Depois de uma semana politicamente podre com Passos Coelho e Paulo Portas continuando o seu caminho de delinquência constitucional. Iagos de feira que intrigam contra o 25 de Abril sonhando com um 24 de Abril “democrático”. O Cavaco igual a si mesmo. Sorriso agrafado, odor agridoce a defunto, mão em garra amarfanhando a Lei Suprema de Portugal que jurou sem convicção. O duelo Seguro e Costa segue e soma em lances patéticos com botes permitidos e não permitidos com o pano de fundo de propostas de programa político que se sobrepõem nos princípios e divergem na forma, para gozo da direita e apreensão da esquerda com a pandemia do síndrome Palombella Rossa do PS, olha á esquerda, olha à esquerda , remata à direita.
Depois desta semana, que os presságios apontam ir-se prolongar, um intervalo breve mas intenso para se ouvir esta magnifica música com uma interpretação de excelência pelos “Os Músicos do Tejo”

portugal

Passos Coelho, mais uma vez, considera que a decisão do Tribunal Constitucional é incompreensível (inexplicável,estranha,inconcebível, inalcançável,singular,ininteligível, obscura, inextricável)*, mesmo uma adversidade( borrasca, contrariedade,contratempo, fatalidade, infortúnio,óbice)*.

Pois é a LEI, a CONSTITUIÇÃO são uma chatice para essa gente que governa fora da lei. Que, com contumácia, viola a LEI, que depois de a violar procuram contorná-la com mentiras. Lei que é um incómodo para a troika, para o FMI, para o capital financeiro e para as suas marionetas, como se ouve e lê quando se encontram, dão conselhos, impõem regras, fazem declarações.

BOM ALUNO ESTE É UM GOVERNO DE TRAPACEIROS FORA DA LEI! DE INVETERADOS BATOTEIROS!

SE NÃO TIVESSEM UM CÚMPLICE EM BELÉM JÁ TINHAM SIDO DEMITIDOS!

SE ESTIVESSEM NO FAROESTE ESTAVAM COBERTOS DE ALCATRÃO E PENAS! A SORTE DELES É A LEI QUE TANTO ODEIAM E TRIPUDIAM!

(*) dicionário Houaiss

images

A Páscoa é dos momentos das liturgias cristãs que são mais inspiradores da música. A morte, o período que a prepara, o sofrimento imposto pela crucificação e a ressurreição, são particularmente marcantes no imaginário. Provocam o surgimento de belíssimos trechos musicais que não deixam mesmo os mais convictos ateus que amam música, indiferentes ao sublime artístico muitas vezes alcançado. Nos diversos ritos cristãos, como em anos anteriores temos dado nota, a Páscoa é celebrada com uma intensidade e espessura musical inigualável.

Na liturgia católica romana, durante as três noites da Semana Santa, quinta, sexta e sábado, as luzes extinguem-se para dar lugar às trevas que se dissiparão com a ressurreição. Há um apagamento progressivo das luzes até às trevas totais. A tradução musical desse sucesso começou por ser corporizado pelas Lamentações de Jeremias, que são um belo e patético trecho, inscrito no Antigo Testamento. Uma meditação sobre a destruição do Templo de Jerusalém é um poema em que cada verso se inicia por uma letra do alfabeto hebreu. Há numerosas versões polifónicas das Lamentações de Jeremias que foram progressivamente substituídas pelo Lamenti barroco, embora Heinichen, mestre capela de Augusto da Saxónica as tenha recuperado num belíssima oratória barroca. Os Lamenti barrocos, em que se distinguiram, Caríssimi, Cesti, Frescolbaldi, Vivaldi entre outros, têm antecedentes na Renascença, nomeadamente com Lassus, Maissano, Palestrina.
Em França os Lamenti foram adaptados ao “gosto” dominante na corte, juntando ao rigor declamatório uma particular ornamentação. Surgem as Lições das Trevas que tiveram em Charpentier, Couperin, Delalande, Brossard os seus mais lídimos intérpretes. Continuar a ler

No âmbito de um trabalho entre as disciplinas de História e Geografia de Portugal e de Português e em parceria com o museu do trabalho de Setúbal, foi apresentado aos alunos do 5.º ano da escola Luísa Todi, uma pequena biografia de Luísa Todi, a cantora na sua época e a sua ligação a Setúbal.
O museu do trabalho realizou e representou a peça de teatro “Luísa Todi apresenta-se”.
Para situar a cantora no tempo e a ligar à história de Setúbal, fiz este pequeno vídeo para os alunos e que aqui partilho.

Os Músicos do Tejo remeteram-me esta interpretação excepcional em violoncelo barroco de Paulo Gaio Lima que integra a sua orquestra. É uma obra de um compositor pouco conhecido, Joseph Marie Clément Ferdinand dall’Abaco (27 mar 1710 – 31 de Agosto 1805) foi um belga violoncelista e compositor . Nasceu em Bruxelas, na Bélgica e foi musicalmente orientado e treinado por seu pai, Evaristo Felice dall’Abaco .
Aos dezanove anos Abaco entrou ao serviço do Príncipe-eleitor de Bonn, Alemanha e tocou na orquestra de câmara . Foi nomeado seu diretor musical em 1738. Viajou para Inglaterra em 1740. Em 1753 mudou-se para Verona , Itália , onde trabalhou como membro da Academia Filarmônica . Em 1766 recebeu o título de barão pelo príncipe Maximiliano da Baviera.
Abaco escreveu quase 40 cello sonatas , o Capricci para Violoncelo Solo , e outras obras. Muitas de suas composições foram escritas num estilo barroco, antiquado na época.
Abaco morreu em Verona, com a idade de 95 anos.

Gozem esta música desfasada no tempo mas de um encanto e de uma exigência excepcional para o interprete

showbiz-alan-resnais

O meu primeiro contacto com Alain Resnais, já lá vão mais de 50 anos, foi “O Último Ano em Marienbad”. Fascínio e perplexidade.

Fascínio partilhado para a meia dúzia de pessoas que ficaram na plateia do cinema Roma, perplexidade partilhada com todos os outros que abandonaram a sala. Fascínio e perplexidade que me fizeram voltar a ver o filme uns dois dias depois. Crescia o fascínio, a perplexidade ia-se apagando. Ainda antes de rapidamente sair de cartaz fui vê-lo uma terceira vez. Agora era só fascínio. A perplexidade tinha-se apagado definitivamente.
Quando li que Alain Resnais disse que no filme o que quis foi “determinar se é possível representar, mesmo aproximadamente, a mecânica de pensamento, não na realidade, mas nas mentes dos personagens.”, tudo o que já era claro, mais claro ficou.
Associavam-no à nouvelle vague, coisa difícil de poder ser avialada num Portugal censurado. O que nos deixavam ver da nouvelle vague  e de Resnais, indicava que Alain Resnais trilhava um caminho autónomo, diferente. Mesmo que não houvesse nouvelle vague, haveria sempre Resnais. Provavelmente o equívoco foi construído por o “O Ano Passado em Marienbad” estar associado ao novo romance, o guião é de Alain Robbe-Grillet, e o seu outro filme “Hiroshima, Mon Amour”, estar ancorado no romance de Margueritte Duras. Ansiosamentre esperei pelo próximo filme. Nunca se sabia o que passava e como passava nas malhas da censura. Antes de o ver li o livro de Duras, a carta que Resnais escreveu a Margueritte Duras, sobre “Hiroshima, Meu Amor”. Continuar a ler

“Entre Dos Aguas” a primeira composição de Paco de Lucia que lhe deu renome mundial

Morreu Paco de Lucia um dos renovadores do flamenco. Um guitarrista que “tenia duende” como dizia Federico Garcia Lorca, A melhor homenagem é ouvi-lo, a solo, num diálogo de guitarras com Manolo Sanlucar, em que dois géneros de flamenco sevillanas

e bulerias

ultrapassam os limites consagrados para se aproximarem do sublime. Por fim com um enorme “cantaor” , também com duende, que morreu precocemente nos anos 80 Camaron de la Isla que estava também a fazer uma revolução no flamenco só comparável com a que Piazzola fez no tango. Ouçam-nos num poema de Lorca, “Romance de la Luna”, também com Tomatito Continuar a ler