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DE PERNAS PARA O AR

Hoje em dia, as pessoas não respeitam nada.

Dantes, punham-se num pedestal a virtude, a honra, a verdade e a lei.

A corrupção campeia na vida americana dos nossos dias.

Onde não se obedece a outra lei, a corrupção é a única lei.

A corrupção está a minar este país.

A virtude, a honra e a lei esfumaram-se das nossas vidas”

declarações de Al Capone ao jornalista Cornelius Vanderbilt Jr.

revista Liberty de 17 de Outubro de 1931, alguns dias antes de ser preso

Causa alguma perplexidade que os eurodeputados do Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde, tenham atribuído o prémio “Jornalistas, denunciantes e defensores do direito à informação”, que vai na sua segunda edição, a Julian Assange, o fundador da Wikileaks, Yasmine Motarjemi, denunciante de falhas de segurança alimentar da Nestlé e ao português Rui Pinto, por participação no Football Leaks.

Estranho por se fazer equivaler as denúncias de Assange e Motarjemi às de Rui Pinto. Estranheza multiplicada pelo método processual de cada um dos premiados e pelo seu percurso na defesa do direito à informação. Os dois primeiros desvendam os mecanismos que suportam o funcionamento do estado burguês. Assange apresentou as evidências contemporâneas da verdadeira natureza e do real funcionamento do estado imperialista e seus lacaios. Assange e a Wikileaks desmontaram a face humana do imperialismo que todos os dias é vendida pela comunicação social mercenária que a transacciona sem pudor por todos os canais mediáticos ao seu serviço e ao serviço da plutocracia que a comprou, estripando o jornalismo de investigação, uma raridade cada vez mais rara, de qualquer independência e isenção, para que o pensamento dominante transforme a democracia numa fábrica de retóricas inúteis, despolitizando as sociedades com o objectivo de que a esperança numa sociedade outra morra antes de nascer. Comprovaram e desmontaram as tramoias da política externa e interna dos estados burgueses. O que Assange e a WikiLeaks fizeram é um feito histórico. Puseram a nu o funcionamento do Estado burguês, do Estado imperialista, a hipocrisia, a brutalidade, as práticas desonestas a que recorrem rasgando as normas mais básicas do direito internacional para assegurar a continuidade da exploração pelo capital. Contra todas as evidências, sem argumentos perseguiram-no sem tréguas até, finalmente, o prenderem.

Yasmine Motarjemi, vice-presidente adjunta da Nestlé, responsável mundial pela segurança sanitária dos produtos Nestlé, foi demitida por denunciar as falhas da multinacional, na sequência de um escândalo de uma epidemia de salmonelas noutro grande grupo mundial de produtos lácteos, a Lactalis, em que os defensores dos direitos dos consumidores questionaram a inexistência de qualquer sinal de alerta havendo quase a certeza de ser praticamente impossível que um caso de tal dimensão escapasse aos responsáveis de segurança alimentar da Lactalis.

Corajosamente Yasmine Motarjemi, denunciou falhas de segurança da Nestlé por laxismo nos processos de controle por os interesses económicos se sobreporem às normas de segurança sanitária. Foi imediatamente perseguida, vilipendiada. Ela explicou com grande clareza porque é que nessa área as denúncias são raras : “ o problema é que o assédio psicológico, o licenciamento abusivo a que se sucede o desemprego, ameaça todos os que ousam denunciar as negligências. A perseguição psicológica é utilizada para exercer represálias contra quem faz os alertas, mas essa perseguição tem igualmente repercussões sobre os outros trabalhadores, fragiliza a segurança sanitária dos produtos de múltiplas maneiras”. A perseguição faz-se de muitas formas o que desenrola um espesso manto de silêncio, silenciando quem os poderia delatar. Um dilema que ela bem conhece. Depois de vários anos a fazer avisos internos sem consequências decidiu torná-los públicos. Perdeu o emprego. Antiga responsável pela segurança sanitária dos produtos alimentares da Nestlé, foi forçada à pré-reforma por alegadamente ter violado normas de confidencialidade da multinacional.

Que há de comum entre Assange, Motarjemi e Rui Pinto a quem os eurodeputados decidiram elevar no mesmo patamar dos Jornalistas, Denunciantes e Defensores do Direito à Informação”? Nada, rigorosamente nada a não ser que aceitem por boas as preocupações éticas de Al Capone.

Rui Pinto é um ladrãozeco, como Lopo Xavier revelou no programa Circulatura do Quadrado contando os roubos feitos pelo pirata informático a bancos. Foram sendo conhecidas outras incursões do Pinto. A mais badalada a do Caledonian Bank, das ilhas Caimão, que ele explica com umas desculpas esfarrapadas impossíveis de comprovar por se entrincheirar num acordo de confidencialidade, por isso não sabe quanto lhe rendeu. Em relação à tentativa de extorsão à Doyen, caso por que está em prisão preventiva a aguardar julgamento, e outras, umas já conhecidas outras por conhecer, os seus actuais advogados afirmam com candura desarmante, que o rapaz desistiu voluntariamente da extorsão! Com estes antecedentes fica-se por saber porque decidiu e qual a extensão da sua colaboração no Football Leaks, no mundo obscuro da economia relacionado com o mundo do futebol que não deixou por isso de ser menos opaco. Os resultados tem-se traduzido em acordos de várias eminências futeboleiras com as autoridades tributárias de vários países, que pouco ou nada afectam a opacidade da economia do futebol. Releia-se A Suiça Lava mais Branco de Jean Ziegler (editorial Inquérito, 1990) em que o futebol é apontado como uma das melhores máquinas para a lavagem de dinheiro. Do Football Leaks tem como resultado exclusivo ganhos para diversos fiscos, num toma lá dá cá de lances mediáticos pouco abonatórios.

Rui Pinto excita muito personagens como Ana Gomes o que não provoca espanto sabendo-se por onde ela anda. São processos de barrelas morais da ainda eurodeputada que se esganiça espantada por ainda ninguém ter sido preso no caso BES mas esteve mais que silenciosa quando o BES foi privatizado em detrimento do bem público, com favores inomináveis, que iniciou o caminho vertiginoso que acabou como todos conhecemos (conheceremos de facto a sua real extensão? Viremos algum dia a conhecê-la na sua totalidade?) e que andamos todos a pagar. Que se excita com os panama papers que na realidade acabaram por favorecer e engordar outros paraísos fiscais deixando impune um sistema global criminoso de fuga ao fisco que continua o seu caminho imparável. Que nunca denunciou as privatizações de empresas nacionais o que possibilitou que agora tenham as suas sedes sociais na Holanda, Luxemburgo, Irlanda, onde se subtraem a pagar impostos em Portugal. É a dupla moral que ataca árvores que lhe rendem dividendos populistas mediáticos mas deixam intacta a floresta na era das privatizações e do mercado livre em que o dinheiro governa sem intermediários, o que não a desassossega. Há que relevar a sua coerência. Defende Rui Pinto com a mesma convicção com que gritava “nem mais um soldado para as colónias” o que iluminava o monóculo de Spínola a negociar rodésias e áfricas do sul com minorias brancas de Angola e Moçambique, de que resultaram brutais acontecimentos como o de Setembro de 1974 em Lourenço Marques que originou incontáveis mortos. Garante-lhe mais presença mediática – a que preço? – para outros comentários todo o terreno onde se desbarata em argumentários politicamente disléxicos, nada inocentes que alinham com o coro reaccionário da maioria dos comentaristas encartados dos media.

Essa fúria e essa dupla moral tem vários antecedentes na história. O mais celebrado é o do pirata Francis Drake que Isabel I condecorou cavaleiro, nomeou vice-almirante do Reino de Inglaterra, para continuar a saga da sua vida dupla em que a de oficial da armada inglesa coexistia com a de corsário. Só que nem Rui Pinto é sequer um mais que pindérico Drake nem Ana Gomes uma ultra-rasca Isabel I.

O que não é aceitável, a não ser num mundo de pernas para o ar, nestes tempos neoliberais em que a justiça social se reduz à justiça penal, o Estado se submete ao mercado exercendo funções de vigilância e castigo, em que o poder pratica a injustiça social enquanto os direitos públicos minguam. Basta olhar para dentro das fronteiras da Europa Connosco em que às grandes empresas, aos grandes monopólios se concedem escapatórias para evadir-se às suas obrigações tributárias em offshores declaradas e outras encapotadas com os benefícios fiscais concedidos por alguns dos países que se sentam na mesma mesa da Comissão Europeia do luxemburguês Juncker do Luxleaks, do Eurogrupo comandado por Mário Centeno guardião do Tratado Orçamental. Em que o Banco Central Europeu concede empréstimos a juro zero à banca privada para a banca privada os emprestar a altos juros aos países onde estacionam. Olhe-se para os lucros do Santander Totta que entre janeiro e março deste ano obteve um lucro de 137 milhões de euros, 50 milhões na “gestão da carteira da dívida pública”.

Só essa dupla moral explica porque se coloca despudoradamente no mesmo pódio Assange, Motarjemi e Rui Pinto. Dupla moral que nos deve inquietar e importa denunciar.

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A FRANÇA ESTÁ A ARDER

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A Liberdade Guia o Povo, Delacroix

Ontem percorrer os diversos canais de televisão e ouvir os diversos opinadores que sisudamente debitavam “inteligentes” comentários no rescaldo das eleições presidenciais francesas foi exercício penoso e inquietante. Hoje segue-se naturalmente mais uma enxurrada de textos dos mesmos e mais uns outros pares que, desta vez, não tiveram assento nos tablados televisivos e radiofónicos. A ruminação irá continuar triturando a miséria das filosofices de pacotilha, com maior ou menor conhecimento local, o que pouco acrescenta além de uns dourados na moldura. Feito um balanço de tanto falazar, conclui-se que ler previsões astrológicas, os profissionais dessa área são igualmente numerosos e habilitados, até será mais produtivo. Entretanto a extrema-direita avança na Europa e no mundo por sobre os destroços das crises do capitalismo e da globalização, as consequências das políticas ditas de ajustamento, as traições dos socialistas e sociais-democratas submetidos aoa globalistas, as euforias das esquerdas caviar, enquanto a direita vai ajustando as suas rotas para não ficar fora das órbitas do poder. As preocupações que se expressam com os riscos do fascismo que se perfila seriamente no nosso horizonte são inconsistentes enquanto se meter a cabeça na areia e se procure curar um cancro em adiantado estado de desenvolvimento e com inúmeras metástases com comprimidos de melhoral, o tal que não faz bem nem faz mal. Dito isto à laia de prólogo, anexo a reflexão sobre as eleições francesas publicado no AbrilAbril  http://www.abrilabril.pt  de hoje.

 

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A Jangada da Medusa , Gericault

 

 

NO RESCALDO DAS ELEIÇÕES FRANCESAS

 

Os ventos da história que abalam a Europa e o mundo são fortes e estão poluídos. Mais uma vez, depois das eleições em França, sopraram mais fortemente com a contribuição dos violentos suspiros de alívio das medíocres classes políticas e seus felizes apaniguados alegremente satisfeitos com a eleição de Macron. Repetiram o alívio pulmonar que as eleições na Holanda, onde um populista bom ganhou a um populista mau, tinha estimulado. A vista curta dessas cortes, com amplo acesso a uma comunicação social estipendiada, satisfaz-se com a derrota de Le Pen, uma fascista das mais bem estruturadas nos campos da direita mais extrema. Não se detém no facto da Frente Nacional ser actualmente o maior partido francês que só não tem maior representação na Assembleia Nacional de França por via de um enviesado sistema eleitoral, o que não é motivo nem de orgulho nem de repouso. Os chamados partidos do sistema, socialistas e republicanos, estão esfrangalhados pelos escândalos mas, sobretudo, pela pauperização ideológica. O perigo próximo é Macron, nos próximos anos de mandato, adubar o caminho para Le Pen. Um percurso semelhante nas suas diferenças com o de Obama que facilitou a chegada ao poder de Trump, e Le Pen é bem pior que Trump, só que com menor arsenal, financeiro e militar, à sua disposição.

O cenário de fundo é a crise actual do capitalismo que promove os fascismos, como já aconteceu na história recente, em formato diferente, com Mussolini, Hitler, Franco, Salazar. A retórica da extrema direita, bem documentada nas declarações eleitorais de Le Pen, oculta o que o fascismo foi e é, um sistema de governo em conluio com grandes empresas, que favorecem economicamente com a cartelização do sector privado, os subsídios às oligarquias financeiras e económicas. Só idiotas inteligentes com demagogia populista por vezes sofisticada, por cá Lobo Xavier na Quadratura do Círculo é um bom exemplo, é que metem no mesmo saco as propostas económicas, políticas e sociais da esquerda com as das variadas Le Pen’s. É a direita a cavalgar os perigos reais do fascismo em benefício próprio e do capital que a apoia e sustenta. Sabem, bem sabem que propostas aparentemente similares na forma divergem radicalmente nos conteúdos, nos propósitos e nas práticas. Sabem, até bem de mais que quem está mais próximo das Le Pen’s são eles. É gente não olha a meios para alcançar os seus fins. Estão entrincheirados numa comunicação social controlada pelo capital financeiro globalizado que oculta que a extrema direita usando e abusando dos tiques populistas, seja Le Pen, Wilders, Farage, Petry, consegue mobilizar os cidadãos porque eles estão decepcionados e sentem-se traídos pelas políticas de ajustamento impostas pelos poderes supranacionais, FMI, Banco Central Europeu, Banco Mundial, União Europeia. Que isso acontece porque os partidos tradicionais republicanos, socialistas e sociais-democratas na Europa se associaram e submeteram às políticas económicas e sociais dos globalistas.

O enorme perigo que o robot da globalização Macron representa são as políticas económicas e sociais enunciadas no seu programa que já tinha defendido enquanto secretário-geral adjunto da Presidência da República no consulado Hollande e ministro da Economia de Manuel Valls. Os trabalhadores, as classes médias só podem esperar o pior. O quanto pior melhor alimenta populismos, tanto de esquerda como de direita, em particular da extrema direita. Só quem está longe da realidade e tem vistas curtas é que pode pensar que as crises abrem necessariamente mais espaço à esquerda e fica sentado à espera de colher os frutos pútridos quando caírem. As lutas pelos direitos políticos e sociais não se reforçam com as crises, que alargam sempre o fosso entre ricos e pobres. Quem se reforça são os populismos de todos os matizes. Quando as crises rebentam as pessoas humanamente interrogam-se sobre o dia de amanhã. A reacção mais imediata e espontânea é o receio pelo seu futuro. Se num primeiro impacto os princípios da sociedade que os impôs são postos em causa, a seguir regressam em força, pela mão dos agentes mais violentos do capitalismo. É o que se observa na Europa. Há sempre um recrudescimento da direita, da extrema-direita, do fascismo que floresce catalisado pelo quanto pior melhor. As esquerdas, em particular os comunistas, são as mais visadas por essa política de choque que tem a intenção deliberada de aterrorizar os cidadãos, preparar activamente o terreno para a liberalização radical do mercado.

A grande interrogação é se a esquerda, as esquerdas conseguem, nos espaços de interregno que se vão seguir às eleições na Europa, de algum modo regenerar-se. As dúvidas são muitas e legítimas. O passado recente faz temer o pior. É ver o quase terror que atravessa algumas hostes socialistas quando um homem como Jeremy Corbyn é eleito líder do Labour Party, tentando inverter, mesmo com alguma timidez, as desgraçadas políticas dos lideres trabalhistas thactherianos.

No momento actual há um dado político e ideológico fundamental. Enquanto a proletarização avança a passo largo em todo o mundo e o conflito central continua a ser o da luta entre o trabalho e o capital, o eclectismo político invadiu essas esquerdas, é um forte aliado do capital e da burguesia, o que é um triunfo ideológico da direita bem expresso tanto nas variegadas terceiras vias que colonizam os partidos socialistas e sociais-democratas, seja qual for a sua sigla, como também quando as lutas ditas fracturantes, pondo a tónica na exaltação das diferenças, ocupam lugar central em vez do lugar secundário que justamente deviam ter, confundindo lutas por mudanças de atitudes sociais com lutas por mudanças sociais de fundo.

Muito se fala em crise do sistema democrático, raros são o que colocam o dedo na ferida, o que também é uma forma de sustentar e favorecer as direitas com o fascismo perfilado ao fundo do túnel. O que se assiste é o acentuar da indiferenciação ideológica e programática entre esquerda e direita que se iniciou logo no fim da II Guerra Mundial e se acelerou, entre outros sucessos, com a generalidade dos partidos comunistas a consumirem-se autofagicamente na voragem do eurocomunismo. Na Europa, a evolução dos sistemas partidários aproximou-os cada vez mais do sistema partidário norte-americano em que o que separa democratas de republicanos é mais a forma que o conteúdo. A democracia representativa deixou de ser o lugar da luta de classes por via pacífica, como era proclamado pelos primeiros revisionistas sociais-democratas. A apologia da democracia tende a confundir-se com os partidos tanto mais quanto menos a realidade partidária corresponde ao ideal democrático. Os partidos tornaram-se numa finalidade em si-próprios, reduzem praticamente a sua acção e medem a sua representatividade em função dos resultados eleitorais. Deixaram de ser instrumentos ao serviço dos eleitores, o que é bem expresso pelo abismo que normalmente existe entre as promessas eleitorais e as práticas governativas mal alcançam o poder. São prolongamentos do aparelho de Estado, representando determinados interesses económicos que lhes dão apoio variável. São organizações eleitorais sem definição nem mobilização ideológica, confinando substancialmente a sua práxis política ao exercício da conquista do voto, o que é um gravíssimo retrocesso político-ideológico.

Nesse quadro, que se agrava tanto mais quanto mais a actividade política fica enclausurada nos momentos eleitorais, os cidadãos afastam-se da política, dos partidos políticos, descrentes das virtudes de um sistema democrático em que não se sentem representados. Essa é que é a crise do sistema, a real e dura crise do sistema iludida por retóricas de pacotilha, em que os grandes beneficiários são a direita, a extrema direita, no fim da linha, os fascismos. Tende a inflacionar-se se os partidos socialistas e sociais-democratas persistirem em continuar por essa vereda, destruindo lance a lance eleitoral a democracia representativa. Os fantasmas de, entre outros, Blair e Hollande, deviam ser um semáforo de aviso. O perigo, mesmo que adiado por uns tempos, vai continuar a assombrar a Europa e o mundo. Há que corajosamente enfrentá-lo.

 

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pró e anti Trump / Um Ensaio sobre a Cegueira

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Desde as primárias que Trump criou anticorpos com as suas intervenções obnóxias, xenófobas e sexistas. Rejeição perfeitamente justificada por alguém que é uma variante de um político protofascista e é de algum modo imprevisto. Rejeição que foi amplificada por uma comunicação social e redes sociais que apoiavam descaradamente Hillary Clinton e que, desde o primeiro minuto, a favoreceram em relação a Bernie Sanders que começou logo a ser apresentado como psicologicamente instável e um perigoso utópico de esquerda.

Não deixa de ser curioso como se pode ser anti Trump sendo pró Clinton. Ou mesmo que se pretenda branquear as políticas da ex-Secretária de Estado apontando-a, em comparação com Trump, como um mal menor. Trump e Clinton são os dois piores dos males num país em clara decadência política social e económica que é esse o legado de Obama, um fala barato que defraudou todas as expectativas nele depositadas por quem se deixava encantar com a sua lábia, apesar e contra todas as evidências.

Quando se ouve um Robert de Niro muito excitado nas suas invectivas a Trump, fica muita gente em êxtase sem sequer se interrogar porque é o mesmo de Niro nunca surgiu a invectivar Obama quando ordenou a violenta remoção dos manifestantes do Wall Street Ocuppy, ou deu apoio à Al-Qaeda, etc. etc. a lista é longuíssima, ou as acções de Hillary Clinton no Médio-Oriente e na América Latina. Há que haver coerência. Do mesmo modo ficam todos muito indignados ao ouvirem Trump ameaçar de expulsão três milhões de emigrantes latino-americanos e esquecem que Obama expulsou dois milhões e meio. Ou que vai construir um muro na fronteira entre os EUA e o México que não mais é que completar o muro que Obama já tinha posto de pé.

Também não deixa de ser curioso que apareçam nas redes sociais vários intervenientes que elaboram listas com fotografias de pulhas e que entre os seleccionados não apareçam, Obama, Clinton, Kerry tão ou mais merecedores dessa distinção, sobretudo agora quando Kerry publicamente reconheceu, de forma oblíqua na edição do New York Times, clarificada quando o registo gravado da totalidade da entrevista foi publicado no The Last Refuge, que a administração Obama andou a equipar e financiar o Estado Islâmico. Essa gente é surda, cega e muda para um lado e ouve, vê, e lê para o outro lado. Bipolares políticos que, nos melhores casos, tanto podem estar do lado certo como do lado errado.

Quer isto dizer que Trump não é um perigo para o estado do mundo? É, claro que é. A diferença é que é um perigo mais imprevisível do que seria Hillary Clinton se tivesse ganho as eleições. Até talvez bombardeie menos países que Obama que em 2016, despejou três bombas por hora em vários pontos do mundo, os números são do Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos da América, uma agência governamental.-

Do outro lado temos alguma gente que acaba por apoiar Trump só por ele manifestar o seu apreço por Putin e afirmar que quer melhorar as relações com a Rússia. Não percebem que essa viragem geoestratégica, se vier a acontecer o que é incerto, se inscreve claramente numa manobra de provocar um corte, mesmo que parcial entre a Rússia e a China, para isolar esse país que ele considera a grande ameaça económica aos EUA. Bem lá no fundo desses cenários o que realmente está em marcha é o que já estava em marcha desde algum tempo, a batalha, que pode degenerar em guerra,  entre dois blocos económicos: de um lado o até agora dominante e sem opositor, dirigido pelos EUA integrando a EU e o Japão tendo como braço armado a NATO e do outro o emergente liderado pelos BRICS que, apesar de todas as diferenças entre os seus integrantes, tem conseguido manter unidade. Até onde e de que formas se revestirá essa guerra é que é muito difícil prever, bem como o seu desfecho.

É extraordinário que os argumentos dessas legiões de gente anti-Trump sejam o espelho dos argumentos das legiões pró-Clinton. Todos iguais no essencial, todos diferentes nos pormenores. Um bom exemplo é o das histórias, todas não fundamentadas algumas sem se importarem de ser bem risíveis, da interferência de Putin nas eleições norte-americanas. A divulgação dos mails com as tramas mais canalhas da trupe Clinton para lixar Sanders, desde que ele apareceu e começou a enfrentar a senhora nas primárias até à Convenção Democrática em que ela foi escolhida. Nenhuma ruga de indignação surge. A existência dos mails, a suposta origem da sua divulgação, excita-os. Ficam mudos e quedos quanto ao seu conteúdo que ninguém se atreveu a desmentir. Porquê? Provavelmente porque os mails pouco acrescentam à personalidade intriguista e charlatona de Hillary Clinton que para eles deve ser aceitável, o que é inquietante pela degradação ética que revela.

Logo a seguir um grosso informe sobre como Trump estava nas garras dos russos. Informe obtido por John McCain, personagem da direita mais execrável com um longo historial de alianças com terroristas, que o entregou ao director do FBI e agora, perante o descrédito dessas informações mesmo pelos media mais ferozmente anti-Trump, veste-se de virgem ofendida dizendo que fez o seu dever sem saber se as informações eram credíveis. A sorte dele é que o ridículo não matar. Outro ausente de peso nas galerias fotográficas dos pulhas se houvesse discernimento e coerência.

Acenam com as bandeiras de que Trump é um perigo para a democracia. Será! Mas quem empunha essas bandeiras e está na barricada de Clinton é um perigo igual. Com contornos diferentes, mais de forma que substância, mas rigorosamente igual.

Neste contexto ninguém ou quase ninguém está sequer preocupado em procurar uma explicação racional para a vitória de Trump que é, a traço grosso riscado de forma sintética, a expressão política muito clara do fracasso e da crise estrutural do modelo neoliberal nos Estados Unidos. Todas essas campanhas a favor e contra Trump, chapinhando no pântano em que se transformou a democracia norte-americana, um legado que Obama catalisou, assunto para ser tratado autonomamente, é um bom tema para reescrever o Ensaio sobre a Cegueira. Cegueira de todos os que nela embarcam fazendo juízos políticos, sociais e económicos superficiais, bem enquadrados nas teias da dominante ideologia de direita, mesmo que se digam muito de esquerda. Nem sequer reparam que a grande diferença entre Trump, a administração Trump e os presidentes e administrações dos EUA que o antecederam, é que se antes foi para lá gente que maioritariamente metia a mão no pote, agora estão sentados na Casa Branca os donos do pote.

O mundo é cada vez mais um lugar perigoso mas quando a superficialidade e a cegueira política, tanto pró como contra Trump, se generaliza só o torna ainda mais perigoso.

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A cacofonia anti-Trump. Uma carta ao meu amigo Zé Teófilo

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Meu caro Zé

Andas muito activo na cacofonia anti -Trump, com galerias de fotos que enfim…umas acertam outras não. São os teus ódios de estimação com uma base errática de análise política. Trump é um protofascista, xenófobo, racista e sexista? É claro que é! Mas atiras ao lado quando te fixas nesses alvos e não olhas para os que são mais importantes. Já lá vamos de forma simplificada, embora te aconselhe a leres o texto do Pacheco Pereira, um homem que mesmo que não se concorde sabe pensar! Primeiro umas notas que considero importantes sobre o que tens escrito. Desde o principio da campanha eleitoral nos EUA, um circo longo que começa nas primárias, não vi um único texto teu, provavelmente porque estava distraído, sobre os golpes baixos da Clinton e da camarilha do jornalismo mercenário que a apoiava a mando de Wall Street e da alta finança, contra Bernie Sanders denegrindo-o desde o primeiro momento em que surgiu como alternativa. Nem um só texto sobre o papel da Hillary Clinton primeiro  como apoiante da invasão do Iraque, da agressão à Jugoslávia (um parenteses Milosevic o Carniceiro dos Balcãs foi absolvido por unanimidade pelo TPI dez anos depois de morrer nos cárceres desse mesmo TPI) e depois como secretária de Estado que comandou o ataque à Líbia, com os resultados que estão à vista e a frase grandiloquente embrulhada num rasgado sorriso “Viemos, Vimos e Matamos” celebrando a morte de Khadafi. Nem sobre o ataque à Síria, tentando repetir o “êxito” líbio, armando, treinando e financiando a Al-Qaeda e o Estado Islâmico, no que foi travado pela intervenção da Rússia. Nem sobre  o seu apoio ao golpe de estado para-fascista na Ucrânia, com a actívissima sua colaboradora Vitória “Que se Foda a Europa” Nuland. Ucrânia onde combatem ao lado das milícias fascistas batalhões do Estado Islâmico. Nem um só texto sobre de denúncia às golpadas da sra Clinton que nos debates com Sanders sabia previamente as perguntas que lhe iam ser feitas e as que iriam ser feitas a Sanders ou as manobras miseráveis a seu favor da cambada que comandava a Convenção Democrática que a escolheu como candidata à corrida presidencial que foram tão escandalosas que os obrigaram a demitir-se deixando a máquina a funcionar, para mal do pobre Sanders que se contentou com essa demissão.

Também não vi uma só palavra de crítica e condenação a Madeleine Albright, uma grande apoiante “feminista” de Clinton que disse que “há um lugar especial no inferno para mulheres que não ajudam umas às outras!” , referia-se ás que apoiavam Sanders contra Clinton e que no programa 60 Minutes do canal CBS respondeu à jornalista que a questionou sobre a Guerra no Iraque: “Ouvimos que meio milhão de crianças morreu. Quer dizer, isso é maior do que o número de crianças que morreu em Hiroshima. E, enfim, será que o custo de uma guerra como essa compensa?.” respondendo prontamente: “Acho que é uma escolha muito difícil, mas o custo – nós consideramos que vale a pena arcar com ele.” Nós quem? Todos aqueles, a comunicação social estipendiada e a rapaziada que anda pela internet que se a frase tivessse sido dita, nem era preciso tanto só uns 10% daquela ignominia, por Putin ou pelo presidente do Irão em relação à guerra em curso contra o estado Islâmico na Síria e no Iraque teria caído o carmo e a trindade contra aqueles monstros frios e bárbaros.  Nem é preciso referir a diferença de tratamento mediático que se faz sobre as batalhas em curso em Mossul e Alepo, em que os civis de uma são usados como escudos humanos pelo EI e da outra como vítimas do exército sírio e dos russos! A falta de vergonha e decência é total e absoluta e os que não denunciam essa dualidade seus cúmplices. Mas claro, as clintons e as allbrights e já agora os obamas é que são os simbolos da democracia e do mundo livre.

Como tu são muitos os que centram a campanha anti-Trump no seu machismo, sexismo, xenofobia, misogenia, um erro só explicável por estrabismo político. Clinton era o paradigma da globalização Wall Street. Hillary Clinton era a candidata do complexo militar-industrial, do capital financeiro internacional. Cientes que ela iria colocar em prática os diktats de Wall Street apoiaram-na com entusiasmo. Derramaram meios financeiros brutais, puseram em marcha a comunicação social ao serviço da plutocracia. Gente que são o 1% dos que beneficiam dos contratos de armamento, dos acordos comerciais em curso. Contra isto os norte-americanos votaram em Sanders e Trump, lixando-se contra todos as sombras negras que envolvem Trump. Sanders foi trucidado, Trump venceu prometendo voltar a tornar a América grande. A abissal e incontornável diferença entre eles é que Trump tem a mesma raiz de Clinton. A árvore é a mesma, a poda é que é diferente. Os americanos votaram em Trump que não é Hitler. A história não se repete. E deve-se lembrar que o muro que prometeu construir a separar o México dos EUA começou a ser construído por Bill Clinton, se pensarmos num muro total podes verificar que mais de um terço já existe. Trump é perigoso? Claro que é mas não é nem mais nem menos perigoso do que Hillary Clinton. A sua vitória tem que ser vista como consequência do brutal declínio moral e intelectual do sistema político norte-americano que também contamina os sistema políticos europeus. Isto é que são os aspectos fundamentais e não o foco nas lutas ditas fracturantes que são importantes mas são adjacentes e parcelares da grande luta que tem que ser empreendida contra o sistema. Nos EUA, Sanders  à sua maneira e os outros candidatos de que ninguém fala, Jill Stein e Gary Johnson fizeram-no. O primeiro foi passado a ferro com os golpes mais sujos pelo sistema e na prática demitiu-se na Convenção dos Democratas, dos outros ninguém quase ninguém ouviu falar, o sistema silencia-os ab initio.

Há uma enorme dúvida: o que irá acontecer na casa Branca? Tudo o mundo se interroga e está em suspenso.

Por cá, a eleição de Trump pondo de lado as diatribes cacofónicas sobre a sua misogenia, racismo e xenofobia, tem efeitos curiosos. A direita que se demarcava, por causa desses traços de Trump, recicla-se a alta velocidade porque sempre defenderam, de forma clara ou surda, a destruição da legislação social, dos direitos sociais, a proibição do aborto, a igualdade de género, os direitos da comunidade LGBT e porque, lá bem no fundo, gostam dos tiques  autoritários de Trump. Lá chegará a altura de o defender abertamente, basta ler o Observador, esse farol da direita portuguesa, e atentar na evolução das notícias e comentários sobre as eleições nos EUA desde o principio.  Nas esquerdas pálidas e rasteiras fez com que muitos direitolas travestidos de esquerdinhas tirassem a cabeça de fora. É ler Rui Tavares, esse idiota útil, a defender com unhas e dentes a Nato e as suas políticas agressivas, no meio de delírios bálticos, o acordo de livre comércio  TTIP, a visão da Merkel e a consequente hegemonia alemã na EU. Um bródio.

Termino citando o lúcido artigo que Pacheco Pereira que subscrevo por inteiro:  A vontade de mudar, o elemento mais decisivo nestas eleições, foi parar às piores das mãos, mas foram as únicas que lhes apareceram. Quando Bernie Sanders, outro “antiquado”, cuja candidatura “falava” para estas mesmas pessoas, foi afastado – conhece-se hoje o papel de um conjunto de manobras dos amigos de Hillary Clinton no Partido Democrático –, ficou apenas Trump. E, como já disse, não tenho a mínima simpatia por Trump, a mínima. Mas tenho uma imensa simpatia pela vontade de mudar, que tanta falta faz nos dias de hoje nas democracias esgotadas na América e na Europa.»

Meu caro Zé Teófilo, um pouco mais de distanciamento e discernimento político nas análises o que fará baixar radicalmente o volume dos sound-bytes.

Se calhar irei publicar esta “carta” na praça do Bocage.

Amigos como sempre.

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BANCOS, capitalismo, Durão Barroso, Geral, Goldman Sachs, União Europeia

Fábulas dos tempos actuais

CHERNE

O Cherne sempre teve uma ambição desmedida para o seu parco talento, Nunca olhou aos meios para atingir os fins. Rapidamente percebeu que o MRPP era um charco propício ao desenvolvimento de girinos prontos às mais diversas metamorfoses chegados ao estado adulto. Não se enganou no clube que elegeu. Entre medíocres, medíocre e meio basta. O instinto predador da espécie fê-lo esperar uma ocasião para sair da gruta e abocanhar uma oportunidade dourada. Caiu do céu aos trambolhões. Aí vai ele a nadar vigorosamente para as Lajes, determinado a ser a Mónica Lewinski de Bush, Blair e Aznar. Queridos mandantes políticos há alguma mónica mais capaz que eu? O sistema sabe de ginjeira que há sempre uma mónica qualquer pronta para todo e qualquer serviço que contribua para a manutenção da sua máquina de exploração e especulação. Decidiu recompensar tão solícito e sôfrego mandarete. Puxaram os cordelinhos, meteram eficazes cunhas nas portas da União Europeia para o Cherne ser colocado no topo. Não se exigia muito, só que continuasse com eficiência os exercícios praticados e as quqlidades exibidas nas Lajes. A única alteração era quantitativa. Clientela mais vasta, lustrada e cosmopolita, por vezes com outras exigências. Nada que complicasse a vida do Cherne ou pusesse em causa as suas aptidões certificadas quqndo o anticiclone dos Açores atingiu o Iraque . Em Bruxelas e de Bruxelas para o mundo, esteve sempre pronto a satisfazer a clientela. O espectáculo era público, os paparazzo políticos transmitiam-no em directo ou diferido. O que era menos conhecido, mas que se podia inferir sem grande dificuldade, eram os espectáculos privados que o Cherne dava aos verdadeiros mandantes, satisfazendo todos os seus apetites. Essas marionetas do grande capital estão sempre prontas a mostrar serviço, têm bicho carpinteiro,

Chegou o momento de lhe pagar os trabalhos. O Cherne sabe bem que isso de amor à Europa são lérias e que o poder são degraus que se sobem para chegar ao pote dos maravedis, amealhando o máximo pelo caminho. Sabe também que na indústria do cinema o sector mais lucrativo é o da pornografia, e os mais bem pagos são os filmes exclusivos. A Goldman Sachs paga-os bem caro desde que lucre.  Recompensa os actores que melhor a servem, mesmo que sejam reles. As bitolas são outras nesse mundo obsceno. Antes do Cherne estava lá outro e quando se acentuar o cheiro a fénico do Cherne outro virá. Há que acabar é com as goldman’s sachs deste e de outros mundos que por dinheiro o corrompem sem remissão, com crueldade e sem remorso.

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A Solução

cachorro-rabo

O que anda para aí de inquietação ! A cada passo se tropeça em opiniões sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, as eleições em Espanha, as crises e os estados de alma da União Europeia, os Estados Unidos da América entre  duas américas, a de Sanders e a de Trump e uma dama insuflável no horizonte, mais o que por aí anda a turbilhonar o mundo e patati  patata na comunicação social, nos blogues, nas redes sociais encharcadas pelos paleios de idiotas úteis alguns  inteligentes que correm atrás do rabo como tontos cães.

No entanto é fácil resolver tudo o que atormenta essa gente e os mercados de modo eficaz, radical e rápido. A solução está ao virar da esquina, já Brecht a tinha escrito com clareza genial

 

(…)

O povo perdeu a confiança do governo

E  só à custa de esforços redobrados

Poderá recuperá-la. Mas não seria

Mais simples para o governo

Dissolver o povo

E  eleger outro?

 

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Terrorismos

 

terrorismo3

Há uma visão do terrorismo pequena, que vive de sobressalto em sobressalto a cada atentado. Condena-se o terrorismo, glorifica-se a dignidade dos que sobrevivem, socorrem e perseguem os terroristas, glorificação variável em função da geografia em que acontecem, com a mesma facilidade com que se menorizam ou mesmo esquecem as suas raízes. As vidas são de primeira, de segunda ou mesmo terceira categoria conforme os lugares em que as bombas rebentam e as ceifam. Os mais recentes acontecimentos são disso uma demonstração brutal. A distância mediática entre Bruxelas e Lahore ultrapassa em muito a sua distância real. Põe em evidência a farsa das teorias da aldeia global e como funciona em benefício do pensamento único.

Ler vários textos opinativos no último Expresso é um retrato implacável de uma comunicação social medíocre, de dois pesos e duas medidas, bem representativa da cobertura jornalística e os comentários produzida ao longo dos anos, desde que o terrorismo entrou no quotidiano de muitos países com a sua barbárie brutal.

Há que condenar sem qualquer hesitação o terrorismo seja feito por quem for, aconteça onde acontecer. Essa não é a orientação dos media internacionais e muito menos dos nacionais. Estão mais empenhados em defender, com graduações diversas, as estratégias geopolíticas dos EUA e seus aliados europeus, desviando o olhar dos seus efeitos devastadores para se focarem pontualmente nos atentados em si, menorizando uns em favor de outros.

A listagem dos mais graves atentados terroristas depois do primeiro mais visível e simbólico de 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque, é eloquente. Veja-se a cobertura mediática dos ataques terroristas mais violentos nos últimos anos, do Boko Haram na Nigéria, 310 vítimas em Agosto de 2007, 178 em Janeiro de 2012, 188 em Abril e 143 em Setembro de 2013, 219 em Março de 2014, 780 vitimas em Julho de 2009 e 700 em Janeiro de 2015, no Iraque 188 em Março de 2004, 182 em Setembro de 2005, 153 em Março, 193 em Abril e 192 em Julho, 502 em Agosto. de 2007, 155 em Outubro de 2009. E de outros que aconteceram no Uganda, na India, no Paquistão, no Quénia, no Iémen, na Indonésia, na Somália, todos com número de vítimas superior à centena, sendo que alguns desses países sofreram vários os atentados.

Compare-se essa cobertura mediática e os comentários que produziram nos media com os sucedidos em Espanha, em Madrid em Março de 2004, 191 vítimas, em França com o massacre na redacção do Charlie Hebdo em Janeiro e as 120 vítimas dos ataques armados em Novembro de 2015. Ficaria tudo dito ou quase se não se referissem os atentados perpetrados na Rússia com 334 vitimas no ataque aos terroristas ao fim de três dias de sequestro de 1100 reféns numa escola em Beslan, na Ossétia do Norte, em Setembro de 2004, as 170 vítimas em 2002, na tomada de reféns num cinema em Moscovo ou um atentado bombista no metropolitano. A imprensa ocidental tratou benevolamente os terroristas como nacionalistas, uns padecedores da desaparecida União Soviética e do actual governo da Rússia. Nunca referem que são os os mesmos que agora engrossam as fileiras do Estado Islâmico (EI), alguns com cargos importantes e que também estão na Ucrânia com os seus companheiros de armas nazi-fascistas. Os mesmos que têm por seus antecessores os talibãs, esses combatentes pela liberdade no Afeganistão, treinados, municiados e financiados pelos EUA seus aliados e o Paquistão, que derrubaram um governo que tinha proibido o uso da burka, que tinha dado às mulheres afegãs o direito de vestirem o que quisessem, de casar com quem queriam, de estudar e participar na vida pública e política, de iniciar uma reforma agrária que queria erradicar a plantação de plantas opiáceas. Crimes contra os valores tradicionais na região e, pelas alianças espúrias que apoiaram os mujahedin, os guerreiros de deus que derrubaram esse novo poder afegão, também contra alguns valores da civilização ocidental que estavam a ser implementados.

A duplicidade, a hipocrisia atinge o quase inimaginável quando, de algum modo se justifica a bomba que fez explodir um avião de passageiros russo sobre o Sinai, 235 mortos, como uma vingança do EI contra a intervenção da aviação russa na Síria que, em alguns meses,  obteve mais resultados na luta contra o EI e os vários braços armados da Al-Qaeda do que cinco anos de intervenção da coligação liderada pelos EUA que o cientista político Robert Pape, também na última edição do Expresso, diz, contra todas as evidências, sem se rir, com grande descaro e sem que a jornalista se sobressalte, ser a responsável pela perca pelo EI de 40% das áreas povoadas na Síria e no Iraque. Diz isto quando o exército sírio apoiado pela aviação russa tem feito recuar significativamente o EI e a Al-Nustra, cortando as suas linhas de abastecimento e de financiamento e quando acaba de recuperar a cidade de Palmira, o que deveria envergonhar o Ocidente, como escreveu Robert Fisk no The Independent, prevendo esse desfecho, sobre o que já escreveu.

Essa doblez, esse cinismo não conhece fronteiras. Atinge o seu alfa e ómega se compararmos como foram noticiados e comentados os ataques terroristas nos aeroportos de Domodedovo, Moscovo 2011 e Zaveventem, Bruxelas, ocorrido na semana passada. A diferença entre o número de páginas, tempos de noticiários radiofónicos e televisivos, espaços na internet e redes sociais é abissal. Mas o que mais indigna e é inquietantemente grave é a diferença de tratamento entre os terroristas suicidas nas duas ocorrências que, note-se, tiveram um número de vítimas idêntico. Enquanto os que fizeram o atentado em Bruxelas são universalmente tratados como as bestas criminosas que são e nunca como combatentes do Estado Islâmico, as duas mulheres suicidas do atentado em Moscovo são nalguns casos, como no Huffington Post, que se distingue pelas posições de direita, umas quase heroínas lutando pela independência das suas regiões de origem no Cáucaso. Se isso até pode não causar admiração vindo de quem vem, já se pode estranhar como o atentado foi noticiado por imprensa que empunha as bandeiras da independência, do rigor informativo, de serem de referência, até mais à esquerda como o The Guardian ou o Liberation que as tratam como viúvas negras vingadoras dos supostos lutadores pelos direitos humanos nas suas regiões que teriam morrido nessa nobre luta contra o Kremlin. Os outros media afinaram pelo mesmo diapasão. Uma ignóbil manipulação que só se compreende pela submissão mercenária desses media ao pensamento dominante e ao imperialismo euro-atlântico.

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Tão viscosa, viciosa e dúplice maneira de tratar dois atentados terroristas em tudo semelhantes, não alvoroçou nem perturbou os monteiros e os tavares agora tão lépidos a condenar a intervenção do deputado Miguel Tiago que, admitamos com alguma ligeireza, começou por apontar o dedo “às políticas de direita, o capitalismo e o imperialismo” antes de condenar o terrorismo na sua cega barbárie. Ligeireza porque deveria sem peias, nem outros mas, ter condenado o terrorismo venha de onde vier, seja utilizado por quem for mesmo que a razão lhe assista e assiste. Num caso destes, em que a intervenção tem o tempo contado, a explicativa pode ser maliciosamente confundida com uma justificativa. Os considerandos, perante actos deste jaez que procuram pela instalação do medo e do terror de forma cega, deveriam ter sido secundarizados porque nunca teriam tempo para ser fundamentados.

Os monteiros e os tavares e outros idiotas que se julgam inteligentes e poluem os espaços mediáticos, percebem pouco do que está a acontecer e porque está a acontecer. São obtusos perante a história próxima que desagua nos cenários de guerra e terror actuais. A sua miopia nada inocente apaga a realidade para defenderem não os valores da liberdade e da civilização, mas de uma certa liberdade e de uma certa civilização que espalha a bestialidade, e dela acaba por ser tornar vitima, para garantir a sua sobrevivência ameaçada como está pela decadência. As chacinas provocadas pelos atentados terroristas desde que não aconteçam nos países ocidentais praticamente não existe, é quase natural. Pouco lhes importa que o número de vitimas dos atentados no Médio-Oriente, em África ou na Ásia sejam mais numerosos e atinjam mais pessoas inocentes do que na Europa, exceptuando a Rússia. Que, apesar de tudo, a Europa ainda é um lugar mais seguro que os outros países. Subliminarmente são o prolongamento do pensamento da expansão colonial que se fez na base de exterminar todas as bestas, todos os que se opunham à missão civilizadora do homem branco e assim justificava o saque que praticavam. São a expressão de um pensamento pós-colonial.

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O que hoje se configura tem contornos e fronteiras diferentes. Mas devemos recordar Hanna Arendt quando considerou que “os terríveis massacres” e os “assassínios selváticos” perpetrados pelos imperialistas europeus “são os responsáveis pela introdução triunfante de tais meios de pacificação em políticas estrangeiras comuns e respeitáveis, dando origem aos totalitarismos e aos seus genocídios”. O Estado Islâmico e de outro modo a Al-Qaeda e as suas variantes, têm uma mentalidade totalitária com raiz no Islão radical.

Quando Nixon, depois de desindexar o dólar do ouro, negociou com a Arábia Saudita, na altura de longe o maior produtor de petróleo e o fiel da balança do mercado petrolífero, o dólar como moeda única na transacção do ouro negro, deu o primeiro passo na direcção actual. A Arábia Saudita, garante dos petrodólares e do seu futuro, ficou com a liberdade e a possibilidade de instalar e multiplicar as mesquitas que divulgavam e divulgam o wahabismo, o fundamentalismo islâmico. É nessas mesquitas que se radicalizam, em todo o mundo, os muçulmanos o que ainda é mais fácil e rápido quando na Europa as populações árabes e magrebinas, de primeira ou segunda geração, são fortemente atingidas pelo desemprego, que se vai agravar com a crise dos refugiados É esse o caldo de cultura que políticas geoestratégicas desvairadas dos EUA e dos seus aliados, em que as invasões do Afeganistão e do Iraque decididas por Bush, as Primaveras Árabes um caminho directo para o Inferno, a invenção de uma oposição moderada síria para derrubar um ditador que é quase um democrata quando comparado com o rei e os dignatários sauditas e os emires do Qatar ou do Bahrein, que lançaram o caos e a desordem, possibilitando a instalação de um Estado que ocupa um território extenso, tem estruturas administrativas e militares, meios financeiros obtidos por generosas dádivas sauditas e qatares e as angariados pelo roubo do petróleo e bens patrimoniais que contrabandeiam através da Turquia, um membro da NATO, enquanto exportam o fundamentalismo e o terror para todo o mundo.

O estarem actualmente em recuo no Iraque e na Síria, sublinhe-se o papel importante e decisivo da Rússia e dos curdos, sistematicamente bombardeados pela Turquia, amplifica o seu desespero na luta pela sobrevivência, continuando respaldados sobretudo pela Arábia Saudita e pelo jogo duplo da Turquia que chantageia com êxito uma Europa desorientada.

Fingir ou ocultar os problemas dessas geoestratégias, como fazem os monteiros e os tavares deste e do outro mundo, que Miguel Tiago enunciou correndo todos os riscos da simplificação, é condenar-nos todos a ficar reféns da barbárie. Do terror fundamentalista na Europa, em África, na Ásia no Médio-Oriente, porque o que está a acontecer não é uma guerra entre civilizações, nem uma guerra religiosa. A história está cheia de processos de miscigenações e aculturações que desmentem essa visão.. Quem pensa assim está a alimentar a xenofobia e o ódio. A não ter qualquer horizonte de futuro, continuando com os pés enterrados no pântano a que nos conduziram essas políticas. É não ver que tudo isto acontece por objectivos pré-estabelecidos, mesmo quando salta fora dos eixos e do controle de quem os traçou.

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A Austeridade da Geringonça

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Vem aí a austeridade!

Vão aumentar os impostos para os carros de maior cilindrada e mais poluentes. Logo agora que estava hesitante entre comprar um Porsche ou um Ferrari, Um automóvel vulgar, nada de Bugatti’s Veron. E esta gente vai obrigar a contentar-me com um Jaguar ou coisa parecida. Não é justo!

Também vão aumentar os impostos às empresas que trabalham por cá mas têm sedes no estrangeiro. Coitados dos belmiros, alexandresoaressantos, amorins e coitado de mim! Que vai ser da minha microempresa? Estava indeciso entre a sediar no Luxemburgo ou na Holanda, num país da Europa connosco não numa offshore das Caraíbas. devaneava cruzar-me com o Alexandre num canal de Amesterdão. Agora…agora eu e as milhares de micro, pequenas e médias empresas do país já não podemos sonhar em seguir o exemplo Belmiro, Soaresdosantos, Amorim. Não é justo!

E os bancos? Coitados dos bancos. Agora vão pagar mais impostos! Se calhar também vão cortar nos benefícios fiscais. Ou obrigá-los a pagar com juros mais altos as ajudas dos últimos anos! Resta a esperança que com a ajuda dos lobosxavier e outros especialistas, mesmo menos capazes, se subtraiam a essa violência fiscal. Ainda mais violenta, porque os apanha desprevenidos e pouco habituados a esse tratamento de desfavor. Nem sequer descontam nos impostos o trombocid para algumas nódoas negras que essas pauladas provoquem. Não é justo!

Aumentam também os impostos no tabaco! Vou ser, vamos ser obrigados a racionar nos bons charutos. Charutos, se calhar agora só açorianos e nem todos os dias. Uma chatice. Como se pode pensar bem sem o conforto do fumo de um puro? Felizmente não vi que aumentassem os impostos sobre o álcool, sobretudo das bebidas espirituosas. Vejam só a desorientação política que desabaria sobre o país se o Pulido Valente fosse obrigado à lei seca por via fiscal! Lá se iam as crónicas pia abaixo. Valha-nos isso!

Que mais irá acontecer? O Camilo Lourenço, um dos idiotas pouco inteligentes de serviço, diz que a austeridade não tem cor política. O gajo é mesmo burro. Tem, claro que tem. Outros desses opinantes todo o terreno vieram, em grande alarido, pregoar: isto é austeridade de esquerda!!! O Camilo nem isso percebe! Que grande bosta !!! Uma minoria dos portugueses afectada e ele nem repara! Julga que esta austeridade é igual à outra? Olhe que não! Olhe que não!

Não é justo! Não é justo! A austeridade nunca pode ser de esquerda.  Desabar em cima de nós desprevenidos e pouco habituados a ela, ainda é menos justo. A austeridade devia ser sempre para aqueles que o preclaro Ullrich dizia: Ai ,Aguentam, Aguentam!

Socorro! A geringonça está a funcionar! O governo centro esquerda com o apoio dos radicais de esquerda está a passar entre os bombardeamentos da Comissão Europeia, FMI, da troika, dos partidos de direita aqui e lá fora, dos mercenários da comunicação social. Esta malta anda a dormir na forma! A insónia alastra-se pela turbamulta de direitinhas que continuam a ladrar com o desespero de ver a caravana a passar

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Terrorismo Financeiro

 

este nunca está satisfeito

gravura de Bartolomeu Cid dos Santos

O Orçamento de Estado 2016 (OE2016) está debaixo do fogo cruzado dos partidos da oposição, de uma série de entidades supostamente dotadas de clarividência técnica e politicamente neutras, contam com o apoio activo de uma comunicação social mercenária ao serviço do grande capital e das políticas económicas neo-liberais.

Os alertas dos tecno burocratas da União Europeia, das agências de rating, da UTAO e do Conselho de Finanças Públicas que colocam em causa as contas do OE2016 têm a extrema curiosidade de nunca terem posto em causa as contas dos quatro Orçamentos de Estado do governo PSD-CDS que estavam tão bem feitas que foram objecto de oito (!), repita-se oito(!), orçamentos rectificativos!!! Não se ouviu alarido algum! Que credibilidade tem essa gente?

O que os alarma é que nos celebrados mercados, a geringonça da financeira especulativa, os juros continuam a cair nos últimos dias. Confiam nas contas do OE2016? Confiavam nas políticas de austeridade e nas contas dos OE’s dos governos PSD-CDS e por isso os juros foram baixando paulatinamente?  Nada disso! Baixaram porque o BCE interviu, continua a intervir, anuncia que vai continuar a intervir nos mercados financeiros para ajudar os países endividados a financiarem-se. Será bom lembrar que mesmo o FMI, o BCE, mesmo alguns membros das comissões e instituições europeias e governos europeus colocam em causa o quadro de forte austeridade imposto à periferia, que o Governo PSD-CDS, por convicção ideológica, abraçou ultrapassando mesmo exigências da troika que já eram desproporcionadsa e despropositadas. Acabaram por conduzir Portugal ao estado miserável actual sem resolver nenhum dos problemas ditos estruturais. Aumentaram a dívida soberana em relação ao PIB, era 91% em 2010, hoje é 137%. Encheram os cofres de dívidas e passivos,empurrando para os anos seguintes a resolução de uma dívida cada vez mais impagável. Aumentaram o desemprego para taxas obscenas mesmo disfarçadas com malabarismos estatísticos. Alargaram drasticamente o fosso entre os mais ricos, cada vez menos e mais ricos, e os pobres cada vez mais e mais pobres, até Portugal ser o país mais desigual da UE. Empobreceram o país, revogaram direitos sociais, económicos e políticos, venderam privatizando empresas ao desbarato, destruiram parte substancial do tecido económico de Portugal maioritaramente composto por pequenas e médias empresas, cortaram salários, pensões e reformas a esmo, asfixiaram a maioria dos portuguese com uma carga fiscal brutal enquanto concediam benefícios fiscais às grandes empresas e bancos, tudo para se vangloriarem de uma saída limpa que é uma ficção feita com buracos financeiros que se vão descobrindo, a procissão ainda está no adro. As malfeitorias são mais que muitas tudo em nome dessa coisa viscosa e falacciosa que é o não haver alternativa.

Agora, comunicação social e partidos da oposição ao XXI Governo Cosntucional andam em grande grita por todos os cantos e recantos atirando achas para a fogueira dos que cosem em lume vivo o OE2016, recorrendo ao argumentário das tecnicidades, uma rede onde se colocam todas as dúvidas sobre a validade das variáveis em que se fundamenta o OE2016. Um trabalho de que se encarregam quatro agências de rating, comissões técnicas da Comissão Europeia,conselheiros do Conselho Económico e Social, do organismo da Assembleia da República para analisar a construção do orçamento, UTAO, Conselho de Finanças Públicas, o organismo cuja missão é avaliar a consistência das políticas económicas e financeiras, como se esses ilustres técnicos estivessem esterilizados por uma dedicação exclusiva à ciência económica, como se a ciência económica fosse uma ciência exacta. Como se não visassem objectivos políticos. Um farisaismo sem fronteiras nem limites.

O que essa gente não diz e oculta é que as expectativas económicas em parte alguma são credíveis  As expectativas dos orçamentos de Estado, dos mercados de matérias primas, das bolsas são o resultado, são criadas pelas agências de notação financeira, pela comunidade de peritos técnicos e pela comunicação social. Tudo isso está sob o controle dos grandes bancos e do grande capital especulativo e financeiro. São os.grandes bancos e o grande capital especulativo e financeiro que encomendam as expectativas “necessárias”.para sacarem lucro. Desde a crise dos subprime à actual crise do mercado petrolífero isso é uma evidência indesmentível. A credibilidade técnica é nula. Trabalham para interesses financeiros específico imediatos e políticos a médio e longo prazo..

Fazer depender um OE das notações das  agências de rating, das avaliações dos tecno-burocratas de Bruxelas, politicamente em linha com as políticas conservadoras e neo-liberais, sem qualquer legitimidade e escrutínio democrático, é querer impor uma diatadura a Portugal. É alinhar com o terrorismo financeiro vigente! É travestir a realidade de o debate sobre o OE2016 ser um debate político, que é o que o governo trava com Bruxelas. É fingir que as análises das agências de rating e as outras comissões técnicas são meramente técnicas e não são também políticas! Um gato que se anda a vender com pertinácia por lebre na comunicação social.

Os partidos da oposição e os media andam deliberadamente a procurar espalhar o pânico. Procuram com afinco provocar efeitos externos pressionando fortemente tanto a margem negocial do governo com Bruxelas como a enviar sinais alarmistas para as famigeradas agências de notação. Há um medo generalizado que explode no meio dessa gente como uma bomba atómica. Receiam que haja por parte da UE alguma flexibilidade que prove ser possível fazer melhor do que eles fizeram, e fizeram sempre mal, e que os sacríficios exigidos durante quatro anos aos portugueses foram excessivos e desnecessários. Foram uma fraude política-económica sem resultados palpáveis, além dos já referidos.

Essa a verdadeira razão que aduba a algazarra dos partidos na oposição e os seus sustentáculos nos media. Gritaria que aumenta o volume quando assistem ao marimbanço de França, Espanha e Itália aos avisos de Bruxelas. Quando os tecno-burocratas de Bruxelas se inquietam com o que possa suceder nos tempos mais próximos em Espanha onde o PP submeteu o país a um resgate, que pudicamente não foi classificado como tal, e eventualmente poderá vir a ter um governo que se oponha, como o nosso, às mais brutais medidas austeritárias. A grande questão é a dimensão da economia espanhola que fará subir e trazer para outro patamar a discusão sobre um atabalhoado Tratado Orçamental, onde se impôs o conceito de défice estrutural, um conceito abstracto e artificial,  que se adicionou ao Pacto de Estabilidade e Crescimento em tempo e favorecendo a desrelugação dos mercados, em benefício da especulação financeira, submetendo as políticas públicas aos interesses privados, esmagando as políticas económicas do sul com a ortodoxia económica do norte.

Portugal é uma economia fraca e com menos peso político. Mas tem os mesmos direitos de qualquer outro país da UE. É um país soberano e a sua dignidade não pode ser enxovalhada. Foi isso que os governos do PSD-CDS nunca fizeram no debate político com as instituições europeias em todos os níveis. Ir e vir com a bandeira na lapela não tem significado algum quando não se defende o país e se passa a vida de cerviz pelo chão, garantindo lá fora o que negavam cá dentro, caso das medidas económicas que eram temporárias ou definitivas conforme os cenários e os interlocutores, gabarolando-se de fazer mais do que lhe exigiam, quando o que lhe exigiam já era bárbaro

O terrorismo verbal em curso arranca de uma vigarice intelectual. Nada que os constranga. O país tem que pagar o que deve arengam, como se as dívidas dos países não fossem renogociáveis e resstruturáveis. Basta olhar para os EUA, a sua gigantesca dívida, o modo, até muito pouco ortodoxo, como a negoceiam e financiam desde que, em 1971, Nixon rompeu o acordo de Bretton Woods, recusando resgatar dólares por ouro, porque não tinha ouro suficiente para entregar e num golpe contabilistico reduziu em 35% a dívida pública dos EUA. Claro que os EUA, são um gigante económico-financeiro, mas abriram um precedente seguido por muitos outros países. As nossas cassandras querem nos fazer acreditar que as dívidas dos países são equivalentes às dívidas domésticas, não distinguindo também entre credores. Pouco lhes importa se esses credores são usurários e especuladores navegando nas ondas dos mercados. É a jacobinice em estado quase puro.

O terrorismo verbal em curso, do não estraguem o que fizemos às tiradas telenoveiras da Cristas, do que se lê, ouve e vê na comunicação social tem que ser activamente combatido. Portugal não pode estar à mercê desses  doutores fonsecas &burnay jihadistas de fato às riscas que fazem atentados com bombas virtuais que tiveram e podem vir a ter consequências devastadoras. Tentam dinamitar o diálogo do governo de centro-esquerda, que procura melhorar razoavelmente a vida dos portugueses no quadro dos tratados europeus, com uma Comissão Europeia, dominada por uma ortodoxia de centro-direita, num momento em que está em curso na Europa, ainda que de forma não muito assertiva, a discussão  sobre essa ortodoxia e os efeitos nefastos da estrita aplicação do Tratado Orçamental.

Não se pode ceder a essa chantagem! É Portugal, são os portugueses que estão em causa. É o nosso futuro colectivo que não pode ser uma miragem.

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BE, Euro, Geral, PCP, União Europeia

As lições gregas do BE

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Catarina Martins diz que Portugal tem de estar preparado para sair do euro.

Durante os últimos anos, o PCP tem, de forma isolada no panorama político nacional, defendido que Portugal deve estudar e preparar uma eventual saída do Euro, seja por decisão própria, seja porque outros o empurrem para fora da zona euro.

Num quadro de grandes dificuldades e agravamento das contradições internas do processo de integração europeia, a pior coisa que poderia suceder seria uma saída desordenada e desapoiada do euro, com consequências imprevisíveis para a economia nacional.

Nesta posição, o PCP foi confrontado com acusações vindas de todos os lados e os euro-esquerdistas foram pródigos em apelidar o PCP de soberanista, nacionalista, patrioteiro, isolacionista, etc. E, em muitos casos, tentaram colar este posicionamento às opções xenofobas da extrema-direita.

Afinal, o PCP atrevia-se a pôr em causa o benemérito projecto de construção europeia, a solidariedade entre os povos e a convergência económica e social. E só um Partido de loucos poderia colocar em causa a moeda única que nos permite ir a Badajoz comprar caramelos sem ter de trocar moeda.

Tudo serviu para caricaturar a posição do PCP.

Assim, não é de menor importância registar e saudar evoluções (ainda que decorram mais da oportunidade do que da análise) naqueles para quem a União Europeia e o Euro eram realidades intocáveis até há pouco.

Foram duras as lições gregas, mas parecem ter tido consequências na análise que o BE faz sobre o actual momento da União Europeia e da união monetária.

Evidentemente, face a anteriores acusações, resta a pergunta: estará o BE a pôr em causa o seu internacionalismo, estará a atravessar um desvio patrioteiro?

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Cultura, Política, União Europeia

Governança: cada um usa a que gosta

IMG_0102A palavra governança, nos seus diferentes sentidos, tem vindo a ser progressivamente utilizada por dirigentes políticos, empresários e académicos.

Não sendo um vocábulo recente na língua portuguesa tem, contudo, vindo a adquirir sempre novos valores e significados desde o início da década de noventa do seculo XX.

Sabe-se que já Damião de Gois a tinha utilizado nas suas Crónicas do Príncipe D. João, quando referia que o rei D. Afonso tinha regressado ao Reino “depois de deixar a governança das cousas de África ao Príncipe”.

Dos inícios do sec. XX retenhamos, por exemplo, aquilo que Os Ridículos, na sua edição de 25 de janeiro de 1911, apelidavam, a propósito da instabilidade política e das sucessivas golpadas políticas de natureza pouco ética, de “o vira da governança”.

O termo governança adquiria nestes exemplos uma conotação clara com a ação de governar (ou desgovernar) e, além disso, era pouco abonatória no segundo dos casos citados.

Contudo, Camilo Castelo Branco, nos Mistérios de Fafe (Cap. IX, pág. 80) escreveu a dado passo “os outros abundavam no alvitre do Trinca-fígados, a quem entregaram a governança da empresa”. Ou seja, aqui, o étimo referia-se à administração ou gestão empresarial.

O caracter pejorativo que o termo governança adquiriu entre nós remonta, provavelmente, ao sec. XIX, ficando muito ligada ao oportunismo e à corrupção dos grandes senhores, seja da política, seja no mundo dos grandes e pequenos negócios.

E quanto mais não fosse por esta razão – utilização da palavra fora do contexto sociocultural que adquiriu – pode considerar-se infeliz o seu uso como tradução portuguesa da anglo-saxónica governance, podendo supor-se, erradamente, que, quem utiliza abundantemente o termo governança, estaria a referir-se a uma qualquer forma de governichar corrupto.

Aliás, aquela designação anglo-saxónica não apareceu apenas em finais da década de oitenta do sec. XX, quando a utilização foi recuperada e brotou nos textos do Banco Mundial e organizações conexas. De facto, o seu uso está registado pelo menos desde 1714 na obra de Charles Plummer, “The Governance of England: The Difference between an Absolute and a Limited Monarchy”.

Não pode deixar de se tomar como sintomático que diversos autores de língua inglesa, especialistas em ciência política, não tenham registado a palavra governance nos dicionários publicados entre 1990 e 1995, como, por exemplo: Politics, de Peter Joyce; Dictionary of politics, de David Robertson; A dictionary of political thought, de Roger Sruton; e Politics, de Iain Mclean. O que pode significar que a governance não era, então, uma designação assimilada e usada pela ciência politica. Continuar a ler

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Política, União Europeia

Le Cochon Danseur

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Marinho Pinto, antes Bastonário da Ordem dos Advogados e habitual comentador televisivo especializado em tudo e mais alguma coisa, decidiu candidatar-se ao Parlamento Europeu alugando um Partido, ou melhor, uma ficção ecologista chamada Movimento Partido da Terra (MPT).

O homem foi bem sucedido, com um discurso básico e demagogo, com uma linguagem e propostas saídas da escola Correio da Manhã, conseguiu um feito histórico para o MPT ao eleger-se a si e a um outro sujeito, anónimo, mas reaccionário quanto baste.

Os mais de 7% de portugueses que votaram no MPT/Marinho Pinto, certamente, acreditando no radicalismo do discurso, pensaram que iam ser representados por alguém que ia fazer diferente.

E não ficaram longe de acertar.

Marinho Pinto contribuiu para a eleição de Juncker como Presidente da Comissão Europeia, votando com PSD, CDS e PS, votando ao lado da direita e das forças mais conservadoras na Europa, e sete dias depois de chegar a Bruxelas anuncia a sua saída do Parlamento Europeu.

Mas o ilustre dançarino não fica por aqui e preocupado com os problemas dos portugueses já anuncia que «no próximo ano tenciona candidatar-se à Assembleia da República, sem prejuízo de, depois, poder também candidatar-se às presidenciais».

Ou seja, Marinho Pinto candidata-se a tudo e mais alguma coisa, não lhe interessa o trabalho parlamentar, não lhe interessa legislar, não lhe interessa contribuir para o debate e a resolução dos problemas, interessa-lhe candidatar-se, arrecadar uns votos dos crentes na verborreia explosivamente estéril do senhor doutor.

Depois das Presidenciais, ainda existem eleições para as Assembleias Legislativas das Regiões Autónomas, as Câmaras e Assembleias Municipais e as Assembleias de Freguesia.

Marinho candidatar-se-à a todas elas, falará mal dos políticos e dos partidos, prometerá resolver todos os nossos problemas e, tristemente, haverá que acredite.

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Dolar, fascismo, Geral, História, Internacional, Obama, Passos Coelho, paulo Portas, Ucrânia, União Europeia

UCRANIA:INFORMAÇÃO/CONTRA-INFORMAÇÃO

ucraniaA informação e a contra-informação correm à desfilada na Ucrânia. Poucas coisas são certas. Muitas podem-se decifrar das declarações que são feitas pêlos intervenientes ocidentais e ucranianos. Muita dessa informação adquire, porque não interessa, pouca relevância nos meios de comunicação social.

1-    Um comunicado da equipa de inspectores da OSCE, chefiada pelo dinamarquês Kai Wittop, em Lugansk, cidade recuperada pelas forças ucranianas, depois de visitar as zonas bombardeadas pela artilharia e pelos aviões governamentais ou a soldo do governo ucraniano (*), concluiu que as zonas bombardeadas eram zonas onde não existiam instalações nem dispositivos militares dos separatistas, mesmo móveis. Recolheu informações que os levam a calcular que os bombardeamentos fizeram 250 vítimas civis mortais e 700 feridos. Isto confirma as denúncias dos separatistas e desmente a propaganda oficial, o que explica o pouco relevo que é dado.

2-    Lembre-se um inquérito imparcial e independente na altura muito reclamado, subitamente  atirado para o caixote do lixo. Quando das manifestações da Praça Maidan, a polícia do então governio de  Yanukovych foram acusadas de ter atiradores furtivos a disparar sobre os manifestantes.

Que se faça um inquérito pedia-se em grande grita, com ecos nas chancelarias ocidentais. De repente o silêncio. Não deve ser estranho a esse silêncio a conversa entre o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia, Urmas Paet, e o Alto Representante da União Europeia para os Assuntos Exteriores e a Política de Segurança, Lady Catherine Ashton em que o primeiro, que tinha estado na Praça Maidan a dar apoio aos manifestantes, revelava à segunda que os atiradores furtivos pertenciam aos grupos de extrema-direita dos manifestantes. Tanto disparavam sobre a polícia como sobre os manifestantes. A exigência de inquérito e o inquérito foram rapidamente para o lixo. Nada como confiar no esquecimento e na falta de memória.

3-    Os separatistas pró-russos eram acusados de terem accionado o míssil que supostamente abateu o avião da Malasya Airways. Agora é o chefe dos Serviços Secretos Ucranianos, Valentyn Nalyvaychenko, depois de ter repetidamente, em linha com os governantes ucranianos, defendido essa tese veio esclarecer que isso não seria possível porque eles não teriam nem treino nem habilitações militares para tal. Tinham sido militares russos. No dia anterior tinha dito, ele e o inefável primeiro-ministro Arseni Iatseniuk que os russos tinham fornecido sistemas Buk aos separatistas pró-russos. Agora, quando veio com essa nova teoria nenhum dos jornalistas presentes se lembrou de perguntar para que é que os russos entregavam e para que é que os separatistas queriam um sistema que não lhes servia para nada.

Esse senhor que diz terem sido militares russos, é o mesmo senhor que, dias antes,sempre  em linha com os governantes ucranianos, revelou conversas gravadas supostamente entre separatistas e militares russos sobre o abate do avião, provando terem sido os separatistas os responsáveis pelo seu abate. Gravações que a metadata da gravação demonstrou serem falsas por terem sido feitas um dia depois da queda do avião. Nos meios de comunicação social ocidentais isto também teve pouco ou nenhuma importância em nome da verdade jornalística e dos critérios editoriais. Depois das gravações ele promete fotos, vídeos sabe-se lá mais o quê. Claro que tudo muito sério e veraz dados os antecedentes.

4-    A nova teoria trazia água no bico. John Kerry, depois de dias em que Obama e ele próprio afirmavam ter informações fiáveis de que o disparo do míssil tinha partido de território ocupado pelos separatistas avançou com a teoria de que o disparo foi feito por militares russos que tinham atravessado a fronteira e retornado à Rússia. Completava assim a informação do chefe dos serviços secretos ucranianos. O que se estranha é que John Kerry ainda não tenha mostrado fotos comprovativas da sua teoria. Colin Powell foi mais rápido e eficaz quando desdobrou no Conselho de Segurança da ONU, inúmeras fotografias que demonstravam inequivocamente a existência de fábricas de armas de destruição maciça no Iraque que nunca existiram, como se veio a provar. Será que a Secretaria de Estado dos EUA, mais os vários serviços secretos norte-americanos estão a perder qualidades? O alçado principal de John Kerry não denuncia uma inteligência por aí  além, mas ficamos inquietos com estes atrasos. Só conversa? Só conversa e nada de provas? Pergunte ao Colin Powell como se fabricam! Podia marcar uma nova cimeira nos Açores com o Cameron e o Rajoy, Passos e Portas fardados de motoristas e porteiros! A história repetia-se, a farsa continuava com novos protagonistas. A representação seria cada vez mais medíocre.

5-    Foram os separatistas pró-russos repetidamente acusados de não darem acesso ao lugar onde os destroços estão dispersos. Os separatistas garantiram que cumpririam um cessar-fogo de quatro dias para a missão internacional se deslocar ao local. Agora sabe-se que o cessar-fogo nunca foi aceite por Petro Poroshenko que diz não negociar com “terroristas”.

Os inspectores da OSCE falam cuidadosamente numa zona insegura, de onde se ouvem tiroteios constantes. Esquecem-se de falar da não aceitação da trégua pelo governo ucraniano.

Ontem e hoje há combates que se estão travar nas imediações da estação de caminho de ferro de Thorez, onde estão os vagões frigoríficos com os corpos dos malogrados viajantes do voo MH17. Nas proximidades do local da queda do Boeing, entre a colina de Saur-Mogila e o posto fronteiriço de Marinovka, continuam intensos combates. Ouvem-se novamente explosões de projécteis de artilharia.

O cúmulo do cinismo é o governo ucraniano dizer que os combates não são entre tropas governamentais que atacam os separatistas, mas entre os batalhões de voluntários, leia-se grupos armados de extrema-direita e mercenários da Blackwater que combatem integrados no exército da Ucrânia e agora estão aí estão a combater os “terroristas”.

6-    Obama e companhia, obviamente na primeira linha os seus mandaretes de Kiev, acusam antes de qualquer prova. Cameron mostra os dentes. Merkel e a Europa do Norte são mais moderados, embora afinem pelo mesmo diapasão.

Israel aproveita o ruído mediático para matar sem dó nem piedade os palestinianos de Gaza.

O dólar range com a possibilidade real de acabar por valer tanto como as notas do jogo do monopólio, depois do encontro dos BRICS, Brasil, Rússia, India, China e União Sul-Africana, que decidiram fundar um Banco de Desenvolvimento para apoiar países emergentes e substituir, entre si e com os países com que fazem comércio, o dólar por uma moeda que volta a ter por padrão o ouro.

7-    Nesta crise, como nos inquéritos e nos romances policiais, duas coisas a não esquecer:

a)    Quem é beneficiado com a queda do avião da Malasya Airways?

b)   Será que os EUA, segundo a voz autorizada de Victoria “que se foda a europa” Nuland, investiram cinco mil milhões de dólares na destabilização da Ucrânia e vão ficar sem retorno?

 

(*) as tropas que lutam contra os separatistas pró-russos são constituídas por tropas governamentais ucranianas, exército regular e tropas de elite, batalhões armados da extrema-direita e mercenários da Academi, contratados por oligarcas ucranianos. A Academi (antiga Blackwater) é uma empresa de mercenários com sede em Moyock na Carolina do Norte, Estados Unidos e contas nas Ilhas Caimão. É formada por vários tipos de paramilitares, por ex-integrantes dos Seals e outras chamadas forças de elite. A companhia fornece mercenários e vários outros serviços paramilitares. Foi fundada em 1996 por Erik Prince, que em Agosto de 2009, em depoimentos sob juramento de ex-funcionários, foi acusado de assassinar ou facilitar o assassinato de indivíduos que vinham colaborando com as autoridades federais americanas que investigam o envolvimento da Companhia em vários escândalos. A Blackwater está actuando como força auxiliar (e de segurança) no Iraque e Afeganistão, e está envolvida em várias controvérsias e investigações. Faz os trabalhos mais sujos para a CIA, nomeadamente na América Centro e Sul.

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CDS, Geral, PCP, Política, União Europeia

O VOTO, UMA ARMA DO POVO

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Com a aproximação do dia 25, crescem os apelos ao voto útil no Partido Socialista. Os do costume, com os argumentos do costume. Uma sopa requentadíssima que procura negar o que as evidências dos últimos quase quarenta anos demonstram de forma inequívoca. Entre os programas e as promessas eleitorais do PS há um abismo que nunca foi ultrapassado. O PS sempre governou à direita, sozinho ou coligação com os partidos de direita. Para ocultar essa evidência esbraceja, invectiva o PCP por não lhe dar apoio, por criticar as suas práticas. Sem um pingo de vergonha acusam-no de se colocar ao lado da direita. Como virgens ofendidas, metem no mesmo saco as críticas de esquerda do PCP com as críticas de direita do PSD e CDS. Como virgens libertinas recusam sempre alianças com a esquerda e rebolam-se na mesma cama da direita. Com o despudor habitual, nesta campanha eleitoral já foram vários os discursantes que deram voz à cassete. De António José Seguro a Francisco Assis, de António Costa a Manuel Alegre.

A ladainha repete-se. Em quase todos os comícios, alguém aponta o dedo à esquerda da esquerda, agora Partido Comunista Português e Bloco de Esquerda que, de mão dada com a direita, o PSD e CDS, derrubaram o governo do Partido Socialista. Uma falácia que, sem honra, propalam, fazendo esquecer, querendo fazer esquecer, que o PS, depois de governar à direita, com o apoio da direita (quem é que votou a favor dos PEC 1, 2 e 3?) nunca deu um passo, nm se moveu uma polegada para a esquerda. Que queriam? Que não conseguindo o apoio do PSD e/ou do CDS para o PEC 4, esse apoio fosse dado por quem sempre se opôs aos PEC’s? Por quem sempre apelou, com a esperança de haver algum eco em orelhas moucas, para a formação de um governo de esquerda? Só porque havia o risco, como veio a acontecer, de o governo ser assumido pelo PSD-CDS? Haveria diferenças, claro que haveria. Nunca seriam diferenças substanciais. O caminho para o 24 de Abril, entenda-se um 24 de Abril democrático, uma espécie de florescimento da defunta primavera marcelista com cravos cor-de-rosa, cravos brancos e cravos vermelhos sem cheiro ou de papel, seria mais longo, mas não deixaria de ser percorrido, como nunca deixou de ser percorrido nestes quase quarenta anos de governos constitucionais, falhados os golpes spinolistas com os mais escabrosos e diversos aliados.

Ouvir um Manuel Alegre gritar estentoricamente, proclamando ao vento que passa, que o voto no Partido Comunista é um voto inútil. Um voto em quem, no dizer dele, se aliou à direita para derrubar o virtuoso governo de José Sócrates, faz-nos lembrar o outro Manuel Alegre que, sobre o golpe de 11 de Março, dizia que “para uns foi um golpe da extrema-direita para outros do KGB” mas ele “não estava em condições de dizer ao certo o que tinha sido”. Não estava? Não está?Não sabia? Não sabe? Talvez, talvez…mas sabe que foi com a bênção do Partido Socialista que o general golpista foi recompensado com o posto de marechal e o cargo de Grande Oficial das Ordens. Há que haver memória, mesmo sem exigir decência. Essa gente que se diz de esquerda usa e abusa da falta de memória. Com isso procura reescrever a história. Com isso procura ganhar votos. Essa é a dura e veraz realidade de uma esquerda que não é esquerda mas uns canhotos serôdios que afinam o palavreado em tempo eleitoral, para enganar quem julga que eles vão na realidade mudar alguma coisa de substantivo! São uns seguidores de Don Fabrizio, Príncipe de Salina: “É preciso que alguma coisa mude, para que tudo fique na mesma”. Nunca fica tudo exactamente na mesma, nem se confunde o vazio, o populismo comicieiro, a rasquice trauliteira da dupla Rangel-Melo, apoiada pelo insuportável estilo farsante de Portas e de um Coelho saído de uma cartola de ilusionista de zarzuela a travestir toda a realidade mesmo a mais evidente, com os socialistas que desfilaram nestes quinze dias de campanha sem debater a Europa, muito menos a Europa Connosco, com indisfarçável taquifagia governamental. Não os confundir com quem nos torna a vida insuportável mas não nos interessa, obriga a criticá-los duramente, verificando e antecipando a sua convergência objectiva com os partidos do governo ou não fossem eles os partidos do arco da troika, com políticas assim ou assado. O que torna intoleráveis os queixumes calímeros sobre “a coincidência de ataques aos socialistas pela direita e os comunistas”. Uma vigarice intelectual, crime que compensa e não está previsto no código penal. Sabem tão bem, como qualquer um, que entre as críticas de uns e as críticas de outros ao PS existe um oceano de diferenças. Enquanto entre as políticas da direita e as de um partido que se diz de esquerda e socialista as semelhanças são mais que muitas. Continuar a ler

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Política, União Europeia

A União Europeia hoje

Pobreza infantil

A União Europeia está mergulhada numa profunda crise de que não se vislumbra qualquer melhoria, mas, pelo contrário, um agravamento progressivo, agravamento que tal como um cancro vai metastizando todos os países, mesmo aqueles que, aparentemente, poderão parecer a salvo dele. Hoje, tornou-se claro que o tão cantado processo de integração europeia serviu, apenas, os interesses do capitalismo, dos grandes grupos económico-financeiros que agem de forma premeditada e pérfida para esconder a verdadeira questão: a crise estrutural avassaladora em que está mergulhado o capitalismo. Essa crise manifesta-se a nível económico, social, ambiental, energético, alimentar, cultural e moral.

O desemprego na zona euro subiu novamente, estando em Abril de 2013 em 12,2% no conjunto dos 17 países; 19 milhões de desempregados dos 26,9 milhões da União Europeia vivem nos países que adoptaram o euro. O desemprego dos jovens atinge números impressionantes, o desemprego de longa duração tornou-se uma praga, pois não há trabalho. Os mini-empregos na Alemanha são outra praga que já faz com que governos se queixem do governo alemão, nomeadamente, o governo belga. São já 7,5 milhões, alguns são romenos e búlgaros que ganham entre 3 a 4 euros por hora e sem quaisquer direitos e descontos para a segurança social.

Desemprego e diminuição de apoios sociais (o que também se verifica por todos os países mais ricos da UE) está a provocar um aumento da pobreza. De resto, há mesmo trabalhadores, inclusive na Alemanha, que mesmo trabalhando vivem já abaixo do limiar de pobreza. A pobreza infantil alastra como erva infestante. Uma em cada seis crianças na Alemanha vive na pobreza; ainda na Alemanha 12,8 milhões de alemães viviam abaixo do limiar de pobreza; 67,8% dos desempregados alemães estão ameaçados de pobreza. Poderia dar-vos muitos outros números de vários países, mas cito a Alemanha para tornar mais óbvio como a situação é grave mesmo na maior economia da Europa e ainda a 3ª a nível mundial. A Holanda (que silêncio à volta deste País, tão orgulhoso e presunçoso quanto aos programas do FMI) está em crise (explosão da bolha imobiliária tão grave como a dos EUA e a de Espanha) acelerada e a já com medidas de “austeridade” que só estão a gravar a situação. Um grande banco holandês (DSB) foi à falência, e outro (ABN) foi nacionalizado. (claro, o povo trabalhador que pague).

Nenhum país da zona euro está tão endividado como a Holanda.

O desemprego está a subir, o consumo a baixar e a economia a estagnar. Os novos cortes anunciados pelo seu ministro das finanças são da ordem dos 4,3 mil milhões, cortes que atingirão a saúde e outros serviços públicos. Há rumores sobre a França!

As desigualdades sociais aumentam em todos os países europeus e o sonho europeu (de quem foi o sonho?) integrador, de grande progresso social, fim do desemprego e aumento da inclusão social mais parece um nado-morto gerado na mentira e pela ganância daquela pequena percentagem de multimilionários cuja frieza de raciocínio conhecemos. Aqueles objectivos eram para se cumprir até 2020, gargalejavam eles e mais os seus capatazes pagos a preços de luxo.

Depois, face ao que se passava em 2008, com a pobreza a subir bem como a exclusão social, resolveram que o ano de 2010 era o Ano Europeu de combate às ditas. Conversa fiada para encanar a perna a rã, como se costuma dizer em jargão popular. A pobreza atinge números escandalosos, os excluídos aumentaram sob as mais diferentes formas e as desigualdades sociais sobem em flecha.

László Andor, o comissário europeu do emprego (desemprego, melhor dizendo)) afirmou que a União Europeia atravessa “a pior” crise financeira, económica e social desde que foi criada e que a zona euro está, este ano, “na posição mais vulnerável” de sempre, se forem tidos em conta o desemprego e a situação social. O comissário europeu disse também que cada vez mais cidadãos e políticos estão a começar a procurar soluções que implicam desintegração em vez do fortalecimento do projecto europeu, porque “sentem que a Europa não geriu bem a resposta à crise. Neste âmbito, László Andor reconheceu que “muitas coisas” poderiam ter sido mais bem geridas na resposta à crise. Pois é, mas convenhamos que galinhas e raposas juntas não convivem bem nem nunca conviverão.

Os povos, os trabalhadores dos países da UE, e não só, já perceberam que só a luta vigilante, persistente e organizada poderá combater o seu inimigo mortal, a raposa, que não irá desistir daquilo que o move: o lucro, seja à custa de pobreza de crianças, mortes de idosos, de jovens de asas cortadas, de reformados a sustentarem os seus filhos e a empobrecerem ainda mais, de doentes a morrerem sem tratamento.

A luta foi sempre o caminho dos povos e os povos sabem isso. Se assim não fosse, estaríamos ainda na sociedade esclavagista grega e romana de que tanto nos orgulhamos e na qual só uma minoria era considerada cidadã e com direito à democracia( e à ociosidade).

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