Internacional, Política

Desemprego em França atinge novo recorde com 3,29 milhões de inscritos

Estou preguiçosa, decididamente!  Perdoem e entendam-me!

Desemprego atinge mais de 10,9% da população activa

O desemprego atingiu um novo recorde em França com um crescimento de 60 mil desempregados em setembro, o que eleva para 3,29 milhões os inscritos à procura de emprego.

Este aumento deve-se em parte a um erro estatístico que levou a uma descida artificial do número de desempregados em agosto. ( Ai, por cá como descem as taxas à custa não de erros, mas factos premeditados).

Com 3,29 milhões de pessoas sem trabalho, o desemprego atinge mais de 10,9% da população ativa, o que constitui um recorde absoluto em França.

O presidente francês, François Hollande, comprometeu-se a inverter os números do desemprego até ao final do ano, num clima de preocupação crescente quanto à economia e à criação de emprego.( pois, pois, digo, eu!)

Ainda se lembram dos tais 150.000 empregos que o Sócrates, de má memória, iria criar?

A França está atolada uma vez mais nas políticas neoliberais do tal de Hollande do tal PS francês. (guerras vergonhosas, neocolonizações  com sobreexploração de povos já tão martires, conluios com o Al Qaeda, os tais terroristas apoiados na Líbia, na Síria, etc. )

SERÁ QUE ESTE EXEMPLO, MAIS UM, SERVIRÁ DE ALGUMA COISA?

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França e Grécia, que lições para a Esquerda?

Ressalvadas as profundas diferenças entre a França e a Grécia, os resultados eleitorais registados em ambos os países mostram eleitorados profundamente descontentes com as opções políticas dos seus governantes. Se em França, pela primeira vez desde há muitos anos, um presidente é despedido a meio dos tradicionais dois mandatos, na Grécia a habitual representação parlamentar foi quase por completo estilhaçada.

Quer a vitória de Hollande, ditada numa segunda volta, quer a fragmentação partidária registada na Grécia, demonstram o profundo mal-estar que assola a Europa. Onde todos os governantes em exercício têm sido derrubados nas urnas. Casos da Irlanda, de Portugal, da Espanha e agora da Grécia, sem esquecer a Itália desde há meses governada por um ex-alto funcionário (M. Monti) imposto pela União Europeia. Apenas para referir os que nos são mais próximos geográfica ou culturalmente.

Hollande sim, mas…

A vitória de F. Hollande carrega um importante capital de esperança num futuro melhor. A expectativa de que são possíveis alternativas às políticas exclusivamente centradas na restrição orçamental e na austeridade e que assentem no que se designa genericamente por uma agenda de crescimento e emprego. Por toda a Europa aguardam-se os passos do novo presidente francês, porque ele é o líder do único país europeu com escala comparável à da Alemanha de Merkel.

Mas é uma expectativa que deve ser restrita e sujeita a escrutínio. Os socialistas e os social-democratas que antigamente constituíam a Internacional Socialista foram demasiado coniventes, co-responsáveis mesmo, pelas opções europeias nos trouxeram ao actual estado de coisas. Assistiram passivamente ao absoluto e completo controlo do poder financeiro sobre a economia, a política e a sociedade.

A auspiciosa vitória do “normal” F. Hollande em França – que, se mobilizou a maioria de um eleitorado assustado que vê a França a caminho da decadência, revelou também a rejeição do estilo frenético de one man show de N. Sarkozy – esconde uma potencial alteração de fundo na política francesa. A emergência da direita nacionalista e xenófoba de Marine Le Pen (6,5 milhões de votos na primeira volta) que, nas eleições legislativas do próximo mês de Junho, disputará a liderança da Direita aos sectores agora humilhados nas urnas com a derrota do presidente em exercício.

Disputando-se a eleição num sistema maioritário a duas voltas, veremos como se vai (ou não) a direita clássica (UMP e  outros) entender com os candidatos “marinistas” nas segundas voltas. Farão acordos entre si para impedir uma maioria da esquerda? O sistema eleitoral francês tem garantido a transferência de votos entre os diversos sectores da esquerda e mantido a Front National (que se vai agora travestir em rassemblement bleu marine !!) afastada da assembleia nacional francesa devido à recusa de acordos da direita “clássica”. O partido do clã Le Pen não é já um epifenómeno, é uma realidade política estabelecida na sociedade francesa que carece de respostas à altura. A Esquerda francesa que se cuide.

O aviso grego

Na Grécia a rejeição das opções políticas dos governantes não podia ser mais clara. Uma coligação de partidos de Esquerda quase conseguia ser a mais votada, enquanto a dupla que tem dominado a vida política do país nas últimas décadas se viu reduzida ao seu mais baixo resultado de sempre: a Nova Democracia – 18,86 % e 108 lugares, dos quais 50 de bónus eleitoral e o PASOK – 13,18% e 41 lugares.

Também aqui a extrema direita xenófoba (Alvorada Dourada, 6,97%, 21 lugares) – porventura revestida de um folclorismo que os dirigentes da sua congénere francesa já abandonaram – fez a sua entrada em cena, capitalizando a tradicional rejeição dos emigrantes, mesclada com sentimentos de insegurança, que sempre impera quando o clima económico se degrada.

Apesar do significativo crescimento eleitoral à esquerda do PASOK, também na Grécia parece não ter havido capacidade para construir uma alternativa credível de poder pré-eleitoral. Quer a Coligação Syriza (16,77%, 52 lugares), quer o Partido Comunista (8,48%, 26 lugares) aumentaram significativamente as suas votações. Acrescente-se a Esquerda Democrática (DIMAR) – 6,10%, 19 lugares. Uma capacidade reforçada de oposição às políticas de austeridade que se pode constituir como alternativa.

Os resultados gregos devem ainda ser interpretados como a rejeição de um modelo que falhou. O dramático empobrecimento de sociedades que acederam a patamares de bem estar coloca em causa, em primeiro lugar, os protagonistas políticos dessa época e dá acesso a novos actores. Há esquerda como à direita. Mas com um cenário de desemprego e empobrecimento aumenta a perspectiva de soluções menos pacíficas.

Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma (A. de Lavoisier). E as formações partidárias apenas servem as configurações políticas e sociais das suas épocas. E este é um tempo de mudança.

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Eleições francesas: Inverno ou Primavera?

Pode a eleição presidencial francesa contribuir para uma mudança na orientação política europeia?

A eventual derrota de Sarkozy (27,18%, na primeira volta) em 6 de Maio pode ser um factor de viragem política na Europa. Não só pelas posições que uma nova liderança francesa pode trazer para o centro da decisão da UE, caso F. Hollande (28,63%) confirme o que tem vindo a afirmar publicamente, como também pela indução de efeitos políticos noutras geografias da Europa comunitária.

Mas, para chegar ao poder, o socialista Hollande terá que congregar muitos votos agora expressos noutras candidaturas. Nomeadamente nas do centrista  François Bayrou (9,13%) e de Jean-Luc Mélenchon (11,11%) da Front de Gauche dinamizada pelos comunistas do PCF, área política que atinge o seu melhor resultado dos últimos trinta anos. E esperar que o eleitorado de Marine Le Pen (17,9%) não se desloque massivamente para F. Sarkozy.

Paris e Berlim constituem, desde há muito, o eixo histórico de decisão da política europeia. Para o bem e para o mal. A França, país com um histórico de império que continua a alimentar, pretende-se uma potência determinante no espaço internacional – continua, aliás, sem que se perceba exactamente porquê, a ser membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Nessa velha tradição o presidente francês N. Sarkozy tudo tem feito para manter o seu país na linha da frente da capacidade decisória da UE. Ou pelo menos na aparência dessa capacidade. Tudo tem feito para ficar “na fotografia” das principais decisões.

Sarkozy e Angela Merkel, ultrapassando todos Estados nacionais da União, trataram de reunir sucessivas vezes, ao arrepio de todas as boas práticas para a realização de consensos, condicionando as decisões colectivas das cimeiras europeias. Assim passando “por cima” da própria filosofia e das normas de decisão da União. Impondo-se mais e mais como um directório.

Mas também há muito que se percebeu que as verdadeiras decisões são tomadas pelo governo alemão, com a chanceler Merkel à cabeça, e pelos banqueiros centrais do BCE. Naturalmente em obediência à ideologia dominante dos sacrossantos interesses dos “mercados”. A própria posição económica francesa tem vindo a enfraquecer, o que já lhe mereceu a retirada do rating de triplo A. E as taxas de crescimento francesas também já viram melhores dias.

Ao que parece os franceses já perceberam que o mediático par Merkozy é muito mais alemão que francês. E começam a preocupar-se com as ameaças que pairam sobre o seu bem-estar. E isso incomoda-os.

Pela primeira vez numa eleição presidencial francesa da quinta República (1958…), o presidente em funções não parte em vantagem. O facto indicia que a maioria dos franceses já não o considera o melhor para lugar. Resta agora a N. Sarkozy tentar o canto da sereia junto do eleitorado de Marine Le Pen, a representante de um perigoso movimento de características nacionalistas e xenófobas que, regularmente, assoma ao primeiro plano da política francesa – em 2002 a presença de J. M. Le Pen na segunda volta das presidenciais forçou mesmo toda a esquerda a votar no gaulista J. Chirac.

Tudo está em aberto para a segunda volta em 6 de Maio. Como se comportarão os eleitores dos candidatos agora afastados? A maior incógnita da eleição será o comportamento dos quase seis milhões e meio de eleitores que agora votaram em M. Le Pen. Eleitores de que N. Sarkozy se tem tentado aproximar com discursos de afirmação nacionalista e algumas medidas de grande impacto mediático como as acções desencadeadas contra comunidades ciganas ou o encerramento temporário de fronteiras. Ou ainda a polémica contra hábitos culturais de comunidades magrebinas.

Serão duas semanas vertiginosas, seguidas com interesse por toda a Europa.

É grande a expectativa sobre os efeitos na Europa de uma viragem política em França. Um movimento que, com a influência de uma grande país, pode criar condições para novas abordagens às crises actuais e em que avultam a há muito discutida e sempre adiada criação de eurobonds, a rediscussão do pacto orçamental europeu que Merkel (acolitada por Sarkozy) se incumbiu de impor à UE.

Uma eleição que nos interessa.

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