Política

É da minha vista…

É da minha vista ou Mário Soares acaba de ameaçar José Sócrates? Escreveu o velho cacique no DN que, “no actual contexto politico-partidário (…) Sócrates cometeu um erro grave, que porventura mesmo lhe poderá ser fatal e ao PS“. Nesta declaração apenas está a mais a parte final “e ao PS“, que, obviamente, deve ter sido acrescentada à última da hora para amenizar o tom de bengalada que Soares queria dar à sua refinada observação das consequências políticas da escolha de Alegre.

Soares diz coisas que são feias e não são bonitas, para parafrasear uma “felicíssima” expressão que lhe saiu na campanha para o Parlamento Europeu há uns anos atrás. Além dessa característica, também tem memória de elefante e não esquece as rimas que o poeta lhe armou nas últimas presidenciais. Curioso é que ele tenha tão boa memória para umas coisas, e tão má para outras. É feio e não é bonito…

Escreve ele que a decisão de não apoiar Alegre se deve “exclusivamente a razões políticas”. Pois…

A ameaça que Soares deixa no ar só pode ter origem numa cabeça que pensa que o PS ainda é Soares e Soares ainda é o PS. Como Sócrates demonstrou, longe vão esses tempos. Parece que o Vítor Ramalho também não percebeu…

A atoarda de Soares faz mais lembrar uma declaração de guerra, de quem se está a preparar para atacar com tudo o que tem à mão um novo inimigo, do que uma declaração meramente política. Não é bonito e, além disso, é feio, até porque o homem já tem idade para estar calado e deixar de prejudicar a vida do partido que ajudou a fundar.

No que me respeita, só me falta mesmo saber o nome do candidato em quem vou votar. Chamem-me o que quiserem, mas é assim.

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Política

As vistas curtas dos soaristas

O PS é um partido plural, proclamaram os dirigentes distritais socialistas que torcem o nariz a Manuel Alegre, depois de mais uma noite a discutir o apaixonante tema do candidato presidencial a apoiar em 2011.

A pluralidade invocada apenas serve a dirigentes como Vitor Ramalho, da Federação de Setúbal, para discordar do apoio a Alegre e condicionar a decisão partidária. Mas, melhor do que isso, foram as condições que alguns destes dirigentes quiseram impor ao possível candidato socialista: “o candidato a apoiar terá de garantir que não interfere na esfera governativa“.

Ora aqui está uma “sábia” imposição a alguém que se queira candidatar ao apoio socialista. Esta condição provoca-me, contudo, uma dúvida: será que Mário Soares — que foi (dizia ele) presidente de todos os portugueses, com o apoio do PS — está de acordo com esta condição? Inclino-me a responder que não, em especial porque é conhecido o comportamento que Soares adoptou em relação ao Governo quando exerceu as funções de Presidente da República. Julgo que ainda ninguém se esqueceu da postura activa de combate aos Governos de Cavaco que Soares manteve (recorde-se o Congresso “Portugal que Futuro?“), sem que alguma vez o PS tenha defendido, então, que o PR deveria garantir que não interferia na esfera governativa.

Compreende-se a tentação socialista. Mas era bom que as vistas destes dirigentes distritais não fossem tão curtas. Será que não desejam que o possível PR Alegre tenha uma postura política interventiva em matéria de políticas governativas quando o País virar à direita e o Governo estiver nas mãos dos ultra liberais Passos Coelhistas?

Ou esperam que, perante as mais do que possíveis alterações nas políticas sociais (e outras…) do Estado, Alegre (ou outro qualquer), enquanto PR, continue a garantir que “não interfere na esfera governativa”. Não me parece…

A garantia que é pedida ao candidato é, pois, mais um sinal da evidente desorientação que grassa no PS e da falta de sentido estratégico de alguns soaristas ferrenhos, incapazes de ver para lá do seu próprio umbigo.

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