na Grécio, onde a dificuldade será  avaliar o Partenon.

Enquanto esperam a chegada dos novos tempos, os empreendores  instalam-se no património edificado, impondo condições pouco lineares. Exemplo recente, é a instalação de um hotel de cinco estrelas no Claustro do Rachadouro, no Mosteiro de Alcobaça. Um dos meios de salvaguardar património edificado é dar-lhe novas funções sem que a sua identidade seja posta em causa. Sempre foi assim ao longo dos tempos. O Palácio de São Bento, onde está instalada a Assembleia da República, começou por ser um convento. Já albergou as mais diversas instituições, até uma prisão onde esteve detido Bocage. São intervenções que devem ser cuidadosamente avaliadas e não seguirem o padrão que se está a desenhar e a ser prevalecente de instalar unidades hoteleiras de bandeja. No caso, a intervenção, até pelo histórico de anteriores usos, merece concordância, o mesmo não sucede com os termos da concessão por cinquenta anos, com  renda anual de 5 000 euros, 416 euros/mês, o aluguer de um T1 em Lisboa! Valor irrisório que nem consegue ser simbólico. O investimento do concessionário para transformar o claustro num hotel com 81 quartos é de 15 milhões de euros. Contas grosseiras o custo quarto/noite é menos de 11 euros com ocupação plena. Com uma ocupação média de 25%, o custo quarto/noite é de 40 euros. Qual será o seu valor mercado? Nunca menos de 150 euros. A realidade é outra. A empresa concessionária tem um esforço financeiro inicial a amortizar, tem custos de manutenção e funcionamento. Cria setenta postos de trabalho. Tem efeito multiplicador na economia local. Olhando para os números, mesmo grosseiros, a amortização do investimento não será complexa. O valor quarto/noite é de 101,47 euros para amortizar em cinco anos o capital investido. Sempre um bom negócio. Resta saber se não haverá outras benesses por via fiscal.  No acto de assinatura do protocolo o ministro congratulou-se com a reabilitação que vai ser feita de parte do Mosteiro de Alcobaça. Deu aquela intervenção como exemplo para a mobilização entre Poder Central, Poder Local e privados. sublinhando: “a Cultura tem valor e deve ser, como aqui se demonstra, um contributo para a criação de riqueza para o país, sem matar a galinha dos ovos de ouro, antes ajudando á criação de mais galinhas e de mais ovos”. Na capoeira outra galinha já está a chocar outro ovo de ouro no Mosteiro da Batalha. A questão que se coloca é o dono das galinhas, o Estado, entregar os ovos de ouro a preço de saldo. Se nalguns casos, cuidadosamente analisados, as parcerias entre os Poder Central e Local e os privados  são aceitáveis na base de protocolos que não sejam lesivos para o Estado, como frequente e escandalosamente acontece, vejam-se as famigeradas PPP, há tudo a opor a concessões com este teor. Quem vai continuar a manter o Mosteiro de Alcobaça é o Estado. O concessionário que beneficia do valor patrimonial do todo e só participa na reabilitação de uma parte deve ser chamado a contribuir para esse todo. O mínimo exigível seria que uma percentagem dos resultados operacionais da exploração do hotel fossem adstritos à manutenção do mosteiro.

Assim vai a economia da cultura e as suas galinhas dos ovos de ouro.

(publicado no jornal Avente! 2224/14 Julho 2016)

ALCOBAÇA

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