Política

Os procedimentos da PSP

Nota-se que a polícia tem os procedimentos apurados. Estas imagens do que se passou ontem com o piquete de greve nos CTT em Cabo Ruivo exemplificam na perfeição tais procedimentos, que, como sabemos, são utilizados em todas as circunstâncias pela PSP, seja neste tipo de situações, seja em manifestações de polícias, SEF’s e GNR’s nas escadarias da Assembleia da República. Compreendem-se, porém, algumas pequenas diferenças. Em Cabo Ruivo a PSP garantiu que a sua atuação se justificou com a necessidade de permitir a circulação de trânsito. Ora, como é sabido, nas escadarias da Assembleia da República não circulam automóveis…

Ainda assim, vale a pena destacar que, na Assembleia, a atuação da polícia foi a mais adequada. Já em Cabo ruivo…

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economia, Geral

Também nos querem tirar os correios?

O encerramento de numerosas estações de correios pelos CTT constitui uma grave desconsideração para com o país e as populações.

De há tempos a esta parte a Administração da empresa entendeu desarticular e reduzir uma rede de estações que é, desde há muitas décadas, um dos mais importantes traços de ligação entre os portugueses, pelo serviço de proximidade que tem proporcionado.

O plano de redução de estações e de delegação de serviços que os CTT tem vindo a levar à prática, genericamente a coberto da “sustentabilidade” da empresa, parece esquecer o importante e fundamental papel que aquela rede desempenha junto das populações, dado o elevado nível de cobertura territorial que conseguiu atingir ao longo de uma história cujas referencias iniciais se situam em 1520 no reinado de D. Manuel I.  A justificação em questões de sustentabilidade é tanto mais descabida quando a empresa entregou, em 2009, 37,2 milhões de euros de dividendos ao Estado, e no ano seguinte 21 milhões… Mas que dizer de Governos que dão orientações às empresas públicas para a realização de cortes de 15% nos custos sem atender a consequências?

Se são muitos os prejuízos causados pelo encerramento de numerosas estações e serviços em muitas cidades, é verdadeiramente ofensivo quanto atinge populações rurais e idosas em lugares isolados, para quem a sua estação de correios é, frequentemente, o principal ponto de ligação ao exterior. Para tentar cobrir essas situações a douta administração da CTT Correios de Portugal SA tem tentado impingir (e conseguido, em muitos casos) a continuidade do serviço a Juntas de Freguesia que, sob pena de elevados prejuízos para as suas populações, aceitam a incumbência mediante o pagamento de valores muitas vezes irrisórios. Um presidente de junta de freguesia, queixava-se, há dias, em reportagem televisiva, que os CTT lhe queriam pagar 500 euros (!) para que a Junta assumisse o serviço…

O caminho escolhido contraria, inclusivamente, aquilo que os CTT para si aprovaram em 2008 como uma das “principais linhas de orientação específicas” da sua “estratégia empresarial” – “Assegurar a prestação do serviço postal universal, garantindo o acesso dos cidadãos a serviços postais de alta qualidade a preços acessíveis e em condições de equidade, universalidade e continuidade”. Palavras que são letra morta.

A administração dos CTT pretende encerrar 176 estações, segundo noticias ainda não confirmadas. É grave que tendo tido o processo já inicio não sejam conhecidos os critérios que justificam os encerramentos das estações e esteja instalado um profundo mau estar em inúmeras comunidades por todo o país, com as respectivas populações a terem que sair para a rua em manifestações de protesto e defesa deste serviço público.

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Setúbal

Comunicação Urbana IX

Aviso colocado pelos CTT na máquina de venda de selos na desactivada estação da Praça do Bocage.

A estação foi encerrada em Julho, assim como o balcão da Loja do Cidadão de Setúbal, o que veio sobrecarregar ainda mais a estação do Bonfim, moderno espaço dotado de mais de uma dezena de espaços de atendimento, nunca totalmente abertos ao público.

Neste caso, houve um “estimado” cliente que foi capaz de interpretar melhor o que de facto os CTT fazem aos seus fregueses e riscou a simpática expressão do aviso para a substituir por um muito mais adequado “abandonado”.

O abandono da estação da Praça do Bocage, praça principal da cidade, foi de tal forma rápido e convicto que ainda nenhum responsável dos Correios deu pelo ataque à imagem de tão respeitável instituição.

Perante o encerramento de mais estas duas estações de correio levantam-se novas dúvidas: será que a administração dos Correios, paga por todos nós, já está a fazer o emagrecimento da empresa para a entregar mais ligeira aos privados por meia dúzia de euros? É só uma dúvida….

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