Política

O adeus de um futuro ex-licenciado

Miguel Relvas, personagem de opereta desde a mais tenra idade, demitiu-se, até que enfim, do Governo.

Sabe a pouco, mas já é alguma coisa.

Agora falta o resto…

Como todos os megalómanos, o homem que despachou cadeiras universitárias à velocidade da luz não resistiu à tirada grandiloquente na hora da despedida. “Sei que só a história me julgará convenientemente e com distância”, disse, com cara de caso, o ex-ministro que deve estar quase a passar também a ex-licenciado, condição que é, aliás, muito mais rara do que a de ex-governante.

Tem razão Relvas, mas apenas na parte do “convenientemente”, porque a “distância” não será necessária.

Do homem que se fez doutor com créditos universitários sacados por traficância obscura a história já fez o julgamento, e a sentença não é nada boa. A sentença política que fica “convenientemente” lavrada em ata para a história é o espelho mais fiel do chico espertismo nacional arvorado a ministro; o chico espertismo a raiar a aldrabice do menino que tem de ser doutor porque é chefe partidário.

A sentença de Relvas é a do chico esperto que quis fazer um curso superior sem queimar pestana, é a do chico esperto que inventa cursos de formação profissional que para nada servem apenas para sacar dinheiros da Europa. É a sentença de quem se envolveu em enorme trapalhada na RTP, estilhaçou, com uma reforma absurda, todo o edifício do poder local mais próximo das populações. Para falar só de algumas…

Relvas, ao contrário do que disse na RTP Ângelo Correia, finíssimo principe do PSD mais profundo, não saiu já apenas porque era um ministro especial, com particular relação afetiva com Passos Coelho.

Relvas saiu porque não tinha outro remédio, porque daqui a dias o relatório sobre a sua licenciatura está nas mãos dos magistrados do ministério público, quem sabe para acabar no grande buraco negro que são as investigações que envolvem esta gente da grande loja de interesses que é o bloco central, onde o CDS às vezes vai às compras.

Apesar de tudo, o que é mais sinistro da declaração do futuro ex-licenciado Relvas é a possibilidade, bem real, de, daqui a dois anos, após período sabático para estudar ciência política, o termos na televisão a fazer comentário político, em estilo alternadeira com o regressado de Paris.

Isso sim, seria sinistro…

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