economia, Geral

O INAUDITO REGRESSO AOS MERCADOS

SLAVE MARKET   Em Portugal ainda se vive a ressaca de ontem! Voltámos aos mercados! Ouviram bem, voltámos aos mercados, berrava e continua berrar a comunicação social estipendiada ao serviço dessa manobra de propaganda !!! Com tanta notícia, um frémito orgástico atravessou como um ciclone o país! Os mercados refastelavam-se pelas faldas das terras lusitanas abrindo as pernas sem pudor! Finalmente tinham voltado para grande alegria e festança governamental e dos seus patrões conhecidos e ocultos.

As notícias de alguns incidentes não ensurdeciam os acordes que se faziam ouvir anunciando a boa nova. Nem o desastre de um investidor enlouquecido de euforia a cavalgar os quinhentos cavalos do seu Ferrari rumo ao leilão de dívida pública a cinco anos colocada no mercado pelo governo português, que se despistou quando um cisco das faíscas provocadas pela actividade frenética despoletada por essa emissão nos mercados, lhe entrou olho dentro atravessando a cabeça, saindo disparada para o paraíso da especulação onde disparou o alarme da boa nova: Portugal tinha voltado aos mercados. Nem o gigantesco engarrafamento que provocou e impediu milhares de portugueses de chegarem a tempo de manifestarem a sua alegria no Terreiro do Paço.

Em São Bento o primeiro, com a sua voz de barítono hesitante, rezava acocorado debaixo da secretária: Mercados nossos, que estais algures; venham a nós os vossos investimentos; cobrem-nos os juros que quiserem, agora e sempre. Os investimentos de cada dia nos dai hoje; especulem o que puderem porque nós estaremos sempre de cu para o ar recebendo as vossas ordens de compra, não nos abandoneis mais nem nos livreis do vosso mal. Ámen que vou convocar um Conselho de Ministros de celebração e para saber o que andaram a fazer para comemorar tão magno acontecimento.

O ministro da Solidariedade e Segurança Social convocou uma marcha de todos os desempregados para irem a pé a Fátima, rezar no altar dos Mercados. A sua esperança era que sendo muitos e estando muito deles no limite do escanzelamento, os óbitos equilibrassem as contas cumprindo as metas do FMI. Nos gabinetes faziam-se previsões. Colocam-se as metas a atingir. Calculava-se que acelerando o passo o número de óbitos poderia ter um crescimento positivo na ordem dos 5 ou 6%. Transmitiam-se ordens para marcar o ritmo do andamento.

Ao Ministério da Saúde chegavam números promissores. A exaltação provocada pela chegada aos mercados provocara uma afluência inusitada nas urgências dos hospitais. Apoplexias, ataques cardíacos, violentas arritmias tinham originado essa correria. Muitos não seriam atendidos por não terem meios para pagar as taxas moderadoras. Os mortos juncavam as portas das urgências, O ministro pedia números para transmitir rapidamente aos seus pares para se fazerem os cálculos de quanto se ia, no imediato, poupar em pensões. Paralelamente arrepelava os cabelos. Tivesse tido a coragem de aumentar mais cinco cêntimos as taxas, os números seriam muitíssimo melhores.

O ministro da Economia e do Emprego estava descoroçoado. Os número diário das falências mantinha-se estável, perto de 65. Devia ter aumentado uns 2, 3% assim não tinha serviço para mostrar, uma chatice num momento daqueles em que todos os seus pares mostravam trabalho, empenho e sabiam de cor a cartilha do FMI. Sentia-se um cábula, ele professor emigrado numa obscura universidade, só não tão obscura por estar do outro lado do Atlântico.

No Terreiro do Paço a multidão era compacta. Nunca tanta gente, nem mesmo com o Tony Carreira, tinha acorrido aquele espaço para festejar o regresso aos mercados. A gritaria era mais que muita.

Mães elevavam as crianças nos braços para que os mercados as vissem e, se possível, as abençoassem. O ministro do Estado e das Finanças discretamente espreitava entrincheirando atrás dos cortinados o seu sorriso salazarento. Gaguejava telefonicamente o relato do estado de excitação da nação aos ouvidos do FMI, congratulando-se com o bom rumo dos acontecimentos que tornavam obsoleto o seu último relatório. A ida aos mercados alterara positivamente a situação, A confirmarem-se os números já disponíveis o número de pensionistas tinha baixado radicalmente tornando a segurança social quase sustentável. O número de utentes do SNS levara um corte substancial. Iam-se poupar milhões na saúde.

Com a festa que decorria à frente do seu ministério muitas mães e pais tomados de arrebatamento largavam crianças que caiam ao rio sem que ninguém ou quase ninguém desse por isso tal o alarido que fazia confundir os gritos de aflição com os de alegria. Mandara discretamente os seus assessores ao telhado do ministério para fazer uma estimativa das crianças que eram tragadas pelas águas. Iria comunicar o número ao Ministro da Educação do Ensino Superior e da Ciência para se avaliar quanto se iria poupar nos próximos anos com este sucesso, extensível a outras capitais de distrito, por informações filedignas que chegavam hora a hora ao seu ministério.

Todos esses acontecimentos davam grande satisfação a quase todos os governantes: Nem todos. Os moedeiros falsos que
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Política

De novo o COMUNISMO na ordem do dia


Hoje, em 7 de Novembro de 1917, aconteceu a Revolução de Outubro. A Revolução Bolchevique triunfante que soltou o vento da esperança a entrar nas cabeças de todos os oprimidos e explorados do mundo. Noventa e quatro anos passados, depois do desastre de 1989 (cuja verdadeira história ainda está por fazer) de novo o comunismo se perfila no horizonte.

Com o terramoto que arrasou o Bloco Socialista, com a desorientação que se agravou e/ou assaltou muitos partidos comunistas, fazendo-os perder os princípios e o norte, o capitalismo triunfante saudava o fim da história, quer dizer, da história enquanto território de transformações radicais, do fim da ideologia, quer dizer, da ideologia marxista, já que a ideologia burguesa nunca se assumiu como ideologia, do fim das utopias, quer dizer da utopia comunista. Com esse arsenal pretendia que deixasse mesmo de ser possível sequer pensar a hipótese de uma transformação radical da sociedade. O campo estava aberto. Rapidamente o capitalismo monopolista começou o assalto para esvaziar a política e os Estados de sentido, porque começa a reconhecer que é difícil, ou mesmo impossível, garantir o desenvolvimento capitalista com os instrumentos de regulação soberanos internos, dentro dos espaços – nação. Instrumentos de regulação económica como o Banco Mundial ou o FMI, que eram projecções da potência norte-americana, adquiriram um carácter supranacional de regulação do desenvolvimento mundial. Hoje, enquanto, numa extensão sem precedentes, cada vez mais habitantes do planeta perdem a esperança e são atirados para a exclusão, a riqueza global vai-se concentrando num número cada vez menor de mãos. Continuar a ler

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economia, Política

Quem governa o mundo?

A Goldman Sachs… É o que diz o corretor que fala no video em baixo. Finalmente temos um rosto para os famosos “mercados” e sabemos, sem equívocos, o que afinal querem esses mercados. A jornalista da BBC fala em “candura” do corretor, mas será mesmo isso? Ou será realismo em estado bruto?

 

Nada que Bob Fosse já não nos tivesse mostrado, sem tanta candura, mas com muito mais brilhantismo, através de Liza Minelli, em “Cabaret”

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Geral

A Grande Decisão

O futuro de Portugal está garantido!

Antes das negociações entre o PS e PSD a anteceder a discussão na especialidade do Orçamento de Estado, esses dois partidos, apelando à consciência nacional do CDS, constituíram um triunvirato que, com o apoio dos nossos banqueiros e comentadores recorrentes, decidiu uma estratégica eficaz e infalível para sossegar os mercados.

— Ambrósio, os mercados têm que ser acalmados rapidamente.
— Sim, senhor engenheiro Sócrates e doutores Passos Coelho e Paulo Portas, entregarei aos mercados ferreros rochers autografados por vossas excelências.

Finalmente as taxas de juro vão baixar.

A economia e as finanças são ciências maravilhosas!!!

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