Geral

O Triunfo dos Porcos

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A vigarice intelectual continua a provocar-me uma indignação quase adolescente,  quando a intransigência era maior.
Apesar de já prever e conhecer a reacção,  por vezes não  resisto a ir ver programas de televisão que, certamente, me irão indignar. Um deles é  o Frente a Frente da SIC Noticias,  agora muitíssimo melhor moderada,  pelos personagens que por lá desfilam. Um dos seus figuras paradigmáticos é Matos Correia.  O ar porcino acentua a prosápia com que debita mentirolas,  mistifica a realidade,  faz passar gato por lebre,  vende vigésimos premiados. É um dos muitos outros que proliferam e são a maioria dos opinantes na comunicação social. Todos  das mesmas famílias políticas de direita,  alguns mascarados de independentes e/ou tecnocratas. Nessa gente as excepções são raríssimas,  emergindo por razões muitas  vezes conjunturais. A dominante são os matos correias,  os nunos melos.
Nos últimos dias tem sido um carrocel de rasteirices argumentativas para passar a ideia falsa como Judas, de que os contribuintes estão a salvo de serem chamados, mais uma vez, para pagar os desmandos do BES. A farândola agita a excelsa panaceia encontrada com o resgate dos dinheiros públicos aplicados para salvar o BES da falência,  um objectivo correcto, com o recurso ao Fundo de Resolução. Não dizem é que esse Fundo é gerido pelo Banco de Portugal e pelo Ministério das Finanças e que é constituído por uma contribuição extraordinária do sistema bancário, mais ou menos 40 milhões por ano, mais parte dos impostos do mesmo sistema bancário que são assim subtraídos ao dinheiro público,  portanto dinheiro que é de todos nós contribuintes,  que é retirado do Orçamento do Estado. Não  falam da imensa batota que é afirmar que o FR será obrigado a pagar o que não se conseguir pagar com a venda a retalho do BancoBom.  Mesmo que fosse só um terço do que foi emprestado pelo que estava em caixa do dinheiro da troika, mais os 3,5 mil milhões que o BCE emprestou ao BancoBom para devolver o que o Banco de Portugal tinha lá metido a mais,  o FR com os seus próprios meios levaria uns quinze para pagar o que eles dizem irá ser pago, no máximo, em dois anos. De certeza que os bancos não estão pelos ajustes de pagar uma conta de que o actual responsável ė o Estado. A vigarice intelectual é um cavalo à solta sem freio.
O que é inquietante,  o caso BES é um pequeno exemplo, é que isto é  expressão da clarividência do ódio imbecil,  a demonstração da estúpida tenacidade das opiniões falsas,  apócrifas  que,  por vezes,  acabam por fazer vencimento de forma espantosa. Aqui e  no mundo é o triunfo dos porcos para que contribui activamente esse baixo clero contemporâneo que chafurda na pocilga de um pensamento dominante débil,   poderosamente sustentado por uma comunicação social estipendiada e domesticada.
As armas são incomparavelmente desiguais mas não podemos desistir com a consistência da água mole.

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economia, Política

Eles e o meu cansaço

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Há momentos em que sou invadida por um grande cansaço, cansaço que se vai gerando nas ondas dos discursos e vozes que vou ouvindo e que não deixando de os ouvir – por necessidade de me situar pontualmente neste País – acabo muito cansada com eles. Como eles me cansam! Nem imaginam como!

Dei comigo cansada a olhar para o rosto da Ministra das Finanças: vazio, frio, deslavado, seráfico, opaco, impenetrável? Tudo junto ou outra coisa? É que ela cansa-me! Com o seu discurso, semelhante à expressão ou inexpressão do rosto, onde as mentiras vão jorrando! Senão leiam: «Os desequilíbrios mais prementes estão corrigidos e as condições de acesso aos mercados estão melhores, mas ainda é necessário consolidar os progressos e ir mais além no processo de ajustamento» … «Sempre esteve claro (esteve? Eu não dei por isso, mas cansam-me tanto) que o ajustamento teria de prolongar-se além dos três anos definidos no memorando devido aos bloqueios estruturais.» O que é que ela disse ou quis dizer? Porque eu, eu tão cansada que estou!

Diz também pensar que a estratégia actual colocou Portugal no caminho do crescimento sustentado e da criação duradoura de emprego. Como é possível discursar-se assim olhando-nos como patetas? Ou será que é do cansaço que me provoca?

Fala também a seráfica, a vazia ou a cínica num futuro melhor e que não é altura de recuar. Ainda disse mais isto: as propostas de alteração dos partidos ao Orçamento do Estado para 2014 têm de ter “um impacto global neutro no saldo orçamental”. Já sabem que é mesmo grande o meu cansaço, por isso, expliquem-me se o que eu penso é o que pensam desta tirada verbal?

E mais umas das que me cansam da Mariazinha: «garantiu que o Governo está a criar as condições para que a economia portuguesa recupere em 2014.» Contudo, não colocou de parte a hipótese de serem necessárias mais medidas de austeridade (eh, pá, então continuamos na mesma? Na condenação dos que trabalham a apertar o cinto?) para cumprir o défice orçamental definido para 2015: 2,5% do PIB.  

Outro dos cansativos é o ministro do Emprego (ainda lhe pagamos para termos uma ficção como ministro). Senão vejam o que ele considerou muito a sério: «o crescimento da economia portuguesa no terceiro trimestre do ano é “um sinal positivo”, mas reconheceu que ainda “há muitos desafios pela frente.»

«É, sem sombra de dúvida, um sinal positivo, um sinal que dá espessura a um conjunto de outros indicadores que já temos tido, nomeadamente, sobre a matéria do desemprego“, disse Mota Soares à margem do XVII Congresso Nacional do Direito do Trabalho, a decorrer em Lisboa. (claro que foi mesmo à margem do direito ao trabalho).

Até eu que estou muito cansada por eles, percebo que esse ligeiro crescimento se deveu ao ligeiro aumento das exportações do país para a Alemanha e França, as quais estão outra vez em recessão e, portanto, lá se irá o tal de crescimento tão entusiasmante para esta corja de mentirosos.

Não sei por que me cansam tanto! Ou talvez saiba! E fazem-no quase admiravelmente, quase perfeitamente, pois chego quase a dizer-lhes a tudo que sim, desde que me deixem descansar. Perigosos, não? Então ela, a Micas Luís não disse que os partidos da oposição mostravam não compreender nem conhecer os portugueses a propósito do roubo a que estão a ser sujeitos com mais este Orçamento para 14?

Não deixarei de os ouvir, porque quanto mais eles me cansam, mais aumenta a minha vontade de lutar, de prosseguir esta luta contra este cansaço que não me vencerá e hei-de vê-los a todos ir para??? … Onde estão aqueles anjos seráficos (que cansaço me produziam) do Gasparzinho e do Relvinhas? (Pois não tenho de designar assim os tais meninos que certos comentadores e jornalistas persistem chamar a esta quadrilha técnica armada até aos dentes nas minúcias da guerra que nos movem?)

marialuisalbuquerque7

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Política

FALTA DE VERGONHA

Infelizmente para Portugal, a safra de políticos medíocres, incapazes, subservientes tem sido enorme. Durão Barroso é um deles. Anda à bolina na política aproveitando as oportunidades que a vulgaridade, pesado manto que cobre a Europa e o mundo, vai proporcionado a carreiristas de baixo coturno e sem escrúpulos.

Não desmentindo a sua vocação de onzeneiro aproveita a crise em que Portugal está e continuará mergulhado, para espreitar por um buraco, tirar a cabeça de fora e cuspir mais uma mentira, elogiando o seu esporádico governo para se auto elogiar.

Descaramento não lhe falta, quando a coisa mais notável que fez no seu curto consulado, e que é a mais relevante do seu currículo, foi ser porteiro da Base das Lajes abrindo a porta do palco em que Bush, Blair & Aznar mentiram ao mundo com todos os dentes das suas bocas mal cheirosas. À pala desse serviço e de lhes ter engraxado bem os sapatos, era o que faltava para a certificação de ter uma coluna vertebral gelatinosa, foi escolhido para o cargo que agora ocupa.

Sem vergonha nenhuma anda para aí de carcela aberta com empáfia dos que se exibem na esquina da primeira oportunidade, à falta de terem qualquer coisa que mereça uma olhadela. Também seria a única coisa provável de mostrar em quem tem gordura em vez de massa cinzenta no recheio da caixa craniana.

Ouvi-lo é um tédio brutal. Incha com as banalidades que coaxa como o sapo da fábula.Talvez um dia rebente. Ninguém dará por isso.

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Geral

Banais e Onzeneiros

Em Bruxelas a Maga Patalógica mete na ordem

Dupond e Dupont! Puxa orelhas. Dá umas palmadas nos rabiosques e promete que se portarem bem ainda lhes dá uma chucha em segunda mão!
Em Lisboa, longe do olhar perfurante da mandona, Milou    ladra prometendo que vai ajudar os velhinhos a atravessar a rua.
As cenas destas pranchas de péssima banda desenhada estão prontas  para, de uma vez por todas, Portugal ir ao fundo, enquanto nos entretemos em as colorir.
Analistas, comentadores e jornalistas   bilram rendas de chacha.

As peixeiradas e as intrigalhadas de salão continuam enquanto o povo esfaima.

Infortunada pátria minha que tão fatelas filhos dá ao mundo.

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Política

Vendilhões

 

Sold, gravura de Bartolomeu Cid dos Santos

Esta gente que hoje aparece a palrar o que tem palrado durante mais de trinta e cinco anos, enquanto foi vendendo a preço de saldo a capacidade produtiva de Portugal e o endivida crescentemente, vai fazer promessas e mais promessas, fingindo nada ter a ver com os sacrifícios que vão impondo a cada vez mais portugueses, empobrecendo-os, roendo como tenazes térmitas a sua qualidade de vida, os seus direitos mais básicos, enquanto mantém os privilégios de uma minoria cada vez mais minoria.

Nos próximos meses iremos assistir ao circo mediático de quem mente com todos os dentes que tem na boca, incluindo os postiços, jogando entre si um pingue-pongue em que atiram a bola das responsabilidades de uns para os outros, tecendo as teias de aranha das promessas adiadas por uma crise de que eles e só eles são responsáveis.
PS, PSD e CDS poderão ainda sobreviver, poderão ainda angariar a maioria dos votos continuando a enganar quem se deixa enganar ou está tão intoxicado pelo pensamento único, tão igual e tão pouco diferente entre eles, que julga não existirem outras políticas para além daquelas que lhe são impingidas por esses políticos, por uma comunicação social medíocre perfilada aos interesses dos seus patrões, pelos comentadores de serviço afinados pelo mesmo diapasão.

As últimas manifestações de dia 12 e dia 19, as que se seguirão, demonstram que o mau estar que atravessa a sociedade portuguesa é crescente e vai fabricando a consciência mais sólida que mudar a governação não basta! Há que mudar de política!

Em marcha está um apelo para que no dia 25 de Abril, em todas as capitais de distrito, se venha para a rua em massa para que sejamos muitos mil, sejamos milhões prontos a atirar o sócrates, os passos e os portas, essa trupe circense de politiqueiros de feira vendedores de ilusões, para o caixote de lixo da história, onde já andam.

Portugal não pode continuar a ser vendido a retalho nos saldos dos mercados. Temos que sair da crise percorrendo um caminho longo, difícil, cheio de escolhos. É o caminho do trabalho, da dignidade, da repartição justa dos sacrifícios e dos benefícios, o único caminho que garante o futuro para todos os portugueses.

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Política

Ler os Astros

Antes da manifestação do passado dia 12, o mau estar social, económico e político que atravessa o país como um ciclone ganhou uma evidência que só não seria esperada por quem não tem acompanhado o clima de intensa luta dos trabalhadores nos últimos anos.

As reacções não foram surpresa. A esquerda, PCP e BE, simpatizando com os motivos da manifestação, apoiaram-na. Do lado do PS houve reacções descabeladas, com denúncias e insinuações a roçar o infame. O PSD e o CDS desbragaram-se na demagogia mais rasca, como se fossem alheios à gravíssima situação que o país atravessa e que, nunca é demais repetir, é consequência das políticas conduzidas pelo PS, PSD e CDS, sozinhos, coligados no poder ou na oposição, nos últimos trinta e cinco anos.

Antes, numa jogada de antecipação, Cavaco Silva, no discurso de tomada de posse do segundo mandato de Presidente da República, decidiu apanhar o cavalo do descontentamento que anda à solta por todo o país e que também passa pela porta do palácio de Belém, para fazer um discurso da treta, descobrindo subitamente o que em cinco anos de PR nunca tinha percebido.

A tropa fandanga dos comentadores encartados e dos politiqueiros de feira, que abundam nos meios da comunicação social, delirou com o paleio. Extraíram conclusões do arco-da-velha. Para uns Cavaco tinha-se sentado no lugar de líder da oposição, esquecendo-se, a memória dessa gente é curtíssima, que ainda não há muito tempo o mesmo Cavaco insinuava ter exercido um magnífico magistério de influência para que acontecesse o PEC. Para outros Cavaco tinha ocupado o espaço dos partidos políticos, um aceno simpático à manifestação que iria decorrer daí a dias.

Ninguém se lembrou de perguntar o que Cavaco tinha feito nos últimos cinco anos. Ninguém recordou os dez anos em que Cavaco, recebendo uma cornucópia de dinheiros europeus, foi 1º ministro. Ninguém evocou os anos de tabu em que andou como uma toupeira a cavar galerias a caminho de Belém. Ninguém interrogou por onde é que o homem tem andado, desde que foi ministro num governo de Sá Carneiro.

A indignação que abanou o país no passado sábado também é contra estas teias que andam a tapar o sol.

O passo seguinte dessa gente já tem agenda marcada para o próximo dia 19. As gavetas desses pequenos cérebros já devem estar a engendrar comparações entre as duas manifestações para tirarem as conclusões mais desfavoráveis aos sindicatos e aos partidos de esquerda. Não é preciso ser astrólogo para prever a avalanche de comentários que irão desaguar por tudo o que é tribuna.

O que eles querem é que não haja mudanças de fundo. Querem que a alternância entre os partidos que têm partilhado o poder seja uma vaca sagrada. Isto de viver numa lixeira ideológica é viciante.

Dia 19, como no dia 12, há que continuar a lutar contra este estado de coisas!

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Política

Carnaval todos os dias, a toda a hora

Alberto João Jardim não compareceu no último Conselho de Estado, convocado pelo Presidente da República. Justificou a ausência acentuando as vantagens de não ter comparecido: “Penso que foi melhor para a Madeira, penso que foi melhor para a estratégia do senhor Presidente da República, penso que foi melhor para toda a gente. Ia ficar lá sozinho, a voz que fala no deserto. Assim ninguém se aborreceu uns com os outros, saíram todos felizes e eu também fiquei feliz com a greve da Air France”

Depois deste intróito faz considerações sobre o orçamento aproveitando para se auto-elogiar: “Continuo a pensar que não é o orçamento a questão essencial, o orçamento foi esgrimido para disfarçar a incapacidade da terceira República para resolver o problema dos portugueses e é bom que, daqui a um ano, quando a vida dos portugueses estiver pior, que vai estar, os portugueses se lembrem que houve um dirigente politico, que foi o Alberto João Jardim, que não pactuou, nem entrou nestas cenas da agonia da terceira República”

Por fim a cereja em cima das bocarras jardinescas: “Eu pessoalmente tenho mais confiança no FMI [Fundo Monetário Internacional] do que tenho nesta trupe política portuguesa”.

Da trupe da política portuguesa pós-25 de Abril, ele é o mais notório truão e o que tem a mais descarada lata.

Seria curioso saber o  que aconteceria à Madeira se o FMI desembarcasse na ilha confrontando-se com uma dívida de um milhão e duzentos mil euros, números referidos em Janeiro deste ano pelo ministro das Finanças. Qualquer coisa como € 4 878/per capita, valor muitíssimo superior ao do continente, incomparavelmente superior ao de qualquer autarquia de Portugal e um dos mais altos de todo o mundo. Se esses números são muitíssimo graves, tudo piora quando se conhece que a dívida directa e indirecta da Madeira está estimada, cálculo por defeito, em cerca de € 6 000 000 000 (seis mil milhões de euros) o que ultrapassa em 25% o PIB da região que é de 4 500 000 ( quatro mil e quinhentos milhões de euros). Divida que tem crescido quase sem controlo, a marca desse jactante auto-intitulado político.

A Madeira vive à conta de quê? De quem? Dos execrados continentais que continuam a pagar as palhaçadas do Jardim que cada vez tem menos piada, se é que alguma vez a teve.

O protótipo do político pimba que se sustenta com um populismo rasca! Talvez agora com os cortes orçamentais seja mais díficil ceder às suas chantagens.

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