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BARRELAS

sabão azul e barnco

11 de Março de 1975, as portas de Abril, abriam-se para mudar de vida.

11 de março de 2015 dia de barrelas de alguma da muito suja que, desde esse dia, se acumulou por Portugal.

Barrela 1- Pedro Passos Coelho, na Assembleia da República a justificar o injustificável. O não pagamento à Segurança Social, desvios do IRS, por trabalhos feitos, para empresas todas elas pouco recomendáveis. Os trabalhos pesadíssimos que Pedro Passos Coelho fazia, dizem os seus antigos patrões, era abrir portas, gabando-lhe o portefólio de gazuas. Mais hábil que Al Capone, não se deixou apanhar nas malhas contributivas para o Estado. Um artista português que, com os seus olhos de bandido nos assalta todos os dias desde que se sentou em São Bento. Mente, mente sempre convictamente como o fez durante a campanha eleitoral, como sempre o fez. Como ainda há pouco tempo, roído pela medíocre inveja de assistir ao triunfo de um partido que se opõe às políticas de austeridade que tanto o excitam, nada melhor que sodomizações teutónicas, disse graçolas sem tino e mentiras para os portugueses desprevenidos se indignarem, afirmando que Portugal foi dos países que mais contribuiu na ajuda financeira à Grécia. Mentiu, como sempre fez e faz. Portugal contribuiu de acordo com o PIB e os tratados europeus que subscreveu. Nem um cêntimo a mais ou a menos! Hoje foi lavar as nódoas indeléveis de contumaz fugitivo às contribuições. Homem sem princípios nem dignidade, que vampiriza o povo trabalhador e bajula o grande capital.

Barrela 2- Em 11 de março de 1975 Spínola tentou um golpe de estado. Mais um golpe de estado depois de um primeiro tentado, em aliança com Adelino Palma Carlos e Sá Carneiro, pouco tempo depois da Revolução de Abril. De um segundo, em 28 de Setembro de 1974, em que a maioria silenciosa, que supostamente o apoiava, partiu os dentes ao enfrentar as forças populares democráticas. Nunca deixou de conspirar contra o 25 de Abril. Fê-lo logo no primeiro momento, quando queria que o Movimento das Forças Armadas regressasse aos quartéis na esperança de um triunfo de uma marcelismo democrático corporizado por ele. Em 11 de Março de 1975, perdeu novamente. Fugiu para o estrangeiro, onde continuou a conspirar contra a democracia e as conquistas da Revolução. Apesar de toda essa actividade conspirativa, Mário Soares, graduou-o marechal, Nomeou-o das Ordens Portuguesas, condecorou-o com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito , a segunda maior insígnia da principal ordem militar portuguesa. Como não há almoços grátis, façam o favor de extrairem as vossa conclusões sobre esta parceria bem pública. Outras continuam ocultas como a da tonitruante voz que se calou e não chegou a ler a proclamação de um 11 de Março vitorioso. Hoje, em alguns meios de comunicação social, o 11 de Março é apresentado com uma casca de banana, uma ratoeira em que e Spínola escorregou deixando-se apanhar na armadilha. Não há um pingo de vergonha. Desde o primeiro momento sempre se tentou mistificar a intentona spinolesca! Como se o homem do monóculo não fosse um dos primeiros e dos mais activos conspiradores contra o a Revolução do 25 de Abril.

Barrela 3- Em Santa Comba Dão, o edil socialista prepara uma candidatura a Fundos Comunitários, para construir um museu e um centro de estudos sobre o Estado Novo! Qual fascismo, qual ditador! O Senhor Primeiro-Ministro do Estado Novo! Em marcha o que anda desde há muito tempo em marcha. A lavagem do fascismo por métodos científicos, pela mão de historiadores encartados como Rui Ramos, com trabalhos nessa área a demonstrar que não houve nem fascismo nem oposição ao fascismo. A panóplia repressiva do fascismo, que não era pouca desde os manuais escolares para lavagens aos cérebros, a Mocidade Portuguesa, a Legião, a Censura, a PIDE/DGS, prisões e campos de concentração, não passavam de suaves meios dissuasores dos recalcitrantes a quem era preciso dar uns safanões a tempo. Até aos historiadores diletantes como o Fernando Dacosta que foi escutar as confissões de Maria para reescrever a história e embelezar a imagem do ditador que não sabia nada das tramoias da PIDE para tramarem Humberto Delgado ou que sugeriu a fuga de Cunhal da prisão de Peniche. Intelectuais latrinários e mercenários não faltaram ao cheiro do dinheiro sujo por um passado execrável.

40 anos passados sobre o 11 de Março de 1975, dói assistir ao estado de degradação, política , económica e ética em que o país mergulhou. Para se refocilar na pocilga completamente, só falta aparecer hoje no Frente a Frente da SIC Notícias (passe a publicidade) José Matos Correia para decretar, como já decretou com o seu ar porcino, que o 11 de Março e as consequentes nacionalizações fizeram regredir o país dez anos. Nem mais nem menos! Esperemos que coloque bem visível um retrato de Ricardo Salgado, o dono disto tudo agora caído em desgraça, herdeiro dos donos disto tudo do fascismo, perdão Estado Novo! auurrrgggghhhhh!!!!!!

Apesar e contra a miséria moral vigente, celebremos com alegria o 11 de Março de 1975!!!

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Barranco de Cegos

1- CABEÇAS “PENSANTES”

Nos prados verdes e viçosos da nossa comunicação social os inúmeros comentadores pastam com o sorriso alegre, ruminante e beato de quem olha o futuro com a certeza da eternidade dos mercados mesmo quando a sua queda livre já nem sequer é anunciada, é um facto. Uma realidade inquietante por coexistir com os sinais de confrontos, cada vez mais frequentes, que vão dos debates diplomáticos mais aparentemente civilizados àqueles em que a diplomacia se exerce pelo uso da força, das sanções à intervenção militar, a sua forma extrema.

vaca

Nada disso remove o sorriso bovino da multidão de comentadores em concorrência ao que Cavaco Silva revelou ao mundo embasbacado, ter descoberto nas vacas açorianas. Os géneros são os mais diversos cobrindo largo espectro. Dos mais sofisticados que se esforçam por parecer independentes e lançam boias para que o sistema não se afogue nas suas próprias contradições aos que, dotados de enorme espessura óssea, arremetem contra a realidade como arietes medievais a rebentar portões das cidadelas onde ela se refugia para a ferir de morte ao som do alarido das carpideiras a entoarem os improváveis amanhãs que cantam do império.

Uma dessas luminárias, cegas pelo furor de acreditar teologicamente no futuro da ordem unipolar no mundo, é Miguel Monjardino (MM) que todas as semanas arrota tonteiras, o que faz presumir como atormenta as meninges dos seus alunos na Universidade Católica que, quando chegam à rua, devem ficar atónitos verificando que ou a realidade naqueles minutos de trânsito mudou quase completamente, ou que pouco do que lhes foi impingido tem a ver com ela.

A sua crónica no Expresso de 25 de Outubro é o exemplo acabado de um pretenso Tirésias de vão de escada que à cegueira física soma a cegueira mental que o torna num completo incapaz de ler o presente e prever qualquer futuro. O tema “Energia e Política”, em que, referindo a Ucrânia, as eleições que se iriam realizar nesse fim-de-semana, faz considerações sobre questões geoestratégicas relacionadas com a energia, as finanças, os equilíbrios globais.

Em duas penadas despacha as questões energéticas actuais para fazer duas demonstrações: 1ª O orçamento russo é muito dependente das exportações de petróleo e gás, o que a torna muito vulnerável e um país muito fraco. 2º Os EUA lideram a revolução energética a nível mundial e a influência de Washington na regularização da globalização financeira nunca foi tão grande.

2. MERCADOS DAS ENERGIAS

O estado actual dos mercados energéticos é muitíssimo mais complexo do que que MM supõe. Quanto ao segundo pressuposto é o avesso da realidade. O objectivo de MM é linear. Comungou a hóstia macdonnald do mundo unipolar com a fé de quem acredita que será dirigido para lá dos séculos pelos seus donos que atiçam a canzoada: ladrem, ladrem, quanto mais ladrarem menos gente olha para os nossos pés de barro.

PETROLEO

A turbulência dos mercados do petróleo é dominada pelo baixo preço do barril de petróleo que resulta, por um lado do abrandamento da economia mundial, por outro por a Arábia Saudita estar a inundar o mercado com petróleo, chegando a vendê-lo aos seus clientes asiáticos a US$50/60 o barril. A decisão da casa Saud pode ser o resultado de um conluio EUA/Arábia Saudita, para atingir, em primeira linha, a Rússia, em, segunda linha o Irão, depois todos os outros países produtores. Mas a primeira consequência é arrasar os mercados de futuros, sem ainda serem previsíveis as consequências, sobretudo nas bolsas de Nova Iorque e Londres, as principais praças desse “produto” financeiro. Tudo isto é menos que linear, mas faz MM, do alto da sua fissurada ciência, decretar impante, como todos os ignorantes o são, que “a revolução energética é agora liderada pelos EUA”. Não percebe que a entrada da Arábia Saudita nessa trama, ao atingir fortemente a Rússia, cujo PIB muito depende das exportações de petróleo e gás o preço barril terá que ter um patamar mínimo de US$ 100, tem efeitos colaterais brutais, alguns ainda não entrevistos.

brent

3-NOVAS FONTES ENERGÉTICAS

Os norte-americanos são neste momento energeticamente autossuficientes, têm capacidade exportadora por via da produção de óleo e gás de xisto, o “shale”. Só que o preço de extracção do “shale”. Só que o preço extracção do “shale ”números da Agência Internacional de Energia (AIE), varia entre os US$ 60/85, barril igual ou superior ao actual preço de mercado do barril de petróleo. No seu valor mínimo só um preço acima dos US$105/barril remunera essa produção. É de referir que os investimentos são enormes porque os poços esgotam-se praticamente na primeira perfuração. Isso sem referir o desperdício de água, necessária em volumes brutais, os impactos ambientais A poluição das águas subterrâneas consequência do “fracking” começa a ser severa e preocupante. Outros fenómenos como o aumento de sismicidade, já cientificamente comprovada, e outros enunciados mas ainda não mensurados, tornam a produção de “shale” controversa.

Shale

O conluio entre a Arábia Saudita e os EUA, que tem o objectivo de levar a Rússia á falência e submeter o Irão aos ditames do império, acaba por ter um efeito de ricochete nos EUA, que a Arábia Saudita utiliza em proveito próprio procurando ocupar o lugar agora deixado quase vazio pelos outros grandes produtores, como a Líbia e o Iraque. Trava as veleidades exportadoras dos EUA, porque a produção de gás das rochas betuminosas é marginal e mesmo que não fosse não existem infraestruturas para a sua exportação. A outra face dessa “revolução energética é que, embora a extracção de hidrocarbonetos de rochas compactas tenha aumentado a bom ritmo, os operadores têm-se endividado de forma brutal. O custo e as exigências continuadas de investimento, não é coberto pelas receitas geradas. Ivan Sandrea, da Oxford Institute for Energies Studies, num relatório recente afirma: “quem pode ou vai querer, financiar a perfuração de milhões de hectares e centenas de milhar de poços com prejuízo permanente? (…) A benevolência dos mercados de capitais dos EUA, não pode durar para sempre”. Análises da Blombreg e do Barclays concluem que cada US$1 ganho custou US$2,11. O que é insustentável a curto e médio prazo e está sobre forte pressão dos actuais preços do barril de petróleo, impostos pela Arábia Saudita. Este é a radiografia da “revolução energética a nível mundial é agoira liderada pelos EUA“ que faz salivar de alegria MM, porque com os seus fracos recursos em massa cinzenta, um bem que mesmo escasso é gratuito, não vê que essa revolução energética tem mais razões políticas que económicas, o que a torna frágil e de futuro, a curto e médio prazo, mais que incerto.

Outra ficção é o “light crude” saudita acabar por substituir as outras importações de petróleo europeias. A transformação das refinarias para o “light crude” exige investimentos incomportáveis. A Europa beneficia no curto prazo, mas não a médio prazo.

4-DÓLAR, PETRODÓLARES

As primaveras árabes, a guerra no Iraque e na Síria, a emergência dos islamitas radicais, os vários braços da Al-Qaeda, tudo invenções dos serviços secretos norte-americanos ao serviço de uma política expansionista e de defesa do petrodolar e com o fim último de cercar a China e a Rússia, tem sido postas activamente em prática. Saddam Hussein, embora com restrições violentas à exportação do seu petróleo, começou a vendê-lo em euros. Kadhaffi, estava a tentar implementar um sistema de venda do barril de petróleo em dinar-ouro. Na Síria estava ser projectado um oleoaduto e um gasoduto para dar acesso directo ao Mediterraneo ao gás e ao petróleo do Irão. Estão explicados os conflitos, o frenesi de agitar as rotas bandeiras dos direitos humanos e da democracia esburacadas pelos interesses económico-finnceiros. A opinião sobre estes conflitos de alguns diplomatas que andam por aí a perorar dariam vontade de rir se a situação mundial não fosse tão séria.

Ainda em relação à energia MM diz e bem, pepitas raras de verdade são largadas de quando em vez para dar credibilidade ao disparate, que a Europa vai demorar uma década a ser energeticamente independente da Rússia, para concluir que a viragem da Rússia para a China é uma miragem. Em menos de dez anos prevê-se que os oleadutos entre a Rússia e a China entrem em funcionamento, pelo que não se percebe onde habita a miragem.

A política do petróleo a um preço artificialmente baixo tem consequências que não podem ser mensuráveis com certezas absolutas, pelos efeitos perversos que tem sobre quem a prática e apoia. Em relação aos EUA tem uma exigência não negligenciável: manter o dólar, com variações mínimas, à cotação actual. Garantir a cotação exige a sobrevivência do petrodólar, resultante de um acordo EUA/Arábia Saudita, que impôs o dólar como moeda de referência nas transacções de petróleo, depois adoptado por outros países da OPEP, e o dólar como moeda de referência nas transacções internacionais. MM sabe quanto essa premissa é fundamental e arremete contra todas as evidências. Decreta que “a influência de Washington na regulação da globalização financeira nunca foi tão grande como agora”. Isto já não é um disparate. É uma alarvidade todos os dias desmentida pelas mais diversas e inquestionáveis fontes.

5- DÓLAR À BEIRA DO ABISMO

Um alerta vem do FRED (Federal Reserve Bank of St.Louis) que noticia que só num ano, 2008; foi criado quase tanto dinheiro (817.904 milhões de dólares) como nos 63 anos anteriores (de 1945 a 2008 821.686 dólares). Que nos seis anos de crise, Janeiro de 2008/Setembro 2014, foi criado quatro vezes mais dinheiro do que entre 1945/2008.

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Quer dizer, sem resolver a crise, a tipografia não parou de imprimir notas verdes. Um sinal de que tudo está a correr mesmo muito mal é o FED ter deixado de divulgar as estatísticas de M3 (M1, dinheiro em circulação e dinheiro depositado em contas à ordem. M2 M1 mais dinheiro depositado em contas a prazo e pequenos instrumentos de poupança. M3, M2 mais os grandes instrumentos de poupança, eurodólares, outras divisas, etc.). a partir de Março de 2006, ocultando deliberadamente esse indicador. O que vale o dólar? O primeiro sinal de alarme vem do mercado do petróleo. O dólar, os chamados petrodólares só são agora usados em 75%/80% das transacções mundiais. Pior é a situação do dólar como moeda de trocas comerciais. Os BRICS decidiram fazer as transacções entre si nas suas moedas. A China e o Japão, os maiores parceiros comerciais asiáticos, usam as suas moedas desde 2012. A tendência para abandonar o dólar é crescente já atinge mais de 30% das transacções comerciais mundiais,  tendência em aceleração. Um editorial recente do Wall Street Journal, avisa para o enorme perigo de nos próximos três anos o dólar só estar presente em 50% das transacções comerciais mundiais e nos cinco anos seguintes tornar-se uma moeda quase irrelevante. Mais pessimistas são alguns analistas neoliberais. Lord Christopher Monckton de Brenchley, um dos assessores e mentores de Margaret Thatcher escreve um artigo com o título “The dollar colapse not whetter, but when”, que a falência do dólar é uma questão de tempo , porque os EUA, com uma dívida gigantesca aumentam-na em 64 000 dólares a cada segundo!!!

dolar a arder

Jeremy Levy, economista que previu a crise do subprime, avisa a forte probabilidade de crash em 2015 .Peter Singer, que gere um dos maiortes fundos de investimento o Trust Investment Elliot Managenement, calculado em 5 400 mil milhões de dólares, escreveu uma carta aos seus investidores, carta também reproduzida na Bloomberg News, avisando-os que não é prevísivel o tempo que irá durar uma política com dados de crescimento falsos, com postos de trabalho falsos, com dinheiro falso, com investimentos falsos, com financiamentos falsos. Os alertas disparam de todos os lados. A confiança que dava ser dono da tipografia e de se poder imprimir notas verdes a toda a hora para as injectar na economia, foi chão que deu uvas. Poderão ser previsões excessivamente pessimistas, mas noutros tabuleiros a realidade move-se.-

5- REALIDADES EMERGENTES

Os indicadores acumulam-se. Segundo o FMI o PIB da China; 17,6 biliões de dólares, 16,5% do PIB mundial ultrapassou em Setembro o dos EUA,17,4 biliões de dólares, 16,2% do PIB mundial. Os analistas do FMI e do BMI, previam que isso só acontecesse em 2016. Um facto a sublinhar porque a última vez que isso sucedeu foi em 1876 quando os EUA ultrapassaram aa Grã-Bretanha.

EUA CHINA

As previsões do FMI para 2015 são catastróficas para os EUA. A diferença entre os dois países será superior a dois biliões de dólares.

Outra novidade registada nos estudos do FMI é que o poder de compra G7- EUA, Japão, Canadá Inglaterra, França. Itália, Espanha, foi ultrapassado por um novo G7- China. India, Rússia, Brasil, Indonésia, África do Sul, Turquia em dois mil milhões de dólares.

G7

Tudo notícias pouco favoráveis ao dólar e ao domínio dos EUA sobre o mercado de capitais que se joga noutras frentes. O Banco de Desenvolvimento decidido pelos BRICS, tem entre outros objectivos por em circulação uma moeda alternativa ao dólar nas transacções mundiais. É uma ameaça aos habituais instrumentos de dominação financeira actuais, o FMI e o BMI. A internacionalização do yuan está em marcha. Já salvou a Bolsa de Londres de grande afundamento e começa a ser olhado pelo BCE como moeda importante para as suas reservas monetárias. Na área do Pacífico a China desafia abertamente os EUA com um Banco de Desenvolvimento Asiático. Ainda na recente reunião da APEC- Asia-Pacific Economic Cooperation, que se realizou em Pequim, Obama tentou contornar os objectivos da China, reunindo-se na embaixada dos EUA com os doze mais importantes países, excluindo a China e a Rússia. Não teve êxito e acabou por ver aprovada a proposta da China que, através do Banco da China e do Fundo China, vai investir 140 000 milhões de dólares em ionfraestruturas ferroviárias, rodoviárias e marítimas para desenhar uma nova Rota da Seda. Xi Jinping foi muito claro nesse objectivo, firmado num Acordo Estratégico Trans-Pacífico de Associação Económica, que irá redesenhar o mapa de negócios da Costa Asiática do Oceano Pacífico estendendo-o até à Europa, para garantir um novo equilíbrio no campo económico. Os EUA são atirados para um plano secundário nesse novo eixo mundial.

6- O OURO E O DÓLAR

Como se isto tudo não fosse suficiente a outra arma que os EUA têm utilizado para manter artificialmente o dólar ao seu valor actual é a manipulação do mercado do ouro. Desde 2010 que o FED, os seus agentes bancários têm realizado vendas de ouro a descoberto. O mercado da Comex, a bolsa de ouro actual com sede em Nova Iorque, desde essa data, vende ouro-papel e não ouro-físico. Os grandes compradores são os especuladores e os hedge funds que compram e vendem activamente esse ouro-papel para controlarem o preço do ouro e proteger o dólar. As emissões de ouro papel são brutais, muitos analistas afirmam que os EUA já não terão ouro que cubra as emissões de ouro papel. A Alemanha e a França por diversas vezes reclamaram em vão a devolução do ouro que enviaram para os EUA, durante a II Guerra Mundial. Há quem veja nisso um sinal grave de haver insuficiência de ouro físico nos EUA.

dolar ouro

Paul Craig Roberts, ex SubSecretário do Tesouro nos governos Reagan, advertiu que a China e a Rússia esforçam-se para fortalecer a sua posição com compras maciças de ouro, enquanto os EUA apostam em atrasar essa intenção com guerras e outras intervenções para debilitar os seus rivais e proteger o petrodólar. Vai mais longe. Com o cohecimento de causa que lhe dá o lugar governamental que ocupou, coloca em dúvida que os EUA ainda tenham reservas de ouro, incluindo a de outrso países que lhes foram confiadas. Na sua opinião essas reservas estão esgotadas.

De facto, no ano corrente tanto a China como a Rússia têm comprado enormes quantidades de ouro físico, cuja cotação embora continuando a subir lentamente, consequência da manipulação comandada pelo FED, está longe de ser a que se calcula ser o seu valor real. A China e a Rússia para contrariar e alterar essa situação decidiram instalar no mês de Novembro em Xangai uma Bolsa de Ouro, onde as vendas a descoberto são proibidas e só será transacionado ouro físico. O yuan passará a ter como padrão o ouro o que irá acelerar a sua internacionalização e incrementar a sua procura como a moeda de reserva.

golar yuan

A Bolsa de Xangai será uma fortíssima ameaça às Bolsas de Nova-Iorque e Londres. Vai ser uma luta entre dois mercados de ouro, um baseado na avaliação da realidade e outro no jogo e manipulação. Mais uma forte ameaça ao dólar e ao petrodólar num país com uma dívida brutal, provavelmente já impagável, com enormes e crescentes défices comerciais. Uma política económica sacrificada pela especulação, a desmesurada cobiça de agentes financeiros cujo objectivo principal é salvar cinco ou seis megas conglomerados financeiros, cujos antigos decisores e executivos controlam o FED, o Tesouro e as agências financeiras federais.

6-O MUNDO SOB UMA SERIA AMEAÇA

É essa realidade evidente que ameaça os EUA o que MM não vê para continuar a afirmar que os EUA comandam o mundo financeiro. O pior cego é o que não quer ver, sem querer ver os enormes perigos para a paz mundial que isso representa, bem evidente no frenesi guerreiro de Obama, esse prémio Nobel da Paz que já bombardeou sete países. Pano de fundo o desespero de manter o dólar a flutuar antes que cada nota de dólar não valha mais que as do jogo do monopólio. Há entre os políticos norte-americanos quem acredite e defenda que o primeiro a sacar do gatilho nuclear fica a salvo. MM pensa pouco e mal o estado do mundo, muito menos consegue entrever as grandes alterações geoestratégicas que se estão a desenrolar que provocam o desespero perigoso do império, da sua ordem unipolar. Deve considerar legítimo, normal que Obama discurse na Academia de West Point declarando-se um convicto fora da lei :” Os Estados Unidos usarão a força militar, unilateralmente se necessário, quando os nossos interesses o exigirem, a opinião internacional conta, mas a América nunca vai pedir autorização”. Claro que os interesses dos EUA não são os interesses dos norte-americanos mas os do complexo militar-financeiro, quem verdadeiramente governa por interpostos democratas ou republicanos.

A Miguel Monjardino, arauto rouco do império, oferecemos um rolo de papel higiénico para se babar com o padrão, escrevinhar no verso a sua Guerra e Paz, Tolstoi deve rebolar-se até ao fim da eternidade de raiva do uso abusivo que o idiota lusitano faz do título da sua obra-prima, para depois de cada escrita lhe dar a finalidade para que foi fabricado. As crónicas de MM terão finalmente utilidade e acabam no sítio certo.

dolar papel higiénico

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Pastel de Nata a Cavalo

Pastel de nata

cavaloEm Portugal, as armas e os barões assinalados de uma maioria, um governo, um presidente, o alfa do pensamento politicamente esquálido de Sá Carneiro, deixam registos a assinalar nestes últimos anos.

Um Presidente especialista em raspadinhas premiadas do BPN. Um Primeiro-Ministro que, segundo o seu último empregador, era um entendido em gazuas ”que abria todas as portas” Um Vice-Primeiro Ministro perito em submarinos e feiras e aparecer dedo no ar por tudo e por nada. Uma Ministra das Finanças que hoje diz uma coisa e amanhã outra e é mestre em falhar todos os objectivos ,pelo que os seus melhores orçamentos são os rectificativos. Um moedeiro falso que corta a eito na investigação e vai para a Europa dizer o que nunca disse nem fez para garantir o tacho. Um Ministro da Educação que lança o caos no ensino básico e secundário , sorri satisfeito por lhe cortarem 700 milhões no orçamento do ensino superior e na ciência. Uma Ministra da Justiça que implementa o caos com a reforma judicial. Um Ministro do Ambiente que impõe uma taxa sobre os sacos de plástico e os sujeita ao IVA e inventa um imposto sobre o carbono que vai provocar um aumento generalizado sobre os bens essenciais. Um todo poderoso ex-ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, profissional em licenciaturas turbo. Um Governo finge não saber que a austeridade é o maior inimigo da natalidade e para a incentivar aumenta a discriminação social com um cociente de 0.3/filho no IRS, que beneficia tanto de um presidente de um conselho de administração que ganha 4,2 milhões de euros/ano, como a um casal com o ordenado mínimo, porque os filhos dos ricos não são iguais aos filhos dos pobres. Da chamada sociedade civil exemplos também abundam. Há um banqueiro que cinco dias antes de o seu banco declarar falência apresentou com pompa e circunstância o livro de sua autoria Testemunho de Um Banqueiro. A história de quem venceu nos mercados”. Um outro recebeu a distinção de doutor honoris causa para nos depois se descobrir o enorme buraco do seu banco que era, diziam, um dos pilares da economia e da finança nacional. Esses dois sucessos tiveram lugar no ISEG pela mão de João Duque que o dirigia e é membro destacado do think-tank nacional que continua a ser reverentemente escutado nos media..

Etc, etc, etc. A lista poderia continuar, ser quase interminável, se não tivesse acontecido nos últimos dias uma iluminação quase divina que nos deixa alumbrados.

O anterior Ministro da Economia tinha descoberto e empunhado a alavanca mestra para aumentar as exportações: o pastel de nata.. Anos passados a por canela nos pasteis de nata sem se verem resultados palpáveis eis que o Presidente da República se chega à frente, dá um valioso e definitivo contributo:“o hipismo é uma área chave para o desenvolvimento da economia nacional”É a grande revelação que banaliza mesmo as da Senhora de Fátima aos pastorinhos. O grande desígnio nacional está encontrado: O Pastel de Nata a Cavalo

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Política, União Europeia

A União Europeia hoje

Pobreza infantil

A União Europeia está mergulhada numa profunda crise de que não se vislumbra qualquer melhoria, mas, pelo contrário, um agravamento progressivo, agravamento que tal como um cancro vai metastizando todos os países, mesmo aqueles que, aparentemente, poderão parecer a salvo dele. Hoje, tornou-se claro que o tão cantado processo de integração europeia serviu, apenas, os interesses do capitalismo, dos grandes grupos económico-financeiros que agem de forma premeditada e pérfida para esconder a verdadeira questão: a crise estrutural avassaladora em que está mergulhado o capitalismo. Essa crise manifesta-se a nível económico, social, ambiental, energético, alimentar, cultural e moral.

O desemprego na zona euro subiu novamente, estando em Abril de 2013 em 12,2% no conjunto dos 17 países; 19 milhões de desempregados dos 26,9 milhões da União Europeia vivem nos países que adoptaram o euro. O desemprego dos jovens atinge números impressionantes, o desemprego de longa duração tornou-se uma praga, pois não há trabalho. Os mini-empregos na Alemanha são outra praga que já faz com que governos se queixem do governo alemão, nomeadamente, o governo belga. São já 7,5 milhões, alguns são romenos e búlgaros que ganham entre 3 a 4 euros por hora e sem quaisquer direitos e descontos para a segurança social.

Desemprego e diminuição de apoios sociais (o que também se verifica por todos os países mais ricos da UE) está a provocar um aumento da pobreza. De resto, há mesmo trabalhadores, inclusive na Alemanha, que mesmo trabalhando vivem já abaixo do limiar de pobreza. A pobreza infantil alastra como erva infestante. Uma em cada seis crianças na Alemanha vive na pobreza; ainda na Alemanha 12,8 milhões de alemães viviam abaixo do limiar de pobreza; 67,8% dos desempregados alemães estão ameaçados de pobreza. Poderia dar-vos muitos outros números de vários países, mas cito a Alemanha para tornar mais óbvio como a situação é grave mesmo na maior economia da Europa e ainda a 3ª a nível mundial. A Holanda (que silêncio à volta deste País, tão orgulhoso e presunçoso quanto aos programas do FMI) está em crise (explosão da bolha imobiliária tão grave como a dos EUA e a de Espanha) acelerada e a já com medidas de “austeridade” que só estão a gravar a situação. Um grande banco holandês (DSB) foi à falência, e outro (ABN) foi nacionalizado. (claro, o povo trabalhador que pague).

Nenhum país da zona euro está tão endividado como a Holanda.

O desemprego está a subir, o consumo a baixar e a economia a estagnar. Os novos cortes anunciados pelo seu ministro das finanças são da ordem dos 4,3 mil milhões, cortes que atingirão a saúde e outros serviços públicos. Há rumores sobre a França!

As desigualdades sociais aumentam em todos os países europeus e o sonho europeu (de quem foi o sonho?) integrador, de grande progresso social, fim do desemprego e aumento da inclusão social mais parece um nado-morto gerado na mentira e pela ganância daquela pequena percentagem de multimilionários cuja frieza de raciocínio conhecemos. Aqueles objectivos eram para se cumprir até 2020, gargalejavam eles e mais os seus capatazes pagos a preços de luxo.

Depois, face ao que se passava em 2008, com a pobreza a subir bem como a exclusão social, resolveram que o ano de 2010 era o Ano Europeu de combate às ditas. Conversa fiada para encanar a perna a rã, como se costuma dizer em jargão popular. A pobreza atinge números escandalosos, os excluídos aumentaram sob as mais diferentes formas e as desigualdades sociais sobem em flecha.

László Andor, o comissário europeu do emprego (desemprego, melhor dizendo)) afirmou que a União Europeia atravessa “a pior” crise financeira, económica e social desde que foi criada e que a zona euro está, este ano, “na posição mais vulnerável” de sempre, se forem tidos em conta o desemprego e a situação social. O comissário europeu disse também que cada vez mais cidadãos e políticos estão a começar a procurar soluções que implicam desintegração em vez do fortalecimento do projecto europeu, porque “sentem que a Europa não geriu bem a resposta à crise. Neste âmbito, László Andor reconheceu que “muitas coisas” poderiam ter sido mais bem geridas na resposta à crise. Pois é, mas convenhamos que galinhas e raposas juntas não convivem bem nem nunca conviverão.

Os povos, os trabalhadores dos países da UE, e não só, já perceberam que só a luta vigilante, persistente e organizada poderá combater o seu inimigo mortal, a raposa, que não irá desistir daquilo que o move: o lucro, seja à custa de pobreza de crianças, mortes de idosos, de jovens de asas cortadas, de reformados a sustentarem os seus filhos e a empobrecerem ainda mais, de doentes a morrerem sem tratamento.

A luta foi sempre o caminho dos povos e os povos sabem isso. Se assim não fosse, estaríamos ainda na sociedade esclavagista grega e romana de que tanto nos orgulhamos e na qual só uma minoria era considerada cidadã e com direito à democracia( e à ociosidade).

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economia, Geral, Política

Ondes estavas tu entre 1985 e 1995? ou Um estigma chamado Cavaco

“Numa altura em que urge criar riqueza no país e gerar novas bases de crescimento económico, é necessário olhar para o que esquecemos nas últimas décadas e ultrapassar os estigmas que nos afastaram do mar, da agricultura e até da indústria”

O principal rosto do processo de destruição do aparelho produtivo nacional, dos incentivos à desindustrialização, ao abate à frota pesqueira, ao fim de explorações agrícolas, o homem que assumiu como seu o projecto europeu para Portugal que reduzia o País a turismo e serviços, tem de compreender que as suas palavras causam perplexidades, dúvidas e alguma vontade de rir (não fosse o caso tão grave).

A não ser que estejamos perante o reconhecimento dos graves erros e crimes cometidos pelos seus governos contra o País e o desenvolvimento, não é possível admitir a postura de superioridade moral e intelectual com que faz estas afirmações que, até ao momento, não passam de declarações vazias de qualquer significado prático.

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Geral, Política

Porque não me falta a memória

Já sabíamos que o Cardeal Policarpo tem uma missão, certamente divina, de proteger os privilégios de alguns, apelando à resignação dos portugueses perante as injustiças, os sacrifícios, a austeridade e o roubo de que estão a ser alvo.

Não se manifestem, não se revoltem, isso é pouco democrático e, claramente, nada católico, diz o Cardeal.

Agora, também o seu órgão de comunicação social, a Rádio Renascença, vem informar o fiel ouvinte dos perigos da resistência à injustiça.

Num texto não assinado, onde sobressai o ódio, o medo e o preconceito, sente-se o cheiro a mofo e compreende-se que cada palavra foi carinhosamente recuperada do léxico anticomunista dos tempos da guerra fria.

«Os perigos da falta de memória», assim se intitula o texto, fala-nos do perigo vermelho, o perigo das pessoas aderirem às propostas do PCP, dos comunistas que vêem na crise uma oportunidade para levar os ingénuos a pensar que é possível neste mundo construir um mundo diferente e melhor, distraindo-os do essencial, claro está, os crimes do comunismo e a falta de liberdades nos regimes do ex-bloco socialista.

Ora se avaliássemos tudo pelo seu passado, veríamos em Policarpo, não um Jesus Cristo, mas um Cerejeira, ou um Torquemada, ou um qualquer Cruzado, veríamos que em Portugal, no tempo em que não havia liberdade, os comunistas estavam a reivindicá-la e a arriscar a sua vida por ela e a hierarquia da Igreja a defender o regime, a repressão e a ausência de liberdades, tais são os perigos da falta de memória.

Também seria interessante apelar à memória para se ver o papel que a Igreja (as Igrejas) tiveram nos tais países do ex-bloco socialista, com quem se aliaram, que tipo de liberdades defenderam, teríamos conclusões bastantes interessantes, mas esse seria outro debate e os erros de uns, não absolvem os erros de outros.

Felizmente, não avalio as pessoas e as organizações pelos mesmos parâmetros que se utilizam na Rádio Renascença, até porque o que está verdadeiramente em causa não é o passado e a memória, mas o presente e a defesa que a hierarquia da Igreja faz deste governo e do caminho de desastre em que este coloca o País.

O que está em causa é a necessidade de, através do preconceito e da frase feita, a Rádio Renascença e a hierarquia da Igreja alertar para o perigo de as pessoas ouvirem as propostas do PCP e a apresentação de alternativas à crise, à austeridade e a recessão, um projecto que rompe com as inevitabilidades e põem em causa as desigualdades e as injustiças de um sistema assente na exploração, quando o que exigem é a resignação e a aceitação acéfala da miséria e do emprobrecimento do Povo e do País.

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Política

Estarão as comadres zangadas?

As comadres andam zangadas, não se dão bem umas com as outras, têm difíceis reuniões de 20 horas, querem demitir-se, ameaçam que vão avaliar o seu papel no mundo, decidem não falar publicamente sobre o que lhes vai na alma, estão em permanente crise existencial.

Tudo isto é muito interessante para encher páginas de jornais e permitir belas primeiras páginas, como no exemplo.

Mas, a verdade é que enquanto não se consuma do divórcio, as comadres com caras feias ou alegres vão despejando a sua raiva contra os portugueses.

Não sabemos se a proposta de Orçamento do Estado 2013 é fruto do amor ou do ódio entre as comadres PSD e CDS, sabemos o quanto vai custar na vida de todos nós, na destruição da economia nacional, no aprofundar da crise, no empobrecimento do país.

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Política

Movimentos sociais orgânicos e inorgânicos

O deputado do PSD Carlos Abreu Amorim disse, na AR, que, a manifestação do passado sábado (15 de setembro), foi uma “manifestação de desilusão, não tanto com o Governo ou com a situação última (?), mas, sobretudo, (com) uma desilusão com a política e (com) os caminhos que a nossa democracia tem tomado nos últimos anos”. Para aquele deputado “aquela não foi uma manifestação do BE, do PCP, do PS ou de um sindicato. Aquela manifestação não tem dono, não pode ser titulada, não pode ser apropriada por ninguém, porque isso seria falsear por completo os desígnios da esmagadora maioria das pessoas que se manifestaram”.

Também o primeiro-ministro se pronunciou, embora de forma menos burilada, dentro da mesma linha de argumentação.

Este tipo de discurso político, em que não será difícil descortinar uma autodefesa em estado puro de negação, exige, contudo, uma análise mais profunda da atual situação política e social e, neste caso, daquilo que representam os movimentos sociais inorgânicos e, sobretudo, saber como poderão eles, por si próprios, operar transformações progressistas que se sobreponham às políticas neoliberais.

Esta análise é importante também numa outra vertente, que é a de saber como devem atuar as organizações político-partidárias e sindicais, histórica e ideologicamente mais importantes e coerentes. Com particular destaque para o PCP e a CGTP-IN.

Antes, porém, dizer que as manifestações de vigoroso repúdio têm alvos inquestionáveis: o atual governo, a política por ele prosseguida, e os ditames da Troika expressos no Memorando, conhecido como Pacto de Agressão!

E, portanto, dizer-se que “aquela não foi uma manifestação do BE, do PCP, do PS ou de um sindicato” e que, por isso, “não tem dono”, sendo verdadeira, destina-se, apenas, a chutar a bola política para fora. Aliás, o referido deputado do PSD não hesita em ir mais longe dizendo que se tratou de uma “manifestação de desilusão, não tanto com o Governo ou com a situação última, mas … com a política e com os caminhos que a nossa democracia tem tomado nos últimos anos”, dando gás à perigosa deriva que por aí grassa contra “os políticos, a política, e a democracia”, metendo tudo e todos no mesmo saco e abrindo portas a soluções antidemocráticas, eventualmente de cariz tecnocrático. Continuar a ler

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economia, Política

Com o Coelho as crianças andam sempre ao colo

Com as medidas de austeridade anunciadas e com a nova distribuição de sacrifícios por todos «…a Sonae deve poupar, só no próximo ano, 20 milhões de euros. 
A EDP vai pagar menos 10 milhões à Segurança Social e, na banca, o BCP vai poupar cerca de 19 milhões.
O estudo do banco de investimento revela ainda que a Jerónimo Martins vai poupar quase 9 milhões, enquanto a a Mota-Engil vai poupar 5 milhões com a redução da TSU.
A Portugal Telecom e o BPI vão pagar menos 7 milhões de euros cada um».

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Política

Quero-te lá encontrar

Hoje, no momento em que Passos Coelho estiver a anunciar novas medidas de austeridade, prosseguindo o seu objectivo de destruir o País e tornar mais difícil a vida dos portugueses, estarei na Festa, na minha/nossa Festa.

A Festa é local de encontro de amigos, camaradas, vizinhos, colegas, familiares, é local onde todos nos encontramos com a música, a dança, o teatro, o cinema, a literatura, o debate, a gastronomia, o desporto, a fotografia, a pintura, a Festa é ponto de encontro entre o passado e o presente e destes com as sementes do futuro, lá encontra-se a esperança, a liberdade, a fraternidade, a militância, a alternativa,  o projecto de uma sociedade nova, lá encontra-se um povo que não se resigna e não tem medo de se insurgir contra a injustiça e a desigualdade.

Este fim-de-semana, é a partir da Festa que se dará resposta ao crime que está a ser cometido pelo governo e pelos senhores das abstenções violentas contra o País.

Porque a luta e a resistência também é feita de festa e alegria, de convívio e cultura, de sorrisos e abraços sinceros, quero-te lá encontrar, quero-te ver na Terra dos Sonhos, pois esta é a luta pelo direito à felicidade, uma luta onde todos contam.

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economia, Geral

Um País para o Guiness

Um Relatório da CMVM mostra que 17 administradores acumulavam, cada um, lugares de gestão em 30 ou mais empresas em 2010. Dai para aqui o quadro não se alterou substancialmente.

Os administradores executivos das sociedades cotadas a tempo inteiro acumulavam, em média, lugares de administração em 12 firmas de dentro e fora do grupo da sociedade onde exerciam funções. Os dados constam do Relatório Anual do Governo das Sociedades cotadas, relativo a 2010, divulgado hoje pela CMVM.

O regulador identificou também que 17 administradores acumulavam lugares de administração em pelo menos 30 empresas, tendo registado também um caso de um gestor, que não é identifica, que tinha lugar na administração de 73 empresas.

O relatório também revela que a idade média dos administradores executivos desceu para 52,7 anos no final de 2010, quase menos um ano que a idade média identificada em 2009 (53,6 anos).

Os mesmos dados mostram que o mundo da gestão nas grandes empresas continua a ser um universo de homens, visto que apenas 5,9% dos cargos de administração das sociedades cotadas eram exercidos por mulheres, em 2010, o equivalente a apenas 26 cargos em 440. Se tivermos em consideração apenas os membros executivos, a percentagem desce para apenas 4% do total e o relatório revela ainda que nenhuma mulher desempenhava as funções de presidente da Comissão Executiva em termos efectivos.

A estas constatações acrescente-se que os gestores portugueses são dos mais ganham na Europa. Em média mais 15% que os alemães, mais 23% que os finlandeses, só para dar dois exemplos. E que há administradores não executivo a ganharem de senha de presença, quer dizer por sentar o seu delicado traseiro protegido por sofisticadas cuecas e calças dos melhores tecidos, 7000 mil euros para despejar umas canagifâncias nas sanitas das actas. Ou uns marmanjões, supostamente especialistas nos meandros futebolísticos recebem mais de 6000 euros mensais por uma hora de entretinimento semanal nos canais televisivos dando caneladas no português e na estupidez de quem perde tempo a ouvi-los. A todo isto, que não é pouco, acrescente-se o aturar os paralíticos mentais que nos governam a prometerem o que tornam impossível com a destruição contumaz que empreendem exibindo nas pantalhas televisas o seu fácies iluminado pela idiotia das teorias que debitam. Este conjunto de factores  fazem deste nosso Portugal um potencial recordista do Guiness, já com alguns êxitos registados.

Ainda por cima é esta gente que anda a perorar propondo baixas de salários, precaridade dse emprego, redução das indemnizações de desemprego, depois de já ter roubado os subsídios de férias e do 13º mês,  e mais outras malfeitorias a que chama de reformas estruturais.

Temos, com este quadro,  um garantido e destacado primeiro lugar entre os países dos ananases, orgulhosamente estamos na Europa, temos o direito de  reinvindicar um fruto mais raro e luxuoso para nos distinguirmos dos países das bananas, coisa do terceiro mundo. . Por isso os nossos governantes deveriam exibir uma bandeira de Portugal em que as quinas fossem substituídas pelo Galo de Barcelos, de preferência já envolto por rendas tricotadas pela nossa joaninha, a que anda a encher de lágrimas o bidé da Maria Antonieta em Versailles por uma das suas obras emblemáticas ter sido censurada em nome dos bons costumes, amputando um bibelô àquela exibição.

Raridades para o Guiness, que está nos céus para nos conceder mais uma graça. O Guiness é a nossa Bíblia, o nosso Alcorão. Sem o Guiness não existíamos, daí o andarmos nesta lufa-lufa de bater recordes. Os próximos serão os milhões de euros que se evaporaram nas negociatas bancárias. Abençoado país cuja honra está a ser incinerada numa lixeira mas concorre para ganhar  tantas distinções guinessianas!

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Geral, Política

Um país (in)satisfeito

A vitória futebolística sobre as ricas Dinamarca e Holanda e a remediada República Checa encheu de alegria os portugueses, que saíram em massa para as ruas na noite da vitória que conduziu a selecção nacional às meias-finais do Europeu.

Perante tantas e tão más notícias, só mesmo o futebol nos poderia trazer alguma alegria face ao que por aí se preanuncia. O ministro V. Gaspar acaba de anunciar que o país não atingirá este ano o previsto défice orçamental de 4,5% do PIB porque os impostos cobrados diminuíram – coisa que qualquer um de nós (tal como o próprio ministro e o seu chefe!) sabia que iria acontecer.

Por estes dias trocamos as angústias de um país que se desmorona com tantos cortes, desemprego e empobrecimento pelo sobe e desce desportivo e emocional da selecção nacional de futebol e do nosso “filho dilecto”, Cristiano Ronaldo. Um dos nossos emigrantes de luxo e a prova viva da capacidade dos portugueses no estrangeiro. Por estes dias o galáctico C. Ronaldo emula por e para nós, povo, aquilo que julgamos ser – um povo tenaz e batalhador, cheio de capacidades, mas maltratado pela sua história recente.

Como noutras ocasiões corremos o risco de passar da euforia à depressão, mudança de estado de espírito em que somos especialistas. Basta uma mera derrota nas meias-finais. Se isso acontecer – e oxalá não aconteça! – regressaremos mais depressa e com maior força à depressão de que agora metemos umas curtas férias.

Depois da anestesia a dura realidade estará à nossa espera!

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Geral

Inverno para quê?

A passagem directa do Outono para a Primavera deixa quase todos os portugueses preocupados com as dramáticas consequências que se adivinham. Mas, imagine o leitor, o que teria sido se tivéssemos tido um Inverno cinzento, com chuva e vento, rigoroso.

Como reagiriam os nossos espíritos se, para além todas as más notícias que diariamente nos assaltam, tivessem ainda que se confrontar com esse tempo invernoso? Sabendo-se que o tempo influencia as nossas cabeças e os nossos estados de alma, certamente que um verdadeiro Inverno não deixaria de nos trazer mais angústia, depressão e, quiçá, gestos irreflectidos.

Felizmente que as cores e as temperaturas antecipadamente primaveris com que temos sido brindados nos têm ajudado a suportar a negritude de malfeitorias que se abateu sobre o país. Como poderíamos suportar tamanho sofrimento num país à beira de perder a sua coesão? Quero crer que este Inverno que não foi e que se apresta a terminar (e que iremos certamente pagar), pode ter sido um bom contributo para a saúde mental dos portugueses.

Felizmente (ou infelizmente, para ser mais exacto) também os nossos governantes tem podido dispor de tardes de sol a convidar para a praia ou para passeios ao ar livre; ou de uma brisa a cheirar a Verão, que nos anestesia e ajuda a sorrir, quase indiferentes, quando lemos nos jornais: “Pensões do Estado com buraco de 10 milhões/dia”, “Disparam falências de restaurantes”, “Sem abrigo e sem apoio” ou “Só 21% dos trabalhadores têm contrato colectivo”.

Continuamos a sorrir de impotência quando nos falam das “excepções” na regra da congelamento salarial público exigido a “todos” ou dos muitos mais milhões que há que “injectar” no BPN.

Um dolce fare niente de que seremos violentamente acordados quando o mar bater na rocha e o mexilhão que lá encontra… formos nós…

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Costumes, Política

A Sopa do Sidónio

Depois de ter aumentado impostos e diminuído salários, pensões, subsídios de desemprego, abonos de família, bolsas de estudo e a generalidade das prestações sociais, o Governo acaba de anunciar que vai aumentar para 50 milhões de euros o apoio às instituições que fornecem refeições aos mais pobres.

É claro que precisamos de nos preocupar com o básico do mais básico – comer, vestir, calçar, um tecto. E é disso que o nosso Governo se apresta a começar a tratar! Quando aos cidadãos mais não resta que recorrer à caridade pública.

Depois das ruinosas políticas que nos conduziram a uma taxa de desemprego que não pára de aumentar, à baixa generalizada dos rendimentos do trabalho e à recessão na generalidade da economia, o governo apresta-se a apanhar os cacos. Só que os cacos são os portugueses atirados para os limites da sobrevivência, em número que não pára de aumentar.

Bem ao gosto do assistencialismo que caracteriza a cartilha néo-liberal, para quem o Estado mínimo é o máximo, bem pode P. Coelho preparar-se para continuar a aumentar as verbas para as “sopas dos pobres” , a que certamente se seguirão os abrigos para os despejados da nova lei do arrendamento.

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Em 1918 é criada a Associação 5 de Dezembro, com o objectivo de ajudar os mais carenciados. A faceta mais visível desta política é a distribuição de alimentos (a conhecida “Sopa dos pobres” ou “Sopa de Sidónio”). A presença de Sidónio Pais na inauguração das várias “Cozinhas” permite-lhe cultivar a imagem de presidente generoso e amigo dos mais desfavorecidos.” Sobre Sidónio Pais ver aqui.

O êxito da Sopa de Sidónio foi tão grande que se prolongou por décadas. Hoje está de regresso!

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economia, EDP, Geral, Internacional, Política

A EDP NO SAPATINHO

Desde há vários anos que a cotação das acções do Grupo EDP não estava tão baixa, tendo atingido os 2,41 euros por unidade nos últimos dias e um volume de transacções mínimo. Em Janeiro de 2008 estavam cotadas nos 4,26 euros, cerca do dobro, portanto.

É do conhecimento público que o governo, na sequência do MoU – Memorando de Entendimento com a Troika, e fruto da sua própria urgência, quer vender a posição estratégica que detém neste importante grupo nacional, prevendo-se que, até 22 do corrente mês, seja anunciado qual é o comprador concorrente a quem vai sair a EDP no sapatinho.

Tudo indica que a brasileira Eletrobras terá ficado pelo caminho, no âmbito de um “concurso” internacional de que não são públicas as regras fundamentais de apreciação, posicionando-se para a aceleração final a alemã E. ON e a chinesa CTG – China Three Gorges.

Sabe-se que o primeiro-ministro português falou sobre o assunto com a chanceler alemã e não é difícil imaginar daquilo que trataram nessa conversa “de Estado”, que deverá ter acontecido no intervalo de uma reunião em que se analisava o estado precário em que Portugal se encontra no quadro de uma Europa comandada pela imperial Alemanha.

Se José Sócrates estivesse cá e o presidente Lula ainda o fosse, também falariam, com toda a certeza. E, quem sabe, falarão, mesmo nas actuais circunstâncias.

Conversas chinesas são o que não faltará.

Sente-se no ar a excitação vivida em gabinetes, salas e corredores, públicos e privados. Os gestores, ministros, assessores, conselheiros, correctores e jornalistas, gelados pela crise, confortam-se, à mesa de restaurantes e bares, com o combustível sagrado dos grandes negócios.

Contudo, nós, cidadãos consumidores e pagantes portugueses de uma electricidade caríssima, perguntamo-nos, pelo menos aqueles que ainda conseguimos ler as linhas dos jornais especializados e as entrelinhas das telegráficas declarações, por que razão se vai vender o que resta da posição estatal numa empresa estratégica portuguesa, à pressa e a preço de saldo?!

A mim, quando interpelei o agora primeiro-ministro, então candidato, dizendo-lhe que achava mal que fizessem privatizações nestas circunstâncias, porque, para além de razões de princípio, económicas e ideológicas, seria um mau negócio, foi-me respondido que tinha que ser, que não tínhamos dinheiro para aguentar as “empresas públicas”! Mas, então, a EDP que, de facto, já não é uma empresa pública há muitos anos, pode dar centenas de milhões de euros de lucros anuais aos seus accionistas privados, e o Estado, que até aqui tinha uma posição determinante, e que nunca actuou para moderar o regabofe, vai agora vender sob pressão financeira e com a EDP conjunturalmente desvalorizada?

Para além destas questões fundamentais, resta ainda analisar como se consumará o negócio.

Dizem os analistas que a chinesa CTG tem uma proposta financeira muito melhor do que a da E.ON.

Pelos números conhecidos parece-nos que sim. Desde logo porque assegurará, diz-se, o financiamento futuro das necessidades da EDP por vários anos e, além disso, tem vários aspectos económicos e de governação mais interessantes do que os apresentados pelos alemães.

Ou seja, se o problema é falta de dinheiro, como o governo diz, e a decisão fosse tomada com base em critérios económico-financeiros transparentes, as Três Gargantas chinesas ficariam com a pérola eléctrica lusa. Aliás, dizem os nossos antigos vizinhos orientais, que nem querem engolir a EDP.

Mas, pressente-se, a decisão de um país como tem sido o nosso nos tempos que correm, alinhadinho e bem penteado, irá no sentido de não desagradar à mestre-escola.

Uma nota final: já que estamos num mundo de negócios e influências, e dado que não parece ser possível travar a privatização, afigura-se interessante analisar a possibilidade de as organizações dos trabalhadores da EDP, em sintonia com os da REN, virem a interferir nas negociações, nas salas ou na rua, pressionando o governo no sentido que lhes parecesse melhor.

É que a chamada “paz social” pesa muito.

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Geral

Lenga-Lenga dos Ministros Marretas

Exausto de ouvir as perorações dessa gente ministeriável nos debates na generalidade e na especialidade do OE 2012, gente que se repete repetindo receituários malfazejos, com resultados mais que previstos e vistos, badalam-me na cabeça lengas lengas menos ociosas que as suas conversas. Querem que os ouçamos como gente tecnicamente apetrechada e lengamlengam tonterias e parvoidades cheias de pó e teias de aranha. Quando falam só os consigo ouvir como gente pouco séria que são e cujas conversas intermináveis, bem espremidas, se resumem a isto:

A crise a andar
A recessão a avançar
O álvaro mais o victor a palrar
As reformas estruturais a acenar

A crise a agravar
A recessão a intensificar
O álvaro mais o victor a arengar
Que em 2012 vai tudo melhorar

A recessão a aumentar
O país a afundar
O álvaro mais o victor a aldrabar
O fim da crise a inventar

Os ministros lá de fora
Os ministros que vieram cá para dentro
Que nos querem fazer a cama
Dizem assim ao país
Sete e sete são catorze,
Com mais sete vinte e um,
Tenho sete Chicago boys
Gosto de todos e de mais um
Vamos Portugal lixar
Para o capital bem amar

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economia, Política

O Polícia Bom…

Cavaco Silva afinal discorda do Governo. Ou melhor, parece que discorda do Governo. Vem agora dizer que as medidas do OE 2012, em particular as que impõem o roubo dos subsídios de natal e de férias aos funcionários públicos (a populaça ulula de contente: “afinal, esses gajos não fazem nada, pra que é que precisam desse dinheiro, annhh?”), “violam a equidade fiscal”.

Cavaco apressa-se a introduzir uma nuance no discurso para não ficar muito mal visto pelos PSD’s mais retintos e esclarece que isto “está tudo nos livros” e quem os leu sabe que é assim.

Ainda que para perceber que isto é um roubo nem seja preciso saber ler, Cavaco quis iluminar-nos e, do alto da sua cátedra de ilustre professor de finanças que anda há trinta anos a lixar isto tudo, faz-se de santo padroeiro dos pobres e oprimidos funcionários públicos, aqueles que, no meio do lixanço geral mais lixados têm sido por sucessivos Governos do PS , PSD e CDS.

Bombos da festa, trapezistas com a vida permanentemente na corda bamba, os funcionários públicos continuam a a ser os que recebem a mais alta factura do disparate e da asneira desta gente desqualificada que nos tem governado.

Desqualificada, incapaz, desonesta.

Cavaco, que faz parte do clube, vem agora fazer de polícia bom, deixando para Passos Coelho e Vítor Gaspar as cacetadas. Esperteza nunca lhe faltou, a ele e aos amigos dele que, no BPN, ainda nos lixaram mais.

E vão-nos lixar até quando?

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economia, Política

A tragédia do orçamento

"Depois das eleições" por Rafael Bordalo Pinheiro. Ontem como hoje...

Gostaria muito de me enganar. De me enganar na previsão de que os tempos que nos esperam serão negros e de que aos sacrifícios a que nos sujeitam outros mais se seguirão. Com o país a começar a sofrer os efeitos dos “remédios” prescritos pela troika, e a que o diligente novo inquilino de São Bento se apressou a reforçar as doses, seguimos os passos da temida tragédia grega.

Querem alguns convencer-nos que seremos mais “irlandeses” que “gregos”. Isto é, mais serenos e pacíficos com a economia a estagnar, o desemprego a aumentar, os rendimentos das pessoas a diminuírem drasticamente e a colocarem-nas na pobreza, os custos com os cuidados de saúde a aumentarem ou as prestações sociais a desaparecerem. Para mais num cenário em que salta à vista a injustiça das medidas de austeridade que deixam de parte os mais poderosos e as grandes fortunas.

Os ricos riem-se”, afiança Alfredo Bruto da Costa. A cada dia que passar dissipar-se-á a credibilidade dos políticos que dirigem o país e com ela a esperança de melhores dias. O que nos esperará então: mais emigração? Mais suicídios? Mais revolta violenta e descontrolada? Ninguém sabe. Mas o que aí vem, bom não será com certeza.

As linhas do orçamento do Estado para 2012 são uma clara manifestação dessa injustiça. Funcionários públicos (a par dos pensionistas) foram, mais uma vez (e a história é pródiga em exemplos), utilizados como “carne para canhão” dos sacrifícios e apontados à população como um grupo privilegiado que ganha mais que os outros. Um perfeito exemplo de falácia e demagogia barata que pretende fazer esquecer a enorme diversidade de profissões que coexistem nessa massa informe designada por “função pública”. Mas é fácil e rende politicamente ter aqui à mão este grupo para que possa ser atirado à ira da restante população.

Desviam-se assim as atenções do público perante as irresponsabilidades cometidas por sucessivos governos (e aí Sócrates não está sozinho) com as famosas PPP (devidamente blindadas para garantirem muitos milhões durante muitos anos aos do último P!), ou as nacionalizações irresponsáveis de negócios bancários fraudulentos, “autênticos casos de polícia”, como os classificou o juiz jubilado Carlos Moreno, que serão pagos pelo cofre público. A discussão das responsabilidades criminais dos decisores políticos é de facto perigosa, mas pertinente.

Estamos pois em vias de cumprir a pena a que fomos condenados. Como muito bem assinalou Freitas de Amaral, numa Europa dirigida por um directório de “uma pessoa e meia”, para mais imbuído de um luterano “espírito reaccionário” (F. Amaral dixit) que exige a prévia expiação dos pecados cometidos aos povos dos países do sul da Europa (a celta Irlanda está aqui deslocada!).

Os autores da tragédia grega, que está bem à vista, forneceram o guião para uma – oxalá me engane! – tragédia portuguesa: cortes sociais e diminuição de rendimentos das classes médias a que se seguem menores receitas fiscais para o Estado, com consequente incapacidade de esses países diminuírem os défices das suas contas do Estado. Sem a economia a crescer e com a pressão focada no cumprimento do défice contratado com a troika (5,9% em 2011 e 4,5% em 2012) só nos poderão estar reservadas mais “medidas adicionais” esse termo que no jargão soft dos nossos medíocres dirigentes europeus só quer dizer mais malfeitorias sobre as classes médias. Um tratamento que resulta em overdose.

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