Política

Mas andam a dormir, oh quê??!!

hqdefaultUma das linhas argumentativas mais desconcertantes dos defensores do candidato do PSD e do CDS à presidência da República tem sido a de que Marcelo Rebelo de Sousa está a ser alvo de ataques ao seu caráter, quando o que deveria estar em causa seriam questões de ordem política.

O próprio candidato ficou zangado por ter sido confrontado com o facto, aparentemente confirmado, de dormir pouco, esquecendo que tinha sido o próprio – ou alguém a seu mando – a usar tal caraterística pessoal, há anos atrás, como argumento valorativo da sua capacidade intelectual, pois dormir pouco permitir-lhe-ia ler mais, saber mais, ver mais. Marcelo era o homem que nunca dormia, a suprema inteligência, o homem que tudo lê e acumula sabedoria infinita. Tal asserção encontra paralelo na expressão popular que se grita aos distraídos e tontos e que, com mais ou menos variações, pode ser grafada assim: “mas andas a dormir, oh quê??!!” Mandam as regras que não se utilizem duplos pontos de interrogação, mas aqui são claramente utilizados para transmitir a ênfase colocada na expressão que compara o sono à estupidez. Portanto, Marcelo não dorme, logo é inteligentíssimo…

O desconcerto motivado pela oportunista argumentação que contesta os ataques de caráter, se é que de ataques de caráter se trata, radica na simples constatação de que o cargo de Presidente da República é um cargo unipessoal, eleito diretamente pelo voto popular e que não depende da propositura de partidos ou resulta de eleição em qualquer câmara parlamentar. Ou seja, é de esperar que quem vai exercer o mais alto cargo de magistrado da nação seja sério, não minta, não tenha, no passado, sido um delator de gente que apenas cometia o crime de pensar de forma diferente sob ditadura. E isto é uma constatação bastante simples. Assim, estranhar que se ataque Marcelo por hoje dizer o contrário do que disse ontem, revelando ser um oportunista que diz o que lhe dá jeito perante as circunstâncias apenas para ganhar (enganar os incautos) votos (até diz que é a esquerda da direita – como é se põe aqui um emoticon daqueles com um grande riso?), por ter sido um delator na PIDE, por ter inventado jantares secretos com vichissoises (embora Portas mereça sempre ser enganado) é que é verdadeiramente estranho.

Em português corrente, Marcelo é o que se pode chamar, com toda a razão, um verdadeiro troca-tintas, alguém desprovido de caráter (no sentido da coerência e da firmeza de convicções e de ser um puro oportunista). Ora, julgo que ter um presidente desprovido de caráter, um troca-tintas, é tudo o que não precisamos. Por isso, aos que ainda pensam em votar Marcelo, só lhes devemos perguntar uma coisa: “mas andam a dormir, oh quê??!!”

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Onde está o Wally?

wally-7Onde está o professor Marcelo?

Depois da comovente despedida do seu espaço de comentário, chegado ao fim da linha de quilómetros de palavreado inútil e de ter saltado para o comboio das eleições presidenciais, correndo para o lugar de maquinista, o professor Marcelo tão lépido a aparecer por tudo o que era sítio, perorando a torto a direito, saltando para dentro das pantalhas da televisão mesmo de lugares longínquos e imprevisíveis desapareceu!!!

Onde está Marcelo?

Terá sido atropelado pelo discurso terrorista do botas do poço de boliqueime? Terá ficado em coma político? Refugiou-se na piscina de Celorico a dar braçadas para recuperar do trauma parapelégico que sofreu depois do alvoroço no galinheiro dos direitinhas com a eleição do Presidente da Assembleia da República?

Onde está Marcelo?

Portugal interroga-se com a ausência de distribuição de diatribes politiqueiras, bolas de berlim, livros, chocolates, cachecois, bandeirinhas, notas da agenda politico-socialite que lhe era servido em doses semanais, durante dezenas de anos. Aquele número em directo e ao vivo que parecia uma festança marqueteira afinal era um velório e ninguém sabia antes da figura de cera que habita Belém gaguejar abjecções?

Onde está Marcelo?

PS- Soube, horas depois de escrever este post madrugador que o Wally vai aparecer hoje à noite na Voz do Operário. Ele sabe muito bem que há algo de ameaçador num silêncio muito prolongado, Sófocles dixit. Aí o temos de certo no seu melhor! Vai ser um curioso número de ginástica no solo fazendo filcs-flacs à direita e à esquerda, como bom artista português que é. Só não se sabe se no fim tira do bolso a pasta medicinal Couto!

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O Carrossel da Politiquice

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Assim que se anunciou a possibilidade de Sampaio Nóvoa ser candidato ás próximas eleições presidenciais, soaram as campainhas de alarme. Do lado dos trauliteiros direitinhas, que tinham sido simpáticos para Henrique Neto, logo começaram nas redes sociais as piadolas de mau gosto, como é de bom tom para aqueles lados. Os mais civilizados, com destaque para os comentadores que fazem disso um modo de vida, franzem o sobrolho, iniciaram a busca de sinais mais avermelhados em Sampaio Nóvoa para os expor e assustar o bom povo português. Fariam isso com Sampaio da Nóvoa ou com qualquer outro que fosse candidato a candidato a Presidente da República, com perfil idêntico.

Mais preocupantes e reveladoras do clima daquelas bandas foram as reações de socialistas mais ou menos conhecidos da opinião pública. Saltaram a terreiro em vários estilos e tons. Vera Jardim olha com distanciamento para o cargo de Presidente da República, reclamando a falta de perfil, por o ex-reitor da UL se mostrar muito interventivo e um Presidente da República deve, na sua opinião, ser um “poder moderador”(::.)”árbitro supremo do sistema, da constituição e dos equilíbrios do sistema”

Podia ter dado como exemplos o pai de todos os socialistas, Mário Soares, sempre sentado em Belém, a mitigar pachorrentamente os conflitos institucionais que não foram poucos durante os seus mandatos. Ou o seu amigo e ex-colega de escritório, Jorge Sampaio, que tudo fez para que o governo de Santana Lopes cumprisse o mandato. A falta de memória dessa gente é notável. Cautelarmente, Vera Jardim, vai dizendo que se o seu partido apoiar Sampaio da Nóvoa, ele será naturalmente o seu candidato. Uma nota a registar, embora não seja de excluir que estivesse a fazer figas enquanto fazia tal proclamação.

Outros “notáveis” socialistas são mais assertivos. Francisco Assis, estilo sorna, estofo de político mediano, reclama um candidato “genuinamente de centro-esquerda”. Para um militante de um partido que enche a boca a afirmar-se de esquerda, para um homem que se diz de esquerda, que foi candidato a secretário-geral, não está nada mal. Não nomeia, mas percebe-se que o seu Dom Sebastião é o beato Guterres ou o direitinha Gama.

Sérgio Sousa Pinto foi mais, longe, se calhar com receio que um qualquer preclaro Lello se antecipasse. Desata a zurzir em Sampaio da Nóvoa, “Não lhe basta a sublime virgindade de, em 60 anos, nunca se ter metido com partidos” e como estávamos na época pascal acrescenta “também parece agradecer a Deus a graça de ser pobre” . Conclui com mais umas tantas javardices do mesmo jaez sobre as esquerdas latino-americanas e europeias, para rematar “esta não é a minha esquerda”. Não é a esquerda dele pela razão mais simples e óbvia: ele não é nem nunca será de esquerda, por mais que queira travestir a realidade.

Todo o texto é bem revelador dos sérgios sousas pintos que andam como piolhos pelas costuras da política. É atravessado pela raiva, contra quem sendo de esquerda e tendo um currículo intelectual e profissional considerável, por opção, não se filiou num partido. É a raiva roxa de quem em toda a sua vida, só soube e sabe lustrar os fundilhos pelas cadeiras de diversas assembleias, fazendo pela vidinha, com os olhos postos nos vitorinos e passos coelhos que, à pala da política, se tornaram em facilitadores de negócios. De quem cheira o perfume fétido dos corredores da política que também o pode, na graça de Deus, fazer ficar riquinho. Não está sozinho. Pelo contrário, está bem mal acompanhado por aquela maralha que se mete muito jovem na política por cálculo, a acotovelar-se para fazerem carreira nos partidos que lhes abrem as portas do chamado arco da governança.

Sérgio Sousa Pinto não aguenta. Solta o sócrates que tem dentro de si. Estoira com grande alarido rugidos de leão de aviário. Sabia, bem sabia, que iria ter os seus quinze minutos de glória socialite-politiqueira. Para ele é insuportável que um homem, Sampaio Nóvoa ou outro, com um percurso intelectual reconhecido, que sempre tenha tido uma intervenção cidadã de esquerda, que sempre tenha mostrado ter consciência social, se intrometa nas escolhas do aparelho partidário, daquele aparelho partidário  que concede aos sérgios deta terreola. uma teta em que mama desde que se conhece, com afinco, ainda que sem grande talento. Advinha-se que o seu candidato é António Vitorino, se concorreres e ganhares dás-me um lugarzito em Belém? Em segunda escolha, os que Assis leva em andor.

Essa gente, e outra que deve andar a arrastar os pés com ardor nas alcatifas do Largo do Rato rosnando em surdina, saltam a terreiro para demonstrar, como se isso fosse necessário, que renegam a esquerda até ao fim do mundo.

Há ainda quem acredite na possibilidade de um governo de esquerda com este Partido Socialista. Essa é outra questão, magna questão, em que se deve insistir, mesmo contra todas as evidências.

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Política

Por que Durão Barroso deve ser candidato?

39729_gaDe entre todos os candidatos a candidatos a Presidente da República, há um, à Direita, que tem a obrigação de se apresentar como tal. Chama-se Durão Barroso e é um dos mais lídimos representantes dos poderes que tem governado Portugal e a UE nas últimas décadas. Está na hora de os portugueses o avaliarem.

Prestes a regressar, após dez anos à frente da Comissão Europeia, adivinha-se-lhe que pretende um lugar à altura. Daí as suas recentes aparições no terreno. Percebe-se-lhe a necessidade de se “limpar” para ficar bem no retrato que prepara para os próximos capítulos e que deixará para a posteridade.

Por isso não hesita em recorrer à “artilharia” de que dispõe no cargo que ainda ocupa para fazer essa operação de limpeza perante o público nacional. Uma grande operação político-mediática que contou com a participação activa do Presidente Cavaco Silva e do Governo – não fossem todos eles da mesma família. E a que em sequer faltou uma grande entrevista ao semanário “Expresso”.

E porque deve ser ele o candidato da Direita? E será que se estaria a lembrar de si próprio quando propõe que o PS apoie esse mesmo candidato?

Em 2004 era D. Barroso primeiro-ministro quando os portugueses se começavam a adaptar ao homem que lhes anunciara que o país estava de “tanga”. E que lhes prometera que não haveria aeroporto da Ota enquanto houvesse uma criança numa lista de espera de um hospital. O mesmo homem que meteu Portugal na fotografia que marcou a decisão de atacar o Iraque por causa de umas armas de destruição maciça que nunca foram descobertas; com os tristes e dramáticos resultados conhecidos.

E o país lá se ia habituando ao homem.

Eis quando, em boa hora (para ele e quiçá para o país), trocou o lugar para que foi eleito pela maioria dos portugueses eleitores por um posto de “alto funcionário” nomeado pelas grandes potências europeias. Assim ficando bem patente a importância que o país lhe merecia. Convém recordar que outros primeiros-ministros em exercício recusaram o lugar, mas D. Barroso fazia saber que o país ficaria bem servido consigo a dirigir a Comissão Europeia. E muitos até acreditaram.

Com a anuência do então Presidente da República J. Sampaio, o lugar foi passado a um personagem não eleito para o cargo – Santana Lopes. Felizmente que Sampaio rapidamente se arrependeu do erro e convocou eleições.

Ocupado o lugar no olimpo europeu, D. Barroso dirigiu uma Comissão que perdeu em quase tudo o que havia para perder. A iniciativa da Comissão foi sempre obnubilada pelas iniciativas de outros protagonistas do firmamento da UE. O protagonista mais recente foi o BCE dirigido por M. Draghi com os seus programas de compra de dívida que inverteram o caminho de estouro do euro. Longe iam os tempos do prestigiado J. Delors.

Chegada a crise das dívidas soberanas e os “resgates” da Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha, a Comissão de D. Barroso foi sempre mais papista que os papas do FMI e do BCE. De entre os parceiros da troika foi a Comissão Europeia quem sempre primou por exigir mais austeridade em cima da austeridade. Cortes em cima de mais cortes. Que então foi esse português mais que um porta-voz da chanceler Merkel? Qual o seu contributo para proteger os portugueses da hecatombe que sobre eles se tem abatido?

Veio agora o “florentino” – como alguns dos seus admiradores lhe chamam – recordar que chamou três vezes V. Constâncio, então Governador do Banco de Portugal, para lhe perguntar sobre o que se passava no BPN. Se o regulador pecou por ausência, que fez ele, o “florentino”, então chefe do governo e líder da maioria, para investigar as suspeitas que já então se manifestavam?

Está pois na hora de os portugueses lhe fazerem algumas perguntas que ficaram por fazer. Por isso nada melhor que ser ele o candidato da Direita. Ou será que o “florentino” irá adiar o momento de glória a que julga ter direito por medo desse julgamento? Para já anda a apalpar o terreno.

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Eleições francesas: Inverno ou Primavera?

Pode a eleição presidencial francesa contribuir para uma mudança na orientação política europeia?

A eventual derrota de Sarkozy (27,18%, na primeira volta) em 6 de Maio pode ser um factor de viragem política na Europa. Não só pelas posições que uma nova liderança francesa pode trazer para o centro da decisão da UE, caso F. Hollande (28,63%) confirme o que tem vindo a afirmar publicamente, como também pela indução de efeitos políticos noutras geografias da Europa comunitária.

Mas, para chegar ao poder, o socialista Hollande terá que congregar muitos votos agora expressos noutras candidaturas. Nomeadamente nas do centrista  François Bayrou (9,13%) e de Jean-Luc Mélenchon (11,11%) da Front de Gauche dinamizada pelos comunistas do PCF, área política que atinge o seu melhor resultado dos últimos trinta anos. E esperar que o eleitorado de Marine Le Pen (17,9%) não se desloque massivamente para F. Sarkozy.

Paris e Berlim constituem, desde há muito, o eixo histórico de decisão da política europeia. Para o bem e para o mal. A França, país com um histórico de império que continua a alimentar, pretende-se uma potência determinante no espaço internacional – continua, aliás, sem que se perceba exactamente porquê, a ser membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Nessa velha tradição o presidente francês N. Sarkozy tudo tem feito para manter o seu país na linha da frente da capacidade decisória da UE. Ou pelo menos na aparência dessa capacidade. Tudo tem feito para ficar “na fotografia” das principais decisões.

Sarkozy e Angela Merkel, ultrapassando todos Estados nacionais da União, trataram de reunir sucessivas vezes, ao arrepio de todas as boas práticas para a realização de consensos, condicionando as decisões colectivas das cimeiras europeias. Assim passando “por cima” da própria filosofia e das normas de decisão da União. Impondo-se mais e mais como um directório.

Mas também há muito que se percebeu que as verdadeiras decisões são tomadas pelo governo alemão, com a chanceler Merkel à cabeça, e pelos banqueiros centrais do BCE. Naturalmente em obediência à ideologia dominante dos sacrossantos interesses dos “mercados”. A própria posição económica francesa tem vindo a enfraquecer, o que já lhe mereceu a retirada do rating de triplo A. E as taxas de crescimento francesas também já viram melhores dias.

Ao que parece os franceses já perceberam que o mediático par Merkozy é muito mais alemão que francês. E começam a preocupar-se com as ameaças que pairam sobre o seu bem-estar. E isso incomoda-os.

Pela primeira vez numa eleição presidencial francesa da quinta República (1958…), o presidente em funções não parte em vantagem. O facto indicia que a maioria dos franceses já não o considera o melhor para lugar. Resta agora a N. Sarkozy tentar o canto da sereia junto do eleitorado de Marine Le Pen, a representante de um perigoso movimento de características nacionalistas e xenófobas que, regularmente, assoma ao primeiro plano da política francesa – em 2002 a presença de J. M. Le Pen na segunda volta das presidenciais forçou mesmo toda a esquerda a votar no gaulista J. Chirac.

Tudo está em aberto para a segunda volta em 6 de Maio. Como se comportarão os eleitores dos candidatos agora afastados? A maior incógnita da eleição será o comportamento dos quase seis milhões e meio de eleitores que agora votaram em M. Le Pen. Eleitores de que N. Sarkozy se tem tentado aproximar com discursos de afirmação nacionalista e algumas medidas de grande impacto mediático como as acções desencadeadas contra comunidades ciganas ou o encerramento temporário de fronteiras. Ou ainda a polémica contra hábitos culturais de comunidades magrebinas.

Serão duas semanas vertiginosas, seguidas com interesse por toda a Europa.

É grande a expectativa sobre os efeitos na Europa de uma viragem política em França. Um movimento que, com a influência de uma grande país, pode criar condições para novas abordagens às crises actuais e em que avultam a há muito discutida e sempre adiada criação de eurobonds, a rediscussão do pacto orçamental europeu que Merkel (acolitada por Sarkozy) se incumbiu de impor à UE.

Uma eleição que nos interessa.

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Política

Ter vergonha

O ministro da Defesa alemão demitiu-se na sequência de acusações de plágio na tese de doutoramento, que já tinham levado a Universidade de Bayreuth a retirar-lhe o grau de doutor.” Aferida com as práticas políticas (mas não só) correntes em Portugal, a notícia ilustra bem a diferença quanto ao conceito de responsabilidade que vigora nos dois países.

Ainda recentemente assistimos, atónitos, a uma das maiores trapalhadas registadas em mais de trinta anos de processos eleitorais: a impossibilidade de milhares de cidadãos exercer o seu direito de voto nas eleições presidenciais. O cerne da questão – a responsabilidade política por um facto da maior gravidade – foi iludido com relatórios técnicos e a demissão de um alto funcionário, um director-geral . A mensagem que se quis transmitir foi a de que os políticos responsáveis não tinham nada a ver com o assunto. Pergunta: o que é que estão lá a fazer? Será que precisamos de Governo?

Fica bem ilustrada a “teoria dos fusíveis”. Antes que o curto-circuito chegue ao quadro principal, o ministro e os secretários de Estado, “rebentam-se” uns quantos fusíveis, no caso um director-geralEstranha-se como o caso não chegou ao porteiro do ministério.

Regressando à Alemanha. Convenhamos que ter no Governo um ministro cuja tese de doutoramento foi plagiada é desprestigiante. Facto, aliás, de difícil compreensão num país berço de tantos génios… A sociedade alemã não gostou e protestou. E os protestos foram ouvidos. Retornando a Portugal. Se formos a atender às habilitações literárias dos nossos governantes, convenhamos que teríamos (como temos tido) muito que sorrir e gargalhar. Claro que não fizemos uma carta aberta dirigida ao nosso chanceler, assinada por milhares de pessoas, nomeadamente professores universitários e alunos de doutoramento, como os alemãos fizeram. A quem a dirigiríamos? Limitámo-nos a sorrir e a contar umas anedotas.

Mas não será muito mais grave ter governantes que são (ir)responsáveis por perturbações e danos muito maiores, como é o caso do ministro da administração interna?

A conclusão é que temos ainda um longo caminho a percorrer em matéria de decência e de respeito pela coisa pública e pelos lugares públicos. Era bom que os nossos governantes fizessem algum benchmarking com os exemplos que lhes chegam da Europa.

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