Política

É o que há cá…

No video, perigoso comunista assusta um empresário português.

Parece que há por aí uma associacãozita de empresários que se veio queixar, com palavras catastróficas, medos pré-históricos e lágrimas de crocodilo à mistura, de que ter um governo com comunistas é muito, mas muito perigoso.

Não dizem que eles comem criancinhas, mas asseguram que são anti iniciativa privada. Não dizem que estão em causa investimentos mas, atenção, podem estar.

Pois, é o que temos por cá.

As alegações são tão ridículas, quanto absurdas.

Deviam, então, os senhores empresários muito patrióticos que são explicar os esquemas fiscais que desenvolvem para pagar menos impostos, com grande probabilidade de recorrerem a elaboradas engenharias fiscais para expatriar capitais que, certamente, não terão sido ganhos com muito suor.

Mais importante será que expliquem onde está o medo que as maiores empresas do país, as duas que mais contribuem para o PIB nacional, têm dos comunistas por estarem instaladas em municípios governados por estes perigosos inimigos da iniciativa privada. A Autoeuropa, pelo que se sabe, não teve medo de se instalar num município que, à época, era governado por esse perigoso comedor de criancinhas e aplicador de injeções atrás da orelha que era Carlos Sousa. Assim como a Portucel não teve medo de ampliar a sua fábrica de papel de Setúbal, transformando-a numa das maiores do mundo, só porque os comunistas estão na câmara. Feitas as contas, são dois municípios comunistas os que mais contribuem para as exportações nacionais.

Já agora, expliquem-me lá porque é que os mercados têm tanto medo dos comunistas. Terão sido eles quem provocou a grande crise de 2008.

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economia

Menos Estado…quando convém

Quando as privatizações estão na ordem do dia, cumprindo o programa político-económico neoliberal da governança, argumentando com o corte de gorduras no Estado que, dizem, é urgente emagrecer, sem cuidar se não acabará por morrer anoréctico, nem isso interessa a quem está lá para favorecer o grande capital à conta de todo nós. Quando dizem, a torto e a direito, que o estado gere mal, não tem vocação empreendedora pelo que deve entregar aos privados empresas, escolas, hospitais, demais serviços públicos, tudo em que se vislumbre alguma hipótese de lucro, cai sobre os contribuintes os custos de tapar mais um buraco que a fina flor, o supra sumo dos empresários portugueses em geral e do norte em particular, o norte onde se trabalha sem os vícios de calaceirice que abundam no sul, durante anos alegremente cavaram: o Europarque.

Europarque, símbolo da visão e do arrojo que caracterizam a iniciativa privada, exemplo do rigor gestionário dos empresários e, de entre esses, dos melhores entre os seus pares, acumulou uma dívida de mais de 35 milhões de euros, pelo que vai ser accionado o aval que o Estado português lhe tinha concedido em 1996. Refiram-se para memória futura, alguns dos principais protagonistas dessa negociata: Ludgero Marques, presidente da AEP que, com o apoio de todas as associações patronais do norte teve essa iniciativa, Eduardo Catroga, ministro das finanças no governo de Cavaco Silva que concedeu o aval do Estado e o actual administrador do Europarque, Couto dos Santos, também ex-ministro no mesmo governo. Continuar a ler

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