Geral

As gravatas da Crista

Nos tempos que correm, a tomada de medidas gravosas para quem trabalha, como a que o Governo explicitou ontem de aplicar uma sobretaxa extraordinária aos subsídios de natal de milhares de portugueses (medida embrulhada num manto de “equidade social” que, se não fosse tão triste o que se está a passar, só serviria para rir), tem de ser acompanhada por pequenos disparos comunicacionais que mais não pretendem do que amortecer o impacto do que é anunciado.
O anúncio público, ridículo e desnecessário, de que o Ministério da Agricultura vai dispensar o uso de gravata, para poder baixar a temperatura dos gabinetes arrefecidos a ar condicionado a uns assombrosos 25 graus e reduzir a “pegada ecológica” daquela estrutura ministerial, é um desses disparos. Mais não se pretende do que dizer aos que vão sofrer as consequências da redução do subsídio de natal que também o Governo está a sofrer. Mais dois graus na temperatura. E até se tem pena dos engravatados.
Se não fosse trágico, seria ridículo… Como se fosse possível amortecer o impacto de um roubo institucional, um roubo de Estado a quem trabalha, aliás, os únicos que, como sempre, pagam a crise, com o anúncio de que se vai dispensar o pessoal da agricultura de usar gravata.
Má sorte, a dos portugueses…

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Política

Eles comem tudo…

Comem tudo e não querem deixar nada. A sínteses das medidas mais gravosas que o FMI quer impor aos portugueses já é conhecida. Não fica pedra sobre pedra do que os portugueses construíram laboriosamente no pós 25 de Abril, tudo em nome da “saúde” do sistema financeiro ou, melhor, da saúde financeira de meia dúzia.

O mais extraordinário é que ainda se vai ouvindo gente do PS a querer convencer-nos de que este é um bom programa de “ajuda”, a querer convencer-nos de que a “ajuda” do FMI é uma vitória de Sócrates. Ainda ontem ouvi algo parecido na reunião de câmara em Setúbal, vindo dos vereadores do PS. É a total falta de decoro político e de respeito pela inteligência de todos nós.

Pois então tomem lá uma síntese, preparada pelos deputados do PCP, das medidas mais gravosas já conhecidas e depois digam-me se ainda continuam a dizer que esta é uma boa “ajuda”? Continuar a ler

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Política

Descubra as diferenças I

O congressista do Partido Democrata norte-americano Bob Etheridge acordou mal disposto ou bebeu uns canecos a mais, tanto faz. A uma pergunta aparentemente simples, colocada em plena rua por um jovem estudante envolvido num projeto escolar, reagiu desta maneira:

A força viral do youtube é, de facto, muito poderosa. Mas a forma como os políticos americanos encaram as relações com os eleitores e com a sociedade também se reveste de características muito específicas. Pouco demorou para que o senador viesse a público, no seu site, lamentar a reação que teve (link na imagem):

Agora, descubra as diferenças entre Bob Etheridge e o nosso luso deputado Ricardo Rodrigues, que, perante perguntas que ele sabia previamente que seriam desagradáveis (e ele até parece não ter bebido caneco nenhum), reagiu assim:

Até agora, o que se viu foi apenas mais arrogância deste deputado, com recurso a tribunais e a providências cautelares que decidiu interpor, como se fosse ele o roubado. Pior: foi o próprio líder parlamentar do PS quem veio a terreiro caucionar a atitude de Ricardo Rodrigues, abrindo as portas a todas as barbaridades que os deputados no futuro queiram cometer no parlamento.

A diferença não reside na diferença de nacionalidades. Reside apenas na forma como cada um interpreta e percepciona o funcionamento dos regimes democráticos. Ricardo Rodrigues já demonstrou que não interpreta nem percepciona… E este é o deputado que agora aparece a contestar as conclusões do inquérito PT/TVI.

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