25 Abril, Política, Trabalho

Abril em Maio*

Em Abril, celebramos o fim da ditadura fascista e a Revolução com que conquistámos direitos políticos, económicos, sociais e culturais antes negados pela força e repressão de um Estado fascista ao serviço dos monopólios e dos latifúndios.

Festejamos a democracia, a liberdade, a paz, a participação popular, a libertação dos povos colonizados, o desenvolvimento para o qual a criação do Poder Local Democrático deu e dá um contributo inestimável, com o seu carácter plural, representativo, com órgãos próprios eleitos por sufrágio direto e universal, autónomo e prestador de serviços públicos essenciais às populações.

Festejamos os homens e as mulheres que ao longo das suas vidas, nos mais diversos domínios de intervenção cívica, política, artística, cultural e profissional combateram pela liberdade e pela elevação geral das condições de vida do nosso povo.

Em Setúbal, a Assembleia Municipal de Setúbal, em sessão solene comemorativa do 25 de Abril, prestou o seu reconhecimento a uma destas mulheres, Odete Santos.

Comunista, com um papel destacado em Setúbal e no País em defesa dos direitos dos trabalhadores, dos direitos das mulheres e da juventude, com uma intervenção política e cívica multifacetada, uma ilustre advogada, uma mulher das artes e da cultura, uma lutadora antifascista, mulher de Abril e da solidariedade anti-imperialista, Odete Santos deu muito do seu esforço e do seu saber ao Poder Local, tendo integrado a Comissão Administrativa do Município de Setúbal, foi, posteriormente, Vereadora da Câmara Municipal de Setúbal, eleita na Assembleia Municipal e Presidente deste órgão durante dois mandatos (2001-2009).

Agora, em Maio, no momento em que os trabalhadores de todo o mundo assinalam o seu Dia, o exemplo de Odete Santos e do seu papel na defesa dos interesses, direitos e aspirações dos trabalhadores não deixará de estar presente em todos aqueles que ambicionam um mundo melhor.

Em Maio, Abril e a Liberdade não rimam com a obediência cega e sem discussão das regras ditadas pela União Europeia, com o subfinanciamento ou a desresponsabilização das funções sociais do Estado, a submissão à lógica belicista das potências que conduzem o mundo à guerra e à destruição, o silêncio perante o recrudescimento das forças nazi-fascistas na Europa e no mundo.

Em Maio, os trabalhadores exigirão aumentos salariais, horários de trabalho dignos e compatíveis com a vida familiar, vínculos estáveis, contratos coletivos de trabalho que não caduquem pelo simples passar do tempo, reposição do princípio do tratamento mais favorável do trabalhador, reconhecendo que nas relações laborais, os intervenientes não estão em pé de igualdade.

Os trabalhadores portugueses não deixarão de ter por objetivo cumprir aquilo que de Abril ainda está por cumprir.

E acompanhando o apelo que a Odete Santos deixou na referida sessão solene, Setúbal, os seus trabalhadores e o seu povo gritarão bem alto as palavras de Ary: «…agora ninguém mais cerra as portas que Abril abriu!».

*Texto originalmente publicado na edição de 2 de Maio do Jornal “O Setubalense”
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Memórias de Anos Pós- 25 de Abril / Os 25 Anos do 25 de Abril em Grândola, a Vila Morena

É norma que algumas datas comemorativas de um mesmo acontecimento tenham um impacto maior que outras. Não é a mesma coisa comemorar os doze anos ou os vinte sete anos do 25 de Abril do que comemorar um quarto de século da Revolução dos Cravos ou, daqui a uns anos assinalar os seus cinquenta anos.

Em 1999, o 25 de Abril fazia 25 anos. Data que, como exige a tradição, tinha que ser comemorada com mais intensidade, sobretudo em Grândola, a Vila Morena. O vereador da Cultura, Pedro Pedreira, prematuramente desaparecido, Isabel Revez, directora do Departamento em que se inscrevia a Divisão de Cultura e eu, na altura estacionado em Grândola a assessorar a Câmara em várias áreas , nomeadamente a da cultura. constituímos o núcleo central da organização das Comemorações. Foi um trabalho intenso, com grande espírito de equipa, que se realizou com a participação activa e empenhada de todos os trabalhadores da autarquia. Semanas, meses de trabalho que também foram uma festa.

Quero recordar, com orgulho a que não me eximo, sem menorizar nenhum outro evento da vasta programação que se organizou, iniciativas em que desempenhei papel central, em que algumas ultrapassaram os limites temporais e continuam a marcar Grândola.

A primeira decisão foi a de se desenhar uma imagem gráfica condizente com a importância das Comemorações. Foi convidar para a fazer José Santa-Bárbara, não só pela sua inquestionável qualidade artística mas também por ser o autor de muitas das capas dos discos de José Afonso, nomeadamente as Cantigas de Maio, onde se inscreve Grândola, Vila Morena. Santa-Bárbara teve a ideia brilhante de arrancar os sobreiros da planície alentejana substituindo-os por frondosos cravos.

Em memória de Zé Afonso, António Trindade

Em memória de Zé Afonso, António Trindade

As outras tinham a ver com o facto de Grândola, pela sua orografia, ser uma terra de passagem entre importantes centros do Portugal medievo. Por essa circunstância, não tinha castelos, monumentos nem sequer um centro histórico assinalável, embora com um centro tradicional bem interessante. Surgiu imediatamente a ideia de, aproveitando o quarto de século da Revolução de Abril, dotar a vila com várias esculturas, com ligação mais directa ou mais oblíqua com a conquista da liberdade. Ideia que Pedro Pedreira e Isabel Revez apoiaram com entusiasmo.

mural grandola Bartolomeu Cid dos Santos

O Povo é Quem mais Ordena / Bartolomeu Cid dos Santos

Pensando em quê e em quem, elaborei um memorando, logo avalizado por esse grupo de trabalho. Convidei o António Trindade para fazer uma escultura evocativa de Zé Afonso, Jorge Vieira os 25 anos do 25 de Abril, Bartolomeu Cid dos Santos, O Povo é Quem mais Ordena, estas em Grândola, João Limpinho, Os Poetas Populares, no Carvalhal. A esse grupo de artistas bem conhecidos no meio artístico, agreguei um jovem escultor, Isaque Pinheiro que realizou, A Cultura saiu á Rua num Dia Assim, em Melides. Com Bartolomeu Cid dos Santos e João Limpinho tive ainda o prazer e o privilégio suplementar de colaborar directamente, nas suas obras. Desenhei a parede e o embasamento do mural de azulejos concebido por Bartolomeu. Trabalho interessantíssimo em que discutimos fundamente a forma que melhor poderia corresponder, destacar e dar melhor leitura aos painéis de azulejos, o frontal e o de tardoz, que o Bartolomeu idealizou.. Entre o primeiro desenho e a forma final, “partimos muita pedra”. A forma final muito nos agradou. Mais fácil foi desenhar a parede de suporte para a escultura do João. A simplicidade genial da ideia do João Limpinho de transformar as lâminas de enxada nas “caras” dos poetas populares facilitou o desenho da parede suporte, uma alusão muito estilizada a esse objecto de trabalho agrícola, Procurando que nada fique esquecido registe-se que os cálculos de engenharia, obviamente mais complexos em relação O Povo é Quem mais Ordena, foram feitos por Horácio Sotero, engenheiro da CMG. Hoje, quando passo por Grândola, onde vivi anos felizes, continuo a olhar para essas intervenções escultóricas com o prazer e o legítimo orgulho de ter tido essas iniciativas, sempre suportadas pelo entusiasmo e empenho do Pedro Pedreira e da Isabel Revez.

Jorge Vieira

25 Anos do 25 de Abril / jorge Vieira

Lembro que dramaticamente o Jorge não viu a sua obra em circunstâncias que me abalaram profundamente. Por várias circunstâncias a decisão para a encomenda das esculturas, atrasou-se, o que obrigou os artistas a trabalhar com prazos muito apertados nas maquetas de molde a possibilitar a sua concretização. Qualquer escultura consome meses na sua realização. Com Abril no horizonte até ao fim do ano as maquetas tinham que estar feitas. Assim sucedeu com todos e claro com o Jorge Vieira. No dia 23 de Dezembro de 1998, pelo meio-dia, telefona-me o Jorge para me convidar a ir à sua casa em São Bento de Ana Loura, Estremoz, no dia 26, para ver a maqueta. Vários prazeres conjugavam-se. Ver a maqueta, almoçar com o Jorge e a Noémia, refira-se que o Jorge era um excelente cozinheiro, conviver, um convívio sempre muito vivo e estimulante, alegrado pela finíssima ironia, uma imagem de marca do Jorge. Eram onze horas da noite desse mesmo dia 23, quando volta a tocar o telefone. Do outro lado um grande amigo comum, recentemente desaparecido, o Zé Alberto Manso Pinheiro que, consternadíssimo, anunciava que o Jorge tinha sido vitimado por uma síncope. Nunca esquecerei o murro que levei. Chorei como não me lembro de alguma vez ter chorado. Choraria outra vez abraçando a Noémia desfeita pela dor. A vida que dá tantas alegrias também maltrata de forma violenta, muitas vezes inesperada.

JoãoLimpinho

Os Poetas Populares / João Limpinho

No meio de tanto sucesso, nem tudo correu bem. Por exemplo, por um acaso daqueles que só acontece no cinema, raramente na vida real, estava no Teatro de Almada com o Joaquim Benite, quando alguém, no alvoroço provocado já nem lembro quem, irrompe anunciando que a rádio noticiava que o José Saramago tinha ganho o Prémio Nobel da Literatura. Telefonámos. Milagrosamente conseguimos ligação. Abraços e mais abraços, parabéns e mais parabéns. Desligado o telefone olhámos um para o outro, proponho o que o Joaquim estava a pensar. Repor em Grândola, no dia 25 de Abril, A Noite. Naquele momento de euforia, ficou tudo firme. Não aconteceu apesar do nosso afinco e do afinco do Pedro Pedreira e da Isabel Revez. A decisão nunca mais era formalizada, até o Benite, em desespero, me telefonar a marcar uma data a partir da qual seria impossível realizar o espectáculo. Era um trabalho a mais na programação do teatro. A partir daquela data, não haveria tempo para ensaios, com a agravante de ter que se substituir o António Assunção, com papel importante no elenco original, já ter falecido. A data foi ultrapassada sem nenhum compromisso. Nas várias vezes em que nos encontrámos recordámos amargamente essa oportunidade perdida. Repor A Noite, nos 25 anos do 25 de Abril, no ano em Saramago iria a Estocolmo ser nobelizado. Tínhamos a secreta esperança de o ter presente em Grândola para rever a peça de teatro em que se retratava a noite de 24 para 25 de Abril, vivida na redacção de um jornal.

isaque

A Cultura saiu á Rua num Dia Assim/ Isaque Pinheiro

Outra iniciativa que se gorou pelos mesmos motivos, ruminar decisões até as tornar inexequíveis, foi a de encomendar a António Pinho Vargas 25 Variações sobre o tema Grândola, Vila Morena. Pinho Vargas é um excelente pianista e um excelente compositor. É um reconhecido cultor tanto da música sinfónica como do jazz. Reunia as condições óptimas para realizar essa obra. O problema foi similar ao sucedido com o Benite. Protelar a decisão até a tornar impossível. Havia um limite para decidir, sobretudo porque António Pinho Vargas estava a trabalhar na ópera Os Dias Levantados, com libreto de Manuel Gusmão. A partir de certo momento não poderia conciliar esses dois trabalhos. Assim se perdeu a oportunidade de Grândola se poder orgulhar de ter encomendado uma obra que , se fosse feita, estou convicto, seria marcante na historiografia da música portuguesa, ficando Grândola para sempre ligada a esse acontecimento.

Mas houve momentos de rabelaisiana galhofa. Num certo dia, com o tom imperativo, definitivo e pomposo que alguns presidentes usam para embrulhar as suas deliberações, recebemos um papel manuscrito, guardo fotocópia desse escrito, com origem no gabinete da presidência, em que se determinava que o programa musical das Comemorações dos 25 Anos do 25 de Abril deveria ser aberto por uma composição original, encomendada a um músico que na altura dava aulas na Universidade de Évora, que se intitulava, nada mais nem nada menos que REQUIEM PARA A REVOLUÇÃO!!! Gargalhadas pantagruélicas. Seria uma originalidade universal uma Revolução ser celebrada com um Requiem. Este mundo e o outro deveriam rir a bandeiras despregadas, com tal iniciativa, ainda por cima levada a efeito por uma Câmara de esquerda, da CDU. As risadas mereceriam figurar no Guiness, com um recorde que tanto pela sua dimensão como extensão, dificilmente seria ultrapassado. Haveria certamente uma excursão de saudosos salazaristas a desembarcar em Grândola celebrando sucesso tão inesperado e, para eles, tão feliz. Ainda por cima com a circunstância de o jantar da Associação 25 de Abril se realizar na vila, antecedendo o repasto, por alinhamento da programação, haveria a primeira audição mundial de tão magna, industriosa e inusitada obra.

Aqui fica esta Memorabilia, um registo, com factos alguns até agora desconhecidos, para memória futura das Comemorações dos 25 Anos do 25 Abril em Grândola, Escritos em louvor e recordação de amigos entretanto desaparecidos aqui assinalados pela referência a Pedro Pedreira, com o envio de um grande abraço à Isabel Revez, envolvendo nesse abraço todos os trabalhadores da Câmara de Grândola que bem se empenharam para que, apesar dos tropeços que nos eram estranhos, a festa fosse, como foi, um sucesso irrepetível.

De caminho, uma última nota, tenho o secreto desejo que um dia em Grândola, os nomes de duas pessoas ligadas fortemente à história da vila no pós-25 de Abril, figurem na sua toponínima: Pedro Pedreira.e Manuel Areias.

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abril ... sempre

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25 de Abril… sempre!

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BARRELAS

sabão azul e barnco

11 de Março de 1975, as portas de Abril, abriam-se para mudar de vida.

11 de março de 2015 dia de barrelas de alguma da muito suja que, desde esse dia, se acumulou por Portugal.

Barrela 1- Pedro Passos Coelho, na Assembleia da República a justificar o injustificável. O não pagamento à Segurança Social, desvios do IRS, por trabalhos feitos, para empresas todas elas pouco recomendáveis. Os trabalhos pesadíssimos que Pedro Passos Coelho fazia, dizem os seus antigos patrões, era abrir portas, gabando-lhe o portefólio de gazuas. Mais hábil que Al Capone, não se deixou apanhar nas malhas contributivas para o Estado. Um artista português que, com os seus olhos de bandido nos assalta todos os dias desde que se sentou em São Bento. Mente, mente sempre convictamente como o fez durante a campanha eleitoral, como sempre o fez. Como ainda há pouco tempo, roído pela medíocre inveja de assistir ao triunfo de um partido que se opõe às políticas de austeridade que tanto o excitam, nada melhor que sodomizações teutónicas, disse graçolas sem tino e mentiras para os portugueses desprevenidos se indignarem, afirmando que Portugal foi dos países que mais contribuiu na ajuda financeira à Grécia. Mentiu, como sempre fez e faz. Portugal contribuiu de acordo com o PIB e os tratados europeus que subscreveu. Nem um cêntimo a mais ou a menos! Hoje foi lavar as nódoas indeléveis de contumaz fugitivo às contribuições. Homem sem princípios nem dignidade, que vampiriza o povo trabalhador e bajula o grande capital.

Barrela 2- Em 11 de março de 1975 Spínola tentou um golpe de estado. Mais um golpe de estado depois de um primeiro tentado, em aliança com Adelino Palma Carlos e Sá Carneiro, pouco tempo depois da Revolução de Abril. De um segundo, em 28 de Setembro de 1974, em que a maioria silenciosa, que supostamente o apoiava, partiu os dentes ao enfrentar as forças populares democráticas. Nunca deixou de conspirar contra o 25 de Abril. Fê-lo logo no primeiro momento, quando queria que o Movimento das Forças Armadas regressasse aos quartéis na esperança de um triunfo de uma marcelismo democrático corporizado por ele. Em 11 de Março de 1975, perdeu novamente. Fugiu para o estrangeiro, onde continuou a conspirar contra a democracia e as conquistas da Revolução. Apesar de toda essa actividade conspirativa, Mário Soares, graduou-o marechal, Nomeou-o das Ordens Portuguesas, condecorou-o com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito , a segunda maior insígnia da principal ordem militar portuguesa. Como não há almoços grátis, façam o favor de extrairem as vossa conclusões sobre esta parceria bem pública. Outras continuam ocultas como a da tonitruante voz que se calou e não chegou a ler a proclamação de um 11 de Março vitorioso. Hoje, em alguns meios de comunicação social, o 11 de Março é apresentado com uma casca de banana, uma ratoeira em que e Spínola escorregou deixando-se apanhar na armadilha. Não há um pingo de vergonha. Desde o primeiro momento sempre se tentou mistificar a intentona spinolesca! Como se o homem do monóculo não fosse um dos primeiros e dos mais activos conspiradores contra o a Revolução do 25 de Abril.

Barrela 3- Em Santa Comba Dão, o edil socialista prepara uma candidatura a Fundos Comunitários, para construir um museu e um centro de estudos sobre o Estado Novo! Qual fascismo, qual ditador! O Senhor Primeiro-Ministro do Estado Novo! Em marcha o que anda desde há muito tempo em marcha. A lavagem do fascismo por métodos científicos, pela mão de historiadores encartados como Rui Ramos, com trabalhos nessa área a demonstrar que não houve nem fascismo nem oposição ao fascismo. A panóplia repressiva do fascismo, que não era pouca desde os manuais escolares para lavagens aos cérebros, a Mocidade Portuguesa, a Legião, a Censura, a PIDE/DGS, prisões e campos de concentração, não passavam de suaves meios dissuasores dos recalcitrantes a quem era preciso dar uns safanões a tempo. Até aos historiadores diletantes como o Fernando Dacosta que foi escutar as confissões de Maria para reescrever a história e embelezar a imagem do ditador que não sabia nada das tramoias da PIDE para tramarem Humberto Delgado ou que sugeriu a fuga de Cunhal da prisão de Peniche. Intelectuais latrinários e mercenários não faltaram ao cheiro do dinheiro sujo por um passado execrável.

40 anos passados sobre o 11 de Março de 1975, dói assistir ao estado de degradação, política , económica e ética em que o país mergulhou. Para se refocilar na pocilga completamente, só falta aparecer hoje no Frente a Frente da SIC Notícias (passe a publicidade) José Matos Correia para decretar, como já decretou com o seu ar porcino, que o 11 de Março e as consequentes nacionalizações fizeram regredir o país dez anos. Nem mais nem menos! Esperemos que coloque bem visível um retrato de Ricardo Salgado, o dono disto tudo agora caído em desgraça, herdeiro dos donos disto tudo do fascismo, perdão Estado Novo! auurrrgggghhhhh!!!!!!

Apesar e contra a miséria moral vigente, celebremos com alegria o 11 de Março de 1975!!!

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Sol de Inverno

Neste dia de um glorioso sol de inverno, luz límpida e transparente, ouçam estas Quatro Últimas Canções de  Richard Strauss numa gravação recente de Anna Netrebko com a StaastKapel de Dresden, direcção de Daniel Barenboim. Uma interpretação que, com tudo o  que isso tem de subjectivo, se equipara às de Elizabeth Schvarzkopf/ Philarmonia Orchestra-Otto Ackermenn ; Renée Fleming/Houston Symphony Orchestra-Christofh Eschenbach ; Jessye Norman / Gewandhausorchester-Kurt Masur.

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História

Vasco Gonçalves, o Silenciado

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Agora que muita poeira assentou destas comemorações dos 40 anos do 25 de Abril vale a pena reflectir sobre o muito (ou pouco) que se recordou ou disse sobre o 25 de Abril. Longe de mim pôr em causa tudo o que foi feito por uns e por outros num esforço que se deverá louvar. Confesso que não ouvi nem vi tudo o que se fez sobre esse dia que está gravado no coração e no pensamento de milhões de portugueses, mas houve alguém que foi praticamente esquecido nesse turbilhão de reposições, de entrevistas e coisas que tais.

E, por isso, saio à liça em sua defesa: Vasco Gonçalves.

Ele está bem vivo em muitos e muitos portugueses que sabem o quanto foi valoroso esse militar de Abril, traído até mesmo por camaradas do MFA que não deixaram de usar métodos ínvios para o afastar do poder.

Certamente que todos aqueles que o recordam na sua forma simples de explicar o complicado e, sobretudo, na sua luta pela melhoria das condições de um grande maioria de um povo amordaçado, explorado e brutalizado por um regime que não poupou todos os que se ergueram firmes contra ele e abnegadamente lutaram e esclareceram, perdendo vidas por morte, desemprego, emigração, por afastamento daqueles que amavam e que sob torturas cruéis também morreram.

Vasco Gonçalves, o único 1º ministro a quem o povo trabalhador tratou simplesmente por Vasco, por companheiro Vasco, naqueles tempos em que sonhar o impossível era uma realidade a concretizar.

Quero aqui recordá-lo e prestar-lhe a minha singela homenagem ao homem simples, generoso, coerente e leal. Ao político, ao estadista, ao militar faço uma vénia de genuína admiração. Recordo aqueles momentos tormentosos provocados pela grande burguesia apeada do seu poder a resistir, a provocar dificuldades e a gerir a contra-revolução logo iniciada em 25 de Abril por um general de luneta que pouco tinha de revolucionário no sentido mais amplo do termo e, muito menos, no sentido mais estrito.

Vasco Gonçalves não foi esquecido e nunca o será, porque um dia o silêncio que o rodeia terminará e será sempre lembrada a sua contribuição para que o Povo Português tomasse nas suas mãos o seu destino e realizasse as conquistas revolucionárias que ficaram gravadas na Constituição de 1976, uma das constituições mais progressistas do mundo ocidental.

Foi caluniado, difamado, traído e um dos elementos do MFA quis mesmo prendê-lo de uma forma pouco leal sendo impedido de tal por Costa Gomes que respeitava Vasco Gonçalves e conhecia bem o homem que ele era.

Ler o livro resultante da entrevista feita por Manuela Cruzeiro –  Vasco Gonçalves – um general na Revolução ajuda-nos muito a compreender a tortuosidade daqueles tempos, os responsáveis pela contra-revolução, a falta de lisura, as contradições, a mesquinhez, as mentiras de tantos e tantos que anos volvidos continuam a tentar fazer crer que não tiveram responsabilidades na evolução da Revolução dos Cravos até ao que assistimos pelos dias de hoje.

Percebi melhor o que fica implícito na entrevista que Carlucci deu ao Expresso e que Demétrio Alves comentou aqui, na Praça do Bocage.

A Vasco Gonçalves, que concretizou lutas e reivindicações antigas dos trabalhadores, ficámos a dever-lhe a criação do salário mínimo e das condições que possibilitaram essas conquistas que foram o 13º e o 14º salários, isto é, os subsídios de férias e de Natal.

Sobre o pretenso caos económico no ano de 1975, porque é importante dar-se a conhecer o estado da economia portuguesa (bem mais saudável, afinal do que a doentia, leucémica economia a que nos levaram os governos PS e PSD com ou sem CDS com as sua políticas internas e de submissão aos interesses do capitalismo internacional, nomeadamente alemão, com a entrada na UE) cito partes do relatório da missão da OCDE a Portugal, em 15 de Dezembro de 1975:

« Parece ser opinião virtualmente unânime em Portugal que houve um catastrófico declínio na actividade económica no segundo semestre de 1974 e durante o ano de 1975…pode ser encarado como injustificado optimismo sustentar que, embora a situação seja muito fluída no principio de 1976, a economia portuguesa está surpreendentemente saudável…. Para um País que recentemente passou por reformas sociais, um mar de mudanças na sua posição no comércio externo e seis governos revolucionários nos últimos 19 meses, Portugal goza, inesperadamente, de boa saúde económica. Se o produto real caiu claramente em 1975, o declínio não foi precipitado.

A melhor estimativa é a de uma diminuição de três por cento no produto interno bruto(PIB).Em comparação com outros países da OCDE, a experiência portuguesa não parece ser muito pior do que a média. De facto, o desempenho da sua economia foi extremamente robusto quando as incertezas políticas de 1975 são levadas em conta. Em comparação, o declínio de PIB em 1975, nos Estados Unidos, foi de cerca de três por cento, na Alemanha Ocidental, próximo dos quatro por cento e na Itália quase quatro e meio por cento.»

E cito Vasco Gonçalves: «Aquilo que para os autores do relatório era surpreendente não o era para os responsáveis pela política económica dos governos provisórios. Foram precisamente as medidas de apoio às empresas para continuidade de produção e a garantia dos postos de trabalho, as mudanças estruturais, as nacionalizações da banca e dos seguros, dos sectores básicos da produção, das comunicações e transportes, a reforma agrária, a participação dos trabalhadores, as melhorias salariais que salvaram a nossa economia do colapso.

O parecer deste relatório foi confirmado por outra missão do MIT, que se deslocou a Portugal nos primeiros meses de 1976. O parecer mostra como eram falsas e tendenciosas as considerações sobre o estado da economia portuguesa feitas no Documento dos Nove

(citações a partir do livro Vasco Gonçalves- um General na Revolução, p.137)

 

A História far-se-á, porque com o tempo, os “pudores”, as cumplicidades, os mútuos favores trocados desaparecerão e surgirá límpida a verdade.

Ou como Saramago escreveu no livro Companheiro Vasco, p. 434:

«Esses dias que a História (a tal que para todos nós há-de olhar a frio) pesará numa balança, que gostaria de sonhar incorrupta. Se assim for, o seu outro nome será justiça, e esta será o sinal mais certo de que a escreverão filhos de trabalhadores e não os servos de pena e raspador que a burguesia usava pagar para justificar, desde a escola, o seu domínio

Além disso, o “Mundo pulará e avançará”.

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autarquias, Cultura, Fascismo, Política, Revolução

Quando ouvem falar em cultura, continuam a puxar logo da pistola

Sem título

Aqui, pelas margens do rio Sado, o CDS e os seus dirigentes continuam iguais a si próprios, fieis à herança e às melhores tradições trauliteiras da direita portuguesa.

João Viegas, dirigente do CDS e Deputado à Assembleia da República, à semelhança do Governo que apoia e para o qual a cultura pode muito bem encaixar-se numa qualquer Secretaria de Estado, não tem qualquer pudor em aprovar sucessivos cortes ao financiamento das autarquias locais, em apoiar o Governo que fecha a torneira para toda e qualquer expressão artística e cultural que não seja oca e de elogio ao regime, em aprovar políticas recessivas que conduzem as economias locais à ruína, em defender um Governo que não cumpre a lei das Finanças Locais e, ainda, apontar o dedo às autarquias que vão promovendo algumas iniciativas e investindo em infra-estruturas e na produção e fruição cultural.

Claro está que, no caso em concreto, ficamos sem saber se o problema está no preço pago pelos espectáculos ou nas comemorações do 25 de Abril, estou certo que se fossem concertos mais perto de um 25 de Novembro ou até de um 28 de Maio a indignação não seria tanta.

Repare-se na subtileza e fino humor do ilustre Deputado ao referir-se a um dos maiores e mais conceituados autores/cantores da língua portuguesa como o «camarada Sérgio Godinho», revelando o facciosismo que lhe tolda o pensamento e a demonstrar que é o preconceito político e ideológico que determina a sua intervenção e não qualquer preocupação com os dinheiros do Município.

Compreendo que quem sistematicamente se comporta desta forma perante as mais diferentes realizações artísticas e culturais tenha dificuldades em compreender a obra do Sérgio Godinho ou dos Naifa, mas já é mais estranho não ouvir nem uma palavra sobre os milhares de Setubalenses que na Praça do Bocage ou no Fórum Luísa Todi festejaram Abril e as suas conquistas, nem uma palavra sobre o papel das autarquias, neste caso do Município de Setúbal, na concretização da obrigação constitucional de garantir o acesso à cultura, promovendo a sua democratização, substituindo muitas vezes à Administração Central (apenas mais um comando constitucional com que este Governo tem dificuldade de conviver), nem uma palavra sobre o extenso programa de comemorações da Revolução em Setúbal.

Enfim, nem uma palavra, porque quando ouvem falar de cultura…

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Política

25 de Abril ! (…e a Constituição)

25 de AbrilComo e para onde? A elaboração de uma Constituição para a República foi uma das primeiras e mais importantes tarefas políticas do post 25 de Abril. A lei fundamental então aprovada representou a visão, os anseios e as opções do povo português.

Votada em 1976 pela esmagadora maioria dos constituintes e revista por diversas vezes, continua hoje a representar, no fundamental, a esperança que os portugueses colocaram no novo e brilhante futuro nascido naquele dia da Primavera de 1974.

A Constituição está certamente longe de ver os seus desígnios integralmente cumpridos. Mas mantém bem acesos os ideais de justiça e de fraternidade que estiveram na sua origem. Por alguns tudo fazerem para a contornar, obliterar ou manipular a seu belo prazer, recorde-mo-la, também pela História, por breves linhas:MFA-Povo+-+MFA+-+João+Abel+Manta

Preâmbulo da Constituição da República Portuguesa

A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista.

Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa.

A Revolução restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais. No exercício destes direitos e liberdades, os legítimos representantes do povo reúnem-se para elaborar uma Constituição que corresponde às aspirações do país.

A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno.”

Princípios fundamentais

Artigo 1.º
República Portuguesa

Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

 Artigo 2.º
Estado de direito democrático

A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.

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Geral

O NOVO QUE O VELHO ENGENDRA

Lá estive e guardarei uma vez mais os pensamentos e, sobretudo, as emoções que me percorreram numa tarde com nuvens que mais tarde choraram lágrimas abundantes sobre Lisboa; lágrimas que fortificaram as vontades, muitas, dos que ali gritavam: ABRIL SEMPRE! FASCISMO NUNCA MAIS!

Milhares de guarda-chuvas, capas, chapéus, boinas e milhares, milhares de cravos vermelhos nos peitos e nas mãos de idosos, jovens, homens, mulheres e crianças. O Sol escondido deixou que aqueles cravos estivessem bem charmosos até ao final: erguidos e belos, radiosos de um futuro que sempre os ligará a este Povo, estreitamente, na certeza, na alegria e na esperança.

Ninguém arredou pé daquela Avenida! Nela pairava uma outra claridade trazida por olhos abertos e profundos.

Trocaram-se sorrisos cúmplices, olhares ardentes e sentiu-se aquela magia fraterna da luta que se sabe justa e única!

Quase de um sonho, veio-me a voz poderosa de Luísa Basto: “ E se Abril ficar distante/ deste país, deste povo/ a nossa força é bastante/ para fazer um Abril Novo”.

A caminhada já vai longa; será um tortuoso caminho aquele que nos espera, bem o sabemos.

Uma vida passou por mim e tantos outros, mas no sangue, no coração e na cabeça permanecem as memórias de conquistas conseguidas com trabalho, com unidade e com a inquebrantável força dos que trabalham e sabem o valor do pão, da liberdade, da luta e da certeza que o novo está já em ebulição, já se engendra no velho que resiste ferozmente, moribundo e cruel.

A determinação estará connosco, companheiras e companheiros! Por cada um que caia, outros se levantarão e seguirão na senda da verdade e da construção de um Mundo onde todos serão iguais, fraternos e livres e a Natureza respeitada e feliz.

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Política

Abril é Lindo

Ainda era um menino quando tudo aconteceu. Estava na escola… e a escola fechou.

O estranho é que todos, lá em casa, se deitavam com o nascer do sol… e eu… não compreendia a razão para tanta euforia.

Só algumas horas depois é que entendi. A utopia tinha-se tornado realidade.

O sonho, que se encontrava guardado na lua, tinha descido à terra. Agora, o amor e o bem-querer eram o que de mais belo acontecia. Nunca tinha visto nada assim.

E havia tanta gente na rua…

Já nem me lembro de como era viver com medo, amargurado.

Éramos um país vestido de negro.

O 25 de Abril foi o meu primeiro dia de “alforria.”

Como eu amei esses tempos.

Não há amor como o primeiro!

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Geral, Política

Varrer Abril

Num dos seus últimos actos legislativos o governo cessante fez publicar o decreto-lei n.º 70/2011, de 16 de Junho.

Trata-se de um diploma integrado no programa SIMPLEGIS, que faz parte do SIMPLEX, com o qual o XVIII Governo Constitucional pretendia concretizar diversas medidas de simplificação legislativa, com três objectivos essenciais:

i) Simplificar a legislação, com menos leis;

ii) Garantir às pessoas e empresas mais acesso à legislação;

iii) Melhorar a aplicação das leis, para que estas possam atingir mais eficazmente os objectivos que levaram à sua aprovação.

Não todos, mas uma boa parte dos cidadãos têm a ideia de que, não obstante as intenções anunciadas, a justiça piorou em Portugal nos últimos seis anos, tantos quantos esteve Sócrates no governo.

E mais: piorou, não porque os magistrados, advogados, polícias e funcionários judiciais sejam incapazes, ou estejam piores, mas porque através de diversas intervenções políticas menos transparentes se debilitou o estado de direito.

Há quem, com conhecimento de causa, diga que aquelas medidas e atitudes prejudiciais perpetradas por vários agentes aconteceram deliberadamente para dificultar a aplicação da justiça, complicando as leis, fragilizando o sistema e criando intersticios por onde os criminosos se escapam.

Mas, porque se trouxe à colação o DL 70/2011? Continuar a ler

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Política

Conspirações

Mário Soares confessa, numa recente entrevista ao jornal I, que conspirou muito em 1975. Estaria mais próximo da verdade, se confessasse que conspirou desde sempre e que conspirar contra o fascismo não terá a parte de leão nessa sua continuada actividade.

Agora revela que conspirou com D. António Ribeiro e que só assim encheu o tristemente célebre comício da Fonte Luminosa. Todas as semanas o encontrava tal como se encontrava regularmente com Frank Carlucci, e bem poderia acrescentar mais uma série de nomes mais e menos sonantes que activamente e logo na manhã do 25 de Abril começaram a socavar a Revolução.

Pelo andar das confissões mais algumas coisas iremos saber do que já se sabia. Outras coisas ficam sempre envoltas em névoas pouco esclarecedoras. O dr Soares poderia puxar pela cabeça e revelar as fontes de financiamento para essas conspirações se concretizarem. Quem eram os emissários e os principais destinatários. Como é que o dinheiro circulava e era distribuído. Quanto se perdeu pelo caminho não chegando ao seu destino desviado para outros usos, coisas talvez inevitáveis naquelas turbulências, mas que devem ter dado largo proveito a alguns.

O que o dr Soares nunca confessará é que o estado a que o país chegou, o estado à beira da falência em que estamos, submetidos aos ditames de Washington e Bruxelas, prestando vassalagem ao grande capital, é a consequência directa das conspirações contra o 25 de Abril em que foi uma das personagens centrais, uma das marionetes maiores e mais coloridas do grande guignol contra-revolucionário, manipulado à distância nos centros decisórios do imperialismo.

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Política

Culpado, eu?

Nos últimos dias, a propósito da crise e da ingerência do FMI, ouvi, com frequência, que todos somos culpados pela situação a que chegou o país. Parece que todos temos culpa do défice, da baixa produtividade, do aumento do IVA, da redução dos benefícios fiscais, das parcerias público-privadas ruinosas, das portagens nas SCUTs, da nacionalização do BPN, da morosidade da justiça, da destruição do aparelho produtivo nacional e da baixa capacidade exportadora da nossa indústria. Todos somos culpados da intervenção do FMI, do ataque das agências de rating, das elevadas taxas de juro da dívida soberana, da desconfiança dos mercados, das licenciaturas tiradas ao domingo, dos centros comerciais construídos em zona que era protegida. Querem fazer-nos crer que assim é. Querem incluir-nos na equação para, assim reduzir ou mesmo anular as responsabilidades que têm no estado a que isto chegou.

A linha da culpabilidade colectiva segue-se à linha discursiva que inaugurou a crise e que obedecia ao simples, mas eficaz,  argumento justificativo da desgraça das contas públicas. Era o tempo do “mundo mudou”, como se, por cá, ninguém tivesse nada a ver com isso. Daí até sermos todos culpados, foi um passo. O PS, que está no Governo há seis anos consecutivos, tentava reduzir a sua culpabilidade; o PSD apanhava a boleia; o CDS fazia-se de inocente. O arco governativo desaparecia de repente. Começava assim a campanha eleitoral, a batalha pela desresponsabilização pelas políticas seguidas pelo tal “arco governativo”, acompanhada da brilhante estratégia de responsabilizar o adversário pela crise, de criar a ideia de que o chumbo do PEC IV foi a nossa desgraça, como se a desgraça não fosse o próprio PEC, o próprio Governo que o impunha e as políticas que seguiu.

Apetece, pois, parafrasear o primeiro ministro, num aparte parlamentar a uma declaração do líder do BE: culpado é a tua tia pá! Continuar a ler

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Política

Otelo, a culpa não é tua!

Com a franqueza ingénua que sempre o caracterizou, Otelo Saraiva de Carvalho, um dos heróis do 25 de Abril, afirmou recentemente que “se soubesse que o país ia ficar assim, não fazia a revolução”. Uma ideia partilhada por muitos, nestes momentos de crise e depressão colectiva. Terá o “desabafo” de Otelo fundamento ou antes significará o anunciado fim de uma época?

O que seria o país se um punhado de jovens capitães não se tivesse revoltado e derrubado o regime há trinta e sete anos? Ninguém sabe como o velho “Estado Novo” teria evoluído, mas é certo que, pelo menos, as guerras coloniais se teriam prolongado. Não sabemos como acabariam nem qual seria a solução. A História faz-se com o que aconteceu e a questão colonial era, em 1974, absolutamente crucial para o futuro de Portugal.

A partir de 1976 e com a abrupta e traumática descolonização praticamente concluída (faltava digerir as suas consequências, nomeadamente o regresso de centenas de milhar de portugueses à metrópole), o país ficou, qual jangada de pedra, como que à procura de um novo rumo para o seu futuro. Por entre a utopia revolucionária apostou todas as suas “cartas” na adesão à CEE. Um enquadramento territorial e estratégico que substituiu no imaginário dos portugueses os sonhos coloniais pela promessa de uma mais pragmática melhoria das condições de vida. De país “orgulhosamente só” e “pobrezinho mas honrado” aspirou a pertencer ao clube dos países da Europa rica. O sonho da “Europa está connosco” foi-lhe estimulado e apoiado por potências ocidentais receosas dos movimentos sociais que viram irromper após o 25 de Abril nas fábricas, nas escolas e nos campos do Alentejo e Ribatejo, imaginando Lisboa ocupada por tropas do pacto de Varsóvia e um governo comunista em São Bento.

É verdade que a adesão à CEE nunca foi referendada, foi uma mera decisão tomada pelos actores políticos. O mesmo é igualmente verdade para todos os outros actos que progressivamente integraram (e desmantelaram importantes sectores da) economia portuguesa. Nunca em Portugal foi referendado um tema relativo à integração europeia. Nunca nada foi perguntado aos portugueses O último episódio ocorreu com o malogrado tratado que instituía a “Constituição Europeia” que deveria ter sido objecto de um referendo, conforme promessa eleitoral do Partido Socialista em 2005, mas que acabou aprovado por um acordo com o PSD. Houve sempre quem se opusesse, mas sempre foi minoritário e classificado de extremista. Continuar a ler

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Setúbal

Natal em terra de trabalho

Presépio de Natal, em primeiro plano, tendo por fundo o monumento ao 25 de Abril e às nacionalizações, em Setúbal.

A imagem representa, de algum modo, uma das sínteses dos nossos tempos: a tradicional comemoração natalícia, que faz parte da matriz cultural  dos portugueses, e o testemunho de lutas políticas e sociais centenárias que têm contribuído para a melhoria da sua condição de vida.

O monumento foi construído e oferecido à Cidade, em 1985, pelos trabalhadores da Setenave. Um projecto dos  escultores Virgilio Domingues e António Trindade e do arquitecto Rodrigues Ollero.

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