Costumes, Geral

Sorriso Amarelo

O governo comemorou um ano de malfadada existência aproveitando para dizer, em vários tons e com as mais variadas formulações, que vai continuar com contumácia a degradar a vida dos portugueses, a aumentar o desemprego, a fazer regredir os salários e os direitos dos trabalhadores até à fronteira da servidão, talvez mesmo ultrapassar essa linha civilizacional. O Borges, o não ministro com super-pastas governativas que ganha dezenas de milhares de euros pagos pelos contribuintes, falou sem papas na língua quando disse que era “uma urgência baixar os salários”, o que valeu nalguma imprensa, aplausos de alforrecas pensantes que devem achar o trabalho degradante e por isso se dedicam á escrita de opiniões que nem em papel higiénico merecem ser impressas mesmo tendo garantido o final mais consentâneo com o seu teor. Não falou sozinho. Com cambiantes mais coloridas ou mais sombrias o mesmo foi dito por outros., Decifre-se o que o Gaspar disse, as curvas e contra curvas do Coelho, as cambalhotas do Álvarito, até a invenção Impulso Jovem apresentada pelo grande Relvas que, com as liberdades dadas para desempregar, vai provocar um aumento dos despedimentos substituindo alguns dos “dispensados” por jovens desempregados a baixo custo e subsidiados pelo dinheiros dos contribuintes, e a inevitável troika que vem descobrir que a razão para o aumento do desemprego é a mais improvável, os salários e as leis laborais, quando Portugal é o país na Europa onde é mais fácil e barato despedir e praticam-se salários que são dos mais baixos, o que só atesta a perseguição de um objectivo ideológico por mais estúpidos e falsos que sejam os argumentos.

Quando a indignação faz crescer a raiva nos dentes, fechando as hipóteses a qualquer gota de humor, descobre-se um facto que faz abrir a boca de espanto e desenha um sorriso amarelo: somos um país altamente monitorizado. Quem diria? Quando as previsões falham sistematicamente, quando se demonstra o cúmulo da incapacidade de fazer previsões, de supervisionar o que quer que seja pela boca do senhor Constâncio que reafirma que não era possível calcular os custos da “nacionalização” do BPN e que a supervisão andou anos a ver passar os comboios de dinheiro debaixo dos seus olhos sem perceber o que se passava, numa demonstração da ineficiência que ele acha natural. Como deve achar natural que dez mil milhões de euros se evaporem nos cofres do BPN sem deixar rasto. Como se evaporaram quinhentos mil euros no Freeport que os investigadores detectaram ter desaparecido só que não sabem para onde. Pronto, desapareceram para parte incerta, como desapareceram milhões de euros no BPP, como voaram e continuam a voar milhões para offshores sem que nenhum radar dê por ela. Isto acontece num país que tem serviços de informações que esmiuçam a vida dos cidadãos, onde se encontram instalados e em funcionamento centenas de observatórios que observam tudo e mais alguma coisa. Devia dar vontade de rir! Pelo menos traça um sorriso amarelo, também pode ser de outra cor, ler esta lista de observatórios onde se devem produzir relatórios detalhados sobre as matérias a que se dedicam. Leiam, não se sabe se escapou algum, o que se fará com tão certamente doutos relatórios produzidos por tantos olhos experimentados é que já é um mistério.

A lista é longa, deve estar incompleta. Se aos observatórios se somarem os institutos, as autoridades reguladoras e mais não se sabe bem o quê de entidades que se dedicam a essas actividades, temos um país visto ao microscópio, minuciosa e cientificamente esquadrinhado!

Ai vai uma lista provisória: Continuar a ler

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Política

O Imperador do Bananal Madeirense

A dívida na Madeira até agora conhecida, antes da auditoria que está a ser feita esteja terminada, é de € 1 700 000 000, quase dois mil milhões de euros. Situação inquietante, irregularidades graves, omissões incompreensíveis, as frases circulares dos entalados governantes.

O- mi-nis-tro-das-fi-nan-ças-tão-rá-pi-do-a-de-cre-tar-im-pos-tos-diz-que-a-si-tua-ção-na-ma-dei-ra-pa-re-ce-lhe-u-ma-si-tua-ção-de-cri-se-u-ma-si-tua-ção-gra-ve. Parece? Não é? Uma dívida per capita que não deve ter paralelo em qualquer parte do mundo, só lhe parece grave? Personagem tão rápida em graçolas provocatórias mostra-se como de facto é, não os tem para enfrentar o Bokassa do Atlântico Norte. Continuar a ler

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