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A Intelligentsia nos seus labirintos

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O Grito, Munch (fragmento)

 

A  intelligentsia norte-americana está em guerra aberta com Trump. Na Europa, alguns classificam essa intelligentsia, escritores, artistas das artes visuais, teatro e cinema, músicos, como de esquerda, sabendo bem de mais que a grande maioria são liberais com muito pouco de esquerda. Fazem bem em invectivarem Trump um reacionário proto-fascista, com tiques de caudilho sul-americano, mas não deixa de ser uma curiosa posição que merece alguma reflexão quando, muitos até com boas intenções melhor dizendo ilusões democráticas, objectivamente escoram uma oligarquia, agora corporizada por Hillary Clinton e antes por Obama. O cerne da questão é a decadência dos EUA. Trump é tão neoliberal como os Clintons’s, os Obama’s, os Bush’s. Os confrontos a que estamos a assistir pouco tem a ver com democracias e muito com uma guerra entre interesses divergentes de grupos de plutocratas. Trump e os seus sequazes reconhecem a decadência dos EUA, consideram-na uma consequência das políticas dos oligarcas que se acantonaram atrás da Sra. Clinton,nas últimas eleições. Para uns e outros os mecanismos democráticos são uma ferramenta para defenderem os seus interesses. A intelligentsia norte-americana e  as outras em muitas partes do mundo, principalmente na Europa, estiveram até agora caladas perante todos os desmandos “democráticos”. É de perguntar onde estiveram durante os oito anos de mandato de Obama, quando a divida pública dos EUA passou de 11 para 20 milhões de milhões de dólares (aumento de 1 250 mil milhões por ano, 3 mil milhões /dia!) procurando fazê-la pagar à força ou com persuasão, que não deixa de ser violenta, ao mundo onde se impunha unipolarmente. Dívida que aumentou exponencialmente por essa administração ter uma política que defendeu os interesses da finança e do grande capital, pelos custos das guerras que fomentou. Onde estava essa gente quando, durante os oito anos de administração Obama as desigualdades aumentaram, os salários reais baixaram, mais de 90% do aumento da riqueza nacional foram enfiados nos bolsos dos 1% mais ricos. Quando os serviços públicos e sociais se degradaram. Quando mais de 46 milhões de cidadãos – a maioria negros e hispânicos, a situação dessas minorias e a violência que sofrem agravou-se – estão abaixo do limite de pobreza. Quando o desemprego é de 21%  com os critérios dos anos 80 (Paul Craig Roberts). A população prisional atingiu os 2 milhões. O Obamacare é um seguro médico pago pelo Estado aos privados, redigido per representantes das seguradoras e farmacêuticas, com uma franquia de 6 500 dólares por família em 2015. Onde estavam? Que protestos fizeram? Todos mudos e quedos como sempre estiveram surdos às bombas que esse Nobel  da Paz despejou pelo mundo ao ritmo de 3 bombas/hora, número revelado nno jornal bi-mensal do Foreign Affairs, do CRF (Council on Foreign Relations), http://blogs.cfr.org/zenko/2017/01/05/bombs-dropped-in-2016/ que é considerado pelo Departamento de Estado como uma espécie de “how-to”, um guia para a condução da política externa. Quando com Obama, os EUA e aliados lançaram 100 000 bombas e mísseis, em sete países, contra  70 000 em cinco países pelo Bush da invasão do Iraque. Os gastos militares superaram em mais 18,7 mil milhões os de George W Bush. Quando as forças militares dos EUA estão presentes em 138 países, em comparação com os 60 quando tomou posse. A utilização de drones aumentou 10 vezes, atingindo toda a espécie de alvos e vítimas civis e Obama,  informe do New York Times, https://www.nytimes.com/2014/06/26/world/use-of-drones-for-killings-risks-a-war-without-end-panel-concludes-in-report.html?_r=0 seleccionava pessoalmente aqueles que seriam assassinados por mísseis disparados de drones. Um senador republicano, Lindsey Graham, estimou, sem qualquer desmentido, que os drones de Obama mataram 4.700 pessoas. “Por vezes atingem-se pessoas inocentes e odeio isso”, disse o nobelizado com o cinismo que o caracteriza, “mas removemos alguns altos membros da Al Qaeda”. Quando foram recrutadas e treinadas forças mercenárias para combaterem na Líbia e Síria, pagaram-se a esquadrões da morte para abaterem no Iraque alvos políticos incómodos. O total de mortes infligidas em guerras, directas ou por procuração, terá atingido 2 milhões de pessoas. Onde estavam quando os bombardeamentos são mais intensos que os anteriores, contabilizando-se 65 730 ataques de bombas e mísseis nos últimos dois anos e meio. Com Obama ampliou-se o apoio às agressões de Israel ao povo palestiniano, os crimes da Arábia Saudita contra o povo do Iémen, financiou-se e armou-se o Estado Islâmico e a Al-Qaeda, John Kerry dixit em entrevista de fim de mandato. Obama também aconselhou e financiou e golpes de estado das Honduras à Ucrânia. Nomeou para a CIA, chefias militares e para o governo conhecidos falcões como a secretária de Estado Hillary Clinton, a embaixadora na ONU Samantha Power a secretária de Estados para os Assuntos Europeus e Euroasiáticos Victoria “Que se Foda a Europa” Nuland. http://www.bbc.com/news/world-europe-26079957

Tudo isto tem coerência interna: a General Dynamics, grande fabricante de armamento pesado, submarinos, navios de guerra, financiou a carreira política de Barack Obama, desde que concorreu às primárias em 2008, quando demagogicamente fazia promessas parecidas com as de Jesse Jackson uns anos antes, antecipando algumas que vieram a ser feitas por Bernie Sanders, deixando a sua opositora Hillary Clinton boquiaberta de espanto, derrotada pela lábia desse grande vigarista que tinha garantido os apoios financeiros do complexo-militar e industrial que deviam rir a bom rir das suas tiradas Yes You Can’t, conhecendo o seu verdadeiro significado.

Intelligentsia que não mexeu uma palha quando Obama desalojou violentamente os Occupy Wall Street, http://www.weeklystandard.com/obama-on-occupy-wall-street-we-are-on-their-side/article/598251 fazendo um discurso em defesa dos especuladores bolsistas, sustentando-os com milhares de milhões de dólares.

As políticas de Obama e a cumplicidade silenciosa da intelligentsia são um triunfo da pós-verdade, o conceito escolhido pelos Oxford Dictionaries, um canone dos dicionários, para palavra do ano 2016, como o “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais factos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”. A pós-verdade em que cimenta a gigantesca fraude Obama, como se pode ler e ouvir no seu discurso de despedida. A colossal vigarice que é Obama, bem retratada por José Goulão no AbrilAbril. http://www.abrilabril.pt/o-polimento-da-tragedia-obama

Agora, com a eleição de Trump, não menos perigoso que Obama, saltam para o terreiro enterrando os pés no pântano de uma democracia esclerosada, expressão política muito clara do fracasso e da crise estrutural do modelo neoliberal nos Estados Unidos, em que quem se senta na Sala Oval, chame-se Bush ou Clinton, Obama ou Trump, prossegue políticas na defesa dos interesses imperiais dos EUA, seja sob a bandeira do excepcionalismo teológico dos Estados Unidos da América em que Obama acredita”com toda a fibra do meu ser”, ou do demagógico “Make America Great Again” de Trump.

Quais as razões por só agora as mulheres organizarem a Marcha das Mulheres contra Trump, bem oleada com milhares de dólares por esse filantropo que é Georges Soros, http://www.ceticismopolitico.com/bilionario-soros-esta-ligado-a-mais-de-50-grupos-que-participaram-da-marcha-das-mulheres-em-washington/ e nunca o terem feito contra, pelo menos contra algumas, das políticas da administração Obama? Porquê é que ninguém esfrega na cara de Madeleine Allbright a justificação do assassínio de 500 000 mil crianças, meio milhão de crianças no Iraque, mais do que as que morreram em Hiroshisma, como efeito colateral, o preço certo a pagar disse ela, https://youtu.be/RZLGQ83KoOo quando com grande descaro declara que se vai inscrever como muçulmana, em denúncia dos propósitos xenófobos de Trump?   Porquê só agora milhares de escritores, reunidos no Writers Resist, manifestam a sua indignação porque desejam ”superar o discurso político directo, em favor de um enfoque inspirado no futuro e nós, como escritores, podemos ser uma força unificadora para a protecção da democracia”(…) “instamos organizadores e oradores locais a evitarem utilizar nomes de políticos ou a adoptar linguagem “anti” como foco no evento do Writers Resist. É importante assegurar que organizações sem fins lucrativos, que estão proibidas de fazer campanhas políticas, se sentirão confiantes em participar e patrocinar estes eventos”. Nada disseram quando Obama alterou a lei para possibilitar que os grandes consórcios financiassem sem limites e sem escrutínio as campanhas políticas, distorcendo ainda mais claramente a democracia que assim ficou ainda mais dependente das cornucópias de dólares que impossibilitam de facto candidaturas, como a dos Verdes ou dos Libertários, que reduzem o debate de ideias aos rodeos das primárias e das finais ente Democratas e Republicanos, diferentes na forma, iguais nos objectivos. Ou será por esses milhares de escritores terem ficado confortáveis numa falsa ignorância fabricada pelos discursos indirectos, fingindo que não os conseguem decifrar mesmo quando as realidades se perfilam para não deixar uma brecha de dúvida?

Não se quer, nem é desejável, que se meta no mesmo saco de lixo o ogre Trump e o contrabandista Obama. Cada um no seu saco mas ambos atirados para o mesmo aterro sanitário. Isso é o que deveria ser feito por essa intelligentsia, tanto nos EUA como na Europa.

“A acção de todos deverá ser totalmente impessoal– de facto não deverá orientar-se por quaisquer pessoas que sejam, mas por regras que definem os procedimentos a seguir,”(Zigmunt Baumann). Príncipio esquecido por essa gente que anda aos baldões das emoções. Orientam-se erráticamente, nessa deriva a razão torna-se coisa descartável. É o que está agora a acontecer sepultando bem enterrado o que Martha Gelhorn disse num Congresso de Intelectuais em Nova Iorque em 1932 contra o ascenso do nazi-fascismo na Europa e também nos EUA, recordem-se os apoios que lhe davam Lindberg, Allen Dulles, John Rockfeller, Prescott Bush, John Kennedy (pai), as grandes corporações financeiras e industriais, http://www.rationalrevolution.net/war/american_supporters_of_the_europ.htm. Congresso que juntou, de viva voz ou por comunicações enviadas,  os maiores intelectuais da época, de Steinbeck a Thomas Mann, de Einstein a Upton Sinclair: “Um escritor deve ser agora um homem de acção… Um homem que deu um ano de vida a greves siderúrgicas, ou aos desempregados, ou aos problemas do preconceito racial, não perdeu ou desperdiçou tempo. É um homem que sabe a que pertence. Se sobrevive a tal acção, o que diria posteriormente acerca da mesma é a verdade, necessária e real, e perdurará”. (Martha Gelhorn). Até agora onde tem estado, por onde têm andado esses milhares de escritores? No conforto dos seus lares, das suas tertúlias, das bolsas concedidas por fundações que também financiam acções menos louváveis.

Escrevem, filmam, realizam obras de arte onde se apagou a política, a vida das pessoas, as vidas dolorosas dos explorados e oprimidos. Em linha são celebrados por uma crítica que os aplaude, suporta, divulga. Óscar Lopes, com a clarivência e o conhecimento que tinha, anotava que a classe operária, os dramas dos explorados tinha sido rasurado das artes desde meados do séc. XX. Essa a regra, as excepções quase passam despercebidas, são mesmo invectivadas, acusadas de contaminarem a arte pela política. É um fenómeno universal que Terry Eagleton, afirma em Depois da Teoria,” hoje em dia tanto a teoria cultural quanto a literária são bastardas” (…) “pela primeira vez em dois séculos não há qualquer poeta, dramaturgo ou romancista britânico em condições de questionar os fundamentos do modo de vida ocidental”. Um dos últimos, não estava sózinho mas estava pouco acompanhado,  foi Harold Pinter, nas suas peças teatrais e no discurso que fez na aceitação do Prémio Nobel, em 2005. http://cultura.elpais.com/cultura/2005/12/07/actualidad/1133910005_850215.html. Hoje não se encontram, ou raríssima se encontram um Alves Redol, Carlos Oliveira, José Cardoso Pires, José Saramago, para nos fixar em território nacional. Não se escrevem As Vinhas da Ira(Steinbeck), Jean Christophe(Roman Rolland) Manhatan Transfer(John dos Passos), Oliver Twist(Charles Dickens), Germinal (Zola), A Profissão da Sra Warren(Bernard Shaw), Mãe Coragem e os seus Dois Filhos (Berthold Brecht), O Triunfo dos Porcos(Georges Orwell), referências rápidas a que se poderiam agregar muitas mais. Raríssimos os filmes sobre temas sociais e políticos como os de Kean Loach, Recursos Humanos(Laurence Cantet), Blue Collar (Paul Schrader), para nos circunscrever aos tempos mais próximos e não enumerar os neo-realistas italianos, franceses, russos.

Ninguém, quase mesmo quase ninguém fala dos pobres, dos sonhos utópicos, da imoralidade do capitalismo, ataca a classe dominante, a corrupção que espalha. Foi todo um trabalho feito nos anos da guerra fria pela CIA, leia-se Who Paid de Paper, The CIA and the Cultural Cold War, de Frances Stonor Saunders. Trabalho bem sucedido dessas tarântulas tecendo as teias onde a cultura e as artes se debatem no caldo de cultura pós-moderna em que “a ideia moderna da racionalidade global da vida social e pessoal acabou por se desintegrar em mini-racionalidades ao serviço de uma global inabarcável e incontrolável irracionalidade”(Lyotard). Para sobreviverem e viverem comodamente, dissociam-se da política, dos dramas sociais, das guerras para encobrirem, o caos, o abismo, o sem fundo de que falava Castoriadis, para onde se é atirado sem remissão. Trabalho que teve tanto êxito, olhe-se para os paradigmas culturais do pós-modernismo, que só tem paralelo com o  controlo dos meios de comunicação social enquanto  em nome da racionalização e da modernização da produção, se regressa ao barbarismo dos primórdios da revolução industrial. Uma guerra em que os arsenais são financeiros e o objectivo da guerra é governar o mundo a partir de centros de poder abstractos impondo uma nova ordem fanática e totalitária. Nova ordem são de importância equivalente o controlo da produção de bens materiais e o dos bens imateriais. É tão importante a produção de bens de consumo e de instrumentos financeiros como a produção de comunicação que prepara e justifica as acções políticas e militares imperialistas através dos meios tradicionais, rádio, televisão, jornais e dos novos, proporcionados pelas redes informáticas, como é igualmente importante a construção de um imaginário global com os meios da cultura mediática de massas, as revistas de glamour, a música internacional nos sentimentos e americana na forma, os programas radiofónicos e televisivos prontos a usar e a esquecer, o teatro espectacular e ligeiro, o cinema mundano medido pelo número de espectadores, a arte contemporânea em que a forma pode ser substituída por uma ideia, a sua bitola é o seu do valor de mercadoria artística.

É nessa nova ordem que se inscrevem os Writters Resist, em que mesmo os que se aproximam de uma ideia de esquerda europeia estão contaminados e enquadrados pela ideologia de direita dominante. Alarmam-se com Trump mas nunca se alarmaram com Obama ou os seus antecessores. Têm razão numa coisa: estamos mais perto de uma nova versão do fascismo, como se vê no alastramento da mancha de óleo da direita e extrema direita na Europa e nas Américas. Um clima de guerra real que se avoluma-se no horizonte a par da guerra ideológica. Têm agora um sobressalto. Um alarme tardo, uma cortina que tapa o silêncio em que, sem qualquer vergonha, envolveram as políticas que agravaram desigualdades económicas e sociais, as agressões norte-americanas em todo o mundo por anteriores administrações, democratas e republicanas. É chocante, obsceno ver, ler e ouvir como muitos desses obsecados com Trump, bajularam e bajulam Obama. Como se assemelham aos ratos que seguem, sem uma ruga de dúvida, essa moderna versão do flautista de Hamelin. Têm razão em invectar Trump, em se preocuparem com o abubar dos campos da direita e extrema-direita. Com o estado de guerra latente que se vive, que já se vivia. Deviam sentir-se culpados, miseravelmente culpados por terem fechado ou na melhor das hipóteses semi-cerrado os olhos aos desmandos que prepararam a sua ascensão.

Como escreve William I. Robinson, professor na Universidade da Califórnia,  um dos raros não contaminados pelo pensamento dominante da ideologia de direita: “O presidente Barack Obam pode ter feito mais do que ninguém para assegurar a vitória de Trump(…)Ainda que a eleição de Trump tenha disparado uma rápida expansão de correntes fascistas na sociedade civil dos EUA, uma saída fascista para o sistema político está longe de ser inevitável.(…) Mas esse combate requer clareza de como actuar perante um precipício perigoso. As sementes do fascismo do século XXI foram plantadas, fertilizadas e regadas pela administração Obama e a elite liberal em bancarrota politica”. http://www.telesurtv.net/english/opinion/From-Obama-to-Trump-The-Failure-of-Passive-Revolution-20170113-0011.html

A direita exulta. Mesmo a que inicialmente foi reticente em relação a Trump, agora vai deixando cair as máscaras. progressivamente alinhando com as sementes proto fascistas que ele vai plantando.  Ler ou ouvir a comunicação social mais alinhada à direita sobre Trump, durante as primárias republicanas e a campanha eleitoral e depois da sua vitória é assistir a um pouco árduo e cínico exercício de rotação. Do outro lado, muita esquerda permanece vacilante amarrada ao ter louvado ou ter depositado irracionais esperanças em Obama. Ler o que por aí se escreveu e disse quando foi eleito presidente ou agora quando não há razão para qualquer dúvida, é muito instrutivo sobre algumas esquerdas, as velhas e as novas. As que repetem os vícios do radicalismo pequeno burguês usando estilistas modernaços ou de antanho,  as que metem com contumácia o socialismo nas gavetas abertas ou fechadas pelas terceiras vias e suas variantes. Nas suas derivas não encontram o fio de Ariadne que lhes aponte o caminho de saída do labirinto por onde deambulam confusos. O Minotauro espera-os. O mundo continua a arder.

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capitalismo, Comunicação Social, direitos humanos, EUA, Fascismo, Geral, Guerra, Hitler, imperialismo, Miséria, Nazismo, Obama

EUA votam contra condenação do nazismo

 

 

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fotomontagem de John Heartfield

 

Anda o Prémio Nobel da Paz 2009, Barack Obama, a fazer o seu último périplo europeu como Presidente dos EUA, pregando os valores do mundo livre e da democracia e no Comité dos Direitos Humanos da ONU, os Estados Unidos da América, ainda sob a sua liderança e seguindo as linhas mestras dessa liderança, votaram contra uma resolução que condenava a glorificação do nazismo. Ao seu voto contra juntaram-se a Ucrânia e o Palau.

A resolução tinha o objectivo de  “Combater a glorificação do Nazismo, Neonazismo e outras práticas que contribuem para alimentar formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância relacionada”. Texto que muito incomodou a administração Obama que na declaração de voto considerou votar contra “Devido ao âmbito excessivamente estreito e natureza politizada desta resolução, e porque exige limites inaceitáveis à fundamental liberdade de expressão, os Estados Unidos não podem apoiá-la”. A hipocrisia, o cinismo não conhecem limites e acabam, mais cedo ou mais tarde, por se revelar em todo o seu esplendor. Compreende-se perfeitamente que um governo dirigido por um Prémio Nobel da Paz que foi dos presidentes dos EUA que mais países bombardeou, o exemplo mais flagrante é a Líbia que tantas alegrias provocou na sua secretária de Estado Hillary Clinton “Viemos, vimos e matámos”, que mais guerras directas ou por procuração provocou, o Médio-Oriente é o caso mais evidente, que mais intervenções em países estrangeiros fez, apoiando e financiando golpes de estado como nas Honduras ou na Ucrânia, não poderia condenar o nazismo. Todos os sofismas seriam válidos para votar contra tal resolução. A memória do apoio que o grande capital, sem nacionalidade nem credos, deu a Hitler não permitia tal desaforo, aprovado por 131 votos a favor, três contra e 48 abstenções. O voto dos EUA causa sérias apreensões. É bem revelador do que está nos alicerces do pensamento único dominante.

Este voto, é um voto que ajuda a impulsionar as direitas mais radicais. Quem se preocupa seriamente com o ascenso dessas direitas mais radicais em todo o mundo devia estar cada vez mais preocupado com o sistema de vasos comunicantes que as aduba. Com o crescimento do capital financeiro parasitário que tem provocado o obscuro enriquecimento de uma minoria cada vez mais minoria que se apoia num poderoso complexo militar-industrial, domina uma máquina brutal de desinformação e alimenta um pântano de descontentamento onde germinam os ovos da serpente fascista.

A preocupação justifica-se plenamente e deve unir todos os que querem combater este estado de coisas, que tem as mais diversas e variadas formas mas uma raiz comum. Muitos preocupam-se mas afogam-se na espuma, sem mergulhar nas águas profundas. As análises e os comentários às últimas eleições nos EUA são a evidência da confusão que por aí anda à rédea solta, gerada por enormes e sinceras preocupações mas sem conseguirem fazer uma radiografia mais fundamentada, ainda que sem tempo de distanciação para prever todas as suas consequências. Sem perceberem porque é que o mundo é cada vez mais um lugar perigoso e mais aberto às agressões imperialistas que não tem pejo em fazer as alianças mais espúrias na luta pela sobrevivência de um sistema mergulhado em profunda crise.

A não condenação do nazismo é bem denunciadora dos estados de alma do imperialismo e da ausência de qualquer travão que ainda salve as aparências. Quem não condena o nazismo acaba por ser seu cúmplice, por mais penas democráticas que cole no alcatrão das suas vestimentas e por mais cores que essas vestimentas tenham. Actualmente, como escreveu recentemente Jorge Cadima “uma coisa é certa: seja nos EUA ou na UE, a palavra de ordem é militarizar. Os povos nada têm a esperar dos defensores do grande capital, a não ser exploração, miséria e guerra.”

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fotomontagem de John Heartfield

 

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Europa, Fascismo, Shakespeare

Algo está mal no reino da Dinamarca

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(imagem)

Fecharam-se fronteiras, ergueram-se vedações e a Europa da livre circulação torna-se cada vez mais uma coisa do passado.

Parece que Hamlet estava certo quando premonitoriamente avisava: «Something is rotten in the state of Denmark».

O fascismo vai pondo as garras de fora um pouco por toda a Europa e muitos assobiam para o lado como se nada estivesse a acontecer, para não falar daqueles que lá vão, cantando e rindo, cúmplices do recrudescimento das forçcas obscurantistas e criminosas derrotadas na II Guerra Mundial.

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Al Qaeda, Arábia Saudita, Bush, Cinismo, Comunicação Social, David Cameron, Estado Islâmico, EUA, Fascismo, Geral, Guerra, História, John Kerry, Jornalismo, NATO, Nazismo, Política, Turquia, Ucrânia

Os Ovos da Serpente

 

OVO da SerpenteA política cega dos Estados Unidos e da NATO no Médio-Oriente continua em ritmo acelerado, contra todas as evidências. As mentiras multiplicam-se para justificar a intervenção na Síria, feita pelo modelo que teve e tem as consequências catastróficas que se conhecem em outros países da mesma área geográfica.

Kerry insiste numa solução que não terá outro resultado a não ser tornar a Síria num novo Iraque ou pior numa nova Líbia. Espera que em eleições Bashar Al-Assad seja substituído por quem? Por dirigentes da Al-Nusra, o braço da Al-Qaeda na Síria? Por homens do ISIS disfarçados de democratas rendidos aos valores ocidentais? Cala-se, como se cala a Europa, com as cumplicidades entre os terroristas, gerados pelos ovos da serpente que andaram a plantar no Médio-Oriente e no norte de África, e os seus aliados sauditas, bem mais ditadores que Assad, do Qatar, dos Emiratos e desse país, exemplar membro da NATO, que é a Turquia. Fazem descobertas espantosas como a do chamado Exército Livre da Síria ter nas suas fileiras 70 000 soldados, como afirmou Cameron numa tirada de fazer inveja aos Monty Python. Apoiam uma cimeira organizada pela Arábia Saudita para promover a unidade do Médio-Oriente e onde estão representados todos os que opõem a Assad, incluindo todos os grupos terroristas excepto, alguém acredita nisto? o Estado Islâmico, o seu aliado preferencial. Sobre o assunto leiam o artigo de Robert Fisk no Independent. Sabem, como toda a gente sabe e como os Serviços Secretos da Alemanha esclarecem num detalhado relatório, leiam-no que é bastante esclarecedor, o que acontece no terreno e quem manobra nos bastidores com a cumplicidade dos EUA, da Europa, da NATO. A ler os bem documentados post’s, aqui e aqui, de José Goulão no seu blogue Mundo Cão e ouvir o general Pezarat Correia na televisão, fora dos horários ditos nobres como convém.

Depois dos atentados em Paris, a coligação liderada pelos EUA, decidiu bombardear o Estado Islâmico na Síria, violando o espaço aéreo desse país. O inefável Cameron em nome dos valores da democracia, incluiu nos objectivos da forca aérea britânica o exército sírio. A hipocrisia e o cinismo dessa gente não conhece fronteiras. Os resultados desse empenho contra o terrorismo, que ajudaram activamente a fomentar e de que agora são por vezes vítimas, começam a ser visíveis. Em vez de bombardear o Estado Islâmico, os aviões norte-americanos bombardearam forças do exército sírio, com a agravante de estarem a violar o espaço aéreo desse país. Desmentem o facto, com a mesma veemência com que mentem desde sempre, lembram-se de Colin Powell no Conselho de Segurança da ONU a desdobrar mapas das armas de destruição maciça no Iraque? Bombardeiam quem no terreno luta contra o Estado Islâmico seguindo as práticas da Turquia, um país da NATO, onde se treinam e armam os terroristas por onde circula o petróleo roubado no Iraque e na Síria pelo Estado Islâmico e que é a sua principal fonte de financiamento, Turquia que bombardeia sistematicamente a outra força no terreno, os curdos, que combate o Estado Islâmico.

Afinal que política é esta? Que gente é esta que, por tudo e por nada, invoca os valores da civilização ocidental?

Entretanto os ovos da serpente que andaram a plantar começam a abrir-se em plena Europa. Olhem-se os últimos resultados eleitorais em França, mas também no reforço das direitas mais radicais noutros países da União Europeia. Olhe-se para a Ucrânia onde partidos nazi-fascistas já estão no poder e onde batalhões do Estado Islâmico combatem ao lado do exército ucraniano e das milícias fascistas.

Os resultados dessas políticas criminosas, com os resultados que se conhecem, estão à vista de todos. Com o apoio da comunicação social mercenária, todos os dias nos são vendidas mentiras que as justificam, enquanto nuvens bem negras se acumulam no horizonte e os atentados terroristas estão ao pé da nossa porta. Há que dizer um vigoroso NÃO a essa gente sem escrúpulos, nem honra que quer governar o mundo.

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Al Qaeda, Bush, Estado Islâmico, fascismo, Hitler, ii guerra Mundial, NATO, Nazismo, Rockfeller, Rothschild, Stepan Bandera, Ucrânia, União Soviética

comemorar os 70 anos da derrota do nazi-fascismo

Berlim

Há 70 anos o IV Reich foi derrotado. A aventura nazi-fascista inicialmente apoiada pelo grande capital, chegava ao fim às mãos e ás armas da União Soviética, aliada das potencias ocidentais, Reino Unido, Estados Unidos da América e França, cujos interesses económicos começaram a partir de certa altura a serem ameaçados pelos interesses económicos apoiantes do Eixo. Isto apesar de grandes magnatas norte-americanos como Rockfeller, Rothschild ou Prescott Bush, avô dos Bush que esteve implicado num golpe fascista nos EUA, terem sido grandes financiadores de Hitler e várias empresas norte-americanas terem participações significativas nas maiores empresas alemãs que beneficiavam largamente com o trabalho escravo recrutado nos campos de concentração. Sinais claros do prestígio que Hitler e o partido Nazi tinham nos meios do grande capital.

Num outro plano, a II Guerra Mundial foi também o palco para resolver a crise de 1929. Foi a II Guerra Mundial que possibilitou que a crise financeira de 1929 se resolvesse. O New Deal de Roosevelt, iniciado em 1932, no pico da crise, introduziu uma forte intervenção do Estado na economia. Procurando regular os mercados e o funcionamento da Bolsa, impedindo investimentos especulativos e de alto risco. Impulsionando uma forte política de investimento na construção civil com um programa intenso de obras públicas, a New Deal começou em força, foi perdendo fulgor e estava a avançar muito devagar. Um novo pico dessa crise foi atingido em 1932. A guerra resolveu os problemas dessa crise capitalista. Obrigou os governos a fazer encomendas gigantescas de aço, máquinas, peças, artefactos que mobilizaram toda a indústria. O problema do desemprego, há que o dizer com toda a brutalidade, resolveu-se com a mobilização de milhões de desempregados e com os milhões de seres humanos mortos nos campos de batalha e fora deles com a fome e a destruição que uma guerra provoca.

Há 70 anos o nazi-fascismo foi derrotado, hoje na Rússia comemoraram-se esses 70 anos, lembrando bem o papel central, decisivo da União Soviética na derrota da barbárie nazi. Para vergonha universal quase todos os países ocidentais não se fizeram representar nessas comemorações a pretexto da situação na Ucrânia. Mais uma vez demonstraram a sua natureza. São hoje tão complacentes com o regime terrorista ucraniano como o foram inicialmente com os nazis Aceitam, sem qualquer reticência que o governo que está no poder na Ucrânia tenha entre os seus ministros e quadros superiores, nazis assumidos. Não se envergonham por ontem, na presença do secretário geral da ONU e outros dignitários ocidentais, o Presidente da República da Ucrânia tenha comemorado o fim da II Guerra Mundial, celebrando simultaneamente o sanguinário bandoleiro, Stepan Bandera, um dois mais brutais colaboradores dos alemães, em todos os territórios ocupados pelo IV Reich. Chefe e guia de um bando de facínoras responsável pela morte de centenas de milhares de russos, polacos e ucranianos, fossem ou não fossem judeus.

O ocidente, ausente das comemorações na Rússia como “castigo” pela situação de guerra na Ucrânia, esteve presente e apoia activamente a Ucrânia/Kiev, onde batalhões de nazis do Sector Direita, que os media ocidentais apelidam com ternura de ultranacionalistas, têm no terreno, a lutar a seu lado, batalhões do Estado Islâmico, seus aliados e aliados da NATO que cada vez se compromete mais naquela frente de batalha que abriram com um golpe de estado financiado pelos EUA, como proclamou Victoria “Que Se Foda a Europa” Nuland.

Nada trava essa gente sem princípios que diz combater o terrorismo, corporizado pela Al Qaeda e pelo Estado Islâmico e é seu aliado no Iemen, na Síria, na Ucrânia.

Ao comemorar os 70 anos do fim da II Guerra Mundial, da derrota do nazi-fascismo, devemos erguer a nossa voz, fazer ouvir a nossa indignação pelo ressurgimento dessa besta apocalíptica em todo o mundo com o apoio, umas vezes oculto outras vezes descarado, das forças do império e do seu braço armado a NATO.

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Coisas verdadeiramente sinistras

Podia ser uma brincadeira ou apenas mais uma forma de levar o crente a aumentar o dízimo pago a troco da salvação.

Podia ser só mais uma bizarria das igrejas que proliferam e lucram no meio da miséria e do sofrimento alheio.

Mas este exército, designado de «Gladiadores do Altar», criado pela Universal em toda a América Latina onde está presente, tem na sua forma e conteúdo traços preocupantes que não poderão deixar ninguém indiferente.

Para que é que a Universal necessita de um braço armado, porque razão uma igreja cria uma organização com disciplina militar, porque precisam de uma mílicia de fundamentalistas, quais os objectivos e quais os meios?

Com um poder crescente em todos os domínios de algumas sociedades, o que querem agora os lideres destes movimentos religiosos?

Uma coisa é certa, todo o ritual é sinistro e tresanda a intolerância e fascismo religioso.

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UCRANIA:INFORMAÇÃO/CONTRA-INFORMAÇÃO

ucraniaA informação e a contra-informação correm à desfilada na Ucrânia. Poucas coisas são certas. Muitas podem-se decifrar das declarações que são feitas pêlos intervenientes ocidentais e ucranianos. Muita dessa informação adquire, porque não interessa, pouca relevância nos meios de comunicação social.

1-    Um comunicado da equipa de inspectores da OSCE, chefiada pelo dinamarquês Kai Wittop, em Lugansk, cidade recuperada pelas forças ucranianas, depois de visitar as zonas bombardeadas pela artilharia e pelos aviões governamentais ou a soldo do governo ucraniano (*), concluiu que as zonas bombardeadas eram zonas onde não existiam instalações nem dispositivos militares dos separatistas, mesmo móveis. Recolheu informações que os levam a calcular que os bombardeamentos fizeram 250 vítimas civis mortais e 700 feridos. Isto confirma as denúncias dos separatistas e desmente a propaganda oficial, o que explica o pouco relevo que é dado.

2-    Lembre-se um inquérito imparcial e independente na altura muito reclamado, subitamente  atirado para o caixote do lixo. Quando das manifestações da Praça Maidan, a polícia do então governio de  Yanukovych foram acusadas de ter atiradores furtivos a disparar sobre os manifestantes.

Que se faça um inquérito pedia-se em grande grita, com ecos nas chancelarias ocidentais. De repente o silêncio. Não deve ser estranho a esse silêncio a conversa entre o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia, Urmas Paet, e o Alto Representante da União Europeia para os Assuntos Exteriores e a Política de Segurança, Lady Catherine Ashton em que o primeiro, que tinha estado na Praça Maidan a dar apoio aos manifestantes, revelava à segunda que os atiradores furtivos pertenciam aos grupos de extrema-direita dos manifestantes. Tanto disparavam sobre a polícia como sobre os manifestantes. A exigência de inquérito e o inquérito foram rapidamente para o lixo. Nada como confiar no esquecimento e na falta de memória.

3-    Os separatistas pró-russos eram acusados de terem accionado o míssil que supostamente abateu o avião da Malasya Airways. Agora é o chefe dos Serviços Secretos Ucranianos, Valentyn Nalyvaychenko, depois de ter repetidamente, em linha com os governantes ucranianos, defendido essa tese veio esclarecer que isso não seria possível porque eles não teriam nem treino nem habilitações militares para tal. Tinham sido militares russos. No dia anterior tinha dito, ele e o inefável primeiro-ministro Arseni Iatseniuk que os russos tinham fornecido sistemas Buk aos separatistas pró-russos. Agora, quando veio com essa nova teoria nenhum dos jornalistas presentes se lembrou de perguntar para que é que os russos entregavam e para que é que os separatistas queriam um sistema que não lhes servia para nada.

Esse senhor que diz terem sido militares russos, é o mesmo senhor que, dias antes,sempre  em linha com os governantes ucranianos, revelou conversas gravadas supostamente entre separatistas e militares russos sobre o abate do avião, provando terem sido os separatistas os responsáveis pelo seu abate. Gravações que a metadata da gravação demonstrou serem falsas por terem sido feitas um dia depois da queda do avião. Nos meios de comunicação social ocidentais isto também teve pouco ou nenhuma importância em nome da verdade jornalística e dos critérios editoriais. Depois das gravações ele promete fotos, vídeos sabe-se lá mais o quê. Claro que tudo muito sério e veraz dados os antecedentes.

4-    A nova teoria trazia água no bico. John Kerry, depois de dias em que Obama e ele próprio afirmavam ter informações fiáveis de que o disparo do míssil tinha partido de território ocupado pelos separatistas avançou com a teoria de que o disparo foi feito por militares russos que tinham atravessado a fronteira e retornado à Rússia. Completava assim a informação do chefe dos serviços secretos ucranianos. O que se estranha é que John Kerry ainda não tenha mostrado fotos comprovativas da sua teoria. Colin Powell foi mais rápido e eficaz quando desdobrou no Conselho de Segurança da ONU, inúmeras fotografias que demonstravam inequivocamente a existência de fábricas de armas de destruição maciça no Iraque que nunca existiram, como se veio a provar. Será que a Secretaria de Estado dos EUA, mais os vários serviços secretos norte-americanos estão a perder qualidades? O alçado principal de John Kerry não denuncia uma inteligência por aí  além, mas ficamos inquietos com estes atrasos. Só conversa? Só conversa e nada de provas? Pergunte ao Colin Powell como se fabricam! Podia marcar uma nova cimeira nos Açores com o Cameron e o Rajoy, Passos e Portas fardados de motoristas e porteiros! A história repetia-se, a farsa continuava com novos protagonistas. A representação seria cada vez mais medíocre.

5-    Foram os separatistas pró-russos repetidamente acusados de não darem acesso ao lugar onde os destroços estão dispersos. Os separatistas garantiram que cumpririam um cessar-fogo de quatro dias para a missão internacional se deslocar ao local. Agora sabe-se que o cessar-fogo nunca foi aceite por Petro Poroshenko que diz não negociar com “terroristas”.

Os inspectores da OSCE falam cuidadosamente numa zona insegura, de onde se ouvem tiroteios constantes. Esquecem-se de falar da não aceitação da trégua pelo governo ucraniano.

Ontem e hoje há combates que se estão travar nas imediações da estação de caminho de ferro de Thorez, onde estão os vagões frigoríficos com os corpos dos malogrados viajantes do voo MH17. Nas proximidades do local da queda do Boeing, entre a colina de Saur-Mogila e o posto fronteiriço de Marinovka, continuam intensos combates. Ouvem-se novamente explosões de projécteis de artilharia.

O cúmulo do cinismo é o governo ucraniano dizer que os combates não são entre tropas governamentais que atacam os separatistas, mas entre os batalhões de voluntários, leia-se grupos armados de extrema-direita e mercenários da Blackwater que combatem integrados no exército da Ucrânia e agora estão aí estão a combater os “terroristas”.

6-    Obama e companhia, obviamente na primeira linha os seus mandaretes de Kiev, acusam antes de qualquer prova. Cameron mostra os dentes. Merkel e a Europa do Norte são mais moderados, embora afinem pelo mesmo diapasão.

Israel aproveita o ruído mediático para matar sem dó nem piedade os palestinianos de Gaza.

O dólar range com a possibilidade real de acabar por valer tanto como as notas do jogo do monopólio, depois do encontro dos BRICS, Brasil, Rússia, India, China e União Sul-Africana, que decidiram fundar um Banco de Desenvolvimento para apoiar países emergentes e substituir, entre si e com os países com que fazem comércio, o dólar por uma moeda que volta a ter por padrão o ouro.

7-    Nesta crise, como nos inquéritos e nos romances policiais, duas coisas a não esquecer:

a)    Quem é beneficiado com a queda do avião da Malasya Airways?

b)   Será que os EUA, segundo a voz autorizada de Victoria “que se foda a europa” Nuland, investiram cinco mil milhões de dólares na destabilização da Ucrânia e vão ficar sem retorno?

 

(*) as tropas que lutam contra os separatistas pró-russos são constituídas por tropas governamentais ucranianas, exército regular e tropas de elite, batalhões armados da extrema-direita e mercenários da Academi, contratados por oligarcas ucranianos. A Academi (antiga Blackwater) é uma empresa de mercenários com sede em Moyock na Carolina do Norte, Estados Unidos e contas nas Ilhas Caimão. É formada por vários tipos de paramilitares, por ex-integrantes dos Seals e outras chamadas forças de elite. A companhia fornece mercenários e vários outros serviços paramilitares. Foi fundada em 1996 por Erik Prince, que em Agosto de 2009, em depoimentos sob juramento de ex-funcionários, foi acusado de assassinar ou facilitar o assassinato de indivíduos que vinham colaborando com as autoridades federais americanas que investigam o envolvimento da Companhia em vários escândalos. A Blackwater está actuando como força auxiliar (e de segurança) no Iraque e Afeganistão, e está envolvida em várias controvérsias e investigações. Faz os trabalhos mais sujos para a CIA, nomeadamente na América Centro e Sul.

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