Política

O ódio amplifica a ignorância

Berlin-cai

A ignorância é sempre perigosa. Quando amplificada pelo ódio torna-se, além de ridícula, ofensiva para gerações de homens e mulheres que deram a vida para derrotar o nazismo e o fascismo. Foi o que fizeram na JSD, ao escolher a foto de Khaldei para ilustrar a sua página de Facebook como invocação do perigo comunista, como aqui relata o jornal “Público”. Só a serenidade que os tempos aconselham nos deverá impedir de classificar (ou agir por causa de) declarações como as que faz o deputado do CDS Michael Seufert, citado na notícia do “Público”.

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Política

Alternativas

Uma das mais recorrentes acusações feitas aos que, à esquerda, contestam as políticas liberais do Governo PS é a de não apresentarem alternativas. Estranha acusação, em particular quando dirigida ao PCP, partido que, por natureza programática e ideológica, assume, mais do que qualquer outra força política no espectro político nacional, a defesa coerente e consistente de uma alternativa política, económica e social ao capitalismo vigente.

Ainda que seja forçoso reconhecer que o PCP comunica mal, mais forçoso é reconhecer que, sistematicamente, as posições partidárias são ocultadas, esquecidas, varridas para baixo do tapete das posições incómodas, certamente com o objectivo de provar, de qualquer forma, que não há alternativas a este modelo económico que nos enfiam, diariamente, pela garganta abaixo.  Tal prática assemelha-se um pouco à sistemática utilização de grandes planos de gente idosa sempre que se põe no ar uma reportagem televisiva sobre uma iniciativa do PCP para provar que é um partido de velhos. O mesmo princípio aplica-se, aliás, ainda que em menor escala, às manifestações sindicais.

Os media portugueses são, provavelmente, o microcosmos social e político onde se encontram mais preconceitos por metro quadrado, ainda que os jornalistas sejam os últimos a reconhecê-lo. Alguns, aliás, fazem até dos seus preconceitos anticomunistas primários a maior fonte de angariação de leitores, conscientes que esse será um filão que nunca acabará. Fernanda Câncio, jornalista do DN e autora de um dos blogues mais lidos, o Jugular, é, hoje, um dos expoentes deste anticomunismo travestido de esquerda moderna. Mas adiante, que tal personagem não merece mais do que simples referência, e apenas para efeitos ilustrativos.

A prática mediática de, não escondendo as posições políticas do PCP, encontrar uma forma de as ocultar por trás do discurso redutor e carregado de lugares comuns, abafado por torrentes de comentários de opinadores que apenas conhecem um caminho, transforma-se no mais atroz totalitarismo mediático, na mais eficaz ferramenta de limitação do pensamento. É a democracia, dirão alguns. Será? Será que estamos no fim da linha da história? Ainda há dias o Manuel Araújo reproduzia aqui um texto do Manuel Gusmão que vale a pena ler para perceber que ainda há muito caminho para andar, ainda que seja importante que, em tempo, consigamos fazer algumas paragens bem sucedidas neste nosso percurso.

A verdade, porém, é que há alternativas. Elas estão aí, mas é o próprio método de produção dos media, moldado numa cultura de subserviência ao poder, ao patrão, que cria volumosos obstáculos ao seu conhecimento. Por mim, quero dar o meu contributo para a sua amplificação, modesto, é certo, mas aqui fica ele, na forma de Propostas para Responder aos Problemas do País. As propostas são do PCP: Continuar a ler

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