Brexit, Geral

Brexit ou o sintoma da doença

brexit-referendum-results-map-red-blueAs uniões voluntárias de países, tal como as de pessoas, têm na sua génese o propósito de aumentar o bem-estar dos seus povos! Sem esse resultado as uniões fracassam. A maioria dos eleitores britânicos mostrou não estar satisfeita com a UE e por isso os votantes do brexit somaram mais um milhão duzentos e setenta mil votos que os do remain.

Chantagem foi o que não faltou sobre o eleitorado britânico. Ameaças dos maiores cataclismos procuraram condicionar o voto do público. Responsáveis políticos dos vários países e da União e dirigentes de empresas multinacionais desfilaram pelas televisões de todo o mundo. Nem sequer Obama faltou à chamada!

É certo que, de entre as principais motivações, poderão avultar os motivos “egoístas”. A mesma imigração que tem levado centenas de milhares de trabalhadores e óptimos profissionais de todo o mundo ao RU e contribuído para o sucesso da economia britânica, terá suscitado um efeito de rejeição. Como entenderão os ilhéus os grandes acampamentos de candidatos a imigrantes que se acumulam no lado francês do canal ou os milhares que atravessam a Europa em direção ao RU?

É também certo que a gestão europeia da crise dos refugiados, que procuram os países ricos do norte como local de destino – nomeadamente o Reino Unido, tem sido morosa e ineficaz. Países esses que pagam agora, com elevados juros, as suas responsabilidades nos erros de falta de visão que conduziram ao desmoronamento de vários Estados no norte de África e Médio Oriente.

Fica ainda claro que a UE tem estado muito mais preocupada em gerir os calhamaços das finanças do que em preocupar-se com o bem-estar económico dos seus povos e as soluções políticas que o possam determinar. Por isso, desde há anos, é um risco para as lideranças perguntarem aos eleitores o que quer que seja sobre consolidação e federalização do projeto europeu, com todos os referendos realizados a terem resultados inversos aos pretendidos.

É justo recordar que o projecto das comunidades europeias nasceu como uma construção de paz entre nações (França, Alemanha ocidental, Itália, Benelux e, mais tarde Reino Unido) que se guerrearam ao longo de séculos e a um ponto de exaustão por duas vezes nos últimos cem anos.

Mas também convém recordar que as Comunidades Europeias que antecederam a UE foram uma construção política para impedir a expansão do ideal comunista no ocidente europeu e a afirmação da URSS – um panorama que desapareceu há um quarto de século mas que alguns, nas mais altas instâncias europeias, teimam em continuar a ver na Rússia post-soviética.

As memórias dos tempos difíceis vão-se atenuando, sobretudo entre as lideranças nacionais e europeias que trataram desvalorizar a importância da coesão e da solidariedade entre os povos. Submetidos a elevadas provações e percas de soberania (onde vai a subsidiariedade de há anos atrás?) em nome de valores incompreensíveis e por isso recusados.

O resultado do referendo britânico é também um sintoma do mau estar que alastra pela Europa da UE. Fracturas que agora serão agora mais facilmente expostas: a deficiente resposta ao problema das dividas públicas, a imposição dolorosa das regras do pacto orçamental com o recurso a ameaças de sanção, as indefinições perante os problemas dos refugiados e da emigração, o terrorismo… Um poder formalmente sediado em Bruxelas, mas com a real capacidade de decisão entregue a um directório cuja última palavra é alemã.

Last but not least. A liderança (conservadora) britânica demonstrou mais uma vez a grandeza da sua secular democracia. Tal como no referendo sobre a independência da Escócia, de Setembro de 2014, foi o povo quem escolheu. Quantas vezes se perguntou por cá aos eleitores, como aliás em muitos outros países da UE,  sobre matérias de tão grande magnitude como a integração europeia? E quando essas promessas feitas, logo foram esquecidas!

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Abrir os Armários

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Eles aí estão a sair do armário!!!

Toda essa gentalha que estava fechada no armário da democracia, salta para o pântano da mais farfalha reaccionarice, para combater o fantasma de um governo de esquerda.

Invadem o terreno dos meios de comunicação social que há muito anos ocupam com maior ou menor parcimónia, com maior ou menor descaramento, com a maior ou menor inabilidade, onde mentem com contumácia sobre a realidade para construírem uma realidade que nos vendem como verdadeira.

Agora depois dos resultados eleitorais em que, mentindo com todos os dentes que têm,, recuperando mesmo os cariados que foram arrancados e substituídos por próteses, a coligação PSD/CDS com alianças declaradas ou sornas nos media, é minoritária e há a possibilidade de um governo de esquerda, ainda que seja para já tão provável como a aparição de D. Sebastião numa manhã de nevoeiro, salta do armário esse exército que reúne dos mais ultramontanos direitinhas aos mais esclerosados democratas.

Curiosamente o argumentário é, no seu essencial, o mesmo quando se vislumbra uma sombra que pode ameaçar o Portugal deles, o Portugal destruído por quarenta anos de políticas de direita, submetido aos ditames do capital e dos seus braços armados. Uma hipotética coligação de esquerda fá-los perder a cabeça e saltar dos armários. Uma dessas avantesmas ficou tão aterrorizada que até entreviu Estaline a ressuscitar em pleno Terreiro do Paço pronto para tomar o poder. Diz essa alarvidade sem que ninguém o contradiga ou diga que está louco. Os outros, que se querem fazer passar por mais credíveis, não perdem tempo em agitar os fantasmas do Prec, da democracia, a deles evidentemente, à beira do abismo em 1975, mais a parafernália de argumentos que foram buscar à arca da contra-revolução que começou na primeira hora do triunfo do 25 de Abril. Estão ajoelhados na grande Meca do capital, aos ditames da União Europeia, às virtudes do Tratado Orçamental e das políticas de austeridade, à NATO e ao seu combate cínico aos talibãs, Al-Qaeda e Estado Islâmico que ela e seus aliados no terreno armam e financiam, às hordas nazi-fascistas que proliferam na Europa e estão no poder na Ucrânia.

No meio dessa farândola, vendendo rifas dessa quermesse de mentiras maiores ou menores, sorridentes serpentes saem do ovo para mostrar a sua perplexidade. Um deles interroga-se porque é que na Constituição Portuguesa os partidos nazi-fascistas são proibidos e os leninistas (sic) não o são. Isto é dito pelo inefável Lobo Xavier na Quadratura do Círculo. Fê-lo com o sinistro cuidado de ser o último a falar, de o dizer a fechar o programa. Esperemos que na próxima edição Pacheco Pereira ou mesmo Jorge Coelho não deixem passar em claro essa abominação já que do moderador nada há a esperar. É mais um daquela turbamulta etiquetada de jornalistas que mais não são que caixas de ressonância do pensamento único.

Se Lobo Xavier, com evidentes saudades salazarentas, foi mais longe insinuando a possibilidade de proibir o PCP, os outros não ficam pelo caminho. Basta lê-los ou ouvi-los, mesmo na diagonal. Para nos limitarmos a um jornal que usa todos os arautos para se proclamar de referência, também não se sabe qual o padrão a que se refere, é ler da anémona Henrique Monteiro, que cola um sorriso estanhado no alçado principal para se fazer passar por inteligente, ao cruzado da pequena e média-burguesia, também ele empunhando um sorriso gambrinus, Martim Avilez. De cabeça perdida, de norte desbussolado fazem strip-tease dos adornos democráticos, não se escusam a escrever blasfémias à inteligência!

Já se sabia que essa armada de traficantes junta em tropel as hostes sempre que os interesses do grande capital se sintam ameaçados. O que talvez não fosse previsível é que com sinais ainda tão fracos fossem tão rápidos a terçar armas. Sinal que o mundo deles está muito corroído apesar da gigantesca burla que é vendida urbi et orbi como verdade única. O ambiente de alarme pós-eleitoral é sintomático, despe-os na praça pública de toda a conversa fiada com que vão entretendo o tempo, enquanto afiam as facas para defenderem os seus amos. Julgam-se uma armada invencível. De facto têm um poderosíssimo armamento à sua disposição para não deixarem dissipar o negrume da gigantesca fraude que dá corpo a um fascismo pós-moderno que marcha pelo mundo disparando a esmo as bombas de fragmentação com as mentiras com que o manipulam.

O que se está a viver em Portugal, desde que conhecido o resultado das eleições e independentemente do que resultar delas. escancara as janelas para uma realidade insidiosa que se vive dia a dia. Que nos é servida em doses perigosas: das pequenas às grandes mentiras que tendem a formatar a opinião das pessoas, para que o verdadeiro poder dominante nos continue a governar.

Contra eles recorde-se George Orwell: “num tempo de fraude universal contar a verdade é um acto revolucionário”

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Refugiados, Europa, EUA, NATO, Teoria do Caos

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OS REFUGIADOS E A UNIÃO EUROPEIA

A crise desencadeada na Europa pelas sucessivas vagas de refugiados, provocada pelo caos político e económico que foi instalado no norte de África, na África subsahariana e no Médio Oriente é gravíssima. É um drama humanitário brutal, com uma dimensão inusitada, de enormes consequências ainda não totalmente mensuráveis.

Todos os dias notícias e imagens registam episódios alarmantes desse exodo que parece não ter fim. A Europa, a União Europeia começou por não se aperceber da real dimensão da crise dos refugiados. Com o aumento do afluxo diário de homens , mulheres e crianças, com a evidência dos perigos e das mortes provocadas pelas precárias condições que enfrentam os que fogem às guerras e à desordem instalada pela guerra nos seus países de origem, a coesão e solidariedade europeias estalaram o verniz que escondia o que, de facto, não existia na Europa Connosco já bem vísivel nas políticas de austeridade impostas pela Alemanha por interposta Comissão Europeia e suas extensões. Julgavam mal e, vamos dar-lhes o benefício da dúvida, ingenuamente os europeístas mais convictos que os países da UE partilhariam auas responsabilidades a que a pertença ao espaço comunitário automaticamente obrigaria. Toda a história, sobretudo a mais recente, demonstra que essa partilha de responsabilidades no espaço comunitário é uma quase ficção, digna de romances policiais. As disputas económico-financeiras entre os países comunitários, nos mais diversos níveis, são o palco onde essa solidariedade é traída e assassinada com requintes de tragédias shakespereanas.

Em relação à vaga de refugiados acabou por se estabelecer um regime de quotas que só abrange 66 mil desses refugiados, adiando-se para um futuro próximo o destino de outros tantos que, teoricamente serão sujeitos às mesmas regras de proporcionalidade. A aprovação dessa medida vinculativa para os 28 ignorou a oposição às quotas propostas por Bruxelas dos que votaram contra: Eslováquia, Roménia, República Checa e Hungria, a Finlândia absteve-se. No passo seguinte Robert Fisco, primeiro-ministro eslovaco, disse logo que não aceita qualquer imposição da UE relativamente ao acolhimento de refugiados e que irá violar as regras europeias. Disse o que outros pensam e irão certamente fazer, apesar das ameaças, muito pouco diplomáticas do ministro do Interior alemão de cortar fundos comunitários aos países que não acolhessem refugiados. Sanção aos que recusassem aceitar os fugitivos, ao arrepio da súbita generosidade de Ângela Merkel, que abre o coração aos refugiados com a mesma facilidade com que o fechou a cadeado aos gregos. Mistérios pouco misteriosos para quem estiver atento às declarações da confederação patronal germânica. O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Órban nunca escondeu ou disfarçou a sua convicção que os refugiados são uma ameaça para a Europa e sempre agiu em conformidade. O partido de Órban integra o Partido Popular Europeu, a que pertencem a CDU de Angela Merkel, o PSD e o CDS, eles que se entendam como se têm entendido em relação às políticas de austeridade. Os já referidos europeístas gostariam que dentro do PPE se demarcassem os campos em relação a essa questão. Um modo de salvar a face democrática na defesa dos chamados valores da civilização ocidental. Um processo também de distrair o mundo sobre as reais razões que provocaram esta crise dos refugiados, de não assumir as responsabilidades sobre o desencadear desta crise, de ocultar as políticas que conduziram a esta crise, em que a Europa comunitária é sujeito activo e passivo.

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A TEORIA DO CAOS

Não é de estranhar que no meio da lava noticiosa que se derrama sobre o mundo, pouco ou mesmo nada se refira sobre o que provocou esta hetacombe. Mesmo as notícias da actualidade sobre a Síria, um dos maiores contribuintes para a onda de fugitivos, mascaram a realidade. Se desde o principio o objectivo de derrubar Assad, em nome dos direitos humanos e da democracia, era de uma hipocrisia extrema e escondia o verdadeiro objectivo de os EUA redesenharem o mapa do Médio Oriente para o submeterem totalmente aos seus interesses geo-estratégicos e conómicos. Assad é um ditador, a Síria não é uma democracia como o Ocidente a entende, mas Assad é, se comparado com aliados árabes dos EUA, quase um democrata. Por esse caminho, estamos conversados. A guerra civil instalada na Síria pela mão dos EUA, NATO e seus aliados árabes e turcos foi montada com exércitos mercenários que rapidamente se passaram com armas e bagagens para a Al-Qaeda e para o Estado Islâmico. Nos últimos dias os soldados treinados, financiados e municiados pelos EUA, para engrossarem as fileiras de um suposto exército de libertação da Síria afecto à oposição “moderada” ao regime de Assad, mal passaram a fronteira turca-síria foram, versão oficial estadodinense “capturados” pela frente Al-Nostra, a Al-Qaeda síria, o que é contrariado por uma mensagem no twitter de um homem forte dessa Frente, Abou Fahd al-Tunis: “o novo grupo da Divisão 30 que entrou na Síria ontem (dia 21) emtregou todas as suas armas à Frente Al-Nostra. Entregaram uma grande quantidade de munições, armas e pick-ups artilhadas.” Todos os antecedentes tornam a versão oficial rísivel e dão razão a Putin e às suas propostas de combate ao Estado Islâmico, a que os EUA fazem orelhas moucas.

Esse é mais um episódio de uma estratégia que vem de longe e que teve os seus últimos desenvolvimentos no Afeganistão, Balcãs, Iraque, Líbia, Síria, Iemen, Ucrania, para referir os teatros de guerra mais sangrentos. Estratégia que se desenhou há dezenas de anos. As estratégias são desenhadas a longo prazo os desnvolvimentos táticos é que são diversos. É a Teoria do Caos imposta pelos neo-conservadores, os neo-cons, que se instalaram no poder nos anos Reagan e Georges W. Bush. Tem sido, com geometrias variáveis, posta em prática pelos sucessivos inquilinos da Casa Branca, uma demonstração das virtualidades da bipolarização, da transmissão de poderes entre os partidos ditos do arco governativo como se pode apreciar em todo o mundo.

A Teoria do Caos que tem por mentor intelectual Leo Strauss. Foi iniciada nos anos 90 a seguir ao desmembramento da União Soviética., a sua teorização é muito anterior e surge em paralelo com a entrada em cena dos neoscons. O acento tónico é colocado na política externa dos EUA para manter a supremacia mundial como superpotência. Vem de mais longe, já em 1979 Irving Kristol, um intelectual e jornalista ex-trotskista, foi o primeiro a afirmar-se como neoconservador e explicou ao que vinha numa artigo com o sugestivo título “Confessions of a True, Self-Confessed ‘Neoconservative”, nas entrelinhas podia-se advinhar o que aí viria.

O grande teórico dessa política pós-moderna neoconservadora é Leo Straass que tem uma enorme influência nesse poderoso grupo da inteligentsia norte-americana. Encapota-se e é apresentado como um demoliberal, um defensor da democracia liberal. Uma leitura, mesmo rápida, do seu livro mais famoso e mais difundido, Direito Natural e História (Edições 70/2009), revela que ele considera que as massas não são capazes de aceitar a verdade, nem de ser livres e que entregar esses valores ao vulgo é quase como atirar pérolas a porcos. Que a condição natural humana não é a liberdade mas a subordinação, o serem conduzidos por políticos sábios. O direito natural é o direito das mentes superiores e esclarecidas governarem os inferiores, dos empreendedores sobre os empregados, mesmo dos maridos sobre as esposas. Leo Strauss, democrata? Com uma enviesada concepção de democracia. Mas não ficam por aqui os teoremas de Strauss. Como admirador de Maquiavel, vai além de Maquiavel. Os meios justificam os fins mas é imperioso o mais completo segredo para proteger as élites de possíveis dúvidas e/ou represálias. As mentiras são necessárias sempre que os resultados as justifiquem. Claro que Leo Strauss não nega as mentiras que explicaram a invasão do Iraque. Achou correcto que a administração Bush as utilizasse para mudar o regime iraquiano. Christopher Hitchens, um seguidor de Strauss, na primeira linha dos defensores da invasão do Iraque, escreveu um artigo com um título que não deixa lugar a dúvidas  Machiavelli in Mesopotamia. Leo Strauss um demoliberal? Uma maquiavélica mentira.

É nesse caldo de cultura, nessa escola intelectual de Leo Strauss, que se formam os neoconservadores e parte substancial da administração norte americana, democrata ou republicana. É aí que se encontram as raízes das teorias de Fukuyama, O Fim da História e o Último Homem (Gradiva/1999) Um dos seus mais destacdos representantes é Paul Wolfowitz, embaixador dos EUA na Indonésia na altura da invasão de Timor que aprovou os massacres em Dili, poderoso Secretário da Defesa do governo de Georfes W. Bush, mais tarde governador do Banco Mundial. Um defensor acérrimo da supremacia militar norte-americana, opõe-se decidamente a todas as potências rivais, nomeadamente a aliada União Europeia.

Aqui entra Teoria do Caos. Em que é que a União Europeia pode comstituir um perigo para a supremacia dos EUA? Firme aliado e seguidor das políticas atlantistas, a UE inventa uma moeda, o euro, que vai concorrer com o dolar. Faça-se uma rápida e sintética revisão histórica. No fim da Segunda Guerra Mundial , na  Conferência de Bretton-Woods, julho de 1944, foi imposto o padrão dolar-ouro. Nessa conferência foram criados o  Banco Mundial, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o GATT( Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras). Os objectivos eram estimular o desenvolvimento capitalista, bem como a reconstrução e estabilidade económica global. Nos anos 60 a economia dos EUA tem sinais de crise. A Guerra Fria, o desenvolvimento económico de outros países, nomeadamente do Japão e da Alemanha, o crescente endividamento começam a preocupar a administração dos EUA. Sinais que se foram agravando ao longo da década. Nos finais dos anos 60, a libra esterlina, ainda usada, embora residualmente, como moeda nas trocas internacionais sofre um forte ataque especulativo, deprecia-se e desaparece de cena. Estão criadas todas as condições para Richard Nixon, presidente dos Estados Unidos em 15 de agosto de 1971, acabar com a paridade dólar-ouro, decisão ratificada, oytra coisa não seria de esperar, pelo FMI em 1973. Dali por diante, a moeda norte-americana seria apenas uma “fiat currency” ou seja, o ouro não seria mais o garante do valor do dólar, seria , foi substituído pela palavra do governo americano, respaldada no seu tesouro nacional. Essa manobra possibilitou uma outra de ordem contabilistica que, de uma assentada, reduziu em 35% a dívida dos EUA. O dolar, depois os petrodolares, estavam com o campo livre e aberto para todas as manobras financeiras, a maior das quais a de obrigarem indirectamente os países do mundo inteiro a financiarem o seu endividamento crescente, que atinge hoje números astronómicos: 60 biliões de dolares, um quarto da dívida mundial.

O euro surge como uma ameaça para o império do dolar. Ameaça agora agravada pelo progressivo abandono do dolar como moeda de troca no comércio internacional. Dos dois maiores pilares em que assenta a política de supremacia mundial dos EUA, o poder militar e a moeda, um está em risco, em rico muito sério de um dia vermos a nota verde com o valor das notas do jogo do monopólio.

Para continuar a manter essa supremacia mundial, Strauss e os seus seguidores neocons, estabelecem que a forma mais eficaz dos EUA defenderem os seus interesses, garantindo o acesso regular às matérias primas, à definição do seu preço de mercado e ao domínio dos mercados mundiais é pelo cerco a esses países ou blocos de países, instalando o caos nas suas fronteiras.

Wolfowitz, apurou essa teoria, defende que a defesa supremacia global norte-americana exige o controlo militar, político e económico sobre a União Europeia, para que esta não se torne uma potência capaz de rivalizar com os Estados Unidos. Um aliado para trazer pela trela. É pela mão de Wolfowitz que se tramam as invasões do Afeganistão e Iraque, sempre com a NATO implicada, com ou sem apoio legitimado pela ONU. Vale tudo mesmo as cenas patéticas de Colin Powell a ver se endrominava o Conselho de Segurança com mapas falsificados. Nada, nem nenhum vício lógico, trava essa gente. Depois dele todos os outros, de Condoleza Rice a John Kerry passando por Hilary Clinton, têm semeado o caos nos Balcãs, na Somália, na Líbia, no Mali, na Nigéria, na Síria, no Iémen, na Ucrânia.

Quem ainda possa pensar que a Teoria do Caos de Strauss e a sua sucessora delineada por Wolfowitz, são delírios conspirativos na base de um quadro mental que só consegue olhar com desconfiança para os beneméritos democratas norteamericanos, devia por um minuto desligar a cabeça para a reactivar emergindo da ganga propagandistica amestrada e difundida pelas inúmeras agências dos EUA, o seu braço armado NATO, os seus aliados que prestam um inestimável serviço aos desígnios estratégicos do império.

A hetacombe que desaba na Europa, com toda a tragédia humana que provoca, o caos que se vive na Europa que está e atravessa as suas fronteiras associado a um perigosíssimo recrusdecismento da xenofobia e do terrorismo nazi-fascista é real. Vê-se á vista desarmada e só quem é ignorante ou ingénuo ou se quer fazer passar por ignorante ou ingénuo é que não vê que os resultados beneficiam o complexo militar, político, económico e financeiro que domina o mundo sob as bandeiras dos Estados Unidos e da NATO.

A Teoria do Caos não é um mito. Existe, está escrita e teoricamente desenvolvida para quem a quiser ler. Alguns dos seus escaninhos mais tenebrosos até já foram parcialmente revelados em artigos publicados no New York Times e no Washington Post, na base de alguns documentos desclassificados. Uma conspiração secreta ameaça o mundo. Os sinais são cada vez mais evidentes.

Uma terceira guerra mundial está em marcha por interpostos países. Até o Papa Francisco já denunciou, na Semana Santa, que se está a viver uma Terceira Guerra Mundial em pedaços.

Não denunciar este estado de coisas, pensar que são delírios conspirativos, é caminhar num barranco de cegos. Ser cúmplice mesmo que com alma sangrando ao ver fotos de crianças mortas nesta fuga desesperada.

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Uma bomba de relógio ameaça a europa e a democracia

heratfield É miserável o espectáculo das negociações entre a Grécia e a CEE, BCE e FMI, as reuniões do Eurogrupo e dos primeiros ministros. Uma comédia cínica em que a tragédia grega se consome. Um banquete mal encenado de abutres que em público se disfarçam de pelicanos, com a comunicação social domesticada a sustentá-los, de forma directa ou sinuosa. Nós, portugueses, somos enxovalhados e envergonhados pelas declarações da múmia paralítica que habita em Belém, do texugo Passos Coelho com as suas frases estereotipadas e fedorentas da assexuada pinguim Maria Luís Albuquerque (concorrer com a Merkel não é fácil!) a grasnar inanidades. Todos com a mesma contumácia com que aqui dentro mentem, cometem os maiores desaforos. Olham e lêem a realidade com os seus olhinhos infantis de bandido, a ver se a miséria que plantam, o ogre que alimentam, continuam à solta. Os últimos anos de roubos ao povo português, os rombos no erário público, a venda ao desbarato dos bens públicos, resultaram num enorme e rotundo fracasso. Um gigantesco e assustador monolítico avança a grande velocidade para Portugal, ameaçando-nos: a dívida já é 130% do PIB, há quatro anos era 95%! Os cofres voltaram a estar cheios, mas agora de passivos, de dívidas! A economia continua em coma! A dívida, o serviço de dívida continua imparável, foi empurrado para mais longe! É o caminho certo para o desastre! No horizonte, se não se mudar de política, o caminho de pedras dos gregos.

Cá como lá , a questão de fundo não é económico-financeira! É política! Olhe-se para a Grécia, os números já pouco interessam. Como já tem pouco interessa que a Grécia tenha chegado ao fundo do buraco onde está pela mão do PASOK e da Nova Democracia que, durante seis anos, aplicaram o receituário da troika que provocou a catástrofe actual. Nem interessa se as estratégias negociais da Grécia/Syriza foram incipientes e, por isso, as negociações se complicaram por erros de encenação e representação no teatro de sombras da diplomacia. Nem sequer o mais importante do que está em jogo são os milhões que a Grécia tem que receber para não entrar em bancarrota. Há argumentos que banzam pela falsidade, pela perfídia. Agora, sendo difícil continuar a apoiar as exigências das instituições, apareceu uma nova cáfila de comentadores e jornalistas que dizem compreender a inflexibilidade do FMI, por não ser um organismo político (esta é de morrer a rir!) e por o dinheiro do FMI ser duzentos países, pelo que deve ser seu guardião e defensor. O FMI enquanto ameaça a Grécia se não pagar dois mil milhões de euros, empresta mais 40 mil milhões, a somar a um primeiro empréstimo de 15 mil milhões, à Ucrânia já depois da Rada, o parlamento desse país dirigido por uma camarilha corrupta nazi-fascista, ter aprovado uma lei em que se decreta o não pagamento aos credores! A Ucrânia está e declara-se em bancarrota, o FMI, a CEE e os EUA continuam despreocupadamente a conceder-lhe créditos, sem uma carquilha de hesitação.

É falso que a dimensão da crise grega seja principalmente económica e financeira. A Grécia representa menos que 2% do PIB da CEE. Uma irrelevância! Discutir e encharcar os noticiários com danças e contradança dos números e das medidas propostas ée contrapropostas, é falsear a realidade. A crise grega é uma crise política! A humilhação que a matilha neoliberal quer infligir à Grécia é para que a Grécia se torne um exemplo de como a democracia só existe, só interessa e é aceite se cumprir as regras impostas pelos mandaretes do grande capital, a direita e seus aliados, os socialistas tipo Hollande ou Blair e outros, conjunturalmente mais moderados na via da infidelidade à sua matriz. A esquerda que, mesmo timidamente e sempre de cedência em cedência, ousou enfrentar esses padrões está condenada ao ostracismo. Um aviso aos eleitores dos outros países europeus, votem, votem sempre para fingir que a democracia é um valor universal da civilização ocidental. Se votarem num partido mais à esquerda ficam condenados a serem excluídos da nossa grande famíglia, que procura que o modelo eleitoral se vá apurando até alcançar a grande mistificação do modelo norte-americano em que se escolhe entre hilarys e bushes. Para essa gente o voto só é válido se legitimar o trânsito entre uns e outros, outros e uns que só se diferencia nos pormenores. A máfia democrática o que quer , humilhando o povo grego, a sua vontade expressa nas urnas é condicionar a liberdade de escolha, a liberdade de voto, violar a consciência cívica e política dos cidadãos. O que se quer impor é uma democracia fortemente vigiada.  A democracia do campo de concentração do grande capital, a ditadura dos mercados. Nada disto devia ser inesperado. Se o Syriza acreditava que a Europa iria aceitar a vontade do povo grego, que a solidariedade europeia era mais que uma declaração inscrita num papel é porque não estava preparado para enfrentar a Europa.

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Mudam as marionetas, não mudam os bonecreiros

Foi armado de slogans, atirar-se ao mar de tubarões que a Europa é com os seuss dirigentes marionetas dos grandes grupos financeiros. A crise grega, estes últimos cinco meses, contém grandes ensinamentos e deve provocar grandes preocupações na Esquerda. O Syriza, enredado nos seus ziguezagues ideológicos, está a perder uma oportunidade histórica com uma política de sucessivos recuos, sem ter cavado uma trincheira bem armada onde pudesse resistir e, eventualmente, contra-atacar. A derrota do Syriza, como se está a desenhar, é uma derrota para toda a esquerda, sem poupar nenhuma força de esquerda, das mais coerentes ás mais vacilantes. Do ponto de vista prático não se percebe como é que o Syriza assim que foi empossado não tomou medidas para evitar a fuga de capitais, chegaram aos mil milhões por dia. Como não nacionalizaram bancos, deixando-os em roda livre em conluio com o BCE. Conluio alargado ao Banco Central da Grécia. Sem ferramentas financeiras os 50 000 milhões que existiam no tesouro, nos bancos e nos depósitos, quando formaram goiverno, começaram a desaparecer, antes de mais para pagar a dívida que tonitruantemente diziam não ir pagar ou não pagar com as condições que até aí tinham sido impostas. O plano anti-austeridade do Syriza foi sendo ruidosamente roído pelas instituições, até se chegar a este beco. Deixaram que os recursos que inicialmente dispunham,  fossem pilhados pela União Europeia e seus comparsas, o BCE e o FMI. Enquanto isso, julgavam que a Europa se preocupava com o efeito da saída da Grécia no euro? Ou, do ponto de vista político, que a Europa se assusta com um possível reforço da Aurora Dourada, que Tsipras e Varoufakis a espaços, acenaram? Pensavam que as instituições se comoveriam com o voto do povo grego num programa que punha em causa, a austeridade, apesar de, em muitos pontos, ser evasivo? Depois de a banca privada, sobretudo a alemã e a francesa, ter ficado a salvo de possíveis incumprimentos gregos, para isso serviram os últimos empréstimos e não para apoiar a Grécia a sair do ciclo vicioso que a tritura à meia década, atingido esse desiderato, era previsível que a troika apertasse os cordões à bolsa, continuando a apertar o garrote com medidas de estruturais que são a pirataria mais descarada da economia, das infra estruturas, da já depauperada soberania dos países a bem dos mercados e do capital financeiro.

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A coluna vertebral é a mesma, os protagonistas é que mudam

O maior peso da direita mais radical até ao nazi-fascismo na Europa, mesmo no mundo, não é coisa que cause grande preocupação, tal como num passado ainda recente, aos corifeus europeus. O grande capital europeu e trasantlântico foram grandes suportes da subida de Hitler ao poder, enquanto a esquerda se dilacerava. A história tem sempre lições que não devem ser esquecidas. Para essa gente a vontade de um povo é zero se não estiver em consonância com o poder político a mando do capital financeiro. Não é surpreendente que o Syriza, tal como o Podemos, em Espanha, o Cinco Estrelas, em Itália e o mais que aparecer por essa Europa sempre que necessário, tenha sido acarinhado como uma alternativa à esquerda classificada de tradicional O que não deixa de ser surpreendente é que se descredibilize por culpa própria e seja descredibilizado de maneira tão rápida. Perderam utilidade para os mandatários e ideólogos do pensamento único. Num primeiro momento ainda devem ter calculado que, ao aliarem-se com um partido de direita xenófoba, o ANEL, acabariam por ser aceites. Nos primeiros meses, tudo parecia correr de feição, enquanto o Syriza ia deslocando as suas linhas vermelhas até à beira do abismo de perderem completamente a confiança do povo grego, sobretudo os seus votantes. Terá acreditado o Syriza que a troika se comoveria com a vontade do povo grego e que havia um ponto em que, depois de tantas cedências, aceitaria um programa completamente desfigurado,  mas que mesmo assim, não correspondia totalmente às suas exigências? Aparentemente foi o caminho que seguiram em cinco meses de negociações que lhes demonstravam o contrário. A inépcia política, os princípios cambaleantes, os radicalismos de pacotilha, são o caldo de cultura para, quando chega o momento das decisões estratégicas, seguir sempre o caminho da colaboração, muitas vezes já sem regras, que acaba por deixar os povos sem alternativa.

A Europa range os dentes ao referendo que é a tábua de salvação de um Syriza, de uma certa esquerda, perante um naufrágio anunciado. O referendo é o último recurso para voltarem a ter algum crédito. O problema é que podem ganhar o referendo mas se continuarem pela mesma via a derrota do povo grego está garantida.

A grande ilusão que os Syrizas espalham, que a Grécia demonstra de forma ineludível, é que quando um governo de esquerda chega ao poder tem que assumir medidas para ter poder real. Está condenado à derrota se não as assume. Poder real que só se consegue com o controle, ainda que parcial,  do poder económico, com o controle das alavancas essenciais do poder económico para terem poder político. Sem armas para controlar ou fortemente influenciar o complexo financeiro- industrial, o grande comércio, a grande agro-indústria, os meios de comunicaçâo social, que dominam o aparelho de Estado, ficsm de mãos atadas. Ao não assumir essa frente de luta o Syriza começou por ser saudado, nos grandes órgãos de comunicação social da Europa de da América do Norte, pelo seu realismo político. Os elogios ampliaram-se quando enfrentou internamente, dentro da sua coligação, as tendências de esquerda (Plataforma de Esquerda, Tendência Comunista, Ambientalistas) em nome de um acordo com a Europa, justificando cedências consideráveis, sem perceber, por inépcia política e débil preparação ideológica, que a Europa, tinha por único objectivo prolongar, continuar os programas de austeridade que tinham arrasado a Grécia, atirando-a para níveis de pobreza inimagináveis. O realismo político de Tsipras, o marxismo errático e libertário de Varoufakis, passeando essa nova política de reunião em reunião, de concessão em concessão, foram demonstrando que o que havia de facto de novo era o sem-gravatas, as fraldas da camisa de fora.

A inefável Europa Connosco, através da crise grega, está a enviar um sério aviso aos povos europeus. Deixem-se dessa treta da democracia, da vontade popular. Não podem votar em quem, mesmo que timidamente, belisque os interesses do grande capital. Não se tolerará nem sequer um Syriza! Em Portugal, para esses ditadores de fachada democrática, votar no Partido Comunista Português e seus aliados ou no Bloco de Esquerda só será aceite se a discriminação for garantida. Se forem encerrados num ghetto onde podem esbracejar, vociferar desde que não saíam do ghetto por o ghetto estar bem cercado. Gente avisada, a gente gira de o Livre/Tempo de Avançar preparou-se para a bênção da farsa democrática. Já fez a primeira comunhão. A comunhão solene seguir-se-á. Sabem que Bruxelas, atenta à voz de Berlim, recompensa os traidores.

A derrota do Syriza, por mais fortes e justas críticas que se lhe façam, será uma derrota para toda a Esquerda, não só na Europa mas no mundo. A Esquerda, sem ter que alinhar com o Syriza mas serm necessariamente excluir o Syriza, vive um momento histórico na luta contra a direita de fachada democrática e seus aliados do centro e de uma esquerda latrinária que de esquerda só tem o nome. A procura de alianças à esquerda, por mais difícil e dolorosa que seja, é necessária, sem quebras de princípios fundamentais, com o objectivo bem definido de enfrentar e derrotar a direita e seus comparsas. Tendo bem claro que o poder abstracto, não escrutinado do capital financeiro ocupa largos territórios, que a sua ditadura é bárbara e totalitária. Que já tem, nas linhas recuadas, o nazi-fascismo perfilado no horizonte. Cresce em toda a Europa. Já está no poder, de facto ou lateralmente, na Hungria, na Croácia, na Polónia, nos países bálticos, na Ucrânia. O ovo da serpente está a ser chocado. A luta vai ser áspera e muito dura. A esquerda tem que se realinhar. Será que a lição do Syriza será aprendida? As ilusões espalhadas por esse revisionismo de esquerda, pagam-se caro, e são pagas por toda a esquerda.

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Só não vê o perigo quem não quer ver

As ilustrações utilizadas, do grande artista que foi John Heartfield, devem ser olhadas com a devida distanciação histórica, apesar da sua actualidade

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Internacional

Ucrânia: o regresso da história

A crise ucraniana vem demonstrar que a história regressa sempre para lembrar o passado. Atente-se no mapa da Ucrânia: sensivelmente três quartos da sua fronteira, no norte e leste, separam o país da Bielorússia e Rússia, enquanto a parte menor a divide, a ocidente, da Polónia, Eslováquia, Hungria, Roménia e Moldávia.

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É pelo interior do território ucraniano que trespassam agora as velhas linhas de fractura herdadas dos tempos, não só da guerra fria, como da própria história mais ancestral do país. Linhas de fractura que se deslocaram para leste após a desagregação do bloco do socialismo real reunido no pacto de Varsóvia. É que os antigos aliados da URSS que partilham a fronteira ocidental da Ucrânia fazem agora parte, com exceção da Moldávia, do bloco NATO.

A história da Ucrânia, nascida a partir do principado de Kiev (seculos IX-XI), é rica, complexa e recheada de mudanças nos seus limites fronteiriços e nas configurações nacionais e plurinacionais em que se tem integrado ao longo dos séculos. Bem ao contrário da história territorial portuguesa na península!

A experiência soviética foi apenas a última aventura ucraniana antes da independência de 1991. Antes sucedera-se um prolongado domínio polaco e uma partilha complexa entre os impérios austríaco e russo (final do século XVIII), também aqui com o território ucraniano a ser dividido entre ocidente (Galicia, Ucrânia ocidental) para uns e o restante para russos. Mas sempre com afloramentos nacionais ucranianos. Nas vésperas da Ucrânia soviética (1919), entre 1917 e 1920, diversos Estados ucranianos declararam-se independentes…

Com a vitória da URSS na segunda guerra mundial novos territórios a ocidente, anteriormente integrados na Polónia, Checoslováquia e Roménia, viriam a ser incorporados na Ucrânia soviética. Enquanto outras áreas no leste viriam a sê-lo na sua congénere russa.

A implosão da União Soviética mostrou uma nova configuração territorial. Em que avulta a inclusão da estratégica península da Crimeia, agora uma república autónoma ucraniana, mas que foi russa até 1954. E que continua a manter ainda hoje uma importante base naval russa, sede da frota do Mar Negro. E é também nas margens de território ucraniano que se situa a (não reconhecida internacionalmente) república de maioria russa da Transnístria, Pridnestróvia para os russos, oficialmente território da Moldávia mas ucraniana até 1940.

A presença e influência cultural russa parecem indiscutíveis. “O russo é amplamente falado, em especial no leste e no sul do país. Segundo o censo (2001), 67,5% da população declararam falar o ucraniano como língua materna, contra 29,6% que falam o russo como primeira língua. Algumas pessoas usam uma mistura dos dois idiomas, enquanto que outras, embora declarem ter o ucraniano como língua materna, usam o russo correntemente” pode ler-se na popular Wikipedia. O que bem demonstra a lógica de miscigenação, própria de territórios que integraram grandes impérios! Não é impunemente que russos e ucranianos cruzam os seus destinos há séculos.

Ocidente e leste

Chegados à independência pós soviética de 1991, rapidamente se soltaram as tensões em que se parece dividir o país. Alternadamente e por via eleitoral sucederam-se no topo do poder, nos últimos anos, representantes das duas correntes. Viktor Yanukovytch, o “pró-russo” que até há pouco aproximara o país da UE, ganhou as últimas eleições presidenciais (2010) contra Y. Timochenko (agora encarcerada após um muito polémico julgamento) e sucedeu a Viktor Yushchenko, o “pró-ocidental”.

As recentes aproximações do presidente ucraniano à Rússia concitaram a reação de alguns sectores políticos do país, com óbvio apoio popular. Mas perante um país carente de recursos energéticos e que se confronta com graves problemas económicos, o poder russo jogou uma importante cartada – a proposta de acordos para a venda de gás a preços mais baixos e o financiamento da economia ucraniana. E o que tinha a UE para oferecer? Pouco mais que a promessa de uma associação, acompanhada de pedidos de “reformas estruturais”, leia-se, privatizações de importantes sectores!

A opção pró russa concitou protestos. Mas até aí tudo o que se passava nas ruas se compreendia. Manifestações e protestos. Com reações mais ou menos brutais de polícias pouco civilistas. (Um à parte: onde é já que já vimos isto? Seria diferente se fosse em frente aos nossos palácios de Belém ou de São Bento?).

Soprando a contestação assistiu-se à mais completa e despudorada ingerência pública. Diplomatas e outras figuras políticas europeias e americanas de maior ou menor recorte a agir em plena luz do dia, apoiando o sector contestatário, participando em comícios e dando entrevistas no centro de Kiev para as televisões.

Da União Europeia, vizinha da Ucrânia, esperar-se-ia mais bom senso. O gigante económico revela-se mais uma vez um anão político, cuja principal preocupação tem sido a de subtrair a Ucrânia ao bloco comercial e de união aduaneira que a Rússia procura desenvolver com diversos países da antiga União Soviética. Mas com muito pouco para oferecer aos ucranianos.

Com um conflito descontrolado e as pontes entre as partes cada vez mais frágeis, a contestação parece agora determinada por grupos violentos de extrema-direita. Que nem as próprias lideranças oposicionistas parecem já poder influenciar. E que não auguram nada de bom.

O Estado ucraniano pode estar em colapso e o país em risco de se fragmentar? Com as devidas distâncias não podemos deixar de temer o pior e lembrar as sangrentas fragmentações a que assistimos na antiga Jugoslávia, em várias ex-repúblicas soviéticas, na Líbia ou na Síria.

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Internacional, Política

Possível implementação de um imposto sobre a riqueza – relatório do FMI

PERGUNTA ESCRITA DE JOÃO FERREIRA E INÊS ZUBER NO no PARLAMENTO EUROPEU  – com a devida vénia ao PCP

Num relatório publicado no início de Outubro pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) refere-se que um imposto sobre a riqueza teria “fortes hipóteses” de sucesso, precisando que uma cobrança de 10% nos 15 países da zona euro permitiria a estes países repor os défices aos níveis de antes da crise.
A ideia suscitou polémica, porquanto é sabido que a opção para “repor os défices”, plasmada, desde logo, nos programas UE-FMI, tem sido a de cortar nos rendimentos da generalidade da população (salários, reformas, prestações sociais, funções sociais do Estado), poupando as grandes fortunas, que, nalguns casos, até têm aumentado o seu pecúlio.
Em face da polémica, responsáveis do FMI vieram entretanto afirmar que o imposto sobre a riqueza era apenas uma “sugestão” de peritos do FMI e não uma recomendação política da instituição.

Solicitamos à Comissão Europeia que nos informe sobre o seguinte:
1. Tem conhecimento do referido relatório? Que avaliação faz do mesmo?
2. Qual a sua posição relativamente à criação de um imposto sobre a riqueza?
3. Reconhece que, como é afirmado no relatório, existe “margem suficiente” em economias avançadas para aumentar os impostos sobre as grandes fortunas?
4. Em face dos dados agora dados a conhecer pelo relatório, manterá a Comissão a sua posição de defesa de cortes nos rendimentos da generalidade da população (salários, reformas, prestações sociais, funções sociais do Estado), sob o pretexto de “repor os défices”?

 Haverá resposta? Quem se abalança a adivinhar?

Até breve!

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Política, União Europeia

A União Europeia hoje

Pobreza infantil

A União Europeia está mergulhada numa profunda crise de que não se vislumbra qualquer melhoria, mas, pelo contrário, um agravamento progressivo, agravamento que tal como um cancro vai metastizando todos os países, mesmo aqueles que, aparentemente, poderão parecer a salvo dele. Hoje, tornou-se claro que o tão cantado processo de integração europeia serviu, apenas, os interesses do capitalismo, dos grandes grupos económico-financeiros que agem de forma premeditada e pérfida para esconder a verdadeira questão: a crise estrutural avassaladora em que está mergulhado o capitalismo. Essa crise manifesta-se a nível económico, social, ambiental, energético, alimentar, cultural e moral.

O desemprego na zona euro subiu novamente, estando em Abril de 2013 em 12,2% no conjunto dos 17 países; 19 milhões de desempregados dos 26,9 milhões da União Europeia vivem nos países que adoptaram o euro. O desemprego dos jovens atinge números impressionantes, o desemprego de longa duração tornou-se uma praga, pois não há trabalho. Os mini-empregos na Alemanha são outra praga que já faz com que governos se queixem do governo alemão, nomeadamente, o governo belga. São já 7,5 milhões, alguns são romenos e búlgaros que ganham entre 3 a 4 euros por hora e sem quaisquer direitos e descontos para a segurança social.

Desemprego e diminuição de apoios sociais (o que também se verifica por todos os países mais ricos da UE) está a provocar um aumento da pobreza. De resto, há mesmo trabalhadores, inclusive na Alemanha, que mesmo trabalhando vivem já abaixo do limiar de pobreza. A pobreza infantil alastra como erva infestante. Uma em cada seis crianças na Alemanha vive na pobreza; ainda na Alemanha 12,8 milhões de alemães viviam abaixo do limiar de pobreza; 67,8% dos desempregados alemães estão ameaçados de pobreza. Poderia dar-vos muitos outros números de vários países, mas cito a Alemanha para tornar mais óbvio como a situação é grave mesmo na maior economia da Europa e ainda a 3ª a nível mundial. A Holanda (que silêncio à volta deste País, tão orgulhoso e presunçoso quanto aos programas do FMI) está em crise (explosão da bolha imobiliária tão grave como a dos EUA e a de Espanha) acelerada e a já com medidas de “austeridade” que só estão a gravar a situação. Um grande banco holandês (DSB) foi à falência, e outro (ABN) foi nacionalizado. (claro, o povo trabalhador que pague).

Nenhum país da zona euro está tão endividado como a Holanda.

O desemprego está a subir, o consumo a baixar e a economia a estagnar. Os novos cortes anunciados pelo seu ministro das finanças são da ordem dos 4,3 mil milhões, cortes que atingirão a saúde e outros serviços públicos. Há rumores sobre a França!

As desigualdades sociais aumentam em todos os países europeus e o sonho europeu (de quem foi o sonho?) integrador, de grande progresso social, fim do desemprego e aumento da inclusão social mais parece um nado-morto gerado na mentira e pela ganância daquela pequena percentagem de multimilionários cuja frieza de raciocínio conhecemos. Aqueles objectivos eram para se cumprir até 2020, gargalejavam eles e mais os seus capatazes pagos a preços de luxo.

Depois, face ao que se passava em 2008, com a pobreza a subir bem como a exclusão social, resolveram que o ano de 2010 era o Ano Europeu de combate às ditas. Conversa fiada para encanar a perna a rã, como se costuma dizer em jargão popular. A pobreza atinge números escandalosos, os excluídos aumentaram sob as mais diferentes formas e as desigualdades sociais sobem em flecha.

László Andor, o comissário europeu do emprego (desemprego, melhor dizendo)) afirmou que a União Europeia atravessa “a pior” crise financeira, económica e social desde que foi criada e que a zona euro está, este ano, “na posição mais vulnerável” de sempre, se forem tidos em conta o desemprego e a situação social. O comissário europeu disse também que cada vez mais cidadãos e políticos estão a começar a procurar soluções que implicam desintegração em vez do fortalecimento do projecto europeu, porque “sentem que a Europa não geriu bem a resposta à crise. Neste âmbito, László Andor reconheceu que “muitas coisas” poderiam ter sido mais bem geridas na resposta à crise. Pois é, mas convenhamos que galinhas e raposas juntas não convivem bem nem nunca conviverão.

Os povos, os trabalhadores dos países da UE, e não só, já perceberam que só a luta vigilante, persistente e organizada poderá combater o seu inimigo mortal, a raposa, que não irá desistir daquilo que o move: o lucro, seja à custa de pobreza de crianças, mortes de idosos, de jovens de asas cortadas, de reformados a sustentarem os seus filhos e a empobrecerem ainda mais, de doentes a morrerem sem tratamento.

A luta foi sempre o caminho dos povos e os povos sabem isso. Se assim não fosse, estaríamos ainda na sociedade esclavagista grega e romana de que tanto nos orgulhamos e na qual só uma minoria era considerada cidadã e com direito à democracia( e à ociosidade).

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PCP, Política

Quem foi que disse?

Quem é que anda com estas conversas?

“A situação a que chegámos não foi uma situação do acaso. A União Europeia financiou durante muitos anos Portugal para Portugal deixar de produzir; não foi só nas pescas, não foi só na agricultura, foi também na indústria, por exemplo no têxtil. Nós fomos financiados para desmantelar o têxtil porque a Alemanha queria (a Alemanha e os outros países como a Alemanha) queriam que abríssemos os nossos mercados ao têxtil chinês, basicamente porque ao abrir os mercados ao têxtil chinês eles exportavam os teares que produziam, para os chineses produzirem o têxtil que nós deixávamos de produzir. E, portanto, esta ideia de que em Portugal houve aqui um conjunto de pessoas que resolveram viver dos subsídios e de não trabalhar e que viveram acima das suas possibilidades é uma mentira inaceitável. Nós orientámos os nossos investimentos públicos e privados em função das opções da União Europeia: em função dos fundos comunitários, em função dos subsídios que foram dados e em função do crédito que foi proporcionado. E, portanto, houve um comportamento racional dos agentes económicos em função de uma política induzida pela União Europeia. Portanto não é aceitável agora dizer… podemos todos concluir e acho que devemos concluir que errámos, agora eu não aceito que esse erro seja um erro unilateral dos portugueses. Não, esse foi um erro do conjunto da União Europeia e a União Europeia fez essa opção porque a União Europeia entendeu que era altura de acabar com a sua própria indústria e ser simplesmente uma praça financeira. E é isso que estamos a pagar!”»

A sondagem é só para disfarçar… A resposta está aqui, nestes “amigos“, que só agora descobriram o que outros andam a dizer há décadas

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Internacional, Política

Atenas, Lisboa…

Nas ruas de Atenas queimam-se bandeiras da União Europeia e protesta-se hoje violentamente contra a visita da chanceler A. Merkel, representante máxima de um Estado oficialmente amigo. Quanto tempo faltará para vermos o mesmo noutras capitais?

Um destino comum parece unir Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda e Chipre, os “resgatados” (ou em vias de o ser).

Por mais que os dirigentes de cada um desses países pretendam afastar a companhia dos outros povos, há como que uma praxis comum que os empurra para o desastre. Uma inevitabilidade acelerada por sucessivas más decisões europeias aplicadas por governos nacionais, cegos e insensíveis. Todos vemos o abismo a aproximar-se e muitos já lá caíram.

O que esperam as lideranças desses países –que congregam cerca de 71 milhões de habitantes – para sintonizar posições no interior da União Europeia? Para exigirem a solidariedade que o projecto comunitário europeu prometeu? Para reclamarem o acesso a empréstimos em condições razoáveis e sem as taxas de usura que estão a ser praticadas? Para discutirem os critérios impraticáveis do Pacto de Estabilidade?

Para exigirem que os povos estejam primeiro que os mercados.

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Here we go again!

ImageAgora que o clube GIPSY está quase completo – com o “resgate” de Espanha decidido e o italiano a começar a perfilar-se – que se seguirá? É que quando um país cai, logo ficamos à espera da vítima seguinte… um dejá vu.

A Europa do Sul (a que se juntou a celta Irlanda) passou da euforia à depressão no espaço de dois anos. Uma crise que começou no sector financeiro com “produtos tóxicos” e que rapidamente expôs a fragilidade dos modelos de desenvolvimento assentes na especulação banca-imobiliário (Espanha e Irlanda de forma extrema) ou, no caso português, na estagnação camuflada pelo acesso ao crédito barato.

Uma crise que expôs a fragilidade e a impreparação da União Europeia e do euro para lidar com situações de crise. As finanças sobrepuseram-se à economia real, às pessoas e às empresas, enquanto os políticos que decidem se tem recusado a olhar para além do imediato. A ameaça de uma recessão de grandes proporções e de efeitos imperscrutáveis é o que temos pela frente. Por ora nos países da periferia da União, mas que ameaça avançar em direcção ao “centro”.

Qual o ponto da situação?

A Grécia.

Com uma economia em recessão desde há anos, os gregos continuam submetidos a um brutal programa de austeridade. Sem expectativas de emergir do desastre, deixaram de aceitar a austeridade contestando-o de todas as formas – desde o protesto nas ruas à recusa de pagamento de novos impostos. A perspectiva de vitória da esquerda Syriza (aliada a outros grupos) parece radicar na aceitação maioritária pelo eleitorado de uma opção que alia a manutenção na UE e no euro, com uma profunda renegociação dos termos do “resgate”. Será possível? A resposta depende de muitos factores.

Agora, que o centrão PASOK-Nova Democracia, que governou o país nas últimas décadas e o conduziu ao desastre, corre o risco de ser democraticamente expulso do poder, os poderes políticos europeus e os seus comentadores de serviço tocam todas as trombetas de que dispõem e ameaçam de forma descarada tornar a Grécia num pária. Uma inadmissível pressão que visa interferir na escolha que os gregos se aprestam a fazer.

Mas uma Grécia fora do euro (e da UE e quiçá mesmo da NATO) seria um duplo erro que não levaria muito tempo a ser lamentado. Acentuaria os riscos sobre todos os equilíbrios precários que ainda subsistem na UE, agravando as pressões dos mercados, ávidos por presas enfraquecidas, sobre os outros países periféricos, como Portugal. E a que muito provavelmente se juntariam Itália e Espanha (no caso espanhol o processo pode não ficar por aqui) respectivamente quarta e a quinta economias europeias.

Erro ainda porque a Grécia não teria muitas dificuldades em, a médio prazo, se reorientar, com isso criando um sério problema géo-estratégico ao chamado bloco ocidental. Olhe-se para o mapa e veja-se onde fica a república helénica. Junto da Turquia, sua irmã inimiga e estrela em ascensão naquela zona do globo; não longe da imperial Rússia, desejosa de reafirmar a sul a sua vocação de grande potência do passado – a Chipre grega já beneficia de um empréstimo russo de 2,5 mil milhões de euros; com os chineses à espreita de novas oportunidades; e que dizer da invejável marinha mercante grega?

Uma cedência de A. Merkel (que é quem decide) forçada por um novo poder político na Grécia forçaria a revisão dos memoranduns irlandês e português. Tudo é possível e não por acaso o “resgate” espanhol foi politicamente decidido antes das eleições gregas… mas sem que se conheçam os seus exactos termos e condições.

Uma vitória da esquerda na Grécia obrigaria ainda os poderes dominantes na Europa a pensar em questões géo-estratégicas que têm andado afastadas das suas preocupações, exclusivamente centradas em matérias financeiras. Devem pois medir as múltiplas consequências de excluir a Grécia; Grécia que certamente tratará de se incluir em algum lado!

Espanha e Itália

Como manda a ordem do infelizmente certeiro acrónimo GIPSY, após os “resgates” da Grécia, Irlanda e Portugal seguiu-se o de Espanha, com a Itália a surgir no horizonte. O “resgate” espanhol, apesar de dirigido ao sector bancário, custará 100.000 milhões; segundo o próprio ministro espanhol da economia De Guindos disse aos seus colegas europeus durante a negociação, o resgate total do Estado espanhol custaria (custará?) 500.000 (!!) milhões e o de Itália 750.000. Onde é que há dinheiro para tanto? Too big to fall, dizem-nos.

O sucesso da operação espanhola medir-se-á nos próximos dias: alguns sinais parecem já apontar para a continuação do movimento ascendente nos juros dos respectivos títulos de dívida pública. Situação similar para os títulos italianos. Um percurso que já vimos nos outros países intervencionados…

A excessiva preocupação com a salvação da banca tem sido uma das principais linhas de combate à crise. Contrasta com a indiferença a que a economia real, o emprego e os desempregados são votados – cortes, cortes e cortes. Salvar a banca deixando as pessoas a definhar? Onde estão os accionistas desses bancos? E os geniais administradores que durante anos e anos se auto-banquetearam com prémios opíparos e imorais? Será que os devolveram, como contributo solidário para ajudar a resolver a embrulhada em que nos meteram. Os políticos co-responsáveis pelos desmandos, esses sofrem, pelo menos, a sanção eleitoral e moral de serem reconhecidos quando circulam nas ruas. Aos dirigentes financeiros mal os conhecemos.

Federalismo ou regresso à casa de partida

Dilacerado longo de séculos por conflitos devastadores, o último dos quais terminado há 67 anos, o continente europeu tem tido na União Europeia um projecto de paz, capaz de dirimir conflitos entre nações. Foi-o nas fases de prosperidade e crescimento que diluíram as diferenças entre os potenciais económicos de cada país, mas questionamo-nos agora se o poderá continuar a fazer. Se tal está na sua natureza.

Tendo presente o seu carácter de super-estrutura de integração e controlo económico de natureza capitalista, importa que, mais ao serviço dos povos do que no passado, possa continuar a ser um factor de paz e segurança. Evoluções recentes mostram a reabertura de feridas que pareciam saradas. E que convergem num ponto comum – o renascido poderio alemão, a nova velha super-potencia europeia que assume agora a primazia nos destinos da União.

Estão também constatadas as fragilidades no domínio da união monetária: uma moeda sem gestão orçamental comum; os diversos níveis de competitividade ou endividamento, no fundo, os mais dispares níveis de desenvolvimento entre os seus membros, agora bem expostos. Dizem-nos que o caminho é mais integração, mais orçamento comum, mais instâncias de decisão e fiscalização orçamental europeias. Alguns acrescentam mesmo títulos europeus partilhados de dívida soberana. Isto é, o caminho já aberto pelo pacto orçamental europeu.

A via federal tem alguns argumentos fortes. A globalização demonstra que as pequenas economias (salvo raras excepções) cedem perante os grandes blocos. Ora a generalidade das economias nacionais europeias são de pequena monta e muito abertas ao exterior, como é, aliás, o caso da nossa. A constituição de um bloco económico coeso – desiderato que está muito longe de ser conseguido – pode evitar a decadência europeia, posta a descoberto pelo crescimento notável de outras potências ou espaços regionais, caso dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), Mercosul ou APEC (Cooperação Económica da Ásia e do Pacífico).

Aceitando a bondade e eficácia da tal solução federal europeia – que está por provar – ela carece de ser sufragada pelo detentor da legitimidade. Para que possa ser uma Europa dos povos. E qual o plano de recuo caso falhe? Tal como com o euro, que adoptámos há já uma década, como recuar ou sair se “não der”? Poderemos estar a juntar todos os ingredientes para uma grande trapalhada internacional mais tarde.

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PS – Sem relação directa ou imediata, o título desta crónica é inspirado no clássico tema rock Here I Go Again (1982) dos Whitesnake  (ver aqui). Também uma homenagem.

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Europa: end of the line?

Agora que a Grécia está prestes a ser empurrada para o abismo da bancarrota, perguntamo-nos se a seguir não seremos nós. Será o fim de um sonho dourado que termina em pesadelo? O fim da Grande Ilusão em que os portugueses viveram despreocupadamente ao longo das últimas quase três décadas?

O problema grego (e o português, o irlandês, o espanhol, o italiano… o europeu) põe a nu as graves falhas de um projecto federal sem uma arquitectura e sem instrumentos federais. E começa já a empurrar milhões de pessoas para a pobreza, por via de medidas de austeridade que amplificam os efeitos das recessões instaladas .

O momento é de desânimo perante a manifesta incapacidade dos principais dirigentes da UE e dos maiores Estados nacionais. Poucos duvidam que a falta de apoio à Grécia arrastará Portugal e outros países num turbilhão de imprevisíveis consequências para o futuro dos povos e do próprio relacionamento entre as nações europeias.

Nós e “eles”

Bem podemos agora dizer que a culpa foi “deles”, como tantas vezes fazemos quando as coisas não correm bem. A culpa do estado a que chegámos não foi deles. Foi nossa. Nossa porque fomos nós, povo, enquanto eleitores, que maioritariamente votámos nos partidos e nos políticos que fizeram as opções que agora toda a gente constata erradas.

E continuamos a votar nos mesmos que agora se desdizem e que afirmam o contrário de tudo o que antes fizeram: o Presidente Cavaco Silva é o exemplo coroado desse transformismo. Aquele que agora apela ao regresso à agricultura e fala de uma economia do mar foi o mesmo que, quando primeiro-ministro, contemporizou e aceitou o desmantelamento de importantes sectores da agricultura e das pescas portuguesas.

E que dizer dos políticos do centrão, que enxamearam o país com empresas municipais (como Paulo Anjos já aqui lembrou) para contornar as leis da administração pública de que foram primeiros subscritores e que agora lançam anátemas sobre as suas próprias criações. Idem aspas para as Fundações e outras figuras criadas ao longo dos anos para sacar financiamentos ao Estado. Caricato!. É a fase da negação. Continuar a ler

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Europa, tiros nos pés

Ambicionando ser mais que uma mera união económica, a União Europeia vê-se agora chegada a uma encruzilhada: após décadas de crescimento e de rápido alargamento a quase toda Europa central e de leste, multiplicam-se os sinais de fragmentação política e de mesquinhez. Sinais da irrupção de egoísmos nacionais nunca ultrapassados mas que, até há pouco, estavam bem escondidos pelo crescimento. Mas, pior, sinais de falta de visão para o futuro.

A estratégia da União face às chamadas crises da dívida soberana – que estão a abalar três membros da União, e que poderão não ficar por aí -, e as reacções de alguns Estados europeus perante o afluxo de refugiados magrebinos e africanos, na sequência das revoltas árabes, são dois bons exemplos.

Não seria de esperar que aos países membros da UE em situação de maior dificuldade, casos da Grécia, Irlanda e Portugal (e os que mais se verão), fossem concedidas condições de financiamento que lhes permitissem retomar o seu crescimento económico? O que se constata é que as taxas negociadas no âmbito de empréstimo internacional com o FMI, na ordem dos 3,5% a 4,25%, são claramente inferiores às que Portugal terá que pagar pelas tranches oriundas dos fundos da UE (FEEF/MEEF), cujos juros andarão por perto dos 6 %. Os nossos amigos europeus aproveitam a ocasião para castigar o país – penitenciemo-nos pois pelos nossos (nossos?) erros. Uma solução que, associada às medidas do pacote acordado com a troika, acentuará ainda mais a recessão de que há já sinais (-0,7% do PIB no primeiro trimestre), antes ainda da sua aplicação prática. Bastaria, aliás, olhar para o exemplo grego para perceber o que se vai passar e como o cenário da reestruturação da dívida que, ainda há dez dias, era diabolizado por grande parte do espectro político, começa agora a ser sibilinamente aceite por muitos nesses mesmos sectores.  

Toldados pelos números, falta visão de futuro às principais lideranças europeias, mormente a alemã que esquece que foi com a solidariedade dos outros países europeus que pode voltar a ser um país unificado – facto que se sabia vir um dia, no futuro (hoje), a alterar a balança do poder na Europa. O perseguido objectivo da coesão parece agora ter sido atirado para “trás das costas”

O outro sinal. Quando o espaço Schengen foi concretizado na sua vertente de livre circulação no espaço europeu, o facto foi saudado como uma real mudança de paradigma nas relações entre os povos europeus. Por isso os controlos alfandegários entre países da União recentemente repostos por autoridades francesas (com a Itália) e já anunciados pelas autoridades dinamarquesas, revelam um retrocesso inaceitável, impróprio de uma Grande e generosa Europa.

A braços com milhares de migrantes oriundos do norte de África, a Itália foi abandonada pelos seus parceiros da União na resolução deste grave problema, assistindo-se mesmo aos caricatos episódios de controlos franceses nas ligações oriundas da Itália, visando impedir a circulação dos refugiados munidos de documentos italianos. Na Dinamarca a reposição de controlos foi justificada pelo combate à criminalidade, numa medida forçada por um partido de extrema-direita como condição para apoiar o Governo liberal-conservador. Longe vão os tempos em que essa mesma Europa se mobilizava para acolher e apoiar os refugiados das guerras balcânicas ou oriundos dos países do outro lado da “cortina de ferro”. 

Uma Europa que foi rápida a estimular a revolta da rua contra os poderes instituídos e os seus ícones e que se dispôs mesmo a patrocinar sangrentas guerras, mas agora pouco generosa com os resultados dessas mudanças e com as pessoas que elas inevitavelmente afectam.

Num caso como noutro, sacrificam-se os elevados princípios aos imediatos interesses financeiros ou geopolíticos.

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economia, Política

Não se pode exterminá-los?

Cortes nas reformas?

Congelamento de reformas de miséria?

Cortes nos ordenados?

Redução dos subsídios de desemprego?

Aumento da idade de reforma?

E tudo o mais que todos os dias nos entra pelos ouvidos dentro em nome do rigor orçamental, de se estar a viver (QUEM?) acima das suas possibilidades.

A máfia dos burocratas europeus que propugna o rigor orçamental que ameaça a torto e corta a direito nos apoios sociais e nos salários dos trabalhadores é a mesma que aprova a aposentadoria aos 50 anos com 9.000 euros por mês para os funcionários da EU!!!

Este ano, 340 agentes vão para a reforma aos 50 anos com uma pensão de 9.000 euros por mês.

Quem paga isto?

Todos nós que bem sentimos como nos metem a mão nos bolsos e como nos apertam o cinto desalmadamente, até onde for possível fazer furos.

Acenando com o colapso dos sistemas de pensões, com a derrapagem do estado social, os tecnocratas de Bruxelas recomendam o alongamento das carreiras: 37,5 anos, 40 anos, 41 anos (em 2012), 42 anos (em 2020), etc.

Isso é para os outros!!! Para eles, não há problema, o tempo de trabalho para se ter uma choruda reforma completa é 15,5 anos!!!

Em apenas 15 anos e meio essa gente fica com a carreira completa validada, enquanto qualquer um de nós, a maioria de nós, mata-se a trabalhar durante 40 anos, e em breve 41 anos, para receber, na melhor das hipóteses pouco mais de 10% do que aqueles nababos que se passeiam pelos corredores, dão lustro às cadeiras dos gabinetes higienizados da UE quase sem verter uma gota de suor, (aquilo é gente só transpira nas saunas e nos ginásios) vão receber trabalhando um terço do que qualquer um de nós é obrigado a trabalhar.

Donde vem o dinheiro para essa malta? Do bolso de todos nós! Dos cortes que fazem nos nossos salários! Do aumento das nossas contribuições! Eles nem sequer descontam um cêntimo para as suas reformas douradas. É tudo à nossa custa!!!

Um pagode! A máfia que prega a ortodoxia fiscal, o rigor nas contas, que, com ar sério e douto, verifica a legalidade das despesas dos países da EU, que arrota reformas estruturais que são um ataque impiedoso aos direitos conquistados em séculos de ásperas lutas pelos trabalhadores, mete descaradamente a mão no nosso bolso para, depois de 15,5 anos a macaquear que trabalham e viverem á sombra da árvore das patacas que é a UE para os seus burocratas, irem preguiçar a tempo inteiro num qualquer “resort” de luxo.

Somos cidadãos da UE para quê? Para os tecnocratas europeus gozarem à nossa custa e com total impunidade nos mungirem, enquanto pregam eloquentes lições de moral pública!

E não se pode exterminá-los?

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Cultura, Política

1º de Dezembro… de 2010

A península Ibérica em 1676

Sem pompa nem circunstância ocorreu mais um 1º de Dezembro, feriado nacional que assinala a data em que Portugal comemora a restauração da sua independência em 1640. A data passou despercebida e a (importante) comemoração do Dia Mundial da Prevenção contra a SIDA sobrepôs-se, no plano mediático, a este tema histórico nacional.

O interesse da comemoração parece, infelizmente, esvair-se no dia de descanso que o feriado nacional concede à maioria (?) dos cidadãos. A evocação da data está hoje quase que reduzida a alguns eventos promovidos por militantes monárquicos, transformada, assim, de forma redutora, em mera afirmação da sua causa.

Mas, quase quatro séculos depois, qual será o sentido de comemorar o acontecimento? À época ela significou a restauração da dignidade e da autonomia dos portugueses, representada pela recuperação do seu poder político próprio – o exercício da coroa por monarca de casa portuguesa (Bragança). Para que tal fosse possível, o país enfrentou, a duras penas, um período de 28 anos de guerras e resistência às ameaças militares espanholas.

Qual então o sentido actual da Restauração?

As relações com Espanha, o iberismo e a união ibérica. A Espanha é hoje um grande país, democrático e plurinacional. Parte significativa do seu êxito e da sua viabilidade como país assenta nas autonomias, a várias velocidades, que soube conceder às suas regiões/nações e que contrariaram o autoritário centralismo castelhano (há mesmo duas autonomias castelhanas – Castela La Mancha e Castela e Leão) que o franquismo exacerbou. A Espanha é um hoje um Estado quase federal.

Em ambos os países ibéricos sempre houve quem defendesse a união ibérica. A história prova-o. A união das coroas ocorrida em 1580 teve muitos apoiantes para além do fundamento de legitimidade dinástica.  A poderosa aliança significada pelo casamento (1469) dos aclamados reis católicos, Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão, assinala o princípio de uma era de hegemonia e conquista espanhola, quer na península, quer no mundo da época. Mas, há muitos séculos que os portugueses trilharam caminhos diferentes dos outros povos e das outras nações da Ibéria.

A tentação anexacionista entre os Estados ibéricos sempre existiu, inicialmente nos dois lados da fronteira, depois e em resultado do seu grande crescimento territorial, apenas do lado castelhano-espanhol. Ainda hoje é possível ouvir a alguns estudiosos espanhóis falar de uma síndrome de falta, referindo-se ao território português. Para compensar a sua dimensão face a um vizinho cada vez mais poderoso, Portugal sempre teve que procurar aliados; durante séculos a aliança inglesa correspondeu – precariamente – a essa necessidade.

Até à integração na CEE Portugal e Espanha viveram de costas voltadas, num misto de indiferença e desconfiança mútuos estimulados por nacionalismos autoritários. O reflexo de séculos de conflitualidade. À tentação anexacionista de Espanha (actualizada por Franco por ocasião da 2ª Guerra Mundial, conforme os planos militares de invasão recentemente desvendados) Portugal respondia com um anti-espanholismo acéfalo – “de Espanha, nem bons ventos, nem bons casamentos”. As últimas décadas começaram a alterar este cenário.

Quando a economia melhora em Espanha a atracção pelo união ibérica aumenta. Claro que há hoje um elevado grau de inter-penetração e ligações entre ambos os países – que se acentuará no futuro. É certo que a desconfiança diminuiu, restando alguns pequenos escolhos, como a gestão dos caudais dos rios internacionais e a sempre adiada questão de Olivença. Mas esse clima de entendimento não autoriza uniões ibéricas de carácter político. Em primeiro lugar, porque há muitos séculos de história a separar ambos os países, no que constitui parte importante da sua identidade, pelo menos no caso português. Em segundo, porque a Espanha actual é uma realidade bem mais volúvel que Portugal. Atente-se às vontades soberanistas de importantes regiões, como a Catalunha ou o País Basco; autonomias com tanta autonomia de administração e gestão que estão próximas da efectiva independência, para o que pouco mais lhes falta que exército e política externa. O que será a Espanha dentro de uma década?

Irmãos e amigos, mas cada na sua casa com o seu quintal.

A independência portuguesa e o “império”. Os últimos anos têm sido pródigos em demonstrar que a independência dos países é, no mínimo, relativa. A adesão a organizações internacionais limita o grau de independência das decisões – é o preço de fazer parte do homérico “concerto das nações”, como, por exemplo, a participação em causas que só muito remotamente fazem parte da nossa esfera de interesses.

A adesão de Portugal à então CEE, em 1985, teve apoio maioritário no espectro político mas não foi pacífica. Vivia-se a fase final da guerra fria e da competição entre blocos político-militares. A adesão representou a opção política de entrosar o país ao bloco ocidental, de que fazia já parte na NATO. Perdido o  império com a descolonização, o país viu na comunidade a solução para as suas dificuldades e problemas. A relação com o país vizinho ganhou novo ânimo.

Todos sabemos que parte importante dos destinos nacionais não se decide já em Portugal. Nomeadamente em matéria económica. A integração na UE trouxe uma melhoria do nível médio de vida dos cidadãos, mas, agora que as coisas correm mal, percebemos com clareza que prescindimos de instrumentos que nos concediam autonomia de decisão. Como a moeda e as taxas de câmbio; ou a nossa capacidade produtiva, trocada por uns quantos milhões de euros; ou ainda a ligeireza com que a economia passou a assentar na distribuição.

A União Europeia vai atravessar profundas alterações na sua arquitectura institucional. O elevado número de países que a compõe  tornam o seu funcionamento um complexo desafio. Os grandes e mais poderosos países da União terão a tentação de constituir um directório que tome as principais decisões em nome do império. Esse será o momento fundador da nova ordem.

Iremos continuar a ser independentes? Claro. Do ponto de vista formal. Lutando no fio da navalha por nos mantermos nesse periclitante equilíbrio entre preservar a máxima autonomia de decisão e cumprir as determinações do império.

O “império” não representa um conceito intrinsecamente mau. Se o “império” for “bondoso” e guiado por leis justas e equilibradas pode proteger as nações mais pequenas e os interesses dos mais fracos perante a gula e a ganância dos mais poderosos – há casos desses na história, estude-se, por exemplo, a benignidade dos impérios que permitiram a sobrevivência de pequenas nações. Os membros da UE terão que a fazer corresponder à alegoria. Uma Europa de nações e de povos. Não se vislumbra caminho de recuo.

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Geral, Política

Uma questão de decoro

Sinal dos tempos e do facto de a sede da soberania portuguesa estar em rápida transferência para “Bruxelas”, foi o anúncio da realização de um conjunto de “reformas estruturais” em Portugal ter sido feito por D. Reynders, representante da presidência belga da UE. O facto ocorreu após a reunião dos ministros das finanças da zona euro, realizada no passado domingo.

Felicitamo-nos pela intenção de Portugal anunciar reformas estruturais significativas no sector da Saúde e dos Transportes, e a reforma do quadro orçamental (…) cuja execução será acompanhada por novas autoridades no seio desse processo português” declarou o dito Reynders. No mesmo contexto, também o comissário O. Rehn aludiu a importantes “reformas no mercado de trabalho” que o governo português se apresta a fazer. Alguém poderá esclarecer o que são essas “reformas no mercado de trabalho”? Será, em politiquês, o equivalente a liberalizar despedimentos?

O ministro Teixeira dos Santos, que esteve na reunião onde a “intenção” portuguesa terá sido apresentada (foi?), não comentou. O Governo, entretanto, desmentiu. Em que ficamos? Quem é que anda a mentir? A UE ou o Governo?

Parece ter-se chegado a um ponto em que já nem as aparências se mantêm.

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