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Fidel. A História o julgará

fidel-cartaz

Uma revolução não é um leito de rosas. Uma revolução é uma luta até a morte entre o futuro e o passado”, Fidel de Castro, 2 Janeiro 1961

Mais que o desaparecimento físico de Fidel Castro, o que agora nos surge é o balanço e a perspetiva do futuro da revolução cubana. Uma revolução marcada pelo carisma e pelo registo indelével do seu Comandante.

Fidel Castro personalizou a revolução cubana, desde os seus primeiros momentos, em todas as suas dimensões e de forma plena: o entusiasmo e o vigor, a liderança carismática e o exemplo pessoal, a disponibilidade inquebrantável.

A história de Cuba até à revolução do 1.º de Janeiro de 1959 é a história de um país e de um povo condicionados e humilhados pelo poderio dos EUA. Cuba era, à data da revolução, considerada a “ilha dos prazeres” ao dispor dos turistas do poderoso vizinho norte-americano. A que se somava a concentração das propriedades e dos bens nas mãos de uma pequena elite e de empresas estrangeiras, sob beneplácito do ditador Fulgêncio Batista.

A afirmação e a interferência dos EUA em Cuba remontam aos tempos das lutas de libertação e da expulsão da potência colonial, Espanha, forçada a conceder a independência ao território em 1898. Mas uma independência seriamente condicionada pela Emenda (constitucional) Platt, que garantiu a possibilidade de intervenção dos Estados Unidos nos destinos da ilha.

A vontade de controlo e submissão dos países latino-americanos vinha, já então, de longe, mais exatamente dos tempos da doutrina Monroe (do presidente do mesmo nome – 1817 e 1825), posteriormente complementada pelas orientações do Corolário (do presidente) Theodore Roosevelt, em 1904, que determina condições para interferência nas “nações do Mar do Caribe”

Cuba foi, como a generalidade da América Latina, mais uma das vítimas das interferências a que os Estados Unidos submeteram os seus vizinhos do sul do continente, no que significativamente designavam como “o seu quintal “.

A revolução cubana e a guerra fria

A revolução cubana foi um ato libertador e de recuperação da dignidade. Mas que ocorreu em plena guerra fria. E este é certamente o factor que mais contribui para a compreensão das múltiplas dimensões dessa revolução. Um pequeno país onde se realiza uma revolução social a poucas milhas do gigante americano e que desafia abertamente os seus ditames!

A revolução cubana abalou profundamente a sociedade com grandes alterações no regime de propriedade. Apostou fortemente na extensão da educação, saúde e outros direitos sociais a toda a população. Em poucos anos o país atingiu índices de elevada cobertura nestes domínios, conseguindo mesmo promover a sua exportação para outros pontos do globo, no âmbito de acordos com outros Governos.

Até 1991, ano que assinala o fim da União Soviética, o mundo viveu o que então se chamava de “equilíbrio do terror”. Uma paz assente na ameaça da destruição maciça termonuclear entre os blocos. E Cuba teve então um papel temerário e intrépido nesse sistema.

A revolução cubana, dirigida a partir da Sierra Maestra por Fidel de Castro, Ernesto Che Guevara e Camilo Cienfuegos, não era um regime exactamentente igual aos então instalados nos países do leste da Europa na sequência da vitória militar soviética na Segunda Guerra Mundial. A sua génese fora de origem guerrilheira, mas com uma entusiástica mobilização e apoio populares. Inicialmente, Fidel e os seus companheiros não se afirmavam comunistas; apesar da existência anterior de organizações comunistas o Partido Comunista de Cuba foi formalmente criado em 1965.

Foi a hostilidade norte-americana e o continuado apoio aos agentes do derrubado regime de Fulgêncio Batista que conduziu à procura de apoios por parte dos dirigentes revolucionários no bloco do Pacto de Varsóvia.

O entusiasmo internacionalista que impregnou o processo político cubano revelou facetas de grande solidariedade com os movimentos revolucionários de outros países – dos movimentos guerrilheiros em países da América Latina, de que resultou a morte de Che Guevara na Bolívia, às intervenções militares mais estruturadas em Angola, Etiópia, Nicarágua ou Argélia em apoio a governos amigos.

Desde os seus primeiros dias a revolução cubana foi alvo de constantes tentativas de desestabilização e em que avulta o bloqueio económico ao país. Também Fidel Castro foi pessoalmente objeto de numerosas tentativas de assassinato.

Novos desafios

Com o desmantelamento da União Soviética e do bloco socialista, em que se integrava economicamente, Cuba foi colocada perante desafios muito complexos. Desde então o fim da revolução cubana foi repetidamente previsto e repetidamente contrariado pela realidade. O país revelou uma capacidade de adaptação que não seria possível sem um forte apoio popular.

Com o fim da guerra fria as matérias relativas às liberdades individuais e à expressão política das oposições tomaram novas dimensões, colocando também novos desafios à direção assumida por Raúl Castro a partir de 2008.

Fidel chega ao fim dos seus dias com um lugar garantido no panteão da história dos libertadores da América. Ao lado de heróis como Simon Bolivar, Emiliano Zapata, José Marti ou Hugo Chaves. E heróis são aqueles que fazem o que parecia impossível no sentido do progresso dos seus povos. O traço que une estes heróis latino-americanos é a luta pela dignificação dos seus povos face a poderios imperiais.

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O Mundo às Avessas

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A Grande Guerra (1964) / Magritte

Vivemos num mundo às avessas! Mundo manipulado por poderosa máquina que controla a comunicação social, que usa os meios tradicionais e os mais recentes proporcionados pela internet. Ser toupeiras para furar aqui e ali esse espesso manto acontece com afinco quase militante para cumprir o desígnio orwelliano de “num tempo de engano universal, dizer a verdade é um acto revolucionário.”

Não se olha a meios para alcançar os fins que usa e abusa da mentira que acaba, quando acaba, por ser desmascarada depois de ter atingido os seus objectivos. Das verdades e meias verdades para com a verdade me enganares, às omissões cuidadosamente controladas. Um bombardeamento noticioso e opinativo que enche as prateleiras da memória para essas prateleiras também serem de esquecimento. Recentemente essa gigantesca máquina de (des)informação esqueceu-se, na sua esmagadora maioria, de dar realce à sentença do Tribunal Internacional Criminal sediado em Haia, uma invenção dos EUA que cautelarmente colocaram fora da sua alçada os cidadãos norte-americanos e as tropas e mandantes da NATO, que ilibou por unanimidade Milosevic dos crimes de que fora acusado. Milosevic, o carniceiro dos Balcãs como era classificado por essa monstruosa máquina (des)informativa, morreu há dez anos na prisão sem que justiça lhe tenha sido feita.  O silêncio quase absoluto seguiu-se ao rufar dos tambores de guerra. Utiliza-se com enorme desenvoltura o sistema de ocultação e desocultação para que as mentiras propaladas se sobreponham às verdades que não podem ser desmentidas. As falsificações, mesmo as mais óbvias, são autenticadas pelo sistema mundial dos media para que a verdade não se distinga da mentira. A extrema gravidade deste mundo às avessas é que se continuam a fabricar  novas falsificações jogando com a falta de memória ou com memória distante e enovoada das falsificações anteriores.

Volta Goebbels estás perdoado! A verdade está definitivamente assassinada. É o triunfo do império onde tanto faz Clinton ou Trump chegarem ao poder. Nenhum será o mal ou o menor dos males. Ambos são o pior dos males. O mundo está cada vez mais perigoso.

( editorial do Jornal a Voz do Operário/Setembro 2016)

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145 Anos da Comuna de Paris

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A Comuna de Paris (18 de Março/28 de Maio de 1871) foi a primeira revolução em que classe operária partiu “ao assalto dos céus” (Marx) por reconhecidamente ser a única que era capaz de iniciativa social e política.

A Comuna de Paris não aparece por geração espontânea. As suas raízes históricas mais próximas encontram-se na Revolução Francesa, nos seus episódios mais decisivos como a Tomada das Tulherias, o fim da monarquia, na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, preâmbulo da nova Constituição. É a herdeira política da ala mais radical dirigida por Robespierre que acaba guilhotinado pelos conjurados corruptos do Thermidor. Mas também na Conspiração para a Igualdade (1796) de Babeuf. Na insurreição de 1848, afogada num banho de sangue que se propagou pela Europa no ficou conhecido pela Primavera dos Povos. Uma longa linha de lutas e insurreições operárias no séc. XIX. Será a última desse século, a primeira a triunfar, mesmo que por um pequeno lapso de tempo, em que, se ergueram em simultâneo as bandeiras do patriotismo e do internacionalismo. Um marco histórico para as revoluções que lhe sucederam, nomeadamente a Revolução de Outubro. Foi a primeira revolução socialista da história da humanidade.

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História da Comuna de Paris

Paris vivia situação turbulenta depois de Napoleão III ter assinado a rendição na guerra entre a França e a Prússia. A revolta era generalizada. Os operários franceses que viviam sob duras condições de trabalho se já não concordavam com a rendição da França mais revoltados ficaram quando o governo, para resolver os custos da guerra, lançou novos impostos sobre os trabalhadores para solucionar os problemas das dívidas contraídas.

A revolta estalou apoiada na Guarda Nacional, maioritariamente formada por operários, a que se juntaram milícias populares de cidadãos e soldados que se amotinaram. Um governo revolucionário foi organizado na base de comités de bairro que elegeram um Comité Central, onde figuravam representantes da Federação dos Bairros, blanquistas, proudhonistas, membros da Associação Internacional dos Trabalhadores, fundada em 1864, por impulso de Karl Marx. Confluíam várias tendências políticas dos socialistas aos anarquistas, proletariado e pequena burguesia, artistas e escritores. O vácuo político deixado pelo governo que, impotente para conter a revolta, tinha fugido para Versalhes, foi ocupado pelos revolucionários.

A Comuna foi proclamada. A seu primeiro édito é esclarecedor: “a abolição do sistema de escravidão do salário de uma vez por todas”. O sistema eleitoral sofreu uma viragem radical. A democracia directa foi instituída em todos os níveis da administração pública. A polícia foi abolida e substituída pela Guarda Nacional. A educação foi secularizada, a previdência social foi instituída. O poder da burguesia foi posto em causa. O alarme na Europa não podia ser maior.

O governo de Thiers, depois de ter sido humilhado pela Prússia com a coroação do imperador Guilherme II no palácio de Versalhes, negociou com o Império Alemão a libertação dos soldados franceses para recompor o exército e atacar Paris. A desproporção de forças não podia ser maior. 100 000 soldados a mando de Versalhes contra 18 000 milicianos da Comuna. A cidade, apesar de heroicamente defendida, foi tomada de assalto. A repressão que se seguiu foi de uma imensa brutalidade, como tem sido sempre, ontem e hoje, contra quem ousa afrontar mesmo pelo uso do voto o poder instituído, como se assistiu no Chile ou quando na Indonésia, Suharto massacrou um milhão de militantes comunistas que ameaçam vencer as eleições.

REPRESSÃO1

20 000 comunards foram imediatamente executados. 40 000 foram presos, torturados e executados. Esses eram os considerados “contumazes” pelos Conselhos de Guerra de Versalhes que julgaram e condenaram 13 450 cidadãos. Contam-se nos autos 80 crianças, 1320 mulheres, 12 050 homens. O número de mortos às mãos do governo de Thiers é calculado em 80 000.

A Comuna de Paris acabou por ser uma causa desesperada. Uma causa indispensável na luta de massas pelo que se aprendeu para lutas futuras. Os canalhas burgueses de Versalhes colocaram os Parisienses perante uma alternativa: ou respondiam ao desafio ou sucumbiam sem combate. Neste último caso, a desmoralização da classe operária seria uma desgraça maior que a perda de um qualquer número dos seus chefes (Marx /Guerra Civil em França)

 Apontar para o Futuro

Pela primeira vez na História da Humanidade, simples operários ousaram tomar nas suas mãos os privilégios dos que se julgam seus “superiores naturais”. Ousaram formar com os seus iguais, o seu próprio governo. É admirável a actividade legislativa da Comuna. Em semanas introduziu mais reformas, que os governos nos dois séculos anteriores. Era o ímpeto revolucionário de corte radical com o passado, o triunfo dos sans-culotes sobre os jacobinos que os tinham traído na Revolução Francesa.

Enumerar os principais decretos da Comuna de Paris é revelador do que era novo porque, como escreveu Rimbaud, “é preciso ser resolutamente moderno, aguentar o passo dado”. A Comuna não recuou em muitos passos para o futuro ainda hoje actuais. O trabalho nocturno foi abolido; oficinas que estavam fechadas foram reabertas para que cooperativas fossem instaladas; residências vazias foram desapropriadas e ocupadas; todos os descontos em salário foram abolidos; a jornada de trabalho foi reduzida, chegou-se a propor a jornada de oito horas; os sindicatos foram legalizados; instituiu-se a igualdade entre os sexos; projectou-se a autogestão das fábricas; o monopólio da lei pelos advogados, o juramento judicial e os honorários foram abolidos; testamentos, adopções e a contratação de advogados tornaram-se gratuitos; o casamento foi simplificado, tornou-se gratuito; a pena de morte foi abolida; o cargo de juiz tornou-se electivo; o Estado e a Igreja foram separados; a Igreja deixou de ser subvencionada pelo Estado e os espólios sem herdeiros passaram a ser propriedade do Estado; a educação tornou-se gratuita, laica e obrigatória; escolas nocturnas foram criadas e todas as escolas passaram a ser de frequência mista;

COMUNICDO COMUNAa Bandeira Vermelha foi adoptada como símbolo da Unidade Federal da Humanidade; instituiu-se um escritório central de imprensa; o serviço militar obrigatório e o exército regular foram abolidos; todas as finanças foram reorganizadas, incluindo os correios, a assistência pública e os telégrafos; traçou-se um plano para a rotação de trabalhadores; organizou-se uma Escola Nacional de Serviço Público; os artistas passaram a autogestionar os teatros e editoras; o salário dos professores foi duplicado; o internacionalismo foi posto em prática: o fato de ser estrangeiro não era irrelevante. Os integrantes da Comuna incluíam belgas, italianos, polacos, húngaros, que defenderam mais patrioticamente a França que os vendidos aos interesses particulares na esteira do bispo Cauchon que entregou Joana D’Arc aos ingleses ou dos que actualmente rastejam às ordens do grande capital sem pátria.

Ensinamentos para Hoje e Amanhã

A Comuna tem um papel de relevo na elaboração da teoria revolucionária em Marx, Engels e Lenine. O ensaio de Marx, A Guerra Civil em França, é um livro maior. O texto de Marx, tem a particularidade de depois de, em 1870, ter feito vários avisos à classe operária sobre os perigos de acções prematuras, evidenciar um enorme entusiasmo com a Comuna sem deixar de criticar os seus erros, as suas fragilidades. Ao analisar as debilidades políticas da direcção comunard não coloca em causa a Comuna. O seu objectivo é retirar lições da derrota para robustecer a resistência, as futuras revoluções. Via nessa experiência histórica um alcance imenso.

“Seria evidentemente muito cómodo fazer história se só se devesse travar a luta em condições infalivelmente favoráveis (…) Graças ao combate travado em Paris a luta da classe operária contra a classe capitalista e o seu Estado capitalista entrou numa fase nova (…) Qualquer que seja a maneira como as coisas aconteçam no imediato será um ponto de partida de importância histórica mundial.” (…) “Um passo em frente da revolução proletária universal, um passo real, bem mais importante que centenas de programas e de raciocínios” Marx, livro citado.

Em 1917 com a Revolução de Outubro em marcha, Lenine escreve O Estado e a Revolução, ensaio central na sua vasta obra política. A Comuna de Paris, os textos de Marx são o ponto de partida para as suas teses sobre a natureza de um Estado Socialista, em que não basta apoderar-se do Estado e fazê-lo funcionar para os seus próprios fins. Exige-se a sua transformação impondo a democracia proletária (ditadura do proletariado) contra a democracia burguesa (ditadura da burguesia). Democracia burguesa que não hesita em recorrer à mais feroz repressão, quando a sente necessária para a sua sobrevivência. Em que, mesmo “na mais democrática das repúblicas, a mais ampla democracia representativa, nunca conseguirá eximir-se às consequências devastadoras que é a separação entre representantes e representados. Separados desde logo económica e socialmente, permite que os representantes manipulem os representados de acordo com os seus próprios interesses”.(O Estado e a Revolução, Lenine)  Na realidade, ontem como hoje, a liberdade não é igual entre todos. A liberdade de um trabalhador, por razões sociais e económicas, não é igual à de um capitalista, o que levou Orwell a considerar que “para sermos corrompidos pelo totalitarismo não é necessário viver num país totalitário”.

Essas as grandes lições da Comuna de Paris. Uma experiência revolucionária impar na luta milenar das lutas do proletariado e dos povos oprimidos. Uma chama de esperança revolucionária na longa história, feita de êxitos e fracassos, da luta pela transformação do mundo e da vida.

COMUNARDS

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fascismo, Geral, Internacional

Coisas verdadeiramente sinistras

Podia ser uma brincadeira ou apenas mais uma forma de levar o crente a aumentar o dízimo pago a troco da salvação.

Podia ser só mais uma bizarria das igrejas que proliferam e lucram no meio da miséria e do sofrimento alheio.

Mas este exército, designado de «Gladiadores do Altar», criado pela Universal em toda a América Latina onde está presente, tem na sua forma e conteúdo traços preocupantes que não poderão deixar ninguém indiferente.

Para que é que a Universal necessita de um braço armado, porque razão uma igreja cria uma organização com disciplina militar, porque precisam de uma mílicia de fundamentalistas, quais os objectivos e quais os meios?

Com um poder crescente em todos os domínios de algumas sociedades, o que querem agora os lideres destes movimentos religiosos?

Uma coisa é certa, todo o ritual é sinistro e tresanda a intolerância e fascismo religioso.

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Internacional

Eleições gregas: o regresso da política à Europa

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Escultura grega “Laocoonte e seus filhos” (I AC a DC)

A vitória do Syriza na Grécia impõe uma importante mudança nos termos do debate político europeu e constitui, para já, a esperança de que é possível mudar de rumo. Um caminho das pedras de resultados imperscrutáveis.

Porquê?

Porque, em primeiro lugar, rompe com o rotativismo partidário instalado na Grécia e em grande parte da União Europeia, que tem sido conivente com o radicalismo suicida do pacto de estabilidade (deficit e rácio da dívida), que empurrou os países do sul para a beira do caos social. Apesar de todas as pressões e chantagens a que foram sujeitos, os eleitores gregos optaram por um outro caminho.

Segundo. A vitória eleitoral do Syriza gera fortíssimas expetativas. Quão longe poderá ir o impacto das propostas de reestruturação da dívida dos novos governantes de Atenas? Tudo está em aberto neste momento, entre o que poderá continuar ser a inflexibilidade (alemã) das condições a que os gregos estão actualmente sujeitos e a ameaça de não pagamento que os helénicos podem activar.

Terceiro. A Grécia não pode estar sozinha. A já anunciada intenção de realizar uma conferência internacional sobre a dívida pública, deve propiciar uma concertação entre os países objecto de intervenções externas – Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha. Mas também de França e Itália, que se confrontam com pesados custos sociais resultantes das imposições do pacto de estabilidade. Países onde estão instalados governos socialistas, já sujeitos a fortes contestações e erosões eleitorais e que poderão seguir o destino dos seus colegas do PASOK.

O consenso centrista que permitiu a progressiva dominação da política e dos interesses dos povos pelos interesses financeiros e pela “mão invisível” dos mercados pode estar em causa. As eleições que se aproximam noutros países poderão vir a demonstrá-lo, com significativas alterações de equilíbrio interno. Casos de Espanha, com a afirmação do Podemos (à esquerda), e do Reino Unido e da França, com o UKIP e a Frente Nacional (à direita).

Porque ganhou o Syriza?

Os poderes dominantes da UE, sob determinante influencia alemã, decidiram castigar e humilhar os gregos, forçando o país a uma quebra do seu PIB na ordem dos 25% e a uma taxa oficial de desemprego a aproximar-se dos 30%, criando uma catástrofe social de proporções desconhecidas na Europa em tempo de paz.

Humilhadados e sem perspectivas, forçados à pobreza e à emigração, como também vemos e Portugal, os gregos responderam “dentro do sistema”, com o voto.

Foi a derrocada dos socialistas que mais propiciou a vitória do Syriza. Foi o governo PASOK quem chamou a troika e foram os socialistas quem, como segunda força da coligação com a ND agora derrotada, continuaram a suportar as politicas que tanto dano tem infligido aos gregos.

A coligação Syriza conseguiu constituir-se, sobretudo desde as eleições de 2012, como uma alternativa real e credível para protagonizar a governação. A que não terá sido alheia a sua afirmação clara de quererem ser os protagonistas. E o eleitorado grego, confrontado com a incompetência dos partidos centristas, parece tê-lo percebido.

É relevante o Syriza ter-se coligado com o Anel, um partido da Direita nacionalista? No actual contexto de emergência que se vive na Grécia, em que avulta o previsível embate com os poderes europeus sobre a questão da dívida, posição partilhada por ambos, não parece incompatível e demonstra um primado de pragmatismo que às vezes falta na Esquerda.

As diferenças políticas entre parceiros não deixarão de poder produzir algumas fricções, casos da imigração, relações entre o Estado e a Igreja ou política fiscal. Mas também se sabe o quanto o cheiro do poder cimenta as coisas. E claro que a desproporção de forças entre os parceiros e a fragmentação do espectro parlamentar funcionará a favor do Syriza.

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Hipocrisia

ilusão

O aproveitamento de um acto terrorista para limpar as mãos de outros terrorismos é injustificável.

A condenação dos atentados e a comoção com o sucedido não nos pode impedir de reflectir sobre a gigantesca campanha de intoxicação política e mediática que foi montada para iludir responsabilidades e fingir preocupações.

Em todo o mundo, milhões manifestaram-se genuinamente pela paz, contra o terror. Entre esses milhões não estão aqueles que aparecem na foto que, isolados do resto do mundo, longe do povo, marcham para fingir que não têm responsabilidades nos acontecimentos; para fingir que não usam o terrorismo de Estado para satisfazer os seus objectivos; para fingir que não financiaram, treinaram, armaram, protegeram alguns dos que agora semeiam o terror na Europa, mas que quando fazem o mesmo, por exemplo, na Síria são «combatentes da liberdade», «rebeldes»…

Por muito que marchem de braço dado uns com os outros não conseguem esconder o sangue que trazem nas mãos.

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Ucrânia: Vem aí uma grande guerra?

http://www.dailymail.co.uk/news/article-2677613/American-military-advisers-masterminding-Ukraines-surge-against-pro-Russian-separatists-bid-expand-Nato-east.html

Pode o conflito ucraniano arrastar a Europa para uma guerra? A pergunta está a deixar de ser retórica. Assiste-se a um crescendo assustador – centenas de milhar de pessoas deslocadas, operações militares em larga escala com destruição de vidas e bens, o dramático abate de um avião civil e agora uma escalada internacional de sanções e contra-sanções. E um horizonte onde pode caber um enfrentamento entre a Ucrânia, a OTAN e a Rússia. Pede-se bom senso!

Recapitulemos.

A mudança de regime na Ucrânia, forçada a partir das ruas de Kiev em Fevereiro, instalou no poder novos protagonistas, particularmente anti-Rússia. O frágil equilíbrio géo-estratégico de um país tão historicamente ligado à Rússia ficou em perigo, com os novos governantes ucranianos a alimentarem um ambiente desconfiança face à Rússia, que rapidamente gerou respostas do lado russo.

O risco acentuou-se com a secessão do território russófono da Crimeia e a sua adesão à Federação Russa. Os episódios de desconfiança sucederam-se e ampliaram-se a ponto de degenerarem numa guerra de secessão em algumas regiões do leste do país (Donbass), cada vez mais mortífera e sem fim à vista. Ucranianos russofonos do leste, com o apoio mais ou menos explícito do governo de Moscovo, responderam assim ao novo poder de Kiev.

Em rota de colisão

E dois países irmãos, ou com uma longa história comum, Federação Russa e a Ucrânia, entraram numa perigosíssima rota de colisão em que vários limites foram já ultrapassados. Com recurso a “obuses” comerciais e financeiros cada vez mais “pesados”, num processo iniciado com a guerra do gás (preços, dividas, desvios, etc.) e agora com uma escalada de sanções e contra-sanções que envolve um numeroso grupo de países e que certamente se refletirá nas respetivas economias.

É desde o início da crise ucraniana claro que o principal objetivo do bloco EUA/OTAN, com a UE de arrasto, é retirar a Ucrânia da área de influência russa e dos seus planos de uma comunidade euro-asiática. Processo que encontra agora na secessão do leste ucraniano um momento decisivo mas de alto risco para todas as partes.

A solução que porventura mais interessaria à Rússia seria a de federalização das regiões russófonas do leste no âmbito da Ucrânia, mas com uma ampla autonomia face a Kiev. Também poderia ser uma solução aceitável para o governo ucraniano. Só que, com o agravar do conflito e o extremar de posições, esta solução parece estar a ficar cada vez mais distante.

A OTAN tem tornado públicos sinais de apoio ao governo ucraniano, que são mais um forte estímulo à subida de temperatura do conflito. E que podem facilmente tornar o país (e não só) no palco de uma guerra bem mais abrangente, com intervenção direta da Federação Russa. E que fará então a NATO? Enviará as suas tropas para o terreno? Enviará a aviação e os misseis contra “alvos seletivos” russos? Ou ficará paralisada enredada nas contradições entre os seus membros, como já se viu no conflito da Ossétia do Sul (Georgia) em 2008.

A Ucrânia não é membro de OTAN, apesar de todas as declarações de simpatia pelos novos governantes ucranianos. Estará a OTAN a “esticar a corda” com a Rússia, empurrando a Ucrânia para a opção militar e inviabilizando uma solução negociada? Loucos são aqueles que anseiam por ver iniciada uma guerra com Rússia.

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UCRANIA:INFORMAÇÃO/CONTRA-INFORMAÇÃO

ucraniaA informação e a contra-informação correm à desfilada na Ucrânia. Poucas coisas são certas. Muitas podem-se decifrar das declarações que são feitas pêlos intervenientes ocidentais e ucranianos. Muita dessa informação adquire, porque não interessa, pouca relevância nos meios de comunicação social.

1-    Um comunicado da equipa de inspectores da OSCE, chefiada pelo dinamarquês Kai Wittop, em Lugansk, cidade recuperada pelas forças ucranianas, depois de visitar as zonas bombardeadas pela artilharia e pelos aviões governamentais ou a soldo do governo ucraniano (*), concluiu que as zonas bombardeadas eram zonas onde não existiam instalações nem dispositivos militares dos separatistas, mesmo móveis. Recolheu informações que os levam a calcular que os bombardeamentos fizeram 250 vítimas civis mortais e 700 feridos. Isto confirma as denúncias dos separatistas e desmente a propaganda oficial, o que explica o pouco relevo que é dado.

2-    Lembre-se um inquérito imparcial e independente na altura muito reclamado, subitamente  atirado para o caixote do lixo. Quando das manifestações da Praça Maidan, a polícia do então governio de  Yanukovych foram acusadas de ter atiradores furtivos a disparar sobre os manifestantes.

Que se faça um inquérito pedia-se em grande grita, com ecos nas chancelarias ocidentais. De repente o silêncio. Não deve ser estranho a esse silêncio a conversa entre o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia, Urmas Paet, e o Alto Representante da União Europeia para os Assuntos Exteriores e a Política de Segurança, Lady Catherine Ashton em que o primeiro, que tinha estado na Praça Maidan a dar apoio aos manifestantes, revelava à segunda que os atiradores furtivos pertenciam aos grupos de extrema-direita dos manifestantes. Tanto disparavam sobre a polícia como sobre os manifestantes. A exigência de inquérito e o inquérito foram rapidamente para o lixo. Nada como confiar no esquecimento e na falta de memória.

3-    Os separatistas pró-russos eram acusados de terem accionado o míssil que supostamente abateu o avião da Malasya Airways. Agora é o chefe dos Serviços Secretos Ucranianos, Valentyn Nalyvaychenko, depois de ter repetidamente, em linha com os governantes ucranianos, defendido essa tese veio esclarecer que isso não seria possível porque eles não teriam nem treino nem habilitações militares para tal. Tinham sido militares russos. No dia anterior tinha dito, ele e o inefável primeiro-ministro Arseni Iatseniuk que os russos tinham fornecido sistemas Buk aos separatistas pró-russos. Agora, quando veio com essa nova teoria nenhum dos jornalistas presentes se lembrou de perguntar para que é que os russos entregavam e para que é que os separatistas queriam um sistema que não lhes servia para nada.

Esse senhor que diz terem sido militares russos, é o mesmo senhor que, dias antes,sempre  em linha com os governantes ucranianos, revelou conversas gravadas supostamente entre separatistas e militares russos sobre o abate do avião, provando terem sido os separatistas os responsáveis pelo seu abate. Gravações que a metadata da gravação demonstrou serem falsas por terem sido feitas um dia depois da queda do avião. Nos meios de comunicação social ocidentais isto também teve pouco ou nenhuma importância em nome da verdade jornalística e dos critérios editoriais. Depois das gravações ele promete fotos, vídeos sabe-se lá mais o quê. Claro que tudo muito sério e veraz dados os antecedentes.

4-    A nova teoria trazia água no bico. John Kerry, depois de dias em que Obama e ele próprio afirmavam ter informações fiáveis de que o disparo do míssil tinha partido de território ocupado pelos separatistas avançou com a teoria de que o disparo foi feito por militares russos que tinham atravessado a fronteira e retornado à Rússia. Completava assim a informação do chefe dos serviços secretos ucranianos. O que se estranha é que John Kerry ainda não tenha mostrado fotos comprovativas da sua teoria. Colin Powell foi mais rápido e eficaz quando desdobrou no Conselho de Segurança da ONU, inúmeras fotografias que demonstravam inequivocamente a existência de fábricas de armas de destruição maciça no Iraque que nunca existiram, como se veio a provar. Será que a Secretaria de Estado dos EUA, mais os vários serviços secretos norte-americanos estão a perder qualidades? O alçado principal de John Kerry não denuncia uma inteligência por aí  além, mas ficamos inquietos com estes atrasos. Só conversa? Só conversa e nada de provas? Pergunte ao Colin Powell como se fabricam! Podia marcar uma nova cimeira nos Açores com o Cameron e o Rajoy, Passos e Portas fardados de motoristas e porteiros! A história repetia-se, a farsa continuava com novos protagonistas. A representação seria cada vez mais medíocre.

5-    Foram os separatistas pró-russos repetidamente acusados de não darem acesso ao lugar onde os destroços estão dispersos. Os separatistas garantiram que cumpririam um cessar-fogo de quatro dias para a missão internacional se deslocar ao local. Agora sabe-se que o cessar-fogo nunca foi aceite por Petro Poroshenko que diz não negociar com “terroristas”.

Os inspectores da OSCE falam cuidadosamente numa zona insegura, de onde se ouvem tiroteios constantes. Esquecem-se de falar da não aceitação da trégua pelo governo ucraniano.

Ontem e hoje há combates que se estão travar nas imediações da estação de caminho de ferro de Thorez, onde estão os vagões frigoríficos com os corpos dos malogrados viajantes do voo MH17. Nas proximidades do local da queda do Boeing, entre a colina de Saur-Mogila e o posto fronteiriço de Marinovka, continuam intensos combates. Ouvem-se novamente explosões de projécteis de artilharia.

O cúmulo do cinismo é o governo ucraniano dizer que os combates não são entre tropas governamentais que atacam os separatistas, mas entre os batalhões de voluntários, leia-se grupos armados de extrema-direita e mercenários da Blackwater que combatem integrados no exército da Ucrânia e agora estão aí estão a combater os “terroristas”.

6-    Obama e companhia, obviamente na primeira linha os seus mandaretes de Kiev, acusam antes de qualquer prova. Cameron mostra os dentes. Merkel e a Europa do Norte são mais moderados, embora afinem pelo mesmo diapasão.

Israel aproveita o ruído mediático para matar sem dó nem piedade os palestinianos de Gaza.

O dólar range com a possibilidade real de acabar por valer tanto como as notas do jogo do monopólio, depois do encontro dos BRICS, Brasil, Rússia, India, China e União Sul-Africana, que decidiram fundar um Banco de Desenvolvimento para apoiar países emergentes e substituir, entre si e com os países com que fazem comércio, o dólar por uma moeda que volta a ter por padrão o ouro.

7-    Nesta crise, como nos inquéritos e nos romances policiais, duas coisas a não esquecer:

a)    Quem é beneficiado com a queda do avião da Malasya Airways?

b)   Será que os EUA, segundo a voz autorizada de Victoria “que se foda a europa” Nuland, investiram cinco mil milhões de dólares na destabilização da Ucrânia e vão ficar sem retorno?

 

(*) as tropas que lutam contra os separatistas pró-russos são constituídas por tropas governamentais ucranianas, exército regular e tropas de elite, batalhões armados da extrema-direita e mercenários da Academi, contratados por oligarcas ucranianos. A Academi (antiga Blackwater) é uma empresa de mercenários com sede em Moyock na Carolina do Norte, Estados Unidos e contas nas Ilhas Caimão. É formada por vários tipos de paramilitares, por ex-integrantes dos Seals e outras chamadas forças de elite. A companhia fornece mercenários e vários outros serviços paramilitares. Foi fundada em 1996 por Erik Prince, que em Agosto de 2009, em depoimentos sob juramento de ex-funcionários, foi acusado de assassinar ou facilitar o assassinato de indivíduos que vinham colaborando com as autoridades federais americanas que investigam o envolvimento da Companhia em vários escândalos. A Blackwater está actuando como força auxiliar (e de segurança) no Iraque e Afeganistão, e está envolvida em várias controvérsias e investigações. Faz os trabalhos mais sujos para a CIA, nomeadamente na América Centro e Sul.

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Internacional

Gaza: Violência sobre o gueto

siderot

O holocausto do povo judeu durante a segunda guerra mundial serve frequentemente para justificar e fazer esquecer o tratamento brutal que o poder israelita tem infligido aos palestinianos. É certo que os contornos do conflito são complexos, mas é também certo que Israel exerce sempre o seu poder com toda a brutalidade e desproporção.

Quantos mortos se contam em cada lado? Ouvi ontem na televisão sobre o primeiro habitante israelita atingido mortalmente. Enquanto isso contam-se por centenas as baixas de civis em Gaza. E como não nos compungirmos com esse espectáculo deprimente de habitantes de Israel a assistirem aos bombardeamentos e ao morticínio dos seus vizinhos, instalados como que numa frisa de teatro?

Sob a acusação de ser liderado por um grupo terrorista (embora o Hamas tenha sido escolhido em eleições!), o território palestiniano de Gaza (360 Km2 e 1,6 milhões de habitantes) foi isolado, selado e os seus habitantes sujeitos à clausura de um gueto. Um território fechado e controlado no mar e no ar, à disposição da mais completa tecnologia militar. Uma indignidade.

Sucederam-se raptos, primeiro de jovens israelitas, brutalmente executados, e depois de um jovem palestiniano, também barbaramente assassinado. Mas o que fez com que os alarmes israelitas soassem a debitar todos os decibéis foi o recente anúncio da reconciliação entre as principais facções palestinas – a Fatah que administra a Cisjordânia com o Hamas que governa Gaza. Durante anos a divisão entre palestinianos tem sido a melhor garantia para os interesses sionistas que se opõem à constituição de um Estado Palestiniano já reconhecido pela maioria das nações.

O conflito entre o Estado de Israel e os palestinianos é uma guerra entre capacidades desproporcionadas. Certos das suas razões – reconhecidas por resoluções das Nações Unidas – mas confrontados com a impotência dessas mesmas resoluções, como podem os palestinianos combater uma potência militar com as capacidades do Estado de Israel, senão da forma que o tem feito, provocando danos mínimos, quase sempre materiais e raramente humanos?

No passado os palestinianos recorreram a actos terroristas que, bem e mal, colocaram o problema sob observação da comunidade internacional a partir dos anos de 1970 pela mão da OLP de Arafat. Não fosse a violência do terrorismo uma outra forma de fazer política face a poderes militares esmagadores.

Com a presente complexidade que se vive na região – os conflitos na Síria, no Iraque, no Egipto – o cenário do conflito israelo-palestiniano tornou-se ainda mais negro…

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Geral, Internacional, Política

diz-me com quem andas…

 

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Diz-me com quem andas e diz-me por onde andas!!! Dir-te-ei quem és!!!

Este ano os participantes portugueses na reunião do Bildeberg têm uma surpresa(?). Será mesmo surpresa? Daqueles lados tudo é de esperar e de toda aquela gente, de quase toda aquela gente, espera-se tudo. Apesar disso, esta é, de certa maneira, inesperada, Numa reunião conhecida pela sua opacidade, a única coisa verdadeiramente conhecida pelo comum dos mortais é a lista dos participantes. Logo tropeçamos nesse nome que com o habitual frequentador Pinto Balsemão  vão participar  no jogo de xadrez mundial, fazer os gambitos necessários para manter o poder sinistro e embuçado do grande capital financeiro. Alerta-nos também para os braços viscosos e longos que após cada reunião avançam como toupeiras pelo mundo. Para a variedade e a diversidade dos eleitos daquela gente.

A cultura e as artes nunca foram um território neutro, leia-se uma obra maior de investigação histórica “ Who Paid the Paper? The CIA and the Cultural War, de Frances Stonor Saunders, Granta Books, 1999 (*). Aqui temos mais uma demonstração dessa realidade. Leiam a lista. Talvez abram a boca de espanto. Não abram muito porque a cada esquina, se estivermos atentos, o espanto espera-nos. Ou talvez não!!!

 Lista de participantes na reunião anual do grupo Bildeberg, a decorrer em Copenhague, Dinamarca,  29 Maio-1 Junho 2014

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Geral, Internacional, Política

…A CARAVANA PASSA!!!

 

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A campanha para o Parlamento Europeu, em Portugal, foi aberta por um número circense da aliança PSD-CDS que apresentou o seu programa em 101 tweets, como os dálmatas. Uma baboseira pretensamente modernaça cada cor seu paladar. Os cromos dos candidatos, ufanos com a sua piroseira, só prosseguiram a campanha porque o ridículo não mata.

Não os querendo deixar sozinhos, o PS apareceu a lançar o tonitruante pregão arraial, arraial pela mudança. Mudança dona Constança para a dança ser a mesma. Sabem bem que a sua apregoada mudança é uma dança das cadeiras que não saem do mesmo sítio.

A este baile de máscaras juntaram-se fugazmente Jean-Claude Juncker e Martin Shulz, os putativos candidatos à presidência da União Europeia, como se os lugares que vierem a ocupar na hierarquia da Europa fosse decidida pelos votos angariados pelas suas famílias políticas nos estados membros. Antes que as ilusões aumentassem para lá do que seria razoável, Angela Merkel apressou-se a decidir passando a ferro, mais uma vez e sempre, as veleidades democráticas dos europeístas. Votem à direita, tomem lá o pé! Votem à esquerda, deem cá o pé! Divirtam-se! Entretenham-se a votar que eu estou cá para mandar. Europa sim, mas devagar, talhada à medida dos interesses teutónicos.

Cá dentro, à ilusão europeísta, andam os chamados governos do arco governativo a vender ilusões e a fazer promessas a pataco, sempre negando que o estão a fazer. Uns e outros proclamam a utilidade de votar neles. Uns porque se apresentam como salvadores do país que arruinaram prometendo continuar um caminho para o abismo para onde atiraram milhões de portugueses, aldrabando os índices estatísticos que, bem lidos, mostram a política desastre dos últimos anos. Os outros denunciam parte desse desastre para gaguejar alternativas políticas que são as mesmas só que mais suaves, de efeitos retardados. Ambos apontam para o mesmo lado, com os mesmos resultados.

Entre uns e outros venha o diabo e escolha. De um lado ladram os dálmatas. Do outro, ladra uma matilha de terriers, caniches, cockers, etc. Entre ambos passa a caravana do

VOTO ÚTIL!

O VOTO DE QUEM VOTA CLARAMENTE CONTRA AS POLÍTICAS

DOS QUE GOVERNARAM NOS ÚLTIMOS QUASE 40 ANOS.

O VOTO

CONTRA OS RESPONSÁVEIS

DO ESTADO DE DESASTRE A QUE PORTUGAL CHEGOU.  

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Geral, Internacional

Brutalidades

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O corte de abastecimento de água a 11.836 clientes da EPAL em Lisboa!

Os cortes realizados em 2013 representaram um aumento de 15% relativamente ao ano anterior. A negação do acesso a um bem essencial, como a água, configura uma violação grave dos direitos humanos.

Porque deixaram aquelas pessoas de pagar a conta da água? Quando se sabe que essa é a última linha da dignidade humana.

E porque será que a tarifa social da EPAL não chega a ser utilizada por 1% dos seus  clientes?  Uma empresa que teve 40 milhões de euros de lucros no ano passado e que lida com o mais precioso líquido para a vida, bem poderia utilizar parte desses recursos para apoiar os sectores da população mais debeis e excluídos!

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A condenação à morte de 529 apoiantes do presidente egipcio Mohamed Morsi!

A esperançosa primavera arábe desaguou no mais gelado inverno. Pelo menos no Egipto – mas não só. Mohamed Morsi foi o primeiro presidente egipcio eleito democraticamente pelo voto popular. Representou um interregno no poder autoritário militar, de várias feições, que governa este grande e milenar país africano desde a sua independencia.

Derrubado por um golpe militar, os apoiantes de Morsi mobilizaram-se massivamente para protestar e defender a legitimidade do presidente eleito.

O julgamento que condenou à morte 529 dos seus apoiantes da Irmandade Muculmana, dos quais apenas 153 se encontram sob detenção, durou dois dias!

Se a pena de morte é uma abjecção que à civilização repugna, que dizer deste superlativo exemplo do desprezo pela vida humana?

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EUA, fascismo, Geral, Internacional, Obama, Política, Ucrânia

O DILEMA UCRANIANO de OBAMA:BRANCO HONORIS-CAUSA OU BRANCO HONORÁRIO

fascistas1 ukr

Todos os dias lêem-se notícias sobre o apoio dos EUA e da UE à “nova” Ucrânia. Ao governo de “democratas” tão corrupto como anterior, com apoio dos oligarcas, os que apoiam agora e os que já apoiavam,  escolhido por um parlamento amedrontado por bandos armados de nazi-fascistas, que a nossa melíflua comunicação social, a tal que luta pela liberdade dos critério editoriais insiste em apelidar de nacionalistas radicais. Essa tropa fandanga da comunicação social estipendiada não tem mesmo vergonha nenhuma.

Uma grande notícia é Obama ter recebido na Casa Branca Iatseniuk, primeiro ministro interino desse governo que tem cinco ministros dos partidos nazi-fascistas, que já proclamaram a sua intenção de tomar completamente o poder. Partidos que declaram os judeus, os ciganos, os negros e os polacos, esta é  a melhor que a EU e a Polónia fingem não ouvir subgente que deve ser deportada. Deportada por enquanto, depois logo se encontrará solução mais muculada.

De sublinhar que esses cinco ministros ocupam as pastas da Defesa, da Juventude e Desporto,do Ambiente, da Agricultura e do Interior. Mas o poder e a presença em cargos de primeira linha não se fica por aqui. O presidente  e  um dos vice-presidentes do Conselho Nacional de Segurança e Defesa também está entregue a essa gente. Fica-se a perceber porque é que o ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia assegurou à, talvez,  espantada baronesa Catherine Ashton,  Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, que os atiradores furtivos estavam  a mando desses partidos, disparavam sobre a polícia e sobre os manifestantes, e que não acreditava que o novo governo fosse capaz de fazer uma investigação séria. Pudera, o Procurador-Geral da República da Ucrâni, também foi escolhido e é militante de um desses partidos.  Coisa pouca mas que explica porque é que o ministro do Interior conta a história de os incidentes em Kharkov, na Ucrânia maioritáriamente russófona, em que morreram duas pessoas, foram montados pelos russos, embora a sede do seu partido nessa cidade estar pejada de seus correlegionários armados, como mesmo a polícia a seu mando verificou. Isto enquanto   na Ucrânia que faz fronteira com o ocidente, um quartel foi assaltado e foram roubadas às tropas ucranianas mais  de 5.000 kalashnikovs, 2.741 makarovs, 123 metralhadoras ligeiras, 12 lança-mísseis Shmel  e 1.500 granadas de mão, além de outras munições, foram roubados, de acordo com fonte do ministro do Defesa interino ucraniano, o nazi-fascista Arsen Avakov. Naquela zona não podiam acusar os  russos, era um excesso onde não se poderiam negar as evidências, senão llá iriamos ouvir mais uma fábula de provocação bem montada.

Com tudo isto Obama tem um grave e grosso problema.   obama1     Não é dar apoio a gente pouco ou nada recomendável, isso para ele são amendoins. O seu enorme dilema é como pode ir em segurança à Ucrânia quando no governo e no parlamento tantos democratas nazi-fascistas que o consideram de raça inferior. Um sub homem que, na melhor das hipóteses, deveria ser imediatamente expulso. Ter amigos desses acaba por dar grossas dores de cabeça. Também muito nos preocupou muito esta questão. Como a resolver? Vou lá e os gajos cospem-me? Insultam-me? Viram-me as costas, isso ainda era o menos!

Preocupadíssimo com o que poderia acontecer a esse grande defensor da democracia e dos direitos humanos, quando fosse in loco saudar esses democratas para quem é um cão rafeiro e tinhoso, bolámos uma solução genial. O seu amigo  Iatseniuk, o jovem promissor primeiro-ministro, que subiu na vida pela mão, pelo pé e pela trança da oligarca Yulia Timoshenko, propõe que lhe seja conferido o título de Branco Honoris Causa, sem direito à lição de sapiência, pela Univerdade de Kiev. A outra hipótese é nomeá-lo Branco Honorário, o que não seria uma novidade. O regime do apartheid da África do Sul, para fazer negócios com os japoneses  inventaram essa. Claro que amarelo não é preto! Mas enfim também não estamos em África. Os seus amigos democratas nazi-fascistas engoliriam esse sapo a troco de mais uns milhares de dólares a juntar aos triliões que a Victoria Foda-se a Europa Nuland já disse terem sido uma dádiva a favor da democracia suástica da Ucrânia

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EUA, fascismo, Fascismo, Geral, História, Internacional, Política

O fascismo voa sobre o mundo

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“Vocês vão ficar a saber a verdade, mas a verdade vai dar cabo de vocês”.

Aldous Huxley

Na Ucrânia tornam-se mais vísiveis os perigos e a estupidez de uma política geoestratégica, posta em movimento logo após a queda do Muro de Berlim, de cerco à Rússia e à China. (* – leiam em nota textos e declarações de Paul Craig Roberts que pertenceu ao governo de Reagan e foi vice-director e editorialista do Wall Street Journal)  Um cerco que se vai apertando usando as mais variadas formas e estratagemas. A implosão da Jugoslávia, fomentando o separatismo no Kosovo onde deram o poder segundo um informe dos serviços secretos alemães a  “uma sociedade mafiosa constituida por elementos criminosos ligados sobretudo ao tráfico da droga” e identificam Ramush Haradinaj, Hashim Thaci e Xhavit Haliti os homens de mão dos norte-americanos, ao apoio a forças de direita como na Geórgia, onde alimentaram os sonhos megalómanos de um pequeno ditador, às  guerras no Médio-Oriente, atacando velozmente quem se atreveu a começar a vender petróleo sem ser em dólares. Agora o destaque vai para a Síria, com o Irão na mira.

Há um traço comum entre essas intervenções externas directas ou por interpostas organizações locais, existentes ou inventadas, dirigidas e financiadas pelos Estados Unidos, sempre com o apoio da União Europeia e usando a Nato, o seu braço armado vísivel. Os departamentos estadunidenses que traçam essas políticas, sabem que o presidente da Comissão Europeia, mesmo que seja políticamente irrelevante (só o Viriato Soromenho Marques é que um dia lhe descobriu “estatura política internacional” e aceleradamente rapou da esferográfica para o anunciar),  está sempre à sua disposição, que os governantes europeus, uns mais rápidos que outros, estão sempre em linha com os objectivos geoestratégicos dos Estados Unidos. O outro traço comum é o apoio que dão a forças fascistas para-militarizadas na Europa, a extremistas religiosos do médio ao extremo oriente, com destaque para as que se albergam sob o guarda chuva da Al-Quaeda.

padre decapitado na síria

padre decapitado na Síria pelas forças aliadas,armadas e financiadas pelos EUA e da UE  e pelas monarquias despóticas do Médio-Oriente que,no dizer dos seus apoiantes, lutam pela “democracia”

Na Ucrânia, o episódio mais recente dessa política, tudo se tornou evidente, sobretudo para os que acreditavam no que lhes era contado, quando Victoria Que se Foda a Europa Nuland, não deixou restassem dúvidas sob o circo “democrático” em curso. Como ela disse, apanhada com a boca na botija, os EUA já tinham investido cinco triliões de doláres, a apoiar as formações políticas do “Pravy Sektor” (Sector Direita) que é basicamente uma organização chapéu grupos ultra-nacionalistas (ler fascistas) incluindo apoiantes do Partido “Svoboda” (Liberdade), “Patriotas da Ucrânia”, “Ukrainian National Assembly – Ukrainian National Self Defense” (UNA-UNSO) e “Trizub”. Grupos que continuam a fazer exercícios e desfiles militares. Mesmo depois da investidura de um governo fantoche, logo reconhecido pelo Ocidente, que substituiu o governo e o presidente da Ucrânia, um governo e um presidente fraco e corrupto, avisaram que só páram quando alcançarem o poder. O grande capital ainda tem hesitações entre a quem dar o seu apoio. Divididos entre fascistas e fantoches, tão democráticos e corruptos quanto Iankovitch, à imagem da milionária  Júlia Timoschenko, uma “democrata” que em 2004 anulou uma eleição assim que  a perdeu. Grupos fascistas que tem uma ideologia comum, anti-judia, anti-imigrantes e anti-russa, porque uma grande parte da população da Ucrânia é russa ou russófona. O seu herói é Stepan Bandera e a sua “Organização de Nacionalistas Ucranianos”, infames colaboradores dos nazis que combateram activamente contra a União Soviética e cometeram algumas das piores atrocidades da II Guerra Mundial. Na Ucrânia onde essa gentalha, chamada eufemisticamente pela comunicação social vendida ao império, de grupos radicais já assaltou sinagogas, queimou sedes do Partido Comunista, humilhou e matou judeus, comunistas e outros emigrantes. Só muito timidamente e sem imagens os serventuários jornalistas a isso se referiram. Assim se intoxica a opinião pública. Como se intoxica com a unidade e integridade territorial da Ucrânia, um país que só existe depois da implosão da União Soviética, na base de um tratado aberto a todas as interpretações, sobretudo em relação à Crimeia, isto no mesmo ano em que a Escócia e a Catalunha vão referendar a sua independência. O descaro da diplomacia ocidental é de tal ordem que Laurent Fabius, sem uma ruga de vergonha, proclama, depois de anunciado referendo na Crimeia, ” onde já se viu referendar a independência de um território, alterando as fronteiras?” Olhe para o lado para Espanha, olhe para Norte,para a Escócia, lembre-se do Kosovo.

Já se fazem reportagens épicas sobre os tártaros derrotados no século XIII pelos mongóis, criteriosamente restritas à Crimeia ou assimila-se a ideologia fascista dos ultra-direitistas ucranianos ao imaginário cossaco do século XV. Com tantas histórias epopeicas de retorno ao passado fica-se à espera que Obama se comova e coerentemente vá devolver territórios aos índios e aos mexicanos, acontecimentos temporalmente muito mais próximos, para adquirir autoridade moral e fazer justiça ao prémio Nobel da Paz que lhe foi atribuído per fas e nefas. Continuar a ler

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Internacional

Ucrânia: o regresso da história

A crise ucraniana vem demonstrar que a história regressa sempre para lembrar o passado. Atente-se no mapa da Ucrânia: sensivelmente três quartos da sua fronteira, no norte e leste, separam o país da Bielorússia e Rússia, enquanto a parte menor a divide, a ocidente, da Polónia, Eslováquia, Hungria, Roménia e Moldávia.

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É pelo interior do território ucraniano que trespassam agora as velhas linhas de fractura herdadas dos tempos, não só da guerra fria, como da própria história mais ancestral do país. Linhas de fractura que se deslocaram para leste após a desagregação do bloco do socialismo real reunido no pacto de Varsóvia. É que os antigos aliados da URSS que partilham a fronteira ocidental da Ucrânia fazem agora parte, com exceção da Moldávia, do bloco NATO.

A história da Ucrânia, nascida a partir do principado de Kiev (seculos IX-XI), é rica, complexa e recheada de mudanças nos seus limites fronteiriços e nas configurações nacionais e plurinacionais em que se tem integrado ao longo dos séculos. Bem ao contrário da história territorial portuguesa na península!

A experiência soviética foi apenas a última aventura ucraniana antes da independência de 1991. Antes sucedera-se um prolongado domínio polaco e uma partilha complexa entre os impérios austríaco e russo (final do século XVIII), também aqui com o território ucraniano a ser dividido entre ocidente (Galicia, Ucrânia ocidental) para uns e o restante para russos. Mas sempre com afloramentos nacionais ucranianos. Nas vésperas da Ucrânia soviética (1919), entre 1917 e 1920, diversos Estados ucranianos declararam-se independentes…

Com a vitória da URSS na segunda guerra mundial novos territórios a ocidente, anteriormente integrados na Polónia, Checoslováquia e Roménia, viriam a ser incorporados na Ucrânia soviética. Enquanto outras áreas no leste viriam a sê-lo na sua congénere russa.

A implosão da União Soviética mostrou uma nova configuração territorial. Em que avulta a inclusão da estratégica península da Crimeia, agora uma república autónoma ucraniana, mas que foi russa até 1954. E que continua a manter ainda hoje uma importante base naval russa, sede da frota do Mar Negro. E é também nas margens de território ucraniano que se situa a (não reconhecida internacionalmente) república de maioria russa da Transnístria, Pridnestróvia para os russos, oficialmente território da Moldávia mas ucraniana até 1940.

A presença e influência cultural russa parecem indiscutíveis. “O russo é amplamente falado, em especial no leste e no sul do país. Segundo o censo (2001), 67,5% da população declararam falar o ucraniano como língua materna, contra 29,6% que falam o russo como primeira língua. Algumas pessoas usam uma mistura dos dois idiomas, enquanto que outras, embora declarem ter o ucraniano como língua materna, usam o russo correntemente” pode ler-se na popular Wikipedia. O que bem demonstra a lógica de miscigenação, própria de territórios que integraram grandes impérios! Não é impunemente que russos e ucranianos cruzam os seus destinos há séculos.

Ocidente e leste

Chegados à independência pós soviética de 1991, rapidamente se soltaram as tensões em que se parece dividir o país. Alternadamente e por via eleitoral sucederam-se no topo do poder, nos últimos anos, representantes das duas correntes. Viktor Yanukovytch, o “pró-russo” que até há pouco aproximara o país da UE, ganhou as últimas eleições presidenciais (2010) contra Y. Timochenko (agora encarcerada após um muito polémico julgamento) e sucedeu a Viktor Yushchenko, o “pró-ocidental”.

As recentes aproximações do presidente ucraniano à Rússia concitaram a reação de alguns sectores políticos do país, com óbvio apoio popular. Mas perante um país carente de recursos energéticos e que se confronta com graves problemas económicos, o poder russo jogou uma importante cartada – a proposta de acordos para a venda de gás a preços mais baixos e o financiamento da economia ucraniana. E o que tinha a UE para oferecer? Pouco mais que a promessa de uma associação, acompanhada de pedidos de “reformas estruturais”, leia-se, privatizações de importantes sectores!

A opção pró russa concitou protestos. Mas até aí tudo o que se passava nas ruas se compreendia. Manifestações e protestos. Com reações mais ou menos brutais de polícias pouco civilistas. (Um à parte: onde é já que já vimos isto? Seria diferente se fosse em frente aos nossos palácios de Belém ou de São Bento?).

Soprando a contestação assistiu-se à mais completa e despudorada ingerência pública. Diplomatas e outras figuras políticas europeias e americanas de maior ou menor recorte a agir em plena luz do dia, apoiando o sector contestatário, participando em comícios e dando entrevistas no centro de Kiev para as televisões.

Da União Europeia, vizinha da Ucrânia, esperar-se-ia mais bom senso. O gigante económico revela-se mais uma vez um anão político, cuja principal preocupação tem sido a de subtrair a Ucrânia ao bloco comercial e de união aduaneira que a Rússia procura desenvolver com diversos países da antiga União Soviética. Mas com muito pouco para oferecer aos ucranianos.

Com um conflito descontrolado e as pontes entre as partes cada vez mais frágeis, a contestação parece agora determinada por grupos violentos de extrema-direita. Que nem as próprias lideranças oposicionistas parecem já poder influenciar. E que não auguram nada de bom.

O Estado ucraniano pode estar em colapso e o país em risco de se fragmentar? Com as devidas distâncias não podemos deixar de temer o pior e lembrar as sangrentas fragmentações a que assistimos na antiga Jugoslávia, em várias ex-repúblicas soviéticas, na Líbia ou na Síria.

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Ataque ao solo

BundestagNos centros decisores do capitalismo internacional, com destaque para as instituições financeiras sediadas nos EUA, prepara-se a intensificação de uma nova onda de privatizações de tipo novo e radical: vender o máximo possível bens imobiliários estatais, incluindo patrimónios histórico-culturais caso seja considerado necessário.

Reconhecendo-se, no entanto, que seria difícil avaliar alguns ativos como o Louvre , o Partenon ou Parque Nacional de Yellowstone, conclui-se que não se vê como serem incluidos. Ou seja, para já, o Mosteiro dos Jerónimos não será alvejado!

Na sua edição de 17 de janeiro a revista Economist não deixa margem para dúvidas quando, no editorial e sob o título “The $9 trillion sale”, escreve que Thatcher e Reagan usaram as privatizações como ferramenta para combater os sindicatos e transformar em receitas diversos serviços públicos, telecomunicações e transportes, e que os seus sucessores no século XXI, “necessitam fazer o mesmo com os edifícios , terrenos e recursos naturais, porque é um enorme valor que está à espera de ser desbloqueado”, dizem!

O recado está dado de uma forma global quanto à nova onda de privatizações, desta feita centrada na propriedade imobiliária, isto é, nos edifícios públicos e nos terrenos de vários tipos, passando pelos recursos existentes no subsolo.

É notável perceber que, em muitos países-chave do mundo capitalista, ainda existem largas posses e participações publicas no universo empresarial.

De facto, as empresas estatais em países da OCDE valerão cerca de 2 trilhões de USD (qualquer coisa como 2,2 biliões de €). Depois, há que considerar as participações estatais  minoritárias em diversas empresas e serviços de interesse público que representam outro tanto.

Contudo, os verdadeiros tesouros agora sob a mira da grande finança (os “mercados”), são os ativos “não-financeiros “, tais como edifícios , terrenos, recursos do subsolo, que o FMI acredita valerem três quartos do PIB , em média, nas economias ricas : ou seja, 35 trilhões de dólares (35×1012 USD).

O governo federal dos Estados Unidos possui um milhão de imóveis (dos quais 45.000 foram consideradas desnecessárias ou sub-utilizados numa auditoria de 2011) e, cerca de um quinto da área terrestre do país, sob o qual se encontram vastas reservas de petróleo, gás e outros minerais, é  propriedade pública federal, pelo que existe uma grande pressão sobre o governo de Obama no sentido de que se proceda à alienação destes bens para “pagar a dívda”.

As maiores “reservas” do setor público da Grécia, que ainda não foram usadas no contexto da crise, encontra-se nos mais de 80 mil edifícios e terrenos.

Analistas da PWC apontam que a Suécia tem  propriedades estatais comercializáveis no valor de 100 a 120 bilhões de USD.

Os mercados financeiros estão sequiosos por este solo que é pertença dos estados, parte dele constitudo por florestas como é o caso da Alemanha, e pelos diversos tipos de edifícios públicos.

Por cá já se tem vindo a assistir a algumas alienações de edifícios e solos, por exemplo de origem militar e hospitalar, que, no mínimo, podem ser consideradas obscuras.

O editorialista, atento e moderado, alerta para as dificuldades que podem surgir por parte de “sensibilidades particulares”, como aquelas que afligiram Reagan quando pretendeu vender lotes de terrenos públicos no oeste americano e uma coligação de ecologistas e proprietários pecuarios se oposeram. Recorda, também, que o governo britânico encontrou grandes dificuldades quando, em 2010, pretendeu por à venda partes significativas de floresta pública.

Para que tudo isto avance mundo fora será necessários que os governos sejam “diligentes”, e, sobretudo, sejam “muito competentes” nas atualizações cadastrais públicas. Para além disso, as avaliações devem ter na sua base critérios de medida usados pelas empresas financeiras privadas.

A Itália, lembra a Economist, carrega um fardo da dívida pública de 132% do PIB e os seus planos de privatização são considerados “tímidos”. Mas o estado italiano tem proporcionalmente mais para vender do que a maioria dos outros países ricos, com participações societárias no valor de cerca de 225 biliões de dólares (cerca de 200 mil milhões de €) e – é aqui que está o novo filão – ativos não-financeiros que valem 1 600 triliões de dólares (ou 1 400 biliões de €) .

Entre os diversos conselhos dados diz-se que “os governos devem suar para determinar o que resta nas mãos do Estado” e que, “não existindo um modelo único para a gestão de bens públicos”, uma norma se impõe: substituir os funcionários públicos (designados por camaradas) por “gestores experientes, protegidos das interferências políticas”. Ora bem, e nós que ainda não tinhamos percebido!

Aqui chegados importa estabelecer  conexão com algumas tendências já evidenciadas pelos governos portugueses, com particular destaque para a comissão liquidatária instalada em S. Bento.

A proposta de Lei de bases do solo, em trânsito na Assembleia da República, apresenta alguns alçapões no sentido de facilitar a concentração patrimonial imobiliária em mãos de privados e centros financeiros poderosos.

Também no que se refere à “politicamente correta” proposta de limpeza obrigatória das matas e florestas, subsistem dúvidas se os milhares de pequenos proprietários, que nem sabem, bastas vezes, onde estão as suas parcelas, não irão ser empurrados para alienações forçadas, por exemplo, às celuloses.

No futuro, não serão apenas as poucas participações públicas sobrantes em empresas estratégicas que serão vendidas a chineses, indianos, espanhóis, árabes, angolanos, americanos e alemães.

Para além dos imóveis e dos terrenos produtivos particulares em venda acelerada no âmbito do programa “vistos Gold”, será o solo e o património imobiliário público que serão alienados. E, quem sabe, parte do mar português.

Isto se nós deixarmos.

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Outros 27 de Janeiro

Num momento em que o perigo espreita, em que a Europa capitalista em crise volta a ressuscitar nacionalismos, em que o imperialismo continua a promover a guerra e a violência, subjugando os povos aos interesses económicos e financeiros dos «mercados», importa relembrar outros 27 de Janeiro.

Muito tem sido feito pelos intelectuais orgânicos do capitalismo triunfante para limpar ou, pelo menos, suavizar a imagem do nazi-fascismo, limitando-o à Alemanha nazi, considerando-o a obra de um louco, desvalorizando as suas origens e reduzindo a sua ideologia ao anti-semitismo.

Uma das muitas formas de branqueamento do nazi-fascismo é a sua comparação ao socialismo, utilizando a própria propaganda nazi sobre a União Soviética para reescrever a história, confundindo agressor e agredido, opressor e libertador, carrasco e vítima, vencido e vencedor.

No entanto, não há reescrita que possa omitir a heróica resistência do povo  Soviético, liderado pelo PCUS de Stáline e o seu Exército Vermelho e o papel decisivo que teve na libertação da humanidade da barbárie nazi-fascista.

Dai parecer-me fundamental continuar a manter viva a memória de outros 27 de Janeiro.

Em 27 de Janeiro de 1944, acaba cerco nazi a Leninegrado, a heróica resistência do povo soviético, com milhares de mortos, sofrendo com o frio, a fome, os combates, saí vitoriosa e abre caminho para que um ano depois, a 27 de Janeiro de 1945, o Exército Vermelho na sua ofensiva libertasse o campo de morte de Auschwitz, onde a Alemanha nazi procedia ao extermínio de judeus, ciganos, comunistas, democratas, homossexuais, deficientes.

Recordem-se os heróicos exemplos de resistência e firme combate pela liberdade e que todos os dias possam ser 27 de Janeiro, derrotando sempre a ideologia e a prática terrorista do ódio, do racismo, da opressão e da exploração.

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Uma Vergonha Nacional

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Esta gente, os nossos actuais governantes, ou não sabe o que diz por ignorância e di-lo com a empáfia dos ignorantes, ou sabe o que está dizer e diz revelando todo o seu cinismo, hipocrisia e falta de princípios. Estamos em crer que as duas coisas se misturam na mesma centrifugadora que lhes molda a coluna vertebral numa serpentina de borracha e dispersa a escassa massa cinzenta em bolas de goma que se pegam às paredes da densa espessura óssea da sua caixa craniana.

O texto das condolências de Cavaco pela morte de Nelson Mandela é uma vergonha que se estende como um manto de ignomínia sobre toda a nação que não esquece o voto de Portugal na ONU, era Cavaco 1º ministro, alinhando com Reagan e Thatcher que consideravam Mandela um terrorista. As cambalhotas do voto, numa ginástica canalha, não iludem a raiz reaccionária que lhe está subjacente e é a sua seiva. Agora, as condolências cavaquistas vão no mesmo sentido. A sua presença nas cerimónias fúnebres só têm a importância de nos fazer recordar que antes de morrer nos devemos precaver contra a presença da gentalha que se aproveita do nosso  forçado e eterno silêncio para aparecer e tentar apagar as nódoas que enxameiam as suas almas e percursos.

Como se isso não fosse suficiente para os patriotas portugueses se sentirem envergonhados, Passos Coelho, com ele todo o (des) governo, não venha à pressa alguém da pandilha demarcar-se, escreve um disparate sobre Mandela que, como dissemos a abrir o texto, prima pela ignorância ou pela  má fé ou pelas duas  coisas em consonância:

«Com as suas reconhecidas qualidades pessoais, e guiado por sólidos princípios e valores humanos, o ‘Madiba’ foi líder da resistência não violenta ao regime de segregação racial, prisioneiro político, pai da moderna nação sul-africana, prémio Nobel da Paz e Presidente da República.»

Não difere substancialmente do texto cavaquista. Nem um nem outro têm qualquer coisa a ver com a realidade.

Nelson Mandela defendeu a luta armada contra o apartheid desde 21 de Março de 1960, data em que ocorreu o Massacre de Sharpeville. Em 1961 passou a comandante do braço armado do Congresso Nacional Africano (CNA) até ser preso.

Em Junho de 1980, Mandela enviou ao CNA, da prisão onde se encontrava, a seguinte mensagem: «Unam-se! Mobilizem-se! Lutem! Entre a bigorna que é a acção da massa unida e o martelo que é a luta armada devemos esmagar o apartheid!»

Mandela foi preso e condenado em 1962 e de novo julgado em 1964. Escapou à pena de morte. Em tribunal afirmou que são os opressores quem determina os meios de resistência. O governo fechara à população negra todas as vias legais e disparava sobre os que exigiam as liberdades. Foi condenado, com os seus companheiros, a prisão perpétua por “alta traição e tentativa de derrube do governo [branco] pela força”.

Na África do Sul do apartheid ao longo dos anos 1970-80, motins, manifestações e actos de desobediência civil tornam-se maciços e incontroláveis. A sua ressonância internacional cresce exponencialmente. Em Fevereiro de 1985, o presidente Botha oferece a Mandela a liberdade em troca da condenação da violência. O prisioneiro recusa. Meses mais tarde, propõe-lhe a abertura de negociações. Recebe a resposta de sempre: “Só os homens livres podem negociar.”.

Para Mandela, os tempos da negociação são uma questão de táctica e não de princípio. Ao regime do apartheid, cercado internacionalmente, apesar do apoio de Reagan, Thacther e o do seu criado Cavaco, que se já não podem defender directa e incondicionalmente o governo de Botha, fazem-no indirectamente considerando o ANC e o seu dirigente máximo um bando de terroristas, só restam duas soluções: negociar e isso implicava negociar com o preso Mandela, ou destruir militarmente o ANC, de resultados duvidosos embora sabendo que o ANC, que também o sabia, não tinha condições militares para derrubar o regime.

Finalmente em Setembro de 1989, Frederik De Klerk substitui Botha e o processo negocial acelera-se. Mandela fixa os objectivos: a regra democrática “um homem, um voto”; a legalização do ANC, dos seus aliados — o Partido Comunista e os sindicatos; a libertação de todos os presos políticos; o desmantelamento dos bantustões”. Só nestas condições, aceita ser libertado – no dia 11 de Fevereiro de 1990 – para iniciar a grande ronda negocial com o governo de De Klerk.

Até às eleições de 1994, o país vive em convulsão: confrontos sangrentos entre o ANC e o partido zulu Inkatha, milhares de assassínios, conspirações da extrema-direita branca. Mandela torna-se a figura central do país, sendo tratado como se já fosse presidente, o ANC, sob a sua direcção, defende-se de armas na mão.

Nelson Mandela tornou-se um quase mito. Uma das razões que engrandeceu o seu mito foi a aparente impossibilidade duma solução pacífica para a tragédia do apartheid. Mandela foi actor de uma obra-prima da política: a transição do apartheid para democracia, envolvendo a construção duma nação sul-africana, sem uma guerra civil.

Eleito presidente soube retirar-se a tempo, com algumas concessões criticáveis e sem deixar a nação consolidada. As identidades raciais subsistem apesar do racismo ter sido ilegalizado. O fim do apartheid deu o poder à maioria e ao ANC, mas não trouxe o paraíso.

Mas isso não ensombra a sua estatura política e humana. Era um homem raro e um grande político, como poucos, ao longo dos séculos, o têm sido.

Este Nelson Mandela não é o Mandela dos textos dos nossos governantes, encabeçados por Cavaco e Passos Coelho. Textos que aviltam a sua memória e humilham Portugal.

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Internacional

Que viva Nelson Mandela!

nelson mandelaQuando o apartheid, esse hediondo regime de segregação racial, agonizava e todos julgavam que a República da Africa do Sul iria soçobrar à violência, foi Nélson Mandela, o  venerando  Madiba, assim chamado pelo seu clã do povo Xhosa, quem contribuiu decisivamente para evitar a derrocada do país e a guerra inter-étnica.

Condenado a prisão perpétua em 1964 e posteriormente sujeito a humilhações várias durante o cativeiro, foi N. Mandela quem, do interior da sua cela, conduziu as negociações com os lideres brancos da Africa do Sul (P.Botha e F.W. De Klerke, posteriormente). Era já então o grande líder da resistência protagonizada pelo ANC, inicialmente pacífica, mas que a continuada persistência do regime de segregação racial obrigou a optar pela luta armada.

Sendo hoje quase caricato, o regime de apartheid vigorou na República da Africa do Sul durante cerca de cinquenta. Os seus mentores, os afrikanders acantonados do Partido Nacional, impuseram uma ideologia, levada à prática, de completa separação racial e de total dominação branca dos destinos do país.

Os tempos de transição negociada foram recheados de episódios de violência e lutas inter-étnicas alimentadas pelos opositores do fim do apartheid. Poucos acreditariam mesmo que o fim do poder da minoria branca pudesse ocorrer sem um banho de sangue.

A Mandela se deve a coragem de ter optado pela moderação, aplacando os receios das populações brancas, assegurando uma transição suave e com sobressaltos menores (apesar de não isenta de episódios de violência extrema). Foi ele quem apelou à calma dos povos sul-africanos e foi ele o primeiro presidente eleito pelos sul africanos de todas as cores.

Que viva Nelson Mandela!

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Internacional, Política

Desemprego em França atinge novo recorde com 3,29 milhões de inscritos

Estou preguiçosa, decididamente!  Perdoem e entendam-me!

Desemprego atinge mais de 10,9% da população activa

O desemprego atingiu um novo recorde em França com um crescimento de 60 mil desempregados em setembro, o que eleva para 3,29 milhões os inscritos à procura de emprego.

Este aumento deve-se em parte a um erro estatístico que levou a uma descida artificial do número de desempregados em agosto. ( Ai, por cá como descem as taxas à custa não de erros, mas factos premeditados).

Com 3,29 milhões de pessoas sem trabalho, o desemprego atinge mais de 10,9% da população ativa, o que constitui um recorde absoluto em França.

O presidente francês, François Hollande, comprometeu-se a inverter os números do desemprego até ao final do ano, num clima de preocupação crescente quanto à economia e à criação de emprego.( pois, pois, digo, eu!)

Ainda se lembram dos tais 150.000 empregos que o Sócrates, de má memória, iria criar?

A França está atolada uma vez mais nas políticas neoliberais do tal de Hollande do tal PS francês. (guerras vergonhosas, neocolonizações  com sobreexploração de povos já tão martires, conluios com o Al Qaeda, os tais terroristas apoiados na Líbia, na Síria, etc. )

SERÁ QUE ESTE EXEMPLO, MAIS UM, SERVIRÁ DE ALGUMA COISA?

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