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A Tragédia Grega e a Miséria Moral da Europa

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Cada dia, cada hora mostra a duplicidade, o cinismo, a falta de ética dos mangas-de-alpaca europeus e da sua aliada no FMI. A miopia política é agravada pela miséria moral que anda à solta nos corredores de Bruxelas.

As últimas declarações de vários responsáveis europeus, em particular de jean-Claude Juncker são a demonstração mais acabada do estado de podridão intelectual dessa gente.

Juncker tem o supremo desplante de se apresentar como vítima da intransigência do governo grego. Diz-se traído nos seus esforços, dele e da camarilha que o rodeia, em manter a Grécia no euro, para bem do grande capital. Sabe muitíssimo bem que a troika, agora chamada de instituições, foi encostando o governo grego à parede, obrigando-o a ir de cedência em cedência até a um ponto em que era impossível ao governo do Syriza recuar mais sem perder totalmente a credibilidade que lhe restava depois de terem ultrapassado todas as linhas vermelhas, todas bem longe do inscrito no programa de Tessalónica, a base do seu programa eleitoral que foi sufragado pelo povo grego nas últimas eleições. As cedências do governo do Syriza riscaram muitas das medidas proclamadas, reformularam outras até as tornar irreconhcíveis, atiraram outras tantas para as calendas numa tentativa de se manter “ na sua casa comum, a Europa”, Foi o governo do Syriza que foi adequando a sua proposta inicial às do nefando memorando da troika. A sua promessa de romper com os memorandos, como tinha gritado alto e bom som, já nem era um eco a soar frágil entre as colunas do Partenon. O relato que Varoufakis publicou no seu blogue sobre a reunião de 27 de Julho, sobre o rompimento das negociações, evidencia a torpeza do Eurogrupo e o desespero do Syriza em não romper com a Europa, rasgando muito, quase todo, o seu programa eleitoral. O mandato que o povo lhe conferiu. Nada comoveu e demoveu a voracidade das instituições a mando do grande capital.

O referendo que vão realizar é de facto um novo programa eleitoral em que aceita quase tudo o que lhe foram impondo. Desde as primeiras propostas até às que hoje foram conhecidas o Syriza foi atirando para a fogueira europeia  s suas promessas eleitorais, mostrando a sua debilidade ideológica, a fragilidade dos seus príncipios. Quem não recua praticamente nada é a troika, como se pode ler na sua última proposta.

Apesar diso tudo a inefável Europa continua a chantagem contra o referendo. Na primeira linha Jean Claude Juncker, um tipo sem vergonha au vem a público desnudar o seu cinismo, a sua doblez que não tem fronteiras, não tem limites. Diz-se traído, puxa dos seus galões de europeísta convicto, pronto a sacrificar-se no altar da Europa Comum. É o mesmo Juncker que traíu os seus parceiros da europeus quando, primeiro-ministro do Luxemburgo, fez acordos por baixo da mesa com  mais de 300 grandes empresas desviando milhares de milhões de euros do tesouro de vários países, Grécia incluída, que fugiam ao fisco através desse paraíso fiscal no centro da Europa, um Luxemburgo membro desde a primeira hora da Europa Connosco. Candidato a presidente da Comissão Europeia, justificou as suas patifarias, um modo delicado de as classificar, com a sua legalidade. Não haviam de ser legais! Era ele que as tornava legais, promulgando as leis. O que só pode fazer inveja aos Al Capones que não podendo fazer leis, eram “obrigados” a  impô-las recorrendo às bala. A diferença está no armamento de que cada um dispunha. É este Juncker, agora presidente da Comissão Europeia que continua a brandir a bandeira da solidariedade, da firmeza nos príncipios.  È este Juncker que tem o desplante de dizer “sinto-me traído porque os meus esforços e o de outros não foram tidos em conta” (…) “ não propusemos cortes nos salários e nas pensões” uma mentira tão descarada que foi a própria Comissão Europeia que imediatamente o desmentiu, chamaram rectificação! Um nojo!

Os outros não enojam menos. O presidente do do grupo parlamentar do PPE vem a terreiro gritar que “ Tsipras devia abandonar os jogos florais e assumir as suas responsabilidades perante o povo grego” Pois devia , devia. Os jogos florais de Tsipras são o atirar para o lixo o programa eleitoral pelo que o povo grego o elegeu. Essa é que é a sua grande responsabilidade e não a que está implicita na crítica desse mandarete.

Outro descarado sem-vergonha é Schaulbe que diz ter pena do povo grego! Esse carsa-de-pau que na Europa, depois da II Guerra Mundial a Alemanha é a campeã dos incumprimentos, das reestruturações e dos perdões da dívida. Que nãom indmenizou a Grécia, dos roubos e da destruição que fez na Grécia!

É esta a Europa, os dirigentes europeus que temos que dão ordens, que escrevem e impõem leis para tornar legais os seus desmandos.

A Europa está podre! A miséria moral, a hipocrisia, a sua conduta contra os povos, ao serviço dos mercados andam à rédea solta com os meios de comunicação social pela trela.

À Grécia um último rasgo de dignidade, votando NÃO no referendo, com a incerteza ou com a quase certeza, que as medidas anti-populares, contra o povo grego, não as originais da troika em linha com as que durante seis anos, com os governos PASOK e Nova Democracia implementaram com os resultados que estão à vista do mundo,  mas outras igualmente duras, vão continuar,  que é o que as cedências das novas propostas do governo Syriza anuncia. O mau é sempre mau, mesmo que não seja o pior, porque pior é sempre possível. Uma tragédia em que a luz da esperança é fraca e bruxeleante no meio do pantano desta degradação. Seremos os condenados da terra a esta danação? Ontem como hoje a evidência da necessidade e a urgência dos povos de todo o mundo se unirem contra a ditadura bárbara e totalitária dos mercados!

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Libido 4

Depois do acordo de princípio, alinhavado entre o governo grego e a CEE, das múltiplas declarações entre os protagonistas e o que os nossos (des) governantes foram comentando em desbragada linguagem, recomendamos um fim-de-semana alucinante à espera dos próximos capítulos desse teatro escabroso em que se procura esfolar a democracia.

WOLFANG E MARIA LUIS

“Campo de Concentração Austeridade”, “Loucos por Coligações ou São Bento e os 120 Dias de Sodoma”, ”Portugueses mais um esforço para continuarem a ser Esmifrados” e ”Contos para Adultos dos Tarados das Reformas Estruturais”, quatro filmes para maiores de dezoito anos, recomendados para um fim-de-semana acabrunhante, à espera da lista grega a ser entregue em Bruxelas.

Os dois primeiros são protagonizados por Maria Luís Albuquerque e Wolfang Schaulbe e Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, duas das duplas mais famosas no mundo da pornografia financeira, do cinismo político e da crueldade social. Os dois últimos são grandes orgias, celebrando os infortúnios da austeridade com os quatro protagonistas e narração de Cavaco mergulhado no fundo do Poço de Boliqueime, Opções adicionais discursos, entrevistas, declarações dos protagonistas, não recomendadas por questões de higiene mental.Coelho POrtas

Aviso muito importante: os filmes contém cenas sadomasoquistas que podem ferir a mais empedernida sensibilidade, mesmo dos mais experimentados.

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A Grécia, a CEE os seus mandantes, seus mandaretes e monicas lewinskis

A ESPERA DOS BÁRBAROS

— Que esperamos na ágora congregados?

 

Os bárbaros hão-de chegar hoje.

Porquê tanta inactividade no Senado?

Porque estão lé os Senadores e não legislam?

 

Porque os bárbaros chegarão hoje.

Que leis irão fazer já os Senadores?

Os bárbaros quando vierem legislarão.

 

Porque se levantou tão cedo o nosso imperador,

e está sentado à maior porta da cidade

no seu trono, solene, de coroa?

 

Porque os bárbaros chegarão hoje.

E o imperador espera para receber

o seu chefe. Até preparou

para lhe dar um pergaminho. Aí

escreveu-lhe muitos títulos e nomes.

 

— Porque os nossos dois cônsules e os pretores

saíram hoje com as suas togas vermelhas, as bordadas

 

porque levaram pulseiras com tantas ametistas,

e anéis com esmeraldas esplêndidas, brilhantes;

porque terão pegado hoje em báculos preciosos

com pratas e adornos de ouro extraordinariamente cinzelados?

 

Porque os bárbaros chegarão hoje;

e tais coisas deslumbram os bárbaros.

 

– E porque não vêm os valiosos oradores como sempre

para fazerem os seus discursos, dizerem das suas coisas?

 

Porque os bárbaros chegarão hoje;

e eles aborrecem-se com eloquências e orações políticas.

 

– Porque terá começado de repente este desassossego

e confusão. (Como se tornaram sérios os rostos.)

Porque se esvaziam rapidamente as ruas e as praças,

e todos regressam as suas casas muito pensativos?

 

Porque anoiteceu e os bárbaros não vieram.

E chegaram alguns das fronteiras,

e disseram que já não há bárbaros.

 

E agora que vai ser de nós sem bárbaros.

Esta gente era alguma solução.

                                                               Konstandinos Kavafis

(tradução Joaquim Manuel Magalhães/Nikos Pratsinis)

ovelhas

 

Os cônsules, pretores que entre dois partidos sozinhos ou coligados, se sucediam na Grécia, impondo ao povo grego as soluções dos bárbaros foram democraticamente derrotados. As iníquas reformas estruturais, um saco de mentirolas que nada reestrutura e tudo destrói,  que garrotavam a economia, aumentavam a dívida, mantinham os privilégios da oligarquia, aprofundavam  a corrupção, atiravam cada vez mais gregos para a miséria e o desemprego, foram democraticamente derrotadas. Quem venceu pelo voto, propõe outro caminho para sair da crise, caminho dentro do quadro político, económico e social dos bárbaros. Nem isso os bárbaros aceitam. Inquietam-se porque não querem que seja sequer possível pensar que há outras saídas para a crise económica dos países que se debatem com dívidas que são impagáveis, consequência da crise mais geral da Europa tatuada no sistema que se arrasta agónico mas que se julga eterno, sem alternativas.

Governantes e seus sequazes querem ditar, impor as suas leis sobre os países devastados por uma estúpida cegueira que alimenta os oligopólios financeiros, promove uma crescente desigualdade social, instala um desastre económico e social de proporções inquietantes. Mentem manipulando as estatísticas para travestir o desastre. Mentem. mentindo sempre e, sem pudor,  fazem circular a mentira por uma comunicação social mercenária ao seu serviço.

Na CEE, os países que se sujeitaram às receitas das troikas, viram as suas dívidas em relação ao PIB aumentar exponencialmente entre 2007 e 2014. Irlanda 172%, Grécia 103%, Portugal 100%, Espanha 92%. A dívida mundial que em 2007 era de 57 biliões de dólares, em 2010 foi de 200 biliões de dólares, ultrapassando em muito o crescimento económico. Tendência que continua o seu caminho para o abismo, em benefício dos grandes grupos financeiros, entrincheirados nos chamados mercados. O chamado serviço da dívida, os juros, são incomportáveis. São esses os êxitos de uma política cega submetida à ganância usuária que não tem fronteiras ou qualquer ética.

Os governos deixaram de estar ao serviço dos seus povos, nem estão sequer dos seus eleitores. São correias de transmissão dos oligopólios financeiros que se subtraem a qualquer escrutínio democrático ou outro de qualquer tipo. Traçam um quadro legal que os suporta e legitima a ilegitimidade. A democracia é uma chatice, um entrave, um pauzinho nessa gigantesca engrenagem que nos atira barranco abaixo, com efeitos devastadores para a humanidade. Nada interessa a não ser o lucro de quem especula sem produzir nada. As pessoas são uma roda nessa engrenagem.

chaplin

Charlie Chaplin, TEMPOS MODERNOS

Quem não caminha ordeiramente nesse rebanho, quem se opõe, mesmo que mandatado e sufragado democraticamente, é considerado irresponsável, como disse o ogre Wolfang Schauble, ministro da economia da Alemanha, em relação à Grécia. As suas enormidades ecoam pela boca dos seus bufões, das suas monicas lewinskis por todos os cantos de uma Europa submissa aos diktats do bando de arruaceiros financeiros que rouba a tripa forra países e povos. Em Portugal, as nossas monicas lewinskis são mais fatelas, mais rascas com se tem visto e ouvido de Cavaco a Passos Coelho, de Portas a Pires de Lima mais a matilha dos seus sarnentos rafeiros de fila. Espumam raiva, ódio dos ecrãs televisivos às ondas radiofónicas. Quem se atreve a riscar, ainda que levemente, essa realidade em que nos enforcam é logo atacado e silenciado quanto baste por essa matilha de pensamento ulcerado.

Os burocratas europeus dogmáticos, leitores e intérpretes da cartilha neoliberal dizem que a realidade é assim mesmo! Será?

A realidade nunca é a realidade que nos querem impingir como Aragon tão bem descreveu. Há mais vida para lá desse biombo com que a querem esconder qualquer luz, mesmo bruxuleante, de esperança para a humanidade.

ISTO È UMA OVELHA,escultura de João Limpinho

 

AS REALIDADES

Era uma vez uma realidade

com as suas ovelhas de lã real

a filha do rei passou por ali

e as ovelhas baliam que linda ai que linda está

a re a re a realidade

Era uma vez noite de breu

e uma realidade que sofria de insónia

então chegava a fada madrinha

e placidamente levava-a pela mão

a re a re a realidade

No trono estava uma vez

um velho rei que muito se aborrecia

e pela noite perdia o seu manto

e por rainha puseram-lhe ao lado

a re a re a realidade

 

CODA: dade dade a reali

dade dade a realidade

A real a real

idade idade dá a reali

ali

a re a realidade

era uma vez a REALIDADE.

Aragon

(tradução António Cabrita)

ceci nést pas une pipe

pintura de Magritte

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A Persistência da Cassete

acasseteFrancisco Seixas da Costa mantém um blogue, genérico nos temas que versa, que se lê com interesse.

Cruzamo-nos algumas vezes. Amigos meus, muito próximos, alguns desaparecidos, entre outros Bartolomeu Cid dos Santos, Fernanda Paixão dos Santos, Pedro Pedreira, incluem-se na sua vastíssima roda de amizades.

Frequento, com bastante irregularidade, o seu blogue em acordo variável com as opiniões que emite. Em franco desacordo com o que escreve quando se refere ao meu partido, o Partido Comunista Português, onde somos todos desumanos no dizer de um dos seus seguidores, o que não mereceu contradita do autor do “post” pelo que, com propriedade, deduzo que considera ajustado tal epíteto, em linha com o conteúdo do texto que provocou a dita observação. Um “post” em que a pretexto da morte de Francisco Canais Rocha, declara: “Nunca na minha vida consegui condenar alguém que, sob tortura, tivesse “falado”. Sei lá como me portaria se tivesse de suportar idênticas circunstâncias! Tenho amigos que “falaram” e outros que “não falaram” na cadeia. Não tenho menor ou mais apreço por eles, por essa razão. Acho assim miserável que o PCP nunca tivesse reabilitado este seu antigo militante. Um partido também se mede pela sua humanidade.”

Também eu nunca condenei ninguém por ter “falado” na cadeia. Quem está submetido a selváticas torturas só se estiver disposto a morrer as pode suportar até ao extremo limite. São muitos os camaradas que heroicamente ultrapassaram as violências inomináveis a que foram sujeitos. Sem essa determinação, num exemplo abstracto mas real, quem suporte a ferocidade de dez dias de tortura de sono, estátua, agressões físicas e psicológicas, chegue ao fim desse tempo resistindo, até aos verdugos desistirem, fica sem saber se na hora seguinte, na meia hora seguinte, no quarto de hora seguinte, a sua resistência não seria quebrada. Iria, numa fracção de segundo, do Capitólio para a Rocha Trapeia. Por isso, nunca condenei ninguém que “falou”, para usar a gíria em uso. Os limites da resistência humana são infinitos mas sempre desconhecidos. Honra para quem, em nenhuma circunstância, falou ou falaria, por terem a determinação que referi.

Esclarecido este ponto considero que Seixas da Costa deveria cuidar melhor do que afirma. São muitos os militantes do PCP que “falaram” e que, depois do 25 de Abril, voltaram a militar activamente no seu Partido. São muitos os militantes do PCP que “falaram”, e estão hoje no PCP, de militantes de base a dirigentes, mesmo no Comité Central, ou que foram deputados tanto na Assembleia da República como no Parlamento Europeu. São hoje bastante menos do que foram depois do 25 de Abril. Menos, unicamente pela lei da vida. Estas evidências arrasam a acusação de o PCP ter “ausência de humanidade”. O PCP diferencia-se de outros partidos onde o rancor mesquinho, de alguns dos seus mais altos dirigentes, atira à mínima divergência sem hesitações para o inferno alguns dos seus companheiros, mesmo os mais próximos, até íntimos. Seixas da Costa deveria informar-se melhor antes de incorrer em erros e emitir juízos que põem em causa a sua credibilidade.

Ao ler outros “posts” poderemos concluir que há um objectivo, mais geral. O de demonstrar, por fás e nefas, a impossibilidade de um acordo de esquerda por culpa do PCP.

Num “post” mais recente, a pretexto de um artigo do Avante! sobre a queda do Muro de Berlim, é delicioso assistir ao alinhamento do texto que vai de um paternalismo à beira da abjecção que embrulha em ternura por uns supostos saudosos de um passado próximo e por um “ PCP (que é) hoje um museu de si próprio, que deve ser conservado com todo o cuidado que sempre deve ser concedido às espécies em extinção” para concluir “que (é) um partido a quem tenho, como muitos portugueses, uma eterna dívida de gratidão pela sua inigualável e sacrificada luta para derrubar a ditadura”. Continuar a ler

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Barranco de Cegos

1- CABEÇAS “PENSANTES”

Nos prados verdes e viçosos da nossa comunicação social os inúmeros comentadores pastam com o sorriso alegre, ruminante e beato de quem olha o futuro com a certeza da eternidade dos mercados mesmo quando a sua queda livre já nem sequer é anunciada, é um facto. Uma realidade inquietante por coexistir com os sinais de confrontos, cada vez mais frequentes, que vão dos debates diplomáticos mais aparentemente civilizados àqueles em que a diplomacia se exerce pelo uso da força, das sanções à intervenção militar, a sua forma extrema.

vaca

Nada disso remove o sorriso bovino da multidão de comentadores em concorrência ao que Cavaco Silva revelou ao mundo embasbacado, ter descoberto nas vacas açorianas. Os géneros são os mais diversos cobrindo largo espectro. Dos mais sofisticados que se esforçam por parecer independentes e lançam boias para que o sistema não se afogue nas suas próprias contradições aos que, dotados de enorme espessura óssea, arremetem contra a realidade como arietes medievais a rebentar portões das cidadelas onde ela se refugia para a ferir de morte ao som do alarido das carpideiras a entoarem os improváveis amanhãs que cantam do império.

Uma dessas luminárias, cegas pelo furor de acreditar teologicamente no futuro da ordem unipolar no mundo, é Miguel Monjardino (MM) que todas as semanas arrota tonteiras, o que faz presumir como atormenta as meninges dos seus alunos na Universidade Católica que, quando chegam à rua, devem ficar atónitos verificando que ou a realidade naqueles minutos de trânsito mudou quase completamente, ou que pouco do que lhes foi impingido tem a ver com ela.

A sua crónica no Expresso de 25 de Outubro é o exemplo acabado de um pretenso Tirésias de vão de escada que à cegueira física soma a cegueira mental que o torna num completo incapaz de ler o presente e prever qualquer futuro. O tema “Energia e Política”, em que, referindo a Ucrânia, as eleições que se iriam realizar nesse fim-de-semana, faz considerações sobre questões geoestratégicas relacionadas com a energia, as finanças, os equilíbrios globais.

Em duas penadas despacha as questões energéticas actuais para fazer duas demonstrações: 1ª O orçamento russo é muito dependente das exportações de petróleo e gás, o que a torna muito vulnerável e um país muito fraco. 2º Os EUA lideram a revolução energética a nível mundial e a influência de Washington na regularização da globalização financeira nunca foi tão grande.

2. MERCADOS DAS ENERGIAS

O estado actual dos mercados energéticos é muitíssimo mais complexo do que que MM supõe. Quanto ao segundo pressuposto é o avesso da realidade. O objectivo de MM é linear. Comungou a hóstia macdonnald do mundo unipolar com a fé de quem acredita que será dirigido para lá dos séculos pelos seus donos que atiçam a canzoada: ladrem, ladrem, quanto mais ladrarem menos gente olha para os nossos pés de barro.

PETROLEO

A turbulência dos mercados do petróleo é dominada pelo baixo preço do barril de petróleo que resulta, por um lado do abrandamento da economia mundial, por outro por a Arábia Saudita estar a inundar o mercado com petróleo, chegando a vendê-lo aos seus clientes asiáticos a US$50/60 o barril. A decisão da casa Saud pode ser o resultado de um conluio EUA/Arábia Saudita, para atingir, em primeira linha, a Rússia, em, segunda linha o Irão, depois todos os outros países produtores. Mas a primeira consequência é arrasar os mercados de futuros, sem ainda serem previsíveis as consequências, sobretudo nas bolsas de Nova Iorque e Londres, as principais praças desse “produto” financeiro. Tudo isto é menos que linear, mas faz MM, do alto da sua fissurada ciência, decretar impante, como todos os ignorantes o são, que “a revolução energética é agora liderada pelos EUA”. Não percebe que a entrada da Arábia Saudita nessa trama, ao atingir fortemente a Rússia, cujo PIB muito depende das exportações de petróleo e gás o preço barril terá que ter um patamar mínimo de US$ 100, tem efeitos colaterais brutais, alguns ainda não entrevistos.

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3-NOVAS FONTES ENERGÉTICAS

Os norte-americanos são neste momento energeticamente autossuficientes, têm capacidade exportadora por via da produção de óleo e gás de xisto, o “shale”. Só que o preço de extracção do “shale”. Só que o preço extracção do “shale ”números da Agência Internacional de Energia (AIE), varia entre os US$ 60/85, barril igual ou superior ao actual preço de mercado do barril de petróleo. No seu valor mínimo só um preço acima dos US$105/barril remunera essa produção. É de referir que os investimentos são enormes porque os poços esgotam-se praticamente na primeira perfuração. Isso sem referir o desperdício de água, necessária em volumes brutais, os impactos ambientais A poluição das águas subterrâneas consequência do “fracking” começa a ser severa e preocupante. Outros fenómenos como o aumento de sismicidade, já cientificamente comprovada, e outros enunciados mas ainda não mensurados, tornam a produção de “shale” controversa.

Shale

O conluio entre a Arábia Saudita e os EUA, que tem o objectivo de levar a Rússia á falência e submeter o Irão aos ditames do império, acaba por ter um efeito de ricochete nos EUA, que a Arábia Saudita utiliza em proveito próprio procurando ocupar o lugar agora deixado quase vazio pelos outros grandes produtores, como a Líbia e o Iraque. Trava as veleidades exportadoras dos EUA, porque a produção de gás das rochas betuminosas é marginal e mesmo que não fosse não existem infraestruturas para a sua exportação. A outra face dessa “revolução energética é que, embora a extracção de hidrocarbonetos de rochas compactas tenha aumentado a bom ritmo, os operadores têm-se endividado de forma brutal. O custo e as exigências continuadas de investimento, não é coberto pelas receitas geradas. Ivan Sandrea, da Oxford Institute for Energies Studies, num relatório recente afirma: “quem pode ou vai querer, financiar a perfuração de milhões de hectares e centenas de milhar de poços com prejuízo permanente? (…) A benevolência dos mercados de capitais dos EUA, não pode durar para sempre”. Análises da Blombreg e do Barclays concluem que cada US$1 ganho custou US$2,11. O que é insustentável a curto e médio prazo e está sobre forte pressão dos actuais preços do barril de petróleo, impostos pela Arábia Saudita. Este é a radiografia da “revolução energética a nível mundial é agoira liderada pelos EUA“ que faz salivar de alegria MM, porque com os seus fracos recursos em massa cinzenta, um bem que mesmo escasso é gratuito, não vê que essa revolução energética tem mais razões políticas que económicas, o que a torna frágil e de futuro, a curto e médio prazo, mais que incerto.

Outra ficção é o “light crude” saudita acabar por substituir as outras importações de petróleo europeias. A transformação das refinarias para o “light crude” exige investimentos incomportáveis. A Europa beneficia no curto prazo, mas não a médio prazo.

4-DÓLAR, PETRODÓLARES

As primaveras árabes, a guerra no Iraque e na Síria, a emergência dos islamitas radicais, os vários braços da Al-Qaeda, tudo invenções dos serviços secretos norte-americanos ao serviço de uma política expansionista e de defesa do petrodolar e com o fim último de cercar a China e a Rússia, tem sido postas activamente em prática. Saddam Hussein, embora com restrições violentas à exportação do seu petróleo, começou a vendê-lo em euros. Kadhaffi, estava a tentar implementar um sistema de venda do barril de petróleo em dinar-ouro. Na Síria estava ser projectado um oleoaduto e um gasoduto para dar acesso directo ao Mediterraneo ao gás e ao petróleo do Irão. Estão explicados os conflitos, o frenesi de agitar as rotas bandeiras dos direitos humanos e da democracia esburacadas pelos interesses económico-finnceiros. A opinião sobre estes conflitos de alguns diplomatas que andam por aí a perorar dariam vontade de rir se a situação mundial não fosse tão séria.

Ainda em relação à energia MM diz e bem, pepitas raras de verdade são largadas de quando em vez para dar credibilidade ao disparate, que a Europa vai demorar uma década a ser energeticamente independente da Rússia, para concluir que a viragem da Rússia para a China é uma miragem. Em menos de dez anos prevê-se que os oleadutos entre a Rússia e a China entrem em funcionamento, pelo que não se percebe onde habita a miragem.

A política do petróleo a um preço artificialmente baixo tem consequências que não podem ser mensuráveis com certezas absolutas, pelos efeitos perversos que tem sobre quem a prática e apoia. Em relação aos EUA tem uma exigência não negligenciável: manter o dólar, com variações mínimas, à cotação actual. Garantir a cotação exige a sobrevivência do petrodólar, resultante de um acordo EUA/Arábia Saudita, que impôs o dólar como moeda de referência nas transacções de petróleo, depois adoptado por outros países da OPEP, e o dólar como moeda de referência nas transacções internacionais. MM sabe quanto essa premissa é fundamental e arremete contra todas as evidências. Decreta que “a influência de Washington na regulação da globalização financeira nunca foi tão grande como agora”. Isto já não é um disparate. É uma alarvidade todos os dias desmentida pelas mais diversas e inquestionáveis fontes.

5- DÓLAR À BEIRA DO ABISMO

Um alerta vem do FRED (Federal Reserve Bank of St.Louis) que noticia que só num ano, 2008; foi criado quase tanto dinheiro (817.904 milhões de dólares) como nos 63 anos anteriores (de 1945 a 2008 821.686 dólares). Que nos seis anos de crise, Janeiro de 2008/Setembro 2014, foi criado quatro vezes mais dinheiro do que entre 1945/2008.

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Quer dizer, sem resolver a crise, a tipografia não parou de imprimir notas verdes. Um sinal de que tudo está a correr mesmo muito mal é o FED ter deixado de divulgar as estatísticas de M3 (M1, dinheiro em circulação e dinheiro depositado em contas à ordem. M2 M1 mais dinheiro depositado em contas a prazo e pequenos instrumentos de poupança. M3, M2 mais os grandes instrumentos de poupança, eurodólares, outras divisas, etc.). a partir de Março de 2006, ocultando deliberadamente esse indicador. O que vale o dólar? O primeiro sinal de alarme vem do mercado do petróleo. O dólar, os chamados petrodólares só são agora usados em 75%/80% das transacções mundiais. Pior é a situação do dólar como moeda de trocas comerciais. Os BRICS decidiram fazer as transacções entre si nas suas moedas. A China e o Japão, os maiores parceiros comerciais asiáticos, usam as suas moedas desde 2012. A tendência para abandonar o dólar é crescente já atinge mais de 30% das transacções comerciais mundiais,  tendência em aceleração. Um editorial recente do Wall Street Journal, avisa para o enorme perigo de nos próximos três anos o dólar só estar presente em 50% das transacções comerciais mundiais e nos cinco anos seguintes tornar-se uma moeda quase irrelevante. Mais pessimistas são alguns analistas neoliberais. Lord Christopher Monckton de Brenchley, um dos assessores e mentores de Margaret Thatcher escreve um artigo com o título “The dollar colapse not whetter, but when”, que a falência do dólar é uma questão de tempo , porque os EUA, com uma dívida gigantesca aumentam-na em 64 000 dólares a cada segundo!!!

dolar a arder

Jeremy Levy, economista que previu a crise do subprime, avisa a forte probabilidade de crash em 2015 .Peter Singer, que gere um dos maiortes fundos de investimento o Trust Investment Elliot Managenement, calculado em 5 400 mil milhões de dólares, escreveu uma carta aos seus investidores, carta também reproduzida na Bloomberg News, avisando-os que não é prevísivel o tempo que irá durar uma política com dados de crescimento falsos, com postos de trabalho falsos, com dinheiro falso, com investimentos falsos, com financiamentos falsos. Os alertas disparam de todos os lados. A confiança que dava ser dono da tipografia e de se poder imprimir notas verdes a toda a hora para as injectar na economia, foi chão que deu uvas. Poderão ser previsões excessivamente pessimistas, mas noutros tabuleiros a realidade move-se.-

5- REALIDADES EMERGENTES

Os indicadores acumulam-se. Segundo o FMI o PIB da China; 17,6 biliões de dólares, 16,5% do PIB mundial ultrapassou em Setembro o dos EUA,17,4 biliões de dólares, 16,2% do PIB mundial. Os analistas do FMI e do BMI, previam que isso só acontecesse em 2016. Um facto a sublinhar porque a última vez que isso sucedeu foi em 1876 quando os EUA ultrapassaram aa Grã-Bretanha.

EUA CHINA

As previsões do FMI para 2015 são catastróficas para os EUA. A diferença entre os dois países será superior a dois biliões de dólares.

Outra novidade registada nos estudos do FMI é que o poder de compra G7- EUA, Japão, Canadá Inglaterra, França. Itália, Espanha, foi ultrapassado por um novo G7- China. India, Rússia, Brasil, Indonésia, África do Sul, Turquia em dois mil milhões de dólares.

G7

Tudo notícias pouco favoráveis ao dólar e ao domínio dos EUA sobre o mercado de capitais que se joga noutras frentes. O Banco de Desenvolvimento decidido pelos BRICS, tem entre outros objectivos por em circulação uma moeda alternativa ao dólar nas transacções mundiais. É uma ameaça aos habituais instrumentos de dominação financeira actuais, o FMI e o BMI. A internacionalização do yuan está em marcha. Já salvou a Bolsa de Londres de grande afundamento e começa a ser olhado pelo BCE como moeda importante para as suas reservas monetárias. Na área do Pacífico a China desafia abertamente os EUA com um Banco de Desenvolvimento Asiático. Ainda na recente reunião da APEC- Asia-Pacific Economic Cooperation, que se realizou em Pequim, Obama tentou contornar os objectivos da China, reunindo-se na embaixada dos EUA com os doze mais importantes países, excluindo a China e a Rússia. Não teve êxito e acabou por ver aprovada a proposta da China que, através do Banco da China e do Fundo China, vai investir 140 000 milhões de dólares em ionfraestruturas ferroviárias, rodoviárias e marítimas para desenhar uma nova Rota da Seda. Xi Jinping foi muito claro nesse objectivo, firmado num Acordo Estratégico Trans-Pacífico de Associação Económica, que irá redesenhar o mapa de negócios da Costa Asiática do Oceano Pacífico estendendo-o até à Europa, para garantir um novo equilíbrio no campo económico. Os EUA são atirados para um plano secundário nesse novo eixo mundial.

6- O OURO E O DÓLAR

Como se isto tudo não fosse suficiente a outra arma que os EUA têm utilizado para manter artificialmente o dólar ao seu valor actual é a manipulação do mercado do ouro. Desde 2010 que o FED, os seus agentes bancários têm realizado vendas de ouro a descoberto. O mercado da Comex, a bolsa de ouro actual com sede em Nova Iorque, desde essa data, vende ouro-papel e não ouro-físico. Os grandes compradores são os especuladores e os hedge funds que compram e vendem activamente esse ouro-papel para controlarem o preço do ouro e proteger o dólar. As emissões de ouro papel são brutais, muitos analistas afirmam que os EUA já não terão ouro que cubra as emissões de ouro papel. A Alemanha e a França por diversas vezes reclamaram em vão a devolução do ouro que enviaram para os EUA, durante a II Guerra Mundial. Há quem veja nisso um sinal grave de haver insuficiência de ouro físico nos EUA.

dolar ouro

Paul Craig Roberts, ex SubSecretário do Tesouro nos governos Reagan, advertiu que a China e a Rússia esforçam-se para fortalecer a sua posição com compras maciças de ouro, enquanto os EUA apostam em atrasar essa intenção com guerras e outras intervenções para debilitar os seus rivais e proteger o petrodólar. Vai mais longe. Com o cohecimento de causa que lhe dá o lugar governamental que ocupou, coloca em dúvida que os EUA ainda tenham reservas de ouro, incluindo a de outrso países que lhes foram confiadas. Na sua opinião essas reservas estão esgotadas.

De facto, no ano corrente tanto a China como a Rússia têm comprado enormes quantidades de ouro físico, cuja cotação embora continuando a subir lentamente, consequência da manipulação comandada pelo FED, está longe de ser a que se calcula ser o seu valor real. A China e a Rússia para contrariar e alterar essa situação decidiram instalar no mês de Novembro em Xangai uma Bolsa de Ouro, onde as vendas a descoberto são proibidas e só será transacionado ouro físico. O yuan passará a ter como padrão o ouro o que irá acelerar a sua internacionalização e incrementar a sua procura como a moeda de reserva.

golar yuan

A Bolsa de Xangai será uma fortíssima ameaça às Bolsas de Nova-Iorque e Londres. Vai ser uma luta entre dois mercados de ouro, um baseado na avaliação da realidade e outro no jogo e manipulação. Mais uma forte ameaça ao dólar e ao petrodólar num país com uma dívida brutal, provavelmente já impagável, com enormes e crescentes défices comerciais. Uma política económica sacrificada pela especulação, a desmesurada cobiça de agentes financeiros cujo objectivo principal é salvar cinco ou seis megas conglomerados financeiros, cujos antigos decisores e executivos controlam o FED, o Tesouro e as agências financeiras federais.

6-O MUNDO SOB UMA SERIA AMEAÇA

É essa realidade evidente que ameaça os EUA o que MM não vê para continuar a afirmar que os EUA comandam o mundo financeiro. O pior cego é o que não quer ver, sem querer ver os enormes perigos para a paz mundial que isso representa, bem evidente no frenesi guerreiro de Obama, esse prémio Nobel da Paz que já bombardeou sete países. Pano de fundo o desespero de manter o dólar a flutuar antes que cada nota de dólar não valha mais que as do jogo do monopólio. Há entre os políticos norte-americanos quem acredite e defenda que o primeiro a sacar do gatilho nuclear fica a salvo. MM pensa pouco e mal o estado do mundo, muito menos consegue entrever as grandes alterações geoestratégicas que se estão a desenrolar que provocam o desespero perigoso do império, da sua ordem unipolar. Deve considerar legítimo, normal que Obama discurse na Academia de West Point declarando-se um convicto fora da lei :” Os Estados Unidos usarão a força militar, unilateralmente se necessário, quando os nossos interesses o exigirem, a opinião internacional conta, mas a América nunca vai pedir autorização”. Claro que os interesses dos EUA não são os interesses dos norte-americanos mas os do complexo militar-financeiro, quem verdadeiramente governa por interpostos democratas ou republicanos.

A Miguel Monjardino, arauto rouco do império, oferecemos um rolo de papel higiénico para se babar com o padrão, escrevinhar no verso a sua Guerra e Paz, Tolstoi deve rebolar-se até ao fim da eternidade de raiva do uso abusivo que o idiota lusitano faz do título da sua obra-prima, para depois de cada escrita lhe dar a finalidade para que foi fabricado. As crónicas de MM terão finalmente utilidade e acabam no sítio certo.

dolar papel higiénico

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Moedeiros Falsos

moedeiros falsos

De um governo de moedeiros falsos já nada nos deve espantar. De facto já nada causa surpresa. Aldrabar, mentir, manipular, no vale tudo para fazer o trabalho sujo de destruir a economia do país a favor dos grandes grupos financeiros, é o dia a dia dessa gente desde o primeiro momento em que tomaram posse.

Já nada nos pode espantar mas continua a causar indignação.

O último número deste ignóbil circo foi protagonizado por Carlos Moedas, igual a si próprio, na audição do Parlamento Europeu para supostamente avaliar da sua competência como comissário para a da Investigação, Ciência e Inovação.

Competência não tem nenhuma, nem precisa de ter à semelhança de outros burocratas europeus. É uma área que lhe é completamente estranha. Dela só saberá o deve e o haver. Área em que ele, responsável máximo do governo PSD-CDS das relações com a Troika, fazia todos os trabalhos, mesmo os mais crapulosos, para ser reconhecido pelos manda-chuva do FMI, BCE, CEE.  Cortou a torto e a direito em todas as áreas, também, e muito, na ciência e investigação. Numa área em que Portugal devia investir prioritariamente para sustentar o crescimento, o que Moedas negociou com a Troika foi um desinvestimento brutal que além de destruir o que estava feito, destrói sem contemplações o futuro.

Os números não enganam. Há um corte de 40% no número de bolsas atribuídas pelo FCT. O corte em bolsas de doutoramento é superior a 50% e de pós-doutoramento de mais de 56%, comparado com o ano de 2011.

A opção pela redução do investimento em ciência, a níveis muito superiores aos da redução geral da despesa é uma opção ideológica. Parte da ideia de que o Estado não tem nenhum papel a desempenhar no desenvolvimento económico, assente numa visão de que o crescimento é apenas feito pelas empresas. O que é bem visível e transparente na sua fúria privatizadora. 

Não há ciência sem cientistas. No imediato e a médio prazo há um forte desinvestimento na ciência. A isto somam-se os cortes nos orçamentos das universidades também acima da média de redução da despesa corrente. A aposta não é na ciência, na investigação e na inovação é nos baixos salários e nos sectores tradicionais.

O governo não se pode esconder atrás da Troika. Os cortes na investigação são praticamente o dobro dos cortes na despesa corrente primária. É uma escolha política. A escolha de andar para trás na ciência e inovação, que o actual Governo fez, é clara. É o desperdício de um investimento anteriormente feito, uma perda de recursos valiosos, que vai limitar o crescimento económico futuro. Os maus resultados são imediatos mas serão ainda mais visíveis a médio prazo. Uma escolha política que devia envergonhar todo o governo, em particular Nuno Crato e Pires de Lima, com Moedas na linha da frente frente desses cortes, dessas opções..

Mas esse é o mesmo Moedas capaz de tudo para garantir o tacho. Agora, em Bruxelas, nega tudo, mesmo as próprias e evidências.

É preciso ter um infame descaramento para afirmar, sem uma ruga de vergonha, que discordou muitas vezes da política da Troika. Afirmar que a resposta política para o crescimento económico consiste no investimento na ciência e inovação. Ele que foi o responsável mais directo por todos os cortes feitos em Portugal nessas áreas.

Esses salafrários não conhecem as fronteiras da decência mais mitigada. Vivem numa tal orgia de mentiras que no dia em disserem uma verdade morrem fulminados pela má consciência de se terem traído.

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Vale tudo para fantasiar o crescimento económico

gráficos

Aparentemente hoje seria dia para escrever sobre aquela coisa, aquele simulacro de democracia que foram as primárias do PS.

Não! Que fique isso para a vozearia que vai inundar os meios de comunicação social na “grande bouffe” ilusionista que atinge cumes em momentos como este. Claro que interessa fazer o cotejo do acontecimento no mais vasto contexto da degradação da democracia, quando as cinzas pousarem.

O que assistiu é mais um momento do aviltamento e da alienação das sociedades actuais Um momento digno de uma das últimas notícias económico-financeiraas bem exemplificativas do estado a que se chegou, em que a moral e ética e quaisquer princípios são ferozmente guilhotinadas na praça pública.

O desespero é de tal ordem que tudo serve para, estatisticamente, aumentar o PIB.

Agora a CEE autoriza que, para o cálculo do PIB sejam incluídas as actividades económicas à margem do que é lícito. A prostituição e o tráfico de droga passam a poder ser englobados no PIB, mesmo na base de valores estimados, nos países onde essas actividades são proibidas.

Em Inglaterra são mais dez mil milhões de libras. Em Espanha o PIB aumenta =,85%. Em Portugal pode a ir até mais 2%. Uma orgia que vai contribuir para o crescimento estatístico da economia.

Sugere-se que o governo PSD-CDS, que se diz tão empenhado no crescimento económico com os resultados desastrosos conhecidos, que é tão dado ao marketing, lance vigorosas campanhas para que, finalmente, haja o crescimento económico.

Que iniciem imediatamente campanhas publicitárias com esse objectivo.

P

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Sacar sem complicações, cupões ou outras promoções

 

Quase se vai às lágrimas ouvindo Alexandre Soares Santos e Belmiro de Azevedo, nas suas inúmeras e estridentes aparições mediáticas sempre tão apaparicadas, proclamarem a sua desvairada, mesmo doentia, paixão pela Pátria. Estão sempre perfilados na primeira linha dos dispostos a fazer se não tudo, pelo menos quase tudo para Portugal superar a crise.

Ultrapassadas as estridulantes manifestações de amor pátrio, seguem-se sibilinos conselhos de como ultrapassar as dificuldades agitando as recorrentes reformas estruturais e a urgência do Estado se apagar para o empreendorismo ficar com o terreno livre e poder atapetá-lo com a sua conhecida vocação para a iniciativa.

Um deles, podia ser o outro, por isso não interessa a autoria, essa gente diz sempre o mesmo, chegou a afirmar,quase com os olhos em alvo e a mão a bater convulsivamente no peito que devíamos ”em conjunto darmos as mãos para recuperarmos o País trabalhando” (RTP, “Portugal e o Futuro”). Não disse é o que faria à mão que lhe fosse dada.

O Estado, este governo, de facto ao serviço dessa gente, tem dado passos na direcção que eles, e outros do mesmo quilate querem. O chamado “Acordo Tripartido para a Competitividade e o Emprego” vai ao encontro desses desejos. Se a precariedade já era a normalidade nas empresas desses dois agora, com a bênção da UGT, fica agravada com condições de trabalho próximas da servidão. Tudo para dar uma imagem “ao mundo e aos mercados” como disse o Álvaro de como Portugal está empenhado em cumprir o pacto com a troika e mesmo ir mais além, como o primeiro-ministro sublinha com enlevo, para, supostamente, sair da crise. Os mercados responderam logo no dia seguinte atingido os juros do empréstimo a dez anos um novo recorde, 14,67%, a cinco 15,54%, a dois 18,46%,  dei-xou-a-eu-fo-ri-a-e-xi-bi-da-no-di-a-na-te-ri-or-por-Vic-tor-Gas-par-pe-la-co-lo-ca-ção-de-um-em-prés-ti-mo- a-cur-to-pra-zo-ain-da-mais-ga-gue-jan-te, e que ninguém, a não ser a conversa fiada dos nossos governantes e sua corte, acredita serem pagáveis a começar pelas malfadadas agências de notação que, logo a seguir, nos atiraram para o lixo.

Há que lhes dar razão com estas políticas estamos irremediavelmente condenados a acabarmos na lixeira.

Entretanto o que fazem esses dois empreendedores para ”em conjunto darmos as mãos para recuperarmos o País trabalhando”.

Continuam a explorar e a esmagar gananciosamente os produtores nacionais. Isto já depois de um, Alexandre Soares dos Santos, ter ido a correr para a Holanda atrás do outro para fugir aos impostos, aliás seguindo o exemplo de 19 das 20 grupos económicos cotados na Bolsa de Lisboa, mostrando que o seu empenho no país é conversa da treta e que o governo mente descaradamente quando afirma que os sacrifícios são iguais para todos. Quando há uma iniciativa legislativa que quer fazer efectiva justiça social propugnando que Soares dos Santos, Belmiros, Amorins, Espíritos Santos e outros paguem impostos compatíveis com a riqueza que ostentam e contraria a fuga de capitais para offshores e países com regimes fiscais ainda mais permissivos que os em prática em Portugal, é logo chumbada pela maioria PSD/CDS.

Na semana passada a ASAE, depois de uma denúncia de produtores de leite de que no Continente se estava vender leite a € 0,13/litro, numa prática de concorrência desleal, vendendo mais baixo que o preço médio, € 0,33/litro no produtor, apreendeu quase 400 mil litros de leite na cadeia dos supermercados Continente, mas também no Pingo Doce.

As juras e as acções mediáticas a favor da produção nacional (lembram-se da feira dos produtores continente na Avenida da Liberdade?) desses dois parceiros são a maior e mais bem montada rábula a que se assiste em Portugal. Depois de anos em que foram, com a cumplicidade activa e passiva do Estado, de que eles tanto se queixam, destruindo progressivamente o comércio tradicional, incapaz de juntar forças para fazer frente aos predadores, até ficarem numa situação quase monopolista, actualmente detém em conjunto uma fatia de mercado perto dos 70%, continuam a apertar implacavelmente o garrote aos produtores.

Leia-se o insuspeito Nicolau Santos no Caderno Economia do Expresso (26 Março 2011) no artigo o “Maravilhoso Mundo da Distribuição”:

“ Os dois maiores distribuidores (Continente e Pingo Doce) representam mais de 50% do mercado de distribuição, mais do que a soma dos sete seguintes, uma estrutura que não existe em mais nenhum país da União Europeia. Em Espanha, por exemplo, Mercado na e El Corte Inglês têm quotas inferiores a 13%. (…) Resultam daqui contractos leoninos com os fornecedores – “um contrato entre as duas partes tem 28 obrigações para os fornecedores (e respectivas penalizações) e apenas 3 para a distribuição; e nos direitos, 12 para a distribuição e 3 para os fornecedores”. Deveria acrescentar que Continente e Pingo Doce além dessas práticas, que lhes permitem esmagar as margens de lucro dos produtores e tê-los á sua mercê, acrescentam uma mais-valia nada desprezível na margem financeira do negócio, recebendo a pronto e pagando, na melhor das hipóteses a 180 dias. Façam as contas, vejam como essa gente, repimpada nos seus sofás, ganha sem fazer nenhum.

Preparam-se para o assalto final. Estão a montar uma rede de mercearias de bairro com horário alargado, em parceria com o comércio tradicional. Um rede de franchising que obrigará as mercearias ainda existentes a comprar através das cadeias de distribuição e acessoriamente terão que ter a mesma decoração e mobiliário e que terão de ser identificadas com um símbolo ou nome comum que demonstre que pertencem a essas redes ou não para a simulação de autonomia se manter. Um pormenor porque o que está realmente em causa é a relação entre os produtores e os distribuidores. Ficando os produtores cada vez mais enfraquecidos, se não encontrarem formas de, colectivamente, enfrentarem os abutres. Ainda na semana passada, o Partido Comunista Português denunciou junto do Ministério da Agricultura duas situações que exemplificam bem esta situação. O Continente exige aos produtores de queijo uma participação de 25% na promoção de uma feira de queijos. O Pingo Doce pressiona os produtores a fazerem um desconto de 10% na facturação dos meses de Outubro, Novembro e Dezembro. O Ministério diz que vai montar um Observatório. Com composições equivalentes ás da concertação social, bem podem limpar as mãos á parede. A ver vamos.

Com tantas públicas ejaculações verbais a favor da produção nacional, para Belmiros e Alexandres a produção nacional só é boa se a puderem explorar sem peias. Essa gente, que também ejacula por tudo o que é sítio conselhos e fervor patriótico estão entre os maiores contribuidores para o desequilíbrio da nossa balança comercial. Esses campeões do “made in Portugal” estão entre os dez maiores importadores nacionais, ocupando o patriota Alexandre Soares dos Santos o quinto lugar.

Nada a esperar dessa gente. A ganância atropela-os.

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O aviso da greve geral

Portugal na imprensa internacional

Não podemos saudar democraticamente a chamada ‘rua árabe’ e temer as nossas próprias ruas e praças” (manifesto Novo Rumo)

A greve geral foi, quaisquer que sejam os números utilizados, uma forte manifestação de descontentamento e irritação de uma parte significativa dos portugueses. O seu impacto social foi indesmentível e o protesto mereceu cobertura generalizada nos media internacionais. Mas surgem sinais de que a contestação pode começar a extravasar a lei alterando a imagem do país tranquilo.

Os protestos dos portugueses, como os que se têm registado noutros países europeus, devem ser ouvidos pelos verdadeiros soberanos: o eixo franco-alemão que domina a resposta política da UE e as entidades que compõem a troika. Mas são protestos de que os governos nacionais – como o nosso – têm obrigação de ser intérpretes junto de quem efectivamente decide. Bem como tem a obrigação de usar inteligentemente a escassa margem de decisão de que dispõem para proteger o seu povo.

Coincidência ou não a greve geral realizou-se no exacto dia em que a agência de notação financeira Fitch divulgou a classificação da dívida soberana portuguesa como lixo. Baixa de rating a que até agência chinesa Dagong se associou. Registe-se a ironia do “castigo” imposto pela Fitch, já que a agência norte-americana até considera o Orçamento para 2012 “bem desenhado”, embora não deixando de notar que tal não deixará de implicar mais austeridade e mais recessão no próximo ano. É a actualização da Crónica de Uma Morte Anunciada do colombiano Gabriel Garcia Marquéz!

A unidade na acção entre as duas centrais sindicais e o prestígio dos sindicatos.

Em trinta e sete anos de regime democrático não tem sido frequente a unidade das duas centrais em movimentos nacionais desta amplitude, ultrapassando divergências e encontrando plataformas comuns. A confluência registada nas greves de 2010 e deste ano contribui para o prestígio – tão posto em causa nos últimos anos – dos sindicatos e reforça a sua importância como representantes incontornáveis das classes trabalhadoras. Um prestígio e uma representatividade absolutamente fundamentais para a credibilidade do seu papel de interlocutores no necessário diálogo social que, mais que nunca, é agora absolutamente necessário.

Perante a precarização das relações de trabalho, o aumento dos flagelos do desemprego e do empobrecimento em curso, a existência de sindicatos fortes e modernos volta a estar na ordem do dia – porventura como não o havia estado nas últimas décadas. Todos teremos que dar mais importância aos nossos sindicatos, participar mais nas suas vidas, corrigir-lhes vícios e ajudá-los a ultrapassar rotinas. Alertá-los para a necessidade de desenvolver novas formas de de participação jovens, desempregados e pensionistas. É que não temos outras formas de representação que possam substituir os sindicatos e sem eles a parte fraca das relações laborais, os trabalhadores, sê-lo-á ainda mais.

Sector público versus sector privado.

A participação do trabalhador numa greve representa um sacrifício e um risco que tendem a ser desvalorizados. Sacrifício porque perde a remuneração de um dia de trabalho – uma verba de que pode em absoluto necessitar para a sua economia familiar. E um risco porque, sendo contratado a prazo, poderá não lhe ser renovado o vínculo. Para não referir outras retaliações, mesmo a trabalhadores com situações mais estáveis.

Enquanto no sector público há um patrão, o Estado, e um conjunto de normas legais geralmente cumpridas, no privado a heterogeneidade regulamentar e contratual é enorme. Coexistem empresas altamente qualificadas com negócios de “vão de escada”. Há empresas onde fazer greve não afecta o ligação jurídica do assalariado enquanto noutras o exercício desse direito é apontado como um “crime”. Isto leva a que, muitos, em consciência, concordem com os motivos da greve mas não possam exercer tal direito.

E há também muitos sectores em que micro e pequenas empresas lutam pela sua sobrevivência diária. Em que as receitas de cada hora ou dia de trabalho contam.

Para que serve a greve? Resolve alguma coisa?

A greve teve lugar no período sensível em que decorre a discussão do Orçamento do Estado para 2012 na especialidade, garantida que está a sua aprovação na generalidade. Há assim ainda espaço para a correcção de profundas injustiças (a iniquidade fiscal aludida pelo Presidente Cavaco Silva) e de medidas de forte impacto negativo, de que avultam os cortes dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos ou a prevista aplicação de taxas máximas de IVA na restauração e nos espectáculos, de entre outros.

Não mata mas mói”, diz o aforismo popular. Nenhum governo democrático pode ser insensível aos movimentos sociais e às suas legítimas formas de expressão. Podem esses governos fingir que o são e escudar-se na sua legitimidade eleitoral. Mas sabem que, mais cedo ou mais tarde, uma contestação social generalizada traduzir-se-á em resistências sectoriais e a seu tempo em resultados eleitorais. Quantos casos são precisos citar? Alguns bem recentes.

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Internacional, Política

Eleições em Espanha – vitória de Pirro?

Mais um. Também o governo espanhol,  socialista por sinal, foi varrido com estrondo pelo eleitorado. O pano de fundo é o mesmo de outras mudanças políticas na Europa periférica: a crise das dívidas soberanas, o desemprego e a austeridade.

Assim tem sido, com eleições (Irlanda, Portugal e Espanha) ou sem eleições (Grécia e Itália), instalou-se a crença de que a substituição de governos chega para travar o avanço da maré de juros e de recessão que começa a instalar-se na Europa.

A onda de contestação que derrubou os socialistas, recolocou no poder o PP após um intervalo de sete anos de governação de J.L.R. Zapatero. Com uma abstenção de 28,3%, à vitória da direita nacional em quase toda a Espanha apenas escaparam as nações históricas do País Basco e da Catalunha, onde as maiores representações parlamentares foram para as formações nacionalistas – para os conservadores da CiU na Catalunha e para a frente da esquerda abertzale Amaiur no País Basco.

Apesar da continuidade do bipartidarismo – PSOE e PP somam 276 dos 350 deputados e mais de 17 milhões e 800 mil votos -, o congreso espanhol passa a partir de agora a contar com representantes de treze formações políticas, contra as nove no anterior parlamento, com um total de 54 deputados (eram 26 no parlamento anterior). De entre as formações de âmbito nacional, relevo ainda para a considerável subida da frente dinamizada pelos comunistas, a Izquierda Unida, que passa de 2 para 11 deputados e para a UPyD (de matriz nacionalista espanhola, laica e progressista) que conquista cinco deputados, contra um nas anteriores eleições gerais.

Mercados derrubam governos

Agarrados à bóia democrática das eleições, mas com os eleitorados condicionados por essa força verdadeiramente determinante que são os “mercados”, os sistemas políticos europeus têm substituído governo atrás de governo. Se assim tem sido nos países da periferia, adiante se verá o que vai acontecer no centro norte da Europa. À bóia democrática justapõe-se o peso pesado da “crise sistémica” com o seu cortejo de penalizações para as classes médias e que empurram as embarcações nacionais para um fundo de recessão. O exemplo de uma crise em tempos de globalização, em que cada uma das nações é demasiado pequena e insignificante para se opor à força dos ventos que sopram dos “mercados”.

Uma das lições que é já possível retirar é a de que política é crescentemente determinada por factores irracionais ou incompreensíveis que emanam das leituras de agências de rating e dos mercados financeiros. E que se tornaram – por obra e graça das instâncias políticas – nos verdadeiros deuses ex machina do sistema político. Políticos eleitos são cada vez mais representantes e executores de políticas não sufragadas, decididas em função de obscuros interesses dos “mercados”.

M. Rajoy em Espanha, como P.Coelho em Portugal, venceram eleições sem se comprometerem com nada em concreto, sem políticas nem medidas definidas; venceram porque estavam lá e beneficiaram do rotativismo instalado. Rajoy foi a votos pela terceira vez. P. Coelho actualizou a famosa máxima de D. Barroso “tenho a certeza que serei primeiro-ministro, só não sei é quando”.

Os continuados aumentos dos juros implícitos da dívida espanhola que já hoje “saudaram” a vitória de M. Rajoy, querem dizer que os mercados não lhe concederam a margem “de mais de meia-hora” que o líder da direita espanhola lhes havia implorado ainda enquanto candidato ao lugar.

Bem podem estes e outros lideres eleitos põr-se de cócoras a pedir favores aos mercados, pois que de pouco ou nada lhes servirá. Há que reformar no sentido do primado da política sobre a economia dos interesses particulares, nebulosos e socialmente irresponsáveis.

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Negócios da grécia

Da Grécia contaram-se e contam-se as mais mirabolantes histórias para demonstrar como os trabalhadores eram uns privilegiados, os serviços públicos e as empresas estatais primavam pela má gestão e por dar benefícios extraordinários aos seus funcionários. Todos se lembram dos celebrados 15 meses de ordenado, que supostamente os assalariados gregos recebiam e que afinal mais não era que o subsídio de férias ser cumprido em duas faias iguais. Histórias não faltaram na comunicação social para demonstração urbi et orbi de que o povo grego era preguiçoso e andava a viver à tripa forra, era o grande culpado do défice público que colocara a Grécia á beira da bancarrota. Esse jornalismo estipendiado e mercenário existe para prestar serviço ao poder do capital. Aliás deve-se consultar quem são os accionistas da comunicação social para percebermos o que é a liberdade de imprensa e para que servem os critérios jornalísticos. As montagens noticiosas constroem imagens falsas para fazer uma barragem de fumo sobre a realidade. Se a queremos conhecer, ainda que parcialmente, temos que respigar por todo o lado para construir um puzzle que nos aproxime dela.

Em relação à Grécia o que é actualmente relevante, demonstrador do enorme cinismo dos que lêm impões pacotes de austeridade sobre pacote de austeridade, é que, submetida a um apertado controlo da troika, com a imposição de um brutal empobrecimento e de perdas de direitos  que atingem o povo grego sem dó nem piedade, continuem a ser feitas despesas que agravam  o endividamento enormemente. Num país a sofrer uma crise tão desmesurada, é autorizada a compra, aos EUA, de 400 tanques Abrams e de três fragatas à França , para grande raiva da Alemanha que, depois de vender dois submarinos (nos últimos anos tem vendido mais uns tantos) se vê preterida neste negócio da grécia. Continuar a ler

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economia, Política

Contra a Voz do Dono!

A fusão do Estado com o Poder empresarial não é democracia!

Chama-se FASCISMO!

Diz o comentador lúcido e bem informado, de que colocamos no final um link.

O fascismo só se torna terrorista quando necessário. Vai exercendo outras formas repressivas e legalizando-as. Mais de uma vez o dissemos e repetimos: entre a justiça e o direito, o quadro legislativo em que nos encerram, a relação é muito ténue. O direito é SEMPRE o direito do mais forte à liberdade, os mais fracos perdem-na progressivamente se não lutarem contra as leis que os violentam!

Outra realidade que se deve relembrar sempre é que o mercado livre é uma ficção! Por detrás da mão invisível dos mercados está sempre a mão visível do Estado. Quando o Estado se demite das funções sociais e se põe ao serviço do grande capital financeiro e especulativo perde autonomia, submete-se aos ditames dos chamados mercados, esse deus ex-machina do estado actual do capitalismo monopolista. Legaliza a especulação financeira. Permite a usura e a agiotagem. Basta dar uma olhadela para os juros especulativos que os mercados impõem e, sobretudo, deixam que eles imponham! Quando se apoia a banca com mais de quatro mil milhões de euros, (a tão falada dívida grega é 12,5% desse valor!!!) como Durão Barroso revelou, a juros praticamente zero, para a banca os ir emprestar aos Estados e às empresas a juros altíssimos e insuportáveis, fica tudo explicado. Como também se explica porque é que quase ninguém fala disso. É a manipulação diária e sistemática da opinião das pessoas para que aceitem uma inaceitável realidade que não corresponde à realidade. Continuar a ler

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economia, Geral

Sinais – “Multibancos avariados”

“Multibanco avariado” é um aviso que, desde há algum tempo, se começou a generalizar na paisagem comercial das nossas cidades.

E o que é estes avisos nos querem dizer? Pode até ser que a máquina esteja avariada. Mas pode também querer dizer-nos que aquele restaurante ou estabelecimento comercial deixou de estar interessado em receber pagamentos via multibanco. Os custos associados ao terminal e à ligação à rede bancária (SIBS) e os respectivos impulsos telefónicos são despesas a que muitos pequenos comerciantes já não se podem sujeitar em tempos de crise, quando as receitas dos seus negócios caem a pique e em que todos os euros contam.

Se formos mais perspicazes (ou perversos) poderemos também
ler no facto a intenção de dificultar um possível controlo fiscal por esta via. Pago com multibanco o valor dá entrada directa na conta do estabelecimento no banco, movimento que fica registado e a que deveria corresponder uma factura. Se se paga em dinheiro…

É claro que as recentes medidas recessivas e visando a intencional diminuição do poder de compra das famílias, apenas irão acentuar a economia paralela e a fuga generalizada ao fisco por todas as vias
possíveis. Estavam à espera de quê?

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Costumes, Política

O Futuro da Paulada está Garantido!

Passos Coelho, no discurso Pontal, referiu pela primeira vez a possibilidade se sucederem tumultos. “ Em Portugal, há direito de manifestação, há direito à greve. São direitos que estão consagrados na Constituição e que têm merecido consenso alargado em Portugal”, lembrou continuando, “nós não confundiremos o exercício dessas liberdades com aqueles que pensam que podem incendiar as ruas e ajudar a queimar Portugal”. Logo a seguir Paulo Portas, refere os tumultos e as greves como um caminho sem saída e, na esteira de Passos Coelho, apela ao consenso social.

Como esta gente sabe bem o que anda a fazer com políticas que atiram para a miséria a grande maioria dos portugueses, que vão aumentar brutalmente o desemprego, que vai e já está a destruir o que resta do fraco tecido produtivo nacional, corroído por mais de trinta anos de políticas de direita praticadas pelo PS, PSD e CDS, sozinhos ou coligados, que estão a destruir direitos sociais, os apelos ao consenso social são de um cinismo insuportável. A hipocrisia alcança o seu máximo esplendor com a caridadezinha que o Ministério da Segurança Social distribui como quem dá milho aos pombos, não considerando isso um direito. Esta gente está-se lixando para o consenso social, o que querem e pregam é a resignação social.

Eles sabem que estão a incendiar o país tornando a vida das pessoas insuportável. Até o insuspeitíssimo Francisco Van Zeller, ex-presidente dos patrões vem dizer que, com este estado de coisas e como estão a evoluir, é impossível evitar greves e manifestações de rua, se não eramos “um país de molengas, parvos ou mortos”. Por isso, agora em Campo Maior, debaixo de um tecto de flores de papel, Passos Coelho disse que “ pode haver quem se entusiasme com as redes sociais e com aquilo que vê lá fora, esperando trazer o tumulto para as ruas de Portugal (…) esses descobrirão que sabemos decidir”

Claro que o homem é perigoso ou não fosse discípulo e protegido de Ângelo Correia que, quando era ministro da Administração Interna, teve a impudência de inventar uma revolução dos pregos. Isto é gente capaz das piores provocações e já começaram a decidir: no Orçamento para 2012, em os orçamentos de todos os ministérios sofrem cortes brutais, há um onde não se corta nada. Antes pelo contrário, tem o seu orçamento reforçado em 400 milhões de euros, é o Ministério da Administração Interna!

Esta gente quer é impor a exploração e a miséria sem que as pessoas usem a liberdade para a combater. Querem que o medo adquira um dinamismo que faça com que se tema a própria liberdade.

A mensagem de Passos Coelho é transparente: vamos levar o país ao fundo, mas o futuro da paulada está garantido.

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Internacional, Política

Grécia

“Crise da Dívida: Grécia em Roda Livre?” titula um jornal. Desfilam os números. Nada de novo. Oculta-se que políticas conduziram a essa situação e que políticas são aplicadas pelos espertos do costume, um bando de corvos também anda por cá, para a (não) resolver.

POVOS DA EUROPA, POVOS DO MUNDO! ACORDEM!
Preciso lavar os olhos, os neurónios. A correr vou buscar Ritsos à estante.
.OS MODELOS (*)

Não esqueçamos nunca — disse — as boas lições, aquelas
da arte dos Gregos. Sempre o celeste lado a lado
com o quotidiano. Ao lado do homem, o animal e a coisa —
uma pulseira no braço da deusa nua; uma flor
caída no chão. Recordai as formosas representações
nos nossos vasos de barro — os deuses com os pássaros e
com outros animais, e juntamente a lira, um martelo, uma maçã, a arca, as
[tenazes;
ah!, e aquele poema em que o deus, ao terminar o trabalho, retira o fole de junto do fogo, recolhe uma a uma as ferramentas
dentro da arca de prata; depois, com uma esponja, limpa o rosto, as mãos, o pescoço nervudo, o peito peludo.
Assim, limpo, bem arranjado, sai à tardinha, apoiado nos ombros de efebos todos de oiro — trabalhos de suas
[mãos
que têm força, e pensamento, e voz; — sai para a rua,

mais magnífico que todos, o deus coxo, o deus operário. Continuar a ler

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Política

O Grande Arrependido

Francisco Louçã confessa que um dos grandes erros do Bloco de Esquerda foi o não ter ido ao beija mão da troika. Reconhece que tudo aquilo era uma treta, um simulacro de negociação, que podia entrar mudo e sair calado ou podia falar pelos cotovelos que nada mudaria. Nada? Não é bem assim. A opinião pública, na magna opinião dos senadores bloquistas,  não percebeu a atitude e isso foi determinante na perda de votos. Para a próxima o Bloco já estará a preparar um número que não escapará à comunicação social que não perderá a oportunidade de fazer o registo dessa conversa nem que seja pelo intercomunicador. Por um voto vende-se a alma a quem a quiser comprar, mandam-se os princípios ás urtigas.

O Bloco de Esquerda já telegrafou e enviou mails à troika agendando encontro. Na sua próxima visita a Portugal os dirigentes bloquistas irão apresentar-se de pé descalço, um símbolo do país, e baraço ao pescoço, imagem de arrependimento, beijando o anel sagrado do FMI. Tem preparada uma grande venda de fotografias autografadas do evento que servirão para pagar o hino do BE nas próximas eleições já encomendado ao Michael Carreira, depois de uma grande discussão política em que concluíram que o Tony é um cota e não serve para a imagem de gente jovem e gira que deve ser colada ao Bloco de Esquerda.

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economia

Dividocracia

O Futuro do Ouro está garantido - gravura de Bartolomeu Cid dos Santos, 1975

Dividocracia, é um filme documentário muito interessante sobre o mundo actual e como as democracias degeneraram num sistema monopartidário em que as escolhas são simuladas pela opção do voto nos vários partidos em concorrência eleitoral . Eleições que, nas democracias representativas, deveria ser o território da luta de classes pacífica. A realidade é outra. As democracias representativas andam a reboque dos interesses das corporações e os partidos perderam definição ideológica, tornando-se numa finalidade em si, um prolongamento do aparelho de Estado, representando e mediando os interesses económicos dominantes. Este tema já foi objecto de um post aqui, na Praça do Bocage, e está cada vez mais na ordem do dia.

Dividocracia demonstra como o processo evoluiu até hoje em que os países periféricos são presas da voragem dos bancos dos países ricos. É um filme – documentário, com a duração  de uma hora e um quarto, produzido com donativos de cidadãos, e centrando-se na realidade grega tem uma leitura universal.
Obviamente não foi exibido pelos grandes canais de comunicação e cá não vamos esperar por o ver nem sequer num dia de semana, às quatro horas da manhã. Vamos divulgá-lo em capítulos, com legendagem em português-brasileiro.

dividocracia 1

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dividocracia – 4

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Media, Política

A “CAIXA”

O jornalismo tornou-se uma profissão deletéria. Correm atrás do supérfluo. A investigação é um território longínquo delimitado por interesses espúrios. Os jornalistas comissionados para o trabalho de mediar programas em que as realidades são sujeitas a uma suposta análise, entregam-se à missão de protegerem o pensamento dominante, armados de perguntas e ideias pequenas e formatadas, reduzindo-se a realçar o que é dito e redito pelas vesgas luminárias que andam a animar e enganar a malta, com invisíveis marcadores fluorescentes, não vá o diabo tecê-las e o dono não gostar da voz. Não o fazem por calaceira. Fazem-no por incapacidade que o espírito de sobrevivência acentuou. É um clima insalubre.

Há excepções? Claro que há excepções. O que inquieta é as excepções serem cada vez mais raras. Tão raras que estamos sempre à espera de as ver tragadas na próxima lauda, como vai paulatinamente acontecendo aos opinadores que não estão aprisionados nas celas mentais do neo-liberalismo.

O “zapping” pelas televisões no dia da assinatura do acordo político PSD-CSD é exemplar do estado da arte. Dezenas de jornalistas, empurrados pelas portas da sala, que tanto entreabriam como fechavam, iam fazendo notas de reportagem. O adjectivo histórico abanava a cada quinze segundos os ecrãs dos canais televisivos. O éter radiofónico. Advinhava-se nos textos dos jornais, quiçá mesmo nos títulos.O ridículo não mata! Como não há jornalismo substantivo nada como recorrer à adjectivação hiperbólica e oca. O nervosismo transmitia-se pelas ondas hertzianas ameaçando tornar-se um incontornável tsunami. Decepção total quando perceberam que não iam ver Passos e Portas a rabiscar a assinatura no acordo. Sobretudo não iriam ver, registar e noticiar urbi et orbi que Passos usava caneta de marca e Portas, sempre dado a encenações que fazem corar de inveja os las férias, sacava de esferográfica Bic (passe a publicidade), empunhando-a como o Rei Artur empunhava a Excalibur, para iluminar o acordo piscando o olho aos circunstantes para que não perdessem o número de o ver entrar a correr austeridade dentro. Negado o acesso a esse facto jornalístico relevante, de alma dilacerada, afinavam os neurónios para inferir, nas linhas e entrelinhas, se o desiderato de dez ministros nem mais um se cumpria, condecorando a lapela do Coelho. Coisa magna que os ocupava desde o dia das eleições.

Nos entremezes, não havendo nada ou havendo pouco para dizer, antes ou depois das trocas de galhardetes entre os capitães das equipas, um(a) jornalista saca nota de reportagem notável da evidência irrelevante de a sala estar decorada com 6 bandeiras portuguesas. Para mal dele ou dela, este jornalismo castrado é uni sexo, deixava escapar o que poderia ser a “caixa” do ano.

6 bandeiras portuguesas, por detrás de Passos e Portas de sorrisos estanhados trocando papéis, acolitados cada um por três puxa-sacos da sua maioria das mudanças, 3+3 = 6. Tinham-se esquecido de contar o número de vezes que as portas tinham ameaçado abrir para logo se fechar: 6 vezes! Continuar a ler

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economia, Política

Acabar com a Hidra

Reformas estruturais foi o que mais houve em Portugal desde que aderiu à União Europeia e, sobretudo, desde que aceitou fazer parte da moeda única trocando o escudo pelo euro, que já era um erro tornou-se um erro ainda maior com uma cotação disparatada, em que o escudo foi sobreavaliado. Nessa altura por onde andava a tropa fandanga que agora desfila nos meios de comunicação social a aplaudir o programa imposto pela chamada troika? Embandeirava em arco, primeiro com a adesão à CEE, depois com a adesão à moeda única. Sempre munidos com a sapiência técnica de quem não percebia que a partir desse momento tínhamos o destino marcado a caminho da forca. Quem apontava os riscos, enunciava os perigos era objecto dos piores anátemas por não apoiar esses passo a caminho do apocalipse que eles confundiam com o caminho para a modernidade. O resultado está-se agora a ver.

Depois da adesão à União Europeia o nosso, frágil, tecido produtivo além de perder competitividade, foi paulatinamente destruído. Indústrias, agricultura e pescas foram arrasadas seguindo cegamente as políticas europeias sectoriais que sempre protegeram os mais poderosos em detrimento dos mais fracos, a quem atiravam uns sacos de euros para os manterem em silêncio, acelerando a transferência para os privados dos bens públicos. Essas sim, foram reformas estruturais que as bestas apocalípticas trombeteavam como o caminho triunfal da Europa connosco.

V iu-se ao que conduziu essa auto-estrada de regresso ao passado. Quando a crise económica era mais visível, lá vinha a ladainha das reformas estruturais, como se elas não estivessem de facto a acontecer com a desindustrialização, com os campos ao abandono distribuindo subsídios para que deixassem de ser cultivados, com o abate da quase totalidade da frota pesqueira, isto num país que tem um uma área de águas territoriais incomparável em relação à sua superfície territorial, com privatizações que só não eram selvagens porque se faziam leis à medida.

Até que, à beira da bancarrota, se foi pedir ajuda a quem nunca ajudou nada nem ninguém. Só tem agravado a crise económica dos países por onde tem passado, espalhando pobreza e reforçando o capital e a especulação financeira. Para sair do túnel onde nos meteram não foram em direcção à bruxuleante luz que havia lá no fundo, abriram caminho para outro túnel sem fim à vista. Qualquer um, por mais leigo que seja percebe o enorme buraco em que estamos metidos e no maior buraco em que vamos cair.

O pacote da dita ajuda só apoia com mãos cheias de euros a banca, o capital financeiro. Dos 78 mil milhões de euros previstos mais de 15% são oferecidos à banca, um saco que pode engordar até quase 45%! Um escândalo!!!
Enquanto a generalidade da população é condenada ao empobrecimento, a banca e as grandes fortunas continuam intocáveis.

Enquanto se dão todas as condições para o capitalismo monopolista acelerar a sua reconstituição, promove-se o declínio do que resta do nosso tecido produtivo.

A essas reformas estruturais somam-se o tornar mais fácil e barato despedir, reduzir os apoios sociais, encarecer o acesso à saúde e ao ensino.

Reformas estruturais que, somadas às anteriores, vão aumentar o desemprego, conduzir portugal para sucessivos anos de recessão.

Os partidos responsáveis pelas políticas que, em mais de trinta anos, nos conduziram a esta situação, atirando Portugal para a miséria, são os mesmos que descobrem que afinal o programa de ajuda não vai ser tão doloroso como se previa, que acham que existe margem de manobra para ainda piorar o que já está muito mal ou que estão dispostos a dar contribuições positivas para que nada nos desvie do caminho do desastre.

São esses políticos lerdos e seu séquito que, hidra de sete cabeças, buzinam a toda a hora nos meios de comunicação social com a inevitabilidade das soluções para os problemas de que eles e só eles são responsáveis, enquanto praticamente silenciam a voz de quem denuncia que vamos saltar da frigideira para o fogo.

É urgente que se façam sacrifícios, mas sacrifícios para sairmos desta situação. Para que se destruam essas reformas estruturais e se façam por reformas estruturais de facto, que coloquem nas mãos do estado as ferramentas essenciais para que Portugal caminhe para o progresso.

Enquanto as comadres se zangarem e acusarem-se em grande alarido para enganarem o Zé Povinho para o jogo das cadeiras continuar, não vamos lá!

Chega de mudar de governações! O que é necessário e urgente é mudar de políticas!

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Política

FÁBULA PASCAL – 2ª edição revista e aumentada

Os três da vida airada, cocó, ranheta e facada, estão hoje e amanhã de papo para o ar nos seus hotéis de luxo, intervalando nas malfeitorias que irão reiniciar mal o senhor ressuscite para ascender aos céus, abençoando aquela gente que finge produzir qualquer coisa de jeito a trabalhar afincadamente, prescindindo da tolerância de ponto e andando num virote na 6ª feira santa, para gáudio de um jornalismo fedorento e políticos de filibata que logo apontaram o dedo aos mandriões do costume que não querem fazer nada a não ser abocanhar essas benesses.

Este é um tempo de fingimentos e para fingirem mal e porcamente que trabalham à séria, os super merceeiros querem acabar já com o próximo 1ºde Maio, esse dia amaldiçoado, os banqueiros arrotam postas de pescada à mesa do orçamento para não se ouvir o farfalhar dos milhões nos seus bolsos a abarrotar, os três da vida airada fingem transpirar abundantemente a copiar as receitas que já estavam escritas ainda eles não eram nascidos, os coelhos passam pelas gateiras de portas carunchosas para tasquinhar relvas intragáveis, os sócrates debitam sentenças que fazem o borda-d’água corar de inveja, o cavalo de pau passeia nos jardins de belém relinchando em surdina, os velhadas do restelo babam manifestos de boas intenções de que o inferno está cheio, as bruxas lêem o futuro nas sondagens adivinhando que tudo irá de mal a pior se isto continuar assim, um tonto que apareceu no vinte de abril a dizer disparates perdeu o pouco do norte que ainda tinha, os morangos com açúcar continuam a sua saga foleira, o país é cada vez mais uma lixeira de parvoidades e de cassandras que preconizam a inevitabilidade de apertar o cinto depois de andarem anos a dar colo e carinhos aos que termitavam o tecido produtivo enchendo-o de buracos para deixar passar a luz do sol do euro que iluminava o deserto que ia crescendo, atravessado por auto estradas que não levavam a lado nenhum.

Foram avisados e bem avisados da peste que plantavam e contaminava o país. Agora dizem que é tarde e que não há nada a fazer se não estender a mão para receber o que nos quiserem dar e por o cu a jeito para levar uns pontapés. Fazem tudo e mais alguma coisa para não perderem muitos dos privilégios que foram sacando, ano após ano, à nossa conta.

Há que agarrar na vassoura para vassourar sem dó nem piedade as teias de aranha de servidão económica e mental que prenderam trinta sete anos de liberdade.

Vai ser difícil? Vai!

Vamos viver uns anos ainda pior do que já vivemos agora? Vamos!

Não podemos desistir de fazer pela vida uma nova vida, de recuperar o orgulho de ter as mãos limpas pelo trabalho honrado e livre dessas térmitas, de fabricar o sol da canção dos amanhãs que cantam, enquanto eles grunhem chafurdando em ideias velhas e relhas.

Mãos à obra!

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