Geral, Política

Uma lufada de ar fresco

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O acordo político apelidado de geringonça revela, seis meses após a constituição do Governo, que funciona melhor do que aquilo que lhe auguraram. Cada dia é um dia de negociação e o Parlamento adquiriu uma função central no sistema político. Uma lufada de ar fresco! Entre a reposição de rendimentos e o cumprimento dos ditames do pacto orçamental corre uma estreita faixa que ditará o sucesso do Governo de A. Costa.

Estabilidade

A solução encontrada trouxe ao país estabilidade política e uma solução maioritária no parlamento – o que não é coisa pouca perante os resultados eleitorais de Outubro de 2015.

O ineditismo da solução credibilizou a Política ao revelar caminhos nunca antes experimentados em quarenta anos de regime democrático. Uma solução que, não sendo inédita na Europa, pode ainda encontrar eco em Espanha com as eleições de 26 de Junho.

Baixas expectativas

A constituição de um Governo PS apoiado pelos partidos da esquerda foi recebida com uma odienta campanha em que não faltou a apodrecida artilharia anti-comunista, suportada pela maioria dos comentadores residentes das televisões e imprensa mainstream ­ – parte deles já começou aliás a “virar o bico ao prego”. Eram pois baixas as expectativas com que foi recebido.

Ao Governo de A. Costa não foi concedido o tradicional benefício da dúvida. Desde o primeiro dia que se confronta com mar alteroso. Mas o mais preocupante é a oposição que chega dos círculos de decisão europeia, nomeadamente da Comissão, com ameaças permanentes de castigos em torno da sacrossanta questão do défice. É manifeste que esses círculos querem impor orientações políticas estritas, deixando o Governo com margem de manobra muito reduzida.

As baixas expectativas e a permanente ameaça dos “comentadores” da eminência de uma quebra do apoio político ao Governo têm também sido um dos maiores estímulos para o êxito de geringonça até ao momento.

O parlamento e a negociação permanente

Sem maiorias claras saídas das eleições, o parlamento preenche nesta legislatura aquela que é uma das suas mais importantes vocações, a de centro do debate e da decisão política. Bem ao contrário do que o sistema nos havia habituado desde há muito – uma mera câmara de eco de maiorias absolutas

Negociação intensa e permanente, com divergências expostas e do conhecimento público – uma (nova) forma de fazer política. Uma saudável forma de fazer politica!

Apesar dos acordos das esquerdas, não deixa de ser possível assistir a uma certa geometria variável, nomeadamente nas matérias que não constam nos acordos bilaterais celebrados entre PS, PCP, BE e PEV.

Uma nova atitude na frente europeia

A atitude subserviente de “ir além da troika” que P. Coelho propalou aos quatro ventos deu poucos resultados. Ou, para a usar a expressão cínica de um líder parlamentar do PSD “O país melhorou mas a vida das pessoas não”.

É certo que a Comissão Europeia ameaça agora Portugal com sanções pelos resultados conseguidos… com as políticas e as medidas a que obrigou o país ou pela trajectória orçamental deste ano. Sanções essas que, quando forem discutidas, não deixarão de trazer ao debate as violações do tratado por parte de Estados ricos – uma caixa de pandora, como se adivinha.

Uma posição negocial mais interventiva e exigente na frente europeia não deixa de revelar uma nova postura. Mesmo os socialistas europeus dão agora alguns sinais de perceber que a agenda em que se deixaram envolver com o pacto orçamental é má e só contribui para aumentar as desigualdades entre os países da UE, mantendo a situação de estagnação.

São visíveis sinais de diálogo, anda tímidos, entre os Governos dos países vítimas da paranóia austeritária, como Portugal, Grécia, Itália, com a Espanha em stand by. A solução que sair das eleições espanholas – nomeadamente se com uma maioria de esquerda, não deixará de se reflectir nos grandes equilíbrios europeus.

Europa: mudar de rumo?

É lógico que tinha que haver “reversões” de decisões do governo anterior, tão más e danosas elas foram. A começar por alguma reposição de rendimentos, que teve na origem cortes que afectaram  a generalidade da população mas que se abateram em especial sobre pensionistas e trabalhadores dos sectores da administração e empresas públicas.

A anulação da privatização de empresas com actividade de importante impacto social, caso dos transportes e TAP, foi uma medida de sanidade pública. Sempre foi claro que a fúria privatizadora – que alienou empresas fundamentais para a soberania, como a EDP ou a ANA,  não tinha a simpatia da maioria da população.

Parte importante do sucesso da geringonça joga-se agora no crescimento da economia, em que o relançamento do consumo interno tem merecido especial atenção. Mas joga-se também na inversão das suicidárias políticas de austeridade e na reformulação dos critérios do pacto orçamental, transformado numa “camisa-de-onze-varas” para os países mais pobres da União. Para isso é  necessário um novo equilíbrio politico na Europa.

 

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O VOTO NÃO É A VONTADE DO POVO

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Há quem cante hinos de louvor a estas eleições inglesas e, perdendo a cabeça, diga que é uma vitória da política. Um discurso pateta que abre para todas as especulações com o chorrilho de banalidades que as sustentam. Vai ser esse o prato forte da comunicação social, mais os comentadores de serviço, todos muito satisfeitinhos em ocupar o tempo com bagatelas grandiloquentes. A variante política das júlias, gouchas e teresasguilhermes, que irão ocupar tempos infindos com a glorieta do Cameron, as desgraças de Miliband, Clegg e Farage que se demitiram para os seus partidos renascerem. Os mais ousados dirão mesmo que eles se demitem para esses partidos se reinventarem. Excessos de imaginação para apimentar um panorama político prevísivel, um pouco rídiculos olhando para o que pouco diferencia, em Inglaterra, conservadores e trabalhistas. Por outras bandas a cegarrega não é muito dfiversa.  Definitivamente o discurso futebolistico é o paradigma da ciência política da malta. As equipas perderam, muda-se de treinador. Talvez mesmo de tática. Discute-se política com o mesmo empenmho e conhecimento dos treinadores de bancada, de café. , o jogo é que não muda. Fica sempre dentro daquelas quatro linhas. Fora delas, para essa gente, não há nada. Chamam a isso política, jogo político, mesmo que não exista a não ser como slogan. O pensamento político  reduz-se a tiradas rasteiras . O fundo é o mesmo, mas sem a grandeza nem o brilho do Principe de Salinas. Ainda só fui ver os resultados, tinha um objectivo que se pode ler no restante post. Ainda não os li, ouvi e vi, lá irei ao desfile. Não devo andar longe da realidade. há sempre uma bruxeleante esperança de ouvir algo que surpreenda. Um ângulo que nos tenha escapado. De certeza não falarão de uma coisa essencial e substancial, a fraude democrática que é o sistema eleitoral inglês.

Curiosa ou sintomaticamente ninguém irá fazer notar, sublinhar que a democrática Grã-Bretanha é um exemplo de como o voto não é a vontade do povo.

Um sistema eleitoral completamente distorcido permite que um partido, disso se tem aproveitado tanto conservadores como trabalhistas, ganhe o número de lugares de deputados suficientes para ter a maioria absoluta do parlamento, sem que isso corresponda ao número de votos conquistados, à vontade do eleitorado.

Estas eleições mostram como sistemas eleitorais podem manipular a vontade dos votantes.

Se aplicarmos o número de votantes num partido e o número de deputados eleitos por esse partido, restringindo esse o universo aos Conservadores, Trabalhistas, Liberais e UKIP, verifica-se: como é fácil os grandes partidos elegerem deputados:

Partido Conservador cada 34 348 votos / elegeu 1 deputado

Partido Trabalhista 42 881 votos / 1 deputado

Partido Liberal 296 450 votos / 1 deputado

UKIP 3 659 630 votos / 1 deputado

Um outro exercício que pode ser feito é aplicar a percentagem de votos em cada partido ao total dos deputados do Parlamento, excluindo-se os outros pequenos partidos e o Nacional Escocês que elegeu 56 deputados. Os resultados são surpreendentes:

Partido Conservador Deputados eleitos 330 / Deputados que elegeria 209 – 121 deputados

Partido Trabalhista Deputados eleitos 232 / Deputados que elegeria 203 – 29 deputados

Partido Liberal Deputados eleitos 8 / Deputados que elegeria 48 + 40 deputados

UKIP Deputados eleitos 1 / Deputados que elegeria 78 + 77 deputados

A diferença entre o total do número de eleitos 571 e o total que elegeriam 531, são 40 lugares que seriam ocupados por todos os outros partidos se aplicado o metodo proporcional. Podem ler-se os números ao contrário. Os Conservadores tiveram mais 121, mais 36, 6 % e os Trabalhistas mais 29, mais 12,5 % do número de deputados que teriam eleito se o sistema fosse proporcional.

Por estes números se percebe a vigarice eleitoral que nada na massa cinzenta de muitos dos nossos deputados quando enchem a boca com a aproximação do eleitor ao deputado, a reorganização dos círculos eleitorais e mais umas quantas falácias que, bem aplicadas, acabariam por dar a maioria absoluta a um partido que obtivesse uma minoria de votos. Quando se mexe nos sistemas proporcionais, reescrevem as fronteiras dos círculos eleitorais retalhando o território por cálculo eleitoral, o resultados é sempre subverter a vontade popular em benefício de máquinas partidárias que têm a competição eleitoral como o seu objectivo e fim, perdido qualquer horizonte ideológico.

O arsenal dos truques democráticos é inesgotável. Tudo para obter maiorias que não correspondem à vontade dos eleitores. Vejam-se as últimas leis eleitorais em Itália, a última do Berlusconi, tão escandalosa que foi chumbada pelo Tribunal Constitucional e agora a de Renzi. Olhe-se para esse panorama inglês nessa pátria da democracia!

Leituras políticas destas eleições é outro assunto relativamente interessante, não fora a votação coreana no Partido Nacional Escocês que deve fazer rebobinar o filme do referendo independentista para se registarem as ameaças, as chantagens, as mentiras, as ingerências estrangeiras que desabaram sobre a Escócia. Um filme sempre pronto a ser exibido, com guiões não muito diferentes, com os mais diversos protagonistas, sempre que os interesses do grande capital e o pensamento dominante se sente beliscado. Nem são necessárias grandes ameaças para os cães de fila, com os media na frente, se soltarem.

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UM Buraco Negro na Informação

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As caixas negras do avião da Malaysian Airways abatido na Ucrânia, entregues pelos separatistas pró-russos de Donetsk às autoridades malaios, que estes verificaram estar em bom estado, ainda estão por decifrar por peritos num laboratório especializado sediado em Londres.
O que será tão difícil de interpretar?
Em Washington, depois da retórica de Obama cujas provas foram mais sanções económicas à Rússia, começa a ouvir-se falar de “um erro/acidente trágico“.O que quererá isto dizer?
Entretanto a informação sobre o voo MH17 da Malaysia Airways, abatido sobre a Ucrânia está a entrar num buraco negro.
Saber-se-á, um dia, a verdade? Depois de tantas certezas sem provas, alguém a reconhecerá contra si?
Recorde-se o resultado de um recente inquérito independente da ONU na Síria. Depois de todo o ocidente acusar a Síria de ataques com armas químicas, o que a Síria negava, os peritos da ONU concluíram que tinha havido ataques com armas químicas mas não podiam concluir quem tinham sido os seus autores. Um monumento de cinismo. Talvez acabe assim o inquérito ao abate do avião comercial malaio.

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O Triunfo dos Porcos

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A vigarice intelectual continua a provocar-me uma indignação quase adolescente,  quando a intransigência era maior.
Apesar de já prever e conhecer a reacção,  por vezes não  resisto a ir ver programas de televisão que, certamente, me irão indignar. Um deles é  o Frente a Frente da SIC Noticias,  agora muitíssimo melhor moderada,  pelos personagens que por lá desfilam. Um dos seus figuras paradigmáticos é Matos Correia.  O ar porcino acentua a prosápia com que debita mentirolas,  mistifica a realidade,  faz passar gato por lebre,  vende vigésimos premiados. É um dos muitos outros que proliferam e são a maioria dos opinantes na comunicação social. Todos  das mesmas famílias políticas de direita,  alguns mascarados de independentes e/ou tecnocratas. Nessa gente as excepções são raríssimas,  emergindo por razões muitas  vezes conjunturais. A dominante são os matos correias,  os nunos melos.
Nos últimos dias tem sido um carrocel de rasteirices argumentativas para passar a ideia falsa como Judas, de que os contribuintes estão a salvo de serem chamados, mais uma vez, para pagar os desmandos do BES. A farândola agita a excelsa panaceia encontrada com o resgate dos dinheiros públicos aplicados para salvar o BES da falência,  um objectivo correcto, com o recurso ao Fundo de Resolução. Não dizem é que esse Fundo é gerido pelo Banco de Portugal e pelo Ministério das Finanças e que é constituído por uma contribuição extraordinária do sistema bancário, mais ou menos 40 milhões por ano, mais parte dos impostos do mesmo sistema bancário que são assim subtraídos ao dinheiro público,  portanto dinheiro que é de todos nós contribuintes,  que é retirado do Orçamento do Estado. Não  falam da imensa batota que é afirmar que o FR será obrigado a pagar o que não se conseguir pagar com a venda a retalho do BancoBom.  Mesmo que fosse só um terço do que foi emprestado pelo que estava em caixa do dinheiro da troika, mais os 3,5 mil milhões que o BCE emprestou ao BancoBom para devolver o que o Banco de Portugal tinha lá metido a mais,  o FR com os seus próprios meios levaria uns quinze para pagar o que eles dizem irá ser pago, no máximo, em dois anos. De certeza que os bancos não estão pelos ajustes de pagar uma conta de que o actual responsável ė o Estado. A vigarice intelectual é um cavalo à solta sem freio.
O que é inquietante,  o caso BES é um pequeno exemplo, é que isto é  expressão da clarividência do ódio imbecil,  a demonstração da estúpida tenacidade das opiniões falsas,  apócrifas  que,  por vezes,  acabam por fazer vencimento de forma espantosa. Aqui e  no mundo é o triunfo dos porcos para que contribui activamente esse baixo clero contemporâneo que chafurda na pocilga de um pensamento dominante débil,   poderosamente sustentado por uma comunicação social estipendiada e domesticada.
As armas são incomparavelmente desiguais mas não podemos desistir com a consistência da água mole.

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autarquias, Cultura, Fascismo, Política, Revolução

Quando ouvem falar em cultura, continuam a puxar logo da pistola

Sem título

Aqui, pelas margens do rio Sado, o CDS e os seus dirigentes continuam iguais a si próprios, fieis à herança e às melhores tradições trauliteiras da direita portuguesa.

João Viegas, dirigente do CDS e Deputado à Assembleia da República, à semelhança do Governo que apoia e para o qual a cultura pode muito bem encaixar-se numa qualquer Secretaria de Estado, não tem qualquer pudor em aprovar sucessivos cortes ao financiamento das autarquias locais, em apoiar o Governo que fecha a torneira para toda e qualquer expressão artística e cultural que não seja oca e de elogio ao regime, em aprovar políticas recessivas que conduzem as economias locais à ruína, em defender um Governo que não cumpre a lei das Finanças Locais e, ainda, apontar o dedo às autarquias que vão promovendo algumas iniciativas e investindo em infra-estruturas e na produção e fruição cultural.

Claro está que, no caso em concreto, ficamos sem saber se o problema está no preço pago pelos espectáculos ou nas comemorações do 25 de Abril, estou certo que se fossem concertos mais perto de um 25 de Novembro ou até de um 28 de Maio a indignação não seria tanta.

Repare-se na subtileza e fino humor do ilustre Deputado ao referir-se a um dos maiores e mais conceituados autores/cantores da língua portuguesa como o «camarada Sérgio Godinho», revelando o facciosismo que lhe tolda o pensamento e a demonstrar que é o preconceito político e ideológico que determina a sua intervenção e não qualquer preocupação com os dinheiros do Município.

Compreendo que quem sistematicamente se comporta desta forma perante as mais diferentes realizações artísticas e culturais tenha dificuldades em compreender a obra do Sérgio Godinho ou dos Naifa, mas já é mais estranho não ouvir nem uma palavra sobre os milhares de Setubalenses que na Praça do Bocage ou no Fórum Luísa Todi festejaram Abril e as suas conquistas, nem uma palavra sobre o papel das autarquias, neste caso do Município de Setúbal, na concretização da obrigação constitucional de garantir o acesso à cultura, promovendo a sua democratização, substituindo muitas vezes à Administração Central (apenas mais um comando constitucional com que este Governo tem dificuldade de conviver), nem uma palavra sobre o extenso programa de comemorações da Revolução em Setúbal.

Enfim, nem uma palavra, porque quando ouvem falar de cultura…

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Costa Amigo, o Relvas e o Isaltino estão contigo

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Há um novo paradigma nas eleições democráticas das mais ou menos abertas às mais mais ou menos fechadas ou mesmo completamente fechadas. É o paradigma António Costa, eleito por unanimidade presidente da Comissão Executiva e do Conselho Metropolitano da Área Metropolitana de Lisboa (AML), depois de afastar, como não quer a coisa mas não deixando outra saída em quem tem coluna vertebral, coisa de que ele tem uma vaga ideia do que seja, que não fosse abandonar a votação para não legitimar tamanha tropelia. Um caso de estudo em regimes democráticos.

Pela mão do amigo Miguel Relvas, António Costa sem mexer uma palha seria sempre eleito para uma das presidências da Área Metropolitana de Lisboa. Mesmo que tivesse havido uma abstenção abstrusa e um único votante no concelho de Lisboa, ele próprio a votar em si-próprio, a lei Relvas garantia um dos cargos de presidência de uma das comissões da AML. Malhas que as democracias tecem, cerzindo as leis à medida dos interesses de momento, como aqui já foi explanado por Demétrio Alves no “post” O Eleitor de Oiro. Emalhamentos que xicos-espertos, sem rei nem roque, costuram  para legalizar processos tortuosos, em que os fins justificam os meios, para que o Estado de Direito continue a ser o estado do direito dos mais fortes à liberdade atropelando todos os princípios e qualquer ética. António Costa, mal a lei foi publicada, deve ter enviado um cartão de agradecimento ao amigalhaço Miguel Relvas, antecipando os abraços democráticos que devem ter trocado, rebolando-se de gozo com as consequências da aplicação da lei. A democracia fica sempre mal servida por Costas & Relvas.

O Miguel Relvas bem deve ter corado de vergonha quando António Costa vituperou a falta de coragem para levar a lei até às últimas consequências. Ter deixado a porta entreaberta para critérios da lei anterior continuarem em vigor. Pela lei Relvas, o partido cujos municípios somassem maior número de eleitores, independentemente dos resultados eleitorais, elegeria um presidente de um dos órgãos. Para ocupar os dois órgãos seria necessário ter também o maior número de presidências de municípios. Pelo primeiro critério, tendo sido António Costa, eleito presidente de Lisboa mesmo que, como já referimos, com a hipótese absurda de haver uma abstenção desaustinada e um só votante, o Costa no Costa, a sua eleição estava garantida. Como se está a ver nada mais transparentemente democrático!

Pelo segundo critério é que a porca torce, torcia o rabo. A CDU ganhou nove municípios, com um total de 233.414 votantes, o PS, seis com um total de 355.114 votantes (só Lisboa contribuiu com 32,8% desses votos numa coligação que era um ponto de encontro de várias vontades e opções ideológicas, como lembrou Helena Roseta para sublinhar a pluralidade de uma lista, com vários grupos de cidadãos organizados, que se albergava debaixo da bandeira do PS, opinião que António Costa rebateu soezmente no discurso de vitória em que quase afirmou, para Seguro e o PS ouvirem evidentemente, que a vitória se devia a ele e só a ele) o PSD dois, com um total de 196.524 votos, e o delfim do Isaltino, toma lá aquele abraço comovido, que ganhou Oeiras com 25.071 votos.

O PCP propôs ao PS que cada um dos partidos ocupasse a presidência de um dos órgãos da Área Metropolitana de Lisboa. Hipótese liminarmente rejeitada por António Costa que. como bom democrata, queria todo o poder para ele nem que  tivesse que se deitar com o diabo.

A única saída era aliar-se aos presidentes de câmaras ganhas pelo PSD e, o mais fácil, à Câmara de Oeiras, ganha por um discípulo desse autarca exemplar que foi Isaltino Morais. Um exemplo também para o António Costa, sobretudo em anos em que vai rever o PDM. Isaltino grande líder estou contigo, o teu seguidor será meu vice-presidente.

Homem avisado, António Costa preparou o terreno em Lisboa, rasgando uma regra tácita, em que as vice-presidências da Assembleia Municipal eram ocupadas pelas outras forças mais votadas. Sempre virado para a direita enquanto fala para a esquerda ouvir, numa conversa fiada que tem treinado desde a juventude, afastou a CDU de qualquer acordo, antecipando o que iria fazer na Área Metropolitana. Com essas alianças somou tantas câmaras, nove, quantas as que a CDU ganhou. Estava desfeito o nó que o amigo Miguel Relvas não tinha desfeito. António Costa foi eleito por unanimidade absoluta, obtida com a ausência de indignação justificadíssima dos autarcas CDU, É o novo paradigma democrático, o Paradigma António Costa, um político cheio de qualidades, quase nenhuma com qualidade. Ainda há pouco tempo, no programa Quadratura do Círculo, insurgia-se de forma pouco habitual no seu estilo de experimentado e meloso intriguista, contra a alteração estatutária que António José Seguro propunha, em que as propostas de listas de candidatos a deputados pelo PS  abandonariam o método proporcional e a lista vencedora ficaria com todos os candidatos, nem que vencesse por um voto. Para António Costa isso acabava com a suposta marca de água do PS que seria a pluralidade interna. E, coisa rara nele, engrossava a voz enxofradíssimo, quase a ultrapassar as fronteiras da exaltação que  essa proposta lhe causava, apesar de tudo bem mais aceitável que a celerada lei Relvas que o beneficiava descaradamente e de que não discordava de algum modo. Essa gente é assim, sempre pronta para o contrabando ideológico e de princípios desde que saquem vantagens.

Bem pregava Frei António Costa contra as malvadezas do Seguro, malvadezas que só o são dentro do PS mas que são óptimas se, em variante menos justificável e mais violenta, fazem tábua rasa de qualquer veleidade democraticamente pluralista, quando aplicadas na Área Metropolitana de Lisboa, por via de uma lei miserável que abençoou em silêncio e logo  utilizou, fazendo  as alianças espúrias necessárias para ultrapassar os buraquinhos deixados pelo legislador e que punham em perigo o poder absoluto. Ou talvez as alianças não sejam nada espúrias e revelem, para quem ainda tenha ou tivesse ilusões, que António Costa, como o rematador de pólo aquático da Palombella Rossa, aponta à esquerda, sempre à esquerda para rematar à direita, sempre à direita. Aliás António Costa especializou-se em dizer coisas de esquerda, que chegam a ultrapassar a esquerda pela esquerda, para melhor fazer políticas e, sempre que necessário, alianças à direita. Nunca se viu, em todo o seu já longo percurso político, António Costa fazer outra coisa que não seja rasteirar a esquerda na primeira curva em que com ela se cruza. Um artista faceto, um político sem príncipios, um homem da confiança do grande capital como se viu ainda há bem pouco tempo quando fez um ultimato a Seguro, em que acabou por recuar só para tomar mais balanço. Apercebeu-se que ainda não tinha chegado a sua hora apesar dos apoios angariados entre correlegários e os externos que os representantes do capital lhe garantiam. Por ela tem feito tudo, com a habilidade que se lhe reconhece, dando doces mas vigorosas dentadas nos adversários colegas de partido, puxando os cordéis nos bastidores, largando bombas de relógio nos corredores do Rato, rasteirando e intrigando brilhantemente para que não apareça outro Sócrates que lhe atrase o destino para que se acha predestinado e que desde a juventude, as elites socialistas preconizam.

Ao assistir a estas manobras, lembrámo-nos da primeira aventura autárquica de António Costa, quando em 1993 concorreu ao município de Loures. Ainda estavam os votos mal contados, a votação era-lhe favorável. Não perdeu tempo a fazer um extemporâneo discurso de vitória. Na RTP 1, entre vários comentadores, Cáceres Monteiro e Nuno Rogeiro. Cáceres Monteiro babava-se a ouvir António Costa cantando vitória.. Depois a má notícia, Costa tinha perdido. Cáceres Monteiro, muito rápido, quase lacrimejante, desatou a fazer o elogio de António Costa, a lamentar a perda que era para Loures ter atirado para a lixeira a oportunidade de ser dirigida por tão promissor político, ter dado a vitória ao engenheiro “Demérito” Alves (sic). O alvoroço tem desses imprevistos. Nuno Rogeiro sarcástico corrigiu-o. Cito de memória: “Não é Demérito é Demétrio Alves, e você ainda não percebeu que a população de Loures preferiu o ferrari ao burro?!” Aludindo há corrida que o Costa tinha promovido entre um burro e um ferrari na Calçada do Carriche,

Agora o burro, que não é nada burro como os burros não o são, vingou-se e de braço dado com Miguel Relvas e Isaltino Morais, dois democratas estrénuos como ele e de gabarito equivalente, ocupou todos os cadeirões presidenciais da Área Metropolitana de Lisboa. Reconheça-se que o burro vai longe. É um animal político trabalhador, obstinado, com objectivos bem definidos que mascara habilidosamente para os adversários, dentro e fora do seu partido, só deles se aperceberem quando já não há, ou quase não há, retorno. Consumado politiqueiro, onzeneiro experimentado, tem poses e discursos de sereia que disfarçam a voracidade saturnina. Mesmo quando parece recuar está a avançar dando a volta ao texto. O tempo em que teve hesitações que foram escolhos na sua carreira, parece definitivamente ultrapassado. No pântano da democracia, enquanto a democracia for um pantanal mal cheiroso, António Costa está entre os que prometem ir mais longe. Terá é que não ser tão sofrego como na referida edição da Quadratura do Círculo e não desatar a correr atrás do seu fado, para recuperar o tempo e as oportunidades que por maus cálculos deixou passar. Dona Constança Vitorino anda a fazer pela vidinha e os outros não passam de uns seguros de trazer por casa. Oh Costa, tenha calma, nem sempre terá Relvas por muleta, mas os ventos, maus ventos para todos nós, são-lhe favoráveis.

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Educação, Política

Retrato de um País a saque

Por detrás de cada ataque à Constituição, aos serviços públicos, aos funcionários públicos, aos professores, existe um objectivo claro e determinado, uma opção política de fundo, comprometida com os interesses das classes dominantes.

Se for necessário dar cabo da educação pública, gratuita e de qualidade para todos, se for preciso rasgar a Constituição, se for preciso degradar as condições do ensino público, se for preciso despedir milhares de professores, se for preciso… eles estão dispostos a tudo para agradar aos amigos e continuar a promover as condições para a criação de fortunas erguidas sobre a miséria de um povo.

De cada vez que dizem que o Estado não tem dinheiro e que nos temos de habituar a viver cada vez mais miseravelmente, mentem!

Mentem, porque o que se assiste, diariamente, é à escassez de meios e recursos para os serviços públicos e as prestações sociais que tocam a esmagadora maioria da população e, em particular, as camadas mais desfavorecidas, e a sua abundância para as negociatas e o favorecimento de grupos económicos e financeiros que, muitas vezes, agem nos limites da lei.

A pretexto da liberdade querem rever uma Constituição que ainda vai servindo de factor de resistência ao vale tudo desta gente, a pretexto da liberdade acabam com as funções sociais do Estado, aprofundando desigualdades e injustiças, mas será em nome e no exercício da Liberdade que os protagonistas destas criminosas políticas de exploração e empobrecimento serão julgados.

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Política, Setúbal

Democracia à la carte

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A vida democrática rege-se por princípios muito simples, os quais são facilmente apreendidos e praticados, seja na actividade política, na vida associativa, ou até nas relações familiares e em círculos de amigos. Não obstante o óbvio atrás exposto, que regula as mais distintas dimensões da vida em sociedade, surgem excepções, que me conforta pensar que apenas confirmam as regras por todos aceites.

Fruto das recentes eleições autárquicas, teve lugar em Setúbal um destes fenómenos. Na União das Freguesias de Setúbal, nova unidade territorial que resulta da agregação e extinção das anteriores freguesias de Santa Maria, São Julião e Anunciada, a vitória coube à CDU, lista que obteve o maior número de votos, consequentemente elegendo o Presidente da Junta. O restante Executivo da Junta de Freguesia – vogais -, assim o determina a lei, é eleito no acto de Instalação dos Órgãos, vulgo tomada de posse, de entre os membros que constituem a nova Assembleia de Freguesia e sob proposta do Presidente da Junta.

Esclarece a ANAFRE – Associação Nacional das Freguesias, numa nota sobre a instalação dos órgãos das freguesias, que “O legislador quis, especificamente, que a proposta dos nomes dos Vogais fosse feita pelo Presidente da Junta de Freguesia para que este possa ser um Ógão com quem se possa e deseja trabalhar em bloco, por todo o tempo do mandato, com confiança pessoal e política.” Naturalmente que, sendo votada a proposta, a mesma pode ser rejeitada, designadamente quando a força política que venceu as eleições não dispõe de maioria dos membros na Assembleia de Freguesia. A referida nota da ANAFRE refere-se às consequências desta possibilidade com preocupação, pois “cria uma situação de bloqueio e a consequente paralisação da atividade dos dois Órgãos da Freguesia”. Nesse sentido recomenda que “Deve prevalecer o interesse local, alicerçado no bom senso individual e no benefício coletivo.” A nota termina com um apelo “A ANAFRE apela ao bom senso e à vontade política comum de todos os eleitos verem a sua Freguesia governada e administrada imediata e pacificamente.” Estas preocupações e recomendações são entendíveis e essenciais, dado que a não eleição do Executivo paralisa o funcionamento de uma junta de freguesia, nomeadamente a prestação de serviços vários à população – limpeza dos espaços públicos, conservação das escolas, obras em curso, manutenção dos espaços verdes, procedimentos administrativos, etc. – e a gestão de recursos humanos, eventualmente até o pagamento dos salários aos trabalhadores da junta.

No entanto, na instalação dos órgãos da União das Freguesias de Setúbal verificou-se o inesperado. O Presidente da Junta (CDU) apresentou uma proposta para a eleição do Executivo da Junta composta pelos membros da mesma força política na Assembleia. Não sem previamente ter auscultado todas as outras forças políticas sobre eventuais propostas que tivessem, sempre no sentido de assegurar o funcionamento dos órgãos. Ninguém propôs o que quer que fosse. Todavia, PS e PSD/CDS votaram contra a proposta do Presidente da Junta para a composição do Executivo. Seguiu-se nova votação e novo chumbo. De imediato o PS, através da sua primeira candidata à freguesia, apresenta uma declaração exigindo novas eleições. Nem sequer manifestaram qualquer disponibilidade para discutir e encontrar soluções que viabilizassem o funcionamento da Junta de Freguesia. Não conseguiram tão-pouco disfarçar o seu único intento: novas eleições.

Voltando aos princípios democráticos e às recomendações da ANAFRE, cabe perguntar onde fica o superior interesse da freguesia e da sua população? Esta atitude, concertada e premeditada, revela um profundo desrespeito pelo voto da população da freguesia, que deu a vitória à CDU, e pelas mais elementares regras da democracia. É uma verdadeira tentativa de “Golpe de Estado” e um exercício de mau perder, próprio de quem convive mal com a democracia. Perdido o jogo, não aceitam o resultado, querem novo jogo. Se pelo País fora primasse este comportamento antidemocrático, instalar-se-ia o caos, pois as instituições não funcionariam e nenhum acto eleitoral seria válido e respeitado.

Esta questão é tão mais absurda quando existe histórico. Há quatro anos atrás, aquando das eleições autárquicas de 2009, o PS venceu tangencialmente as então freguesias de Santa Maria e de São Julião. Não tendo maioria em nenhuma das assembleias, beneficiou da seriedade dos eleitos da CDU que confirmaram o interesse maior das populações e respeitaram o seu voto, afirmando, uma vez mais, o princípio de que quem ganha deve governar e cumprir o programa que apresentou aos eleitores. Assim, a CDU viabilizou que em ambas freguesias o PS elegesse executivos apenas com pessoas daquela força política. Já depois das eleições de Setembro passado, a cabeça de lista do PS à União das Freguesias de Setúbal divulgava publicamente um texto anunciando que “Quem ganha deve governar e não pode ser impedido de colocar em marcha o programa apresentado em campanha”. É caso para dizer, bem prega Frei Tomás…

Os interesses pessoais e partidários soaram mais alto e tornaram-se bem mais importantes que os da população da freguesia. Por essa razão procuram agora ganhar na secretaria o que não conseguiram nas urnas com o voto da população. É a Democracia à la carte do PS. Não gosta do cozinhado, pede outro prato. Esquecerão talvez que ninguém tem simpatia por quem revela mau perder e que as pessoas são inteligentes e, portanto, não gostam de ser desrespeitadas e defraudadas. A democracia constrói-se com regras e com comportamentos que dignifiquem os órgãos e as forças políticas, e que respeitam a vontade e os interesses das populações. Este é um mau exemplo que seguramente a população condenará.

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Política

Da Política e da remuneração dos políticos…

republica (1)A remuneração e as condições de aposentação dos cidadãos que exercem cargos políticos é uma questão de extrema importância simbólica. Mexendo bem fundo nos nossos sentimentos de justiça e equilibro, a forma como é vista pela sociedade é também a medida do sucesso ou da falência de um sistema político.Aí se insere toda a polémica que ferozmente se abateu sobre Ana Teresa Vicente, presidente da Câmara de Palmela e que o texto de Demétrio Alves aqui publicado nos ajuda a compreender, recordando-nos que “não é de menor importância defender com frontalidade os interesses legítimos e vitais dos que exercem a atividade política” – um bom ângulo, porque difícil e “politicamente incorrecto”, para abordar a questão.

Seria saudável para a sustentabilidade deste regime – que desejamos democrático – que as regras de remuneração e aposentação dos cidadãos que exercem cargos políticos eleitos (nomeadamente os de natureza executiva e aqui atenhamo-nos aos autarcas) fossem justas e proporcionais. E fossem compreendidas e aceites consensualmente, não se transformando no constante foco de desconfiança em que se transformaram.

É para mim óbvio que o tempo exercido por um cidadão num cargo político não deve ser, para efeitos de aposentação, contabilizado a dobrar, conclusão a que o regime, aliás, também já chegou. Mas atenção, esta consideração não deixará de contaminar diversos outros exercícios profissionais mais resguardados do escrutínio público.

Também me parece óbvio que a remuneração desse mesmo cidadão deve ser compatível com as elevadas responsabilidades que carrega sobre os ombros e a disponibilidade que lhe é exigida. Mas, exclusivamente enquanto exercer o cargo!

Faz sentido que um presidente de câmara tenha uma remuneração (2800 a 3900 euros brutos, conforme o número de eleitores) que fica a anos-luz de um qualquer administrador ou gestor de empresa de média dimensão? Também me parece óbvio que esta não é a melhor ocasião para se abordarem estes problemas com a seriedade necessária. Fica-me a certeza que este tema terá que ser discutido em tempos mais serenos.

Deve o titular de cargo político aceder ao subsídio de desemprego quando deixa de exercer o cargo e não tenha posto de trabalho onde regressar? Claro que sim. Até porque nem todos têm lugares bem pagos em conselhos de administração ou outros lugares resultantes do circuito político-económico do poder dominante.

Mas o que seria verdadeiramente saudável para o regime seria a credibilidade da actividade política. Mais exactamente do exercício e do desempenho dos agentes políticos. Sem políticas e políticos credíveis, não há regime credível. Claro que dirão que isto é um lirismo. Mas alguém se preocuparia verdadeiramente com as remunerações dos políticos se o país progredisse e todos víssemos a nossa condição melhorar? Isto é, se eles fossem eficazes a gerir e levar para a frente a “coisa pública”?

O exercício de cargos políticos por escolha eleitoral deveria ser visto por todos como uma causa nobre, já que o que está em causa são aqueles que vão gerir os nossos interesses comuns e tomar decisões por nossa delegação. E para tal deveríamos dispor dos melhores de entre nós. Infelizmente não é assim. Aliás, é cada vez menos assim.

De há tempos a esta parte que a actividade política deixou de ser vista como algo de nobre por amplos sectores da população. Sobre os políticos impende mesmo um comprido manto de desconfiança – certamente injusto para a grande maioria – mas que apenas demonstra o falhanço dos homens e das mulheres que nos tem governado e das políticas que tem seguido.

O desafio do presente para a Política é provar que há outras alternativas e que os políticos podem ser credíveis. Que a Política não morreu. Não embarquemos pois no estafado slogan do “são todos iguais” – porque não são. Mas é preciso prová-lo e demonstrá-lo. E é preciso que a dimensão vigilante da cidadania se fortaleça, exercendo-se para além das rotinas eleitorais e transformando cada cidadão num político.

Muitos dos nossos concidadãos mais capazes tem vindo a resguardar-se do exercício dos lugares de eleição – seja pela escassa remuneração (como custa dizê-lo nos tempos que vivemos!), seja pela tendencial devassa pública e voyeurismo que sobre eles impende, seja ainda pelo desprestígio ou pela desconfiança instalada.

Será ainda possível re-prestigiar a Política e os políticos?

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economia, Geral, Política

Ondes estavas tu entre 1985 e 1995? ou Um estigma chamado Cavaco

“Numa altura em que urge criar riqueza no país e gerar novas bases de crescimento económico, é necessário olhar para o que esquecemos nas últimas décadas e ultrapassar os estigmas que nos afastaram do mar, da agricultura e até da indústria”

O principal rosto do processo de destruição do aparelho produtivo nacional, dos incentivos à desindustrialização, ao abate à frota pesqueira, ao fim de explorações agrícolas, o homem que assumiu como seu o projecto europeu para Portugal que reduzia o País a turismo e serviços, tem de compreender que as suas palavras causam perplexidades, dúvidas e alguma vontade de rir (não fosse o caso tão grave).

A não ser que estejamos perante o reconhecimento dos graves erros e crimes cometidos pelos seus governos contra o País e o desenvolvimento, não é possível admitir a postura de superioridade moral e intelectual com que faz estas afirmações que, até ao momento, não passam de declarações vazias de qualquer significado prático.

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Geral, Política

Porque não me falta a memória

Já sabíamos que o Cardeal Policarpo tem uma missão, certamente divina, de proteger os privilégios de alguns, apelando à resignação dos portugueses perante as injustiças, os sacrifícios, a austeridade e o roubo de que estão a ser alvo.

Não se manifestem, não se revoltem, isso é pouco democrático e, claramente, nada católico, diz o Cardeal.

Agora, também o seu órgão de comunicação social, a Rádio Renascença, vem informar o fiel ouvinte dos perigos da resistência à injustiça.

Num texto não assinado, onde sobressai o ódio, o medo e o preconceito, sente-se o cheiro a mofo e compreende-se que cada palavra foi carinhosamente recuperada do léxico anticomunista dos tempos da guerra fria.

«Os perigos da falta de memória», assim se intitula o texto, fala-nos do perigo vermelho, o perigo das pessoas aderirem às propostas do PCP, dos comunistas que vêem na crise uma oportunidade para levar os ingénuos a pensar que é possível neste mundo construir um mundo diferente e melhor, distraindo-os do essencial, claro está, os crimes do comunismo e a falta de liberdades nos regimes do ex-bloco socialista.

Ora se avaliássemos tudo pelo seu passado, veríamos em Policarpo, não um Jesus Cristo, mas um Cerejeira, ou um Torquemada, ou um qualquer Cruzado, veríamos que em Portugal, no tempo em que não havia liberdade, os comunistas estavam a reivindicá-la e a arriscar a sua vida por ela e a hierarquia da Igreja a defender o regime, a repressão e a ausência de liberdades, tais são os perigos da falta de memória.

Também seria interessante apelar à memória para se ver o papel que a Igreja (as Igrejas) tiveram nos tais países do ex-bloco socialista, com quem se aliaram, que tipo de liberdades defenderam, teríamos conclusões bastantes interessantes, mas esse seria outro debate e os erros de uns, não absolvem os erros de outros.

Felizmente, não avalio as pessoas e as organizações pelos mesmos parâmetros que se utilizam na Rádio Renascença, até porque o que está verdadeiramente em causa não é o passado e a memória, mas o presente e a defesa que a hierarquia da Igreja faz deste governo e do caminho de desastre em que este coloca o País.

O que está em causa é a necessidade de, através do preconceito e da frase feita, a Rádio Renascença e a hierarquia da Igreja alertar para o perigo de as pessoas ouvirem as propostas do PCP e a apresentação de alternativas à crise, à austeridade e a recessão, um projecto que rompe com as inevitabilidades e põem em causa as desigualdades e as injustiças de um sistema assente na exploração, quando o que exigem é a resignação e a aceitação acéfala da miséria e do emprobrecimento do Povo e do País.

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Geral, Política, Setúbal

Há uma linha que separa desejos e realidade

Apesar de alguns não a verem, existe uma linha que separa desejos e realidade.

A questão que se coloca é a de saber como é possível, apesar dos desmentidos feitos pela entidade responsável, insistir na falsa notícia, dando-lhe honras de 1ª página?

Qual o objectivo? Alguém adivinha?

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Política

A política e a rua

Durante anos o nosso sistema político beneficiou da placidez distraída dos cidadãos. Uma distração que parece estar a chegar ao fim.

Grupos sociais sem carácter reivindicativo conhecido saem para as ruas para se manifestar. É o caso dos artistas e do pessoal da cultura, dos agentes das forças de segurança, farmacêuticos ou proprietários de restaurantes e respectivos trabalhadores. É a “sociedade civil”, como tantos gostam de a classificar, a movimentar-se e a transcender as tradicionais expressões orgânicas.

O dramático processo de elaboração do orçamento do Estado para 2013 tem tido o mérito de colocar o país a seguir o assunto uma atenção inusitada. O tema deixou de ser uma questão para especialistas e meia dúzia de interessados, como o foi tantas vezes no passado. A política está de regresso, os políticos que se cuidem….

Conhecidas as principais linhas do orçamento, não houve grandes surpresas. O rumo será o mesmo – escavar mais e mais o rendimento das classes médias, cada vez mais empurradas para a pobreza por via do aumento brutal e generalizado de impostos, a que se soma a diminuição das prestações sociais e o desinvestimento generalizado do Estado. Uma rudeza a que continuam a escapar os contratos, ditos blindados, das PPP’s rodoviárias.

À recessão somar-se-á mais recessão não se divisando como poderá este orçamento contribuir para a inversão do ciclo económico. O mercado interno será ainda mais penalizado e o desemprego continuará a aumentar. Com estas medidas suicidas está em causa a sustentação das famílias e do país.

Apesar de todos os esforços e sacrifícios, o peso da dívida continuará a pender sobre os portugueses enquanto o valor dos respectivos juros continuará a aumentar. Com uma economia em queda não será possível sair deste ciclo. O próprio FMI considera que o impacto das medidas se traduzirá, em 2013, num recuo da economia situado entre 2,8 e 5,3%, contra o cenário de quebra de 1% do PIB propalado pelo Governo. Todo o país vê isso, da esquerda à direita.

Há um tique, sob a forma de chantagem, que veio para ficar – o de recurso ao argumento “ou isto ou o caos”. Como outros no passado, Passos Coelho e V. Gaspar não hesitaram em deitar-lhe a mão. Mas a estratégia parece não resultar. É que das próprias fileiras dos partidos apoiantes do governo sucederam-se as críticas arrasadoras das opções orçamentais.

Algumas constatações

Um povo na rua. Partidos e sindicatos, leia-se a esquerda PCP e BE, com algumas simpatias no PS, e a CGTP, como que monopolizaram a expressão política dos movimentos sociais durante anos.

De há tempos para cá – e talvez se possa colocar a fronteira nos acontecimentos da “Primavera árabe” – as redes sociais da internet, facebook e twiter, passaram a desempenhar o papel de um grande amplificador. A informação passou a transmitir-se a altíssima velocidade. Resultado: quando nada o indica, o povo está na rua. Foi o caso das manifestações de 15 de Setembro

Política em espaços fechados. Os protagonistas do poder político, nomeadamente os governantes, recusam crescentemente confrontar-se com os cidadãos (organizados ou não) que se manifestam. Disso são exemplos a escolha de recintos fechados para a organização de eventos, casos da Festa PSD do Pontal num hotel ou das comemorações do 5 de Outubro num espaço fechado.

A manifestação individual. A manifestação individual isolada de protesto no espaço público assumiu uma dimensão desconhecida até à data. É a demonstração de um desespero pessoal que cresce a olhos vistos e que não pode se associada o objectivos políticos de partidos ou sindicatos.

A descredibilização dos governantes. A sucessão de casos com o ministro M. Relvas há muito que aconselha a sua retirada do palco. O dead man walking é frequentemente perseguido por cartazes que dizem “Relvas vai estudar”, enquanto da imprensa “pingam” estórias dia sim, dia não. P. Coelho, porventura até agora protegido pelo escudeiro Relvas, entrou também no foco das investigações a propósito do seu percurso de gestor de empresas… E a coisa promete mais!

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Política

Estarão as comadres zangadas?

As comadres andam zangadas, não se dão bem umas com as outras, têm difíceis reuniões de 20 horas, querem demitir-se, ameaçam que vão avaliar o seu papel no mundo, decidem não falar publicamente sobre o que lhes vai na alma, estão em permanente crise existencial.

Tudo isto é muito interessante para encher páginas de jornais e permitir belas primeiras páginas, como no exemplo.

Mas, a verdade é que enquanto não se consuma do divórcio, as comadres com caras feias ou alegres vão despejando a sua raiva contra os portugueses.

Não sabemos se a proposta de Orçamento do Estado 2013 é fruto do amor ou do ódio entre as comadres PSD e CDS, sabemos o quanto vai custar na vida de todos nós, na destruição da economia nacional, no aprofundar da crise, no empobrecimento do país.

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economia, Política

Com o Coelho as crianças andam sempre ao colo

Com as medidas de austeridade anunciadas e com a nova distribuição de sacrifícios por todos «…a Sonae deve poupar, só no próximo ano, 20 milhões de euros. 
A EDP vai pagar menos 10 milhões à Segurança Social e, na banca, o BCP vai poupar cerca de 19 milhões.
O estudo do banco de investimento revela ainda que a Jerónimo Martins vai poupar quase 9 milhões, enquanto a a Mota-Engil vai poupar 5 milhões com a redução da TSU.
A Portugal Telecom e o BPI vão pagar menos 7 milhões de euros cada um».

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Política

Universidades

PSD e PS, com as semelhanças que lhes são conhecidas, provavelmente para colmatar as equivocas formações académicas de alguns dos seus dirigentes, criaram uma coisa chamada Universidade de Verão.

Tanto quanto se sabe, cada um tem a sua universidade, mas poderia ser a mesma que o fundamental dos ensinamentos é o mesmo, não fosse a necessidade de dar palco a tanto ilustre ideólogo do regime.

Uns e outros falam, com direito a transmissão televisiva, para dizer aos “alunos” que são inocentes em relação à falência do País, que a culpa é de todos nós, que vivemos todos acima das nossas possibilidades.

Com tonalidades diferentes, dependendo do douto “professor” e da camisa mais laranja ou mais rosa que no momento veste,  insistem na receita que nos conduziu ao desastre.

Por mais que as evidências revelem o contrário, nestas Universidades ensina-se que a realidade pouco importa, que as consequências concretas das políticas praticadas não têm grande relevância, que o que é fundamental é continuar a aplicar a receita (em maior ou menor quantidade) da austeridade e da recessão.

A nossa sorte é que nestas Universidades nem por equivalências se tira outro curso que não o da imbecilidade do pensamento único do chamado bloco central.

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Geral

Um Cábula

A universidade Lusófona vai repetir a auditoria à licenciatura de Miguel Relvas. Uma inutilidade que, para ganhar credibilidade, deverá ser feita por uma entidade externa e independente. Uma inutilidade para tranquilizar consciências e legitimar uns cursos de ciências para-mágicas que por aí andam a distribuir a esmo canudos de licenciaturas.

Depois é vê-los nos meios de comunicação social, sob o nome o labéu politólogo, professor de ciências políticas ou algo semelhante, a perorar sobre política nacional e internacional, dizendo as maiores banalidades com o ar mais circunspecto, Quando se sai da bagatela o dislate é garantido. Nada disto é inocente e inócuo. Sem qualquer surpresa ou curiosidade alinham todos pelo mesmo diapasão. A desafinação, quando existe, é de pormenor, nunca de fundo. Nada ou pouco esclarecem até porque o seu objectivo principal não é analisar, elucidar, ajudar a compreender. Manipulam a realidade para a tornar credível, portanto sem alternativas. Uma espécie de baixo clero pós-moderno na linha da frente da propaganda do sistema que pulula nos programas de suposta análise política. São programas de entretenimento que preenchem os espaços nos meios de comunicação social. Sofrem a concorrência de outros com formatos equivalentes e muito maior audiência: os que escalpelizam, com argumentos doentiamente clubísticos o futebol como se fosse irrelevante esse desporto ter deixado de ser desporto para se tornar num mundo de negócios claros e escuros que é o seu caldo de cultura actual que sulfurizou o amor à camisola. Esse o grande ponto de confluência com o mundo política, como é mostrado e lido por essa gente, em que os partidos políticos se uniformizaram, se tornaram as correais de transmissão de interesses económico-financeiros, cada vez mais concentrados em mega pólos sem rosto. Uma actividade política que se quer reduzida aos actos eleitorais, limitando-a tanto até deixar de ser o campo da luta de classes pacífica.

Gerou-se assim uma raça ferroviária que se senta nos bancos das estações da sua preferência a ver passar os comboios sem cuidar de saber para onde vão, o estado da máquina, a qualidade do combustível ou se arriscam um acidente grave. Limitam-se a conferir os horários e a debitar sentenças sobre a sua validade, as discrepâncias entre chegadas e partidas e as tabelas. Não se pode querer que se levantam, venham até à porta da estação ver a vida a passar e a ser vivida. Grave risco para quem criou raízes nos assentos. Levantarem-se seria o naufrágio.

Por tudo isto não se compreende essa fúria escrutinadora do currículo académico de Miguel Relvas. A única conclusão válida é que o sujeito é um cábula. Um ano para se licenciar em Ciências Políticas? Seis meses já seria tempo excessivo para deglutir tão relevantes matérias.

O que a Universidade está a precisar é de uma limpeza séria nos currículos dos cursos. Muitas das licenciaturas produzem astrólogos e de má qualidade.

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Educação, Política

E a Educação, Senhor Matemático?

Quando Nuno Crato surgiu como Ministro da Educação, ouviram-se vozes optimistas sobre o futuro da educação. Ilusões que se esboroaram rapidamente, pois alguém, seja lá quem for, que aceite fazer parte de um governo destes numa altura destas, está disponível para pôr em prática a sua política, como de resto, a realidade está a comprovar.

Podem mudar os ministros, mas as políticas deste governo não mudarão, só porque assim o deseja um simples ministro.

 Nuno Crato julgaria outra coisa? O homem inteligente que é ter-se-á julgado acima das troikas? Com a sua varinha de condão matemática ia reverter uma política desastrosa de destruição da Escola Pública?

Confesso que nunca acreditei nesta visão de cavaleiro andante, qual D. Quixote, a remar contra a maré.

Seja como for, a realidade mostra o que Nuno Crato defende para o presente e o futuro do País.

A redução prevista do investimento para a Educação coloca-a no nível mais baixo do conjunto dos países da União Europeia (3,8 por cento do PIB), cujas consequências se farão sentir já no próximo mês de Julho com o despedimento de milhares de docentes, agravando ainda mais a taxa de desemprego entre este grupo profissional (segundo dados oficiais, aumentou 60% entre os professores do Básico e 137,1% entre os do Secundário e Superior).

 Irá igualmente por diante o corte de um conjunto de actividades de apoio aos alunos e à actividade lectiva que os orçamentos das escolas não podem suportar.

A reorganização curricular não é mais do que um ajustamento curricular aos cortes orçamentais impostos pela troika, com a qual o Governo sustenta o despedimento de milhares de professores, coloca muitos outros em mobilidade especial e empobrece o papel da escola, degrada a qualidade pedagógica e ataca os direitos dos estudantes.

Estes Direitos não serão garantidos nas propostas de alteração ao Estatuto do Aluno. Pelo contrário, estas apostam ainda mais no seu vector disciplinar e autoritário.

O aumento do número de alunos por turma, medida tomada num contexto já complexo com uma situação insustentável de sobrelotação de muitas escolas e consequentemente das turmas, não deixará de ter consequências no processo pedagógico, no insucesso e no ambiente escolar.

A imposição de mega-agrupamentos com milhares de alunos vai contribuir para a desumanização da vida das escolas, pôr fim a uma gestão de proximidade e promover a indisciplina e o insucesso escolares.

As alterações ao modelo de gestão, o encerramento de centenas de cursos de formação e educação e o despacho governamental sobre organização do ano lectivo sem a obrigatória negociação com os sindicatos são outras peças desta política.

Os professores, porém, estão vigilantes e em luta.

Para além de outras iniciativas, os professores vão manifestar-se no dia 12 de Julho, numa grande manifestação nacional de repúdio e censura à politica do governo que é gravosa para docentes e alunos, pondo em causa também a escola inclusiva e o futuro dos alunos com necessidades especiais.

Esta destruição da Escola Pública compromete, afinal, a educação para todos que a Constituição Portuguesa prevê e que é a única capaz de projectar o País para um futuro de desenvolvimento económico e de justiça social que permita a todos, e não só a alguns, ter acesso a um direito humano fundamental, bem tão necessário como o pão de cada dia.

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Geral, Política

Portugal… meias finais

Cavaco Silva recusou-se a receber os 14.000 postais que os elementos da Plataforma em Defesa da MAC lhe quiseram entregar!

Valerá a pena comentar esta atitude de um homem que desde há muitos anos se tem mostrado indiferente aos problemas dos portugueses, dos que vivem do seu trabalho?

Cavaco aconselhou a não se correr rapidamente «para que o barco chegue a bom porto». Porto? Que bom porto será esse? O de Hamburgo na Alemanha ou o de Roterdão na Holanda ou ambos? Porque o bom porto que os trabalhadores, reformados e desempregados estão a ver é um porto de águas profundas e barrentas onde mergulham todos aqueles que activamente trabalham para os bancos e patronato e chafurdam nas corrupções mais nefandas que vamos conhecendo pouco a pouco.

Tolerámos cumplicidades entre a esfera pública e a esfera dos negócios“. Palavras de quem conhece os escuros meandros das negociatas deste País. São de Victor Gaspar. Ele lá sabe de que cumplicidades se tratam!

Na verdade, a corrupção não é só uma “aberração” lusa, ela pulula por essa Europa fora. Ela é uma necessidade do grande capital e seus acólitos. Aquele, usando dinheiro de todos nós, tira duplo proveito da corrupção: tem lucros e paga aos capatazes.

As expectativas do Sr. Coelho na Colômbia

Bogotá, 23 jun (Lusa) – O primeiro-ministro considerou hoje que a associação entre o risco das dívidas soberanas ao risco bancário tem criado uma discriminação negativa no acesso ao financiamento bancário insustentável a que o próximo Conselho Europeu deve pôr fim.

“É assim que hoje em Portugal, infelizmente, os investidores têm de enfrentar ‘spreads’ acrescidos que podem representar entre 600 e 700 pontos base acima daquilo que os restantes investidores europeus enfrentam. Trata-se, portanto, de uma situação insustentável”, afirmou Pedro Passos Coelho, durante um seminário económico realizado em Bogotá, na Colômbia.

Perante dezenas de empresários portugueses e colombianos, o primeiro-ministro acrescentou que tem a expectativa de que na reunião de chefes de Estado e de Governo da União Europeia da próxima semana sejam tomadas decisões, “não apenas restaurar as condições de um verdadeiro mercado interno dentro da Europa, mas também para acabar com esta discriminação negativa no acesso ao financiamento bancário”.

Ler mais: http://visao.sapo.pt/ajuda-externa-discriminacao-negativa-no-acesso-ao-financiamento-bancario-e-insustentavel-passos-coelho=f671651#ixzz1yfiuXuEI

Lá de longe, o garnisé finge que tem voz activa face a D. Merkel que deve ter dado uma sonora gargalhada com “estas expectativas”.

Aqui temos outro a tentar vender o País

Portas apelou ao investimento dos colombianos em Portugal.

O Ministro dos negócios Estrangeiros tenta convencer os empresários colombianos a investirem no País, destacando as condições favoráveis que o mesmo oferece ( isto é, que ele e os outros do governo e arredores oferecem). E, sem escrúpulos, referiu as condições oferecidas por Portugal a quem quiser investir na economia lusa, nomeadamente, uma política de autorização de residência especialmente amiga.( O que significa verdadeiramente esta afirmação?)

Moção de Censura

A moção de censura ao Governo que o PCP apresentou na Assembleia da República foi chumbada com a abstenção ” violenta, heróica e patriótica” do PS, cujo secretário-geral tinha prometido que sairia à rua quando o SNS estivesse a ser destruído! Como o SNS está a ser destruído de forma galopante( o que seria se a obsessão do Ministro da Saúde não fosse manter a sua sustentabilidade? Já estaria em escombros), suponho que O Sr. Seguro tenha “emigrado” para o tal bom porto a que Cavaco se referia!As razões apontadas pelo PCP para a apresentação daquela moção resumem-se facilmente: empobrecimento generalizado e ataques a direitos!

Até Mário Soares reconhece que o governo está cada vez mais isolado e está a perder o crédito aos olhos da maioria dos portugueses e que o mal-estar é crescente e não se faz nada para mudar a situação. (in Diário de Notícias, 19/6/2012)

Mas… O PS diz-se defensor da estabilidade política, segundo o seu secretário-geral!

A instabilidade em que vivem muitos e muitos jovens, idosos que já não se conseguem tratar, milhares de famílias que ficaram sem casa e outras que disso correm risco, de crianças com fome, e dos estão na pobreza não quer saber o Sr. Seguro nem lhe tira o soninho que só desaparece a quem tem consciência da perda de direitos humanos, da desumanidade e injustiça que grassam no nosso País.

E que dizer do camarada do Sr. Seguro, João Proença?

Reconhece que o código laboral aprovado é mau, porque, entre outras coisas, põe em causa o valor dos salários e do trabalho extraordinário e ainda por não resolver os problemas das empresas e da economia, mas suspira longamente e diz sobre o mesmo código laboral: “caso encerrado”, duas simples palavras que definem e encerram a profunda traição aos trabalhadores de Proença e da UGT.

É bem verdade que estas alterações ao Código Laboral resultaram da subscrição por parte da UGT( isto é, de J.Proença) do Compromisso para o Crescimento, Competitividade e Emprego assinado com o governo e o patronato em 18 de Janeiro deste ano.

Foi também mais uma das abstenções violentas dos dirigentes do PS na A.R.

Não sou suficientemente dada a emoções com o futebol, mas confesso que gostaria muito que Portugal ganhasse à Alemanha no último jogo e assim fosse Campeão do Euro 2012. Quem sabe se não seria um bom prenúncio de que os Países que a Alemanha pretende protectorar, se uniriam e diriam: BASTA!

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