Geral

Mercado do Rio Azul já abriu

Rui Canas, presidente da União de Freguesias de Setúbal, falou à Praça do Bocage sobre o novo Mercado do Rio Azul, um investimento de 350 mil euros na qualificação de um equipamento essencial para as populações do concelho de Setúbal.

Com este pequeno video iniciamos, no blogue Praça do Bocage, a publicação de uma série de depoimentos sobre o concelho de Setúbal.

Standard
Setúbal

Setúbal, Sado, Arrábida

Azul sobre azul. O Sado e a Arrábida fazem-nos esquecer, por momentos, o dia-a-dia. Momentos mágicos de beleza e tranquilidade numa simbiose quase perfeita.

Na imagem, em primeiro plano, a popular praia de Albarquel, a estância do povo de Setúbal. Ao fundo divisa-se a fortaleza de Santiago do Outão e as instalações do complexo cimenteiro .

Standard
Geral, Setúbal

Rio azul (em Janeiro)

Image

Setúbal, eu tenho pena
de não te poder cantar.
Tu és mote de um poema
que ninguém pode ensinar

Se a beleza em qualquer lado
Se medisse com dinheiro
com a princesa do Sado
comprava-se o mundo inteiro

Onde é que existe um rio azul igual ao meu
que em certos dias tem mesmo a cor do céu,
minha cidade é um presépio é um jardim

queria guardá-la inteirinha só para mim.

Setúbal terra morena
onde tudo fica bem,
tens a beleza serena
no rosto de minha mãe.

Ó rio Sado de águas mansas
que pró mar vais a correr,
não leves minhas esperanças

Poema de Laureano Rocha, um setubalense nascido na Galiza , musicado pelo setubalense Mário Regalado. Para ouvir a versão cantada pelo Cantares do Sado clique aqui.

Image

Standard
Setúbal

A discoteca da Helga e os barcos para a Tróia

Os preços e os horários dos transportes fluviais para a península de Tróia, assegurados pelos ferrys e catamarans da Atlantic Ferries, empresa do universo empresarial Sonae, têm sido motivo de variadas discussões e tomadas de posição de pessoas e entidades preocupadas com a degradação do serviço público que aquele meio de transporte deve assegurar.

Os horários em vigor desde 1 de julho referem a realização de 25 viagens por dia para cada lado nos ferries, mais uma aos fins de semana. Entre abril e junho apenas se realizaram 12 viagens diárias entre cada margem, quando antes eram trinta os percursos efectuados.

A acentuada redução do número de carreiras dos ferries corresponde, nos meses de verão, a uma redução de 48 por cento em relação ao número de viagens que a antiga concessionária, a Transado, efectuava. Se a comparação entre o número de carreiras efectuado pelas duas empresas incidir nos horários praticados pela Atlantic Ferries entre abril e junho, a redução registada foi de sessenta por cento em relação ao número de viagens feitas pelas embarcações de transporte de viaturas da antiga concessionária.

A redução constante do número de viagens entre cada margem não foi, contudo, acompanhada de uma redução do preço dos bilhetes, que custam hoje dois euros por pessoa e por percurso e 9,60 euros para uma viatura com o condutor. Se pegarmos no lápis e fizermos as contas, facilmente se conclui que uma família de quatro pessoas, em que as crianças tenham mais de dez anos, paga 16 euros por dia para ir à Tróia. Se se quiser passar para a outra margem com viatura e voltar, o preço a pagar por uma família de quatro pessoas ascende, então, a 31,20 euros (9,60 x 2 da viatura e do condutor mais 12 euros de três passageiros). Se o condutor optar, ajuizadamente, diga-se, por ir pela auto-estrada, então terá de pagar 8,10 em portagens no percurso Setúbal-Alcácer-Setúbal e em combustível cerca de 20 euros para os 106 quilómetros de percurso, ou seja, a festa fica em 28,10 euros, menos 3,10 euros do que a viagem de barco. Se optar por ir pela estrada nacional, ainda mais barato fica…

É certo que esta questão está mais do que discutida, os protestos mantém-se e as populações continuam a ser prejudicadas por estes horários e tarifas exorbitantes, com forte impacto na actividade económica, em particular a das populações da margem sul do Sado.

Face aos protestos que se têm feito ouvir, a Atlantic Ferries faz ouvidos de mercador e insinua, sem o afirmar, que os prejuízos decorrentes da actividade da empresa são de tal monta que o melhor seria fechar. A APSS, entidade que concessiona o transporte de passageiros e de viaturas, tem feito tudo para que ninguém repare nela e e cala-se bem calada, quando seria de esperar que já tivesse tomado posição sobre a matéria, em defesa dos interesses das populações da região.

Tudo isto é extraordinário. Mas mais extraordinário é descobrir-se que, afinal, a empresa decidiu estender o horário de funcionamento dos barcos, não por causa dos protestos, não por causa do interesse público, não por causa das necessidades das populações, não por causa dos setubalenses que sempre fizeram de Tróia o seu local de eleição. Não. Nada disso…

A Atlantic Ferries vai estender o funcionamento dos barcos durante toda a noite no período de Verão porque, fica-se a saber pela revista “Nova Gente” de 19 de julho, o novo projecto de Helga Barroso — a senhora que é sócia daquele notável empresário da hotelaria que se chama Luis Evaristo e que abre uns espaços de dança no algarve no período estival com nomes esquisitos e muita cobertura mediática paga a peso de ouro — já está em funcionamento num dos espaços do Troia Resort e, por isso, é preciso transportar fora de horas os foliões da margem boa para a margem mal cheirosa do Sado.

Mas desenganem-se aqueles que pensam que tanta generosidade é para manter. Nem pensem nisso. A brincadeira deve acabar a 25 de Setembro, data em que fecha o Luv, o tal espaço da notável Helga Barroso. Depois disso, quem quiser que vá dar a volta por Alcácer, que a vida está cara e a Atlantic Ferries não é a Santa Casa…

Mais uma vez fica demonstrado que serviço e interesse públicos são coisas para os outros, mas não para a Sonae. Quando se trata de favorecer os interesses privados do dono do resort, aumentam-se a frequência das carreiras, nem que isso dê prejuízo. Quando o que está em causa são os interesses das populações da região, nem pensar em aumentar a frequência das carreiras, porque a Atlantic é uma empresa privada e não anda cá para perder dinheiro, ideia com que a APSS até parece estar de acordo. Enfim, será assim agora, porque com a Transado parece que o rigor nas exigências era outro, em particular no que diz respeito aos horários.

Ao que isto chegou…

Standard
Geral

Mais rio

A Câmara Municipal de Setúbal fez saber que vai avançar com as obras de requalificação da Praia da Saúde, entre a Doca dos Pescadores e o Parque Urbano da Albarquel.

Depois da transformação do antigo Parque de Campismo da Toca do Pai Lopes em Parque Urbano — o que obrigou, naturalmente, ao encerramento, em 2003, do parque e à retirada dos campistas permanentes que o ocupavam há dezenas de anos, não sem forte contestação, aproveitada por alguns oportunistas — a requalificação da Praia da Saúde é, sem dúvida, uma das mais importantes acções, nas últimas décadas, de abertura da zona ribeirinha sadina à população.

A obra assume uma particular importância no contexto de progressiva vedação do acesso ao rio que a Administração Portuária, verdadeiro Estado dentro do Estado, tem praticado. O acesso à frente ribeirinha setubalense entre a Doca do Comércio e a península da Mitrena está totalmente vedado por instalações portuárias, sem que a APSS alguma vez tenha investido na criação de condições de fruição de rio pelos setubalenses e, pior, sem que esteja minimamente interessada em criar condições que favoreçam a náutica de recreio, o que, numa cidade com as características de Setúbal, seria absolutamente normal.

A obra da Praia da Saúde, que tem associada a opção camarária de desistir de construir habitação naqueles terrenos, oferecendo-os totalmente à fruição da população, é, pois, de enorme importância para a qualidade da cidade. Espera-se agora que os estaleiros que ainda lá estão saiam o mais rápido possível para que o sucesso que é o Parque Urbano da Albarquel se extenda a toda aquela zona. Para que tenhamos todos Mais Rio.

Standard
Geral

Sado/Arrábida, uma região?

Carlos Vieira de Faria é um sociólogo sobejamente conhecido pelos seus trabalhos sobre Setúbal, a cujo estudo se dedica há mais de trinta anos. Em boa hora entendeu a Câmara sadina convidá-lo para palestrar sobre o futuro de Setúbal, no âmbito das comemorações do 150º aniversário da elevação a cidade.

Vieira de Faria veio relembrar-nos o que já todos sabíamos: a gradual perda de importância de Setúbal no contexto regional e nacional. Perda política e económica mas, se calhar e mais preocupante, perda simbólica.

Todos sabemos que o distrito de Setúbal é uma realidade cada vez mais desconexa – aliás, há mais de uma década que os distritos estão para ser extintos. Os municípios alentejanos do sul do distrito há muito que optaram por se integrar nas estratégias para o litoral alentejano . Os concelhos ribeirinhos do Tejo mantém importantes interacções com Lisboa.

Já havíamos também percebido que o modelo das pré-regiões (NUT’s II) deixou Setúbal na periferia de “região” de Lisboa e Vale do Tejo, fazendo fronteira com o Alentejo, de que faz parte a metade sul do seu (ainda) distrito. Machadada de grande simbolismo e nefastos efeitos, pelo menos até à data, foi a extinção da Região de Turismo da Costa Azul e a delegação da nossa promoção turística numa agência com sede em Santarém.

Mas, voltando a Vieira de Faria, ele veio chamar-nos a atenção para o mapa de Setúbal. E pediu-nos que reparássemos nesse conjunto extraordinário formado pela Arrábida e pelo Sado. E lembrar-nos da histórica ligação com Palmela, com quem Setúbal já constituiu um concelho único. E aí temos uma pequena região formada pelos actuais concelhos de Setúbal, Palmela, Sesimbra a que podem ser associados outros concelhos do arco ribeirinho do Sado – Alcácer do Sal e Grândola. Um conjunto com cerca de 267.000 habitantes…

Não precisamos de muita imaginação para ver sinergias entre estas “terras”, tão próximas e tão historicamente ligadas. Claro que há que ter alguma imaginação para ultrapassar os circuntancialismos político-administrativos actuais, isto é, dificilmente deixaremos de estar integrados na “região” de Lisboa e Vale do Tejo. Mas poderemos avançar para outras formas de relacionamento com os municípios da Arrábida/Sado.

Uma discussão que deve começar a ser feita para reposicionar Setúbal no lugar que merece.

Standard