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Moedeiros Falsos

moedeiros falsos

De um governo de moedeiros falsos já nada nos deve espantar. De facto já nada causa surpresa. Aldrabar, mentir, manipular, no vale tudo para fazer o trabalho sujo de destruir a economia do país a favor dos grandes grupos financeiros, é o dia a dia dessa gente desde o primeiro momento em que tomaram posse.

Já nada nos pode espantar mas continua a causar indignação.

O último número deste ignóbil circo foi protagonizado por Carlos Moedas, igual a si próprio, na audição do Parlamento Europeu para supostamente avaliar da sua competência como comissário para a da Investigação, Ciência e Inovação.

Competência não tem nenhuma, nem precisa de ter à semelhança de outros burocratas europeus. É uma área que lhe é completamente estranha. Dela só saberá o deve e o haver. Área em que ele, responsável máximo do governo PSD-CDS das relações com a Troika, fazia todos os trabalhos, mesmo os mais crapulosos, para ser reconhecido pelos manda-chuva do FMI, BCE, CEE.  Cortou a torto e a direito em todas as áreas, também, e muito, na ciência e investigação. Numa área em que Portugal devia investir prioritariamente para sustentar o crescimento, o que Moedas negociou com a Troika foi um desinvestimento brutal que além de destruir o que estava feito, destrói sem contemplações o futuro.

Os números não enganam. Há um corte de 40% no número de bolsas atribuídas pelo FCT. O corte em bolsas de doutoramento é superior a 50% e de pós-doutoramento de mais de 56%, comparado com o ano de 2011.

A opção pela redução do investimento em ciência, a níveis muito superiores aos da redução geral da despesa é uma opção ideológica. Parte da ideia de que o Estado não tem nenhum papel a desempenhar no desenvolvimento económico, assente numa visão de que o crescimento é apenas feito pelas empresas. O que é bem visível e transparente na sua fúria privatizadora. 

Não há ciência sem cientistas. No imediato e a médio prazo há um forte desinvestimento na ciência. A isto somam-se os cortes nos orçamentos das universidades também acima da média de redução da despesa corrente. A aposta não é na ciência, na investigação e na inovação é nos baixos salários e nos sectores tradicionais.

O governo não se pode esconder atrás da Troika. Os cortes na investigação são praticamente o dobro dos cortes na despesa corrente primária. É uma escolha política. A escolha de andar para trás na ciência e inovação, que o actual Governo fez, é clara. É o desperdício de um investimento anteriormente feito, uma perda de recursos valiosos, que vai limitar o crescimento económico futuro. Os maus resultados são imediatos mas serão ainda mais visíveis a médio prazo. Uma escolha política que devia envergonhar todo o governo, em particular Nuno Crato e Pires de Lima, com Moedas na linha da frente frente desses cortes, dessas opções..

Mas esse é o mesmo Moedas capaz de tudo para garantir o tacho. Agora, em Bruxelas, nega tudo, mesmo as próprias e evidências.

É preciso ter um infame descaramento para afirmar, sem uma ruga de vergonha, que discordou muitas vezes da política da Troika. Afirmar que a resposta política para o crescimento económico consiste no investimento na ciência e inovação. Ele que foi o responsável mais directo por todos os cortes feitos em Portugal nessas áreas.

Esses salafrários não conhecem as fronteiras da decência mais mitigada. Vivem numa tal orgia de mentiras que no dia em disserem uma verdade morrem fulminados pela má consciência de se terem traído.

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Política

As piadas do Moedas

O Diário Económico cita hoje declarações de Carlos Moedas, secretário de estado adjunto do primeiro-ministro, nas quais, pela primeira vez, vemos que, afinal, os nossos atuais governantes também gostam de mostrar que têm sentido de humor. Mas ficam-se por aí, porque piada é coisa que não têm e não há coisa pior do que um comediante falhado.

Moedas é um desses falhados, ainda que tenhamos de reconhecer que seria preferível que tivesse seguido a carreira dos palcos para nos poupar a tanta piada de mau gosto.

Não resisto ao trocadilho fácil de escrever que as declarações são ainda mais interessantes porque são sobre o Euro e vêm de alguém chamado Moedas. Enfim, um Moedas a falar de moeda. Piadola fácil e amarela, mas pronto…

Diz o Moedas, moço alentejano de rija? têmpera, que, “hoje, em plena crise do euro, tendemos a focar a nossa atenção apenas naquilo que está a correr mal”. E por que será? Moedas, que usa pesados óculos, não consegue entender as razões de tanta má vontade e é duvidoso que, com tanta miopia, alguma vez venha a entender.

A maior piada da coisa está, porém, nas graçolas que o adjunto citou para sustentar o seu ponto de vista que, como qualquer um de nós pode ver, é prejudicado pela miopia galopante em direção à cegueira, ou coisa parecida, de que padece. Para defender o “extraordinário legado de paz e prosperidade” da União Europeia, Moedas recorreu a citações de dois norte-americanos, o comediante Louis C. K. e o ex-presidente Bill Clinton.

Deixemos de lado o Clinton e, como se diz agora, foquemo-nos na história contada por Louis C. K. sobre a experiência de ter Internet num avião. O homem, conta o Moedas, estava “maravilhado por estar a 50 mil pés de altura” e ter acesso à rede. “A meio do voo a rede falhou, e o passageiro a seu lado soltou um audível protesto por ficar a meio do seu e-mail”. Algo que, conclui o adjunto de Passos, “poucos minutos antes nem sabíamos ser possível tinha-se tornado já num direito adquirido“, acrescentando a conclusão tirada por Louis C. K.: “Tudo é maravilhoso e ninguém está feliz“.

Percebe-se, perfeitamente, por que é que o homem não foi comediante, ainda que a técnica esteja lá. Comparar os “direitos adquiridos” que estão na ordem do dia na sociedade portuguesa – direitos sociais, direitos laborais, segurança social, educação, saúde, salários — com o direito a ter internet nos aviões é tão absurdo como insistir na tese, que já poucos repetem, de os portugueses terem “vivido acima das suas possibilidades” e de que “somos todos culpados”.

A única explicação para tão falhada tentativa de ter piada só pode ser encontrada no facto de o secretário de Passos estar a falar para uma selecionada audiência de empresários, na Câmara de Comércio Luso-Espanhola. Ainda assim, há notícia de que muitos deles não se riram…

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