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Mercado do Rio Azul já abriu

Rui Canas, presidente da União de Freguesias de Setúbal, falou à Praça do Bocage sobre o novo Mercado do Rio Azul, um investimento de 350 mil euros na qualificação de um equipamento essencial para as populações do concelho de Setúbal.

Com este pequeno video iniciamos, no blogue Praça do Bocage, a publicação de uma série de depoimentos sobre o concelho de Setúbal.

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Setúbal

No tempo dos apara-lápis

lrg_Macroramphosus_scolopaxSubitamente as embarcações de pesca começaram a chegar aos cais de Setúbal lotadas com um estranho peixe de cor alaranjada. Em lugar das esperadas sardinhas, carapaus ou outras apreciadas espécies, as redes passaram a capturar toneladas desse peixe quase desconhecido mas a que, rapidamente, toda a gente na cidade chamou de apara-lápis.

Estávamos nos primórdios dos anos setenta do século passado e o pequeno grande mundo da pesca sadina entrou em sobressalto com as sucessivas capturas massivas de apara-lápis, que a ciência nomeou como macroramphosus scolopax.

Praticamente sem valor comercial como espécie piscícola, as toneladas capturadas tinham como melhor destino a moagem para farinha numa unidade industrial localizada na periferia da cidade, a SADOP. Mas na verdade representavam um terrível prejuízo para as companhas das embarcações que os capturavam, privadas do rendimento proporcionado pela venda de espécies com valor comercial.

Mas, assim como começou, assim acabou. Não sei precisar a duração do fenómeno mas o facto é que os cardumes de apara-lápis voltaram a desaparecer. Para sossego dos pescadores, de toda a indústria e mesmo da cidade.

O fenómeno viria a deixar registo na música popular de então. O Conjunto Típico Os Galés, pela voz de Mário Regalado, deixou registo do episódio que então marcou Setúbal, com o tema “Apara Lápis” – ouvir aqui.

PS – Os apara-lápis são peixes costeiros muito bem distribuídos pelas águas temperadas de quase todo o mundo, incluindo Portugal. Enquanto juvenis, vivem na coluna de água e alimentam-se de pequenos animais planctónicos. Nesta fase, a sua cor é prateada e torna-os menos visíveis aos olhos dos predadores. Em adultos tornam-se rosados e passam a viver perto do fundo, onde se alimentam de pequenos invertebrados. Tal como os seus parentes próximos, cavalos-marinhos e peixes-camarão, sugam as suas presas inteiras. Deveras curioso é o seu modo de nadar: na vertical e de cabeça para baixo(!). – In Oceanário de Lisboa

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Costumes, Cultura, Setúbal

Festa do povo do mar, Nossa Senhora do Rosário de Troia

Com o pino do Verão está de regresso uma das mais antigas e pujantes festas de pescadores de Setúbal – a Festa de Nossa Senhora do Rosário de Troia, entre 15 e 20 de Agosto. Festividade de gente do mar, mas também de todo o povo de Setúbal que se reconhece na memória (e no presente!) das gerações de homens e suas famílias que tem feito da pesca o seu modo de vida.

A festa une os dois lados do rio Sado. Setúbal, de onde é originária a comunidade piscatória que promove a festa, e Troia (concelho de Grândola), onde se encontra a capelinha que acolhe a imagem da Senhora do Rosário de Troia durante o período das festividades.

É na caldeira de Troia, bem junto aos areais que bordejam o Sado, que os festeiros se instalam, ali acampando durante as festas como é de tradição. No que é, aliás, a única ocasião em que é actualmente permitida a instalação naquela zona, ao invés do que era pratica corrente noutros tempos. Cerimónias religiosas, jogos tradicionais, bailes e arraiais incluem-se no programa. É também nos areais da caldeira que, habitualmente na manhã de domingo, decorre uma colorida procissão.

As festas remontam ao século XVI. No seu programa inclui-se ainda um desfile de embarcações engalanadas a rigor que cruzam o Sado no início e no encerramento das festas. São momentos ímpares de magia e beleza.

O regresso das embarcações engalanadas a Setúbal, escoltando a imagem da Senhora, constitui outro dos pontos altos das festividades. No percurso inclui-se habitualmente uma passagem frente à fortaleza de Santiago do Outão, que alberga um hospital ortopédico e a quem é prestada especial homenagem.

O Novo Círio de Nossa Senhora da Arrábida

Persiste em Setúbal uma outra festividade de gente do mar, no que ficam bem espelhadas as diferentes origens das suas duas comunidades piscatórias. A festa do Novo Círio de Nossa Senhora da Arrábida, promovida pela comunidade piscatória do bairro de Troino (freguesia de Nossa Senhora da Anunciada), que se realiza em Julho no místico Conventinho da Arrábida. Enquanto em Troino, na zona ocidental da cidade, se fixou gente do mar originária do Algarve, no lado nascente da urbe estabeleceram-se comunidades de origem varina, oriundas da região de Ovar e Murtosa, que promovem a Festa de Nossa Senhora do Rosário de Troia.

Cultos religiosos, mas com profundas ligações ao ciclo da natureza, estas festas representam o renovar de um ciclo. Momentos de excepção em que se celebra a união e a força da comunidade e se apela à dádiva da mãe natureza. Tempo ainda para reforçar os laços entre famílias no interior da comunidade.

É Verão, tempo de alegria e fartura! Por todo o país, as comunidades reúnem-se. É tempo para recuperar forças e preparar os novos desafios.

Também por estes dias, em Aldeia da Piedade (Azeitão), decorrem as Festas em Honra de Nossa Senhora da Conceição

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