Política

MARRETAS

Todos os dias há uns marretas à sua espera!

Quando o(s) estado(s) despejam milhões de milhões de euros na banca com o dinheiro de todos nós contribuintes, a juros zero ou quase zero, isso não será intervencionismo?

E em relação a sectores estratégicos da ecomia que o(s) Estado(s) entregam de mão beijada aos privados, isso não será intervencionismo? Não será intervencionismo a favor do poder do capital?

Na volta, os resultados são os que se têm claramente visto! Os bancos salvos da bancarrota com o dinheiro de todos nós contribuintes a juros zero ou quase, voltam à velocidade de cruzeiro, emprestando o dinheiro que receberam a juros altíssimos!As empresas privatizadas, a preços de saldo, fazem praticamente o que querem, pagam menos impostos, são directamente beneficiadas, directa e indirectamente pelo Estado que, dessa maneira, se vai progressivamente demitindo da sua função social. Um regabofe!

Excitam-se muito quando o Estado recorre a uma golden share. Não dizem que as golden shares seriam desnecessárias se o Estado não tivesse privatizado sectores estratégicos da economia! Essa é que é a questão nuclear!

Esta gente fica sempre  preocupada com as (tímidas) as intervenções do Estado sempre que ganha coragem para por umas pedras na cascata da livre circulação de capitais.

Estão sempre na primeira fila  a aplaudir quando o Estado  baixa obscenamente as calças ao capital.

E um pano encharcado não fará falta?

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Justiça, Diz ele

Barroso esclarece que a questão da golden share não é uma questão ideológica, é uma questão jurídica!

Oh homem, então a justiça é neutra? É ideologicamente pura? Está descontaminada de qualquer poeira ideológica?

As leis não são a expressão do pensamento dominante? Não o defendem com unhas e dentes?

Questão jurídica, quando já se sabe o que a justiça vai decidir?

Dizem que o homem é licenciado em Direito. Parece que sim, na altura era chefe de fila do MRPP e muitas cadeiras foram passadas administrativamente. Tamanha ignorância — não é assim tamanha e, sobretudo, não é nada inocente — deve ter a ver com isso o que, misturado com o cinismo que esses anões da corte da Branca de Neve Neo-Liberal exibem nos sorrisos dentífricos que passeiam pelos corredores do poder, é a mixórdia do cocktail de mentiras que nos repetem a toda a hora do dia, para ver quando se transformam em verdade. Nunca serão verdades mesmo que, momentaneamente o pareçam. Serão sempre verdades travestidas.

Vem este agora, com aquele ar de traficante de prata que é papel de estanho, esconder-se debaixo da mesa da justiça!
Todos sabemos que Durão Barroso já perdeu a vergonha há muito tempo. Não nos esquecemos das mentirolas das entradas e saídas do governo, quando já tinha vendido a alma ao diabo.

É uma maneira de estar na vida de Durão Barroso. Barroso, esqueçam o Durão, quem iria acreditar que ele é durão depois de ver as cenas da comédia fatela do mordomo lusitano de rabo alçado, a abrir os portões das Lajes para receber Bush, a Mónica Lewinsky de Bush que se chamava Toni e o carregador de malas Zé Maria, que iam aldrabar o mundo com armas de destruição maciça que não existiam. Existia um ditador brutal, ex-amigo deles todos, a mandar num país deitado sobre vastos lençóis de petróleo.

As histórias que essa malta inventa para justificar as malfeitorias que fazem.

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Pobrezinho, Sim ! Honesto, Nunca!

Ricardo Salgado, o CEO do BES, é um personagem cheio de capacidades. Uma é a facilidade com que se diz e desdiz, a outra é o seu sentido de humor, que deve fazer os gatos fedorentos roerem-se de inveja. Um exemplo da sua refinada ironia é o ter alertado o Governo para os riscos que se corriam se os prémios dos gestores fossem tributados extraordinariamente. Avisava que se iria perder muita gente boa que iria emigrar. Estamos a ver o terror que percorreu os gabinetes dos seus pares europeus, com medo de perder o emprego porque vinham aí os portugueses! Os patrões agarrados às calculadoras porque os gestores portugueses ganham mais, bastante mais, que a média dos seus colegas europeus. Um custo acrescentado que estariam dispostos a suportar para não perder a oportunidade de exibirem o seu gestor português! Salgado brandia ainda, com fervor quase comunista, com a inconstitucionalidade dessa medida. São esses momentos cómicos que nos fazem esquecer momentaneamente a crise.

Hoje, deu uma entrevista em que se diz surpreendido com o veto do executivo à compra pela Telefónica da posição da PT na Vivo, usando a golden share. Justifica mesmo que os privados, aceitando a proposta da Telefónica, estavam a defender a PT de uma eventual OPA. Afirmação que devemos atribuir ao referido sentido de humor. Retenha-se que o Ricardo Salgado, que diz ter sido apanhado completamente de surpresa, é o mesmo Ricardo Salgado que, em Nova Iorque, em 26 de Maio, afirmava que o governo português devia accionar a golden share para contrariar uma eventual OPA da Telefónica sobre a PT. Ia integrado numa comitiva de empresários portugueses que, com o ministro das finanças, foi a Wall Street promover o investimento em Portugal. Os números adiantados pela Telefónica eram outros, mas para quem diz que tudo se vende menos a honra, estamos conversados.

Ricardo Salgado é um ingrato! Tem beneficiado largamente com as dádivas com que os sucessivos governos PS/PSD/CDS o tem acarinhado. Ele, coitadinho que, em 1975 em Londres, pelo que conta o primeiro presidente da CIP, “ vivia pobre como Job, só com uma camisa, num apartamentozinho de dois quartos” despojado pelas nacionalizações e Reforma Agrária, dos imensos bens da sua poderosa família que tinha feito fortuna fabulosa associada ao nepotismo fascista, o avô era visita semanal de Salazar, está hoje à frente de um grupo económico avaliado em 7.000.000.000 euros, com apoio governamental evidente! Quem sai aos seus…

Nesse ano longínquo, tiritando de frio, pediu um empréstimo a Rockfeller, que o concedeu para iniciar um negócio na Suíça, esse paraíso bancário e fiscal, o que não deixa de ser sintomático. Como também é sintomático Rockfeller fazer um empréstimo, não se sabe de que montante, a que prazo e a que juros, a um “pobre como Job”. Não consta que banqueiros como Rockfeller andem para aí a emprestar dinheiro a pobretanas, mesmo sendo um pobre Job com apelido Espírito Santo.

Nos anos 80 volta a Portugal para, na vaga de reprivatizações, recuperar o BES e reconstituir o Grupo Espírito Santo. Em 30 anos o Grupo está presente em mais de 400 empresas, com activos avaliados em 5 % do PIB.
Dirão os babados com o empreendorismo, que esse valor se deve aos extraordinários méritos de uma gestão verdadeiramente milagrosa.

Dirão os cépticos, da direita à esquerda, que naquele período de tempo, um valor daquela ordem só se obtém com muitas cumplicidades, em particular dos governos. O tráfico de ministros, secretários de estado, directores gerais e cargos dirigentes do grupo BES é intenso. São elevadíssimos os lucros obtidos com juros usurários, taxas e serviços bancários com valor obsceno sobre o que incidem taxas de IRC diminutas. São vários os negócios em que se sacam mais-valias extraordinárias, como as obtidas com a venda de acções da Telecel, empresa de comunicações constituída com licença a custo zero, dádiva do governo Cavaco para incentivar o mercado das telecomunicações, à Vodafone, os honorários de 30 milhões de euros que entram de submarino no BES, etc, etc.  Não são poucos os negócios sob suspeita em Espanha, Brasil e EUA, para não falar dos portugueses, de que são exemplo o“Processo Furacão”, o caso “Portucale”, do “Edifício dos CTT”, em Coimbra, os “Submarinos”, a missa vai no adro. Se nem tudo o que dá lucros fantásticos é ilegal, a lei protege os ricos e os amigos, as investigações serão sempre muito complexas, com holdings em vários países e paraísos fiscais (ah! a experiência suíça!) uma intrincada e nada transparente rede de cruzamento de interesses, as deslocalização operações, etc.

Voltemos aos números: em trinta anos o grupo BES acumulou:
7.000.000.000 de euros
200.000.000 de euros em cada ano
17.000.000 em cada mês
550.000 em cada dia
24.000 em cada hora


Confuso? Complicado? Nem por isso! Passando por cima das perplexidades que a rapidez da acumulação de capital com tal dimensão pode suscitar, da maneira como se dribla a legalidade, a alegalidade ou a ilegalidade, a questão central é a da natureza do sistema que permite “sucessos” desse género.

Ricardo Salgado faz pela vida. Sabe de ginjeira, saber transmitido no biberão, que é fundamental deixaram-no fazer pela vidinha, pondo quem detém o poder a jeito para fazer o que dá jeito. Primeiro passo, passo fundamental colocar e ter “amigos” nos governos. A ligação fica directa, as decisões circulam rapidamente, as ideias trocam-se à velocidade do som, antecipa-se o que vai acontecer. Dispensam-se intermediários, foi assim com o avozinho, continua a ser assim com ele, desde o principio. Na privatização do BES, o conselho de administração do banco nacionalizado transitou quase por inteiro para o banco privatizado.

Ricardo Salgado, pobre emigrante em Inglaterra, sabe desde sempre que Pobrezinho sim! Honesto nunca! Um pobrezinho honesto, mesmo com o apelido Espírito Santo, nunca consegue acumular 7.000.000.000 em trinta anos! Um pobrezinho honesto nunca tem nem o capital nem a lei pelo seu lado!

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Berrarias & Facadas

O mundo dos negócios anda em polvorosa. O Estado português usou a golden share para não permitir à Telefónica comprar a Vivo brasileira que detém em parceria com a PT. Todo o mundo se indigna. Dos accionistas portugueses, Ongoing e BES, este que há uns meses atrás quase jurava não vender o seu lote de acções, adquiridos a bom preço quando da privatização da PT (as histórias das relações Ricardo Salgado/BES/Estado são um romance de maus costumes), aos espanhóis evidentemente, à Comissão Europeia defensora do mais desbragado neo-liberalismo, aos jornalistas e comentadores, quase todos eles lobotomizados pelo capitalismo para-selvagem. Uivam que as golden share desvirtuam o livre jogo do mercado. Como se isso existisse e como se as leis do mercado não fossem a transposição para a legalidade da mais infame ilegalidade que faz da actividade económica não uma actividade para a satisfação das necessidades das pessoas, mas uma fonte de lucro a qualquer preço, mesmo que esse preço seja contra os mais elementares direitos humanos.

Esquecem que as golden share existem por acordo com os accionistas privados, no quadro das privatizações de empresas estratégicas para os Estados e que, praticamente todos os Estados europeus da UE têm golden share em diversas empresas. A Comissão Europeia é que, ao serviço do capital internacional e contra os estados que a integram, faz guerra aberta às golden share, usando o Tribunal de Justiça europeu e sabendo muito bem que a justiça não é cega. É um instrumento ao serviço do poder dominante. As leis do mercado, quando correm a favor de um lado, são dacronianamente usadas. Quando corre mal, são a peneira de malha mais aberta. Veja-se quando os Estados atiraram milhões de milhões de euros para a banca privada à beira da falência. Nessa altura, as leis do mercado foram atiradas para o lixo, para a seguir as recuperarem rapidamente.

Por ironia, o Estado espanhol tem várias golden share, entre elas, uma na Telefónica

Não deixa de ser sintomático que nenhuma dessa gente tivesse levantado a voz quando a Telefónica fez uma primeira oferta de cinco milhões de euros sem aceitar que a PT, por esse preço, comprasse a posição da Telefónica na Vivo. A PT recusou, foram subindo as paradas, engrossando voz, ameaçando com isto e mais aquilo, dando facadas a torto e a direito. Agora, com o furor das virgens ofendidas, a Telefónica brama contra a golden shares ocultando a sua nas pregas da virgindade perdida! Não há paciência! Extraordinário é o desenrolar das cenas dessa comédia típica dos nossos tempos. Quando o governo português avisa que considera a PT uma empresa estratégica para Portugal, ninguém lhe deu ouvidos porque não acreditavam que usasse a golden share. Tinham mais que razões para isso, há mais de trinta anos que fazem gato-sapato dos governos, porque é que agora seria diferente.

Ninguém se recorda, ou quer recordar que, se a PT comprou por um balúrdio a Telesp Celular foi porque o governo, com o nosso dinheiro não com o dinheiro dos salgados, vasconcelos & companhia, apoiou a PT, garantiu capacidade à PT para enterrar milhões até conseguir que a Vivo seja um negócio de todas as cobiças.

Não queriam que usasse a golden share? Era o mínimo dos mínimos que lhe era exigido. Se o BES e a Ongoing votassem contra a oferta da Telefónica o recurso à golden share teria sido desnecessário. Não se pode é confiar em quem vende a alma ao diabo por um punhado de euros, os mesmos que se enroscam no colo do Estado quando as coisas dão para o torto, mas já estão prontos para cuspir na gamela quando o primeiro som do esfregar das notas começa a riscar arco-íris de lucros fáceis. Deve-se sempre lembrar que o dinheiro é apátrida e um bom capitalista, quando vai ser enforcado, a sua última acção é tentar vender a corda que o vai tramar. Que outra coisa se poderia esperar daquela gente?

Última curiosidade. Se o governo português já tinha dito, por diversas vezes, que não concordava com o negócio, porque é que a PT gastou, não se sabe quanto, mas devem ter sido muitas centenas de milhares, em acções de sedução dos accionistas, é assim que o marketing nomeia aquela roda-viva de viagens encontros, reuniões, copos, canapés e papelada aveludada, para não cederem aos cantos de sereia da Telefónica. Um circo muito engraçado, mas muito caro e, pelos vistos, condenado a se desmontado por uma simples golden share!

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PT e Telefonica. David vencerá Golias?

E porque é que isto nos interessa?

Do resultado desta disputa dependerá a manutenção ou não do centro de decisão de uma grande empresa de base portuguesa em território nacional. Uma das poucas empresas nacionais com relevante expressão internacional .

David e Golias. A portuguesa Portugal Telecom contra a espanhola Telefónica. Um Golias espanhol que é dez maior que um David 36% português. Há já algum tempo que se vinha percebendo que, mais tarde ou mais cedo, esse choque podia acontecer a propósito do controlo accionista da empresa detentora da operadora de telecomunicações brasileira Vivo. É que esta operadora é um precioso e apetecido diamante, gerador de formidáveis receitas num grande mercado em expansão. E com a crise que vai pela Europa…

Dada a recusa da PT em vender a sua parte no negócio brasileiro, a Telefónica acaba de ameaçar a PT com uma OPA (oferta pública de aquisição) hostil. Estão pois declaradas as hostilidades. Nem a amizade de Sócrates e Zapatero as impedirão.

Têm agora alguns capitães da nossa banca a oportunidade de tocar a corneta nacionalista paradefender a fortificação lusa. Os principais defensores lusitanos são, neste momento, os bancos BES e CGD e a holding Ongoing, que juntos têm mais de 20 por cento do capital da PT. Mas parece que, mesmo para estes “lusitanos”, se trata de uma questão de preço, como já fez saber o presidente do BES, Ricardo Salgado. É que são muitos os milhões que a Telefónica se dispõem a desembolsar. Mais exactamente 5,7 mil milhões de euros. E aí, os interesses dos accionistas sobrepor-se-ão a tudo o resto.

Falta saber da famosa “golden share” do Estado português. Existe? Para que vai servir e se será utilizada para impedir a absorção da PT pelo gigante espanhol. Há quem defenda que essas  “acções douradas” já não existem. A UE o dirá.

Este duelo accionista será seguramente um acontecimento que vem perguntar àqueles que pregam a primazia do mercado e o completo afastamento do Estado das decisões económicas, se estão dispostos a que fiquemos sem anéis e sem dedos?

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