Cultura, Setúbal

Os baluartes de Setúbal – regresso ao passado (VIII)

Setúbal no século XVIII.

O conjunto de fortificações construído em Setúbal após a restauração da independência nacional em 1640 foi uma obra notável a que temos aqui dedicado a nossa atenção. (sobre este tema veja-se 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7.)

A fortificação seiscentista, ou o que dela resta, regressa agora à actualidade. A actualidade que lhe é conferida pelos nossos presentes governantes que, como cães por vinha vindimada, se preparam para apagar do registo dos momentos altos da História o 1º de Dezembro. Que simbolicamente evoca a Restauração e que tem nos baluartes setubalenses um dos mais significativos testemunhos do labor e da vontade dos portugueses daquela época.

Mas o objectivo deste post  é apenas o de transcrever uma informação que se considera de fundamental importância para o conhecimento da configuração das fortificações seiscentistas de Setúbal.

Com a devida vénia, transcreve-se de “Setúbal após o terramoto de 1755”, obra que reproduz informações paroquiais de 1758, recentemente reeditada pelo Centro de Estudos Bocageanos  e cuja primeira edição Rogério Claro editara no já longínquo ano de 1957.  As informações foram então subscritas pelo “Prior da freguesia de Santa Maria da Graça, matrix da villa de Setúbal” e a grafia utilizada é a da época.

Fortificação nova

O recinto, ou fortificação nova, foi feito em circuito da antiga debaixo da direcção do Principe Dom Theodosio, e amplificado de modo, que compreende da parte do Occidente todo o bairro de Troino, e da parte do Oriente o bairro de Palhaes, que estavam fora do muro antigo. Tem des baluartes, e tres meios baluartes, a saber, da parte do Sul o meio baluarte de São Domingos, o meio baluarte das Fontaínhas, o baluarte de nossa Senhora da Conceição, ou Caes velho, o baluarte de nossa Senhora do Livramento, ou Caes novo, o baluarte de São Braz: inclinando para o Occidente o baluarte de São Francisco: em rectidão para o Occidente o baluarte de Santo Amaro: da parte do Norte o baluarte de nossa Senhora da Saude, o baluarte de nossa Senhora da Annunciada, e em frente delle hum hornaveque, no qual está o convento de JESUS; o baluarte de JESUS, tambem chamado do Buraco de agoa; o baluarte do Soccorro; o balurte de Santo Antonio; o baluarte de São João. Esta fortificação está na maior parte imperfeita, e por acabar, por isso não tem portas, de que hajamos de fazer memoria. Padeceo algumas fendas, rachas, ou leves aberturas pela parte do Norte com o terramoto de 1755. Mas a sua maio ruina foi pela parte do Sul, donde a inundação impetuosa do mar no dia do terramoto a arrazou quasi totalmente: e o que se não pode sem admiração he, que o veemente impulso das agoas lançasse muitos passos para a terra pedaços, ou porções de muro de 25 palmos de comprido, 13 de fundo, e 10 de largo.

Obras exteriores

Da parte do Oriente huma obra coroada, só delimiada: da parte do Norte em pouca distancia da villa o forte da Estrella, obra, segundo parece, antiga, e também só delimiada; e o hornaveque já mensionado, onde está o Convento de JESUS: da parte do Occidente não muito distante da villa o forte de São Luis Gonzaga, ou castello velho não acabado; e hum piqueno hornaveque só delimiado de fronte da face do baluarte de Santo  Amaro em huma altura, que he padrasto  do mesmo baluarte. Mais da parte do Occidente declinando para o Sul hum quarto de legoa distante da praça em huma eminencia está o castello de São Felippe, talhado em hum rochedo com a sua plataforma pela parte de baixo. He este castello obra verdadeiramente digna de memoria. Quasi mea legoa  distante da praça para a mesma parte está o forte da Albarquel ao nivel do mar com huma só plataforma, onde se dá o signal com hum tiro de artelharia, para que os navios, que entram dem fundo, ate que sejam visitados pela Saude. Huma legoa apartada da praça também para o Occidente com inclinação para Sul está a torre de Outão na entrada da barra: cifra-se em varias batarias acrescentadas á torre em diversos tempos. Padeceo bastantemente no terramoto de 1755, e ainda não está reparada, antes em perigo de se precipitar totalmente (…)”

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Setúbal

Recordar os baluartes de Setúbal (VII) – São João

Baluarte de São João - visto da rua Formosa

Apesar de não ser uma da ruína, a situação actual do baluarte de São João não dá testemunho do que terá sido a sua imponência original.

Localizado no lado nascente de Setúbal, ao baluarte seiscentista de São João foram reservados ao longo dos anos todos os tipos de tratamento: demolido nuns troços, noutros incorporando construções, invadido pela vegetação aqui e acolá, esventrado… Apesar de tudo ele lá está!

Não é fácil apercebermo-nos da sua localização actual. Situado na linha imaginária que se prolonga do baluarte de Santo António para nascente – e que acompanha a respectiva elevação de cota – o baluarte de São João assegurava com São Domingos, a defesa da urbe setubalense na lado nascente. Mantêm-se panos de muralha convergindo em cunha virada a leste: a rua Formosa confronta a muralha nascente, a rua dos Comediantes a poente e a avenida Jaime Cortesão a sul; junto à muralha virada a norte funciona um parque de viaturas da PSP, noutros troços há outras construções.

Apesar de demasiado absorvido pela cidade, o baluarte de São João poderá vir a ser um testemunho do passado seiscentista de Setúbal.

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Cultura, Setúbal

Recordar os baluartes de Setúbal (VI) São Domingos

Vista a partir da Rua Camilo Castelo Branco

O baluarte de São Domingos é a fortificação das muralhas seiscentistas de Setúbal virada a nascente da cidade. Aproveita, em conjunto com o vizinho baluarte das Fontaínhas, a existência de um morro de considerável cota. Pela toponímia actual, situam-se no interior do quarto de circunferência delimitado pelo quadro principal do cemitério de Nossa Senhora da Piedade, a norte, e a rua Camilo Castelo Branco, a poente.

O recente derrube de diversas construções no troço sul da Rua Camilo Castelo Branco veio por a descoberto, com ampla visibilidade, um importante pano daquela antiga edificação militar.

No perímetro e área de protecção do antigo baluarte encontra-se hoje parte do cemitério de Nossa Senhora da Piedade (edificado na segunda metade sec.XIX), a Igreja de São Sebastião (igreja do antigo Convento de São Domingos, datada de 1566/68), espraiando-se ainda pelo suave declive das encostas viradas a poente e sul os bairros de São Domingos e Fontaínhas. Este baluarte situa-se à distância (em linha recta) de cerca de 340 mts, para nascente, da porta de São Sebastião, que dava entrada à vila de Setúbal através das muralhas medievais construídas entre 1325 e 1360, nos reinados de D.Afonso IV e D.Pedro I.

O troço agora exposto revela apreciável consistência, mostrando uma imagem até agora praticamente desaparecida dos olhares públicos.

O conjunto de fortificações em que este baluarte se integrad foi construído após restauração da independência nacional, em 1640, visando proteger a então vila. Várias delas foram tragadas pelo crescimento urbano. Escondidas umas, mal-tratadas outras, algumas, poucas, protegidas; todas foram ficando enlevadas na malha da cidade mas apresentam ainda belos troços de muralha que podem ser conservados, promovidos e valorizados, como testemunho de uma época de desafios e dificuldades levados de vencida.

Sobre este assunto, ver posts (1, 2, 3, 4 e 5) sobre outros baluartes sesicentistas de Setúbal.

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Cultura, Setúbal

Recordar os baluartes de Setúbal (V) Santo Amaro

Baluarte de Santo Amaro visto na rua da Boa Vista

Encravado em plena freguesia de N.Senhora da Anunciada, Setúbal e alcandorado num outeiro com vistas para o lado poente da cidade, o baluarte seiscentista de Santo Amaro consegue manter uma certa imponencia. Um poderio que se eleva no meio do casario da Anunciada.

A edificação, que pretendia defender a então vila das previsiveis invasões castelhanas post Restauração, está hoje ofuscada pelas construções que tudo tomaram, qual invasão, essa sim, bem sucedida.

Vista de poente

 

O baluarte de Santo Amaro espera, pacientemente, vir um dia a ser valorizado e de fazer parte das rotas do património sadimo, à semelhança dos seus congéneres que subsistem,  distribuídos pelos antigos limites da urbe setubalense.

Sobre os baluartes seiscentistas de Setúbal, ver 1, 2, 3 e 4.

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Cultura

A propósito das Jornadas Europeias de Património

Recuperação do Convento de Santa Clara a Velha (Coimbra). Um trabalho de fôlego.

Devemo-nos, enquanto cidadãos, preocupar com o nosso património cultural – refiro-me aos edifícios, muitas vezes já classificados como monumentos, erigidos noutras épocas pelos nossos antepassados? Devemos estar disponíveis para aceitar que o dinheiro dos nossos impostos seja também canalizado para recuperar aquilo que são, muitas vezes, pouco menos que “montes de pedras”? Ou haverá outras coisas mais importantes? Um país pobre (digamos remediado, como nós) não tem direito à ambição de poder olhar para seu passado e disso mostrar testemunho?

Quando olhamos para trás e nos faltam esses testemunhos é quase como se não tivéssemos existido. Somos, no mínimo, mais pobres. E, no nosso caso, Portugal tem uma longa história de quase mil anos de que se pode justamente orgulhar. Com muitos testemunhos. Mas com muitos testemunhos danificados ou mal tratados.

A consciência da valia e importância do património cultural edificado é relativamente recente. Basta constatar que a Convenção sobre a Protecção do Património Cultural e Natural, foi adoptada pela Conferência Geral da UNESCO apenas em em 1972, i.e., há escassos 38 anos. E o reconhecimento do público estará a dar, não os primeiros passos, mas talvez os segundos. Já apreciamos visitar edifícios históricos devidamente tratados e musealizados ou interpretados. E até já quase todos sabemos que esses edifícios (castelos, convento, igrejas, centros históricos locais arqueológicos) podem ser factores de atracção de público – o que é fundamental para a sobrevivência e êxito de qualquer cidade, mormente em tempos difíceis de crise.

Muitas cidades já perceberam a importância de ter “património mundial”, “património nacional” ou de, tão só, terem o seu património cuidado, valorizado e promovido – ganhamos culturalmente e ganhamos economicamente.  O património cultural edificado é o que de verdadeiramente distintivo cada cidade tem. E o mundo globalizado em que vivemos valoriza a distinção.

O investimento nesta área – a recuperação e valorização do património – deve ser considerado estratégico como o é para outras. E o poderes públicos devem agir e conformidade.

Vem estas reflexões a propósito das Jornadas Europeias do Património que decorreram nos dias 25 26 e 27 de Setembro e que visaram “sensibilizar a população para a importância da protecção e da valorização do Património”.

À tremenda e longa luta que tem sido, em Setúbal, a recuperação do Convento de Jesus, teremos que acrescentar os esquecidos baluartes seiscentistas, que persistem em resistir e de cuja situação já aqui se deu nota (1), (2), (3) e (4).

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Cultura, Geral

Recordar os baluartes de Setúbal (IV) – Saúde

Troço no sítio da Boa Morte, avenida General Daniel de Sousa

O baluarte da Saúde foi uma das edificações da estrutura defensiva construída em Setúbal na sequência da Restauração de 1640 – e que já aqui abordámos em (1), (2), (3). Dada a sua localização junto a uma das entradas mais bonitas da cidade, o eixo EN10/avenida General Daniel de Sousa, junto a Troino, é difícil não nos apercebermos dela, tal o impacto visual que mantém.

Para conhecer o que resta do baluarte da Saúde, experimente começar no sítio da Boa Morte, à avenida General Daniel de Sousa, subindo pela rua Heliodoro Salgado, virando à esquerda para a rua António José Marques e descendo pela rua José Adelino dos Santos; no final apanhe a travessa da Bela Vista e terá feito o circuito completo do baluarte da Saúde.

Na ampla área definida pelo traçado das antigas muralhas, situam-se ainda outras construções dignas de nota: a Igreja de Nossa Senhora da Saúde, que acolhe as Missionárias da Caridade (Irmãs de Calcutá) e o palácio Botelho Moniz, o qual parece também estar em estado de abandono.

O muito que se mantém deste baluarte – panos de muralha com considerável dimensão – é o suficiente para que seja ainda um notável conjunto. A construção de casas e anexos junto à muralha e o excesso de vegetação retiram-lhe alguma da imponência transmitida pela mole de pedra de que é constituída. No próprio troço que dá para a avenida General Daniel de Sousa, no sítio da Boa Morte, existe uma construção abandonada há muitos anos e que funciona como um mau cartão-de-visita (vide imagem) para quem entra na zona central da cidade, situação a corrigir.

O baluarte de Saúde é mais uma pequena-grande jóia da arquitectura militar de Setúbal . Esquecida. Também aqui pode ser estabelecido um percurso de visita ao local e melhorado o espaço envolvente. Disponibilizar informação explicativa sobre a edificação e sinalização de orientação seria também útil, quer à população, quer a visitantes.

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Setúbal

Recordar os baluartes de Setúbal (III) Santo António

O baluarte de Santo António situa-se em zona próxima do centro histórico de Setúbal, numa área delimitada, a poente pela avenida da Manuel Maria Portela, a nascente pela avenida Bento Gonçalves e a sul pela zona de confluência (Quebedo) entre as avenidas 5 de Outubro e Jaime Cortesão.

Este baluarte, que se integrava na estrutura defensiva seiscentista que já aqui abordámos (1) (2), é um dos exemplos gritantes do esquecimento a que votámos o nosso património. Está degradado e quase por completo engolido pelas construções de grande porte existentes no lado nascente. Esventrado nas partes em que a muralha foi demolida, salva-se, embora de forma pouco perceptível, a parte virada à avenida da Manuel Maria Portela, junto à linha férrea. Mas, mesmo neste lado, parte das construções existentes (de menor altura) apoiaram-se na muralha, dada a sua escassa cota. Na travessa de Mirante pode ainda observar-se um troço com considerável extensão e altura que se mantém integro.

O baluarte de Santo António merece: 1) Que se consolide e recupere a muralha no que seja possível, 2) A definição de um percurso de visita ao local, 3) A melhoria do espaço público envolvente, 4) Sinalização do acesso a partir das principais artérias circundantes e 5) Dotar o conjunto de informação explicativa.

Temos aqui a possibilidade de oferecer à cidade e aos que a visitam mais um ponto de interesse histórico-arquitectónico.

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Geral

Recordar os baluartes de Setúbal (II) – São Luís Gonzaga

Vista aérea

Forte São Luís Gonzaga

Já foi uma imponente fortificação militar. Já foi local que testemunhou a existência de um dos mais míseros bairros de lata da Setúbal. E hoje, para aqueles que o “descobrem”, é um exemplo de património edificado mal cuidado e escondido num local admirável. Refiro-me ao forte de São Luis Gonzaga, mais conhecido por muitos setubalenses por Castelo ou Forte Velho.

Esta velha edificação militar data do século XVII, quando o país cuidava da sua defesa na sequência da Restauração de 1640, tendo sido concebida pelo arquitecto militar Luís Serrão Pimentel. Localiza-se num outeiro em plena freguesia de Nª Senhora da Anunciada, perto do bairro Grito Povo, entre as zonas do Viso e Reboreda. É ainda senhora de admiráveis vistas sobre o estuário do Sado e cidade de Setúbal.

É hoje possível visitar o forte de forma “selvagem” e sem qualquer orientação. Não há informação ou sinalização e os trilhos são rudimentares. Para aceder ao seu interior há que ter algum espírito de aventura. Há muita vegetação por todo o lado, mas partes significativas dos panos de muralha teimam em resistir a intempéries e esquecimento. Infelizmente vêm-se também partes desmoronadas.

É chegado o tempo de dignificar e valorizar o “castelo velho”, ultrapassados que estão os tempos que o associavam à zona degradada que por ali cresceu e cujo fim se deve à tenacidade dos movimentos de moradores do post-25 de Abril (“Casas Sim, Barracas Não”). O forte de São Luis Gonzaga é mais um exemplo de património que precisa da atenção da opinião pública setubalense, das autarquias e das associações de defesa do património. Pode e deve ocupar um lugar de eleição no património sadino, ser conhecido e visitado pela população. Mas que precisa de intervenção urgente antes que se degrade por completo.

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Geral

Relembrar os baluartes de Setúbal

Se foi com satisfação que a maioria dos setubalenses viu (ou aguarda ver) resolvido o futuro do antigo quartel do RI 11 (baluarte da Conceição), o mesmo não podemos dizer do estado de degradação que deixámos abater-se sobre uma importante parte do nosso património edificado. São muitas décadas de abandono.

Olhemos para a nossa muralha seiscentista, um conjunto de 13 baluartes construído na sequência da restauração da independência e das necessidades defensivas de então. Uma área que se estende sensivelmente da Rua Camilo Castelo Branco, a nascente, ao eixo Palhavã/convento de São Francisco, a poente. O que atesta a dimensão e importância da Setúbal dessa época.

Restam dessa muralha quase todos os seus imponentes baluartes. Mais expostos e visíveis (Conceição/antigo Quartel do RI 11, Livramento ou Saúde) ou mais escondidos (Santo António ou São João), quase todos muito mal tratados e esquecidos, engolidos pela voragem do crescimento urbano. Agredidos mesmo, atente-se no baluarte do Livramento, ali bem frente ao Clube Naval Setubalense, em local de grande visibilidade e circulação de público. Sobre ele já funcionaram fábricas e vêm-se portões que já o foram, cercas e vedações. Uma utilização do espaço a carecer de ordenamento. Enfim, uma coisa de que certamente não nos podemos orgulhar.

À preocupação com o centro histórico – o gabinete municipal dos centros históricos produziu recentemente um útil Manual de Boas Práticas no Património Histórico – deverá juntar-se uma especial atenção a estas antigas edificações militares. Porque são património, porque são um testemunho do passado e porque certamente são uma mais valia na afirmação cultural e turística de Setúbal. Sabemos estar em curso o seu processo de classificação, um passo fundamental. Mas é preciso recuperar o que pode ainda ser recuperado – e há muito que o pode ser.

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