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Mercado do Rio Azul já abriu

Rui Canas, presidente da União de Freguesias de Setúbal, falou à Praça do Bocage sobre o novo Mercado do Rio Azul, um investimento de 350 mil euros na qualificação de um equipamento essencial para as populações do concelho de Setúbal.

Com este pequeno video iniciamos, no blogue Praça do Bocage, a publicação de uma série de depoimentos sobre o concelho de Setúbal.

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25 Abril, Política, Trabalho

Abril em Maio*

Em Abril, celebramos o fim da ditadura fascista e a Revolução com que conquistámos direitos políticos, económicos, sociais e culturais antes negados pela força e repressão de um Estado fascista ao serviço dos monopólios e dos latifúndios.

Festejamos a democracia, a liberdade, a paz, a participação popular, a libertação dos povos colonizados, o desenvolvimento para o qual a criação do Poder Local Democrático deu e dá um contributo inestimável, com o seu carácter plural, representativo, com órgãos próprios eleitos por sufrágio direto e universal, autónomo e prestador de serviços públicos essenciais às populações.

Festejamos os homens e as mulheres que ao longo das suas vidas, nos mais diversos domínios de intervenção cívica, política, artística, cultural e profissional combateram pela liberdade e pela elevação geral das condições de vida do nosso povo.

Em Setúbal, a Assembleia Municipal de Setúbal, em sessão solene comemorativa do 25 de Abril, prestou o seu reconhecimento a uma destas mulheres, Odete Santos.

Comunista, com um papel destacado em Setúbal e no País em defesa dos direitos dos trabalhadores, dos direitos das mulheres e da juventude, com uma intervenção política e cívica multifacetada, uma ilustre advogada, uma mulher das artes e da cultura, uma lutadora antifascista, mulher de Abril e da solidariedade anti-imperialista, Odete Santos deu muito do seu esforço e do seu saber ao Poder Local, tendo integrado a Comissão Administrativa do Município de Setúbal, foi, posteriormente, Vereadora da Câmara Municipal de Setúbal, eleita na Assembleia Municipal e Presidente deste órgão durante dois mandatos (2001-2009).

Agora, em Maio, no momento em que os trabalhadores de todo o mundo assinalam o seu Dia, o exemplo de Odete Santos e do seu papel na defesa dos interesses, direitos e aspirações dos trabalhadores não deixará de estar presente em todos aqueles que ambicionam um mundo melhor.

Em Maio, Abril e a Liberdade não rimam com a obediência cega e sem discussão das regras ditadas pela União Europeia, com o subfinanciamento ou a desresponsabilização das funções sociais do Estado, a submissão à lógica belicista das potências que conduzem o mundo à guerra e à destruição, o silêncio perante o recrudescimento das forças nazi-fascistas na Europa e no mundo.

Em Maio, os trabalhadores exigirão aumentos salariais, horários de trabalho dignos e compatíveis com a vida familiar, vínculos estáveis, contratos coletivos de trabalho que não caduquem pelo simples passar do tempo, reposição do princípio do tratamento mais favorável do trabalhador, reconhecendo que nas relações laborais, os intervenientes não estão em pé de igualdade.

Os trabalhadores portugueses não deixarão de ter por objetivo cumprir aquilo que de Abril ainda está por cumprir.

E acompanhando o apelo que a Odete Santos deixou na referida sessão solene, Setúbal, os seus trabalhadores e o seu povo gritarão bem alto as palavras de Ary: «…agora ninguém mais cerra as portas que Abril abriu!».

*Texto originalmente publicado na edição de 2 de Maio do Jornal “O Setubalense”
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autarquias, Geral, Política, Setúbal

Lixo não é negócio

2_baterias_e_acumuladoresNa nossa Região, o Poder Local Democrático, nascido em Abril, operou profundas transformações que melhoraram significativamente a qualidade de vida das populações e qualificaram ambientalmente os territórios, em muitos casos, resolvendo passivos de muitos anos.

Assim foi na construção das redes de abastecimento de água, de saneamento de águas residuais ou na criação de serviços de recolha e tratamento dos resíduos sólidos urbanos, sendo possível afirmar que a Península de Setúbal se encontra ao nível das regiões mais avançadas da Europa nestas áreas.

Na gestão de resíduos sólidos urbanos, somos possuidores de um dos sistemas mais modernos de recolha, tratamento e valorização de resíduos, com claras vantagens ambientais e económicas para a Região.

É este sistema, gerido pela AMARSUL, empresa constituída pela EGF – Empresa Geral de Fomento e pelos 9 Municípios da Península de Setúbal, que está posto em causa, através da decisão de privatização da EGF.

Os Municípios aderiram a este sistema com base em determinados pressupostos que o Governo vem agora pôr em causa, designadamente, o carácter exclusivamente público dos capitais da sociedade e a natureza pública dos bens que gere.

O ainda Governo deste País continua a sua missão histórica de vender o País numa espectacular liquidação total, a que chama de ajustamento.

Como bons vendedores de banha da cobra, dizem que não há nada que não se resolva com a venda de uma qualquer empresa pública, falam com os portugueses como se ainda não tivéssemos reparado que a cada privatização o País fica mais pobre e mais dependente, com uma economia mais frágil e sujeita às consequências das decisões de terceiros, com os sectores estratégicos da economia nacional totalmente ao serviço de interesses particulares, com serviços públicos destruídos, mais caros e mais distantes das pessoas que deveriam servir, e os trabalhadores com menos salários e menos direitos.

Esta foi a receita que conduziu o País ao desastre, esta é a receita que o Governo PSD/CDS continua a aplicar afirmando esperar, agora sim, resultados distintos.

Se a EGF for privatizada e, com ela, as 11 empresas concessionárias, onde se inclui a AMARSUL, alguém ganhará alguma coisa, mas nós teremos posta em causa a qualidade do serviço, a sustentabilidade da empresa, será certo o aumento dos preços praticados, diminuição do investimento no sector, o afastamento dos municípios da gestão deste serviço público e estarão em perigo o emprego e os direitos dos trabalhadores destas empresas.

Por todas estas razões é preciso que a região se mobilize em defesa deste serviço público e que as autarquias locais, as populações e os trabalhadores impeçam este crime económico.

Nota: artigo de opinião originalmente publicado no Jornal O Setubelense, na edição de 12 de Março

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