economia, Política, Trabalho

A conversa é sempre a mesma

Esta manhã ouvi, na Antena Um, Helena Garrido, a diretora do Jornal de Negócios, duvidar, numa das suas crónicas semanais, da bondade da decisão de repor os feriados retirados aos portugueses em 2012 por Portas e Passos. Já num tom distante dos dias de brasa da tomada de posse o governo PS com apoio maioritário dos deputados da Assembleia da República, a jornalista manifestava-se preocupada com os efeitos nas empresas, em particular nas fábricas, da reposição dos feriados. Alegava a diretora do Negócios que menos dias de laboração representam mais custos, pois as fábricas não produzem, embora os custos sejam praticamente os mesmos. Pior: se quiserem laborar têm de pagar horas extraordinárias.

A decisão de acabar com os feriados baseava-se na intenção de, com mais dias de trabalho, continuava Helena Garrido, aumentar a produtividade em tempos de austeridade e apoiar as empresas, ou melhor, os patrões. Para os trabalhadores que tiveram de trabalhar mais dias, com menos salário, menos direitos, maior carga fiscal, maior risco de despedimento, nem uma palavra dispensou a jornalista. Nada, silêncio absoluto.

Felizmente, os responsáveis pelo fim dos feriados não tiveram tempo de ir mais longe, pois, caso contrário, ainda teríamos a oportunidade de ouvir um dia Helena Garrido a elogiar o fim do descanso aos sábados e domingos para promover a produtividade e o lucro dos patrões.

Deve ser isto a famosa desvalorização do trabalho. Só é lamentável que seja promovida por quem também é trabalhador.

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4 thoughts on “A conversa é sempre a mesma

  1. Nos 230 dias de trabalho, representam cerca de 5 dias (em percentagem 2%) . De algum modo estas contas (matematicas não é credo, é certo) vai se rcompensado por algo ou não? por enterrar a cabeça na areia e rezar que não se nota, pode agradar a cidadãos espectadores da casa dos segredos, mas não de gente que leva as contas a sério.
    Claro que ha sempre os mentirosos compulsivos que acham que os ricos é que devem pagar a crise

    • O que é curioso é que pense que são apenas os patrões que fazem contas. É que os cinco dias que refere nunca foram dias de trabalho e de repente passaram a ser, o que significa que, subitamente, começou a ser quem trabalha, os mais fracos nesta equação, a pagar para trabalhar, já que continuaram a ganhar o mesmo ou menos. Claro que aqui não se trata de matemáticas. Só de justiça. E sim, os ricos que paguem a crise, em vez de enriquecerem com ela. Por que raio hei de ser eu a pagá-la?

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