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O Óbito da Verdade

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Reprodução Interdita, René Magritte, 1937

Os Oxford Dictionaries, um canone dos dicionários, elege todos os anos uma palavra da língua inglesa. A de 2016 é “pós-verdade”. Definiram-na como o “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais factos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”.

Explicam os doutores de Oxford que “pós-verdade deixou de ser um termo periférico para se tornar central no comentário político (…) tornou-se uma das palavras definidoras dos nossos tempos.”

A verdade deixou de interessar, é um acessório no debate político. Quando Colin Powell vai às Nações Unidas, com mapas falsificados localizando fábricas de armas de destruição maciça no Iraque que não existiam, não mentia descaradamente, estava a desdobrar uma pós-verdade utilizada para justificar a invasão. Bush, Blair, Aznar e Durão Barroso na cimeira dos Açores não mentiram, estavam a fazer um exercício de pós-verdade.

As grandes plataformas de difusão da pós-verdade são as redes sociais bem sustentadas por uma comunicação social estipendiada ao serviço do imperialismo para justificar as suas acções agressivas. O que já está na forja é instituir censura nas redes sociais limitando a acção de quem, sem acesso aos media, denuncia as pós-verdades. Um exemplo recente: Kerry em entrevista ao New York Times diz, preto no branco, que os EUA sustentaram com armas e bagagens o Estado Islâmico. O NYT fez o seu trabalho editorial de desinformação. Expurgou essa passagem, deixou-a pairar nas entrelinhas. Construiram uma pós-verdade, desmentida pela gravação na integra da entrevista. Quem fizer circular essa gravação poderá agora ficar sujeito à censura. Com a vulgarização da pós-verdade tudo se torna possível, mesmo que se verifique que as afirmações feitas sejam mentira. Nada de inesperado se houver memória que teóricos da pós-modernidade defendem a tese que “a ideia moderna da racionalidade global da vida social e pessoal acabou por se desintegrar em mini-racionalidades ao serviço de uma global inabarcável e incontrolável irracionalidade”.

Os tempos em que Lenine proclamava que só a verdade é revolucionária, são sepultados pela pós-verdade, um triunfo da ideologia de dominante de direita que contamina boa parte da esquerda.

( publicado no Jornal a Voz do Operário, Fevereiro 2017   http://www.avozdooperario.pt/images/Jornal/Fevereiro2017/VO3041_web.pdf)

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Mentira, PAF

É só rigor!

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Ainda se lembram de Passos Coelho e da cabeça de lista da PAF por Setúbal às eleições legislativas, Maria Luís Albuquerque, a garantir em campanha eleitoral que o Estado iria devolver 35% da sobretaxa de IRS?

Lembram-se de ter sido anunciado que, afinal, não seria 35%, mas apenas 9,7%, o que era melhor do que nada?

Pois bem…

CM devolução

Infelizmente, uma vez mais comprova-se que quem em tempo certo alertou para a aldrabice dos números apresentados e da farsa que a direita apresentava como trunfo em tempo de campanha eleitoral estava certo.

Uma vez mais, PSD e CDS demonstram que, em seu entender, vale tudo para ganhar votos.

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