Política

Caídos na ratoeira

Há coisas que vale a pena citar extensivamente. O artigo de Helena Matos, na edição de hoje do jornal «Público» é, sem dúvidas, uma delas. Pela lucidez, pela precisão, pela justiça do que é escrito. Constitui preciosa evidência da da precisão do que escreveu Helena Matos o comentário que o artigo mereceu no blogue oficial do regime socrático, com insinuações de que a autora está lélé da cuca, as mesmas referências que já tinham sido feitas em relação a Mário Crespo por José Sócrates, ao vivo e a cores, num restaurante de Lisboa.

E ainda falam dos soviéticos, que despachavam aqueles que deles discordavam para “hospitais psiquiátricos”…

Mas leiam o que escreve Helena Matos, que vale a pena:

Caídos na ratoeira

«Estamos portanto não no fundo do poço, mas sim presos numa ratoeira: a ratoeira do judicialismo. A sucessão de casos envolvendo José Sócrates transformou o país num imenso juízo de instrução: nada tem importância se os visados não forem constituídos arguidos e não existem outras responsabilidades para lá das criminais. Qualquer pessoa que tente investigar decisões políticas de José Sócrates esbarra na muralha do alegadismo, da prova que é anulada, da alínea que afinal não se aplica… como tudo se reduzisse a um caso de tribunal. Se se insiste é porque se é populista, desrespeitador da lei e, pormenor não dispiciendo, porque não se gosta de José Sócrates. Como se o que estivesse em causa fosse a constituição de um grupo de fãs. Não sei e francamente não me interessa se o actual primeiro-ministro alguma vez irá a tribunal. Mas o que cada vez me interessa mais é perceber quanto tempo vamos demorar a recuperar a normalidade quando ele e a sua gente saírem de cena. Quanto tempo vamos demorar para nos libertarmos deste estado abúlico — que nos portugueses geralmente não antecipa nada de bom — em que tudo é normal: fala-se de milhões de euros para convencer Figo e Mourinho a fazerem campanha pelo PS. As estatísticas dos crimes não estavam certas e é como se tal fosse um detalhe irrelevante. Os números do sucesso e do insucesso escolar foram alterados e faz-se de conta que sempre foi assim… Mas quem decidiu isto? Quem muda o quê nas estatísticas, nas contas, nos relatórios e por ordem de quem? Para lá dos constrangedores casos envolvendo figuras como Rui Pedro Soares, que dada a anulação das escutas deve acabar transformado num tolo que fazia campanha para o PS por conta política própria com dinheiro alheio, a administração pública tornou-se num instrumento de propaganda governamental. O que foi feito dos directores e dos funcionários que ainda há alguns anos não só se recusavam as estes papéis, como faziam questão de denunciar o que achavam que estava mal? Em 2010 o que mais se ouve em Portugal é “eu não tenho nada a ver com isso”, “não me diz respeito”, “não sei”.

«Sempre houve corrupção. Sempre existiram leis mal feitas. Sempre houve gente bem e mal formada. O que agora é diferente é que da fase em que se negam os actos se passou a assumir que não interessa o que se faz desde que não se consiga provar. Prescrever, arquivar, apagar e anular substituíram os verbos fazer, investigar e conhecer.»

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Moção de censura

Sócrates acusou hoje o PCP de querer lançar o País numa crise política com a moção de censura apresentada na Assembleia da República. Mas, que raio, pensava eu que a crise já estava aberta desde que se tornou evidente que o primeiro ministro se enredou em (grandes) confusões com a sua “licenciatura”, a Cova da Beira, o Freeport, a TVI, os impostos que não aumentavam e afinal aumentaram, as obras públicas que se faziam, mas foram suspensas e que se hão-de fazer um destes dias…

Por muito menos, Sampaio despachou o Santana.

E ainda diz o chefe do governo que o PCP é que quer abrir uma crise? Mais uma mentira de Sócrates.

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Isto não pode continuar assim…

Foi penoso ver hoje Francisco Assis, em debate na SIC Notícias com Aguiar Branco, elogiar Mota Amaral pela decisão de não permitir a utilização das escutas na comissão de inquérito à TVI. É extraordinário que um líder parlamentar se esconda atrás de uma interpretação jurídica para ocultar a verdade política sobre as supostas mentiras que o primeiro ministro disse no parlamento.

Vamos, pois, ficar eternamente na dúvida se temos um primeiro ministro mentiroso ou não, com a agravante de, por esta via, o  mais certo é que cada vez mais pessoas formem a convicção de que Sócrates é mesmo mentiroso.

O país, nenhum país, pode ser governado por mentirosos, por pessoas em quem não sabemos se podemos confiar. O contrato político estabelecido entre os cidadãos e este Governo está, pois, quebrado, o que só pode ter como consequência uma mudança.

É impossível que Sócrates continue a ser primeiro ministro.

No que me diz respeito, farei algo que não faço há alguns anos, certamente por comodismo: participarei na grande manifestação marcada para dia 29, pela CGTP, em Lisboa.

Isto não pode continuar assim.

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