Internacional

Gaza: Violência sobre o gueto

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O holocausto do povo judeu durante a segunda guerra mundial serve frequentemente para justificar e fazer esquecer o tratamento brutal que o poder israelita tem infligido aos palestinianos. É certo que os contornos do conflito são complexos, mas é também certo que Israel exerce sempre o seu poder com toda a brutalidade e desproporção.

Quantos mortos se contam em cada lado? Ouvi ontem na televisão sobre o primeiro habitante israelita atingido mortalmente. Enquanto isso contam-se por centenas as baixas de civis em Gaza. E como não nos compungirmos com esse espectáculo deprimente de habitantes de Israel a assistirem aos bombardeamentos e ao morticínio dos seus vizinhos, instalados como que numa frisa de teatro?

Sob a acusação de ser liderado por um grupo terrorista (embora o Hamas tenha sido escolhido em eleições!), o território palestiniano de Gaza (360 Km2 e 1,6 milhões de habitantes) foi isolado, selado e os seus habitantes sujeitos à clausura de um gueto. Um território fechado e controlado no mar e no ar, à disposição da mais completa tecnologia militar. Uma indignidade.

Sucederam-se raptos, primeiro de jovens israelitas, brutalmente executados, e depois de um jovem palestiniano, também barbaramente assassinado. Mas o que fez com que os alarmes israelitas soassem a debitar todos os decibéis foi o recente anúncio da reconciliação entre as principais facções palestinas – a Fatah que administra a Cisjordânia com o Hamas que governa Gaza. Durante anos a divisão entre palestinianos tem sido a melhor garantia para os interesses sionistas que se opõem à constituição de um Estado Palestiniano já reconhecido pela maioria das nações.

O conflito entre o Estado de Israel e os palestinianos é uma guerra entre capacidades desproporcionadas. Certos das suas razões – reconhecidas por resoluções das Nações Unidas – mas confrontados com a impotência dessas mesmas resoluções, como podem os palestinianos combater uma potência militar com as capacidades do Estado de Israel, senão da forma que o tem feito, provocando danos mínimos, quase sempre materiais e raramente humanos?

No passado os palestinianos recorreram a actos terroristas que, bem e mal, colocaram o problema sob observação da comunidade internacional a partir dos anos de 1970 pela mão da OLP de Arafat. Não fosse a violência do terrorismo uma outra forma de fazer política face a poderes militares esmagadores.

Com a presente complexidade que se vive na região – os conflitos na Síria, no Iraque, no Egipto – o cenário do conflito israelo-palestiniano tornou-se ainda mais negro…

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A guerra que nos espreita

ImageHoje, dia em que se realizou uma manifestação frente à embaixada de Israel em Lisboa, de solidariedade com a Palestina contra a agressão na faixa de Gaza, inserimos este sarcástico cartoon, publicado no The Independent, de 19 de Novembro, e que antecedia um excelente artigo de Yasmi Alibhai-Brown, intitulado Don´t forget Britain’s betrayal of Palestine,  na sequência de outro excelente artigo de Robert Fisk, provavelmente o jornalista mais bem informado sobre as questões do Médio-Oriente, As Israel and Hamas open the “gates of hell” in Gaza. Por cá a informação é o que sabemos, com a excepção de José Goulão no Diario.Info.

Sem esquecer o Holocausto, mas não esquecendo os milhões de não judeus igualmente mortos nos campos de concentração nazis, devemos condenar veementemente o sionismo que tem inegáveis traços fascizantes que se tentam travestir e esconder debaixo do enorme tapete das perseguições milenares aos judeus, que tiveram a sua expressão industrial nas camaras de gás hitlerianas.

Israel vive confortavelmente com a imagem fraudulenta de um milagre económico  adubado por biliões de milhões de dólares  e falsamente atribuído aos sacrifícios e  talentos de um povo eleito, cercado e perseguido por árabes sanguinários que têm o desplante de quer voltar para os territórios de onde foram brutalmente desalojados para que o povo ungido por Deus aí se instalasse, acalantado pela má-consciência ocidental. Com o beneplácito do Ocidente em geral e dos EUA em particular, organizaram um poderoso exército e são uma das potências nucleares mundiais. Não satisfeitos com o território que lhes foi ofertado com o sofrimento de centenas de milhares de árabe,  continuam a expandi-lo com uma criminosa política de colonatos. Controlam com mão de ferro esse bem muito escasso por aquelas paragens, a água. Continuam a viver à sombra do Holocausto que transformaram num rentável negócio.

Contam com apoios espúrios como o de Obama, recém-eleito para o exercício de um segundo mandato e que, para justificar o Prémio Nobel da Paz que lhe foi concedido em 2009, tem poupado a vida a dois perus por ano, no Dia de Acção de Graças. Já beneficiaram do perdão presidencial, oito perus! Um fartote para quem anda a matar selectivamente utilizando aviões não tripulados, apoia Israel em todas as suas agressões utilizando força militar brutal e desproporcionada. Obama que é uma ameaça à paz mundial, como se tem visto no Médio Oriente, por interpostos protagonistas, com Israel na linha da frente. Este assalto a Gaza, prefigura o ensaio a um ataque ao Irão.

A hipocrisia e o cinismo imperam! Nos últimos tempos é bem visível que tanto Israel como a Al-Qaeda, são objectivamente aliados dos EUA na luta pela preservação do império. Um de longa data e desde sempre, outro recente mas igualmente muito activo, como se está a ver na Síria, isto sem olvidar que o regime de Assad é autoritário e brutal, como quase todos dessa região, a começar pelos fieis amigos da Arábia Saudita. Só que a maioria dos massacres atribuídos às forças do regime tem sido perpetrados pelos radicais islâmicos e mercenários de várias origens a que enfaticamente chamam exército de libertação sírio. Tudo isto são passos na direcção de uma 3ª Guerra Mundial que tem alvos bem definidos e que nos ameaça. Fazer do mundo uma Gaza não é coisa que não entre nas conjecturas estratégicas do império. Pela paz devemos estar sempre mobilizados. Hoje contra a agressão sionista a Gaza, amanhã por qualquer outro motivo que a faça perigar . A guerra ronda-nos! Estejamos atentos e actuantes!

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