Política

MALDITOS BRANDOS COSTUMES!

Baltazar Garzon, o juiz que se tornou mundialmente famoso quando conseguiu incriminar Augusto Pinochet (que estava em Londres e lá se safou com o forte apoio da Margaret Thachter) e que já era bem conhecido em Espanha pela sua acção contra a ETA agora, ao abrigo da Lei da Memória Histórica, intentou abrir processos para averiguar os crimes do franquismo.
Sendo juiz deve saber, melhor que ninguém, que a lei é sempre o direito do mais forte à liberdade, no caso a liberdade dos que hipocritamente dizem não querer voltar a abrir feridas, metendo no mesmo saco vítimas e verdugos. Não mediu a força da direita espanhola, que rapidamente mostrou a sua ferocidade e o comprimento das suas garras. Ou talvez tivesse feito cálculos errados já que ele, conhecido pela velocidade com que actuava noutros casos, aqui demorou bastante tempo antes de decidir entrar em acção.
Quem não perdeu tempo foi a direita e a ultradireita espanholas que logo contra atacaram para tirar Baltazar Garzon do caminho para que os esqueletos do franquismo, qual deles o mais tenebroso, continuem fechados nos armários a dormir o sono dos injustos. Conseguiram tirar poder a Gárzon, enquanto o sangue de milhões de vítimas do fascismo franquista continua a empapar as terras de Espanha. Até um dia porque, apesar do primeiro insucesso, a porta foi entreaberta. Querem também, lá como cá e noutras partes do mundo, intimidar os juízes, sobretudo agora quando o PP está sob investigação, num caso de corrupção que, ao que parece, é o primeiro de vários.
Todo este processo está a agitar Espanha e o mundo. Tão diferente do que se passa e passou em Portugal. Por cá, e sem grande estardalhaço, a canalha pidesca safou-se entre as malhas da revolução e respirou aliviada com a normalização(?) democrática. Até a sede da polícia política em Lisboa foi transformada num condomínio de luxo, por cima da memória de milhares de portugueses que, com largo destaque para os militantes do Partido Comunista Português, ali foram barbaramente torturados e mesmo assassinados. A marca que resta é uma tímida placa que assinala o local. Mesmo  assim objecto de lutas que se arrastaram meses e meses. Se não nos pomos a pau o Forte de Peniche, com séculos de vidas aprisionadas dentro das suas muralhas, ainda se transforma numa luxuosa pousada. Malditos brandos costumes!!! Nem o exemplo do vizinho do lado nos acorda!!!

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