Política

Um mijão para sucessor de Alberto João Jardim?

O país foi hoje surpreendido por mais um episódio de alta política que suplanta até o caso dos espiões de Relvas, além de ser muito mais emocionante do que o engano, também hoje revelado, da Direcção Geral do Orçamento nas contas da receita fiscal que, afinal, caiu mais do que nos dizia o Governo. Isso interessa lá para alguma coisa perante o que segue?!

O lider da JSD Madeira terá feito um xixi em cima de um carro da polícia que motiva, agora, a sua demissão da liderança dos jotinhas, além de ter praticado outros delitos menores, quando comparados com a incontinência urinária, que, aliás, se olharmos para a cara deste hábil político, nem sequer será motivo de admiração. O jovem rejeita que a mija tenho sido dele e alega que os polícias o confundiram com um outro incontinente, o que nem sequer é de estranhar, pois toda a gente sabe que os polícias não estão treinados para identificar fluxos urinários nem pela distância a que chegam, nem sequer pelo ruído, muito menos pela forma do instrumento urinador.

O intrépido líder, que já defendeu a independência da Madeira, também terá dado umas berlaitadas nos carros de uns dirigentes da oposição, o que faz com que assuma que tem por resolver umas “situações” em que se diz “injustamente acusado”. Certamente, tal como no caso do xixi, também não terá sido o jovem líder quem andou a atacar os carros dos líderes da oposição, mas sim um outro qualquer incontinente.

Numa declaração, que se pode ver abaixo, capaz de reactivar os adormecidos vulcões madeirenses de onde certamente brotaria lava em forma de gigantescas lágrimas que, pelo caminho, engoliria os que o acusam “injustamente”, o jovem Calimero Mijão ainda é capaz de garantir que voltará “mais forte”, porque os militantes da JSD lhe reconhecem capacidade de liderança. Nada como fazer das fraquezas forças, juntando-lhe, claro, uma emocionante ladaínha de apoio ao supremo lider madeirense Alberto João.

Bem vistas as coisas, o que temos em presença é o sucessor de Alberto João. Não há Miguel de Albuquerque que lhe chegue aos pés. Pelo menos a fazer xixi…

E ainda há quem duvide da qualidade da classe política que se concentra naqueles partidos a que chamam do “arco do poder”…

Standard
economia, Política

O Vice-Rei da tanga

Quando as coisas não correm de feição ao poder reinante na Madeira, há sempre um animador de serviço que ameaça o país com a independência do território. É claro que diz o que ao chefe não convém dizer.

Desta vez, como as coisas estão a correr mesmo mal, já que a região autónoma está à beira de graves incumprimentos se não houver financiamento, chegam ao hilariante ponto de acusar Passos Coelho de liderar um “bando de malfeitores” apadrinhado pelo Presidente da República. Será que esta gente perdeu o juízo, se é que alguma vez o teve, ou tratar-se-á de mais uma vez recorrer o à velha táctica da chantagem?

Em causa está a assinatura do Programa de Ajustamento e do Contrato de Financiamento com data limite agendada para dia 16. Alberto João Jardim e a liderança da Madeira – liderança? Ele é a liderança! – estão agora confrontados com as dramáticas consequências que resultarão da aplicação daquele programa, que vem materializar a  “carta de intenções” que Jardim, em desespero, subscreveu no final de Dezembro. As consequências serão muito gravosas e a população da Madeira será a principal vítima do brutal aumento de imposto (IRS, IRC, IVA e ISP) que se perspectiva. O drama da crise madeirense começou já a materializar-se com a exigência do pagamento da totalidade da despesa nas farmácias.

À semelhança de outras vezes – em que foi vencedor, forçando sucessivos Governos da República a perdoarem as dívidas da região – A.J.Jardim joga agora o tudo por tudo para forçar em baixa essas condições. Se ele diz “mata”, afirmando não assinar o plano de resgate financeiro, há sempre algum dos seus comparsas que diz “esfola”. Esticar a corda e pressionar. A bandeira da independência, periodicamente retirada do mofo das gavetas do grupo que dirige a Madeira, não passa do repetido bluff que têm utilizado, com sucesso, para atingir os seus objectivos.

Já toda a gente percebeu que o ciclo político de Jardim chegou ao fim. Como se processará a mudança, agora que o tempo do dinheiro fácil e da obra vistosa tem fim à vista? À beira dos setenta anos, que completará daqui a pouco mais de um ano, 33 dos quais como Presidente do Governo regional, Jardim está em vias de ser descartado pelos seus pares do PSD nacional, os mesmos a quem os seus amigos acusam de “bando de malfeitores”. Esperemos que a estória não acabe em desgraça para os madeirenses e para o país.

É verdade que o 25 de Abril acabou – e bem! – com a tutela colonial que impendia sobre o território. Mas a Madeira tornou-se uma terra governada por um vice-rei eleito, estranhamente isento de cumprir procedimentos democráticos básicos. Um tempo que só acabará com a mudança de protagonistas

Standard
economia, Política

Que Vá Zarcar para Outro Lado

É extraordinário o tempo de antena que é concedido a Alberto João Jardim para acolher os maiores dislates, as fanfarronadas que logo a seguir, de rabo entre as pernas, cobardemente vem desdizer, as mentirolas atiradas a torto e direito, sem um pingo de vergonha. Perversamente cada aparição acaba por contribuir para propagandear a imagem do personagem, ouvindo-o como se houvesse alguma coisa credível naquela torrente palavrosa. Aquilo não tem ponta por onde se pegue, nem sequer ainda tem alguma comicidade. Dar a cobertura que se lhe dá, como se lhe dá é um serviço que se lhe presta.

A dívida já conhecida da Madeira é colossal. O que espanta é que não há jornalista ou comentador que faça contas, mesmo na base do valor divulgado, que trepa galopantemente dia a dia, para que se perceba que, per capita, a divida jardinesca transposta para o continente seria qualquer coisa como 5 800 000 000 000 de euros, um número astronómico encoberto pelas palhaçadas daquele ditadorzeco de feira.

Ninguém lhe esfrega na cara os perdões de dívida que os sucessivos governos, desde 1978, de Mário Soares a Sá Carneiro, de Cavaco a Guterres, de Durão Barroso a Sócrates, tem concedido àquele homúnculo armado em político. Tudo somado são mais uns milhares de milhões de euros que os “cubanos” têm, ao longo dos anos, oferecido a Jardim & Companhia, sem que a voracidade da nomenclatura da ilha esteja saciedade, como se comprova pela dívida que agora explodiu. Melhorou a vida dos madeirenses? Melhorou, o espantoso é que com tanto dinheiro despejado para cima da ilha não tivesse melhorado! Mas a miséria do povo madeirense não foi erradicada, e o nível de vida continua baixo.

Não lhe dêem tempo de antena. Façam jornalismo de investigação, no mercado, entre outros, há um bom livro do Ribeiro Cardoso, passe a publicidade, sobre os desmandos jardinescos. Em vez de o ouvirem mostrem a enorme fraude que ele é, o que se irá reflectir nas eleições que, na Madeira, são a grande mentira democrática.

Ou então façam-lhe a vontade. Declarem a independência da Madeira. Ele e a sua camarilha fabriquem zarcos em rodelas de banana com a sua efígie moldada. Uma moeda com futuro, uma referência mundial no guiness.

Que vá zarcar para outro lado!

Standard
economia, Política

Com o mal dos outros…

Anda por aí um entusiasmo exacerbado, até com alguns laivos de infantilidade, nas hostes do PS. Açoitados e acabrunhados com derrota eleitoral de 5 de Junho e pelo céu que lhes caiu em cima da cabeça com a descoberta de que, afinal, como prometera o ministro Manuel Pinho, num momento em que não pensava em corninhos, não só a crise não tinha acabado em 2006 como se agravou a níveis estratosféricos, os socialistas saltitam e sacodem-se de alegria com a descoberta do buraco atlântico, que o mesmo é dizer, com o buraco das contas da Madeira, sempre a crescer de dia para dia, com Alberto João a reconhecer “cinco mil milhões e tal”, com o ar de quem fala de trocos desprezíveis encontrados nos fundos dos bolsos, e a oposição do CDS a dizer que não senhor, são sete mil milhões, diferença que, honestamente, neste momento já pouco interessa.

Os socialistas descobriram que, afinal, há, no jardim madeirense, alguém tão mau como eles e toca de fustigar Passos Coelho com a pergunta sacramental: “tira a confiança política ao homem ou não?”. Bendito Alberto João. Nada melhor que um desastre na casa dos outros para fazer esquecer outra desgraça, ainda que maior.

Pelos jornais e pelas TV’s vemos, ouvimos e lemos os sábios habituais a zurzir em Alberto João na esperança de fazer esquecer Sócrates, nome que só o simples facto de ser pronunciado provoca pele de galinha nos mais empedernidos militantes socialistas, os mesmos que ainda há poucos meses ululavam em apoio ao querido líder.

Não nos queiram enganar ainda mais. Não saberia Sócrates o que se passava quando ainda era primeiro ministro? Não terá esta operação sido milimetricamente planeada com o Tribunal de Contas e o INE para coincidir com o arranque da nova liderança do PS  e assim dar a Seguro folga, livre dos ónus socráticos, para ataque pesado ao novo governo por via do seu flanco mais fraco? É esquema a mais, o que enerva profundamente.

Ainda assim, tudo isto tem a vantagem de constituir um contributo decisivo para acabar com o reinado de Jardim na Madeira. Mas com que preço…

Standard
economia, Política

O PSD e os buracos

“Se dissermos que a despesa irá ser 100 e ela for 300, aqueles que são culpados pelo resvalar dessa despesa têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus atos e suas ações.” Passos Coelho, líder do PSD, em 6 de Novembro de 2010

“O que se passou desde 2004 na Madeira é uma irregularidade grave, que não tem compreensão.” Passos Coelho, primeiro ministro, 16 de Setembro de 2011

Lidas as diferenças entre o discurso de 2010 e o de 2011 fica-se com a ideia de que Alberto João Jardim não merece ir preso, mas apenas levar umas palmatoadas como castigo pelo buraco que fez nas contas madeirenses.

O rigor oposicionista de Passos Coelho perdeu toda a força em menos de um ano, o que nos permite assistir, já com uma sensação de náusea indisfarçável e tão poderosa que já quase impede até a simples escrita de qualquer comentário sobre o assunto, a uma tentativa de colocar o problema madeirense num nível distinto do problema da dívida do continente.

Alberto João lá terá importante pergaminhos para que os deuses do PSD tanto o protejam, mas quando é a nós que tiram talhadas do subsídio de natal, partes dos salários de funcionários públicos, mais dinheiro para pagar o passe e o bilhete da camioneta, mas IVA para comer, mais euros para a electricidade começa a sentir-se mais do que náusea.

A hipocrisia deste PSD, a mesma de sempre, aliás, é o condimento que permite ao ministro Gaspar das Finanças afirmar a propósito do buraco do Alberto João, com a calma e lentidão habitual que tanto exasperam o desgraçado que no fim do mês lá vai pagar mais pelo passe social, que “este é um caso pontual, que não tem paralelo“. Pontual? 1.113,3 milhões? E não tem paralelo com o quê?

Vítor Gaspar e Passos Coelho é que não têm paralelo com qualquer ideia de seriedade nem de justiça e verifica-se que nunca o prazo de validade de um Governo se esgotou tão depressa como este.

Interessante silêncio é também o desse grande defensor dos limites aos sacrifícios dos portugueses que é Presidente da República. Aguarda-se com expectativa o que terá o mais alto magistrado da nação a dizer sobre o buraco ou se, pelo contrário, acha a coisa tão pontual que nem vale a pena falar dela.

Standard
economia, Política

Madeira independente?

A revelação de que os responsáveis da Madeira ocultaram despesas no valor de 1.3 mil milhões de euros entre 2008 e 2010 é um facto assombroso e inqualificável. As operações de encobrimento remontarão a 2003 e traduzem um regabofe que enegrece as virtudes das autonomias regionais e da regionalização, mostrando poderes sem controlo que não respeitam as leis do país.

O facto vem acentuar a impressão de que os mais altos responsáveis pela governação (neste caso da Madeira) pouca ou nenhuma importância dão às regras de reporte da despesa pública. Claro que Alberto J. Jardim de há muito que dispõe de um estatuto à parte, a quem tudo é permitido, escudado em esmagadoras vitórias eleitorais numa sociedade controlada directa ou indirectamente pelo poder regional. E que, ao longo de trinta anos, somou perdões de dívida a perdões de dívida.

Alberto J. Jardim tem muitos admiradores. Não só na Madeira como no continente e inclusive entre os eleitores de outras forças políticas que lhe reconhecem o título de rei das obras públicas. A grande parte do eleitorado bem pouco interessa como se financiam essas obras. O que, sendo válido para a Madeira, também o é para qualquer outra parte do país. Mas agora que, forçados pelo compromisso com troika, começaram a entrar verdadeiramente no bolso do contribuinte/eleitor – e mais virá – as tropelias de A.J. Jardim e o “desenvolvimento” da região tornaram-se muito mais difíceis de aceitar. E aqui teremos que agradecer à troika o ter permitido lançar luz sobre estas operações. Mas que poderão valer mais uma deslocação do ministro das finanças à televisão para anunciar mais uns impostos sobre as classes médias e mais uns cortes nas prestações sociais!

Perante tais desmandos, que valem as poupanças (100 milhões, dizem eles) com a supressão de 1711 cargos de chefia em vários ministérios e a extinção ou fusão de entidades que o Governo euforicamente acaba de anunciar? Anunciadas como se estivessem já feitas e fizessem parte do passado. Só que a procissão ainda vai no adro…

Resta também a hipótese de que alguém do próprio Governo de Passos Coelho tenha decidido aliar-se à conspiração dos habituais inimigos de A.J.Jardim (cubanos, maçons e aparentados) para abater um aliado cada vez mais incómodo.

Será o eleitorado madeirense capaz de tirar conclusões dos graves danos que os seus governantes criaram ao país?

Standard
Política

O Imperador do Bananal Madeirense

A dívida na Madeira até agora conhecida, antes da auditoria que está a ser feita esteja terminada, é de € 1 700 000 000, quase dois mil milhões de euros. Situação inquietante, irregularidades graves, omissões incompreensíveis, as frases circulares dos entalados governantes.

O- mi-nis-tro-das-fi-nan-ças-tão-rá-pi-do-a-de-cre-tar-im-pos-tos-diz-que-a-si-tua-ção-na-ma-dei-ra-pa-re-ce-lhe-u-ma-si-tua-ção-de-cri-se-u-ma-si-tua-ção-gra-ve. Parece? Não é? Uma dívida per capita que não deve ter paralelo em qualquer parte do mundo, só lhe parece grave? Personagem tão rápida em graçolas provocatórias mostra-se como de facto é, não os tem para enfrentar o Bokassa do Atlântico Norte. Continuar a ler

Standard