Costumes

O circo está na cidade

O circo da Casa Pia voltou à cidade. Os palhaços, acossados pelos leões, foram os primeiros a chegar para anunciar o espetáculo.

Nesta história, Carlos Silvino, perdido por cem, perdido por mil, apura a vocação de palhaço, quem sabe se já rico, e diz que sempre mentiu, influenciado por uns copos de água dopada pela Judiciária.

Nem os piores filmes se baseiam em argumentos tão maus.

A única explicação que encontro para esta disparatada história nem é a mais óbvia da tentativa de influenciar o Tribunal da Relação, anular o processo ou parte dele ou reabri-lo. Acredito que a intenção é bem mais rebuscada e tem em vista um objetivo de longo prazo: a possibilidade de lançar uma forte e definitiva dúvida sobre a culpabilidade dos condenados para que o público duvide, também, sobre a existência dos crimes de pedofilia. Assim será muito mais fácil a reabilitação pública de condenados que sempre viveram da sua imagem pública, mesmo que tenham de cumprir penas de prisão.

Acreditar em Silvino é ditar uma sentença de morte ao sistema judicial português, ainda que todos conheçamos as suas deficiências.

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Costumes

Casa Pia – A Gaja

Finalmente as quase duas mil páginas do acórdão dos juízes do Processo Casa Pia foram entregues a todos os directamente interessados e tornado público.

Os advogados de defesa, capitaneados pelo inevitável Sá Fernandes, começaram imediatamente a exigir mais tempo para o contestar. Sá Fernandes faz mesmo o favor de dizer que desiste de o impugnar, diz isto sem se rir, certamente para nos fazer rir. Foi um longo o intervalo de tempo entre a leitura da súmula do acórdão e a sua entrega. Vários acidentes sobrepuseram-se, devem ser analisados seria e cuidadosamente para não voltarem a acontecer. Num processo tão mediático corroem ainda mais a imagem da justiça. Foi um período de tempo excessivo aproveitado a todo o vapor pelos intervenientes com mais fácil acesso a uma comunicação social permissiva e ávida pelo acessório onde as questões centrais se diluem. A justiça tem aqui uma grande lição para tirar conclusões urgentes e iniciar práticas que melhorem o seu funcionamento.

Durante esses dias o bombardeamento da esquadrilha Carlos Cruz-Sá Fernandes foi intenso. Eram lançadas bombas por tudo quanto era sítio, para fazer passar a ideia que durante todos estes anos o que existiu foi um combate da palavra de uns contra a palavra dos outros, e que o tribunal acreditou mais nuns que noutros. Pelo que se vai conhecendo do teor do acórdão, isso é uma perversidade com um claro propósito populista..

Para que essa visão redutora fosse incutida na generalidade das pessoas, valeu tudo. Directamente pela referida parelha, indirectamente por todos os que, objectivamente cúmplices da referida parelha mesmo que com ela não tenham o mínimo contacto, se empenharam a difundir essa tese e, lateralmente, atacar a outra protagonista, a juíza Ana Peres.
Com acinte, foram dizendo tudo. Que tinha quatro filhos, o que a ocupava excessivamente. Uma licença de parto. Que não percebia nada de informática. Que tinha a cabeça no casamento da filha ou do filho, para o caso não interessa. Famílias numerosas é no que dá. Só faltou dizer como é que uma gaja com aquela vida  é juíza. De certeza que o que conhece de Códigos são as páginas que passa a ferro, nem tem tempo para mais. Devia era estar em casa a lavar togas.

O objectivo é duma evidência cortante: pôr em causa a capacidade de Ana Peres para presidir ao colectivo de juízes e, por essa via, dinamitar o valor do acórdão.

Quando tanto se fala em igualdade de direitos entre sexos, se fazem leis com quotas, etc., o mais rasca marialvismo salta a terreiro para alimentar o argumentário mais descabelado com propósitos pouco dignos.

Realmente, o lugar das gajas é em casa a coser meias e a pôr as panelas ao lume.

Faltava este selo para colar nessa gente!

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Costumes, Geral

Casa Pia / cenas pouco edificantes

foto publicada no Expresso

Foi anunciado que hoje será finalmente entregue o acórdão do Processo Casa Pia a todos os interessados. Nos entretantos a manipulação da informação sobre o julgamento da Casa Pia ultrapassou o inimaginável e, certamente, irá continuar.

No dia da leitura do acórdão saltaram os advogados de defesa a dizer cobras e lagartos da juíza Ana Peres. Ricardo Sá Fernandes, com o descaramento que se lhe conhece, insinuou de viva voz no tribunal e depois em todos os microfones que passaram no seu raio de acção,  foram muitos, que o acórdão não estava redigido.

Agora, no meio dos abundantes noticiários, sabe-se por uma pequena referência feita por um dos advogados de defesa que a juíza Ana Peres perguntou por duas vezes aos advogados se queriam que ela lesse a totalidade do acórdão. Ao lado da juíza estavam cinco grossos volumes.

Nenhum jornalista registou isso, só agora um jornal referiu esse facto. Ricardo Sá Fernandes é que não perde tempo e a pretexto dos problemas informáticos com a transcrição do acórdão, de que foi avisado pela juíza e que verificou pessoalmente, continua a vociferar: “ Falou de problemas informáticos, de qualquer coisa com a digitalização, não sei. O que é um facto é que, se não tinham o acórdão pronto, mais valia terem adiado a leitura da sentença, qualquer coisa era melhor que isto.” Ele bem sabe que esses problemas não põem em causa a defesa. Os prazos só começam a contar depois de entregue o acórdão a todos os juristas implicados no processo. Homem atento também ouviu a juíza perguntar se queriam que lesse todo o acórdão. Cinicamente fingiu nada ter ouvido, bem sabe que isso lhe daria mais tempo de antena e beneficiaria, em especial, o seu constituinte.

O espaço concedido na comunicação social a Carlos Cruz é escandaloso. A avaliar pela sua prestação nos “Prós e Contras”, — essa maravilha da informação séria, independente, que cuida com desvelo olarilolé a pluralidade de opiniões oralilolá — em que procurou descaradamente, em directo e ao vivo, manipular afirmações de outros intervenientes e usou dados pseudo científicos para tentar descredibilizar a acusação, só quem acredita cegamente que a intuição nunca falha, argumento de elevado teor científico da promotora de um abaixo-assinado a favor do Cruz que agora começou a correr , é que pode acreditar, sem reservas, que ele é inocente.
Cá estamos para ver sem o condenar mas também sem o ilibar até ao fim do processo. Sem histerismos nem argumentações que simulam a dúvida para defenderem sonsamente a tese da inocência dos arguidos.

Vergonhosas, verdadeiramente vergonhosas foram as intervenções do bastonário da Ordem dos Advogados. Falou que se desunhou sobre a não entrega do acórdão, como isso agravasse a situação dos réus, agora condenados em 1ª instância. Depois servia-se da voz tipo adamastor para atacar dois dos principais empenhados na defesa das vítimas dos crimes de pedofilia que ele considerava os poderosos do processo e a quem acusava de ser quem mais aparecia na comunicação social.

Se medirem rigorosamente o tempo de antena, desde o principio da investigação até hoje, duvidamos que Catalina Pestana ou Pedro Namora ocupem os primeiros lugares. Directa ou indirectamente foram sempre os arguidos e os advogados de defesa que ocuparam largos espaços na comunicação social. Se somarmos os tempos entre defesa e acusação, a diferença deve ser abissal. Marinho Pinto, que também faz parte do lote dos assaltantes à credibilidade do processo, é que não tem dúvidas. Mais, denunciando o que supostamente o escandaliza, nunca referiu coisas escandalosas que aconteceram durante a investigação como a da jornalista Inês Serra Lopes, filha de Serra Lopes defensor de Carlos Cruz, ter pago a uma funcionária da RTP, para ir à Polícia Judiciária com uma fotografia de um outro  funcionário da RTP, sósia de Carlos Cruz, tentar baralhar as investigações. A tramóia foi descoberta. Ela foi condenada em todas as instâncias judiciais. Fazer coisa daquelas não lhe retirou credibilidade profissional entre os seus pares, somos um país de brandos costumes e , dentro das corporações, eticamente permissivo. Será que Marinho Pinto acredita que a jornalista, filha exemplar movida por um arrepiante amor filial, teve essa iniciativa porque que quis dar uma mãozinha ao querido paizinho, fazendo-lhe uma surpresa no dia de aniversário?

O bastonário, de alguns advogados com alguém bem disse, nem sequer se insurge com as cirúrgicas alterações ao Código Penal, feitas em 2007, e que claramente beneficiam os supostos arguidos e os já arguidos.

Pensa-se, provavelmente mal, que essas manobras e outras como a dos psicólogos norte-americanos, trazidos a Portugal pela parceria Serra Lopes-Sá Fernandes-Carlos Cruz para deporem como peritos, defendendo a tese que violar as crianças desprotegidas só as favorecia porque lhes aumentava a auto-estima, deveriam ter sido referidas. Coisas desse jaez, à margem da investigação e do processo e que visavam claramente influenciá-lo é que são verdadeiramente escandalosas e deveriam causar algum escândalo tal como as insistências de Fátima Campos Ferreira, questionando se os casos de pedofilia já tem um longo historial porque só agora com estes arguidos é que houve processo? Ou o sr. dr. acha que as vitimas são mesmo credíveis? Portanto são credíveis as que acompanhou profissionalmente. E as outras? E por aí fora, sempre nesse registo em que, pela voz de vários intervenientes, com o seu consentimento tácito, os malandros do processo acabam por ser os investigadores da polícia judiciária, o juiz Guerra que conduziu a investigação e, sobretudo, quem mais denunciou o escândalo da pedofilia na Casa Pia, Catalina Pestana, Pedro Namora que originou este processo. Esqueceram-se do mestre Américo mas lá chegarão. Uma inversão eticamente miserável. É isto o nosso jornalismo dito de referência.Nota final para a grande exibição de vaidade de Daniel Oliveira nesse programa. Transpira-a por todos os poros, não há desodorizante que lhe valha. Disse convictamente banalidades, como é seu hábito, mas com um objectivo preciso: colocar em causa tanto a investigação como o processo. Nada de novo para adorno do personagem, agora barricado na dúvida sistemática, coisa que raramente o assalta noutros assuntos, e são muitos, sobre os quais perora com a mesma espessura com que abordou este.

Esperemos que hoje seja entregue o acórdão para acabar com esta parte da especulação. Outras serão imediatamente iniciadas porque, ao contrário do que apregoam e de que se dizem sofredores, o que andam a engendrar é uma espécie de julgamento popular para ver se conseguem de algum modo influenciar os recursos que se irão seguir. Carlos Cruz foi bem claro quando citou várias vezes o número de apoiantes que angariou com o seu blog. Número de apoiantes que vai aumentar com um anunciado  abaixo-assinado pedindo a sua absolvição. Cenário nos antípodas do descrito por Marinho Pinto e Daniel Oliveira que desenharam com requinte um julgamento popular a que, na sua opinião, tinham estado sujeitos os arguidos agora condenados durante os anos em que decorreu o processo. pelos vistos erraram o alvo.

Repete-se : não condenamos mas também não ilibamos ninguém até ao fim do processo. O que não calamos são indignações perante factos decorridos que tentam manipular um juízo se esse juízo for contrário aos seus interesses.

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Dúvida metódica

A leitura da sentença do processo Casa Pia gerou uma torrente de contra informação defensiva por parte dos condenados, indignados com a sentença e o julgamento de que, supostamente, terão também sido alvo na praça pública. Estranhamente são esses mesmos condenados quem prolonga o julgamento perante os olhos do público, com mais dúvidas sobre juízes “viciados”, com insinuações sobre os que terão ficado de fora, com ataques ferozes à aplicação da justiça.

Carlos Cruz, por ser quem é, foi o campeão deste ataque a que todos os media deram ouvidos, a que todos assistiram impávidos e serenos, como se o condenado fosse a vítima ou estivesse numa posição de absoluta equivalência ao tribunal que o julgou.

O método utilizado para criar esta equivalência, em especial por Cruz, é conhecido e permite-lhe — permitirá — que continue a gozar da simpatia de muita gente que vê nele apenas o simpático apresentador de televisão, o genial apresentador e autor de coisas brilhantes como o “Pão com Manteiga”, a primeira tentativa séria de fazer na rádio humor moderno e não boçal no pós-25 de Abril. Cruz tem vindo a lançar, metodicamente, e graças ao seu estatuto de estrela, a dúvida sobre todo o processo, a investigação, os juízes, os polícias e os miúdos-vítimas da Casa Pia para que, na incerteza, prevaleça a sua suposta inocência. Todos mentem, menos ele… Enquanto esta dúvida metódica for alimentada, em especial nos anos que teremos de esperar pelo resultado dos recursos entretanto interpostos, e isto se os crimes não prescreverem, Cruz poderá surgir aos olhos da opinião pública como a vítima de uma vasta conspiração, montada para o tramar.

Mais pedófilos hão-de continuar por aí à solta. O Estado tem o dever de lhes dar caça. Não sabemos quem eles são, porém, sabemos que uns quantos foram já condenados, ainda que a nossa justiça lhes permita continuar em liberdade, a mesma justiça de que eles zombam, a mesma justiça que eles põem em causa.

O actual estado de descrédito da justiça portuguesa, a sua morosidade, a complexidade que lhe é inerente, mais as nuances que lhe impõem à la carte, não pode ser desculpa para acreditar que tantos anos de investigação, audiências, testemunhas, inquirições e acareações no processo Casa Pia tenham sido apenas uma forma de nos enganar a todos. Se alguém nos enganou, foi Carlos Cruz, a quem muitos deram o benefício da dúvida. Não duvido que outros tantos lhe continuem a dar esse benefício, sempre prontos a acreditar em teorias da conspiração pacientemente manufacturadas. Porém, Cruz foi condenado por um tribunal, o mesmo que condenou um antigo embaixador pelas mesmas práticas pedófilas em que foi referenciado há anos. Era interessante saber se os defensores da inocência de Cruz têm a mesma crença na inocência de Jorge Ritto…

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Negócios Jurídicos

Ricardo Sá Fernandes é presença assídua na televisão e noutros meios de comunicação social. Está sempre na primeira fila, em bicos de pés a levantar freneticamente o dedo para saberem onde está. Os colegas, quando entram ou saem das audiências, sabem sempre onde está o dr. Ricardo Sá Fernandes. É só olhar à volta e ver o aglomerado de câmaras e máquinas fotográficas.

Não é que as suas opiniões sejam particularmente relevantes ou tenham acrescida substância. Nada disso, por vezes até  é confrangedor vê-lo andar às voltas de afirmações que proferiu para as deixar cair sem grandes cacos. É parte de uma estratégia de marketing que o tornam conhecido entre o mercado potencial. É a transposição para o direito da máxima de Warhol: “ a maior arte é um negócio e o que é importante é ser-se célebre nem que seja por cinco minutos”. Ricardo Sá Fernandes soma muito mais que cinco minutos. Da Universidade Moderna à Casa Pia, passando pelo caso Sá Carneiro até à Face Oculta, é um ver que te avias.Em qualquer caso que potencialmente tenha repercussão na comunicação social, lá está o dr. Ricardo Sá Fernandes. Poucos escapam à fina malha da sua rede de captação. Havendo um processo mediático é praticamente certo e sabido que lá estará o celebrado dr. É garantido que qualquer que seja o painel de causídicos envolvidos é sempre ele a estrela mediática. O artista convidado com maior tempo de antena. O Tony Carreira dos advogados nacionais.

Agora, no final do caso Casa Pia, fez tudo para aparecer. Primeiro, no tribunal levantando a dúvida se o acórdão já estaria efectivamente redigido, o que lhe garantia, ele sabia-o de ginjeira, um enxame de jornalistas e idas à televisão.
Na Sic Notícias, exibindo indignações, lá foi dizendo que não era propriamente isso que tinha dito, ou se tinha dito o significado era outro, mais frito e cozido,  até que o jornalista o confrontou com a afirmação feita por Carlos Cruz na conferência de imprensa “os meus advogados nunca defenderiam um abusador sexual”. Ricardo Sá Fernandes, atirando as certezas absolutas de Carlos Cruz borda fora, atalhou para explicar que não era bem assim. De um confesso abusador sexual a um inocente acusado de abuso sexual, há um vasto leque de personagens e todos merecem defesa jurídica. Generalidades rústicas ditas com convicção, que apontam para a porta do seu escritório que deve estar sempre aberta protegida por um detector de interesses.

Ficámos esclarecidos. A multidão de personagens, acusados dos mais diversos crimes, inocentes ou culpados, pode contar com o empenho do dr, Ricardo Sá Fernandes. Presume-se, naturalmente, que terão que garantir um bom rendimento material ou imaterial.

Ao ouvir aquela intervenção, com muito teatro e pouca espessura, recorda-se um escrito de Luiz Pacheco a Maldonado Gonelha “ Carta a Gonelha” em que, a dado passo e citando de cor, se escreve : Vi-te na televisão. Falaste bem com a costumada volubilidade (…) eu adivinhar-te a sina (.) o que tu queres é cacau.

Ora para ao cacau somar cacau, provavelmente sairá um livro para a mesa do canto, ideia que não escaparia à mais burra das socialites, Literariamente estará ao nível das revistas rosa, a mão que escreve também não dá para mais,  nem é isso que interessa porque será aí que terá a mais grossa fatia do seu mercado e por essas bandas as exigências estilisticas são praticamente nula. A grande e extrema curiosidade é que as verdadeiras vítimas, os alunos da Casa Pia, nunca existirem para o magnífico dr. Ricardo Sá Fernandes, excepto quando os continuou a violentar nos interrogatórios com perguntas capciosas.

Oh! Ricardito, qual era a cor das peúgas que usavas quando fizeste o exame da 2ª classe? Que camisa vestias quando perdeste a virgindade?

O Ricardo Sá Fernandes ainda vai arrecadar mais algum com direitos de autor de um livro fedorento! Há sempre clientela para chafurdar no lixo e como o dr. aparece muitas vezes na televisão é um ganho publicitário garantido.
Nesta sociedade decadente, até este post irá contribuir para o tilintar de mais uns cêntimos nos seus bolsos. Não cobramos nada por isso. É só para se saber que sabemos.

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