Al Qaeda, Atentados Terroristas, BANCOS, Bank of America, Bernie Sanders, Comunicação Social, Critérios Jornalisticos, Debates Eleitorais, Donald Trump, Eleições presidenciais 2016, Estado Islâmico, EUA, Fim da História, Fim da Ideologia, Geral, Goldman Sachs, Guerra, Hillary Clinton, imperialismo, jihad, John Kerry, Jugoslávia, Líbia, Médio Oriente, Obama, Pentágono, Rússia, Síria, Ucrânia, Wall Street

Eleições nos EUA

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Fotografia de Robert Frank, City Fathers,Hoboken, New Jersey in /The Americans

Democracia.Democracias

Democracia é, etimologicamente, o “poder do povo”. Significa literalmente que o povo pode escolher os seus líderes em condições de igualdade e liberdade. Abraham Lincoln proclamava que a democracia se fundava no exercício do voto, era «o governo do povo, pelo povo e para o povo». Um idealismo que outro fundador do conceito moderno de democracia, Jean-Jacques Rousseau, contestava pondo em causa a democracia ficar reduzida ao cumprimento do formalismo eleitoral. Defendia que a democracia não é compatível com minorias muito ricas e maiorias na pobreza. Criticava o parlamentarismo inglês do séc. XVIII: «os ingleses acham-se livres porque votam de tantos em tantos anos para eleger os seus representantes, mas esquecem-se de que no dia seguinte a terem votado, são tão escravos como no dia anterior à votação». Para Rousseau, um opressor não pode representar o oprimido. Um patrão não representa um empregado. Uma questão central no conceito de democracia.

Lénine foi mais incisivo: democracia para quem? Um governo «dos ricos, pelos ricos e para os ricos» não se chama democracia, mas plutocracia.

Debate que continua actual. Sem sequer colocar a questão que, depois de exercer o direito de voto, os cidadãos ficam afastados do exercício do poder político até novas eleições, que entre promessas eleitorais e governação as diferenças podem ser abissais, verifica-se que os sistemas eleitorais, uns mais que outros, distorcem deliberadamente o “poder do povo”. Mesmo nos países em que os votos, pelo sistema proporcional, são próximos da vontade um deputado de um partido maior é eleito com menos votos que um deputado de um partido menor. Comparando sistemas eleitorais as aberrações são muitas. Na Grécia o partido que tiver mais votos, mesmo um só voto, tem um bónus de 50 deputados que escolhe a seu bel-prazer. Nas últimas eleições no Reino Unido os resultados são surpreendentes comparando os deputados eleitos e os que realmente seriam eleitos se o voto fosse proporcional: Partido Conservador Deputados eleitos 330 / Deputados que elegeria 209; Partido Trabalhista 232 / 203; Partido Liberal 8 / 48; UKIP 1 / 78. O Parlamento do Reino Unido está bem longe de representar a vontade do povo. Continuar a ler

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BE, CDU, Comunicação Social, Edgar Silva, Eleições Legislativas 2015, Eleições presidenciais 2016, Geral, PCP, Política

Arrancar olhos

olhos

Na sequência das últimas eleições presidenciais, a pretexto do resultado de Edgar Silva, candidato apoiado pelo PCP, ter ficado aquém das expectativas, a direita lançou um novo ataque ao PCP, desta vez acrescentando o ingrediente de tentar criar divisões nas forças que viabilizaram o actual governo PS.

Estranho, ou talvez não, é que alguns, dentro destas forças, provavelmente por terem uma longa tradição e vasta experiência em atacar o PCP, tenham servido de amplificadores de tal ataque.

Nos últimos dias, foi possível assistir a uma série de notícias e artigos de opinião que conseguiram misturar o veneno anti-comunista com as habituais doses de mentira, deturpação e caricatura, o cocktail do costume servido pelos melhores especialistas em cozinhar verdades laboratoriais sobre o PCP.

À semelhança do que era escrito em 1989, voltam a anunciar o fim do PCP, a erosão fatal do eleitorado comunista, o acumular de derrotas, a perda de influência política e social.

Analisam o PCP da mesma forma que analisam qualquer outro partido, sem compreender que para o PCP a participação em actos eleitorais não esgota a sua intervenção e acção política.

Mas, mesmo olhando só para as eleições, falham, porque analisam a participação do PCP em actos eleitorais, não à luz dos resultados reais, mas dos seus desejos e leituras que a partir deles fazem.

Por exemplo, falam em derrotas eleitorais sucessivas (há mesmo que consiga ver que o PCP perdeu votos nas últimas legislativas) quando o PCP, desde 2002, sucessivamente, vê o seu resultado em eleições legislativas melhorar, esquecem que o PCP tem vindo a aumentar a sua influência autárquica (veja-se o vómito de Vasco Pulido Valente que em sóbria e lúcida análise vê o PCP a perder influência desde o fim da II Guerra Mundial), sendo a força política com maior número de presidências de Câmaras Municipais na Área Metropolitana de Lisboa, ou que o PCP nas últimas eleições para o Parlamento Europeu elegeu mais um eurodeputado.

Mas na sequência dos resultados das eleições presidenciais, novas teses vêm juntar-se à do fim próximo do PCP, entre elas as que referem que o eleitorado do PCP castigou o Partido pela viabilização do Governo PS ou que o PCP terá de fazer prova de vida e, portanto, sair para a rua, rasgando a posição conjunta assinada com o PS, fazendo oposição ao Governo.

Tamanha preocupação com o PCP chega a ser comovedora, provando que temos muitos e bons amigos, sempre disponíveis nas ocasiões mais difíceis para dar um conselho sábio.

Sei que no domínio das ciências ocultas, a PCêpologia é uma das mais rentáveis e decretar o óbito do PCP, pelo menos, uma vez por mês faz parte do contrato de muitos analistas e comentadores encartados, mas desta vez surpreendem pela criatividade, pela manipulação de resultados eleitorais, pela criação de uma competição virtual entre PCP e BE (a mesma competição que não viram quando o BE quase desapareceu do mapa), pela confusão entre eleições legislativas e presidenciais, pela ideia de que a viabilidade do Governo pode estar comprometida por causa do resultado do candidato apoiado pelo PCP nas presidenciais.

De facto, para analisar o PCP tudo é permitido, todos os argumentos são válidos (mesmo os falsos), vale tudo, até arrancar olhos!

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Eleições presidenciais 2016, Geral, Política

Eleições presidenciais: contributo para um balanço

PRESIDENCIAIS 2016

Foram os resultados das eleições presidenciais surpreendentes? Não. Mas tiveram algumas meias surpresas. A possibilidade de uma segunda volta, não sendo impossível era muito difícil. Ficam os erros que as esquerdas teimam em repetir.

Sampaio da Nóvoa (22,89% dos votos expressos) atingiu valores apenas razoáveis. Maria de Belém (4,24%) e Edgar Silva (3,95%) ficaram muito aquém do que seria expectável. Marisa Matias (10,13%) foi além do que se esperava. Dos candidatos mais “pequenos” apenas a meia surpresa Tino de Rans. Ou seja, a soma de todos eles (48%) foi incapaz de evitar que a campanha de Marcelo Rebelo de Sousa (52%) quase que fosse um “passeio pelo parque”.

Ficará a pairar a dúvida sobre se uma candidatura que dinamizasse as várias sensibilidades da esquerda não seria a melhor estratégia. Constatou-se, mais uma vez, que as esquerdas não só não conversaram entre si, como se combateram. Perante um PS estrelhaçado e na ausência de um “peso pesado” multiplicaram-se os candidatos das esquerdas. E a história registou uma repetição do que já víramos acontecer na primeira eleição presidencial de Cavaco Silva em 2006: um país politicamente à esquerda elege um presidente oriunda da direita.

A candidatura de Maria de Belém foi “abalroada” pelo escândalo das subvenções vitalícias – com a deliberação do Tribunal Constitucional a ser divulgada num timing muito (in)oportuno. Também é verdade que Belém conseguiu confirmar e exponenciar pela negativa a “falsa frágil” (vide debates televisivos) que Manuel Alegre já prenunciara em Agosto do ano passado.

É verdade que Edgar Silva e o PCP/CDU fizeram uma campanha activa e recheada de iniciativas, como sempre é timbre do Partido Comunista Português. Mas o que falhou? Para onde foi o mais de um quarto de milhão eleitores que em Outubro de 2015 votou na CDU e que agora não escolheu o candidato apoiado pelo PCP? Parte importante deste eleitorado ter-se-á distribuído por outras candidaturas, porventura não tão afirmadas partidariamente, numa eleição que não é, em última instância, entre partidos.

A votação de Marisa Matias indicia o que poderá ser uma certa recomposição no voto das esquerdas, já que quase confirma a votação do Bloco de Esquerda em Outubro passado. Não há que duvidar que as “novas” caras femininas do Bloco lhe tem conseguido emprestar um notável poder comunicacional. Não só pela sua competência, mas também pelo facto de o serem. Atenção a Assunção Cristas, quase a chegar ao CDS!

Esta eleição presidencial volta a demonstrar que numa eleição uni-pessoal há outros factores em jogo para além dos políticos. O reconhecimento mediático e a notoriedade pessoal, a projecção do afecto (“a marmita” de Marcelo!), o percurso pessoal…

É certo que Marcelo Rebelo de Sousa partiu com grande vantagem. Mas teve a vida facilitada.

(Também sobre este assunto, ver aqui)

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"Star-System", Copmunicação Social, Edgar Silva, Eleições presidenciais 2016, Geral, Henrique Neto, Jornalismo, Maio 68, Marcelo Rebelo de Sousa, Maria de Belém, Marisa Matias, Sociedade Pós-Moderna, Tino de Rans

Quem ganhou as eleições?

 

TVQuem ganhou estas eleições presidenciais? A televisão!!! Três candidatos, Marcelo Rebelo de Sousa, Marisa Matias e Tino de Rans são, desigualmente e de modos diversos, produtos da comunicação social, com a televisão a ocupar um lugar central. Comunicação social, com a televisão na linha da frente, que é a ferramenta importante da construção ideológica da realidade que molda e inquina o pensamento.

É a situação actual que vivemos, que se iniciou nos anos 60, anos de corte em que se inicia a passagem para a política, a economia e a cultura actuais. Em que o papel do Estado se começa a alterar substancialmente passando de um Estado interventivo e garante do bem-estar para o tendencialmente Estado mínimo neoliberal, dominado pelas leis do mercado e do paradigma da iniciativa privada, o que paradoxalmente é desmentido quando a situação de crise permanente e senil em que o capitalismo vive, conhece um agravamento. Que teve em Maio 68 o seu momento fundamental. Uma situação pós-revolucionária que incorpora as tendências positivas do desenvolvimento capitalista que seria superado pela organização autogestionária das forças produtivas sem alterar a relações de produção. Uma revolução sem revolução nem revolucionários. Fábrica de provocações frustres que, na sua forma mais radical, procura assombrar uma burguesia entediada com o seu próprio tédio, uma burguesia insusceptível de se escandalizar num mundo inenarrável por demasiado ligeiro, demasiado absurdo, onde nada se repete porque é meramente casual onde, dirá Kundera, “tudo está já perdoado e por isso cinicamente permitido”. Continuar a ler

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Edgar Silva, Eleições presidenciais 2016

Afirmar Abril!

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No próximo Domingo, com toda a confiança votarei em Edgar Silva, o único candidato que assumiu claramente o compromisso de afirmar Abril e defender a Constituição.

Numa campanha eleitoral em crescendo,  Edgar Silva usou todos os momentos para denunciar as injustiças e desigualdades, para apontar o dedo aos seus responsáveis, para desmascarar aqueles que sistematicamente estiveram do lado da negação dos direitos, liberdades e garantias consagrados na Constituição de Abril e afirmar a existência de uma alternativa, comprometida com os valores da Revolução, com Portugal e com o povo português.

Até ao encerramento das urnas é tempo de mobilizar, mobilizar e mobilizar para Afirmar Abril!

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Comunicação Social, Critérios Editoriais, Critérios Jornalisticos, Debates Eleitorais, Edgar Silva, Eleições presidenciais 2016, Geral, Henrique Neto, Maria de Belém, Marisa Matias, Paulo Morais, Sampaio da Nóvoa, Tino de Rans

O primeiro dia da campanha eleitoral para as Presidenciais

 

medusaA campanha da eleição presidencial que hoje  oficialmente se inicia teve nos tempos de pré-campanha algumas curiosidades que se devem registar por desnudarem, mais uma vez, os truques da comunicação social, entrincheirados nos critérios editoriais e jornalísticos. Esventram uma realidade de todos conhecida, por mais sabida, a do mercenarismo aliado à falta de qualidade profissional. O rol, só focado neste tema, seria extensíssimo, algumas notas são relevantes.

A mais notória, desde as primeiras notícias, é a da discriminização entre os candidatos. Todos têm nomes, mesmo títulos. Ele é o professor Marcelo, a imagem de marca muitas vezes dispensa os apelidos, a dra Maria de Belém, o professor Sampaio da Nóvoa, o professor Paulo Morais, o engenheiro Henrique Neto, a deputada Marisa Matias e por aí fora todos alinhados e identificados, até Tino de Rans, menos um raramente referido pelo nome Edgar Silva, sendo mais conhecido como o candidato do Partido Comunista.

O tom dos supostos moderadores e entrevistadores variou da indiferença, da sobranceria, do apoio amigo, à provocação rasca. Reveja-se por exemplo Judite de Sousa com Maria de Belém que aliás disputa o apoio da jornalista com o professor Marcelo, ou Clara de Sousa que, qual árbitro de um combate de boxe, interpôs-se entre os professores Marcelo e Sampaio da Nóvoa, para permitir ao professor Marcelo sair das cordas. No meio das horas de debates e entrevistas não faltou uma baixa provocação. Uma rasteira, pensava o espertalhaço jornalista, a Edgar Silva, querendo saber coisa decisiva num debate daquele teor, se iria visitar a Coreia do Norte. Ninguém se lembraria de perguntar ao candidato Marcelo que país africano escolheria para concorrer com o seu amigo Cavaco a trepar aos coqueiros, ou se Sampaio da Nóvoa, desvelado com o apoio de Mário Soares, iria viajar para cavalgar uma tartaruga ou quando e onde Maria de Belém iria procurar o padre Melícias para obter refrigério espiritual, durante e depois da campanha eleitoral. No mapa mundo só lá estava a Coreia do Norte para ver se o candidato do PC tropeçava num qualquer membro da dinastia Kim. Assim são os altos critérios jornalísticos e editoriais.

Para além dessas curiosidades, os debates tem revelado um professor Marcelo no seu melhor. Diz e desdiz-se com o à vontade de mais de quarenta anos na política activa directa e indirecta, perseguindo os mesmos objectivos, como militante activo, até com responsabilidades máximas,comentador, analista, e essa categoria inventada que faz as delícias da política parola, fazedor de factos políticos. Um faz tudo que tudo faz de vichyssoies políticas. Mesmo quando Sampaio da Nóvoa lhe abriu as defesas e aplicou uns ganchos e alguns uppercuts, não foi ao tapete e andou a fugir pelo ringue simulando uns golpes desapoiados como se fosse um candidato independente. Como bem disse Edgar Silva, o tal candidato do PCP, Marcelo é um mestre do engodo e do disfarce.  Oficioso candidato da direita tanto chora lágrimas de crocodilo pelas consequências das políticas de direita dos últimos anos que sempre amparou, mesmo quando criticava a forma e não o fundo, com jogadas de sumo oportunismo, chegando ao cúmulo de fingir não apoiar o que de facto apoiava. O professor Marcelo continua em todos os palcos, os que lhe oferecem e os que procura, o seu número de palhaço rico, mestre na dissimulação. A sua mais recente prestidigitação é o aparecer como um quase independente político e um interclassista a distribuir afectos. Ainda o havemos de ver mascarado de Francisco a pregar lérias aos votantes,  como se os seus amigos dilectos não fossem a alta finança e a alta burguesia, o seu berço. A comunicação social e as sondagens arrimam o estro e a lábia do personagem com desvelo.

Extraordinário, aliás nada extraordinário, é não houve ninguém que faça contas à campanha do prof. Marcelo. Sem pudor e desfaçatez quase fica roxo de indignação com os gastos das campanhas eleitorais dos outros candidatos. Não irá gastar raspas em cartazes, tempos de antena ou qualquer outro outro tipo de propaganda que não seja o esfolar solas a peregrinar pelo país, a distribuir abraços e beijinhos, a beber e pagar uns cafezinhos. Isto depois de mais de trinta anos a meter ao bolso os honorários principescos com que construiu a sua imagem nas televisões públicas e privadas. São milhares de horas nos chamados horários nobres televisivos É, de longe e em todos os tempos, a campanha eleitoral mais cara de algum partido ou candidato presidencial, com a particularidade de lhe rechear a carteira e demonstrar que, afinal, a banha da cobra é um produto valioso. Durante todo esse tempo, o único português, das dezenas de milhões que vivem em Portugal e na diáspora, que não sabia que o professor Marcelo fazia o seu caminho para Belém, carregado de ouro, incenso e mirra, era o próprio professor Marcelo, enrodilhado nas suas partes gagas, até ficar cansado de esperar que Cristo descesse à terra e  decidisse que era tempo de arrombar as portas do palácio de Belém.

O alfa e o ómega dos debates televisivos foi alcançado quando os candidatos Professor Marcelo Rebelo de Sousa e a dra Maria de Belém, no último debate, concordaram pressurosamente, que não se deveriam fazer julgamentos de carácter aos candidatos. Pudera! Com o currículo de qualquer um deles, um julgamento de carácter seria bastante corrosivo. O bicho comeria toda a maçã.

Com esse histórico, as sondagens, as sondagens valem o que valem e valem também para manipular, tal como a cobertura da comunicação social, o professor Marcelo, com um lastro de dezenas de anos de presença nas pantalhas televisivas, vai à frente e bem à frente de todos os outros candidatos. O grave e grande risco que Portugal corre é depois da múmia paralítica Cavaco trocar o Palácio de Belém pelo Poço de Boliqueime ver emergir das águas do Guincho essa medusa surfista que, ao sabor das ondas, vá fazer companhia aos nenúfares dos lagos de Palácio de Belém. Será constrangedor para Portugal, uma das primeiras nações do mundo ter como Presidente da República um invertebrado jongleur a jogar diariamente com bolas coloridas dos improvisos, das intrigas, dos enganos, das advertências e desavertências, das traições, como se a política fosse um jogo banal e não coisa muita séria na vida das pessoas. Esclareça-se, lute-se para que essa glorieta guiness não aconteça, nem na segunda volta eleitoral e muito menos no dia 24 de Janeiro.

 

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Eleições presidenciais 2016, Geral

Presidenciais: Pode o pelotão apanhar a lebre?

Teofilo Braga a caminho de Belem

Presidente Teófilo Braga dirigindo-se de eléctrico ao Palácio de Belém.(imagem do Museu da Presidência da República)

O candidato Marcelo Rebelo de Sousa sai na frente e com vantagem. Mas é agora que a corrida vai começar a sério. Pode ainda o pelotão da esquerda apanhá-lo e ultrapassá-lo? Para isso um dos seus candidatos terá que chegar à segunda volta – coisa que só aconteceu uma vez, em 1986, quando Mário Soares ultrapassou Freitas do Amaral no sprint final da segunda volta.

Apesar de eleitoralmente maioritária, uma esquerda desacertada tem facilitado a vida ao candidato da direita. Sendo Marcelo o melhor candidato que a direita poderia ter, a batalha marcada para 24 de Janeiro de 2016 é “um osso muito duro de roer” para as esquerdas. Mas nem sempre quem sai primeiro, chega em primeiro lugar.

Marcelo, corredor de fundo ou lebre?

Apesar de não ter sido o “desejado” por Passos Coelho e Paulo Portas, Marcelo Rebelo de Sousa apresenta-se como o único candidato da direita, no que constitui mais um exemplo do pragmatismo desta área política.

Marcelo dispensa apresentações porque toda a gente o conhece. É certamente dos portugueses com maior projeção mediática, não tivesse ele entrado nas casas dos portugueses, através dos ecrãs televisivos e em prime time, ao longo de muitos anos na qualidade de comentador político. Ou de “catavento” na opinião do chefe do PSD, aquele que é hoje um dos seus mais ilustres apoiantes. Marcelo construiu paulatinamente a sua candidatura fazendo todos os circuitos necessários, não se esquecendo sequer da Festa do Avante! Por isso parte na frente.

Displicência socialista

Mas é também evidente a displicência com que o partido socialista tratou a eleição presidencial. Ao PS competiria dirigir uma estratégia de abrangência do povo de esquerda. Como em 1996 com a candidatura vitoriosa de Jorge Sampaio, apoiada pelas desistências dos candidatos Jerónimo de Sousa (PCP) e Alberto Matos (UDP) antes da primeira volta. Mas os socialistas apresentaram-se agora sem estratégia.

No tempo que resta há pois que “tocar a rebate”, mobilizar e tirar Marcelo do altar.

A esquerda, fragmentada como é habitual, encontra o PS dividido por três candidaturas: duas quase oficiais, sendo que uma delas, a de Sampaio da Nóvoa, é “secretamente” apoiada pelo primeiro-ministro, e ainda uma outra de um franco-atirador, Henrique Neto. A imagem não pode deixar de nos recordar o desastroso panorama, com funestos resultados, que opôs Manuel Alegre e Mário Soares na eleição presidencial de 2006 e que ditou o primeiro dos dois mandatos de Cavaco Silva… com 50,54% dos votos.

Agora que uma nova e esperançosa maioria parlamentar dá os primeiros passos, importa perceber qual o papel que o futuro presidente da república desempenhará. Cavaco Silva, o primeiro presidente oriundo da direita, demonstrou à exaustação e de forma caricata a sua filiação, desprestigiando a função presidencial a um ponto dificilmente prescrutável.

Que poderemos esperar de Marcelo? Que se esqueça da sua origem, do seu percurso e dos interesses da sua família e amigos políticos? Que se esqueça que foi fundador do PPD e seu líder? Que fez todas as campanhas ao lado do Passos Coelho e Cavaco Silva?

Ao comentador que ao longo de anos se equilibrou politicamente (o catavento de Passos Coelho!) nos ecrãs das televisões, sucede agora o candidato que quer fazer esquecer de onde vem e esconder para onde vai. Com respostas redondas e uma simpatia táctica com a actual solução governativa. Há pois que o fazer descer à terra e aos problemas.

O pelotão da esquerda

Sampaio da Nóvoa. Praticamente desconhecido do grande público, é o factor novidade nas presidenciais. Sem credenciais nem passado na vida político-partidária, avançou contando com a bênção do PS de António Costa, adivinhando-se outras simpatias nas esquerdas. Tem-se assim perspetivado como um candidato federador dessas esquerdas, tendo congregado o apoio de todos os antigos presidentes da república. Mas a estratégica, que parecia promissora, foi torpedeada a partir do mesmo PS que lhe indiciou apoio.

Maria de Belém. Está ainda por explicar o que levou esta ex-ministra de governos socialistas a avançar com uma candidatura que sabia ir fraturar, quer o seu partido, quer o eleitorado socialista. Retaliação e pauzinhos na engrenagem do então novo líder A. Costa que acabara de apear António J. Seguro. Não foi ela a presidente do partido durante o consulado de Seguro? Como também é sabido que a sua candidatura foi acarinhada pela direita.

Edgar Silva é a voz do PCP nas presidenciais. Uma presença autónoma perante os grandes blocos que se formam em eleições unipessoais. Diz a história que os comunistas portugueses nunca prescindem de uma presença ativa; a mesma história que diz que a ida a votos na primeira volta depende do que pode ser a melhor opção para uma vitória da grande área da esquerda.

Marisa Matias corresponde à afirmação de uma outra área da esquerda, sendo a tentativa de o BE potenciar nas presidenciais o sucesso registado nas eleições legislativas.

Aos quatro candidatos das esquerdas e às forças políticas que os suportam exige-se a maior dinamização dos seus eleitorados. Só a partir dessa maximização será possível forçar uma segunda volta. É certo que só agora começa a campanha, mas a lebre Marcelo tem que ser confrontado com as opções que o presidente vai ser chamado a fazer.

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