Política

Os procedimentos da PSP

Nota-se que a polícia tem os procedimentos apurados. Estas imagens do que se passou ontem com o piquete de greve nos CTT em Cabo Ruivo exemplificam na perfeição tais procedimentos, que, como sabemos, são utilizados em todas as circunstâncias pela PSP, seja neste tipo de situações, seja em manifestações de polícias, SEF’s e GNR’s nas escadarias da Assembleia da República. Compreendem-se, porém, algumas pequenas diferenças. Em Cabo Ruivo a PSP garantiu que a sua atuação se justificou com a necessidade de permitir a circulação de trânsito. Ora, como é sabido, nas escadarias da Assembleia da República não circulam automóveis…

Ainda assim, vale a pena destacar que, na Assembleia, a atuação da polícia foi a mais adequada. Já em Cabo ruivo…

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Educação, Política

Perguntas

Manifestação de Professores.jpg.São 16 horas do dia 17 e…

Onde Está Nuno Crato?

Confesso que estou um tanto ou quanto admirada com o silêncio do responsável governamental pelo Ministério da Educação.

Será que se encontra em parte incerta?

Estará em férias?

Não tem coragem para se confrontar com o óbvio?

Os professores saíram à rua em 15 de Junho – foram milhares.

E quem vem dar a cara? Poiares Maduro! É certo que a Educação tem a ver com o Desenvolvimento Regional (e, sobretudo, Nacional), Mas não seria legitimo que eu esperasse ver o Sr. Professor Doutor Nuno Crato?

Não será legítimo eu esperar que o referido Professo Doutor já tivesse dito algumas palavras aos cidadãos deste País, face ao extraordinário comportamento da esmagadora maioria dos professores em defesa dos seus legítimos direitos?

Fora com ele e com todos os outros! Eleições antecipadas para que Passos Coelho perceba que não é ele que desiste: somos nós que o pomos na rua!

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Internacional, Política

Um Minuto de Silêncio!

Um minuto de silêncio pelos mineiros assassinados na África do Sul!

Uma vez mais, se assiste a um massacre de trabalhadores que justamente lutavam pela melhoria das suas péssimas condições de trabalho e salários muito baixos; nesta caso, acresce que ainda haveria atraso no pagamento dos mesmos. São trabalhadores das minas de platina onde trabalham de forma dura, vivendo em barracos sem o mínimo de condições de habitabilidade, com todo o tipo de doenças que isso provoca. Nestas minas, é produzida 96% da produção de platina do país.

A violência utilizada fica demonstrada nas imagens que se podem ver na NET!

A África do Sul é um dos dez países do mundo onde a desigualdade de rendimentos é das maiores. Apresenta taxas de pobreza (48%) e de desemprego muito elevadas. No entanto, é o país mais rico de África com um PIB de 527,5 mil milhões de dólares em 2010.

Dados do Banco Mundial referem que 34% dos sul-africanos vivem com menos de dois dólares por dia. 27% da população está desempregada, sendo que 65% dos desempregados têm menos de 35 anos.

Apenas 5% dos negros conseguem chegar à Universidade. Contudo, a população negra representa 79,8% do total da população.

O salário mensal de um operário sul-africano equivale a cerca de 100 dólares, mas cerca de 79% da população vive com menos de 50 dólares por mês.

A taxa de mortalidade infantil(até aos 5 anos) é de 61, 9 por mil.

Estão de luto os mineiros, as suas famílias, os trabalhadores da África do Sul. Estão de luto todos os sul-africanos, porque está de luto a democracia, a liberdade, a igualdade, porque nos enlutece a todos os que cremos num mundo digno, onde a liberdade esteja ligada a igualidade, na qual os direitos de uns poucos não podem sobrepôr-se aos direitos da maioria, onde a liberdade de explorar o trabalho humano não seja sacrossanta e a violência se abata sobre aqueles que, apenas, lutam por trabalho e condições de vida dignas e livres para si e seus filhos.

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Política, Trabalho

Motivos “entendíveis”…

O CDS, desde sempre incomodado com tudo o que sejam direitos dos trabalhadores, ainda que, em tempo de caça ao voto surja sempre como grande defensor dos pobres e dos reformados e paladino dos interesses de quem trabalha, decidiu, pela voz do deputado Hélder Amaral, perguntar ao Governo quanto custam as greves nos transportes públicos. Até aqui, nada de novo. Nem sequer há nada de mal nas perguntas.

O deputado quer saber quantas greves existiram no sector dos transportes nos últimos dez anos, quantos dias demoraram, qual o impacto desse número de greves na economia portuguesa e quais os custos diretos para as empresas públicas de transportes. Quer ainda saber se, decorrente dessas greves, foram contratados serviços externos, por forma a assegurar serviços mínimos nas empresas públicas de transportes e, em caso afirmativo, quanto custaram no total.

É um direito que lhe assiste, ainda que noutras situações, como foi o caso da recente proposta de criação de uma comissão parlamentar de inquérito à privatização do BPN apresentada pelo BE, os deputados do CDS se tenham mostrado mais renitentes em saber as respostas que todos temos também o direito de saber com a abstenção do respectivo grupo parlamentar na votação da proposta. Seria, também, muito importante saber qual o impacto deste processo na economia portuguesa e quais os serviços externos contratados para assegurar as sempre tão necessárias assessorias nestas matérias. Mas nisso, o CDS não está interessado.

Estamos perante mais um caso de dupla personalidade que tanto afecta o CDS, consoante está dentro ou fora do Governo, patologia que, de resto, é uma velha maleita dos centristas.

As perguntas, insisto, nada têm de mal. Porém, o caso muda de figura quando Hélder Amaral entra em terrenos que quer conquistar e que são, por definição, inacessíveis. Continuar a ler

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Costumes, Política

Coisa mais Feya

O deputado do CDS Diogo Feyo disse ao jornal “Público”, no dia 27 de Fevereiro, que “cada greve feita acaba por ser uma mancha na imagem do país”. A opinião, em si, vinda de quem vem, nada tem de novo. A novidade está na forma como é assumida publicamente, 38 anos depois, apenas 38 anos depois, de os portugueses terem conquistado, de forma inequívoca e pacífica, um direito que funda e caracteriza as sociedades democráticas, os estados de direito.

A sanha neoliberal que faz parte do código genético da direita portuguesa, mas não certamente apenas desta direita, associada ao ambiente de crise que vivemos (provocado pelas mesmas políticas que agora prometem resolver os problemas) permite todo o tipo de atrocidades, como temos visto. Mas, a bem de alguma ainda restante paz social, tão característica dos comportamentos portugueses, seria aconselhável, já não diria uma mudança de opinião, mas uma moderação pública de argumentos que apenas provocam mais e mais indignação, somada a toda a que já nos motivaram.

A greve, além de direito democrático, é direito constitucional ancorado na liberdade e na imperiosa necessidade de defender os interesses dos que têm menos poder nas relações laborais, ou seja, os trabalhadores. Negar este direito, com argumentos fascistas do tipo daqueles que Diogo Feyo utiliza, só pode ser entendido como uma provocação de mau gosto vinda de quem nunca deverá ter sofrido na pele a injustiça, a pobreza e a desigualdade.

Diogo Feyo e os seus pares do CDS, como aquele jovem deputado que sugeriu aos funcionários públicos a rescisão do contrato caso não quisessem aceitar a mobilidade territorial que este Governo de irresponsáveis quer impor à função pública, falam de barriga cheia para recuperar um país que já não existe, que começou a desaparecer em Abril de 1974. Por muito que isto pareça uma frase feita, um chavão de esquerda que, cada vez mais, provoca esgares irónicos nos mais retrógrados elementos da nossa direita, não deixa de ser um facto comprovado. Continuar a ler

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Política

Greve geral e sindicalismo

"Carregador de flores" (1935), de Diego Rivera

Questionam-se muitos de nós: para que servirá a greve geral?

Diria que, em termos imediatos, provavelmente não servirá para alterar o danoso orçamento do Estado que teremos em 2011 nem as gravosas medidas nele contidas, penalizadoras para grande parte da população, recentemente anunciadas e que irão provocar um cortejo de misérias. Porventura seria diferente se o país parasse, de facto.

Porquê então greve geral?

Em primeiro lugar, as razões centrais que a justificam: os aumentos generalizados de impostos, a diminuição generalizada das prestações sociais, a eliminação/diminuição de deduções fiscais, a diminuição de salários na Administração Pública (ver manifesto aqui)….. Não são razões de somenos; afectam negativamente milhões de pessoas.

Em segundo lugar porque a greve geral é ainda das poucas manifestações cívicas com eficácia social, económica e mediática ao dispor de todos e de cada um. E digo – ainda – porque, com a crescente precarização e instabilidade dos vínculos laborais é, cada vez mais difícil exercer este direito constitucional.

Em terceiro. A sociedade não pode estar limitada aos mecanismos eleitorais de expressão política que se realizam de quatro em quatro anos. A greve é um poderoso acto político, porque mostra o descontentamento com opções que são políticas

Em quarto. As formas de luta requerem organização, concertação, planeamento, sob pena de não terem qualquer impacto. Cada um de nós, isolado, não é nada; juntos podemos ser uma força – “juntos temos o mundo na mão”, como diz o poema de António Macedo. Há séculos que o Homem descobriu isso. A greve geral é apenas uma manifestação desse princípio básico.

Uma palavra sobre os sindicatos. Os sindicatos são um produto de outras épocas. De épocas bem mais violentas e intolerantes que a actual. Em que os grevistas eram frequentemente reprimidos com cargas policiais e prisão. A própria afirmação legal e institucional dos sindicatos fez-se com muitas lutas e muitos sacrifícios. O Portugal anterior ao 25 de Abril de 1974 conhece bem o que isso foi. Mas após terem alcançado o papel e o reconhecimento a que tinham (e têm) direito, certamente que muitos sindicatos se “aburguesaram”, passando a beneficiar de mecanismos e apoios estatais, sendo reconhecidos cmo “parceiros sociais”. Mas com o passagem do tempo a imagem que importantes sectores da população têm dos sindicatos está desfocada; segundo um estudo recente dois terços dos trabalhadores portugueses não está sindicalizado e quatro em cada cinco nunca fez uma greve. Os sindicatos e as organizações representativas dos trabalhadores não podem cruzar os braços perante este panorama. Continuar a ler

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