economia, Política

Primeiro Ano de Um Assalto à Mão Armada

Faz hoje um ano que desembarcou em Portugal, a troika. Um bando de conhecidos assaltantes das economias de vários países para as subjugar e colocá-las a render em benefício do grande capital especulativo, entrincheirado numa coisa abstracta a que chamam mercados.

São especialistas do crime perfeito. Emprestam a juros que fariam os agiotas dos romances de Dickens ficar roxos de inveja. Impõem condições para a canalização desses empréstimos, dedicando uma grossa fatia para a banca. Dos 78 mil milhões de euros de empréstimo a Portugal, 12 mil milhões são para a banca, na esteira do que faz um dos seus mandantes, o Banco Central Europeu que emprestou nos últimos meses biliões de euros, em Dezembro foram 420 mil milhões de euros, na semana passada 550 mil milhões de euros a vários bancos europeus, portugueses incluidos, a juros muito favoráveis, perto do zero, com fez questão de acentuar seu presidente Mário Draghi. Bancos que irão realizar fabulosos lucros emprestando depois esse dinheiro a juros altíssimos aos agentes económicos, Estado incluído, dos vários países. É a financerização da economia, uma das receitas da troika, ou não fossem eles um dos braços armados do grande capital.

Para o quadro ser completo impõem igualmente um número de remédios, a que chamam medidas estruturais, que têm um único objectivo: arranjar um exército de mão de obra barata, no caso muito dela bem qualificada, destruir o tecido produtivo para o entregar de mão beijada às multinacionais, tornar o Estado irrelevante como agente económico. Ensinamentos colhidos numa besta apocalíptica da economia chamado Friedman, que habita a mesa de cabeceira de Vitor Gaspar, e experimentou as suas teorias no Chile de Pinochet, organizando uma pilhagem sustentada pela ferocidade da ditadura.

Passado um ano os resultados não enganam ninguém. Continuar a ler

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Geral

Lenga-Lenga dos Ministros Marretas

Exausto de ouvir as perorações dessa gente ministeriável nos debates na generalidade e na especialidade do OE 2012, gente que se repete repetindo receituários malfazejos, com resultados mais que previstos e vistos, badalam-me na cabeça lengas lengas menos ociosas que as suas conversas. Querem que os ouçamos como gente tecnicamente apetrechada e lengamlengam tonterias e parvoidades cheias de pó e teias de aranha. Quando falam só os consigo ouvir como gente pouco séria que são e cujas conversas intermináveis, bem espremidas, se resumem a isto:

A crise a andar
A recessão a avançar
O álvaro mais o victor a palrar
As reformas estruturais a acenar

A crise a agravar
A recessão a intensificar
O álvaro mais o victor a arengar
Que em 2012 vai tudo melhorar

A recessão a aumentar
O país a afundar
O álvaro mais o victor a aldrabar
O fim da crise a inventar

Os ministros lá de fora
Os ministros que vieram cá para dentro
Que nos querem fazer a cama
Dizem assim ao país
Sete e sete são catorze,
Com mais sete vinte e um,
Tenho sete Chicago boys
Gosto de todos e de mais um
Vamos Portugal lixar
Para o capital bem amar

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Geral, Política

As batatas, o desvio colossal e o amigo Obama

Batatas, couves e cebolas

Batatas, couves, cebolas, pimentos e feijão verde, ainda plantados na terra, passaram a inclui-se nas listas de roubos. O facto tem vindo a ocorrer nas últimas semanas e foi relatado por agricultores do Baixo Mondego.

Não fosse o facto poder ter a ver com desesperadas carências alimentares de alguém, quase que poderíamos sorrir. É que roubar produtos vegetais numa época em que se roubam caixas de multibanco com recurso a explosões de gás e se multiplicam os assaltos a ourivesarias e outros estabelecimentos comerciais… Mas quando a fome aperta…

Desvio colossal

Vítor Gaspar, o novo ministro das finanças, tal e qual um bom escuteiro, bem tentou aplainar as palavras do chefe. Segundo explicou, de forma expressiva e minuciosa, não se tratava de um “desvio colossal” entre o orçamentado e o executado, mas sim de “trabalho colossal” o que aí vem. Só essa sequência lhe atribirá um lugar no podium dos separadores televisivos. E logo se percebeu também que temos ali um político de fino recorte humorístico.

Pior é não se perceber quem tem razão quanto ao desvio. Se o responsável das finanças V. Gaspar que, na passada semana, terá referido uma diferença de mais mil milhões de euros na despesa pública, se o primeiro-ministro que referiu em Vila Real um valor na ordem dos dois mil milhões de euros. Mil milhões de diferença entre as duas versões…

O amigo Obama

Já sabíamos que os políticos americanos têm Portugal em pouca conta. Agora foi confirmado pela boca do Presidente B. Obama. “Nós não somos Portugal”, disse o primeiro presidente negro dos EUA ao ver-se acossado pela oposição republicana e em apuros para evitar o incumprimento de pagamentos da dívida americana. Ou os Estados Unidos baixaram de divisão ou Portugal passou a jogar no mesmo campeonato…

Bem pode o embaixador dos Estados Unidos, em jeito de controlo de danos, afirmar que o seu país “aplaude as medidas”  tomadas pelo seu aliado luso. Com amigos e ajudas destas, Portugal é cada vez mais empurrado para o fundo do poço da bancarrota – isto quando ainda há poucos dias os novos governantes afirmavam querer afastar (!) o país da Grécia,

 

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Política

Temos Ministro! Mais Um!!!

No debate do programa do XIX Governo, uma montra de banalidades a embrulhar a mais radical política liberal que alguma vez se propôs aplicar em Portugal, entre a tropa de ministros há um ministro em foco, sobre que recaem enormes expectativas, o ministro do Estado e das Finanças Victor Gaspar. Expectativas positivas por parte do grande capital, negativas por parte dos trabalhadores e dos pequenos e médios empresários. Nestes, alguns dos que ainda dão crédito, a curto prazo serão desenganados.

Victor Gaspar abriu a tenda e desembrulhou o tapete das políticas que, para mal de nós todos, se propõe pôr em prática.

Na fase das perguntas, Honório Novo, questionou o ministro sobre a privatização de empresas que dão lucro ao Estado, aquilo a que Jerónimo de Sousa, durante a campanha eleitoral, com toda a propriedade resumia num apotegma particularmente eficaz : o bife do lombo.

Víctor Gaspar, de certo ultra convencido das suas qualidades histriónicas, enraizadas numa suposta superioridade técnica, optou por um exercício de humor respondendo que a Microsoft também dá lucro e não é por isso que alguém pede a sua nacionalização.

Uma graçola pífia que passa ao lado da pergunta para falhar clamorosamente o alvo. O próprio deve ter sido o único que se riu com a pilhéria. Mesmo os colegas de bancada devem ter ficado interditos com o despropósito que nem o amarelo de um sorriso merece.

Lá que o homem transpira vaidade por todos os poros é visível a olho nu e não há desodorizante que lhe valha, mas com intervenções deste jaez, a que se soma o inscrito no programa do governo, certificou-se o que se pode esperar daquela cabecinha.

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