autarquias, Geral, PSD, Setúbal

Lições de (in) coerência para memória futura

“Não há nenhum comboio a apanhar para as legislativas nem para as europeias. Não há, a minha paragem é esta, não é mais nenhuma. Eu estou por aqui, não escolhi outro apeadeiro. Se, porventura, possa, ou não, ficar apeado em futuras eleições autárquicas, meus caros, ainda falta muito e não sei quantos de vós ou eu ficarão, ou não, apeados, porque, hoje em dia, dois anos e tal na política é muito tempo, mas não tenho outras paragens. Não tenho mesmo. A minha agenda é local e tem a ver com Setúbal, com a minha terra, porque eu gosto. É o meu gosto fazer política local e não é mais nenhum outro. Posso dizer isto com toda a segurança, porque, sempre que me convidam para qualquer outra lista, qualquer outra situação, peço sempre para ir bater lá para o fundo, como foi nas europeias. Portanto, a minha lógica é mesmo local.”

Nuno Carvalho, vereador do PSD na Câmara Municipal de Setúbal, na reunião de câmara de 5 de junho de 2019, em declaração proferida um mês antes de ser anunciado como cabeça de lista do PSD pelo distrito de Setúbal às eleições legislativas de outubro de 2019. Em entrevista ao jornal “O Setubalense” publicada no dia 17 de julho, quando questionado sobre se se “sente à altura de ocupar” o lugar de deputado, respondeu: “Demorei segundos a dizer que sim ao presidente do partido“, que, neste caso, é Rui Rio, vencedor da disputa interna a Santana Lopes, o candidato à liderança social democrata que foi apoiado pelo agora candidato a deputado nas eleições internas do PSD. O mesmo Nuno Carvalho que, em outubro de 2017, “O Setubalense” indicava como subscritor de um manifesto em que se garantia que “Pedro Santana Lopes é a única personalidade com condições de unir o PSD e motivar as bases para os importantes combates que se aproximam“.

Nuno Carvalho foi o candidato do PSD à Câmara Municipal de Setúbal que obteve, nas eleições autárquicas realizadas desde 2001, o pior resultado deste partido.

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Cultura, Geral

O concertino dos Concertos de Violino de Chopin

ImageO novo Secretário de Estado da Cultura, depois de ter anunciado para a cultura um novo paradigma que ninguém provavelmente nem sequer ele próprio sabe qual é, veio fazer pública demonstração da sua abrangente cultura.

Não resistindo a dar prova de vida, fez publicar nota necrológica na morte de António Pardal Monteiro elogiando a sua obra arquitectónica. Só que o desastre cultural que o novo paradigma anuncia estende-se aos saberes e conhecimentos de Jorge Barreto Xavier. No texto atribui-se a António Pardal Monteiro, o projecto da Biblioteca Nacional, obra do seu tio Porfírio Pardal Monteiro, um dos grandes arquitectos do Estado Novo, muito apoiado por Duarte Pacheco. Obra impossível de ser projecto de António Pardal Monteiro que é autor das duas enormes torres de vidro que irrompem do edifício original do Instituto Superior Técnico e que devem ter feito o seu tio, autor do projecto original, dar várias voltas no túmulo.

Coisas que escapam entre as pregas de cultura do Sua Excelência o Secretário de Estado da Cultura. Valeu a pena sentar-se persistentemente à porta do primeiro-ministro, de se por em bicos dos pés sempre que via passar um relvas qualquer, para ver se se lembravam dele. Mal se viu sentado no cadeiral do governo,  garantiu a celebridade.

Santana Lopes, estás perdoado! Jorge Barreto Xavier agarrou o arco do violino concertino dos Concertos de Violino de Chopin.

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Política

Afinal, parece que não há juristas na SCML…

E eu que andava convencido que os recentes reforços de juristas contratados para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, graças à inestimável rede de amizades dos ilustres membros da Mesa desta instituição, dispensava mais “ajustes” destes… Mas esta é a gente que anda sempre a falar, de cátedra, com falsa e oca superioridade moral, dos “ajustes” alheios. Reconheçamos que 18.750 euros por ano para tratar meia dúzia de processos disciplinares não é nada mau…

A bem da contenção e da austeridade que tanto defendem — para os outros, claro, porque eles têm sempre algo de mais importante nas tarefas que desempenham que tudo justifica — seria interessante que também alguns dos juristas que julgam, e bem, que aquilo é a Santa Casa, contribuíssem para o cumprimento das metas orçamentais, para o déficit e essas coisas assim, entregando os seus cargos e deixando tudo para os Ruis Gomes da Silva.

Será interessante, aliás, perceber como funcionam as nomeações para a mesa da SCML. O provedor é nomeado por despacho conjunto do primeiro ministro e do responsável da tutela, que, por sua vez, nomeia os restantes membros da mesa, por sugestão do Provedor. Vale a pena ver aqui quem são estes dirigentes, cujos salários têm, de acordo com os estatutos da SCML, por referência os montantes salariais estabelecidos para os gestores públicos, que, por sua vez, têm o salário indexado ao vencimento do primeiro ministro, que até nem é nada mau. É verdade que Santana Lopes até prescindiu do vencimento, mas, afinal, para que raio quereria ele aquilo? Já lhe basta as outras coisitas que recebe graças à sua valorosa prestação como deputado e outras coisas afins desde tenra idade…

Aguardo ansiosamente pela tomada de posição dos juristas da SCML à contratação deste amigo de peso do senhor provedor.

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Política

O líder da oposição

Santana Lopes, de quem os nossos jornalistas se lembram de vez em quando, talvez porque seja um personagem que dá uma certa cor às notícias, indignou-se com a possibilidade de o PSD apoiar uma moção de censura vinda da esquerda parlamentar.

“Era só o que faltava”, berrou o Menino Guerreiro. Moções só as apresentadas pelo líder da oposição, clarificou. Ou seja, moções, sejam lá elas quais forem, só as do Passos e mais nenhumas! E disse mais: “quem manda na oposição tem que ser o líder da oposição“. Até parece que o Passos é líder de um partido chamado oposição…

Santana, ignorante que nem uma porta, continua a alimentar o desejo de transformar a realidade política portuguesa num domínio bipolarizado, controlado por barões e baronetes do PS e do PSD, e esquece-se que existe um vastíssimo conjunto de cidadãos que não se revêem nem num, nem noutro. Na verdade, são cada vez mais aqueles que não se revêem em ninguém e que já nem se dão ao trabalho de ir fazer a cruz no voto. Mas há ainda muitos que fazem o esforço e não é para votar nesse “líder da oposição” que só existe na cabeça do Lopes.

Por isso, se Santana quer mandar recados lá para o partido, que se esqueça lá dessa coisa do “líder da oposição” e diga o que quer, porque o pessoal há já muito tempo deixou de ter a necessária e devida paciência para achar piada aos disparates que ele vai dizendo.

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