Ópera, Cultura, Drama Musical, Geral, Lohengrin, música, O Anel dos Nibelungos, RICHARD WAGNER, Tannhauser, Tristão e Isolda

Richard Wagner / Bi-Centenário do Nascimento

Image Na história da música não haverá compositor tão radicalmente inovador como Wagner, de que hoje se comemora o bi-centenário do seu nascimento.- Richard Wagner, polémico, egocêntrico, megalómano e genial, Wagner revolucionou completamente a forma tradicional da ópera. Do estilo padronizado da ópera, das suas concepções cénicas do modo da fruição da ópera. Perseguia e impôs a ideia da Obra de Arte Total em que a ópera se assumia como Drama Musical onde confluíam música, drama, dança, pintura e poesia como um só elemento, indissolúvel e permanente, aproximando a ópera da tragédia grega. As suas três primeiras óperas, As Fadas (1834), Rienzi (1840) e O Navio-Fantasma (1841), ainda são escritas no estilo dogmático da ópera tradicional, com divisões entre cada secção, árias líricas que ponham em evidência as qualidades dos cantores. A visível influência de Gluck ficava sepultada pela genialidade que se começava a desenhar na música de Wagner. na sua continuidade adaptou o “motivo condutor” ou leitmotiv, técnica desenvolvida por Berlioz, para escrever duas obras-primas Tannhäuser (1845) e Lohengrin (1848), baseados na mitologia germânica que logo em seguida seria sua maior fonte de inspiração.

A partir daí, beneficiando do apoio ilimitado do rei Ludwig da Baviera seu grande admirador desenvolve as as teorias de Arte Total e projecta e constrói em Bayreuth, um teatro para encenar  e representar os seus Dramas Musicais. A ópera e a História da Música, nunca mais seriam as mesmas.

Wagner  estabelece  na ópera um género novo como Mário Viera de Carvalho em “Razão e Sentimento na Comunicação Social” ( Relógio D’Água,1999) refere: “Wagner, quando descreve (Oper und Drama -1851) a «linguagem dos sons» como «principio e fim da linguagem das palavras», como «orgão de expressão originário do intimo humano», como  «a expressão mais involuntária do sentimento intimo estimulado de fora» e afirma que «uma maneira de se exprimir idêntica aquela que hoje é somente própria dos animais foi de qualquer modo a primeira usada pelos humanos» e tinha de se apresentar necessariamente como  «melodia»  ou «melodia primordial» [Urmelodie]. Por isso, a música era, no drama musical, a mulher, que competia à palavra fecundar, e a harmonia era o «organismo feminino, que paria», depois de receber do poeta «o esperma fecundador». A concepção da mulher segundo Roussel está naturalmente presente nesta forma de expor a «essência da musica»:A música é uma fêmea, A natureza da fêmea é o amor: mas esse amor é o receptivo e aquele que se entrega sem reserva na recepção. A fêmea só adquire total individualidade no momento da entrega. É a ondina que voga desprovida de alma nas vagas do seu elemento até receber a alma através do amor de um homem.” Continuar a ler

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