Geral

Estimas de estimação.

arvore

A pequena árvore que “estacionou” em frente à minha casa já cresceu, mas continua desigual no seu viver… como os homens.

Umas vezes adormece toda desnuda e, quem a vê, parece que grita com seus braços levantados ao céu, a tiritar de frio, em dias de chuva. Outras vezes desperta e enfeita-se, em dias de mais calor, cobrindo-se com as suas melhores roupas, cheia de vida, dando abrigo aos seus melhores amigos, que são sempre bem recebidos.

Andar é que não anda…

Gosta, por certo, de viver ao meu lado e eu lá vou fazendo o melhor que sei e posso. Rego-a, corto as ervas daninhas, dou-lhe ferro e vitaminas e, quando tenho tempo, contemplo-a.

– És mesmo bonita!

Há quem tenha cães, gatos, galinhas e patos, eu tenho a minha árvore.

Todos os dias a vejo, todos os dias ela me vê. Somos como dois bons amigos que, com o passar dos anos, já não podem viver um sem o outro.

Eu gosto da minha árvore.

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Geral, Política

Abstracção e sonho

 

MARCELO R SOUSA

Marcelo Rebelo de Sousa venceu as últimas eleições para Presidente da República e a culpa não é minha, nem da minha família, nem da minha vizinha, que vive só, mas que não é parva.

Antes de conhecidos os resultados eleitorais dizia-se ser possível derrotar o candidato da direita, e que este nunca chegaria a Belém (nem que chovessem picaretas), que não, com toda a certeza, pode lá acontecer uma coisa dessas… e se não for vencido há primeira volta, será derrotado à segunda, de modo expressivo, porque sim e coisa e tal…

Agora que os votos já foram contados e a tomada de posse há muito que ocorreu, ninguém, por agora, está interessado em recordar a pesada derrota da esquerda portuguesa em mais um acto eleitoral, pois o “caminho faz-se caminhando”.

De todo o modo, ao cabo de alguns meses de mandato, muitos – mais do que aqueles que nele votaram, assim revelam as sondagens de popularidade – simpatizam com o actual Presidente.

Simpatizam com o seu modo de ser e de estar, do saber ouvir, da vivacidade com que comunica, da espontaneidade e da proximidade com as pessoas, do seu bom senso, das decisões tomadas…

Enfim, será Marcelo Rebelo de Sousa outra pessoa?

Bem sei que ele é agora o Presidente de todos os Portugueses e que a “gente sonha mais do que vê”…

 

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Geral, S.N.S., saúde

Um bem raro

saúde

 

 

 

Tudo aconteceu num repente… e todos os minutos contam, para o bem e para o mal.

Depois de alguns exames é para o hospital – lugar de vida e de morte – que o levam. Atónito, com tantas alterações na sua vida em tão pouco tempo, o que queria era sair dali, o mais rapidamente possível. A sua expectativa, porque é uma pessoa positiva, é que o inesperado aconteça e que as boas notícias dêem lugar às más e, como que num passo de magia, a vida volte ao seu curso habitual, longe deste meio invasivo e acético, onde tudo é impessoal, dos cheiros… aos paladares de sempre.

Quando, finalmente, se abeirou da porta do quarto, sentiu um tremor forte por todo o corpo que o deixou em “pedaços”, tal qual um copo de vidro que, ao cair, se despedaça. Era assim que se sentia. Em “cacos”.

A entrada deu-se a medo, muito assustado e pouco convencido da necessidade deste seu ”novo espaço/quarto”. Sentia-se bem, sem nada a assinalar, só os exames o desmentiam. Aos poucos, ainda que vagarosamente, deixou cair o corpo sobre a cadeira que estava junto à mesa, a um dos cantos do quarto, apoiou a cabeça entre as duas mãos e fechou os olhos… como quem dorme. Sentia-se cansado.

Entorpecido, de olhos molhados e sem interesse em ver ou ouvir, só tinha o desejo de acabar com aquele tumulto. A cabeça sentia-a “vazia”, a imaginação, sempre tão viva, estava agora totalmente paralisada. Só podia estar doente… ou seria do desconcertante medo?

A noite já descia dos céus e tomava de assalto, com o seu manto negro, todos os espaços e cores, que tudo submerge.

– Pareço estar num poço sem fundo – dizia de si para si.

Tudo aqui é novo e frio, como frias são as noites de invernia, com a chuva a plagiar o choro das fontes.

Os dias, esses, são vividos um de cada vez, na esperança de que aconteçam muitas vezes, para manter acesa a chama da vida.

Quando saiu pela porta principal do hospital, naquela manhã de Janeiro, e acedeu à liberdade, um pequeno sorriso iluminou o seu rosto e aceitou (como lhe tinha dito a mulher) que tinha renascido… outra vez.

Não há nada de melhor… do que ter saúde!

 

 

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Geral

Retratos…bárbaros

pedinte

Não é um lamento… é a revolta!

Quando o vejo passar, envergonhado, por entre os carros ruidosos, mas parados, num dos  semáforos da cidade, de boné na cabeça e mochila às costas, contendo os poucos bens que possui, com a sombrinha na mão onde se apoia quando, por cansaço, já não sustém o peso do corpo, o António (porque todos temos um nome) espera e desespera, se o ignoram… porque há vidas que não podem esperar pelo amanhã, vivem só o presente, não têm passado nem futuro.

Há outros “retratos” de vidas que, não possuindo a importância e a urgência deste, são vistos e admirados pelos seus (não) feitos e minudências sociais, obtendo a atenção e o aplauso (às vezes a inveja) de muitos.

Incongruências… deste tempo bárbaro.

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Geral

O CANDIDATO

BANDEIRA

É já no próximo dia 24 de Janeiro que o país vai às urnas para eleger o próximo Presidente da República (o vigésimo desde a Implantação da República, o sétimo desde o 25 de Abril e o quinto democraticamente eleito) e eis que os jornais, a televisão e a rádio estão “prenhas” de palavras, de debates e de discursos do candidato que deseja (há ainda quem tenha privilégios… vá se lá saber porquê) afirmar, convencer, ocultar ou iludir os eleitores dos seus verdadeiros desígnios.

O candidato, é bom que se saiba, julga que em política tudo vale, e são muitos os recursos que utiliza para levar a “água ao seu moinho”.

É natural que aquele que melhor domina o uso da palavra (é ela que constitui a matéria-prima por excelência da política) possa tirar eventuais vantagens, ainda que temporárias, no conjunto dos debates e nas várias intervenções em que participa, apesar de não trazer/acrescentar qualquer ideia nova que seja geradora de contributos significativos e positivos para o desenvolvimento do país e para a melhoria de vida dos portugueses.

Não há, sabemo-lo, um candidato que reúna todas as qualidades de que o país necessita, mas há quem não mereça ser candidato a tão alto cargo da Nação… nem o país precisa dele.

“Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo”[1].

[1] Abraham Lincoln

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