Geral, Guerra, Jugoslávia, PCP

Ainda sou do tempo…

sarajevowar

(Odd Andersen/AFP)

Ainda sou do tempo em que, em Portugal, o PCP era uma voz praticamente isolada a contestar as teses, a propaganda e a manipulação informativa sobre a chamada guerra da Bósnia.  Do tempo em que jornalistas, comentadores e especialistas diversos em Relações Internacionais, conflitos armados, política internacional e afins, dedicavam algum do seu saber nas televisões, rádios e jornais, para manifestar total incompreensão pelo posicionamento do PCP, só justificável, diziam eles, à luz de um anacrónico alinhamento com posições russas ou, mais cruel e desumano, com a apologia de todo e qualquer mal que fizesse frente aos EUA e à UE.

Aliás, se se quiser aprofundar mais o tema, podem ser lidos diversos textos sobre o tema, publicados no Avante, no Militante, nas Resolução Política dos Congressos, em intervenções na Assembleia da República (como aqui e aqui, a título de exemplo) ou quem quiser um olhar mais aprofundado sobre o posicionamento dos vários partidos políticos portugueses perante a guerra da Bósnia-Herzegovina (1992-1995), pode ler este artigo, de Ana Rocha Almeida, publicado na Revista Portuguesa de História, da Universidade de Coimbra.

20 anos depois, com o que a história já nos contou, com o Tribunal Penal Internacional da a ex-Jugoslávia, em Haia, a reconhcer que Slobodan Milosevic não teve responsabilidades em crimes de guerra, começa a ser possível ouvir e ler testemunhos e análises que confirmam a ingerência externa das grande potências na desestabilização e desmembramento da Jugoslávia, a manipulação da informação feita através dos principais órgãos de comunicação que cobriram o conflito, o papel da NATO e a parcialidade com que actuou (e para a qual foi criado) o Tribunal Internacional Penal.

Esta notícia do Expresso sobre o lançamento do livro do major-general Carlos Branco, “A Guerra nos Balcãs. Jihadismo, Geopolítica e Desinformação”, é disso exemplo.

Mas agora que já não é só o PCP a denunciar estas situações, onde estão os fabricantes de notícias, os especialistas e os comentadores que fizeram o serviço sujo de manipulação das opiniões com vista a justificar a guerra? Onde andam eles e como convivem com as suas responsabilidades?

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Bla, Bla, Bla

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O desfilar dos marretas direitinhas continua na comunicação social estipendiada. Ontem foram desenterrar do cadeirão presidencial do seu gabinete dourado de um banco falido, o Banif, um personagem que já foi ministro dos Negócios Estrangeiros. A conversa bla bla bla, a tresandar a bafio, bla, bla,bla, a sacar cábulas do caixote de lixo onde jaz o seu livro, bla.bla,bla, Conversas sobre a Crise em Portugal, na Europa e o Mundo, que escreveu, bla, bla, bla em parceria com uma jornalista idiota útil, bem cotada nesses meios, ora essa havia de ser o contrário, actualizado pela situação crítica que se vive em Portugal, bla, bla, bla. Mais uma conversa em família que não merecia qualquer nota se o dito personagem, o ultra maquilhado Luís Amado, não fosse presidente da administração do Banif, responsável pelo descalabro que se vive nessa instituição bancária, mais uma das muitas que continuam a viver sugando o dinheiro dos contribuintes.

O “jornalista” em vez do bla, bla, bla vezeiro da contra informação, deveria ter inquirido o dito senhor porque é que a cotação das acções do Banif estão a 0,0027 centimos !!! depois de o Estado ter ido aos nossos bolsos sacar 1 100 milhões de euros para o capitalizar, 700 milhões directos e mais 400 milhões em empréstimos, que serão pagos lá para as calendas. Se forem pagos, porque o que se está a preparar são mais uns milhares de milhões para o Banif, que tem esse careta como presidente do conselho de administração, que precisa a curto prazo para não ir para ao caixote de lixo onde repousa o seu livro. Também seria curioso o “jornalista” inquirir Luís Amado sobre o valor dos seus honorários e outras benesses, carro que não deve ser um Fiat 500, cartões de crédito, jantares e almoços de promoção evidentemente., para ficarmos a saber coisas relevantes e não o bla,bla, bla politiqueiro, biombo para essa gente viver à tripa forra debitando inanidades nos intervalos em que nos vão aos bolsos.

Também seria interessante conhecer o que pensa tão envernizado personagem sobre a banca nacional. Os seus atributos capilares tão lacados que fazem inveja à dra Maria de Belém deveriam ficar eriçados com aquelas propostas malvadas do PCP de nacionalizar parte da banca, fazendo por esquecer e mentindo soezmente sobre a realidade actual em que quase todos os bancos estão de facto nacionalizados sem o estarem. Uma situação altamente perversa. Além do Banif em que o Estado, nós os pagantes , é detentor de 60% do capital que tão bem tem sido gerido pela administração como se verifica pelo valor em Bolsa, na CGD já se fizeram empréstimos de 900 milhões e aumentou-se o capital em 1 250 milhões, o BCP ainda deve 750 milhões de um empréstimo de 2 250 milhões, o Novo Banco já recebeu 3 900 milhões de um Fundo de Resolução em que a banca é nominalmnete responsável mas o Estado é que entra com os euros e que, pela sua constituição, a banca olhará para o lado quando for chamada a pagar. Tudo isto quando é expectável que tenha que haver um substancial aumento de capital a curto prazo e lá vamos nós entrar com mais uns milhares de milhões. Resumindo o Estado tem neste momento, desde que o governo PSD-CDS de Passos e Portas chegaram ao poder, posições importantes no sector bancário. Na prática a intenção programática do PCP já é uma realidade de que a malta deve ser avisada!

Em vez do bla bla bla politiqueiro de Luís Amado, sendo um dos figurões na banca nacional,  teria sido mais produtivo ah! ah! ah! ouvi-lo falar do banco a que preside e quanto lhe pagam directa e indirectamente para continuar a afundá-lo!

Asim vai a comunicação social mercenária entretendo o povo com programas idiotas, diatribes futeboleiras, conversas em família de mentirosos compulsivos e inutilidades ignorantes.

Na prática estamos  quase no mesmo estado descrito por Eça de Queirós:

“O povo paga e reza. Paga para ter ministros que não governam, deputados que não legislam (…) e padres que rezam contra ele. (…) Paga tudo, paga para tudo. E em recompensa, dão-lhe uma farsa.
Não é , nem será bem assim porque há e haverá quem continue e não desista de lutar pelas Portas que Abril abriu.
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Abrir os Armários

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Eles aí estão a sair do armário!!!

Toda essa gentalha que estava fechada no armário da democracia, salta para o pântano da mais farfalha reaccionarice, para combater o fantasma de um governo de esquerda.

Invadem o terreno dos meios de comunicação social que há muito anos ocupam com maior ou menor parcimónia, com maior ou menor descaramento, com a maior ou menor inabilidade, onde mentem com contumácia sobre a realidade para construírem uma realidade que nos vendem como verdadeira.

Agora depois dos resultados eleitorais em que, mentindo com todos os dentes que têm,, recuperando mesmo os cariados que foram arrancados e substituídos por próteses, a coligação PSD/CDS com alianças declaradas ou sornas nos media, é minoritária e há a possibilidade de um governo de esquerda, ainda que seja para já tão provável como a aparição de D. Sebastião numa manhã de nevoeiro, salta do armário esse exército que reúne dos mais ultramontanos direitinhas aos mais esclerosados democratas.

Curiosamente o argumentário é, no seu essencial, o mesmo quando se vislumbra uma sombra que pode ameaçar o Portugal deles, o Portugal destruído por quarenta anos de políticas de direita, submetido aos ditames do capital e dos seus braços armados. Uma hipotética coligação de esquerda fá-los perder a cabeça e saltar dos armários. Uma dessas avantesmas ficou tão aterrorizada que até entreviu Estaline a ressuscitar em pleno Terreiro do Paço pronto para tomar o poder. Diz essa alarvidade sem que ninguém o contradiga ou diga que está louco. Os outros, que se querem fazer passar por mais credíveis, não perdem tempo em agitar os fantasmas do Prec, da democracia, a deles evidentemente, à beira do abismo em 1975, mais a parafernália de argumentos que foram buscar à arca da contra-revolução que começou na primeira hora do triunfo do 25 de Abril. Estão ajoelhados na grande Meca do capital, aos ditames da União Europeia, às virtudes do Tratado Orçamental e das políticas de austeridade, à NATO e ao seu combate cínico aos talibãs, Al-Qaeda e Estado Islâmico que ela e seus aliados no terreno armam e financiam, às hordas nazi-fascistas que proliferam na Europa e estão no poder na Ucrânia.

No meio dessa farândola, vendendo rifas dessa quermesse de mentiras maiores ou menores, sorridentes serpentes saem do ovo para mostrar a sua perplexidade. Um deles interroga-se porque é que na Constituição Portuguesa os partidos nazi-fascistas são proibidos e os leninistas (sic) não o são. Isto é dito pelo inefável Lobo Xavier na Quadratura do Círculo. Fê-lo com o sinistro cuidado de ser o último a falar, de o dizer a fechar o programa. Esperemos que na próxima edição Pacheco Pereira ou mesmo Jorge Coelho não deixem passar em claro essa abominação já que do moderador nada há a esperar. É mais um daquela turbamulta etiquetada de jornalistas que mais não são que caixas de ressonância do pensamento único.

Se Lobo Xavier, com evidentes saudades salazarentas, foi mais longe insinuando a possibilidade de proibir o PCP, os outros não ficam pelo caminho. Basta lê-los ou ouvi-los, mesmo na diagonal. Para nos limitarmos a um jornal que usa todos os arautos para se proclamar de referência, também não se sabe qual o padrão a que se refere, é ler da anémona Henrique Monteiro, que cola um sorriso estanhado no alçado principal para se fazer passar por inteligente, ao cruzado da pequena e média-burguesia, também ele empunhando um sorriso gambrinus, Martim Avilez. De cabeça perdida, de norte desbussolado fazem strip-tease dos adornos democráticos, não se escusam a escrever blasfémias à inteligência!

Já se sabia que essa armada de traficantes junta em tropel as hostes sempre que os interesses do grande capital se sintam ameaçados. O que talvez não fosse previsível é que com sinais ainda tão fracos fossem tão rápidos a terçar armas. Sinal que o mundo deles está muito corroído apesar da gigantesca burla que é vendida urbi et orbi como verdade única. O ambiente de alarme pós-eleitoral é sintomático, despe-os na praça pública de toda a conversa fiada com que vão entretendo o tempo, enquanto afiam as facas para defenderem os seus amos. Julgam-se uma armada invencível. De facto têm um poderosíssimo armamento à sua disposição para não deixarem dissipar o negrume da gigantesca fraude que dá corpo a um fascismo pós-moderno que marcha pelo mundo disparando a esmo as bombas de fragmentação com as mentiras com que o manipulam.

O que se está a viver em Portugal, desde que conhecido o resultado das eleições e independentemente do que resultar delas. escancara as janelas para uma realidade insidiosa que se vive dia a dia. Que nos é servida em doses perigosas: das pequenas às grandes mentiras que tendem a formatar a opinião das pessoas, para que o verdadeiro poder dominante nos continue a governar.

Contra eles recorde-se George Orwell: “num tempo de fraude universal contar a verdade é um acto revolucionário”

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A Tragédia Grega e a Miséria Moral da Europa

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Cada dia, cada hora mostra a duplicidade, o cinismo, a falta de ética dos mangas-de-alpaca europeus e da sua aliada no FMI. A miopia política é agravada pela miséria moral que anda à solta nos corredores de Bruxelas.

As últimas declarações de vários responsáveis europeus, em particular de jean-Claude Juncker são a demonstração mais acabada do estado de podridão intelectual dessa gente.

Juncker tem o supremo desplante de se apresentar como vítima da intransigência do governo grego. Diz-se traído nos seus esforços, dele e da camarilha que o rodeia, em manter a Grécia no euro, para bem do grande capital. Sabe muitíssimo bem que a troika, agora chamada de instituições, foi encostando o governo grego à parede, obrigando-o a ir de cedência em cedência até a um ponto em que era impossível ao governo do Syriza recuar mais sem perder totalmente a credibilidade que lhe restava depois de terem ultrapassado todas as linhas vermelhas, todas bem longe do inscrito no programa de Tessalónica, a base do seu programa eleitoral que foi sufragado pelo povo grego nas últimas eleições. As cedências do governo do Syriza riscaram muitas das medidas proclamadas, reformularam outras até as tornar irreconhcíveis, atiraram outras tantas para as calendas numa tentativa de se manter “ na sua casa comum, a Europa”, Foi o governo do Syriza que foi adequando a sua proposta inicial às do nefando memorando da troika. A sua promessa de romper com os memorandos, como tinha gritado alto e bom som, já nem era um eco a soar frágil entre as colunas do Partenon. O relato que Varoufakis publicou no seu blogue sobre a reunião de 27 de Julho, sobre o rompimento das negociações, evidencia a torpeza do Eurogrupo e o desespero do Syriza em não romper com a Europa, rasgando muito, quase todo, o seu programa eleitoral. O mandato que o povo lhe conferiu. Nada comoveu e demoveu a voracidade das instituições a mando do grande capital.

O referendo que vão realizar é de facto um novo programa eleitoral em que aceita quase tudo o que lhe foram impondo. Desde as primeiras propostas até às que hoje foram conhecidas o Syriza foi atirando para a fogueira europeia  s suas promessas eleitorais, mostrando a sua debilidade ideológica, a fragilidade dos seus príncipios. Quem não recua praticamente nada é a troika, como se pode ler na sua última proposta.

Apesar diso tudo a inefável Europa continua a chantagem contra o referendo. Na primeira linha Jean Claude Juncker, um tipo sem vergonha au vem a público desnudar o seu cinismo, a sua doblez que não tem fronteiras, não tem limites. Diz-se traído, puxa dos seus galões de europeísta convicto, pronto a sacrificar-se no altar da Europa Comum. É o mesmo Juncker que traíu os seus parceiros da europeus quando, primeiro-ministro do Luxemburgo, fez acordos por baixo da mesa com  mais de 300 grandes empresas desviando milhares de milhões de euros do tesouro de vários países, Grécia incluída, que fugiam ao fisco através desse paraíso fiscal no centro da Europa, um Luxemburgo membro desde a primeira hora da Europa Connosco. Candidato a presidente da Comissão Europeia, justificou as suas patifarias, um modo delicado de as classificar, com a sua legalidade. Não haviam de ser legais! Era ele que as tornava legais, promulgando as leis. O que só pode fazer inveja aos Al Capones que não podendo fazer leis, eram “obrigados” a  impô-las recorrendo às bala. A diferença está no armamento de que cada um dispunha. É este Juncker, agora presidente da Comissão Europeia que continua a brandir a bandeira da solidariedade, da firmeza nos príncipios.  È este Juncker que tem o desplante de dizer “sinto-me traído porque os meus esforços e o de outros não foram tidos em conta” (…) “ não propusemos cortes nos salários e nas pensões” uma mentira tão descarada que foi a própria Comissão Europeia que imediatamente o desmentiu, chamaram rectificação! Um nojo!

Os outros não enojam menos. O presidente do do grupo parlamentar do PPE vem a terreiro gritar que “ Tsipras devia abandonar os jogos florais e assumir as suas responsabilidades perante o povo grego” Pois devia , devia. Os jogos florais de Tsipras são o atirar para o lixo o programa eleitoral pelo que o povo grego o elegeu. Essa é que é a sua grande responsabilidade e não a que está implicita na crítica desse mandarete.

Outro descarado sem-vergonha é Schaulbe que diz ter pena do povo grego! Esse carsa-de-pau que na Europa, depois da II Guerra Mundial a Alemanha é a campeã dos incumprimentos, das reestruturações e dos perdões da dívida. Que nãom indmenizou a Grécia, dos roubos e da destruição que fez na Grécia!

É esta a Europa, os dirigentes europeus que temos que dão ordens, que escrevem e impõem leis para tornar legais os seus desmandos.

A Europa está podre! A miséria moral, a hipocrisia, a sua conduta contra os povos, ao serviço dos mercados andam à rédea solta com os meios de comunicação social pela trela.

À Grécia um último rasgo de dignidade, votando NÃO no referendo, com a incerteza ou com a quase certeza, que as medidas anti-populares, contra o povo grego, não as originais da troika em linha com as que durante seis anos, com os governos PASOK e Nova Democracia implementaram com os resultados que estão à vista do mundo,  mas outras igualmente duras, vão continuar,  que é o que as cedências das novas propostas do governo Syriza anuncia. O mau é sempre mau, mesmo que não seja o pior, porque pior é sempre possível. Uma tragédia em que a luz da esperança é fraca e bruxeleante no meio do pantano desta degradação. Seremos os condenados da terra a esta danação? Ontem como hoje a evidência da necessidade e a urgência dos povos de todo o mundo se unirem contra a ditadura bárbara e totalitária dos mercados!

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A Farândola Política

Falhei!!!

Não fui um dos oito mil idiotas inteligentes que foram soprar uma lufada de ar fresco com que procuram limpar o ar das flatulências que largam por tudo o que é sítio, no circo democrático montado pelo Livre /Tempo de Avançar,Um ciclo vicioso onde consomem energias e meninges para ver se têm um assento na AR e, eventualmente, conseguirem umas migalhas da mesa do poder. Boquinhas sequiosas prontas para todo o serviço. Querem, e conseguem, obter mais um tempo de antena, como se não fosse suficiente a atenção desmesurada e canina que os meios de comunicação, a mando dos seus patrões, lhe dedica. Podem babar as maiores banalidades, logo será enviado um jornalista para dar cobertura, com direito a foto e notícia a várias colunas, ao nada que um dos queridos lideres do Livre/Tempo de Avançar debitar. Para aperitivo do que se anuncia, Ana Drago  já teve direito a bolsar inanidades , com grande destaque. As discriminações atingem sempre outros que são também alvo desses divertidos dirigentes políticos. Veja-se o impacto que a grande manifestação do PCP teve na comunicação social. É a  vergonha dos critérios editoriais de um suposto jornalismo plural, objectivo. O escandalo é tal que José Pacheco Pereira se sentiu na obrigação de o denunciar na revista Sábado. Mas é essa mesma gente que, se no passado recente, timha ordens para não deixar cair nenhuma cuspidela do Livre/Tempo de Avançar em saco roto, agora vai começar a multiplicar o espaço e o tempo para acolher as charlas, mesmo que não digam nada.. As teatradas dos dons robertos menores desse partido político serão sempre bem recebidas. Os trompetes da comunicação social estipendiada estarão sempre prontos para os publicitar, esperando o capital que a sustenta, recompensa futura pela atenção que dispensam a essa gente gira. Que os diverte com o seu estilo político que lembra os dançarinos dervixes a rodarem sobre si próprios sem saírem do mesmo sítio.

Noutro plano, o que o Livre/Tempo de Avançar celebra é o triunfo do pensamento político play-station, ao serviço do revisionismo ideológico. A história acabará por os atirar para o caixote do lixo.

Livre tempo de avançar

Ao ver a fotografia, que o Público publica, com grande destaque, dos candidatos do Livre/Tempo de Avançar na escadaria da Assembleia da República, género grupo excursionista dirigido pelo pequeno líder Oliveira, lembrei-me de um discurso político, com outro gabarito e consistência, que João Cesar Monteiro filmou nesse cenário. Não exactamente ali, mas ao lado. com o mesmo enquadramento. A enorme, a abissal diferença é entre as arlequinadas do Livre/Tempo de Avançar e o disparo certeiro, sarcástico e sério do João César Monteiro, que se devia rebolar a rir  com essa maltosa que faz política assim para a seguir a fazer assado.

Divirtam-se com esta cena do Vai e Vem

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O VOTO NÃO É A VONTADE DO POVO

england

Há quem cante hinos de louvor a estas eleições inglesas e, perdendo a cabeça, diga que é uma vitória da política. Um discurso pateta que abre para todas as especulações com o chorrilho de banalidades que as sustentam. Vai ser esse o prato forte da comunicação social, mais os comentadores de serviço, todos muito satisfeitinhos em ocupar o tempo com bagatelas grandiloquentes. A variante política das júlias, gouchas e teresasguilhermes, que irão ocupar tempos infindos com a glorieta do Cameron, as desgraças de Miliband, Clegg e Farage que se demitiram para os seus partidos renascerem. Os mais ousados dirão mesmo que eles se demitem para esses partidos se reinventarem. Excessos de imaginação para apimentar um panorama político prevísivel, um pouco rídiculos olhando para o que pouco diferencia, em Inglaterra, conservadores e trabalhistas. Por outras bandas a cegarrega não é muito dfiversa.  Definitivamente o discurso futebolistico é o paradigma da ciência política da malta. As equipas perderam, muda-se de treinador. Talvez mesmo de tática. Discute-se política com o mesmo empenmho e conhecimento dos treinadores de bancada, de café. , o jogo é que não muda. Fica sempre dentro daquelas quatro linhas. Fora delas, para essa gente, não há nada. Chamam a isso política, jogo político, mesmo que não exista a não ser como slogan. O pensamento político  reduz-se a tiradas rasteiras . O fundo é o mesmo, mas sem a grandeza nem o brilho do Principe de Salinas. Ainda só fui ver os resultados, tinha um objectivo que se pode ler no restante post. Ainda não os li, ouvi e vi, lá irei ao desfile. Não devo andar longe da realidade. há sempre uma bruxeleante esperança de ouvir algo que surpreenda. Um ângulo que nos tenha escapado. De certeza não falarão de uma coisa essencial e substancial, a fraude democrática que é o sistema eleitoral inglês.

Curiosa ou sintomaticamente ninguém irá fazer notar, sublinhar que a democrática Grã-Bretanha é um exemplo de como o voto não é a vontade do povo.

Um sistema eleitoral completamente distorcido permite que um partido, disso se tem aproveitado tanto conservadores como trabalhistas, ganhe o número de lugares de deputados suficientes para ter a maioria absoluta do parlamento, sem que isso corresponda ao número de votos conquistados, à vontade do eleitorado.

Estas eleições mostram como sistemas eleitorais podem manipular a vontade dos votantes.

Se aplicarmos o número de votantes num partido e o número de deputados eleitos por esse partido, restringindo esse o universo aos Conservadores, Trabalhistas, Liberais e UKIP, verifica-se: como é fácil os grandes partidos elegerem deputados:

Partido Conservador cada 34 348 votos / elegeu 1 deputado

Partido Trabalhista 42 881 votos / 1 deputado

Partido Liberal 296 450 votos / 1 deputado

UKIP 3 659 630 votos / 1 deputado

Um outro exercício que pode ser feito é aplicar a percentagem de votos em cada partido ao total dos deputados do Parlamento, excluindo-se os outros pequenos partidos e o Nacional Escocês que elegeu 56 deputados. Os resultados são surpreendentes:

Partido Conservador Deputados eleitos 330 / Deputados que elegeria 209 – 121 deputados

Partido Trabalhista Deputados eleitos 232 / Deputados que elegeria 203 – 29 deputados

Partido Liberal Deputados eleitos 8 / Deputados que elegeria 48 + 40 deputados

UKIP Deputados eleitos 1 / Deputados que elegeria 78 + 77 deputados

A diferença entre o total do número de eleitos 571 e o total que elegeriam 531, são 40 lugares que seriam ocupados por todos os outros partidos se aplicado o metodo proporcional. Podem ler-se os números ao contrário. Os Conservadores tiveram mais 121, mais 36, 6 % e os Trabalhistas mais 29, mais 12,5 % do número de deputados que teriam eleito se o sistema fosse proporcional.

Por estes números se percebe a vigarice eleitoral que nada na massa cinzenta de muitos dos nossos deputados quando enchem a boca com a aproximação do eleitor ao deputado, a reorganização dos círculos eleitorais e mais umas quantas falácias que, bem aplicadas, acabariam por dar a maioria absoluta a um partido que obtivesse uma minoria de votos. Quando se mexe nos sistemas proporcionais, reescrevem as fronteiras dos círculos eleitorais retalhando o território por cálculo eleitoral, o resultados é sempre subverter a vontade popular em benefício de máquinas partidárias que têm a competição eleitoral como o seu objectivo e fim, perdido qualquer horizonte ideológico.

O arsenal dos truques democráticos é inesgotável. Tudo para obter maiorias que não correspondem à vontade dos eleitores. Vejam-se as últimas leis eleitorais em Itália, a última do Berlusconi, tão escandalosa que foi chumbada pelo Tribunal Constitucional e agora a de Renzi. Olhe-se para esse panorama inglês nessa pátria da democracia!

Leituras políticas destas eleições é outro assunto relativamente interessante, não fora a votação coreana no Partido Nacional Escocês que deve fazer rebobinar o filme do referendo independentista para se registarem as ameaças, as chantagens, as mentiras, as ingerências estrangeiras que desabaram sobre a Escócia. Um filme sempre pronto a ser exibido, com guiões não muito diferentes, com os mais diversos protagonistas, sempre que os interesses do grande capital e o pensamento dominante se sente beliscado. Nem são necessárias grandes ameaças para os cães de fila, com os media na frente, se soltarem.

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A Voz do Dono Torna Obsoleto o Lápis Azul

lapis azul

his master voice

A cada esquina da comunicação social está reservada uma surpresa. A última foi ler a carta de princípios “Pela Liberdade de informação”, subscrita pelos directores editoriais dos principais jornais, revistas, rádios televisões de informação geral, provocada pela alteração da lei sobre a cobertura jornalística das campanhas eleitorais.

A lei é um completo disparate. Assim que foi conhecida, a sua morte foi anunciada. A indignação que provocou nos meios jornalísticos, agora consubstanciada nessa carta, figura uma defesa implacável da liberdade de imprensa. Na realidade deveria provocar uma imensa indignação pela hipocrisia, o cinismo dos senhores directores entrincheirados em tiradas grandiloquentes “o direito à informação deve ser salvaguardado, com respeitados princípios da liberdade, independência e imparcialidade dos órgãos de comunicação social e dos jornalistas face a todas as forças políticas e a todas as candidaturas” ou “ a cobertura jornalística da campanha eleitoral deve ter a ponderação entre o principio da não discriminação das candidaturas e a autonomia e liberdade editorial dos órgãos de comunicação social”.

Perigosamente já pouco revolta essa verborreia, eivada de tamanha doblez e desplante, depois de anos e anos de convivência com uma comunicação social estipendiada aos interesses económicos dominantes, que usam o direito à informação, os princípios da liberdade, independência e imparcialidade, os princípios da não discriminação enquadrados pela autonomia liberdade editorial, como balizas para impor um ambiente geral de propaganda, de terror ideológico totalitário que substituiu os vísiveis actos censórios, a violência autoritária da censura nop fascismo, por uma quase invísivel mas omnipresente fina e sofisticada rede que filtra toda a informação, instalando, tanto a nível nacional como mundial, uma colossal máquina de guerra, poderosssíma e eficaz, que controla e manipula a informação. Diariamente, o mundo é bombardeado por mentiras propaladas por essa gente que se apresenta, como se pode ler na referida carta, como os cruzados na defesa desse bem universal que é a informação.

Na verdade são a tropa de choque, os mercenários do poder da classe dominante!

Em Portugal, depois do 25 de Abril, a recuperação capitalista sempre andou de mãos dadas com os media.A normalidade era/é um namoro intenso mas aparentando algum pudor, nas situações mais limite rebolam-se em orgias que fariam Sade ficar roxo de inveja. O estado actual da comunicação social, afinada pelo mesmo diapasão, procura dar uma imagem de diversidade bem retratada na variedade dos directores editoriais que subscreveram a carta. Assustadoramente essa diversidade, essa variedade só existe de facto na diferença entre as gravatas, no resto estão/são completamente formatados. Essa situação começou a desenhar-se logo a seguir ao 25 de Abril, num tempo em que o pluralismo era dominante. Agrava-se a partir do 25 de Novembro mas é na década de 80 que se aprofunda com um movimento de concentração da propriedade da imprensa, rádio, televisão e informação on-line. Movimento que ainda não acabou e que é paralelo ao da recuperação capitalista.

As diferenças entre orgãos de comunicação mais sérios ou mais populares são variações de estilo, variantes do mesmo estado das coisas. Biombos que, quando retirados, mostram uma obscena uniformidade. Uniformidade que se estende das peças jornalísticas às de opinião, com os comentadores escolhidos a dedo. Aqui, há que fazer uma nota às condições de trabalho dos jornalistas que se degradaram e continuam a degradar brutalmente. Precariedade, despedimentos, utilização de trabalho dos estagiários gratuito ou quase, a porta da rua sempre aberta, imposição de critérios editoriais condicionados aos interesses dos patrões, os partidos dos patrões, do absolutismo do pensamento dominante, retiraram e retiram, progressivamente, a autonomia jornalística. A autonomia e liberdade editorial, tão altissonantemente proclamada na carta, é a mesma que ao longo dos anos foi utilizada e continua a ser utilizada para discriminar ostensivamente forças políticas e sociais. Basta fazer o computo, sem sequer ser preciso descer ao pormenor do conteúdo ou do relevo que tiveram, do número e dimensão das notícias, entre os diversos partidos políticos e forças sindicais nos últimos 40 anos. Um critério simples, representação parlamentar /noticias ou implantação social/notícias, faria a radiografia devastadora da ausência de imparcialidade e independência dos meios de comunicação social. A seriedade ficaria reduzida a uma farsa patética compulsando outras notícias. Por exemplo, o modo como a banca, BPN, BPP e BES, seus administradores e accionistas principais eram tratados pelos media até rebentar os escândalos que obrigaram mudar de rumo, mesmo assim…muita benevolência escorre. Se nos aventurarmos pelos noticiários dos acontecimentos internacionais é arrepiante assistir ao modo como participam nas manobras de desestabilização e depois na consolidação dessa desestabilização, em consonância com os grandes interesses imperialistas. São uns dos pilares dessa política agressiva. Jugoslávia, Iraque, Síria, Primaveras Árabes, Ucrânia, Brasil, México, Hong-Kong, para referir os mais recentes, são um espectáculo abominável de mentiras, meias-verdades, omissões, distorções, manipulações, todo um arsenal de construção de uma ideia, a mais das vezes nem sequer tem nada a ver com a realidade. Fabricam realidades para, sem olhar a meios, atingir os objectivos do império dominado pelo grande capital. Imagine-se um cenário com um acontecimento recente: como seriam as notícias de Baltimore, se Baltimore em vez de se localizar nos Estados Unidos, fosse na Rússia, na China, em Cuba, na Venezuela ou mesmo no Brasil ou na Argentina. Como Baltimore seria diferente se estivesse localizado na Ucrânia/Kiev ou na Ucrânia/Donestk.

Numa nota rápida simplificações e generalizações são inevitáveis e a simplificação mais manifesta é a de referir os jornalistas como uma abstracção. Mas as inervitáveis simplificações e generalizações não iludem nem podem ser usadas para desvalorizar a leitura deste quadro bem veraz e negro de uma comunicação social que é essencialmente uma máquina de propaganda e de desinformação. De uma comunicação social que é um dos três poderes, os outros são o poder económico-financeiro e o poder político, que ocupa lugar central no controle e influencia das opiniões e dos comportamentos. De uma comunicação social onde a concentração dos meios de propriedade é espelho da concentração dos grupos económico-financeiros. Comunicação social ao serviço de uma ideologia em que os partidos políticos do chamado arco da governação se indeferenciam, só se distinguindo na competição eleitoral. Comunicação social que é o suporte da imagem desses partidos, que são de facto instrumentos ao serviço de determinados interesses económicos que representam no aparelho de Estado. Interesses económicos que dominam e são os proprietários dos meios de comunicação social. Um caldo de cultura corrupto, degradante, onde se alimenta o parasitismo ideológico dominante.

Comunicação social que é um aparelho de propaganda que faria inveja a Goebbels, pela sofisticação, pela eficácia, por ser muito mais difícil de descodificar o que a torna muitíssimo mais perversa. Travestindo, mascarando a permanente propaganda que emite, nos mais diversos e complexos registos, com a finalidade última de procurar transformar os seus consumidores, mesmo os mais lúcidos, em replicadores das mensagens emitidas como se fossem elaboradas com liberdade, independência, imparcialidade, sempre com autonomia e sem discriminações.

A comédia, o embuste é diário, corre hora a hora e os seus protagonistas são gente da mais desencabulada, capaz de todas as traficâncias, tripudiando em nome da liberdade a liberdade que lhes é conferida, para que da mesa do poder continuem a cair as migalhas que lhes pagam, generosamente, os serviços. As , raíssimas, excepções confirmam a omnipresença da regra.

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